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8/19/2015

DEPENDENTES DE JESUS - A cura do alcoolismo pela fé

Intervenção religiosa na recuperação de dependentes de drogas

Estudos associam a religiosidade a menor consumo de drogas e a melhores índices de recuperação para pacientes em tratamento médico para dependência. A religiosidade atua como protetora ao consumo de drogas entre pessoas que frequentam a igreja regularmente, praticam os preceitos da religião professada, creem na importância da religião em suas vidas ou tiveram educação religiosa formal na infância.

No Brasil identificou-se que a maior diferença entre adolescentes usuários e não-usuários de drogas psicotrópicas era a sua religiosidade e a de sua família. Observou-se que 81% dos não-usuários praticavam a religião professada por vontade própria e admiração. Detectou-se ainda a ausência de bebedores excessivos entre evangélicos que professam suas religiões.

Sugere-se que a religiosidade, independentemente da religião professada, facilita a recuperação da dependência de drogas e diminui os índices de recaída de pacientes. A ida aos cultos contribui para diminuição do consumo de drogas, como a cocaína, sem que haja necessariamente, um tratamento formal nesses locais.

A religiosidade pode auxiliar no processo de recuperação de dependentes de drogas pelas seguintes vias: aumentos do otimismo, percepção do suporte social, resiliência, ao estresse e diminuição dos níveis de ansiedade. Este mecanismo estaria muito mais relacionado a questões sociais, como a ressocialização do jovem por meio de reestruturação da rede de amigos, colocando-os em um ambiente sem oferta de drogas.

Enquanto há poucas pesquisas científicas analisando o impacto e mecanismo da religiosidade no tratamento de dependentes de droga, muitos investigadores teorizam tais fatores. As conclusões, em geral, são pautadas em suas crenças e resultados indiretos desses estudos. 

Há indícios, em especial nos meios midiáticos, da atuação emergente de grupos religiosos brasileiros na recuperação de dependentes de drogas, utilizando-se apenas da fé de seus fiéis como recurso terapêutico, sem intervenção médica, no próprio "templo" religioso.

O objetivo desse texto é mostrar que intervenções religiosas na recuperação da dependência de drogas, são mais eficazes que qualquer outro tipo de tratamento alternativo.

Religiosidade na infância e adolescência

Dependência de drogas

Por meio de aplicação das questões do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-IV) para diagnóstico de dependência, observou-se que todos buscaram a ajuda religiosa quando dependentes de alguma droga psicotrópica. 

Houve diferenças entre tipos de droga e grupos religiosos procurados. Todos os evangélicos relataram consumo de drogas ilícitas alguma vez na vida, mesmo que experimental, com os maiores índices de dependência para cocaína e crack no momento de busca da religião. O critério diagnóstico mais citado foi o consumo persistente da droga, e problemas legais decorrentes do tráfico e porte da droga. 

As pessoas que se beneficiaram do "tratamento" religioso não estavam em fase de experimentação da droga. A maioria relatou sintomas negativos da retirada da droga e dificuldades enfrentadas para superar o desejo persistente de voltar a consumi-las. 

No entanto, mesmo sem o uso de medicamentos, todos alcançaram a abstinência. Esse fato pode ser considerado um indicativo de sucesso, quase todos estavam abstinentes há mais de dois anos. Os períodos mais longos de abstinência foram encontrados entre evangélicos.

Busca do tratamento religioso

Os dependentes relataram momento de crise existencial e comportamental. A droga não gerava mais prazer, mas sim a angústia de perceber que haviam perdido referenciais de vida.

A conscientização da crise não foi imediata, levando até dois anos, a partir do momento em que se vincularam ao grupo religioso, e ocasionada por motivos distintos de acordo com o grupo. Nos dependentes com maiores índices de dependência de álcool do que de drogas ilícitas, a crise foi marcada pela perda do controle sobre seus atos, como cuidar dos filhos, trabalhar, tomar banho, entre outros. Foram descritos eventos de choque emocional decorrentes do consumo de álcool, como o relato de coma alcoólico:

"Meu filho me viu caído no chão, bêbado até o topo. No dia seguinte chorou muito e me pediu 'Pai, não morre, você morreu ontem, não morre de novo! Fala que você vai parar de beber que nem a mãe te pediu.' Eu vi que não tinha jeito, tinha que sair daquilo.

A maioria relatou que a divulgação dos poderes da igreja evangélica pela mídia televisiva ou por parentes e amigos foi fundamental para buscar ajuda nesses locais. A comprovação de "eficácia" na cura de doenças, inclusive a dependência química, poderia estar relacionada à fé no poder de sua igreja.

"Eu sabia que precisava buscar Deus. Ouvia as coisas sobre os evangélicos em todo lugar e pensava, realmente, se Deus curou o cego e o leproso, por que não cura dependência de drogas também, por que não me tira da rua, da miséria?

Tratamentos convencionais anteriores

A maior parte dos entrevistados católicos e evangélicos nunca se submeteu a tratamento convencional para dependência de drogas, justificaram que a primeira escolha deles foi buscar ajuda na religião, pois era algo gratuito e imediato. Os poucos que diziam ter buscado auxílio médico, enfatizaram a dificuldade de encontrar serviços públicos na área e a demora no agendamento de consultas e possíveis terapias, conforme relato a seguir:

"Te deixam esperando a vida toda. Você é usuário de drogas, se te mandam voltar depois de um mês você já desistiu, já se afundou mais. Por isso nem comecei.

Elementos comuns no tratamento religioso

Dentre as técnicas de "tratamento" comuns aos grupos estão: oração, conscientização da vida após a morte e a fé como promotora de qualidade de vida. O "tratamento" tem como objetivo a abstinência total, não sendo admitida a possibilidade de sucesso por meio de redução de danos por nenhum grupo. 

A questão da conscientização da vida após a morte e da estruturação da fé são tratadas nos cultos semanais religiosos. Possuem nome específico de acordo com a religião (missa, culto, evangelho). A frequência nestas reuniões de cunho moral e informativo permite que os princípios propostos por Jesus Cristo passem a formar o alicerce moral do fiel.

O maior consenso entre as religiões é a proposta de orações frequentes e, principalmente, no momento de desejo incontrolável de consumir a droga. As religiões incentivam essa prática como um dos artifícios no controle da recaída e sugerem que seus adeptos orem, no mínimo: ao acordar, pedindo proteção para o dia e antes de se deitar, agradecendo a proteção recebida. Para todas elas, a prece, ou oração, seria a forma de contato direto com Deus, como um diálogo entre pai e filho. Em relação ao tratamento da dependência, a oração é considerada o substituto da terapia farmacológica e teria função ansiolítica semelhante a um fármaco para esse fim:

"Eu sonhava de noite que eu usava, acordava pingando, suado, com o coração disparado. Aí punha os joelhos no chão, orava. Foi um mês assim.

Além de tranquilizar o usuário de drogas, por meio de um estado meditativo e de alteração da consciência, a oração também promove a fé, dividindo a responsabilidade do "tratamento" com Deus; ameniza o peso da luta solitária e permite Sua intervenção protetora frente aos "espíritos do mal" ou o "diabo".

A fé promove a qualidade de vida. A adoção de referenciais da religião faz com que o fiel confie na proteção de Deus e respeite as normas e valores impostos pela religião, melhorando a qualidade de vida dos adeptos. Esse comportamento levaria ao afastamento natural das drogas, à falta de interesse impulsionada pelo medo ou apenas pela conscientização da degradação moral associada ao abuso destas substâncias. 

O enfrentamento das dificuldades, a partir da perspectiva espiritual apoiado na fé, acaba proporcionando afastamento natural de atitudes contrárias a moral difundida pela religião. Além disso, o fato de se contar com a ajuda irrestrita de Deus gera um amparo constante, conforto e bem-estar.

Apesar de particular em conteúdo e intensidade, a fé é desenvolvida nos cultos religiosos, onde os líderes religiosos defendem argumentos sobre seu potencial de cura, de bem-estar e de salvação. Assim, a fé é moldada pelo conteúdo do culto. Entre evangélicos, é comum os cultos terem um tempo dedicado ao testemunho de fé: quando alguém que recebeu uma dádiva de Deus, por ação de sua fé, relata sua história.

Independentemente da religião, a fé é tratada como elemento-chave da vida espiritual ou religiosa, razão pela qual os encontros assumem fundamental importância.

"O tratamento é ter fé. O que mostram lá de diferente é que isso tem resultado. Você vê que Deus é poderoso. Eu orava e falava: nossa! não é que funciona?

A realidade da existência do espírito e a imortalidade da alma ampliam a concepção de futuro. É consenso entre estas religiões que o consumo abusivo de drogas prejudica o presente e o futuro, transcende a morte. A possibilidade de que um comportamento criminoso prejudicaria o crescimento espiritual é enfatizada.

Para evangélicos, o usuário de drogas não redimido, passaria a eternidade no "Inferno" pagando seu pecado contra Deus. Descrevem danos relativos ao abuso de drogas, para o presente e eternidade, ampliando a responsabilidade do usuário. Além disso, as religiões aceitam que espíritos inferiores, forças do mal, demônios (denominação própria para designar a influência negativa de entidades invisíveis aos olhos dos vivos) possam influenciar o usuário de drogas a se manter na rotina de consumo.

A reunião religiosa que congrega seus seguidores na instituição chama-se culto no evangelismo, têm o objetivo de divulgar o conhecimento da religião. É uma forma para o dependente de drogas entrar em contato com as informações necessárias para seu aprimoramento moral e salvação, baseadas no Antigo e Novo Testamento.

Os cultos evangélicos neopentecostais são semelhantes, cujos elementos-chaves são o contato entre seus membros e os louvores. Os presentes são convidados a pronunciarem frases de encorajamento ao seu "vizinho de poltrona" e a realizarem preces de intervenção a outras pessoas.

"Eu ia todo dia nos cultos que tinham. (...) É ali que eu alcancei minha libertação (...) Deus foi nos abençoando aos poucos e eu fui perdendo a vontade de continuar naquela vida.

"Tratamento" religioso evangélico

Os dependentes submetidos ao "tratamento" evangélico formal (vincularam-se à igreja) para a dependência de drogas frequentaram os cultos e as atividades gerais da igreja, sentindo-se compelidos a deixar de consumir a droga. Para eles, é a fé que cura; acreditam que Deus salva (e assim cura) seus filhos que tem fé mostrada pela frequência contínua à igreja, conforme relato a seguir:

"Eles falam assim: não desista de ir na igreja, porque pode ser que o seu caso não foi da libertação instantânea, mas pode ser gradativa e afastar-se da igreja, não tem chance. Então tem que continuar vindo com fé que Deus salva sim."

Os evangélicos oferecem ainda três recursos particulares no tratamento da dependência de drogas: a reunião de células – grupo de cerca de 12 membros frequentadores da igreja que se reúne para estudar a bíblia semanalmente e dar apoio emocional de qualquer ordem a seus membros; expulsão do demônio – feita pelo grupos neopentecostais, em seus cultos de cura e libertação; leitura da bíblia – forma de receber bênçãos divinas.

Acolhimento e a coesão do grupo

O principal fator que vincula à religião é ao acolhimento recebido. Eles chegam ao grupo em tal estado deplorável físico e moral, que se sentem excluídos da sociedade. No entanto, eles são tratados com respeito e dignidade ao chegarem a qualquer um dos grupos religiosos e é nesse momento que readquirem uma identidade num novo grupo sem que lhes peçam nada em troca, sem cobranças ou condenações.

O contato físico sem preconceitos impressiona e valoriza os dependentes de drogas. É consenso entre eles valorizar este tipo de tratamento que os coloca no mesmo nível de quem os acolhe e ainda ouvem relatos de pessoas que como eles erraram e foram redimidos.

No grupo dos evangélicos, pastores e obreiros elevam a autoestima do recém-chegado falando sobre qualidades que eles possuem e utilizando-se de argumentos que enfocam o plano de Deus na vida da pessoa. 

Para um excluído social, sem ideia de como se reintegrar, consola imensamente imaginar que é tão importante ao ponto de Deus ter feito um plano exclusivo para ele em sua vida. É daí que surge o interesse por seguir no grupo.

O acolhimento dos grupos religiosos impulsiona a continuidade do novo adepto, constituindo a primeira etapa para identificação com a proposta do grupo e posterior aceitação da espiritualidade como recurso terapêutico. Tal suporte social foi indicado como um dos mecanismos que explicam as ações benéficas da religião na saúde, além da fé ou de características místicas desses grupos, gerando um ambiente de apoio incondicional ao recém-chegado.

A religião não apenas promove a abstinência do consumo de drogas, mas oferece recursos sociais de reestruturação: nova rede de amizades, ocupação do tempo livre em trabalhos voluntários, atendimento "psicológico" individualizado, valorização das potencialidades individuais, coesão do grupo, apoio incondicional dos líderes religiosos, sem julgamentos e, em especial entre evangélicos, a formação de uma "nova família".

Parte considerável do sucesso dos "tratamentos" religiosos está no acolhimento oferecido àqueles que buscam ajuda, no respeito que lhes é transmitido, auxiliando na recuperação da autoestima e reinserção social por meio de novas atividades e vínculos sociais. Esta estrutura alicerça-se na fé religiosa, que promove o vínculo ao grupo por oferecer respostas religioso-filosóficas para as questões da vida.

Oração

Todos nós temos o desejo de nos relacionar com alguém que se identifique com as nossas circunstâncias e passe pelas mesmas coisas que temos que enfrentar diariamente. A oração é simplesmente isso - uma experiência pessoal e um relacionamento íntimo com o nosso Pai Celestial tão amoroso. 

Que os artigos e conselhos práticos a seguir o ajudem a desenvolver uma vida de oração que represente alguém que depende de Deus a cada momento – essa é a vida da qual Deus deseja que você experimente. 1 João 5:14-15 diz: "E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que alcançamos as petições que lhe fizemos".

Oração da Serenidade

Concede-me, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar;
Coragem para modificar as que posso e sabedoria para distinguir a diferença. Vivendo um dia de cada vez;
Desfrutando um momento de cada vez;
Aceitando as dificuldades como um caminho para alcançar a paz;
Aceitando, como Ele fez, o mundo pecador tal como é, e não como gostaria que fosse; Confiando que Deus fará bem todas as coisas se eu me render à Sua vontade;
Para que eu possa ser moderadamente feliz nesta vida e supremamente feliz com Ele para sempre na próxima. Amém.

O que ela significa?

Esta bela oração foi escrita por um homem chamado Reinhold Niebuhr em 1943. As palavras têm um significado especial para aqueles que estão sempre "à procura da paz" em um momento de turbulência, desespero ou de incerteza em suas vidas. Essa oração se tornou intimamente associada com programas de 12 Passos, oferecendo força e calma para quem busca uma vida mais estável.

Primeiro, ao proferir estas palavras, estamos reconhecendo a existência de Deus e que Ele é verdadeiramente o único que pode nos trazer a paz interior, independentemente das circunstâncias caóticas ao nosso redor. Sua presença maravilhosa em nossas vidas traz 'serenidade' que não pode ser encontrada em nenhum outro lugar. 

Há um versículo bíblico que diz que a paz de Deus vai além de qualquer compreensão humana. "E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus" (Filipenses 4:7). Até permitirmos que a "paz de Deus" entre em nossa mente, coração e alma, nunca iremos experimentar da paz definitiva que desafia as circunstâncias mais graves na vida.

A oração se dirige então à aceitação, coragem e sabedoria. Tudo se resume em pedir e permitir que Deus nos dê estas coisas. Em outras palavras, é render-nos a Ele. A segunda parte nos relembra que temos que confiar que Deus (e apenas Ele) pode resolver essas coisas. Temos também que reconhecer que geralmente não temos qualquer controle real sobre as dificuldades neste mundo pecaminoso ou sobre as ações de outras pessoas. Confie Nele e viva um dia de cada vez, desfrutando de cada momento.

Como posso colocá-la em prática

Perseverança e sucessos não têm sua origem nos bons tempos. Na verdade, nascem nos momentos difíceis. 1 Pedro 4:12 diz: ". . . Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos, como se alguma coisa extraordinária vos estivesse acontecendo". A Bíblia nos diz que passaremos por testes e que sairemos dessas provações mais fortes. Em nossos momentos de fraqueza, aprendemos a confiar na força de Deus e Ele muito se alegra quando confiamos Nele. Todos temos o desejo de que outras pessoas precisem de nós e queiram a nossa companhia; Deus quer isto de nós também. Ele quer que nos voltemos a Ele e confiemos Nele. 

Não se desanime - Jesus Cristo é fiel; podemos descansar Nele, sempre entregando os resultados em suas mãos. Nem sempre entendemos o "porquê" das coisas que acontecem e nem sempre isso é necessário. Jeremias 29:11 diz: "Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o SENHOR; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais". E em Hebreus 13:5, Deus diz que Ele nunca nos deixará ou nos abandonará. Nunca é muito tempo. Ele está sempre disponível se tomarmos a iniciativa de nos aproximar Dele. 

Jesus disse: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (Mateus 11:29-30). 

Nestas Escrituras, podemos ver a relevância da última frase da Oração da Serenidade. Se nos rendermos a Deus, podemos ser moderadamente felizes nesta vida e supremamente felizes com Ele para sempre na próxima.

Como filhos de Deus, a nossa oração de cura pode ser: 

"Pai Celestial, Sei que estás intimamente consciente da luta pela qual estou passando - a dor e o desespero. Tu conheces o desejo do meu coração de ser curado desta doença. Peço agora por Teu toque de cura. Sei que és capaz de fazê-lo e que, tal como nos tempos bíblicos, podes me curar. Também entendo que escolherás o que for melhor para mim. Oro para que através deste sofrimento eu me aproxime ainda mais de Ti - que Tu serás o meu conforto e força. Oro para que, no final das contas, independente do que aconteça, o Senhor seja glorificado através de minha vida. Oro em nome de Jesus, amém.”

Pequenas Raposas, Grande Impacto

“O Senhor te ouça no dia da angústia; o nome do Deus de Jacó te proteja. Envie-te socorro do seu santuário, e te sustenha de Sião. Lembre-se de todas as tuas ofertas, e aceite os teus holocaustos.” (Salmo 20:1-3). 

Meu filho, não ceda à decepção. Algumas coisas são simplesmente além de seu controle. No entanto, algumas surgem de expectativas insatisfeitas e, como raposinhas, elas se aproximam sem que você se dê conta. Esteja atento em todos os momentos (Cantares de Salomão 2:15). 

