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9/01/2018

Pilares na prevenção do uso de álcool e outras drogas


Pilares na prevenção do uso de álcool e outras drogas


Amandio Teixeira
Isabel Scott
O papel da família
A família é um ponto chave no tratamento terapêutico de dependentes químicos. A todo o momento, o ser humano é cobrado e influenciado pelo meio social em que vive e esse meio também determina como ele deve agir pensar e se comportar. Se ele fugir às normas sociais consequentemente será “punido” pela sociedade.
Com isso, a todo o momento o indivíduo se sente “vigiado” por esta e, em última instância, por ele mesmo. Sendo assim, o nível de estresse ao qual é submetido todos os dias é alto, saindo às vezes do “normal” para o descontrole.
Nem mesmo na condição de dependente químico, o indivíduo se livra da cobrança e do julgamento social – ao contrário – a cobrança passa a ser muito maior e, como não pode mais obedecer às regras sociais, passa a ser excluído de todo o convívio em sociedade, seja na escola, no trabalho ou até mesmo na família.
A família em muitos casos faz parte deste processo de exclusão do doente, muitas vezes por medo, desconhecimento, ou simplesmente pelo estigma de ter em seu convívio um doente tido pela sociedade como alguém sem capacidades, “louco” ou “drogado”.
Percebemos as dificuldades e a carga psicológica às quais as famílias estão expostas; porém é essencial todo e qualquer apoio nestes casos, sendo de suma importância seu envolvimento e participação durante todo o tratamento terapêutico vivenciado pelo paciente, a fim de conhecer e entender melhor a problemática, tornando-se parte deste processo.
Além do preconceito que os dependentes químicos sofrem da sociedade, eles também são submetidos aos da família, que se sente envergonhada da sociedade pelo simples fato de não terem conseguido formar um indivíduo “saudável” e preparado para cumprir com suas obrigações sociais.
Não é possível julgá-las, pois também são vítimas da sociedade assim como o doente, mas é possível reconhecer a importância dela na vida de qualquer ser humano.
Os familiares são fundamentais no processo de tratamento do doente. No entanto, necessitam saber como lidar com as situações estressantes, evitando comentários críticos ou se tornando exageradamente superprotetores, dois fatores que reconhecidamente provocam recaídas.
Torna-se muito importante que os familiares dosem o grau de exigências em relação ao doente, não exigindo mais do que ele pode realizar em dado momento, mas sem deixá-lo abandonado, ou sem participação na vida familiar.
Conhecendo melhor a doença e tendo um diagnóstico claro, a família passa a ser um aliado eficiente em conjunto com a medicação e a terapêutica trabalhada pela equipe multiprofissional.
Ao mesmo tempo em que se trata o quadro de doença do paciente, a família deve receber total atenção no sentido de ser orientada em sua abordagem ao paciente ou em sua dinâmica de relacionamento durante o processo terapêutico, visto que em muitos casos a família adoece em conjunto, sendo necessário um processo de escuta, apoio e orientação.
Trabalhar com famílias traz à tona traços relacionados à dinâmica funcional familiar muitas vezes já cristalizados ao longo do tempo e que necessitam ser repensados e apreendidos.
Orientação familiar
Educação em saúde é fundamental para assegurar não só o entendimento do doente, como também de sua família, sobre os problemas relacionados ao uso crônico de álcool. Assim como é imprescindível a orientação do paciente sobre o seu problema, a família, parte integrante dessa disfunção, precisa ser informada e encaminhada para um tratamento mais intensivo, se necessário.
Em qualquer dos níveis de comprometimento que o indivíduo apresente, é essencial trabalhar os conceitos de síndrome de dependência e abstinência alcoólica, com objetivo claro de desenvolver, nesse sistema familiar, a análise crítica sobre seu papel nesse transtorno, como também promover sua mudança de pensamento e comportamento.
Trabalhar a autoestima e a importância da desintoxicação, assim como a prevenção da recaída, são estratégias a serem adotadas nessa fase inicial do tratamento, não só com o paciente, como também com seu sistema familiar e social.
Como falar sobre drogas com os filhos
Reconhecendo que os pais exercem grande influência sobre o consumo precoce dos filhos, damos algumas dicas para conversar sobre o assunto em casa, começando pelo álcool. A idade ideal para começar a falar sobre os efeitos do álcool é a partir dos nove anos de idade.
Dê o exemplo: Se você bebe, não cometa exageros. Não se gabe por beber nem menospreze aqueles que não bebem. Não dirija embriagado nem seja tolerante com quem o faz. Se você não bebe, converse sobre o álcool e explique o que motivou sua opção.
Seja realista: Apresente fatos concretos. Os efeitos imediatos e nocivos da bebida são os principais argumentos. Ensine que o álcool atrapalha o desenvolvimento físico, mental, social e espiritual.
Processo terapêutico familiar
O processo terapêutico é o momento onde o paciente passa por cuidados efetivos exercidos pela equipe multiprofissional tendo por finalidade o tratamento dos sintomas de sua doença e a manutenção e garantia de sua continuidade no tratamento tendo o suporte adequado para este fim, visando sua recuperação e melhora.
É neste momento também que estão lado a lado a equipe multidisciplinar e os familiares do paciente, juntos pelo mesmo objetivo - o da melhora e qualidade de vida do paciente.
Diante desde complexo cotidiano, as ações dirigidas às famílias devem estruturar-se de modo a favorecer e fortalecer a relação familiar/profissional/serviço, entendendo que o familiar e fundamental no tratamento dispensado ao doente.
Durante o processo terapêutico onde os familiares estão inseridos e participantes, conseguem lidar com menos apreensão e assim oferecer cuidados de melhor qualidade ao doente, principalmente quando estão inseridos em reuniões e/ou grupos de família ou em outros processos, sendo estes espaços propícios para a reflexão, discussão, escuta, troca de vivências, angústias e orientações, constituindo-se estes como efetivos espaços privilegiados de atendimento familiar.
Os pacientes sofrem e suas famílias também necessitam ser atendidas pela equipe respeitando sua forma de constituição, porem levando em consideração os vínculos estabelecidos e a dinâmica funcional, reconhecendo e respeitando suas limitações, procurando trabalhar preconceitos e outras formas de entendimento da situação e do problema do paciente.
A relação familiar é o sustentáculo e a base para uma boa estrutura emocional para o paciente, tanto para a prevenção de uma crise, quanto para sua manutenção e recuperação, fato pelo qual se torna essencial sua participação em todos os processos terapêuticos no qual o paciente esteja inserido, o que irá propiciar uma melhor adequação do tratamento e consequente melhora.
O papel da religião
Profissionais da saúde, pesquisadores e a população em geral reconhecem, cada vez mais, a importância da dimensão religiosa e espiritual para a saúde.
Diversos estudos científicos sobre as relações entre saúde e espiritualidade estão presentes em diversos centros de pesquisas espalhados pelo mundo e esses estudos apontam que crenças e práticas religiosas estão associadas a uma melhor saúde física e mental, incluindo melhor qualidade de vida.
Há um consistente e diversificado corpo de evidências indicando a relevância da religiosidade e da espiritualidade na saúde mental, de tal maneira que discutir ou pesquisar se essa relação benéfica entre espiritualidade e saúde é válida ou não já está ultrapassada.
Em relação à saúde mental, existem milhares de pesquisas. A maior parte sugere uma associação do envolvimento religioso com maiores níveis de satisfação de vida, tais como:
  • Sensação de bem estar;
  • Senso de propósito;
  • Significado da vida;
  • Esperança;
  • Otimismo;
  • Estabilidade nos casamentos;
  • Menores índices de ansiedade e depressão;
  • Menores índices de abuso de substâncias.
Outros estudos demonstram que pessoas com envolvimento religioso têm menor probabilidade de:
  • Usar e abusar de álcool e drogas;
  • Apresentar comportamentos de risco, como o sexo sem proteção, delinquência e crime, especialmente os adolescentes.
Ainda entre os adolescentes, o envolvimento religioso também é relacionado a menores taxas de suicídio e de atividade sexual precoce e consequente gravidez prematura.
O que nos cabe hoje, em ciência moderna, como profissionais de saúde mental, é encontrar as nossas dificuldades em lidar com esses assuntos na prática diária. Essas dificuldades passam por tópicos desde carência de treinamento em temas dessa natureza até os sistemas de crenças diversos de cada profissional, que podem gerar dificuldades em lidar com as crenças religiosas dos pacientes.
Os conceitos de religiosidade e espiritualidade
Espiritualidade e religião parecem a mesma coisa. Mas não são.
Antes de iniciar o estudo sobre o tema, é de extrema importância definir os conceitos de espiritualidade e religiosidade, uma vez que existe um infindável debate epistemológico na utilização desses conceitos.
Há várias definições para esses dois vocábulos, mas apresentamos aquelas que nos parecem mais simples e mais perto do que consideramos adequado:
Espiritualidade é uma busca pessoal pela compreensão das questões da vida, de seu significado e da relação com o sagrado e o transcendente, podendo ou não conduzir ou originar rituais religiosos e formação de comunidades.
Religião é um sistema organizado de crenças, práticas, rituais e símbolos, destinados a facilitar a proximidade com o sagrado e o transcendente: Deus ou uma força superior, nominadas ou não.
Prática religiosa funcional
  • Reduz a ansiedade existencial;
  • Fonte de esperança e sensação de bem estar emocional;
  • Promove coesão social;
  • Fornece identidade ao unir pessoas em torno de um ideal comum;
  • Orientação moral que diminui estilo de vida autodestrutivo;
  • Sensação de controle ao se unir com uma força onipotente;
  • Diminui a ansiedade da morte;
  • Desperta segurança para enfrentar dor e sofrimento;
