Uma alcoólica não pode ser curada; a sua
enfermidade apenas pode ser detida. Contrariamente aos noventa por cento de
todos nós, ela faz parte daqueles dez por cento que não conseguirão nunca beber
ocasionalmente e com controlo. Mas, se ela seguir as linhas de orientação dos
AV pode levar uma vida feliz e saudável. As regras são: permanecer sóbrio um
dia de cada vez; nunca esquecer que a primeira bebida é que embriaga; e
recordar sempre que, tal como alguém que sofra da febre dos fenos, você será
sempre uma alcoólica.
Não há alcoólico "típico". Mas certos
sintomas são sintomáticos da doença: racionalização, refutação, procurar lançar
as culpas sobre os outros. Os casos de Marie Neenan e Pat Frye ilustram a
progressão da doença.
Muitas alcoólicas recuperadas insistem em manter o
seu anonimato, receosas pelos seus empregos e também para não ferir os entes
queridos, isto por causa do estigma ligado às mulheres que bebem. Mas, Marie e
Pat consentiram corajosamente em deixar aqui o seu testemunho na esperança de
que você, ou a sua família, se sintam motivados a pedir auxílio antes que seja
demasiado tarde.
A
emancipação feminina, iniciada nas últimas três décadas, foi uma vitória para as
mulheres, que conquistaram o seu espaço na sociedade. Mas junto a isso uma nova
realidade se inseriu no campo das patologias sociais. As mulheres não só conseguiram
igualdade junto aos homens na busca pela autoafirmação e independência, como também
estão se igualando no que se refere ao consumo de drogas.
Como é de se imaginar o alcoolismo não podia escapar dessa nova realidade.
Na França, por exemplo, o alcoolismo feminino já alcança seus expressivos 25% e
sua incidência foi multiplicada por cinco nos últimos vinte anos.