As decepções são como uma pequena raposa traiçoeira que se aproxima antes que você perceba. Sempre espera pacientemente para que você se distraia de Mim. Pode tomar a mais simples irritação ou expectativa insatisfeita, transformando-a em uma montanha de frustração e jogando-a sobre você como um cobertor molhado de descontentamento. Uma vez que a porta está aberta, camada após camada de cobertores molhados são aplicadas, pesando sobre você e roubando a sua esperança, fé e alegria. 

O descontentamento é uma porta aberta que leva à frustração, presunção e, finalmente, à suposição. Quando você se depara com situações e atitudes fora do âmbito de seu controle, permita um momento de comunhão entre nós. Sem isso, a sua tendência é seguir os ditames da carne. Durante estes tempos, você deve levar os seus pensamentos cativos. Se não, você vai encontrar o caminho de volta para a paz carregado com humildade intensa, ainda que acompanhado de Minha graça e misericórdia. 

Uma presunção é a crença de que algo é verdadeiro sem ter prova, baseando-se apenas nas circunstâncias percebidas ou pensamentos fugitivos. A presunção dá lugar a uma maior especulação, apesar de evidência firme, formando uma hipótese através de um processo mental envolvido. Uma vez que esta hipótese é formada, torna-se verdade para você, independentemente da precisão. 

Todo o tumulto interno pode ser evitado ao clamar o Meu nome no dia da angústia. A angústia é simplesmente qualquer coisa que roube a sua paz ou fé, do sublime ao catastrófico. A chave é ficar em um lugar de comunhão, assim evitando os esquemas e as sutilezas do diabo que levam ao desânimo e a um espírito de acusação. 

Os pensamentos que têm a permissão de se proliferar de forma desenfreada e sem controle afetarão as tuas emoções, causando ações nocivas em qualquer situação. O mais que um processo negativo é seguido, o menos você confia em Mim, dependendo apenas de suas próprias habilidades e intuições. Isso nunca funciona para o bem. 

Lembre-se e seja encorajado. Vejo o seu problema antes que ele chegue, e estou escutando o seu pedido, pronto para defendê-lo e atender a qualquer necessidade do alto. Receba essa revelação hoje e proíba as lutas futuras. Imagine Eu sentado, pronto e à espera do seu pedido, e medite sobre o que isso significa. 

O meu apoio evita que você caia na armadilha de desilusão e lhe dá as coisas necessárias sem renunciar ou ceder o terreno ganho em vitórias anteriores. Ao renová-lo com o meu apoio, você é revigorado e reabastecido com a capacidade de permanecer na fé com alegria. Mantenho cada parte de sua vida com uma mão poderosa e estendida, fortalecendo e reforçando a determinação, produzindo um espírito inabalável em você. 

Aplique a verdade acima e veja-Me no alto, exaltado no santuário, pronto para ajudar. Coloque todas as pequenas frustrações em Minhas mãos e as grandes serão mais fáceis. Dê todas as desilusões para Mim neste exato momento, e veja a Minha glória se manifestar em sua vida. Afinal, isso é o que faço melhor.

Oração

Ponho-me na poderosa proteção da Tua mão. Senhor, perdoa-me por não confiar em Ti com as decepções da minha vida. Às vezes permito que todas as pequenas coisas se acumulem e roubem a alegria preciosa que encontro em Ti. Ajude-me a ver quando coloco expectativas irreais em outros, especialmente nos meus amigos e familiares. É prejudicial para nós, afetando os nossos relacionamentos de forma negativa. A Tua Palavra ensina e me dá sabedoria para cada dia. 

Passar tempo contigo torna possível caminhar no Espírito. Mostre-me todas as raposinhas correndo pelos meus pensamentos. Confesso-te como a minha torre alta e ajuda sempre presente no tempo da angústia. Abro o meu coração para o Teu apoio, renovação e força. Senhor, eu Te amo como o meu querido amigo e aceito estas palavras de encorajamento e instrução hoje. Submeto-me a Ti com humildade, obediência sacrificial e louvor. 

Venha, Espírito Santo, e encha-me até transbordar com bondade, misericórdia e poder para vencer. Recebo todas as coisas com um coração jubiloso para que a minha alegria possa ser completa. Amém.

Cura pela Fé - A Necessidade

Quando as pessoas se deparam com uma doença grave ou incapacitante, elas muitas vezes consideram a cura sobrenatural ou a cura pela fé como a opção final. Nossas expectativas pela cura divina são muitas vezes colocadas em uma variedade de fontes que se apresentam como a única esperança para uma recuperação milagrosa. Algumas pessoas buscam a opção de curandeiros ou daqueles que professam ter uma "capacidade de curar". Acredita-se que objetos como lenços, ícones religiosos ou peregrinações a locais sagrados ofereçam esperança àqueles em circunstâncias desesperadoras. 

Quando enfrentando sofrimento intenso, podemos até ser tentados a duvidar do caráter de Deus. "Por que dura a minha dor continuamente, e a minha ferida me dói e já não admite cura? Serias tu para mim como coisa mentirosa e como águas inconstantes?" (Jeremias 15:18).

Outros tentam encorajar-nos ao confirmar que "todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus" (Romanos 8:28). No entanto, o nosso sofrimento apresenta o nosso maior desafio à nossa fé. Em algum momento podemos até culpar a Deus por permitir que a nossa dor continuasse. Ou podemos nos perguntar: "De quanta mais fé preciso para ser curado?"

Cura pela Fé - A Lição

Nosso sofrimento físico e emocional é ampliado quando não podemos ver algo bom como resultado da nossa doença. Quando nos concentramos no que Deus pode fazer através da nossa doença, podemos manter o nosso foco em Deus, em vez de em nossas circunstâncias difíceis. 

"Foi-me bom ter sido afligido, para que aprendesse os teus estatutos" (Salmo 119:71).

Cura pela Fé - O Resultado Final

A cura é um ato de misericórdia imerecida de um Deus soberano. Nós não colocamos a fé na fé em si (ou homens ou objetos), mas sim na graça e misericórdia de Jahveh-Ropheka, "Deus, o Curador". Não há dúvida de que Jesus se preocupa profundamente conosco - Ele sofreu e morreu para que pudéssemos viver para sempre no amor de Deus. Sua cura não segue um processo que nos pareça lógico. 

Jesus curou os olhos dos cegos através da aplicação de lama feita de "saliva divina" (João 9:6-7)! Jesus muitas vezes foi pouco convencional, ressuscitando o filho de uma viúva por causa de compaixão, não por causa da fé dela (Lucas 7:13). A fé não é algo que precisamos "conjurar" a fim de sermos curados. Deus é quem tem controle total de cura. Independentemente do resultado, Deus está sempre com aqueles que sofrem e Ele entende sua dor e necessidade. 

A cruz nos lembra que Deus sempre se importa. Deus está nos oferecendo uma totalidade que é ainda mais perfeita do que a cura física ou emocional. Saúde perfeita está esperando por nós na ressurreição. "Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente" (2 Coríntios 4:16-17).

A fé pode ser uma grande aliada da saúde, faz bem para a imunidade, melhora a resposta a processos de quimioterapia ou radioterapia, por exemplo, e ainda pode ajudar a combater depressão, ansiedade e problemas de sono.

Para comprovar essa tese, um trabalho do Instituto Dante Pazzanese, com quase 250 artigos de todo o mundo, concluiu que a prática regular de atividades religiosas - sejam elas quais forem - pode reduzir o risco de morte em 30%.

Isso porque ter uma religião promove bem-estar psicológico, menos pensamentos e comportamentos suicidas, menos consumo de álcool e drogas e um maior incentivo a hábitos saudáveis. O estudo mostrou ainda que a religião contribui também para reduzir a carga viral em pacientes com HIV, além de reduzir mortes por AVC e problemas cardíacos.

Na falta da fé

As drogas sempre estiveram presentes na história da humanidade. Há indícios do uso de plantas alucinógenas em vários cultos pagãos, como no xamanismo, prática que tem entre 10 e 15 mil anos em busca, através de transe, viajar ao mundo dos espíritos e de seus ancestrais.

Ao que tudo indica a relação de dependência e vício entre homem e plantas teve origem na descoberta, por parte dos nossos ancestrais, de que a autoadministração de certas espécies poderia diminuir a dor, curar doenças, possibilitar maior energia, aguçar atividades cognitivas e proporcionar mais sensibilidade.

Um dos problemas mais graves que nossa sociedade tem a resolver está relacionado ao tráfico e ao consumo de drogas. Hoje, milhares de brasileiros, principalmente crianças e adolescentes, são o alvo preferencial dos traficantes. 

Muitos já se tornaram dependentes químicos e diversos deles já ingressaram no mundo do crime, atraídos pela droga. A constatação dá-se, por exemplo, na presença do crack que aumentou 700% nos últimos quatro anos e se tornou uma epidemia.

O uso de drogas ilícitas por adolescentes cresceu entre 2009 e 2012, sobretudo entre as meninas. É o que mostra pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), em 2012, a proporção de adolescentes que vivem nas capitais que já haviam experimentado drogas ilícitas chegava a 9,9%, o que equivalia a mais de 312 mil jovens. Em 2009, quando foi feita a primeira pesquisa desse tipo, o porcentual foi de 8,7%.

Além das providências que devem ser adotadas pelas autoridades, devemos assumir o compromisso de acender uma consciência cidadã, capaz de alertar pais e familiares para o tema, responsabilidade de todos. Afinal de contas, muitos males disseminaram-se em função das falhas da sociedade e da própria família. 

Os governantes são, indubitavelmente, os principais culpados. Mas, e os pais que não dão atenção aos filhos? E as famílias que se dispersam desprezando os valores e esquecendo-se da importância do amor e da religião? Esse é um tema que todos nós temos a obrigação de discutir e, por conseguinte, encontrar soluções.

Agora, por tua bondade, abençoa a família de teu servo, para que ela continue para sempre na tua presença. Tu, ó Soberano Senhor, o prometeste! E, abençoada por ti, bendita será para sempre a família de teu servo. 2 Samuel 7:29

Quem causa problemas à sua família herdará somente vento; o insensato será servo do sábio. Provérbios 11:29

Portanto, enquanto temos oportunidade, façamos o bem a todos, especialmente aos da família da fé. Gálatas 6:10

São raros os estabelecimentos de ensino que desenvolvem ações e disciplinas que proporcionam aos alunos atividades culturais, artísticas, esportivas, línguas estrangeiras, noções de informática, enfim, algo apropriado para expandir os horizontes dessas crianças e lhes proporcionar melhores condições para discernir sobre o que é bom ou ruim. 

Os jovens estão usando drogas mais e cada vez mais cedo, o que aumenta o risco de boa parte desta juventude desenvolver a dependência química. Esta equação se repete em praticamente todo o mundo, inclusive no Brasil, apesar de as pesquisas sobre o tema aqui ainda serem bem escassas.

Numa delas, feita pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), com apoio da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), foi constatado que entre estudantes de escolas públicas crianças de 10 anos de idade começam a ter contato com as drogas e o álcool que, na maioria das vezes, é a porta de entrada para o vício. 

No trabalho, intitulado Levantamento Nacional sobre o Consumo de Drogas Psicotrópicas entre Estudantes do Ensino Fundamental e Médio da Rede Pública de Ensino, foram entrevistados cerca de 50 mil estudantes que responderam aos questionários, anonimamente.

A maioria dos usuários está na faixa de 16 anos de idade. Na faixa etária de 10 a 12 anos, 12,7% dos estudantes já usaram algum tipo de droga. Quase a metade dos alunos pesquisados (45,9%) cursa uma série que não é adequada à sua idade. A pesquisa constatou que a defasagem escolar é maior entre os que consomem drogas.

O total de estudantes que usam drogas, na rede estadual de ensino, é de 22,6%. As substâncias mais procuradas são os solventes, a maconha, os remédios para diminuir a ansiedade (ansiolíticos), os estimulantes (anfetaminas) e os remédios que atuam no sistema nervoso central parassimpático (anticolinérgicos). 

Entre os meninos, a maconha é a primeira da lista e, entre as meninas os estimulantes. A maioria das crianças do ensino público fundamental e médio já consumiu bebidas alcoólicas - sete de cada dez crianças. 

Três de cada dez já fumaram ou fumam regularmente. De acordo com o estudo, 67,5% dos estudantes cariocas já consumiram bebidas alcoólicas e 26% já fumaram ou fumam regularmente. 

O maior problema é a droga lícita. Esse nível (de 67,5%) é muito grande em se tratando de adolescentes. Os índices de consumo de drogas ilícitas chegam a 6,3% com a maconha, 13,6% com solventes e 1,6% com cocaína. 

O levantamento revela que o consumo de álcool por adolescentes de 12 a 17 anos já atinge 54% dos entrevistados e desses, 7% já apresentam dependência. Entre jovens de 18 a 24 anos, 78% usam álcool e 19% deles são dependentes. 

Outro estudo divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em comparação com os países da América Latina, o Brasil aparece em terceiro lugar no consumo de álcool entre os adolescentes. 

A pesquisa foi feita com estudantes do ensino médio e incluiu 347.771 meninos e meninas, de 14 a 17 anos, do Brasil, da Argentina, da Bolívia, do Chile, do Equador, do Peru, do Uruguai, da Colômbia e do Paraguai. Entre os brasileiros, 48% admitiram consumir álcool. 

Sabe-se, que o uso precoce de álcool aumenta o risco de alcoolismo em idade adulta e é um facilitador para o início do uso de outras drogas. De acordo com os especialistas, pais e os profissionais de educação devem se destituir de qualquer preconceito com relação às drogas, a fim de que haja um relacionamento melhor com os filhos/alunos que são usuários. 

É importante que o pai e o professor não deixem o preconceito atrapalhá-los no momento de escutar e diagnosticar em que grau de uso de droga esse jovem ou criança está para poder melhor acolhê-la e ajudá-la.

O objetivo desse texto é esclarecer e informar de maneira simples e desmistificada o fenômeno do uso crescente de drogas por pré-adolescentes e adolescentes com ênfase no alcoolismo. Orientar os pais no que tange a um conhecimento mais detalhado do universo das drogas e as consequências de seu uso.

Proporcionar subsídios para que pais, religiosos e professores possam identificar, compreender e saber como agir, quando identificam possíveis sinais de que os filhos podem estar se envolvendo nesse mundo cercado de perigos, informações incorretas, vergonha, sofrimento e discriminação. 

Pretende esclarecer que antes de sermos culpados, somos pais, vítimas desse fenômeno social, que ao invés de nos afundarmos nesse sentimento de culpa, frustração e impotência, dispomos de ferramentas relativamente eficientes para identificar o problema, compreender que é ou pode se tornar uma doença e que igual a qualquer outra enfermidade pode e deve ser tratada de forma a buscar a libertação de nossos filhos desse caminho que, infelizmente, na maioria das vezes não tem volta. 

É proporcionar mecanismos para que nós pais terminemos com esse bordão de que drogas terminam sempre em três C´s. Clínica, cadeia ou cemitério.

Usuários de drogas

É comum distinguir o abuso de drogas (dependência) do seu consumo experimental, ou já em fase de risco de dependência. Esta classificação refere-se à quantidade e frequência em que ela é usada. Os usuários podem ser classificados, segundo CID 10, em:
CID 10

· Experimentador
· Usuário ocasional
· Habitual
· Dependente

OMS 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a seguinte classificação para as pessoas que utilizam substâncias psicoativas:

· Não usuário: nunca utilizou;
· Usuário leve: utilizou drogas, mas no último mês o consumo não foi diário ou semanal;
· Usuário moderado: utilizou drogas semanalmente, mas não diariamente no último mês;
· Usuário pesado: utilizou drogas diariamente no último mês.

UNESCO 

Segundo considerações de saúde pública, sociais e educacionais, uma publicação da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) distingue entre quatro tipos de usuários:

· Usuário experimental ou experimentador: limita-se a experimentar uma ou várias drogas, por diversos motivos, como curiosidade, desejo de novas experiências, pressão de grupo etc. Na grande maioria dos casos, o contato com drogas não passa das primeiras experiências.

· Usuário ocasional: utiliza um ou vários produtos, de vez em quando, se o ambiente for favorável e a droga disponível. Não há dependência, nem ruptura das relações afetivas, profissionais e sociais.

· Usuário habitual ou "funcional": faz uso frequente de drogas. Em suas relações já se observam sinais de ruptura. Mesmo assim, ainda "funciona" socialmente, embora de forma precária e correndo riscos de dependência.

· Usuário dependente ou "disfuncional" (dependente, toxicômano, adicto, fármaco-dependente, dependente químico): vive pela droga e para a droga, quase que exclusivamente. Como consequência, rompe os seus vínculos sociais, o que provoca isolamento e marginalização, acompanhados de decadência física e moral.

Portanto, livrem-se de toda impureza moral e da maldade que prevalece e aceitem humildemente a palavra implantada em vocês, a qual é poderosa para salvá-los. Tiago 1:21

A doença da dependência química

A dependência química é uma doença que faz parte do grupo dos Transtornos Mentais. Os dependentes químicos são equivocadamente vistos como pessoas fracas, de pouca força de vontade, sem bom senso e sem sabedoria. 

Porém, quando considerada como uma doença, podemos olhar sob outra perspectiva: de que se trata de um transtorno em que o portador desse distúrbio perde o controle do uso da substância, e sua vida psíquica, emocional, espiritual e física vão se deteriorando gravemente. Nessa situação, a maioria das pessoas precisa de tratamento e de ajuda competente e adequada.

E assim se cumpriu o que fora dito pelo profeta Isaías: "Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e sobre si levou as nossas doenças". Mateus 8:17

· É uma doença química: Pelo fato de que a dependência é provocada por uma reação química no metabolismo do corpo. O álcool, embora a maioria das pessoas o separe das drogas ilegais, é uma droga tão ou mais poderosa em causar dependência em pessoas predispostas, quanto qualquer outra droga, ilegal ou não.

E a luz da lua será como a luz do sol, e a luz do sol sete vezes maior, como a luz de sete dias, no dia em que o Senhor ligar a quebradura do seu povo, e curar a chaga da sua ferida. Isaías 30:26

· É uma doença interna e não externa: A causa básica e única é o uso do produto, mas existem fatores internos inerentes ao organismo, que atuam ao mesmo tempo direta e indiretamente e que contribuem para a instalação da doença, provocando uma predisposição física e emocional para a dependência. 