  • Fonte de solução de conflitos emocionais e situacionais.
Prática religiosa disfuncional
  • Gera culpa patológica;
  • Diminui a autoestima;
  • Gera ansiedade e medo por meio de crenças punitivas;
  • Obstáculo para o crescimento pessoal;
  • Favorece o conformismo e a sugestionabilidade;
  • Inibe a expressão de sensações sexuais;
  • Fonte de paranoia.
Interação com líderes religiosos
Por vezes pode ocorrer oposição entre questões religiosas e o tratamento oferecido. Nestes casos pode ser de grande valia contar com o líder religioso, depois de autorizado pelo paciente, nunca com postura de confronto, mas sempre tentando trabalhar em conjunto. Normalmente ao perceber postura não hostil e atuação colaborativa, o líder passa a estimular a adesão da paciente ao tratamento.
Critérios sugestivos de experiências espirituais saudáveis
  • Ausência de sofrimento psicológico;
  • Ausência de prejuízos sociais e ocupacionais;
  • Existe uma atitude crítica sobre a realidade objetiva da experiência;
  • Existe compatibilidade da experiência com algum grupo cultural ou religioso;
  • Ausência de comorbidades;
  • A experiência é controlada;
  • A experiência gera crescimento pessoal;
  • A experiência é voltada para os outros.
Tratamentos com abordagem religiosa e espiritual
A APA (Associação Psiquiátrica Americana) recomenda que os psiquiatras respeitem e considerem com relevância a identidade cultural, espiritual e religiosa dos pacientes ao decidir por um tratamento. Esclarece que as crenças religiosas e espirituais podem ser importantes fontes de esperança e significado.
Cita o programa de 12 passos, com uma dimensão espiritual, como importante para o tratamento. Considera que as comunidades religiosas e espirituais facilitem a reintegração social e oferecem estabilidade, inspiração e apoio prático para os membros mentalmente doentes.
O papel da fé
Fica claro que a busca pela fé está diretamente ligada à história de dependência química, pois quando questionados sobre “em que momento da sua vida sentiram necessidade de procurar uma religião ou desenvolver sua espiritualidade” a maioria relata que foi no pior momento que tiveram quando ainda usavam drogas.
Observa-se também que esses momentos estão ligados a rupturas drásticas na já frágil estabilidade emocional dos dependentes tais como: brigas e separação familiar, perda de emprego, perdas financeiras, discriminação generalizada, isolamento, etc.
Outro fator importante de estresse durante a dependência química é o tratamento e internação psiquiátrica, 40% dos sujeitos sentiram necessidade de buscar apoio religioso/espiritual nesse momento da vida.
Assim, a religião influencia o modo como as pessoas lidam com situações de estresse, sofrimento e problemas vitais. A religiosidade pode proporcionar à pessoa maior aceitação, firmeza e adaptação a situações difíceis de vida, gerando paz, autoconfiança e perdão, além de permitir o despertar de uma imagem mais positiva de si mesmo.
É notório, porém, que esse despertar para fé, não acontece apenas por uma situação única e isolada, mas como a “gota d’água”, isto é, parte dos recorrentes conflitos causados pelo consumo de drogas, que na maioria das vezes é decorrente de uma desestruturação existencial e comportamental.
Quando inquiridos sobre qual a importância que a fé teve na recuperação de sua doença pode-se dizer que muitos dependentes encaram a fé como a salvação de suas vidas e como suporte indispensável para alcançar a abstinência e conseguir manter-se assim.
Esses são aspectos responsáveis pelo sucesso de programas que abordam a espiritualidade/religiosidade no tratamento contra as drogas.
Aproximar a espiritualidade ao tratamento convencional ainda representa uma tarefa muito difícil para a psiquiatria. Entretanto, todo indivíduo tem a necessidade de ser tratado como pessoa completa num contexto biológico psicológico sociológico e espiritual.
Talvez se o tratamento psiquiátrico ao qual são submetidos tiver, em algum momento, um aporte espiritual, estejamos na verdade conseguindo abordar da forma mais abrangente possível todos os recursos capazes de levar à recuperação.
A fé como proteção à recaída
Os indivíduos de menos idade são os que menos atribuem à espiritualidade e à religiosidade o caráter de fator protetor para manter-se longe das drogas. Eles são os que mais cedo fazem uso de substâncias de dependência e que também usam um número maior no que se refere à diversidade de substâncias. Entretanto, vários pesquisadores concluem que quanto maior a importância dada à religião, menor o envolvimento com drogas.
Ainda que existam outros fatores que contribuam para a mudança de conduta dos dependentes químicos, é a espiritualidade desenvolvida ao longo de alguns meses, através do contato com a informação religiosa, que os faz permanecer no caminho da abstinência - pessoas que há mais de dois anos estão abstêmios demonstram uma estreita relação com a religião professada e a ela atribuem o principal fator da manutenção da abstinência.
As questões que tratam do apoio de membros da instituição religiosa têm significativa relevância, confirmando que a religião não promove apenas a abstinência do consumo de drogas, mas, em especial, oferece recursos sociais de reestruturação: nova rede de amizades, ocupação do tempo livre em trabalhos voluntários, atendimento “psicológico” individualizado, valorização das potencialidades individuais, coesão do grupo e apoio incondicional dos líderes religiosos, sem julgamentos.
A religiosidade controla indiretamente as atitudes frente ao consumo de drogas através da percepção do perigo de usar. Em especial, os aspectos de suporte social oferecido pela igreja ficam mais evidentes, pois realiza um forte acolhimento, demonstra mais zelo, preocupação e cuidado com os seus membros. A importância da igreja como suporte social também é destacada por algumas pessoas em recuperação.
Na igreja, o fiel passa a seguir as regras adotadas e passa a respeitar as normas e valores determinados pela religião. Naturalmente essas normas levam a um distanciamento das drogas, devido à conscientização gradual da degradação moral associada ao seu uso e também pelo receio da rejeição por parte dos outros membros da igreja.
A gratidão que o dependente químico tem pela instituição religiosa, apoiado na fé, afasta-o de atitudes e comportamentos que não estejam de acordo com a moral difundida pela religião.
O papel da oração
Pesquisas demonstram que a oração parece ser a ferramenta mais adotada para evitar a fissura e lidar com as dificuldades, uma vez que 80,0% dos dependentes fazem orações nessas ocasiões.
Este aspecto demonstra que a devoção pessoal, expressa essencialmente pelas orações dirigidas a Deus, mostra-se inversamente associada ao abuso e à dependência das drogas e é o principal método de tratamento da síndrome de abstinência e de qualquer sintoma de recaída associada à fissura.
É utilizada sempre que surge a vontade de usar e sempre que os dependentes sentem necessidade de “conversar com Deus”. A oração atua também como um ansiolítico, pois além de promover a fé, é nesse momento que o indivíduo divide suas angústias, sua luta diária contra a vontade de consumir drogas, confiante na resposta que terá do Divino.
O papel dos grupos de mútuo ajuda
Alcoólicos Anônimos e Narcóticos Anônimos são irmandades mundiais de homens e mulheres que se ajudam mutuamente a permanecerem sóbrios. Eles oferecem a mesma ajuda a qualquer um que tenha um problema com a bebida/drogas e queira parar.
Por serem todos dependentes químicos, eles tem uma compreensão mutua especial. Sabem como essa doença os atinge – e aprenderam como se recuperar dentro de A.A /N.A.
Cada grupo realiza reuniões regulares, nas quais os membros relatam entre si suas experiências - geralmente em relação aos "Doze Passos" sugeridos para a recuperação, e às "Doze Tradições" sugeridas para as relações dentro da Irmandade e com a comunidade de fora.
Muitas pessoas não aceitarão a nossa mensagem. As pessoas que estão no “caminho fácil que leva para o inferno” não se mostrarão entusiasmadas em submeter-se aos passos claramente definidos no caminho para a recuperação. Mas, para aqueles que ouvirem a nossa história poderá ser a diferença entre a vida e a morte.
São seguramente os primeiros a falarem em espiritualidade para seus membros, gente com uma história de sofrimento absurdo em função de sua toxicodependência/alcoolismo, desvinculando esse conceito de um modelo tradicional de religião. Isso pode ser verificado no próprio preâmbulo de AA:
Alcoólicos anônimos é uma irmandade de homens e mulheres que compartilham suas experiências, forças e esperanças a fim de resolver o seu problema comum e ajudarem outros a se recuperarem do alcoolismo. O único requisito para se tornar membro é o desejo de parar de beber.
Para ser membro de A.A. não há necessidade de se pagar taxas nem mensalidades somos autossuficientes graças às nossas próprias contribuições. A.A. não está ligado a nenhuma seita ou religião, nenhum movimento político, nenhuma organização ou instituição não deseja entrar em qualquer controvérsia; não apoia nem combate quaisquer causas. Nosso propósito primordial é mantermo-nos sóbrios e ajudar outros alcoólicos a alcançarem a sobriedade.
Essas características podem ser responsáveis pela imensa capacidade de agregar em um mesmo espaço pessoas tão diferentes. Mas outra relação menos conhecida do Programa de Doze Passos está de fato intimamente ligada ao convívio religioso.
O papel dos tratamentos psicossociais
O alcoolismo é uma doença incurável, de determinação fatal e progressiva até mesmo em períodos de abstinência, entretanto, existem tratamentos para interromper o crescimento da doença, como veremos a seguir.
As psicoterapias descritas mais adiante têm sido usadas no tratamento dos transtornos causados pelo uso do álcool. Vários autores fizeram revisões da eficácia das várias psicoterapias para tais transtornos.
Este tópico faz revisões dos resultados na literatura sobre terapias comportamentais cognitivas, terapias comportamentais, terapias psicodinâmicas/interpessoais, intervenções breves, terapia conjugal e familiar, terapia de grupo, after care e grupos de autoajuda.