As expressões externas de uma dependência, como uma série de problemas sociais (pressão de grupo, moda, fome e miséria), familiares (falta de diálogo com os pais), sexuais, profissionais, emocionais (ansiedade, culpa), etc., não são as geradoras da dependência química e sim consequências de um determinado estilo de vida.

A ansiedade no coração deixa o homem abatido, mas uma boa palavra o alegra. Provérbios 12:25

Há alguns que falam como que espada penetrante, mas a língua dos sábios é saúde. Provérbios 12:18

· É uma doença progressiva: A lógica da interrupção desse processo destrutivo é não usar mais a droga, caso contrário a tendência é piorar com o passar do tempo.

· É uma doença crônica incurável: Uma vez dependente químico, sempre dependente, indiferente de estar ou não em recuperação, usando ou não usando algum tipo de droga. Não há cura para a dependência; existe sim tratamento com êxito - contínuo e permanente.

· É uma doença controlável: Mesmo que não se possa usar o álcool ou outras drogas de maneira “social” ou “recreativa”, o dependente, se aceitar, e realmente se empenhar no tratamento, poderá viver muito bem sem a droga e sem as consequências negativas do seu uso frequente.

Então romperá a tua luz como a alva, e a tua cura apressadamente brotará, e a tua justiça irá adiante de ti, e a glória do Senhor será a tua retaguarda. Isaías 58:8

· É uma doença que atinge toda família: Qualquer tipo de comportamento toxicomaníaco tem uma incidência sobre aqueles que rodeiam a pessoa em causa e, sobretudo, sobre a sua família, tornando-a codependente do problema. O convívio com o dependente faz com que os familiares adoeçam emocionalmente, sendo necessário que também se tratem e recebam orientações a respeito de como lidar com o dependente e com seus sentimentos em relação ao mesmo.

A ninguém torneis mal por mal; procurai as coisas honestas, perante todos os homens. Romanos 12:17

· É uma doença física: Se manifesta pelo aparecimento de profundas modificações físicas, alterando o metabolismo orgânico quando se interrompe o uso da droga. Essas alterações físicas obrigam o usuário a continuar consumindo; caso contrário ocorre uma “crise ou síndrome de abstinência”. 

Essas alterações presentes na “Síndrome de Abstinência” se manifestam por sinais e sintomas de natureza física e variam conforme a droga.

· É uma doença psicológica: É a sensação de satisfação e um impulso psíquico provocado pelo uso da droga que faz com que o indivíduo a use continuamente, para permanecer satisfeito e evitar mal estar, ou seja, quando o consumo repetido cria o invencível desejo de usá-lo pela satisfação que produz. 

· A falta do tóxico deixa o usuário abatido, em lastimável estado psicológico. Quando privados os dependentes sofrem modificações de comportamento, mal-estar, e uma vontade irreprimível de usar a droga.

Segundos os critérios diagnósticos do DSM-IV a dependência de substância se apresenta sob os seguintes sintomas:

1. Tolerância - Definida por qualquer um dos aspectos:
· Necessidade progressiva de maiores quantidades da substância pra atingir o efeito desejado;
· Significativa diminuição do efeito após o uso continuado da mesma quantidade da substância.

2. Abstinência - Manifestada por qualquer um dos seguintes aspectos:
· Presença de sintomas como ansiedade, irritabilidade, insônia e sinais fisiológicos (tremor) desconfortáveis após a interrupção do uso da substância ou diminuição da quantidade consumida usualmente;
· Consumo da mesma substância ou outra similar a fim de aliviar ou evitar os sintomas de abstinência.

Tu também terás grande enfermidade por causa de uma doença em tuas entranhas, até que elas saiam, de dia em dia, por causa do mal. 2 Crônicas 21:15

Vede que ninguém dê a outrem mal por mal, mas segui sempre o bem, tanto uns para com os outros, como para com todos. 1 Tessalonicenses 5:15

3. Ingestão da substância em quantidades maiores ou por um período maior do que o inicialmente acontecia.

4. Desejo de diminuir - O indivíduo expressa o desejo de reduzir ou controlar o consumo e a quantidade da substância ou apresenta tentativas nesse sentido, porém malsucedidas.

5. Perda de Tempo - Boa parte do tempo do indivíduo é gasto na busca e obtenção da substância, na sua utilização ou na recuperação de seus efeitos.

6. Negligência em relação às atividades - O repertório de comportamentos do indivíduo, como atividades sociais, ocupacionais ou de lazer encontra-se extremamente limitado em virtude do uso da substância.

7. Persistência no uso - Embora o indivíduo se mostre consciente dos problemas ocasionados, mantidos e/ou acentuados pela substância, sejam físicos ou psicológicos, seu consumo não é interrompido.

Quando alguém tiver um filho contumaz e rebelde, que não obedecer à voz de seu pai e à voz de sua mãe, e, castigando-o eles, lhes não der ouvidos, Então seu pai e sua mãe pegarão nele, e o levarão aos anciãos da sua cidade, e à porta do seu lugar; E dirão aos anciãos da cidade: Este nosso filho é rebelde e contumaz, não dá ouvidos à nossa voz; Deuteronômio 21:18-20
Comorbidade

Designação de duplo diagnóstico. Corresponde a associação de pelo menos duas patologias num mesmo paciente. 

Comorbidade é a ocorrência de pelo menos duas entidades diagnósticas em um mesmo indivíduo. Estudos demonstram que o abuso de substâncias é o transtorno coexistente mais frequente entre portadores de transtorno mental. Os mais frequentes são: os transtornos do humor, transtorno de ansiedade, transtorno de déficit de atenção e a esquizofrenia. 

· Comorbidade patogênica ocorre quando duas ou mais doenças estão etiologicamente relacionadas; Comorbidade diagnóstica ocorre quando as manifestações da doença associada forem similares às da doença primária; 

· Comorbidade prognóstica ocorre quando houver doenças que predispõem o paciente a desenvolver outras doenças.

Conforme afirma o DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da Associação Norte-americana de Psiquiatria) o Transtorno por Uso de Substâncias, que engloba o abuso e a dependência de substâncias, encontra-se frequentemente associado a outras patologias psiquiátricas. 

Assim diante de um paciente com uso problemático de drogas, seja dependência ou uso abusivo, deve-se sempre investigar a existência de outra doença emocional; ou por baixo da dependência ou como consequência.

É provável até que a existência de outros transtornos emocionais comórbidos à dependência dificulte a adesão do paciente ao tratamento, proporcione resultados piores em termos de frequência e quantidade da droga consumida, bem como do funcionamento psicossocial. 

Nem sempre é a droga em si a responsável exclusiva pela apatia ocupacional do dependente, pelos fracassos sociais e familiares. Muitas vezes sua própria personalidade se mostra algo inviável para a condução da vida.

Muitos trabalhos de pesquisa têm mostrado uma elevada prevalência (13%) da associação de doença mental com uso abusivo de substâncias. Nas populações em tratamento psiquiátrico, tanto ambulatorial quanto em internação hospitalar, encontra-se 20 a 50% de comorbidade entre as variadas doenças mentais com o alcoolismo e abuso de outras drogas.

Observações inversas também ocorrem, pois nos centros especializados no atendimento ao dependente químico a comorbidade com outros transtornos mentais também é maior, se comparada à população em geral. 

Em relação às doenças mentais mais severas, como são a esquizofrenia e o transtorno bipolar do humor, em quase metade dos pacientes também aparece a associação com abuso ou dependência de substâncias psicoativas.

Embora não haja evidências na literatura de determinados transtornos emocionais e de personalidade como sendo causas do comportamento aditivo, a presença de Transtorno de Conduta na infância, de diagnóstico de Transtorno Afetivo Bipolar na adolescência e Transtorno Antissocial de Personalidade ou Borderline seriam fortes fatores de risco para uso de drogas no futuro.

Não obstante, há evidências de que a desinibição de comportamento e o temperamento considerado "difícil" na criança possam representar fatores de risco para o uso futuro de drogas. 

Em outras palavras, embora sem critérios suficientes para se constituir em relação causa-efeito, as observações mostram sugestiva associação de determinadas patologias mentais e traços de personalidade com o uso de drogas.

Uma das hipóteses que tentam justificar a associação entre dependência química e transtornos emocionais seria uma espécie de vulnerabilidade da pessoa para a doença mental. Neste caso a droga apenas desencadearia e agravaria os sintomas mentais dormentes.

O segundo modelo sugere que essa associação se dá em função da pessoa que se sente mal por conta de algum transtorno emocional e busca a droga como uma espécie de “automedicação”. Ela aliviaria os sintomas de sua depressão, sua ansiedade, obsessão, angústia e assim por diante.

A terceira hipótese supõe uma causa (biológica?) comum que predisporia o sujeito ao uso de drogas e à doença mental simultaneamente. 

Um quarto e último modelo entende a associação droga - doença mental como a ocorrência independente das duas coisas, apenas uma concomitância. Nesse caso o uso de drogas pela pessoa com doença mental seria determinado por fatores independentes daqueles da doença mental.

Esses quatro modelos podem ser usados para tentar explicar, por exemplo, a associação de uma pessoa com transtorno afetivo bipolar e dependência à cocaína, ou do transtorno obsessivo-compulsivo com o álcool, o transtorno de ansiedade, fóbico ou do pânico com maconha e assim por diante. 

O tratamento do dependente químico portador também de outra doença mental tem resultados melhores quando se integra o tratamento dos sintomas psíquicos do eventual transtorno com atitudes direcionadas à dependência. 

A existência de comorbidade aumenta a dificuldade no controle de cada doença isoladamente, ou seja, é mais difícil tratar um paciente deprimido e dependente de cocaína do que o tratamento da depressão ou dependência à cocaína isoladamente.

Tem sido comum a comorbidade de Transtorno Depressivo com uso diário de bebida alcoólica, com dependência ou não. Na maioria dos casos percebe-se claramente que o álcool está sendo usado como lenitivo da angústia, desânimo e tristeza próprios da depressão. 

Neste caso o sucesso terapêutico será inegavelmente maior se a depressão for tratada com mesmo empenho que a abstinência do álcool. É bastante frequente a associação de alcoolismo, dependência de cocaína ou anfetaminas com depressão. Não se pode tratar uma doença sem tratar igualmente a outra.

A dependência de anfetaminas, cocaína e seus derivados (crack) leva a um quadro francamente psicótico, paranoico e alucinatório. Como não se trata de uma esquizofrenia franca ou genuína, falamos em quadro esquizofreniforme. Apesar de muito exuberante em sintomas, tudo isso se resolve em poucas semanas com a abstinência e o tratamento da dependência. 

Por outro lado, embora a esquizofrenia verdadeira não seja causada pelas drogas, poderá ser severamente piorada com o uso de destas, formando assim um círculo vicioso; esquizofrenia – drogas - piora da esquizofrenia – mais drogas e assim por diante. Nesses pacientes o controle dos sintomas psicóticos é de grande importância para a redução na utilização da droga.

O Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TSPT), também tem forte relação com o uso de drogas, tanto de cocaína quanto de maconha. Violência urbana, guerras, acidentes e outros eventos traumáticos favorecem o TSPT e, consequentemente o uso de drogas.

O Transtorno de Pânico é outro quadro que também representa um risco aumentado para o uso abusivo de substância, notadamente do álcool. Há prevalência de uso abusivo de drogas em 16% da população com Transtorno do Pânico.

É muito importante avaliar a presença de comorbidades nos pacientes com dependência química para maior eficácia do tratamento. Além de proporcionar o não uso da substância, o tratamento objetiva assistir intensivamente a eventual síndrome de abstinência, a correção de estados agudos de ansiedade e depressão, ideias delirantes e eventuais alucinações. 

Codependência

O dependente químico raramente vive “no vazio”. Aqueles que o cercam são direta ou indiretamente afetados pela disfunção comportamental que acompanha a progressão da doença da dependência e desenvolvem mecanismos de racionalização para melhor suportar a dor de serem rejeitados em função da droga do familiar dependente. Quando isto ocorre, estas pessoas passam a ser o que denominamos codependentes.

É um problema progressivo, capaz de tornar doentes as pessoas que, em consequência de uma relação tão intensa e comprometida com um dependente químico, não conseguem administrar suas próprias vidas. 

Esse fato inicia-se quando nessa relação alguém tenta controlar o uso de drogas, o consumo de bebidas ou quaisquer comportamentos compulsivos de um dependente na esperança de ajudá-lo, sendo mal sucedido nesse controle, acabando assim por perder o domínio sobre seu próprio comportamento e vida.

Assim como o dependente químico necessita da droga, a droga do codependente é o dependente. Embora seja uma resposta normal para uma situação anormal, a codependência é extremamente prejudicial a todos quando se tenta controlar algo ou alguma coisa que não pode ser controlada.

Todo indivíduo é dotado de algo chamado “Soberania Pessoal”. Não há restrições quanto a isso, exceto se ela agride a terceiros. Na “Soberania Pessoal” está incluído o direito de usar qualquer substância, seja para que fim for, mas responsabilizar-se integralmente pelas consequências.

No atendimento e tratamento do dependente químico é comum o indivíduo ser trazido pela família, é comum também, que a família apresente certa resistência quando solicitada a participar, ou então aceite o tratamento apenas por causa do dependente, como se ela não precisasse refletir sobre a qualidade da relação familiar. Normalmente a fala é a seguinte: - “Ele estando bem, eu também estarei”.

O “sistema de negação” desenvolvido pelos codependentes é basicamente idêntico ao utilizado pelo dependente químico. Estas características são desenvolvidas ou geradas por reflexo de comportamento diretamente vinculado e sob a influência da conduta do dependente.

Além disso, outros mecanismos de defesa mais complexos atuam no sentido de sustentação das possibilidades de ganho que a doença promove. A princípio, os ganhos são quase sempre representados pela atenção social que recebe e parece envolver de satisfação imediata tanto o dependente quanto o codependente, seja pela necessidade de que carecem, seja pela força da patologia à qual estão aferrados. 

Todavia, com o tempo, o indivíduo com essa característica se torna insistente e a qualidade das relações que desenvolvem tende a se tornar obstinada. Como consequência, ele fica cada vez mais isolado socialmente e entra em estado depressivo cíclico, apresenta sentimentos de abandono, frustração e baixa autoestima.

Porque, quando meu pai e minha mãe me desampararem, o Senhor me recolherá. Salmos 27:10

Todas as atitudes a que o codependente responde mediante a manipulação do dependente pressupõe-se atuarem no sentido de uma degradação de conduta de ambas as partes. 

Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si; Romanos 1:24

Assim, o que o codependente necessita, é de uma orientação para que possa perceber como responder às diretrizes de conduta do seu dependente, o grau de envolvimento e de participação na patologia em questão.

Como lidar com as drogas

O primeiro aspecto e talvez o mais importante para que os pais possam lidar com o uso de drogas por seus filhos é desmistificar todo e qualquer adjetivo pejorativo, rotulador do indivíduo, compreender que na maioria das vezes o uso é ou poderá se transformar numa doença séria que, embora incurável, pode ser tratada, estabilizada e permitir que o usuário volte a ter uma vida normal em todos os seus aspectos.

Conhecendo as drogas mais usadas, os sinais que podem indicar o uso de cada uma dessas drogas, os efeitos do uso a curto, médio e longo prazo, as consequências para a saúde, as possibilidades de tratamento e o papel fundamental da família no processo de recuperação do dependente, os pais e a família podem desenvolver seu verdadeiro papel de protetores, cuidadores e formadores não só dos aspectos morais, mas como da saúde física e mental de seus filhos.

Os pais não morrerão pelos filhos, nem os filhos pelos pais; cada um morrerá pelo seu pecado. Deuteronômio 24:16

A coroa dos velhos são os filhos dos filhos; e a glória dos filhos são seus pais. Provérbios 17:6

Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. Efésios 6:1

Vós, filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto é agradável ao Senhor. Colossenses 3:20

Vós, pais, não irriteis a vossos filhos, para que não percam o ânimo. Colossenses 3:21
Qual é a hora de procurar ajuda

Com toda certeza no primeiro momento em que se notam certos tipos de comportamento, soa o alarme e aparecem os indícios e os questionamentos dos pais sobre a mudança de rotina de seus filhos. Importante: a mudança sempre ocorre; sempre. 

Listamos uma série de pontos que podem levar à conclusão de que um jovem está se transformando em um dependente químico, seja álcool ou qualquer outra droga.

Indícios do uso abusivo de drogas por adolescentes

Para ilustrar esse ponto vamos usar o álcool, pois, além de lícito e amplamente aceito pela sociedade - é droga, gera dependência e mata. Os pontos mencionados servem da mesma forma para quaisquer outras drogas. 

É preciso distinguir consumo de bebida e alcoolismo, mas sintomas como: queda do rendimento escolar, depressão, mentiras desenvolvimento de antipatias ou até mesmo hostilidade frente sua própria sociedade ou cultura e outras alterações psicopatológicas podem ser indicadores do início da dependência.

Mudanças sociais que implicam na decisão de beber (ou usar outra droga):

· De famílias extensas por famílias nucleares,
· De status atribuído por status conquistado,
· De uma vida centrada na família por uma vida centrada nos pares,
· De valores religiosos por seculares,
· Da vida em comunidade pelo individualismo,
· Da estabilidade social por mudanças sociais,
· Da moral tradicional pela amoralidade.

A alienação causada pelo abuso de álcool durante a adolescência, se generalizada, pode resultar em problemas psicossociais epidêmicos como delinquência, depressão, conflitos familiares, gravidez fora do casamento, abandono escolar, vandalismo e até suicídio.

Outros sinais de abuso

· Atrasos constantes na escola;
· Desculpas as mais variadas para não ir à escola;
· Dificuldade para despertar, levantar-se, etc.
· Colocar-se em situações de risco como não prestar atenção ao atravessar a rua, tombos, distração generalizada;
· Incapacidade de se lembrar do que aconteceu depois de beber;
· Envolvimentos mal explicados com a polícia devido a brigas e outros fatores de risco;
· Chegar em casa machucado e não saber explicar ou distorcer os motivos para o incidente;
· Beber para curar uma ressaca;
· Preocupação de colegas e amigos com a forma dele ou dela se comportar;
· Incapacidade de controlar a quantidade de bebida ingerida;
· Aumento significativo na frequência e na quantidade ingerida;
· Impedido de beber apresenta dores de estômago, sudorese excessiva, tremedeira, ansiedade, mau humor, agressividade, isolamento;
· Abandono progressivo de atividades antes costumeiras e prazerosas;
· Passar muito tempo na rua sem justificativas plausíveis;
· Rompimento progressivo de relações sociais e tendências a ficar cada vez mais só;
· Beber sozinho, em casa, no quarto ou escondido;
· Esconder bebida pela casa;
· Mudar o que costuma beber como, por exemplo, deixar a cerveja e passar a beber vodca ou uísque;
· Gabar-se de que bebe muito, mas não fica bêbado;
· Sentir-se culpado depois de uma ressaca ou um porre;
· Perda de peso, gastrite, inchaço nos pés, bochechas e nariz vermelhos.

Entendendo o dependente - sete regras básicas

1 - O momento de parar é agora

Uma das táticas mais usadas pelos dependentes e abusadores de álcool e/ou outras drogas para evitar ingressar em tratamento é a procrastinação (“deixar para mais tarde ou para depois”, adiamento indefinido que colabora para o aumento das consequências derivadas do consumo). A frase “Eu vou parar amanhã” significa exclusivamente que o indivíduo não tem nenhuma intenção de interromper o consumo. 

Não vos escrevi porque não soubésseis a verdade, mas porque a sabeis, e porque nenhuma mentira vem da verdade. 1 João 2:21

A verdadeira testemunha não mentirá, mas a testemunha falsa se desboca em mentiras. Provérbios 14:5

2 - Deve-se parar o consumo de uma vez

Interromper o consumo de drogas e álcool é uma tarefa ingrata e infrutífera. Cada episódio de consumo de droga aumenta o desejo por mais droga e assim o processo de recuperação acaba sempre adiado. 

3 - Parar todas as drogas de abuso

Esta é uma das regras mais difíceis para o dependente aceitar. O indivíduo tende a focalizar todas as suas dificuldades, por exemplo, na cocaína, desprezando a participação das outras substâncias no seu padrão de consumo. 

O consumo de álcool ou de maconha frequentemente representa o primeiro passo para uma recaída no consumo da própria cocaína. Além desse fato, o consumo de qualquer substância evoca as memórias da droga principal usada, desencadeando “fissuras” intensas. Ao usar outra droga, o indivíduo terá menor capacidade de resistir a tais “fissuras”, recorrendo ao consumo. 

4 - Mudar o estilo de vida

Os dependentes de drogas não devem manter relacionamentos com antigos companheiros de consumo, não devem ir aos bares e outros ambientes onde costumavam encontrar esses colegas, pois o consumo de substâncias psicoativas (drogas e/ou álcool) é o ponto central dessas atividades. 

O indivíduo, nessas ocasiões, volta a sentir desejo intenso, como uma necessidade de consumir, não conseguindo resistir à droga. Esta é a principal razão de recaídas, pelo menos nos pacientes em tratamento. 

Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes. 1 Coríntios 15:33

Leais são as feridas feitas pelo amigo, mas os beijos do inimigo são enganosos. Provérbios 27:6

O que anda com os sábios ficará sábio, mas o companheiro dos tolos será destruído. Provérbios 13:20

O que guarda a lei é filho sábio, mas o companheiro dos desregrados envergonha a seu pai. Provérbios 28:7

Desviaste para longe de mim amigos e companheiros, e os meus conhecidos estão em trevas. Salmos 88:18

5 - Sempre que possível evitar situações, pessoas e ambiente que causem fissuras

É importante antecipar estas situações antes de se encontrar nas situações acima descritas, para que o paciente possa lidar adequadamente e evite o uso. Os dependentes em tratamento nunca devem testar-se, para saber “como estão indo no tratamento”. 

Este fenômeno é muito visto entre os pacientes, que acreditam que “passando no teste” estarão provando que voltaram a conquistar o controle sobre a droga e que “jamais irão consumir novamente”. Infelizmente nada poderia ser mais falso que isto. Mesmo passando no “teste” o paciente estará mais próximo de uma recaída, por ter se aproximado ao ambiente de consumo e, provavelmente, por excesso de autoconfiança. 

6 - Procurar outras recompensas (fontes de prazer)

Durante a trajetória da dependência os indivíduos costumam afastar-se de praticamente todas as formas de lazer que não se encontram associadas diretamente ao consumo. Frequentemente abandonam hobbies, afastam-se de pessoas que não usam, param de exercitar-se; com a evolução da dependência mesmo o interesse no sexo se reduz muito, e a vida torna-se escassa de prazeres não quimicamente induzidos. 

O aprendizado de como voltar a estar em sintonia com o mundo “careta” é uma das tarefas mais difíceis da recuperação. Alguns indivíduos chegam a relatar que “desaprenderam a falar” sem o efeito das drogas. 

7 - Cuidados pessoais: aparência, alimentação, exercício etc.

A cocaína, por exemplo, é um potente inibidor do apetite, de forma que usuários crônicos tendem a apresentar deficiências de diversos nutrientes e vitaminas. Alguns indivíduos dependentes de álcool ingressam no tratamento muito adoecidos, física e emocionalmente. 

Da mesma forma, o condicionamento físico do paciente costuma ser negligenciado, indicando a inclusão de exercícios físicos na recuperação. O exercício pode, ainda, auxiliar a controlar a ansiedade do indivíduo, facilitando a manutenção da abstinência, além de produzir sensação de bem-estar pela liberação de substâncias (endorfinas), que podem resultar em redução do desejo pelo consumo.

Álcool

A droga mais perigosa

Nossa sociedade teme as drogas ilícitas. Maconha, cocaína, ópio, crack e ecstasy, entre outros, são os fantasmas que assombram os pais cada vez que seus filhos vão para uma festa. Sem dúvida, são substâncias nocivas que causam dependência física ou psíquica e, embora proibidas por lei, podem ser encontradas com facilidade nas mãos dos traficantes, que estão em toda a parte.

O maior perigo, porém, não mora aí. O vilão dos vilões é o álcool e nem todo mundo percebe isso. Vendido em larga escala, disponível em todos os restaurantes, padarias, supermercados, residências, bares e casas noturnas em geral, essa droga lícita tem feito vítimas em números astronômicos.

Está provado que o álcool causa dependência fortíssima. É mais fácil deixar a cocaína do que a bebida. A força de vontade do alcoolista em processo de cura tem de ser redobrada para se livrar da tentação. 

A Droga Incentivada

Se droga fosse ruim, ninguém se viciaria. Ninguém se vicia em martelada no dedo. Toda droga tem uma egrégora (uma energia que tem vida própria e que é criada e alimentada pelos usuários) extremamente forte, tem um departamento de marketing tremendamente eficiente mostrando as maravilhas alcançadas pelo seu uso. 

Bem, a princípio, realmente a droga parece fantástica, torna a pessoa descontraída, simpática, autoconfiante e por aí vai... Mas depois, com o tempo, ela (a droga) começa a se sentir mais segura e vai tornando-se exigente, ranzinza, mal humorada, até que ela não tem mais medo de ser abandonada e pronto, você está nas garras dela. 

Daí em diante o comando muda de lado, não há mais escolha, você não é mais livre, você depende dela. Agora ela é sua dona e já pode mostrar seu verdadeiro caráter... 

Ela quer sua vida, ela vive através de você e o lado negro que agora aparece pede o seu aniquilamento, a sua destruição, você está condenado por ter se tornado mais fraco que ela. 

Todas as drogas agem de maneira similar, porém, no caso do álcool, a dificuldade é muito maior. Existem os bebedores pesados, que fogem de si próprios através da bebida e existem os alcoólatras. 

Os primeiros conseguem parar de beber, os segundos, podem ficar anos sem beber, mas quando bebem não conseguem tomar um copo só, eles não são viciados, são doentes. Existe uma predisposição orgânica e fatores psíquicos ou de personalidade que favorecem sua instalação. 

O organismo “defeituoso” que não sabe “lidar” com o álcool, não o elimina adequadamente e vai se habituando progressivamente a funcionar sob intoxicação, chegando a um ponto em que, se não receber mais álcool, perderá inteiramente a capacidade de ação. Agora o indivíduo está em dependência química, é alcoólatra. 

O álcool é a porta de entrada para todas as outras drogas, conseguiu o 2º lugar como causa de morte, é responsável por 75% dos acidentes de trânsito, 45% das internações psiquiátricas, pode levar ao suicídio, causar invalidez precoce, destruir lentamente o físico e por aí vai... 

Mas o “lado bom” do álcool, é que ele não tem preconceito, ele atinge qualquer pessoa de qualquer classe sócio econômica com a mesma dedicação e intensidade. O mais assustador é que, de cada 100 pessoas, de 12 a 15, tem esta doença. 

Qual a forma de se combater as drogas, principalmente o álcool? O álcool, de todas as drogas, é a mais perniciosa e dissimulada. Ele é visto de uma maneira simpática e é até incentivado na sociedade, como um “remédio” fantástico para liberar as pessoas. 

É considerado um símbolo de masculinidade e neste país, onde o machismo é incentivado, as mulheres tendem a se portar como os homens para sentirem-se liberadas. 

Assim, um número muito maior de mulheres desenvolvem o alcoolismo. A juventude também está sendo atingida cada vez mais cedo, na busca de se sentir adulta e dona de si. O alcoolismo, que se instala lentamente, tem um campo fértil para se desenvolver. 

Se quisermos uma vida melhor para nossos jovens, não adianta culpar o mundo, pois esse é um reflexo de nossas atitudes. Adianta sim, conhecermos o inimigo, tomarmos ciência de sua força e agir. 

Se uma criança tem tendência à dependência do álcool, que ela não seja incentivada pelo desconhecimento de seus pais. Muitas vezes, uma brincadeira aparentemente inocente, pode despertar um monstro adormecido. A única saída é a conscientização. 

“Sozinhos não podemos mudar o mundo”. Talvez sim, talvez não. Mas podemos tentar. Entretanto, as grandes mudanças sempre começam na cabeça de alguém, que teve uma ideia, colocou em prática e contagiou os outros. 

Até a criança se dará a conhecer pelas suas ações, se a sua obra é pura e reta. Provérbios 20:11

Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele. Provérbios 22:6

O álcool através da história

Acredita-se que a bebida alcoólica teve origem na Pré-História, mais precisamente durante o período Neolítico quando houve a aparição da agricultura e a invenção da cerâmica. A partir de um processo de fermentação natural ocorrido há aproximadamente 10.000 anos o ser humano passou a consumir e a atribuir diferentes significados ao uso do álcool. Os celtas, gregos, romanos, egípcios e babilônios registraram de alguma forma o consumo e a produção de bebidas alcoólicas. 

A droga mais antiga da humanidade

O álcool não é privilégio de nenhum povo sobre a terra. Ao contrário, é considerado a única droga comum a todas as civilizações. A fabricação de vinho de uva começou provavelmente no período Neolítico, 8500 anos antes de Cristo. Nas montanhas Zagros, no norte do Irã, uma equipe do Centro de Arqueologia Química da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, encontrou um jarro de 7000 anos com capacidade para 9 litros de vinho.

Mais tarde, houve no delta do Rio Nilo uma pujante indústria vinícola, por volta de 2700 a. C. Beber vinho era um hábito tão comum que vários faraós foram enterrados com jarros, provavelmente na crença de que poderiam continuar bebendo depois da morte.

A cerveja é um pouco mais recente. Aparece uns 1500 anos antes de Cristo. Com um microscópio eletrônico, arqueólogos da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, descobriram que os egípcios usavam malte para produzir açúcar usado na fermentação. Em outras palavras: conheciam técnicas de cervejaria.

Os egípcios obtinham seu malte a partir de cevada. Só que em vez de adicionar lúpulo, como se faz hoje, eles acrescentavam um tipo raro de trigo. 

Ao repetir a receita, os pesquisadores descobriram uma boa cerveja. Sem o amargo do lúpulo, a mistura ganhava um sabor doce e frutado. Era dourada, mas menos transparente que as atuais.

Vieram depois os destilados, que são mais fortes. Curiosamente, a técnica não foi desenvolvida para fazer bebidas. Proibidos de beber pelo islamismo, os árabes foram os primeiros a produzir álcool destilado para fabricar perfumes. Os europeus aprenderam com eles e no século XI já há registro de aguardente na Itália.

A Embriaguez de Noé

Em uma das mais belas passagens do Antigo Testamento da Bíblia (Gênesis 9.21) Noé, após o dilúvio, plantou vinha e fez o vinho. Fez uso da bebida a ponto de se embriagar. Reza a bíblia que Noé gritou, tirou a roupa e desmaiou. Momentos depois seu filho Cam o encontrou "tendo à mostra as suas vergonhas". 

Foi a primeiro relato que se tem conhecimento de um caso de embriaguez. Michelangelo, famoso pintor renascentista (1475-1564), se inspirou nesse episódio para pintar um belíssimo afresco, com esse nome, no teto da Capela Sistina, no Vaticano. Nota-se, assim, que não apenas o uso de álcool, mas também a sua embriaguez, são aspectos que acompanham a humanidade desde seus primórdios.

E começou Noé a ser lavrador da terra, e plantou uma vinha.
E bebeu do vinho, e embebedou-se; e descobriu-se no meio de sua tenda.
E viu Cão, o pai de Canaã, a nudez do seu pai, e fê-lo saber a ambos seus irmãos no lado de fora.

Então tomaram Sem e Jafé uma capa, e puseram-na sobre ambos os seus ombros, e indo virados para trás, cobriram a nudez do seu pai, e os seus rostos estavam virados, de maneira que não viram a nudez do seu pai.

E despertou Noé do seu vinho, e soube o que seu filho menor lhe fizera. Gênesis 9:20-24

Grécia e Roma 

O solo e o clima na Grécia e em Roma eram especialmente ricos para o cultivo da uva e produção do vinho. Os gregos e romanos também conheceram a fermentação do mel e da cevada, mas o vinho era a bebida mais difundida nos dois impérios tendo importância social, religiosa e medicamentosa. 

No período da Grécia Antiga o dramaturgo grego Eurípedes (484 a.C.-406 a.C.) menciona nas Bacantes duas divindades de primeira grandeza para os humanos: 

Deméter, a deusa da agricultura que fornece os alimentos sólidos para nutrir os humanos, e Dionísio, o Deus do vinho e da festa (Baco para os Romanos). 

Apesar do vinho participar ativamente das celebrações sociais e religiosas greco-romanas, o abuso de álcool e a embriagues alcoólica já eram severamente censurados pelos dois povos. 

Egito Antigo

Os egípcios deixaram documentado nos papiros as etapas de fabricação, produção e comercialização da cerveja e do vinho. Eles também acreditavam que as bebidas fermentadas eliminavam os germes e parasitas e deveriam ser usadas como medicamentos, especialmente na luta contra os parasitas provenientes das águas do Nilo. 

Idade Média 

A comercialização do vinho e da cerveja cresce durante este período, assim como sua regulamentação. A intoxicação alcoólica (bebedeira) deixa de ser apenas condenada pela igreja e passa a ser considerada um pecado por esta instituição. 

Idade Moderna

Durante e Renascença passa a haver a fiscalização dos cabarés e tabernas, sendo estipulados horários de funcionamento destes locais. Os cabarés e tabernas eram considerados locais onde as pessoas podiam se manifestar livremente e o uso de álcool participa dos debates políticos que mais tarde vão desencadear na Revolução Francesa. 

Idade Contemporânea

O fim do século 18 e o início da Revolução Industrial é acompanhado de mudanças demográficas e de comportamentos sociais na Europa. É durante este período que o uso excessivo de bebida passa a ser visto por alguns como uma doença ou desordem. Ainda no início e na metade do século 19 alguns estudiosos passam a tecer considerações sobre as diferenças entre as bebidas destiladas e as bebidas fermentadas, em especial o vinho. Neste sentido, Pasteur em 1865, não encontrando germes maléficos no vinho declara que esta é a mais higiênica das bebidas. 

Durante o século 20 países como a França passam a estabelecer a maioridade de 18 anos para o consumo de álcool e em janeiro de 1920 o estado americano decreta a Lei Seca que teve duração de quase 12 anos. 

A Lei Seca proibiu a fabricação, venda, troca, transporte, importação, exportação, distribuição, posse e consumo de bebida alcoólica e foi considerada por muitos um desastre para a saúde pública e economia americana. Foi no ano de 1952 com a primeira edição do DSM-I (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders) que o alcoolismo passou a ser tratado como doença.

No ano de 1967, o conceito de doença do alcoolismo foi incorporado pela Organização Mundial de Saúde à Classificação Internacional das Doenças (CID-8), a partir da 8ª Conferência Mundial de Saúde. No CID-8, os problemas relacionados ao uso de álcool foram inseridos dentro de uma categoria mais ampla de transtornos de personalidade e de neuroses. 

Esses problemas foram divididos em três categorias: dependência, episódios de beber excessivo (abuso) e beber excessivo habitual. A dependência de álcool foi caracteriza pelo uso compulsivo de bebidas alcoólicas e pela manifestação de sintomas de abstinência após a cessação do uso.

Os índices são assustadores. Mais da metade das crianças entre 10 e 12 anos já experimentaram bebida alcoólica e 15% dos jovens entre 10 e 18 anos consomem álcool frequentemente (até cinco dias na semana). As expectativas em relação aos efeitos do álcool exercem influências importantes no início e manutenção do uso e nos comportamentos relacionados a este uso. 

Antes mesmo de o indivíduo consumir qualquer tipo de bebida alcoólica em sua vida, vão se formando crenças a respeito dos efeitos do álcool. Desenvolvem-se através de modelos parentais e do grupo de pares, experiências diretas e indiretas com bebidas alcoólicas. A importância do estudo em relação aos efeitos do álcool entre adolescentes está no impacto das experiências deste período do desenvolvimento sobre as práticas de beber na idade adulta. 

A comparação de diferentes padrões de uso do álcool na adolescência demonstra que bebedores mais frequentes apresentam expectativas de dependência mais fortes e mais específicas do que bebedores menos frequentes. 

Bebedores mais frequentes, em geral, relacionam-se ás seguintes crenças: mudanças no comportamento social; aumento da agressividade; mais prazer e melhor desempenho sexual; aumento de poder; e redução de tensão. 