Terapias comportamentais cognitivas

Existem muitas evidências de que os tratamentos comportamentais cognitivos que objetivam a melhora do autocontrole e das habilidades sociais levam consistentemente à redução do alcoolismo.
Estratégias de autocontrole incluem estabelecimento de metas, automonitorização, análise funcional dos antecedentes do alcoolismo e possibilidades de aprendizagem de alternativas para enfrentamento de situações conflitivas.
O treinamento das capacidades sociais concentra-se em desenvolver habilidades para formar e manter relações interpessoais mais estáveis, positividade e recusa para aceitar bebidas.
Intervenções em terapia cognitiva concentradas em identificar e modificar pensamentos mal adaptativos e que não incluam um componente comportamental não têm sido tão efetivas quanto os tratamentos comportamentais cognitivos.
O treinamento do autocontrole consiste em estratégias cognitivas e comportamentais, inclusive automonitorização, estabelecimento de metas, recompensas para obtenção de metas, análise funcional de situações propícias para beber e aprendizagem das habilidades alternativas para enfrentamento do problema com bebidas.
Embora alguns estudos de treinamento de autocontrole comportamental tenham incluído alcoolismo controlado, bem como abstinência, como objetivo do tratamento, as técnicas comportamentais de autocontrole devem ser utilizadas com o objetivo explícito a longo prazo de abstinência.
Em vários estudos, o aumento das respostas de enfrentamento ou “auto eficácia” ao final do tratamento predisseram melhores resultados com a bebida durante o acompanhamento.
Os indivíduos que relatam uso mais frequente de estratégias cognitivas ou comportamentais com intuito de resolver ou dominar o problema (“enfrentamento por aproximação”) tipicamente têm melhores resultados que aqueles que dependem de ficar distantes das situações de alto risco (“enfrentamento por evitar”).

Terapias comportamentais

A terapia comportamental individual e a conjugal têm demonstrado efetividade para pacientes com transtornos causados pelo uso do álcool.
A abordagem mais estudada do tratamento de pacientes com transtornos causados pelo uso do álcool é a abordagem do reforço da comunidade, que utiliza princípios comportamentais e, geralmente, inclui terapia conjunta, treinamento para encontrar trabalho, aconselhamento enfocado em atividades sociais e recreativas livres de álcool.
Usando designação aleatória para reforço da comunidade ou tratamentos hospitalares padronizados, observa-se que os pacientes no grupo de reforço da comunidade bebem menos, passam menos dias longe de casa, trabalham mais dias e são menos institucionalizados durante um acompanhamento de 24 meses.

Terapias psicodinâmicas/interpessoais

Há poucas evidências empíricas de estudos controlados de que a psicoterapia orientada pelo insight ou aconselhamento são tratamentos efetivos para o alcoolismo.
A psicoterapia individual produz melhores resultados que uma condição de controle e a terapia de grupo orientada psicodinamicamente produz melhores resultados.
Abordagens genéricas de aconselhamento (caracterizadas como primariamente diretivas e de apoio) produzem melhores resultados que os controles.

Terapia conjugal e familiar

O estado do relacionamento do paciente com familiares ou outras pessoas igualmente significativas pode ser fator crítico no ambiente pós-tratamento para pacientes que sejam casados ou que vivam com a família.
Comparando a terapia conjugal comportamental e a terapia conjugal interacional com um grupo-controle sem tratamento evidencia que ambos os grupos de tratamento mostram melhor evolução no ajuste conjugal, e os grupos de terapia conjugal mostram maior grau de sobriedade no decorrer de um período de acompanhamento a curto prazo.
Pacientes que recebem terapia conjugal comportamental começam a ter melhores resultados com relação ao alcoolismo que aqueles que não a tem.
O envolvimento do cônjuge no tratamento leva à melhora dos resultados conjugais e do uso do álcool precocemente no período pós-tratamento, que os pacientes em terapia conjunta têm menor probabilidade de abandonar o tratamento, e que a terapia com o intuito de melhorar o casamento como um todo parece funcionar melhor que a terapia de casais concentrada rigidamente nos problemas relacionados ao álcool.