As peculiaridades de cada história de consumo de álcool trazem, paralelamente, um conjunto de expectativas de efeitos que refletem esta história. Inicialmente, as relações entre o uso do álcool e suas consequências são aprendidas vicariamente, existindo antes da experiência direta com bebidas alcoólicas. As consequências influenciam a decisão de beber. 

Confiança e bem-estar podem ser confirmados pela experiência com o álcool e fortalecer as expectativas previamente existentes, especificando-as. 

A experiência de embriagar-se é percebida como desagradável pelos adolescentes, que temem a reação dos pais e não consideram prazerosos os efeitos como tontura e desinibição excessiva. A tontura é o limite escolhido como aquele em que se deve parar de beber. 

As festas são mencionadas como ocasiões de maior consumo de álcool. Ressalve-se, contudo, que o item não é específico e nem sempre distingue o tipo de festa. Assim, estão incluídos como festas as comemorações familiares, aniversários, festividades e encontros com amigos. 

Nas atividades sociais dos adolescentes, especialmente as festas com os amigos, a bebida alcoólica está presente. De forma geral, uma festa sem bebida não seria uma festa. A festa perderia a graça, as pessoas não se aproximariam e as pessoas iriam embora ou sairiam para comprar bebida. O álcool pode atuar como facilitador da aceitação pelo grupo de amigos.

Quando se trata dos rapazes, o uso de álcool aparece como uma prova de maturidade, um ritual de passagem para a idade adulta. Quando um rapaz não bebe, sua virilidade é questionada e sua maturidade também.

Para as garotas que não bebem, por sua vez, não há pressão para beber. Mesmo entre os jovens, as garotas que não bebem são vistas como virtuosas, pois cuidam de sua saúde. Já a garota que resolve beber, acaba sendo vista como liberada e de mais fácil aproximação por parte dos meninos. 

Esta vinculação do álcool com a sexualidade do adolescente apareceu fortemente na relação das moças com os rapazes, que hoje podem cortejá-los, usando o álcool para se desinibir e também como uma desculpa para os comportamentos considerados socialmente inadequados.

No caso das adolescentes o uso do álcool relaciona-se à expectativa de facilitar relacionamentos sociais, especialmente com amigos. A experimentação de bebidas alcoólicas com os amigos faz com que estas adolescentes não apresentem um controle eficiente sobre a quantidade consumida e um limite frouxo em relação à embriaguez. 

O porre não é relatado como experiência desagradável. Ao contrário, é ao beber demais que outras expectativas, como: esquecer problemas e incremento da sexualidade validam comportamentos de desabafo dos problemas e sedução, respectivamente.

A literatura já apontou que regras explícitas sobre a bebida aconselhadas pelos pais e educadores são mais eficientes na prevenção do alcoolismo. Pais que não expressam normas reguladoras a respeito do álcool têm mais probabilidade de ter filhos que bebam do que aqueles que as expressam. A permissividade ou o interesse dos pais pelo consumo de álcool de seus filhos influenciam os hábitos alcoólicos dos adolescentes.

A aceitação do álcool como uma droga legitimamente usada por adolescentes reflete o quanto nossa sociedade é tolerante e, muitas vezes, instigadora deste uso. 

A consequência disto é que o uso precoce expõe o jovem aos efeitos do álcool mais rapidamente, em um momento de seu desenvolvimento em que o álcool pode facilitar o enfrentamento de novas situações.

Jovens brasileiros bebendo muito

Um levantamento feito pelo Cebrid em dez capitais brasileiras com estudantes de primeiro e segundo graus indica isso. "A pesquisa aponta um aumento no consumo pesado, ou seja, cresceu o número de entrevistados que bebem mais de vinte vezes por mês", diz o psicólogo Ricardo Tabach. 

"Isso é preocupante", acrescenta. Segundo a pesquisadora Ana Regina Noto, também do Cebrid, a família não ajuda muito. "Um em cada três brasileiros prova álcool pela primeira vez na própria casa, quase sempre oferecido pelos pais", informa.

Segundo ela, os refrigerantes foram praticamente abolidos nas festinhas de jovens. A cerveja rola solta e até alguns porres são tratados com a anuência e a condescendência dos pais, como se fosse algo normal. 

Não é. "Isso acontece porque a sociedade não considera o álcool uma droga", diz ela. Outro problema é que se costuma achar que na juventude tudo é episódico e passageiro. No entanto, quando se trata de bebida, ocorre o contrário.

Se um adulto leva de dez a quinze anos para se tornar um alcoólatra, um adolescente precisa apenas de seis meses a três anos para incorporar o vício. Além disso, o uso abusivo do álcool provoca problemas sociais. Segundo a pesquisa do Cebrid, o álcool está no sangue de sete em cada dez brasileiros mortos violentamente – de acidentes de carro a assassinatos.

Esses problemas são agravados pelo fato de a legislação ser pouco respeitada. Poucas coisas são tão fáceis de comprar no Brasil quanto o álcool. Embora a venda seja proibida para menores de 18 anos, ninguém obedece à lei. 

A mesma pesquisa mostra que não chega a 1% o número de adolescentes que dizem "garçom, um chope" e não são atendidos.

O uso de álcool entre adolescentes é naturalmente um tema controverso no meio social e acadêmico brasileiro. Ao mesmo tempo em que a lei brasileira define como proibida a venda de bebidas alcoólicas para menores de 18 anos (Lei nº 9.294, de 15 de julho de 1996), é prática comum o consumo de álcool pelos jovens – seja no ambiente domiciliar, seja em festividades, ou mesmo em ambientes públicos. Basta chegar à sexta-feira para que os bares de todo o país fiquem repletos de adolescentes que, entre um papo e outro, bebem. Incrivelmente a maior parte dos jovens não associa a cerveja ao álcool. 

O jovem possui uma imagem ingênua da cerveja, vendo-a como diferente das demais bebidas alcoólicas. Poucos sabem que bebida preferida contem 5% teor alcoólico e bastam seis copos para que uma pessoa apresente dificuldades de coordenação motora e reflexos. 

O jovem chega a apontar aspectos positivos. Dizem que a cerveja é fraca, que ela é mais apropriada para o jovem e que no calor o que combina mesmo é a cerveja. Frente à pergunta “Você acha que a cerveja é igual às outras bebidas alcoólicas?”, 34% dos jovens disseram que não, e destes, 90% apontaram esses aspectos “positivos” para justificar a diferença. 

Os amigos e a família, sempre apontados na literatura como as maiores influências no consumo de substâncias psicoativas em geral, são inocentados pela maioria destes adolescentes, que chamam para si a responsabilidade; ao negar a variável externa, o jovem chama para si a responsabilidade de seus atos em uma tentativa de obter o reconhecimento social da ascensão ao estatuto de adulto.

É necessário enfatizar as vantagens de não beber (ou, pelo menos, não se embriagar) e não as desvantagens de beber. A literatura aponta que a prevenção ao abuso do álcool deve iniciar preferencialmente na infância, mas concentrar-se entre os 12 e 15 anos, continuando até a idade adulta, pois até os 15 anos as expectativas positivas aumentam, estabilizando-se depois.

O pai que pede um uísque "pra relaxar", uma caipirinha para "abrir o apetite" e a mãe que bebe um licor "pra fazer a digestão", a cerveja "pra refrescar", o conhaque "pra esquentar" estão colocando funções ou indicações de uso nas bebidas. 

Seguir esta regra geral formulada pelos pais não é diferente de seguir as regras do grupo de amigos: "para ter coragem", "para mostrar que é macho", "para ficar com o cara", "para chegar à menina", "para esquecer", "para aproveitar melhor a festa", etc. A criança vai observando e aprendendo a respeito destes efeitos, o adolescente testa estas expectativas. 

Não porque não tivéssemos autoridade, mas para vos dar em nós mesmos exemplo, para nos imitardes. 2 Tessalonicenses 3:9

Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho. 1 Pedro 5:3

Ninguém despreze a tua mocidade; mas sê o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza. 1 Timóteo 4:12

A coroa dos velhos são os filhos dos filhos; e a glória dos filhos são seus pais. Provérbios 17:6

Tipos de bebida alcoólica

As bebidas alcoólicas contêm diferentes teores de álcool. Podem distinguir-se dois grupos, de acordo com a quantidade de álcool e o processo de fabricação. As bebidas fermentadas são obtidas a partir da fermentação de açúcares constituintes de frutos por ação de microrganismos chamados leveduras. Estas bebidas podem obter-se a partir de frutos, cereais, grãos, tubérculos e cactos. 

As bebidas destiladas são obtidas através da destilação, dando origem a bebidas com maior percentagem de álcool, como por exemplo, a aguardente, uísque, gin, vodca, uísque, etc.

Você sabia que... 

· A bebida alcoólica surgiu ao acaso durante o período Neolítico na pré-história? 
· Alexandre o Grande caiu inconsciente depois de beber muito em seu último banquete e veio a morrer dias depois de doença relacionada ao abuso de álcool? 
· A regulamentação do comércio de vinho passou a existir de forma mais consistente a partir da Idade Média? 
· As mulheres russas proletárias no início do século XX colocavam bebida destilada nas chupetas de seus filhos? 
· Na Inglaterra do século XVIII o gim era conhecido como a bebida de preferência das mulheres? 
· Apesar do abuso de álcool ter sido sempre criticado durante a história humana, o conceito de dependência alcoólica só foi surgir no final do século XVIII e início do século XIX? 

Mitos e Realidades

· O álcool não aquece. O álcool faz com que o sangue venha do interior do organismo à superfície da pele, dando a sensação de calor, mas este deslocamento do sangue provoca uma perda do calor interno, prejudicando o funcionamento de todos os órgãos.

· O álcool não mata a sede. A sensação de sede significa necessidade de água. Quando se toma uma bebida alcoólica, uma considerável quantidade de água, que faz falta ao organismo, sai pela urina, aumentando assim a necessidade de água no organismo, logo a sede.

· O álcool não dá força. O álcool tem uma ação excitante, que disfarça o cansaço do trabalho físico ou intelectual intenso, dando a ilusão de voltarem as forças, mas, depois, o cansaço é dobrado, porque gastou energias ao ser queimado no fígado.

· O álcool não ajuda a digestão e não abre o apetite. O álcool faz com que os movimentos do estômago sejam muito mais rápidos e os alimentos passam para o intestino sem estarem devidamente digeridos, dando a sensação de estômago vazio. O resultado é a falta de apetite e o aparecimento de gastrites e úlceras.

· O álcool não é um alimento. O álcool não é um nutriente porque produz calorias inúteis para os músculos e não serve para o funcionamento das células, contrariamente aos verdadeiros nutrientes ele não ajuda na edificação, construção e reconstrução do organismo. Ao contrário dos nutrientes, o álcool não é armazenado, sendo destruído nas horas seguintes à sua ingestão.

· O álcool não é um medicamento. É exatamente o contrário de um medicamento. Provoca apenas uma excitação e uma anestesia passageira que pode abafar durante algum tempo, dores ou sensação de mal-estar, acabando por ter consequências ainda mais graves.

· O dependente de álcool não é uma pessoa fraca e irresponsável.

· O alcoolismo é uma doença crônica que compreende os seguintes sintomas: desejo incontrolável de beber, perda de controle (não conseguir parar de beber depois de ter começado), dependência física (sintomas físicos como sudorese, tremedeira e ansiedade quando está sem álcool) e tolerância (com o tempo passa a precisar de doses maiores de álcool). A dependência de álcool não está associada ao caráter do indivíduo e muito dos problemas que ele apresenta são decorrentes da própria doença.

· Problemas decorrentes do uso de álcool não são um claro indicador de que a pessoa sofre de alcoolismo.

· Apesar do abuso de álcool não ser sinônimo de alcoolismo, ele pode trazer inúmeros problemas para o indivíduo e a sociedade. 

· O álcool não é a causa do alcoolismo.

· Apesar de ser dependente de álcool, não é o álcool em si que causa o alcoolismo. Se isto fosse verdade toda pessoa que bebesse seria dependente de álcool. O que se sabe é que o alcoolismo não pode ser explicado por um único fator, mas pela interação de elementos genéticos, psicológicos e ambientais.

· O vinho não é uma bebida leve porque contém menos álcool do que outras bebidas. A quantidade de álcool que a pessoa ingere depende da quantidade de doses que ela toma. Um copo de vinho tinto (aproximadamente 120 ml), uma lata de cerveja (aproximadamente 285 ml) e uma dose de bebida destilada (aproximadamente 30 ml) contém a mesma quantidade de álcool.

· Misturar cerveja, vinho e destilados não leva a embriaguez mais rapidamente do que só tomar um tipo de bebida alcoólica. O nível de álcool no sangue é que determina o nível de sobriedade ou intoxicação alcoólica do indivíduo. Lembre-se que a quantidade de doses que a pessoa toma é que vai determinar a quantidade de álcool em seu sangue.

· Beber café não ajuda a pessoa a se restabelecer do 'porre'. Apenas o tempo pode ajudar uma pessoa a se restabelecer do porre. O organismo humano demora em média uma hora para processar uma dose de álcool. 

· Os efeitos do álcool no corpo da mulher não são iguais aos efeitos do álcool no corpo do homem.

· De maneira geral a ingestão da mesma quantidade de álcool afeta a mulher mais rapidamente do que o homem (mesmo levando-se em conta as diferenças no peso corporal). Isto ocorre porque a mulher apresenta menos água em seu corpo do que o homem e o álcool quando misturado à água do corpo torna-se mais concentrado na mulher. 

· Os efeitos do álcool no corpo do idoso não são iguais aos efeitos do álcool no corpo do jovem.

· Os efeitos do álcool no organismo variam com a idade. Perda de reflexos, problemas com audição e visão e menor tolerância aos efeitos do álcool deixam os idosos sob o risco de quedas, acidentes automobilísticos e outros tipos de acidentes que podem resultar do uso de álcool. Com a idade, há também uma tendência de aumento no consumo de medicamentos. A mistura desses medicamentos com álcool pode trazer consequências danosas, inclusive fatais à saúde. 

· É sabido que mais de 150 remédios interagem de maneira prejudicial ao indivíduo. Ademais, o uso de álcool pode agravar condições clínicas comuns entre os idosos, como hipertensão e úlcera. Mudanças no organismo dos idosos fazem com que a ingestão de álcool provoque efeitos mais acentuados comparativamente aos jovens de mesmo sexo e peso. 

· O alcoolismo pode levar as pessoas a sérios problemas, e pode ser fisiologicamente e mentalmente destrutivo. Atualmente, o uso de álcool está envolvido na metade de todos os crimes, assassinatos, mortes acidentais e suicídios. Há também muitos problemas de saúde associados com o uso de álcool, como danos cerebrais, câncer, doenças cardíacas e doenças do fígado. Alcoólatras que não param de beber reduzem sua expectativa de vida de 10 a 15 anos.

· Quanto mais cedo uma pessoa começa a beber, maior é a possibilidade de se tornar dependente. O alcoolismo é definido como uma necessidade compulsiva de consumir álcool. Se instala quando uma pessoa deseja o álcool e não pode limitar ou conter a quantidade ingerida. Se alguém sente os sintomas de abstinência, tais como: náusea, suor, tremedeiras, ou ansiedade, quando o consumo do álcool diminui, ou se existe a necessidade de beber maiores quantidades de álcool para sentir o mesmo efeito, essa pessoa provavelmente já é um alcoólatra.

· A primeira sensação que o álcool provoca é de segurança. O usuário se sente desinibido e solta suas emoções. Depois vêm os efeitos depressores como falta de coordenação motora e sonolência, entre outras. 

· O uso contínuo provoca nos jovens, mudanças do comportamento com fundo psicológico, ou seja, eles passam a depender do álcool para criar coragem e vencer inibições. Na idade adulta, o dependente pode desenvolver sérios problemas emocionais, psíquicos e físicos. 

· Alguns podem pensar que é só uma questão de ter vontade de parar de beber, mas o alcoolismo é mais complicado do que isso. O desejo de um alcoólatra pelo álcool é tão grande que ultrapassa sua capacidade de parar de beber. A maioria dos alcoólatras precisa de assistência para isso e o apoio da família e dos amigos. 

· Uma grande quantidade de álcool pode destruir células cerebrais, possivelmente levando a danos cerebrais.

· O álcool perturba fortemente a estrutura e função do sistema nervoso central, dificultando a capacidade de obter, consolidar e processar informação.

· O consumo moderado de álcool pode afetar as capacidades cognitivas, enquanto que grandes quantidades interferem com o fornecimento de oxigênio ao cérebro, causando um apagão quando totalmente embriagado.

· O alcoolismo pode também inflamar a boca, esôfago e estômago, e pode causar câncer nessas áreas, especialmente nas pessoas que também fumam.

· Beber pode produzir batimentos cardíacos irregulares, e os que abusam correm maior risco de alta pressão arterial, ataques e outros danos cardíacos.

· O álcool também pode prejudicar a visão, a função sexual, diminuir a circulação, ser motivo de desnutrição e de retenção de água.

· Também pode causar doenças pancreáticas e cutâneas, assim como enfraquecer os ossos e músculos, e diminuir a imunidade.

Bebidas energéticas aumentam risco de alcoolismo

O consumo regular de bebidas energéticas com altos índices de cafeína favorecem o alcoolismo. A pesquisa, baseada em cerca de mil estudantes de universidades americanas, concluiu que consumidores frequentes de energéticos cafeinados bebem álcool mais regularmente e em maior quantidade que os demais, aumentando seu risco de alcoolismo. Os consumidores frequentes de bebidas energéticas correm ainda mais risco de sofrer problemas relacionados ao álcool, como desmaios e ressaca. 

As quatro fases do alcoolismo

O Alcoolismo é uma doença caracterizada por quatro fases:

Primeira fase: 

· Fase social, sem dependência física, apenas dependência emocional. 

· Inicia-se na primeira vez que se bebe (lembrando-se que dois fatores são fundamentais: predisposição orgânica e fatores sociais que reforçam o uso, do contrário a doença não se desenvolve).

· O primeiro sintoma é a dependência emocional. 

· O desenvolvimento emocional para e a pessoa torna-se pouco tolerante. 

· Como geralmente isso acontece na infância ou na adolescência, a mudança emocional geralmente não é percebida, pois se confunde com má criação, infantilidade ou temperamento forte.

· A partir daí, a doença desenvolve-se mais ou menos devagar, dependendo da predisposição orgânica. 

· Bebe-se pouco e socialmente, não há perdas em virtude do uso. Não há problemas físicos.

Segunda fase: 

· Fase social, sem dependência física, apenas dependência emocional. 

· O organismo modifica-se: tem-se a tolerância aumentada (bebe-se mais que na primeira fase). Não há problemas físicos.

· Nesta fase o usuário pensa que pode minimizar o uso do álcool; 

· Admite saber seu limite de consumo e que pode parar quando quiser; 

· Pensa que o vício não o atingirá e coloca os prejuízos num futuro muito distante; 

· Justifica os momentos de excesso, como consequência de problemas que os outros vêm causando-lhes. Ex: Brigas com a família, com o (a) namorado (a).

Terceira fase: 

· Fase problemática, com dependência física e emocional. 

· Bebe-se muito (altíssima tolerância). 

· O beber torna-se um problema. 

· Muitos problemas emocionais, ressacas constantes, problemas em decorrência da bebida, problemas familiares, problemas de relacionamento.

· A síndrome de abstinência tem início de 6 a 8 horas após a última dose; 

· Causa também a impotência sexual; 

· Começam as "PARADAS ESTRATÉGICAS";

· Pode haver internações; 

· Há boas expectativas de recuperação física; 

· Há muitas perdas; Perda de controle; compulsão ou intenso desejo de beber; 

· Não controla o consumo, ou seja, não sabe quando tem que parar;

· O organismo causa tolerância (aumento das doses para obter efeitos antes produzidos por doses menores); 

· Demora mais para recuperar-se dos efeitos da bebida; 

· Abandono progressivo do trabalho, com faltas frequentes; 

· Dificuldade de relacionamento social e familiar.

Quarta fase: 

· Fase problemática, com dependência física e emocional;

· Bebe-se muito pouco, menos que na primeira fase;

· Inicia-se a atrofia do cérebro;

· O alcoólatra pode ter delírios, não tem interesse pela sua vida e nem por atividades de lazer; 

· Nervosismo; apatia; insônia; causa tremores generalizados por períodos excessivamente longos, com problemas físicos e emocionais extremos.

Efeitos do Álcool

Álcool e autodestruição 

A ingestão de álcool provoca diversos efeitos, que aparecem em duas fases distintas: uma estimulante e outra depressora. Nos primeiros momentos após a ingestão de álcool, podem aparecer os efeitos estimulantes como euforia, desinibição e loquacidade (maior facilidade para falar). 

Com o passar do tempo, começam a aparecer os efeitos depressores como falta de coordenação motora, descontrole e sono. Quando o consumo é muito exagerado, o efeito depressor fica exacerbado, podendo até mesmo provocar o estado de coma.

Os efeitos do álcool variam de intensidade de acordo com as características pessoais. Por exemplo, uma pessoa acostumada a consumir bebidas alcoólicas sentirá os efeitos do álcool com menor intensidade, quando comparada com outra pessoa que não está acostumada a beber.

Outro exemplo está relacionado a estrutura física; uma pessoa com uma estrutura física de grande porte terá uma maior resistência aos efeitos do álcool. O consumo de bebidas alcoólicas também pode desencadear alguns efeitos desagradáveis, como enrubescimento da face, dor de cabeça e um mal-estar geral. Esses efeitos são mais intensos para algumas pessoas cujo organismo tem dificuldade de metabolizar o álcool. 

Efeitos Orgânicos 

· A esofagite e a gastrite alcoólica podem ser intensas;
· Queimação na porção alta do abdômen e no peito ocorre e se acentuam com a alimentação; 
· As úlceras do estômago e do duodeno também tem uma incidência maior;
· O doente alcoólico sofre a ação direta do álcool nas mucosas do aparelho digestivo;
· É mais propenso ao câncer da boca, da língua, da garganta, do esôfago, estômago, pâncreas e dos intestinos;
· O álcool é absorvido no estômago e age em diversos órgãos levando às disfunções progressivas e graves;
· Ele afeta o cérebro levando a um quadro demencial precoce, confusão mental extrema, delírios e alucinações aterradoras;
· O coração fica dilatado, perdendo a sua função de bomba e pode provocar severas arritmias cardíacas, inchaço dos pés e intensa falta de ar;
· O comprometimento do pâncreas leva à uma disfunção do órgão que pode ocasionar o diabetes e pode levar a uma insuficiência na produção das enzimas digestivas, ocasionando uma má absorção intestinal, com 20 a 30 episódios diários de diarreias;
· A pancreatite crônica, que leva a uma destruição deste órgão vital;
· A dor abdominal é intensa e ocorrem náuseas e vômitos frequentes;
· O fígado afetado pelo álcool vai tendo o seu tecido normal substituído, inicialmente por gordura e posteriormente por fibrose e vai perdendo a sua função normal gerando a insuficiência hepática;
· A doença hepática é irremediavelmente progressiva;
· Os olhos ficam amarelos, é a icterícia, que é o prenúncio de uma fase de muito sofrimento para o doente e aos seus familiares;
· Ocorre confusão mental, agitação intensa;
· O coma hepático precede a morte;
· O acometimento do fígado, com a cirrose evoluindo rapidamente, leva a uma dificuldade na passagem do sangue através das veias porta e cava;
· O mesmo ficando represado leva ao acúmulo de líquidos na barriga (ascite), ao aumento do baço (esplenomegalia), aparecimento de veias dilatadas no abdômen e ao aumento do fígado e do coração;
· Aumento das mamas, pés inchados, lesões hemorrágicas na pele, perda de pelos e atrofia testicular;
· As varizes do esôfago ocorrem devido ao aumento da pressão venosa pela dificuldade de passagem do sangue pelas veias hepáticas;
· Quando ocorre a ruptura destas varizes, os doentes podem sangrar até a morte através de vômitos contendo sangue vivo e de fezes com melena (sangue digerido);

Blackout Alcóolico (Apagão)

Algo semelhante à síndrome amnésica pode ser observado em casos de blackout alcóolico, no qual a pessoa manifesta amnésia sem perda da consciência. O indivíduo intoxicado pode manter uma conversação ou executar outros atos normalmente, mas, após ficar sóbrio, não terá memória do episódio. 

Blackouts são observados em dependentes crônicos, embora possam ocorrer em não dependentes que tenham se intoxicado intensamente. De qualquer modo, essa situação tem maior probabilidade de ocorrer quando a pessoa ingere grandes quantidades de álcool rapidamente, especialmente se estiver muito cansada ou com fome.

Embora exista a ideia de que a memória retorna quando a pessoa para de beber, pesquisas de laboratório indicam claramente que as lembranças perdidas em um episódio de blackout são irrecuperáveis e que, portanto, a amnésia representa um déficit em codificação.

Síndrome de Korsakoff

A síndrome de Korsakoff - encefalopatia induzida por álcool - é um estado grave de amnésia, onde podem aparecer confabulação e incapacidade de registrar novos traços de memória, levando o paciente a uma situação paradoxal, em que ele pode executar atos complexos aprendidos antes da doença, mas não consegue aprender outros, mais simples e novas habilidades.

Quando a amnésia é causada por alcoolismo, torna-se uma doença progressiva e haverá problemas neurológicos, tais como movimentos descoordenados e perda de sensação nos dedos das mãos e dos pés. Quando esses problemas ocorrem, em geral, é muito tarde para começar a parar de beber.

Álcool e Obesidade

Homens e mulheres com casos de alcoolismo na família têm mais chances de ser obesos.

Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Washington descobriram que pessoas que tendem a serem alcoólatras também correm o risco de ser obesas. O estudo sugere que o tratamento de uma disfunção pode ajudar na cura das outras.

Os cientistas observaram que a associação entre um histórico familiar de alcoolismo e o risco de obesidade ficou mais acentuada nos últimos anos. Tanto homens como mulheres que tinham casos de alcoolismo na família tinham mais chances de ser obesos em 2002 do que os membros desse mesmo grupo de risco em 1992. 

Richard Gruzca, um dos autores do estudo, diz que, ao estudar esse tipo de problema, os cientistas costumam verificar se a predisposição de uma pessoa para desenvolver um vício também pode ser responsável pelo aparecimento de outros. 

O estudo mostra que alguns riscos de vício podem ser influenciados pelo ambiente. E foi justamente o ambiente que mudou entre os anos 1990 e os anos 2000; não foram os genes das pessoas. 

Nos Estados Unidos, a obesidade dobrou em décadas recentes, de 15% da população (no final dos anos 70) para 33%, em 2004. Pessoas obesas – que têm um índice de massa corporal (IMC) de 30 ou mais – têm um risco elevado de pressão alta, diabetes, doenças cardíacas, derrames e alguns tipos de câncer. 

No estudo, Gruzca e sua equipe relatam que pessoas com um histórico familiar de alcoolismo, em especial as mulheres, têm um alto risco de obesidade – problema que parece estar aumentando. O cientista diz que isso talvez seja resultado de mudanças nos alimentos que comemos e na oferta de comidas que interagem com as mesmas áreas do cérebro que as drogas que viciam. 

O cientista explica que muitas coisas que comemos atualmente contêm mais calorias do que os alimentos que comíamos nos anos 70 e 80 e também têm alguns tipos de calorias – principalmente uma combinação de sal, açúcar e gordura – que são atraentes para os chamados centros de recompensa do cérebro. 

O pesquisador acrescenta que, como o álcool e as drogas afetam as mesmas partes do cérebro, o consumo exagerado desses tipos de alimentos pode ser maior ainda em pessoas com predisposição para o vício. Uma explicação possível para a obesidade em pessoas com histórico de alcoolismo é a de que algumas das pessoas podem substituir um vício pelo outro.

Depois de ver um parente próximo lidar com problemas de álcool, uma pessoa pode fugir da bebida. Mas alimentos saborosos e com muitas calorias também podem estimular os centros de recompensa do cérebro e criar efeitos parecidos aos que experimentariam com o álcool. 

Ironicamente, ele conta, pessoas com alcoolismo não tendem a ser obesas: têm mais chances de ser mal nutridas ou pelo menos subnutridas porque muitas substituem a comida pelo álcool. Gruzca explica que muita gente acha que o excesso de calorias associado ao consumo de álcool poderia, teoricamente, contribuir para a obesidade, mas não é o que os pesquisadores notaram nessas pessoas. Ele conta que outros fatores, do cigarro e do álcool a variáveis demográficas como a idade e o nível de educação não parecem explicar a associação entre o risco de alcoolismo e a obesidade. 

Tratamento Convencional

A recuperação é demorada

A recuperação é difícil e depende da disposição do indivíduo em aceitar a ajuda necessária. Nada que se faça tem o poder de fazer o alcoólatra parar de beber. Pode-se bater nele, prendê-lo, rezar por ele, interná-lo em uma clínica, vigiá-lo, chantageá-lo. Mas ele só vai entrar num programa de recuperação se assim o quiser. 

Há vários programas de recuperação: religioso, de mútua ajuda, ajuda psicológica, programas místicos baseados na recuperação através da água, fogo, terra, ar, etc. O importante é que o indivíduo se sinta bem com aquele que escolher. O maior inimigo da recuperação são as recaídas, que podem inclusive levar à morte.

A recuperação é um trabalho para anos e consiste em transformar uma vida até então marcada por brigas, egocentrismo, perdas, pensamentos obsessivos, compulsão, não aceitação do outro, dificuldades de relacionamentos, desconfiança, paranoia, etc., em uma vida produtiva e melhor como qualquer indivíduo não alcoólico.

Se você não é alcoólatra e bebe socialmente, então será fácil ficar sem beber por uns 06 meses só para ver como é. Mas se você tem alguma dúvida se é alcoólatra, não espere chegar à quarta fase, procure ajuda ainda hoje. 

Quanto mais cedo melhor. O alcoolismo, do ponto de vista científico, é incurável, por isso, o alcoólatra precisa abster-se total e permanentemente do álcool. Simples paradas não bastam.

Essa abstinência, para quem já considera o álcool como droga indispensável a todas as atividades da vida, não é tarefa fácil. Implica, praticamente, em reaprender a viver, a ter um novo nascimento e uma nova vida.

Os objetivos do tratamento da síndrome de abstinência do álcool são: 

· O alívio dos sintomas existentes; 
· A prevenção do agravamento do quadro com convulsões e delirium;
· A possibilidade de que o tratamento adequado da SAA possa prevenir a ocorrência de síndromes de abstinência mais graves no futuro.
· A vinculação e o engajamento do paciente no tratamento da dependência propriamente dita;

Planejamento geral do tratamento

Serão considerados três níveis de atendimento, com complexidade crescente: 

· Tratamento ambulatorial;
· Internação domiciliar;
· Internação hospitalar. 

O tratamento pode ser dividido em:

· Não farmacológico;
· Farmacológico. 

Esse último pode ser subdividido em:

· Tratamento farmacológico clínico (como a reposição de vitaminas);
· Psiquiátrico (uso de substâncias psicoativas).

Dentre as medidas do tratamento não farmacológico, destacamos o monitoramento frequente do paciente; tentativas de propiciar um ambiente tranquilo, não estimulante, com luminosidade reduzida; fornecimento de orientação (com relação a tempo, local, pessoal e procedimentos); limitação de contatos pessoais; atenção à nutrição e à reposição de fluidos; e manutenção dos cuidados e encorajamento positivo.

Embora haja consenso sobre a necessidade da reposição de vitaminas (sobretudo a tiamina) durante o tratamento da SAA, ainda existe controvérsia a respeito de doses preconizadas e mesmo quais as vitaminas a serem repostas. 

Dentre os psicofármacos utilizados, os benzodiazepínicos são a medicação de primeira escolha para o controle dos sintomas da SAA. De modo geral, os compostos de ação longa são preferíveis. 

Esquemas de administração são planejados de acordo com a intensidade dos sintomas, pois permitem uma utilização de doses menores de medicação, quando comparados aos esquemas posológicos fixos. Ou seja, deve-se buscar a dose adequada para a intensidade de sintomas de cada paciente.

Tratamento ambulatorial

Ao receber o paciente, a atitude do profissional de saúde deve ser acolhedora, empática e sem preconceitos. O tratamento da SAA (quadro agudo) é um momento privilegiado para motivar o paciente para o tratamento da dependência (quadro crônico). 

Deve-se esclarecer a família e, sempre que possível, o próprio paciente sobre os sintomas apresentados, sobre os procedimentos a serem adotados e sobre as possíveis evoluções do quadro. 

Deve ser propiciado ao paciente e à família o acesso facilitado a níveis mais intensivos de cuidados (serviço de emergência, internação) em casos de evolução desfavorável do quadro.

Abordagem não farmacológica

· Orientação da família e do paciente quanto à natureza do problema, tratamento e possível evolução do quadro;
· Propiciar ambiente calmo, confortável e com pouca estimulação audiovisual;
· A dieta é livre, com atenção especial à hidratação;
· As consultas devem ser marcadas o mais brevemente possível para reavaliação.

Abordagem farmacológica

· Reposição vitamínica;
· Ansiolíticos e Antidepressivos.

Ocorrendo falha (recaída ou evolução desfavorável) dessas abordagens, a indicação de ambulatório deve ser revista, com encaminhamento para modalidades de tratamento mais intensivas e estruturadas.

Internação domiciliar

O paciente deve permanecer restrito em sua moradia, com a assistência dos familiares. Idealmente, o paciente deverá receber visitas frequentes de profissionais de saúde da equipe de tratamento. Deve ser propiciado ao paciente e à família o acesso facilitado a níveis mais intensivos de cuidados (serviço de emergência, internação) em casos de evolução desfavorável do quadro.

Abordagem não farmacológica

· A orientação da família deve ter ênfase especial em questões relacionadas à orientação têmporo-espacial e pessoal, níveis de consciência, tremores e sudorese;
· Propiciar ambiente calmo, confortável e com pouca estimulação audiovisual;
· A dieta é leve, desde que tolerada, com atenção especial à hidratação;
· Visitas devem ser restritas, assim como a circulação do paciente.

Abordagem farmacológica

· Reposição vitamínica;
· Ansiolíticos e Antidepressivos.

Tratamento hospitalar

Essa modalidade é aconselhada para os casos mais graves, que requerem cuidados mais intensivos. Deve ser dada atenção especial à hidratação e correção de distúrbios metabólicos (eletrólitos, glicemia, reposição vitamínica). 

Em alguns casos, a internação parcial (hospital dia ou noite) pode ser indicada, e, nesses casos, a orientação familiar sobre a necessidade de comparecimento diário deve ser reforçada e a retaguarda para emergências deve ser bem esclarecida.

Abordagem não farmacológica

· Monitoramento do paciente deve ser frequente, com aplicação da escala Clinical Institute Withdrawal Assessment for Alcohol, Revised – CIWA-Ar que orienta a avaliação do paciente em relação à gravidade da SAA e a necessidade de administração de medicamentos.
· A locomoção do paciente deve se restrita;
· As visitas devem ser limitadas, pois o ambiente de tratamento deve ser calmo, com relativo isolamento, de modo a ser propiciada uma redução nos estímulos audiovisuais;
· A dieta deve ser leve;
· Pacientes com confusão mental devem permanecer em jejum, pois existe o risco de aspiração e complicações respiratórias. Nesses casos, deve ser utilizada a hidratação.

Contenção física

Os pacientes agitados que ameaçam violência devem ser contidos, se não forem suscetíveis à intervenção verbal. A contenção deve ser feita por pessoas treinadas, preferivelmente com quatro ou cinco pessoas. É muito importante explicar ao paciente o motivo da contenção.

Abordagem farmacológica

· Reposição vitamínica;
· Ansiolíticos e Antidepressivos.

Manejo das complicações

Convulsões

A maioria das crises é do tipo tônico-clônica generalizada. As crises convulsivas correspondem a uma manifestação relativamente precoce da SAA, mais de 90% ocorrem até 48 horas após a interrupção do uso de álcool (pico entre 13 e 24 horas) e estão associadas com a evolução para formas graves de abstinência. 

Cerca de 1/3 dos pacientes que apresentam crises evoluem para delirium tremens, se não forem tratados. Em 40% dos casos, as crises ocorrem isoladamente. Nos pacientes que apresentam mais de uma crise, elas ocorrem geralmente em número limitado.

Delirium Tremens

Forma grave de abstinência, geralmente iniciando-se entre 1 a 4 dias após a interrupção do uso de álcool, com duração de até três ou quatro dias. É caracterizado por rebaixamento do nível de consciência, com desorientação, alterações sensoperceptivas, tremores e sintomas autonômicos (taquicardia, elevação da pressão arterial e da temperatura corporal).