Intervenções Breves

As intervenções breves, em geral, são oferecidas por uma a três sessões e incluem uma avaliação abreviada da gravidade do alcoolismo e de problemas relacionados e fornecimento de feedback motivacional, além de aconselhamento.
As intervenções breves: a) são tipicamente mais efetivas (em termos de uso do álcool, saúde geral ou funcionamento social); b) muitas vezes têm eficácia comparável à de programas tradicionais mais intensos e a mais longo prazo; c) aumentam a efetividade do tratamento posterior. Mesmo as intervenções que sejam muito breves (isto é, de algumas horas) podem ter algum efeito positivo.
Intervenções breves são utilizadas tipicamente (e têm mais sucesso) para pacientes afetados menos gravemente e que não tenham recebido tratamento anterior para um transtorno com o álcool.
São necessárias mais pesquisas para determinar quais pacientes são otimamente servidos pelo recebimento de uma intervenção breve.
Terapia Ocupacional
A Terapia Ocupacional tem como um dos objetivos, resgatar a autonomia, a qualidade de vida e o contato consigo mesmo, centra-se na relação terapeuta-sujeito-atividade.
É no fazer, ou seja na ocupação humana, (atividades manuais ou corporais, expressivas, individual ou grupal) que a Terapia Ocupacional traz a possibilidade de auxiliar o paciente em sua busca pela construção e reconstrução de sua história, é buscar a significação nos fazeres, exceto no vício.
Dentro desse contexto o trabalho da Terapia Ocupacional em conjunto com a equipe multidisciplinar (psicólogos, enfermeiros, psicopedagogos, psiquiatras, educadores físicos) torna-se de fundamental importância para o tratamento de dependentes químicos e alcoolistas.
Grupo terapia
A integração em grupos de terapia é um ponto fundamental na ajuda à libertação do alcoólico e no tratamento do alcoolismo. Para que o tratamento do alcoolismo seja eficaz é essencial que o alcoólatra aceite a sua condição e opte por se integrar nos conteúdos programáticos direcionados para deixar o álcool. Esta modalidade de tratamento consiste nos grupos de apoio e de ajuda mútua, como os Alcoólicos Anônimos – AA, que são os mais conhecidos, mas há outros grupos.
A diferença entre terapia em grupo de autoajuda é que na terapia há um moderador ou supervisor de grupo, normalmente um terapeuta, psicólogo, psiquiatra ou outro tipo de profissional. Já os grupos de ajuda mútua são pessoas que enfrentam o alcoolismo juntas, ou seja, uma ajudando a outra. Um dos fatores de sucesso na recuperação mais importantes nestes grupos é que, os mais experientes e a mais tempo “limpos” ajudam os que estão no começo do tratamento.
O papel da escola
A adolescência é como uma etapa de transição, um período psicossociológico entre a infância e a vida adulta, fruto da organização da nossa sociedade tal como a conhecemos. Um dos fatores mais marcantes durante a adolescência é a busca dos jovens por um grupo que os defina.
Ainda que durante a adolescência a família continue ocupando um lugar preferencial como contexto socializador, à medida que vão se desvinculando de seus pais, as relações com os companheiros ganham em importância, em intensidade e em estabilidade e o grupo de iguais passa a ser o contexto de socialização mais influente. Esse fenômeno acontece basicamente na convivência escolar diária.
A escola, por ser um elemento de presença forte para os jovens e - juntamente com a família - responsável pela educação destes de forma global, tendo as ferramentas necessárias para proporcionar prevenção ao uso de drogas.
O trabalho com drogas pode vir a ser feito em três níveis - prevenção, repressão e tratamento. A prevenção divide-se em duas etapas: prevenção primária que procura desestimular a primeira experiência dos não iniciados e a prevenção secundária que busca prevenir o aprofundamento do uso experimental.
A prevenção coloca-se portanto como imperativo desse processo já que o tratamento de pessoas já em dependência é longo, difícil, aleatório e caro. Quanto mais precoce, maiores são as possibilidades de eficácia da mesma.
Ela pode vir a seguir vários modelos: princípio moral (uso de drogas como algo condenável do ponto de vista ético e moral), amedrontamento (enfatiza aspectos negativos e perigosos das drogas), conhecimento científico (propõe fornecimento de informação de modo imparcial e científico), educação afetiva (modificação dos fatores predisponentes ao uso de drogas), estilo de vida saudável e pressão de grupo positiva (o grupo como fator de proteção do jovem contra as drogas).
Quando se considera a prevenção no contexto escolar deve-se dar ênfase no investimento da formação de profissionais qualificados, bem treinados e habilidosos para lidar com as demandas da instituição.
Deve também buscar envolver o corpo escolar inteiro e colocar o adolescente como participante ativo do processo de elaboração dos projetos utilizando linguagem acessível e escutando o que ele tem a dizer sobre sua realidade.
Na impossibilidade de excluir as drogas do domínio social há que se trabalhar visando à construção de profissionais mais preparados para enfrentar os problemas causados por elas. A prevenção entra, portanto como parte da formação dentro do ambiente escolar.
É papel do psicólogo escolar/educacional junto ao corpo discente da escola a elaboração, desenvolvimento e acompanhamento de projetos de prevenção ao uso de drogas.
Deve ainda trabalhar junto a projetos que visem à construção de uma identidade pessoal (autoestima, socialização, disciplina, organização) e participação social (conscientização de papéis sociais e cidadania responsável).
O trabalho deve ser realizado junto ao jovem buscando valorizar as nuances de seu caráter e propiciar um ambiente favorável para que elabore os possíveis fatores relativos ao seu contexto social ou sua subjetividade que possam vir a influir na procura pelo uso de entorpecentes.
Os grupos que geralmente servem como meio de iniciação do uso de drogas podem vir a ser revertidos favoravelmente e servir como fator de segurança contra o uso de drogas.
O papel do esporte
O estímulo das práticas desportivas são, comprovadamente, um caminho alternativo seguro e pouco dispendioso para a prevenção do uso de drogas pelos jovens. De uma maneira geral as crianças quando são inseridas em esportes, qualquer que seja, crescem sabendo mais, tendo mais informações dos malefícios que as drogas causam. Isto é, de maneira geral, os clubes e academias sempre fazem palestras sobre este assunto.
O esporte pode ser um aliado na luta pelo combate as drogas. Por via pacífica é um caminho que já provou ser bem mais eficaz que punições severas. Através do esporte, crianças e jovens são atraídos para a convivência em grupo marcada pela solidariedade.
A necessidade de respeitar os limites estabelecidos e as regras da competição acabam se tornando um aprendizado essencial ao processo do desenvolvimento humano.
É um estilo de vida marcado pela disciplina e pelo prazer. Ao conviver em grupo com pessoas que têm um objetivo comum, a criança tende a se socializar e a absorver as coisas boas daquela comunidade.
Praticando o esporte, se aprende a ganhar e perder. E mais, se aprende a conviver em equipe. Tudo isso dentro de um ambiente de diversão, mas, com responsabilidade. O potencial educativo e de socialização do esporte é muito maior do que se imagina.
Exercitar-se e ultrapassar a cada dia os próprios limites do corpo e da mente, como único objetivo de subir mais um degrau, direciona o atleta. O resultado é uma vida centrada, saudável e, com certeza, mais distante do mundo das drogas.
Cidadania não se recebe num passe de mágica. Cidadania se conquista. E pode ser conquistada, através da cultura, da educação, do lazer e do esporte. Para isso, que outro caminho melhor que o esporte para as crianças?
No caso do futebol, por exemplo, é no campo onde se enfrentam jogadores que despontam os principais preceitos de uma sociedade democrática que respeita, de fato, seus cidadãos.
O jovem que corre atrás da bola dribla preconceitos, trabalha com itens de conduta fundamentais para sua formação: liderança, espirito de coletividade e igualdade de forças. Além disso, é o esporte que oferece maior facilidade de ascensão social, para aqueles menos favorecidos.
A ajuda de treinadores e árbitros é fundamental, pois oferecem o sentido de justiça nessa pequena estrutura social que vira uma festa quando surge um gol. Cidadania também se conquista com sonhos, com utopia e projetos para o futuro.



11/01/2015

Lemon Balm has been used for centuries to relax the nerves




Lemon Balm is a member of the mint family and a favourite flower of bees. Lemon balm also goes by the folk names Balm, Bee Balm, Dropsy Plant, Heart’s Delight and Melissa [Mel being Latin for honey and μέλισσα (melissa) the Greek for bee]. The herb has been known as a cure for nervousness and anxiety for centuries. Avicenna (980-1037), an Arab physician said, “Balm causes the mind and heart to be merry”.




About 700 years later in 1696 the London Dispensary wrote, "An essence of balm, given in canary wine every morning will renew youth, strengthen the brain, relieve languishing nature and prevent baldness" referring to Carmelite Water. 

Carmelite Water is a mixture of white wine, lemon balm and other herbs made by the Carmelite Monks the inspiration for Eau de Melisse, a 400 year old cure for a bewildering variety of things including calming the nerves.

Over 300 years after the London Dispensary claimed the herb could "strengthen the brain" researchers at Northumbria University, England, found that lemon balm (Melissa) "can improve cognitive performance and mood".

Aside from the enormous collection of ailments lemon balm is said to relieve it's a pleasant herb in tea and as a dressing for salads and soups. Simply put a sprig into your drinking water to give it a lemony lift. 

Lemon balm tea is best when made from fresh, rather than the dried plant.

The essential oil from lemon balm is included in perfume and massage oils. Lemon Balm, native to Europe, grows open woodland to about two feet tall with a four sided stem, a sign of the mint family. The lemon scented oval pointed leaves grow opposite each other on the stem. The flowers are a light yellow, white to lavender colour.