Alucinose alcoólica: quadro alucinatório predominantemente auditivo, com sons do tipo cliques, rugidos, barulho de sinos, cânticos e vozes. As alucinações podem ser também de natureza visual e tátil. Os pacientes podem apresentar medo, ansiedade e agitação em decorrência dessas experiências. Uma característica peculiar desse tipo de fenômeno é que ocorre na ausência de rebaixamento do nível de consciência e evolui sem alterações autonômicas óbvias.

Interações

Álcool e outras drogas depressoras do Sistema Nervoso Central (SNC)

São depressores do SNC: barbitúricos, sedativos não barbitúricos, benzodiazepínicos e opioides. O álcool, quando combinado a outras drogas depressoras pode levar a um aumento da sedação por uma adição do efeito da droga. Outros efeitos podem incluir a depressão de funções respiratórias ou cardíacas que podem resultar em perda da consciência e morte. 

Benzodiazepínicos

O álcool aumenta a taxa de absorção dos medicamentos benzodiazepínicos o que pode levar a um aumento do efeito depressor que este tipo de medicamento tem sobre o cérebro. 

Os efeitos mais importantes desta iteração são: sedação, diminuição dos reflexos, descoordenação, e prejuízo da memória. Os riscos desta associação são os relacionados às tarefas que envolvem coordenação de motora e concentração como dirigir um veículo ou operar uma máquina. 

Analgésicos 

Analgésicos como paracetamol e aspirina são utilizados para o alívio de dores moderadas, se utilizados juntamente ao álcool podem levar a um prejuízo da mucosa gástrica e aumentar o tempo de sangramento. 

Os analgésicos também podem conter codeína e anti-histamínicos que ao interagir com o álcool levam à sonolência. Quando o álcool é combinado a opiáceos como morfina, heroína, codeína ou metadona pode haver um aumento da função depressora do SNC destas drogas. Aproximadamente um quarto das mortes de indivíduos que fazem uso de opiáceos se dá em decorrência da interação com o álcool.

Barbitúricos 

Quando o álcool é ingerido juntamente a barbitúricos pode ocorrer uma intensa depressão do SNC, com prejuízo de coordenação e da psicomotricidade. O risco de overdose é muito alto, esta combinação pode levar a uma redução no nível de consciência e parada respiratória. 

Outras drogas depressoras 

A maconha não é necessariamente um agente depressor do SNC, pois também possui características alucinógenas, no entanto, quando usado em combinação com o álcool pode prejudicar as funções motoras e intelectuais do indivíduo. Pouco se sabe a respeito da interação do álcool com substâncias voláteis, porém um efeito aditivo é provável. 

Drogas estimulantes 

Drogas estimulantes como anfetamina e cocaína, quando usadas juntamente ao álcool fazem com que o indivíduo necessite de doses muito maiores de álcool para que se sinta intoxicado. Algumas pessoas acreditam que o uso do álcool juntamente à cocaína ajuda minimizar os efeitos desagradáveis desta o que é um erro enorme. 

Drogas alucinógenas 

Há poucas informações sobre a interação de alucinógenos com álcool. Porém, sabe-se que a mistura do álcool com alucinógenos é imprevisível e os efeitos de ambas as drogas pode ser intensificado. 

Medicamentos controlados 

Há alguns antibióticos que reagem com o álcool. O uso combinado pode levar a cefaleia e náuseas. O Álcool também pode diminuir a eficácia de antibióticos e drogas antivirais. A interação de álcool e anti-histamínicos parece prejudicar o desempenho psicomotor. Algumas drogas anti-inflamatórias quando combinadas ao álcool podem levar a um aumento significativo do tempo de sangramento. 

Alcoolismo feminino

Os fatores demográficos (idade, estado civil, etnia e ocupação), em consonância com outros aspectos como predisposição genética, fatores psicológicos e socioculturais, exercem influência no comportamento das mulheres e contribuem para determinar o início e o comportamento na evolução do beber problemático. O alcoolismo entre meninas de 12 a 17 anos dobrou de 2001 para 2005: passou de 3,5% para 6%. A proporção de alcoolistas alcançou a razão de uma mulher para cada três homens (CEBRID, 2001, 2005). 

Percebe-se, então, que o universo feminino está cada vez mais sensível ao uso de álcool, em virtude das mudanças ocorridas no seu modus vivendi e que, apesar da preocupação do Ministério da Saúde e dos esforços de diversos profissionais, existem muitos entraves ou barreiras pessoais para que a mulher alcoolista receba atendimento e tratamento diferenciados. 

Muitas são as dificuldades encontradas para que a mulher alcoolista procure ajuda, começando pelo local de tratamento, pelo acolhimento, pelo profissional que a recebe e pela proposta de tratamento oferecida. 

Além disso, os tabus sociais, a estigmatização e a culpa são alguns dos fatores que dificultam a procura de tratamento. Apenas 2% das mulheres com problemas relacionados ao álcool procuram tratamento, contra 8% dos homens.

O panorama atual com o aumento de consumo, abuso e dependência do álcool pelas mulheres, bem como suas possíveis consequências constituem um problema que merece atenção e implica a necessidade de se obter mais conhecimento acerca deste universo feminino. 

Alcoolismo feminino e câncer

Smith-Warner et al. (1998), analisando seis estudos de corte conduzidos em quatro países distintos, investigaram a associação entre o risco do câncer de mama do tipo invasivo e o consumo de álcool. Mais de 300 mil mulheres avaliadas por até 11 anos foram incluídas no estudo, com cerca de 4.300 diagnosticadas de câncer mamário. 

A quantidade, bem como o tipo de bebida alcoólica consumida pela grande maioria das pacientes, não interferiu no aumento do risco relativo para câncer de mama. 

Entre aquelas que bebiam em maior quantidade e frequência, entretanto, o aumento do consumo esteve linearmente relacionado com o aumento do risco para câncer, assim como a redução do consumo alcoólico interferiu positivamente na diminuição do mesmo risco. 

Mulheres habituadas a ingerir de 2,5 a 5 drinques por dia apresentam probabilidade 40% maior de desenvolver câncer de mama. Esse risco aumenta 9% para cada 10 gramas de álcool (cerca de um drinque) diárias.

Alcoolismo feminino e osteoporose

Outro aspecto importante do consumo crônico de álcool pelas mulheres é a sua relação com a osteoporose. Considera-se que a osteoporose resulta do desequilíbrio de um complexo sistema, mantido por vários fatores nutricionais, hormonais e metabólicos. 

As dependentes de álcool apresentam frequentemente hipocalcemia, hipomagnesemia e hipoparatireodismo, acarretando disfunções que levam à osteoporose. O efeito inibidor da remodelação óssea do álcool é fenômeno bem conhecido em ambos os sexos. 

Alcoolismo feminino e doenças cardiovasculares

A análise dos dados de dezenas de milhares de mulheres acompanhadas no “Nurses’ Health Study” revelou que tomar dois ou três drinques diários aumenta o risco de surgir hipertensão arterial em 40% e a probabilidade de acontecer derrame cerebral hemorrágico. 

Nas mulheres que bebem mais do que três drinques por dia o risco de hipertensão arterial duplica. Mulheres que abusam de álcool desenvolvem também miocardiopatias mesmo usando doses mais baixas do que os homens.

Alcoolismo feminino e distúrbios psiquiátricos

Todos eles são mais prevalentes em mulheres que abusam de álcool do que em homens que o fazem e do que em mulheres abstêmias. A única patologia mais frequente no alcoolismo masculino é a personalidade antissocial. A prevalência de depressão em mulheres que abusam de álcool é de 30% a 40%. 

Estudos demonstram que a maior parte dessas mulheres bebe como forma de se livrar dos sintomas associados a quadros de depressão primária. Anorexia e bulimia estão presentes em 15% a 32% das que abusam de álcool. Mulheres que abusam de álcool tentam o suicídio quatro vezes mais frequentemente do que as abstêmias.

Consequências psicossociais

Problemas familiares são mais comuns entre mulheres que abusam de álcool (entre os homens são os problemas legais e aqueles relacionados com o trabalho). 

O alcoolismo torna as mulheres mais sujeitas a agressões físicas. Mulheres que consomem quantidades exageradas de álcool geralmente vivem com parceiros que também abusam da bebida.

Álcool e Gravidez

O uso de álcool durante a gravidez pode trazer inúmeros problemas para a criança, incluindo hiperatividade, déficits de atenção, aprendizado e memória. 

Diversos fatores podem contribuir para o surgimento de problemas no feto: padrão de consumo, metabolismo materno, suscetibilidade genética, período da gestação em que o álcool foi consumido e vulnerabilidade das diferentes regiões cerebrais da criança. Atualmente sabe-se que os riscos para o feto aumentam com o nível de consumo e a frequência de uso.

A mais grave das consequências relacionadas ao consumo de álcool durante a gestação é a Síndrome Fetal Alcoólica (SFA) que foi descrita pela primeira vez por Jones e Smith em 1973. A criança com SFA apresenta algumas anormalidades faciais e exibe déficit intelectual, problemas cognitivos e problemas comportamentais. 

Apesar de apresentar inúmeras limitações intelectuais, a criança com SFA apresenta boa performance nos testes de linguagem, mas ainda assim apresenta dificuldades nos testes de aritmética e em seu desenvolvimento sócio emocional.

Outra grave consequência do uso de álcool durante a gravidez é o chamado Efeitos Relacionados ao Álcool (ERA). Crianças que apresentam ERA apresentam algumas das características dos pacientes com Síndrome Fetal Alcoólica, mas geralmente exibem melhor performance nos testes de inteligência. 

As doze doenças mais causadas pelo álcool

Anemia

O beber pesado pode fazer com que as células vermelhas que transportam oxigênio apresentem um número anormalmente baixo. Esta condição, conhecida como anemia, pode provocar uma série de sintomas, inclusive a fadiga, respiração ofegante, e frivolidade.

Câncer

Beber de forma habitual aumenta o risco do câncer. Os cientistas acreditam que o aumento do risco vem quando o corpo converte o álcool em acetaldeído, um carcinógeno potente. Os tipos de câncer relacionados ao consumo de álcool incluem a boca, faringe (garganta), esôfago, fígado, pulmão, e região colorrectal. O risco de câncer aumenta ainda mais quando associado ao vício de fumar.

Doença cardiovascular

O beber pesado faz com que as plaquetas se agrupem formando coágulos de sangue, que podem levar a um ataque de coração. Em um estudo importante publicado em 2005, os pesquisadores de Harvard descobriram que a bebida dobrou o risco da morte entre aqueles que inicialmente sobreviveram a um ataque de coração.

O beber pesado também pode causar cardiomiopatias, uma condição potencialmente mortal na qual o músculo de coração se enfraquece e consequentemente falha, bem como anormalidades de ritmo de coração como fibrilação atrial e ventricular. 

A fibrilação atrial na qual as câmaras superiores do coração tenham contrações caóticas perdendo o ritmo cardíaco e podendo causar coágulos que podem provocar um infarto. A fibrilação ventricular ocorre da mesma maneira nos ventrículos. Causa a perda rápida da consciência e, a ausência de tratamento imediato, morte súbita.

Cirrose

O álcool é muito tóxico para as células de fígado, e muitos bebedores pesados desenvolvem a cirrose, uma condição às vezes letal na qual o fígado está tão lesionado que não é mais capaz de funcionar. Por alguma razão pouco conhecida as mulheres parecem ser mais vulneráveis ao álcool no aparecimento da cirrose. 

É importante notar que o fígado tem uma taxa fixa de como digerir o álcool, então se o fígado for forçado demais, doenças e disfunções podem resultar, fazendo com que seja o principal local de dano do álcool. Dano hepático pode ocorrer em três fases:

A primeira fase é a dilatação do fígado, na qual as células são perfuradas pelo tecido adiposo anormal. A segunda etapa é a hepatite alcoólica, na qual as células hepáticas incham, inflamam e eventualmente morrem. O terceiro estágio é a cirrose, na qual tecidos de cicatriz fibrosos são formados, atrapalhando o fluxo do sangue através do fígado.

Demência

À medida que as pessoas envelhecem, os seus cérebros “encolhem” em média 1.9 % por década. Isto é considerado normal. Mas o beber pesado apressa o encolhimento de certas regiões-chave no cérebro, resultando em perda de memória e outros sintomas de demência. 

O beber pesado também pode levar a déficits sutis, mas potencialmente debilitadores da capacidade de planejar, julgar, resolver problemas e executar outros aspectos das funções executivas, que são as capacidades de mais alta ordem que permitem que nós maximizemos a nossa função como seres humanos. 

Além da demência 'não específica' que se origina da atrofia cerebral, a bebida pesada pode causar deficiências nutritivas tão severas que provocam outras formas da demência.

Depressão

Sabe-se de muito tempo que a bebida pesada muitas vezes anda de mãos dadas com a depressão, mas muito se debate sobre qual vem primeiro - a bebida ou a depressão. Uma teoria diz que pessoas deprimidas buscam o álcool numa tentativa de se ‘automedicar' para aliviar a dor emocional. Outra mostra o caminho inverso. Beber demais leva à depressão.

Convulsões

A bebida pesada pode causar a epilepsia e provocar convulsões além de interferir de forma grave com as medicações para tratar essas doenças.

Gota

Uma condição dolorosa, a gota é causada pela formação de cristais de ácido úrico nas juntas. Embora alguns casos sejam basicamente hereditários, o álcool e outros fatores dietéticos parecem desempenhar um papel importante no seu surgimento. O álcool com certeza agrava casos já instalados de gota.

Pressão alta

O álcool pode interromper o sistema nervoso simpático, que, entre outras coisas, controla a contração e a dilatação dos vasos sanguíneos em resposta a stress, temperatura, esforço, etc. A bebida pesada pode causar pressão alta. Com o tempo e o uso contínuo de álcool essa doença fica crônica e leva a muitos outros problemas de saúde, inclusive doença dos rins e do coração.

Doenças contagiosas

A bebida pesada suprime o sistema imune, abrindo a porta para que se instalem infecções, inclusive tuberculose, pneumonia, AIDS, e outras doenças sexualmente transmitidas (inclusive algumas que causam infertilidade). Pessoas alcoolizadas se expõem com maior frequência ao sexo de risco aumentando em pelo menos três vezes a possibilidade de contrair uma doença sexualmente transmitida.

Neuropatia

A bebida pesada pode causar uma forma de dano nos nervos conhecida como neuropatia alcoólica, que pode produzir pontadas ou alfinetadas dolorosas que se sentem pelo corpo, torpor nas extremidades, bem como fraqueza muscular, incontinência, constipação, disfunção erétil, e outros problemas. A neuropatia alcoólica pode surgir porque o álcool é muito tóxico para as células nervosas ou devido a deficiências nutritivas atribuíveis à bebida pesada.

Pancreatite

Além de causar irritação de estômago (gastrite), a bebida pode inflamar o pâncreas. Pancreatite crônica, causando dor abdominal severa e diarreia persistente - e 'não é curável. Alguns casos de pancreatite crônica são provocados por cálculos biliares, mas em mais de 60% dos casos, devido ao consumo de álcool.

Álcool e morte

Como o álcool pode ser responsabilizado por milhares de mortes a cada ano? 

· 5% de todas as mortes por doenças do sistema circulatório são atribuídos ao álcool. 
· 15% de todas as mortes por doenças do aparelho respiratório são atribuídos ao álcool. 
· 30% de todas as mortes por acidentes causados por fogo e chamas são atribuídos ao álcool. 
· 30% de todos os afogamentos acidentais são atribuídos ao álcool. 
· 30% de todos os suicídios são atribuídos ao álcool. 
· 40% de todas as mortes devido a quedas acidentais são atribuídos ao álcool. 
· 45% de todas as mortes em acidentes automobilísticos são atribuídos ao álcool. 
· 60% de todos os homicídios são atribuídos ao álcool.

Escala de Dependência de Álcool

Alcohol Dependence Scale (ADS)

ADS é um questionário composto por 25 itens, autoaplicável ou por meio de entrevista com o paciente. O ADS fornece uma medida quantitativa da severidade dos sintomas de dependência do álcool. Os 25 itens cobrem os sintomas de abstinência da substância, controle prejudicado ao beber, consciência da compulsão por beber, aumento da tolerância ao álcool e ressaltado comportamento de busca por bebida.

O ADS fornece uma medida quantitativa da severidade dos sintomas de dependência do álcool consistente com o conceito da síndrome de dependência de álcool. O ADS é largamente usado na pesquisa e como ferramenta clínica, e diversos estudos comprovam a confiabilidade e validade do método. As instruções para aplicação do ADS referem-se ao consume nos últimos 12 meses. Entretanto, essas instruções podem ser adaptadas para medidas em outros intervalos específicos (6 ou 24 meses) de tratamento. 

A aplicabilidade do ADS tem sido reportada principalmente em grupos de adultos, mas estudos também o aplicam em outros conjuntos da população (jovens) tendo-se o cuidado de inserir as devidas adaptações. O ADS leva a uma medida do grau de severidade da dependência, o que é importante para o planejamento do tratamento, especialmente a intensidade do mesmo. O ADS pode ser usado com uma grande variedade de parâmetros para avaliação do grau de dependência alcoólica. Uma pontuação de 9 ou mais é altamente indicativa de um diagnóstico de dependência de álcool.

Pontuação: as questões com duas opções de resposta são pontuadas em 0 e 1; com três pontua-se 0,1,2 e com quarto, 0,1,2,3. Em cada caso, quanto maior o valor maior a dependência. A pontuação pode variar entre 0 e 47.

Desenvolvido por:

Harvey A. Skinner, Ph.D.
Professor and Chair
Department of Public Health Sciences
Faculty of Medicine. 
University of Toronto.

Confiabilidade:

O ADS apresenta alta consistência interna reportando coeficientes de correlação de 0,90 e 0,91 para duas amostras onde o método foi aplicado. Uma nova aplicação do teste após uma semana de tratamento manteve a estabilidade temporal da escala. Outros estudos reportam coeficientes de consistência interna de 0,92, 0,85 e 0,94.

Instruções:

Leia atentamente cada questão e as possíveis respostas fornecidas. Responda cada questão com um círculo sobre a opção que mais se aproxime do seu caso.