The herb thrives in full sun to partial shade, needs only moderate watering, and prefers well-drained soil. Bees love it, like the Scorpionweed, and growing lemon balm in the garden will attract them.

8/19/2015

DEPENDENTES DE JESUS - A cura do alcoolismo pela fé

Intervenção religiosa na recuperação de dependentes de drogas

Estudos associam a religiosidade a menor consumo de drogas e a melhores índices de recuperação para pacientes em tratamento médico para dependência. A religiosidade atua como protetora ao consumo de drogas entre pessoas que frequentam a igreja regularmente, praticam os preceitos da religião professada, creem na importância da religião em suas vidas ou tiveram educação religiosa formal na infância.

No Brasil identificou-se que a maior diferença entre adolescentes usuários e não-usuários de drogas psicotrópicas era a sua religiosidade e a de sua família. Observou-se que 81% dos não-usuários praticavam a religião professada por vontade própria e admiração. Detectou-se ainda a ausência de bebedores excessivos entre evangélicos que professam suas religiões.

Sugere-se que a religiosidade, independentemente da religião professada, facilita a recuperação da dependência de drogas e diminui os índices de recaída de pacientes. A ida aos cultos contribui para diminuição do consumo de drogas, como a cocaína, sem que haja necessariamente, um tratamento formal nesses locais.

A religiosidade pode auxiliar no processo de recuperação de dependentes de drogas pelas seguintes vias: aumentos do otimismo, percepção do suporte social, resiliência, ao estresse e diminuição dos níveis de ansiedade. Este mecanismo estaria muito mais relacionado a questões sociais, como a ressocialização do jovem por meio de reestruturação da rede de amigos, colocando-os em um ambiente sem oferta de drogas.

8/18/2015

Avaliação neurocognitiva no abuso e dependência do álcool

O uso do álcool está cada vez mais prevalente em nossa sociedade e permanece associado a inúmeros problemas sociais, econômicos e de saúde. Considerando que o álcool é uma substância neurotóxica, é comum a ocorrência de problemas cerebrais nos pacientes, comprovados através das técnicas de neuroimagem (TC, RM, PET e SPECT) não apenas nos primeiros dias de abstinência, mas também meses depois do último uso da substância.

A Neuropsicologia, por sua vez, é uma subárea das Neurociências, exercida por psicólogos, que busca a compreensão da relação entre os danos cerebrais e os efeitos na cognição e comportamento dos indivíduos. Na área de abuso de álcool, tem o compromisso de descrever as alterações cognitivas, comportamentais e emocionais, bem como a qualidade do funcionamento mental, realizar a análise de potenciais, prever o curso da recuperação e estimar o funcionamento pré-mórbido (anterior) dos usuários da substância. É ainda do âmbito da Neuropsicologia a realização de atividades que visem a recuperação ou amenização dos déficits neurocognitivos encontrados nos pacientes, processo conhecido como reabilitação cognitiva.

Efeitos agudos do álcool

Os efeitos nocivos do álcool no funcionamento cognitivo são bem estudados nos estágios finais da dependência alcoólica. Entretanto, a literatura sobre os efeitos agudos ainda se apresenta reduzida. O abusador de álcool, durante o período de intoxicação, tende a apresentar um estado de confusão mental e diminuição do nível de atenção, bem como déficits na maioria das áreas cognitivas examinadas. 

Weissenborn e Dukaix documentaram os efeitos de uma dose moderada de álcool (0,8 g/kg) na cognição. Observaram que o álcool influenciou negativamente as funções executivas, além de ter interferido nas tarefas de reconhecimento espacial. 

Segundo Lezak, as funções executivas incluem a capacidade de iniciar ações, planejar e prever meios de resolver problemas, antecipar conseqüências e mudar as estratégias de modo flexível, monitorando o comportamento passo a passo e comparando os resultados parciais com o plano original. 

Quando comparados, os abusadores(binge-drinkers) tiveram pior performance nas tarefas de reconhecimento espacial e memória de curto prazo em relação aos usuários moderados e pesados de álcool. Verster et al. estudaram os efeitos da intoxicação aguda na memória imediata e tardia, assim como na capacidade de manter a vigilância, avaliados na manhã seguinte a uma noite de abuso de álcool. 

Os resultados mostram que a memória imediata, relativa ao armazenamento em curto espaço de tempo, esteve inalterada; porém, observou-se prejuízo na capacidade de retenção com lembrança tardia (delayed recall) no grupo que consumiu álcool. A vigilância não esteve alterada, indicando que a deficiência de memória tardia não está relacionada à sedação, mas diretamente à capacidade de reter informações.

Efeitos crônicos do álcool

Apesar de alguns abusadores de álcool manterem o nível intelectual praticamente intacto,6 alterações em várias funções neurocognitivas têm sido descritas, mesmo após períodos em abstinência, o que evidencia os efeitos a longo prazo do álcool no funcionamento geral do cérebro. 

De acordo com a literatura, esses déficits são piores quanto maior o padrão de uso, existindo um continuum dos bebedores sociais até os dependentes de álcool. As alterações cognitivas variam, desde as alterações leves, encontradas nos abusadores da substância, passando por prejuízos moderados dos dependentes de álcool, chegando até os déficits neuropsicológicos mais severos, como os encontrados na Síndrome de Korsakoff. 

Há indícios de que, mesmo os bebedores sociais, que ingerem 21 ou mais doses por semana (cada dose equivale a 12 g de álcool), já apresentem alterações neurocognitivas em algumas funções mentais.

De acordo com uma extensa revisão sobre o tema, Parsons delineou os principais déficits cognitivos encontrados nos dependentes do álcool. As alterações mais comuns são aquelas relacionadas com os problemas de memória, aprendizagem, abstração, resolução de problemas, análise e síntese viso-espacial, velocidade psicomotora, velocidade do processamento de informações e eficiência cognitiva. 

Os indivíduos dependentes de álcool tendem a apresentar mais erros nas tarefas e levam um tempo maior para completar determinadas atividades. São ainda encontrados déficits nas funções executivas (inibição do comportamento) e na memória de trabalho (working memory) – que se refere a um sistema envolvendo a memória de curto prazo, responsável pela manutenção e manipulação de informações na mente para a realização de tarefas cognitivas complexas.

As alterações encontradas nos dependentes de álcool parecem representar danos cerebrais difusos e, embora melhorem substancialmente durante a abstinência, há a manutenção de alguns déficits, mesmo anos após a última ingestão de álcool.

Indivíduos que fazem uso crônico do álcool, porém assintomáticos do ponto de vista neurológico, podem apresentar disfunções em áreas pré-frontais do cérebro (Figura 1), implicando em déficits neuropsicológicos em fluência verbal (linguagem expressiva) e no controle inibitório (dificuldade de suprimir respostas habituais e automáticas em favor de um comportamento competitivo mais elaborado). 

Tais problemas parecem estar relacionados a alterações nas funções executivas e também na memória operativa. De acordo com Bechara et al., alterações no córtex pré-frontal (CPF) dos dependentes de álcool tendem a prejudicar, principalmente, o processo de tomada de decisões (decision-making), levando o paciente a escolher opções mais atraentes em relação aos ganhos imediatos (como o próprio ato de beber), em detrimento de um comportamento voltado para a análise das conseqüências futuras de suas ações.



Alterações no CPF, especificamente no córtex órbito-frontal, são observadas mesmo após meses de abstinência ao álcool e, provavelmente, estão relacionadas a problemas duradouros na atividade gabaérgica e serotoninérgica desta região, que influenciam a tomada de decisões, controle inibitório e o comportamento de buscar novamente o álcool, mantendo o processo de dependência da substância.

Para avaliação de rastreio das funções associadas ao CPF, indica-se o uso da Bateria de Avaliação Frontal (FAB),15 sensível a lesões frontais e recentemente traduzida para ser utilizada com a população de dependentes químicos (Cunha e Nicastri, submetido).

As alterações cerebrais decorrentes do consumo crônico de álcool podem chegar a estágios muito avançados de deterioração mental, como no caso da Demência Persistente Induzida pelo Álcool e do Transtorno Amnéstico Persistente induzido pelo Álcool (Síndrome de Korsakoff).

Déficits neurocognitivos e implicações para o tratamento

Os déficits cognitivos encontrados nos dependentes do álcool têm implicação direta no tratamento, tanto para a escolha de estratégias a serem adotadas como para a análise do prognóstico.18 Entretanto, a maioria dos programas de tratamento ainda não considera o impacto dos déficits cognitivos na eficácia dos atendimentos, nem emprega técnicas de reabilitação cognitiva para remediar as alterações encontradas.

Nos exames de neuroimagem, dependentes de álcool que se mantêm em abstinência tendem a demonstrar recuperação em determinadas áreas do cérebro e de algumas funções neuropsicológicas. Além disso, pacientes com alterações cognitivas e de neuroimagem, principalmente em regiões frontais do cérebro, tendem a apresentar pior prognóstico, associado a um maior número de recaídas durante o tratamento.

Um estudo realizado por Noël e colaboradores avaliou 20 dependentes de álcool, comparando-os a 20 voluntários normais, em exames que incluíam testes neuropsicológicos envolvendo as funções de controle inibitório, memória operativa (working memory), capacidade de abstração e memória verbal, bem como análise do funcionamento cerebral através de tomografia computadorizada por emissão de fóton único (SPECT). 

Ao final de um programa de desintoxicação, com a média de 18,8 dias de abstinência, os pacientes apresentavam problemas no funcionamento neuropsicológico e cerebral, em relação aos controles. As alterações foram encontradas, predominantemente, nas funções de inibição do comportamento (controle inibitório) e memória operativa. Os achados mostraram correlação significante entre os achados neuropsicológicos e o pior funcionamento – nos dependentes do álcool – de regiões frontais do cérebro.

Num estudo de seguimento, os pacientes foram contatados, novamente, dois meses depois da primeira avaliação, para avaliação dos que mantiveram abstinência e dos que recaíram durante o período. Foi observado que, dos 20 dependentes de álcool, recaíram e nove se mantiveram abstinentes.

Quanto aos resultados, os pesquisadores constataram que os pacientes que recaíram neste período mostraram, à época da desintoxicação, pior desempenho nos testes que envolviam a inibição do comportamento e a memória operativa (Gráfico 1), assim como já exibiam maiores alterações frontais em relação aos que se mantiveram abstinentes.



De acordo com os autores, é possível fazer várias interpretações clínicas a partir destes achados. A primeira é de que as funções executivas, que envolvem a memória operativa e inibição do comportamento, são cruciais para o controle do comportamento "automático" de beber e, conseqüentemente, para prevenir a recaída. Além disso, as funções executivas seriam muito importantes para o funcionamento na vida diária, como planejar atividades do dia-a-dia, acompanhar uma conversa, manter e realizar projetos, etc.

Reavaliação neuropsicológica e reabilitação cognitiva de dependentes do álcool

Os pacientes portadores de problemas cognitivos persistentes ou com quadro de deterioração progressiva do funcionamento mental podem se beneficiar de reavaliações neuropsicológicas periódicas, que permitem a análise sistematizada das mudanças ocorridas no funcionamento cognitivo, indicando os benefícios de um tratamento ou a evolução do estado neuropsiquiátrico.

Além disso, a Neuropsicologia dispõe de técnicas de reabilitação cognitiva, que permitem o trabalho adequado destes déficits nos dependentes de álcool, auxiliando-os, inicialmente, a reconhecer as alterações cognitivas como conseqüências do abuso do álcool e, posteriormente, a recuperar as funções ou amenizar o sofrimento e sentimento de inadequação psicossocial.

Sabe-se que tarefas de treinamento e reabilitação neuropsicológica podem acelerar, e até mesmo reverter, quadros de alteração cognitiva em dependentes do álcool, contribuindo muito para a aquisição de novas habilidades e para o sucesso do tratamento.

Conclusões

Vários são os déficits neuropsicológicos encontrados nos dependentes de álcool, tanto no uso agudo, como no uso crônico. As alterações cognitivas pioram de acordo com o tempo de uso e se relacionam diretamente com a aderência ao tratamento e manutenção da abstinência, assim como podem se transformar em transtornos cerebrais permanentes e degenerativos. 

Entretanto, dependendo de alguns fatores como severidade dos prejuízos, idade e distúrbios clínicos envolvidos, há a possibilidade de recuperação dos problemas neuropsicológicos. A avaliação neurocognitiva pode, por sua vez, ser muito útil para detecção e análise da progressão destas alterações, bem como subsidiar o processo de reabilitação cognitiva e reinserção psicossocial destes pacientes.

Bateria de Avaliação Frontal (FAB)

A Bateria de Avaliação Frontal (FAB) é um instrumento novo de avaliação neurocognitiva que tem se mostrado útil para rastreamento de problemas nas funções executivas, associadas ao funcionamento do córtex frontal do cérebro humano. A FAB já foi utilizada em pacientes com vários distúrbios frontais conhecidos, bem como em dependentes químicos em recuperação.

Forma de aplicação

A administração da FAB leva cerca de 10 minutos. A bateria compreende seis subtestes, que avaliam a formação de conceitos (abstração), fluência verbal (flexibilidade mental), programação motora, suscetibilidade à interferência (tendência à distração), controle inibitório e autonomia. São eles:

1) Semelhanças: consiste em perguntas a respeito das semelhanças entre elementos aparentemente diferentes. É considerada uma medida da capacidade de abstração. O examinador pergunta "De que modo X e Y são semelhantes?", considerando X e Y os elementos contidos na folha de respostas. Cada acerto representa um ponto e são consideradas as respostas mais completas como corretas (ex: banana e laranja são frutas; mesa e cadeira são móveis; tulipa, rosa e margarida são flores), totalizando o máximo de três pontos. Se, na pergunta inicial (banana e laranja), o paciente falhar totalmente, respondendo que "não são parecidas", ou se houver falha parcial, e responder que "ambas têm casca" ou "são amarelas", o examinador deverá ajudar o paciente, dizendo "banana e laranja são ...". De qualquer forma, o paciente não receberá ponto neste item. O examinador não poderá ajudar mais o paciente nos dois itens seguintes.

2) Fluência verbal (flexibilidade cognitiva): a pessoa deve falar quantas palavras conseguir, começando com a letra S, no período de um minuto. O examinador dará as seguintes instruções: "Diga o máximo de palavras que conseguir começando com a letra S, quaisquer palavras, exceto variações de verbos e nomes próprios". Se o paciente não responder nos primeiros cinco segundos, o examinador poderá dar um exemplo que estimule o indivíduo a iniciar a verbalização das palavras. Se o paciente ficar em silêncio por 10 segundos, estimular novamente, dizendo: "qualquer palavra que comece com a letra S". As palavras são registradas na folha de respostas e, ao final, são somadas e agrupadas de acordo com a categoria de acertos. Para até três palavras corretas, o paciente não recebe pontos (zero). Se o paciente acertar de três a cinco palavras, recebe um ponto, e de seis a nove, dois pontos. Acima de nove palavras verbalizadas em um minuto, o paciente receberá a pontuação máxima, três pontos.

3) Séries motoras: as funções motoras também estão relacionadas aos lobos frontais. O examinador, sentado na frente do paciente, pede que o examinado olhe com atenção a seqüência motora "punho-palma-lado (PPL)", realizada somente com a mão esquerda. Então, solicita que o paciente realize este movimento, só que com a mão direita, inicialmente acompanhando o examinador e, logo depois, sozinho. A pontuação é fornecida de acordo com o número de seqüências realizadas corretamente (PPL), com ou sem a ajuda do examinador. Se o paciente não consegue acompanhar o examinador em três seqüências consecutivas, não recebe pontos. Se acompanha o examinador nas três seqüências iniciais, mas falha ao realizar os movimentos sozinho, recebe um ponto. Agora, se consegue acompanhar pelo menos três seqüências sem a ajuda do examinador, recebe dois pontos, e se atinge seis ou mais seqüências (PPL) sozinho, recebe três pontos (pontuação máxima).

4) Instruções conflitantes: o paciente deve emitir uma resposta motora logo após a emissão de um estímulo sonoro produzido pelo examinador, que contrasta com o comportamento inicial. É uma tarefa em que as ordens verbais entram em conflito com a estimulação sensorial, induzindo a distração na execução da tarefa. Primeiramente, o examinador explica ao paciente que ele deve bater na mesa duas vezes, quando ouvir uma batida. É então efetuado o exemplo e o paciente é requisitado a acompanhar, de acordo com a regra explicada. Logo após, insere-se a nova regra, indicando que o paciente deve bater apenas uma vez, caso ouça duas batidas na mesa. Após a compreensão dos exemplos, o paciente deverá acompanhar as regras de forma misturada, quando o examinador irá mesclar uma batida com duas, na seguinte seqüência: 1-1-2-1-2-2-2-1-1-2. Para o registro das informações, o paciente não recebe ponto se fizer como o examinador (ex: para uma batida, responde com uma batida). Um ponto será fornecido para aqueles pacientes que exibirem mais que dois erros. Caso apresente de um a dois erros, recebe dois pontos, enquanto três pontos são dados a quem não apresenta sequer um erro durante o exercício.

5) Controle inibitório (Go - No Go): tarefa similar à anterior, porém a ordem dos movimentos se modifica. O paciente, nesta fase, deve inibir o que aprendeu previamente, controlando a tendência de repetir o comportamento. A tarefa consiste em o paciente bater uma vez na mesa, quando ouvir uma batida. Após o exemplo, deve deixar de bater quando ouvir duas batidas. Após o acompanhamento dos dois exemplos, o paciente deverá acompanhar a mesma seqüência anterior: 1-1-2-1-2-2-2-1-1-2.

Na pontuação, o paciente não recebe ponto se acompanhar o padrão anterior por quatro vezes seguidas. Um ponto é dado para o paciente que apresenta dois erros ou mais, e dois pontos vão para quem exibe de um a dois erros. A pontuação máxima é dada a quem não apresenta erros durante a tarefa.

6) Preensão manual (Autonomia): o examinador se posiciona na frente do paciente e pede que ele não segure suas mãos. O paciente, que se encontra com as palmas das mãos viradas para cima, deve inibir a tendência observada em pacientes frontais, que acabam apertando espontaneamente a mão do examinador. Quanto mais o paciente se mostrar dependente de pistas ambientais, mais prejudicado pode estar o funcionamento de seus lobos frontais. Se o paciente pega as mãos do examinador, é orientado a não fazê-lo novamente, e então o exercício é repetido. O paciente não recebe ponto se pega nas mãos do examinador mesmo após a segunda instrução. Se pega apenas na primeira tentativa, recebe um ponto. Se, ao sentir as mãos do examinador, hesita (ex: mexe as mãos) e fica na dúvida entre pegar ou não, recebe dois e, se não pega, recebe a pontuação máxima (três pontos).

Pontuação total

Conforme exposto, cada um dos subtestes equivale a, no máximo, três pontos. Somados, o seis subtestes totalizarão 18 pontos, que se referem à pontuação máxima possível obtida na FAB. Na tabela a seguir é possível observar os resultados obtidos na amostra de validação da FAB15, bem como alguns dados de amostras de dependentes químicos e controles normais em nossa população.

De acordo com os dados exibidos (Tabela 1), observa-se que o referencial sobre a pontuação mostra que pacientes com lesões frontais conhecidas exibem, em geral, escore total na FAB com média 10,3 (dp=4,7). A pontuação de 16 a 18 permanece dentro da faixa média, incluindo o desvio-padrão, mas escores menores ou iguais a 15 podem indicar padrão disfuncional em regiões frontais do cérebro do paciente (embora não garanta a existência de tais distúrbios).



Considerações finais sobre a FAB

É importante frisar que esta bateria de avaliação representa apenas o início do exame das funções frontais, sendo, portanto, um teste de rastreio (screening) cognitivo. Apenas o especialista em neuropsicologia poderá atestar ou não a presença de uma disfunção executiva, principalmente se o resultado for corroborado por informações clínicas relevantes (idade, gênero, bagagem cultural, nível cognitivo pré-mórbido) e outros testes de avaliação frontal, como Dígitos (WMS-R), Stroop Color Word Test (SCWT), Trail Making Test (TMT) e Iowa Gambling Test (IGT).





8/16/2015

Transtorno de ansiedade generalizada

A ansiedade é uma reação normal do ser humano diante de situações que podem provocar medo, dúvida ou expectativa. No entanto, quando esse sentimento persiste por longos períodos de tempo e passa a interferir nas atividades do dia a dia, a ansiedade deixa de ser natural e passa a ser motivo de preocupação. 

Esse, na verdade, é o principal sintoma do Transtorno da ansiedade generalizada (TAG), um distúrbio caracterizado pela “preocupação excessiva ou expectativa apreensiva”, de acordo com a quarta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV).

O transtorno da ansiedade generalizada é uma doença comum. Tal como acontece com muitas condições de saúde mental, não se sabe ao certo o que causa esse distúrbio. 

Acredita-se, porém, que o transtorno da ansiedade generalizada esteja diretamente relacionado a alguns neurotransmissores que ocorrem naturalmente em nosso cérebro, a exemplo da serotonina, dopamina e norepinefrina. 

Outra crença é a de que um conjunto de fatores possam estar envolvidos nas razões pelas quais um indivíduo possa vir a apresentar a doença, entre eles genética e fatores externos, como o estresse do dia a dia e a qualidade de vida da pessoa. 

Algumas condições físicas também podem ser associadas à ansiedade. Os exemplos incluem:
  • Doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) 
  • Doenças cardíacas 
  • Hipotireoidismo e hipertireoidismo 
  • Menopausa 
Fatores de risco 

Fatores que podem aumentar o risco do transtorno de ansiedade generalizada incluem: 

Gênero 

Mais do que o dobro do número de casos de transtorno de ansiedade generalizada ocorre em mulheres. Acredita-se que uma combinação de fatores, como mudanças hormonais e maior exposição ao estresse, possam agravar esse quadro. 

Trauma na infância

As crianças que sofreram abuso ou algum tipo de trauma, ou que até mesmo testemunharam eventos traumáticos, estão em maior risco de desenvolver transtorno de ansiedade generalizada em algum momento da vida.

Doenças concomitantes

Ter uma condição crônica de saúde ou doença grave, como o câncer, pode levar à constante preocupação com o futuro, ao tratamento e questões financeiras. Estresse do dia a dia pode desencadear no transtorno também.

Personalidade

As pessoas com alguns tipos de personalidade são mais propensas a transtornos de ansiedade do que outras. Além disso, alguns transtornos de personalidade, como o Borderline, também podem estar ligados ao TAG.

Genética

O transtorno de ansiedade generalizada também pode estar no sangue. Mais de uma pessoa da mesma família pode apresentar esse distúrbio.

Abuso de substâncias

Uso excessivo de drogas ou álcool pode piorar e até levar ao transtorno de ansiedade generalizada. A cafeína e a nicotina, presente no cigarro, também podem aumentar a ansiedade e conduzir o indivíduo à doença.

O principal sintoma do transtorno de ansiedade generalizada é a presença quase permanente de preocupação ou tensão, mesmo quando há poucos motivos ou quando não existe um motivo algum para isso. As preocupações parecem passar de um problema para outro, como questões familiares, amorosas, relacionadas ao trabalho, à saúde ou de várias outras origens.

Mesmo quando as pessoas com esse transtorno têm consciência de que suas preocupações ou medos são mais fortes do que o necessário, elas ainda têm dificuldade para controlar essas reações.

Ansiolíticos naturais

​Os ansiolíticos naturais são plantas ou alimentos com propriedades que ajudam a manter o nível de estresse controlado, relaxando o organismo e evitando problemas de concentração, insônia ou depressão, por exemplo.

Geralmente, os ansiolíticos naturais mais usados são os chás de plantas medicinais, como a valeriana, passiflora ou camomila, os alimentos ricos em triptofano, como queijo e banana, e os medicamentos naturais homeopáticos ou fitoterápicos.

Chás para acalmar
  • Os chás para acalmar devem ser ingeridos até 3 vezes por dia e alguns exemplos são: 
  • Camomila: tem ação calmante, sendo indicada em caso de ansiedade, nervosismo ou dificuldade para dormir. O chá de camomila deve ser feito com 2 a 3 colheres (de chá) de flores secas numa xícara de água fervente; 
  • Passiflora: possui propriedades relaxantes, anti-depressivas e indutoras do sono, indicadas para casos de ansiedade, nervosismo, depressão e insônia. O chá de passiflora deve ser feito com 15 gramas de folhas ou ½ colher (de chá) da flor de maracujá; 
  • Jujuba: ajuda a diminuir a ansiedade, devido à sua ação calmante. O chá de jujuba deve ser feito com 1 colher (de sobremesa) de folhas numa xícara de água fervente; 
  • Valeriana: tem ação calmante e sonífera e está indicada em caso de ansiedade e nervosismo. O chá de valeriana deve ser feito com 1 colher (de chá) da raiz picada numa xícara de água fervente; 
  • Erva-cidreira: possui propriedades calmantes que ajudam a diminuir a ansiedade, o nervosismo e a agitação, podendo ser usada por gestantes. O chá de erva-cidreira deve ser feito com 3 colheres (de sopa) numa xícara de água fervente; 
  • Lúpulo: devido à sua ação calmante e sonífera, pode ser usada em caso de ansiedade, agitação e perturbações do sono. O chá de Lúpulo deve ser feito com 1 colher (de chá) da erva numa xícara de água fervente; 
  • Centelha Asiática ou Gotu Kola: tem ação calmante, sendo muito utilizada em caso de nervosismo e ansiedade. O chá de centelha asiática deve ser feito com 1 colher (de sopa) da erva numa xícara de água fervente. 
Apesar de serem naturais, cada planta medicinal possui contraindicações que devem ser avaliadas antes da sua utilização. Por isso, mulheres grávidas, lactantes e pacientes com problemas cardiovasculares devem receber orientação profissional antes de tomar qualquer chá.

Remédios naturais para acalmar

Os medicamentos naturais para acalmar incluem capsulas fitoterápicas, como Hipericão, Valeriana e Passiflora, por exemplo, ou medicamentos homeopáticos, como Homeopax, Nervomed e Almeida Prado 35, que ajudam a reduzir a ansiedade, diminuindo o nervosismo e a insônia.

Os medicamentos naturais podem ser comprados em qualquer farmácia convencional ou de manipulação, mas devem ser ingeridos respeitando as contraindicações da bula e de acordo com a orientação do médico ou do fabricante.

Alimentos ricos em triptofano para acalmar

Uma alimentação rica em alimentos com triptofano é uma ótima forma de complementar o tratamento da insônia e reduzir o estresse, pois o triptofano é uma substância que ajuda a produzir serotonina, um hormônio responsável por aumentar a sensação de bem-estar.

Assim, alguns alimentos que ajudam a acalmar são cereja, aveia, milho, arroz, queijo, nozes, banana, morango, batata-doce e castanha-do-pará.

Alimentos contra a Ansiedade

A ansiedade pode impedir o indivíduo de tomar decisões corretas e até mesmo paralisá-lo diante de alguma situação. Uma forma natural de controlar a ansiedade é com o consumo de alimentos como:

Alface: O alface é rico em lactucina e folato, que atuam no organismo como calmantes e previnem a depressão e confusões mentais.

Ovos: Os ovos são fontes de vitaminas do complexo B, acetilcolina e niacina. A carência dessas substâncias no organismo pode provocar ansiedade, depressão e apatia. 2 ovos por semana são o suficiente para manter uma vida saudável.

Maçã: A maçã é rica em fibras, carboidratos, zinco e selênio. O consumo de maçã combate a ansiedade e relaxa.




Uva: A uva, além de ser uma fruta energética, é fonte de vitaminas do complexo B, que auxiliam no funcionamento do sistema nervoso Central. 

Mel: O mel ajuda o organismo a produzir a serotonina, um neurotransmissor responsável pela sensação de prazer e bem-estar, que regula as mudanças de humor que provocam a ansiedade. 

Laranja: Fonte de Vitaminas e cálcio, a laranja é uma fruta energética que relaxa os músculos, combate o estresse e a fadiga. 

Recomenda-se incluir esses alimentos na dieta diária, assim como praticar exercícios e utilizar técnicas de relaxamento. 

Suco relaxante

O suco relaxante é feito com camomila, maracujá e maçã porque esses ingredientes possuem propriedades calmantes e sedativas que ajudam a relaxar, aliviar as tensões e diminuem a ansiedade e o estresse.

Ingredientes
  • Cascas de 1 maçã, 
  • 1 colher de sopa de camomila, 
  • Meia xícara de suco de maracujá 
  • 2 xícaras de água. 
Modo de preparo

Ferver a casca de maçã por aproximadamente 10 minutos, após o tempo determinado desligar o fogo e adicione a camomila. Deixar a solução descansando por alguns minutos e coar. Adicionar a solução resultante no liquidificador juntamente com o suco de maracujá e alguns cubos de gelo e bater bem. Para adoçar utilizar-se 1 colher de chá de mel de abelha.

Para ajudar a relaxar deve beber-se esse suco 2 vezes ao dia, 1 copo no café da manhã e outro copo ao lanche. Utilizar esse suco pelo menos 3 vezes na semana garante uma melhor qualidade de vida livre dos nervosismos e tensões do dia-a-dia.

Dicas para controlar a Ansiedade

Saiba aqui 7 dicas para controlar a ansiedade e o nervosismo, um transtorno psicológico que aumenta a pressão e, consequentemente, o risco de infarto, e proteja-se deste mal:

  • Mude sua atitude em relação ao problema. Tente informar-se sobre o que está causando a ansiedade. 
  • Respeite suas limitações e, quando for preciso, peça ajuda. 
  • Respire fundo e calmamente. Feche os olhos, imagine-se numa praia e imagine um mar com ondas cada vez mais lentas. 
  • Mantenha pensamentos positivos e evite situações que remetam a pensamentos negativos ou autodestrutivos. 
  • Valorize e viva o presente. Se a ansiedade é causada pelo passado, nada poderá ser feito para mudá-lo e, se for relacionada ao futuro, poderá te impedir de viver o presente. 
  • Identifique o que causa ansiedade ou tristeza e mantenha-os longe. 
  • Dedique-se a alguma atividade no tempo presente e mantenha sua mente focada neste objetivo, evite distrações e, principalmente, as situações que podem causar ansiedade. 
A prática regular de atividade física de baixo impacto como caminhar, andar de bicicleta ou nadar são ótimas armas para lidar com a ansiedade. Por isso, recomenda-se que a pessoa ansiosa faça exercícios todos os dias e, durante os exercícios, tenha pensamento relacionados à própria atividade física ou outros pensamentos positivos. 

Ocupar a mente com algo que seja prazeroso e útil também é uma ótima forma de controlar a ansiedade.

Se, mesmo ao seguir todas estas orientações, a pessoa continuar manifestando sintomas de ansiedade, tais como: dor de barriga, dor de cabeça, enjoo, tontura, medo e ficar pensando sempre na mesma situação, de forma prejudicial, recomenda-se uma consulta com um psicólogo ou psiquiatra, pois eles podem indicar medicamentos para combater a ansiedade e a depressão, ou um calmante de Valeriana, por exemplo.

Ansiedade engorda

A ansiedade engorda porque quando o indivíduo fica ansioso o organismo libera maiores quantidades dos hormônios adrenalina e cortisol, que leva ao aumento do acumulo de gordura na barriga e diminui o volume dos músculos, fazendo com que o indivíduo pareça estar ainda mais gordo.

Outra situação que pode levar o indivíduo a engordar quando fica ansioso é o aumento do consumo de alimentos calóricos, ricos em açúcar ou em gordura. Ao ficar ansioso, o cérebro do indivíduo faz com que haja um certo aumento do apetite para este tipo de alimento, como uma forma rápida de sentir prazer, o que funciona a curto prazo, mas depois é comum que o indivíduo sinta-se culpado.

Sinais de aumento de peso relacionado ao stress e ansiedade são:
  • Maior concentração de gordura na barriga, coxas e braços, 
  • Depressão, fome compulsiva à noite e 
  • Aumento do peso após algum trauma, como separação, morte de parente próximo ou desemprego, por exemplo. 
Remédio para ansiedade engorda

Os remédios para ansiedade podem engordar pois eles podem ter como efeito colateral o aumento da ansiedade fazendo com que o indivíduo prefira alimentos que engordam como doces e fast food. Contudo, este efeito colateral não é observado em todos e em alguns indivíduos não há aumento de peso.

Como vencer a ansiedade e emagrecer

Para vencer a ansiedade e emagrecer sugere-se a prática regular de exercícios físicos. Os exercícios liberam endorfinas na corrente sanguínea conferindo uma sensação de bem estar e de prazer.

Em caso de ansiedade generalizada deve-se ter um bom acompanhamento médico para que ele receite medicamentos que sejam capazes de trazer alívio dos sintomas, com o mínimo de efeitos colaterais, e, em muitos casos, o acompanhamento de um psicólogo é eficaz.