Beber sempre se refere a bebidas alcoólicas. 

Leve o tempo que for preciso. 

O teste deve ser respondido de forma cuidadosa e no menor tempo possível. Por favor, responda a todas as questões. Elas se referem aos últimos 12 meses de sua vida.

Escala de Dependência de Álcool


1. Quanto você bebeu na última vez em que bebeu?
(0) O suficiente para ficar “alto”
(1) O suficiente para ficar bêbado
(2) O suficiente para “sair do ar”

2. Você tem ressacas com frequência nas manhãs de Domingo ou Segunda Feira?
(0) Não
(1) Sim

3. Você já teve tremores quando passa o efeito do álcool (tremor das mãos, tremores internos)?
(0) Não
(1) Algumas vezes
(2) Com frequência

4. Você fica fisicamente doente (cólicas estomacais, vômitos) como resultado da bebida?
(0) Não
(1) Algumas vezes
(2) Quase toda vez que bebo

5. Você já teve delirium tremens – viu, sentiu ou ouviu coisas irreais, sentiu-se muito ansioso, cansado ou hiperexcitado?
(0) Não
(1) Algumas vezes
(2) Muitas vezes

6. Quando bebe você fica confuso, cambaleia?
(0) Não
(1) Algumas vezes
(2) Com frequência

7.Como resultado de beber você sente muito calor e transpira como se estivesse febril?
(0) Não
(1) Uma vez
(2) Muitas vezes

8. Quando bebe você vê coisas que na verdade não estão ali?
(0) Não
(1) Uma vez
(2) Muitas vezes

9. Você entra em pânico quando percebe que pode não haver bebida quando precisar dela?
(0) Não
(1) Sim

10. Você já teve apagões ("perda de memória") como resultado da bebida?
(0) Não, nunca
(1) Algumas vezes
(2) Com frequência
(3) Quase toda vez que bebo

11. Você sempre tem uma garrafa por perto ou a leva consigo?
(0) Não
(1) Algumas vezes
(2) A maior parte do tempo

12. Depois de um período de abstinência você volta a beber pesadamente?
(0) Não
(1) Algumas vezes
(2) Quase toda vez que bebo

13. Nos últimos doze meses você “saiu do ar” como resultado da bebida?
(0) Não
(1) Uma vez
(2) Mais de uma vez

14. Você já teve convulsão depois de um período bebendo?
(0) Não
(1) Sim
(2) Muitas vezes

15. Você bebe o dia todo?
(0) Não
(1) Sim

16. Depois de beber pesadamente você ficou com a cabeça confusa ou pensamentos pouco claros?
(0) Não
(1) Sim, mas por algumas horas
(2) Sim, por um ou dois dias
(3) Sim, por muitos dias

17. Como resultado da bebida você já sentiu o seu coração acelerado?
(0) Não
(1) Sim
(2) Muitas vezes

18. Você pensa frequentemente em beber ou no álcool?
(0) Não
(1) Sim

19. Como resultado da bebida você já ouviu “coisas” que não eram reais?
(0) Não
(1) Sim
(2) Muitas vezes

20. Você já teve sensações estranhas ou assustadoras quando estava bebendo?

(0) Não
(1) Uma ou duas vezes
(2) Com frequência

21. Como resultado da bebida você já sentiu “coisas” andando sobre você ou à sua volta (aranhas, outros insetos, etc.)?

(0) Não
(1) Sim
(2) Muitas vezes

22. Cm respeito aos apagões:
(0) Você nunca teve um
(1) Teve mas duraram menos de uma hora
(2) Teve e duraram várias horas
(3) Teve e duraram um dia ou mais

23. Você já tentou diminuir a bebida?
(0) Não
(1) Uma vez
(2) Várias vezes

24. Você bebe de forma rápida (“engole a bebida”)?
(0) Não
(1) Sim

25. Depois de um ou dois drinks você consegue parar?
(0) Sim
(1) Não

Interpretação dos resultados

0 - Nenhuma dependência

1 a 13 - Dependência Leve, acima de 9 já pode ser considerada uma situação de abuso.

14 a 21 - Dependência moderada

22 a 30 - Dependência Alta

31 a 47 - Dependência severa 


O Álcool, outras drogas e a Bíblia

Às vezes parece difícil saber ao certo que postura o cristão deve tomar diante das bebidas alcoólicas. De um lado, acham-se muitos textos que parecem incentivar a abstinência, mas, por outro lado, há trechos em que Jesus transformou a água em vinho, bebeu vinho etc. Qual é o ensino das Escrituras acerca do uso do álcool? 

Para entendermos esse assunto corretamente, é necessário começar com uma postura adequada. Devemos descartar as ideias preconcebidas e não procurar encaixar as Escrituras à força na posição que preferimos ou já concluímos ser a mais correta. Precisamos tratar da questão com a mente aberta e tentando apenas descobrir o que a Palavra de Deus ensina sobre o assunto. 

· "O vinho é escarnecedor, e a bebida forte, alvoroçadora; todo aquele que por eles é vencido não é sábio" (Provérbios 20:1). O sábio mostra que há um perigo no vinho e que ele é enganador. 

· "Ouve, filho meu, e sê sábio; guia retamente no caminho o teu coração. Não estejas entre os bebedores de vinho nem entre os comilões de carne. Porque o beberrão e o comilão caem em pobreza; e a sonolência vestirá de trapos o homem" (Provérbios 23:19-21). 

· "Para quem são os ais? Para quem, os pesares? Para quem, as rixas? Para quem, as queixas? Para quem, as feridas sem causa? E para quem, os olhos vermelhos? Para os que se demoram em beber vinho, para os que andam buscando bebida misturada. 

Não olhes para o vinho, quando se mostra vermelho, quando resplandece no copo e se escoa suavemente. Pois ao cabo morderá como a cobra e picará como o brasílico. Os teus olhos verão coisas esquisitas, e o teu coração falará perversidades. Serás como o que se deita no meio do mar e como o que se deita no alto do mastro e dirás: Espancaram-me, e não me doeu; bateram-me, e não o senti; quando despertarei? Então tornarei e beber" (Provérbios 23:29-35). 

· "Palavras do rei Lemuel, de Massá, as quais lhe ensinou sua mãe. Que ti direi, filho meu? Ó filho do meu ventre? Que ti direi, ó filho dos meus votos? Não dês às mulheres a tua força, nem os teus caminhos, às que destroem os reis. Não é próprio dos reis, ó Lemuel, não é próprio dos reis beberem vinho, nem dos príncipes desejar bebida forte. Para que não bebam, e se esqueçam da lei, e pervertam o direito de todos os aflitos. Dai bebida forte aos que perecem e vinho, aos amargurados de espírito; para que bebam e se esqueçam da sua pobreza, e de suas fadigas não se lembrem mais" (Provérbios 31:1-7). 

· O vinho não serve para os reis, mas sim para os que não têm nada por que viverem. 

· "Ai dos que se levantam pela manhã e seguem a bebedice e continuam até alta noite, até que o vinho os esquenta!" (Isaías 5:11). 

· "Ai dos que são heróis para beber vinho e valentes para misturar bebida forte" (Isaías 5:22). 

· "O Senhor derramou no coração deles um espírito estonteante; eles fizeram estontear o Egito em toda a sua obra, como o bêbado quando cambaleia no seu vômito." (Isaías 19:14). 

· "Mas também estes cambaleiam por causa do vinho e não podem ter-se em pé por causa da bebida forte; o sacerdote e o profeta cambaleiam por causa da bebida forte, são vencidos pelo vinho, não podem ter-se em pé por causa da bebida forte; erram na visão, tropeçam no juízo. Porque todas as mesas estão cheias de vômitos, e não há lugar sem imundície" (Isaías 28:7-8). 

Junto com a vergonha da embriaguez, as Escrituras geralmente frisam o efeito causado sobre a mente. Quando sacerdotes, profetas e juízes bebem, eles desviam os homens de Deus. O texto a seguir ressalta o mesmo pensamento: 

· "A sensualidade, o vinho e o mosto tiram o entendimento" (Oséias 4:11).

· "Ai daquele que dá de beber ao seu companheiro, misturando à bebida o seu furor, e que o embebeda para lhe contemplar as vergonhas! Será farto de opróbrio em vez de honra; bebe tu também e exibe a tua circuncisão; chegará a tua vez de tomares o cálice da mão direita do SENHOR, e ignomínia cairá sobre a tua glória" (Habacuque 2:15-16). 

· "Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus." (1 Coríntios 6:9-10). 

· "Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissenções, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam" (Gálatas 5:19-21). 

· "Porque basta o tempo decorrido para terdes executado a vontade dos gentios, tendo andando em dissoluções, concupiscências, borracheiras, orgias, bebedices e em detestáveis idolatrias. Por isso, difamando-vos, estranham que não concorrais com eles ao mesmo excesso de devassidão" (1 Pedro 4:3-4). 

A embriaguez é um pecado condenado. A bebida forte tem um passado sórdido. O justo Noé caiu por causa do vinho: 

· "Bebendo do vinho, embriagou-se e se pôs nu dentro de sua tenda" (Gênesis 9:21). 

Parece que a bebida alcoólica influencia a pessoa para fazer o que jamais faria se estivesse sóbria. Quando as filhas de Ló desejaram ter filhos do pai, elas o embriagaram e depois o procuraram. 

O álcool em si não estimulou a concepção, mas elas sabiam que Ló ficaria muito mais passível de cometer essa imoralidade se estivesse bêbado. 

· "Subiu Ló de Zoar e habitou no monte, ele e suas duas filhas, porque receavam permanecer em Zoar; e habitou numa caverna, e com ele as duas filhas. Então, a primogênita disse à mais moça: Nosso pai está velho, e não há homem na terra que venha unir-se conosco, segundo o costume de toda terra. Vem, façamo-lo beber vinho, deitemo-nos com ele e conservemos a descendência de nosso pai." 

· “Naquela noite, pois, deram a beber vinho a seu pai, e, entrando a primogênita, se deitou com ele, sem que ele o notasse, nem quando ela se deitou, nem quando se levantou. No dia seguinte, disse a primogênita à mais nova: Deitei-me, ontem, à noite, com o meu pai. Demos-lhe a beber vinho também esta noite; entra e deita-te com ele, para que preservemos a descendência de nosso pai. 

De novo, pois, deram aquela noite, a beber vinho a seu pai, e, entrando a mais nova, se deitou com ele, sem que ele o notasse, nem quando ela se deitou, nem quando se levantou. E assim as duas filhas de Ló conceberam do próprio pai" (Gênesis 19:30-36). 

Absalão decidiu matar Amnom enquanto este bebia, talvez por crer que ele seria menos capaz de se defender se estivesse num estado um tanto inebriado: 

· "Absalão deu ordem aos seus moços, dizendo: Tomai sentido; quando o coração de Amnom estiver alegre de vinho, e eu vos disser: Feri a Amnom, então, o matareis. Não temais, pois não sou eu quem vo-lo ordena? Sedes fortes e valentes” (2 Samuel 13:28). 

Um dos pecados de Belsazar, na noite em que viu a mão na parede e em que seu reino foi tomado, foi o fato de estar bebendo: 

· "Beberam o vinho e deram louvores aos deuses de ouro, de prata, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra" (Daniel 5:4).

O termo vinho na Bíblia tem vários significados. Nos textos acima, está claro que a palavra se refere à bebida alcoólica. Mas, em outras ocasiões, significa suco de uva. Examine, por exemplo, Lucas 5:36-38: 

· "Também lhes disse uma parábola: Ninguém tira um pedaço de veste nova e o põe em veste velha; pois rasgará a nova, e o remendo da nova não se ajustará à velha. E ninguém põe vinho novo em odres velhos, pois o vinho novo romperá os odres; entornar-se-á o vinho, e os odres se estragarão. Pelo contrário, vinho novo deve ser posto em odres novos."

O vinho novo nesse texto diz respeito ao suco de uva fresco. A ideia é que quando o suco é posto nos odres, ele aumenta durante o processo de fermentação. Se colocado em odres velhos que já estão esticados, estes se romperão. 

É um fato geralmente aceito, como mostra claramente esse texto, que o vinho na Bíblia nem sempre era alcoólico. Talvez as nossas palavras beber e bebida possam ser um bom exemplo da mesma duplicidade de sentido. Dependendo do contexto, beber pode certamente estar relacionado com bebidas alcoólicas ou apenas significar a ingestão de algum líquido qualquer. 

É muito importante lembrarmo-nos desse sentido duplo da palavra vinho. Em João 2, Jesus transformou perto de 600 litros de água em vinho. Fez isso depois que os convidados da festa "beberam fartamente". Jesus fez vinho suco de uva ou vinho alcoólico? Lembre-se que as duas coisas são possíveis tendo em vista a própria definição do termo vinho. Mas há duas considerações que nos levam a crer firmemente que se tratava de suco e não de bebida alcoólica. 

Em primeiro lugar, Jesus o fez na hora. No primeiro momento em que o vinho daquela época era produzido, ele era suco. Somente após um processo de envelhecimento e de fermentação é que se tornava alcoólico. Em segundo lugar, o que é mais importante, se Jesus tivesse feito vinho alcoólico, ele teria estado incentivando a embriaguez. 

A questão aqui não é um ou dois copos de vinho. Essas pessoas, após já terem bebido muito, receberam mais umas centenas de litros. Jesus jamais incentivou os pecados do homem, tampouco contribuiu para eles. Portanto, parece claro que esse vinho era do tipo não alcoólico.

É também útil entender algumas coisas sobre os vinhos alcoólicos das terras bíblicas. Naquela época, só havia fermentação natural. Eles ainda não tinham inventado a tecnologia para acrescentar mais álcool às bebidas fermentadas por processo natural. 

Isso significa que o mais alcoólico dos vinhos da Palestina tinha cerca de 8% de álcool. Pela lei, esses vinhos eram diluídos em água, normalmente três ou quatro partes de água para uma parte de vinho. 

Esses vinhos fracos, enfraquecidos mais ainda pela adição de enormes quantidades de água, passaram a ser usados como bebidas para acompanhar as refeições. Não eram usados como bebidas, mas apenas como se usa um copo de água ou uma xícara de café que se bebe com a refeição. Vários textos bíblicos parecem apontar para esse uso do vinho – como uma bebida para acompanhar as refeições (1 Timóteo 3:3, 8; Tito 1:7; Mateus 11:18-19).

Provérbios 23, condena o uso do vinho "vermelho" que brilha no copo. O tipo de bebidas alcoólicas usado em nossa sociedade é o mesmo tipo sistematicamente condenado na Bíblia. Os vinhos, as cervejas e os licores de hoje enquadram-se na categoria de bebida forte, e nenhum texto sequer pode ser encontrado na Bíblia que permita que sejam consumidos por um filho de Deus.

Paulo estimulou a Timóteo de modo especial para que tomasse "um pouco de vinho" por questões de saúde (1 Timóteo 5:23). Às vezes se usa esse texto para mostrar que é possível beber. Mas, de fato, o que ele faz é justamente o oposto. Se Timóteo tivesse tido o hábito de beber uma cerveja aqui e ali, por que precisou que Paulo lhe desse permissão especial para usar um pouco de vinho como remédio? 

Esse texto nos leva à conclusão de que o uso de álcool pelo cristão deve ser uma exceção, não uma regra. Muitos remédios de nossos dias contêm álcool ou outras drogas intoxicantes. 

O discípulo de Cristo deve ser muito cuidadoso com eles e usá-los apenas com muita moderação. O fato de que uma exceção precisou ser dada para permitir o uso de remédios com teor alcoólico sugere que é errado beber por prazer. O servo de Cristo deve sempre analisar o efeito de seus atos sobre o próximo: 

· "É bom não comer carne, nem beber vinho, nem fazer qualquer outra coisa com que teu irmão venha a tropeçar" (Romanos 14:21). 

Mesmo que o cristão pudesse beber moderadamente, de qualquer modo esse texto ainda o estaria proibindo na maioria dos casos. A bebida alcoólica leva tantos cristãos a cair, que aquele que tenta ajudar o seu irmão a não tropeçar certamente não lhe dará o exemplo, bebendo diante dele.

A Bíblia sistematicamente exige que sejamos sóbrios (1 Tessalonicenses 5:6; 2 Timóteo 4:5; 1 Pedro 4:7; 5:8). Entre as primeiras consequências da bebida estão a ausência de inibições, o enfraquecimento do autocontrole, a falta de juízo. 

Essas consequências ocorrem bem antes da pessoa começar a perder o controle das habilidades motoras, a falar arrastadamente etc. O diabo está sempre procurando-nos tentar; para enfrentar a essas tentações, o filho de Deus deve estar profundamente alerto e sóbrio em todo tempo.

Embora não fosse possível afirmar, com base nas Escrituras, que ingerir qualquer quantidade de álcool por qualquer motivo é sempre pecado, parece claro que o servo de Deus não será alguém que simplesmente bebe canecas de cerveja ou taças de vinho. O beber socialmente que vemos hoje em dia é o tipo condenado em muitos textos das Escrituras. 

· "O vinho é escarnecedor, e a bebida forte, alvoroçadora; todo aquele que por eles é vencido não é sábio" (Provérbios 20:1).

No Velho Testamento há duas palavras hebraicas geralmente empregadas para designar o vinho: YAYIN, que se refere ao suco fermentado de uvas e TIROSH, que se refere ao vinho doce, fresco, sem fermento, não alcoolizado. 

Por exemplo, no Salmo 104:15; Provérbios 20:1; Isaías 5:11 e Habacuque 2:5, se emprega a palavra YAYIN, vinho fermentado. Há um caso curioso em Isaías 25:6, sobre vinho clarificado, sem borras. Era um vinho que devia ser filtrado antes de ser usado.

A palavra TIROSH geralmente designa suco de uvas ou outras frutas, embora, algumas vezes e raramente, indica mosto, que é o suco em fase de fermentação. Assim em Gênesis 27:37; Números 18:12, etc.

Outra bebida intoxicante mencionada no Velho Testamento é o SHEKAR, feito de grãos fermentados, mel ou tâmara. É geralmente traduzido por “bebida forte”.

No Novo Testamento há três palavras gregas que são traduzidas por “vinho”. A mais usada é OINOS; as duas outras palavras são empregadas apenas uma vez, fazendo alusão ao vinho fermentado (Lucas 1:15 e Atos 2:13).

OINOS pode tanto se referir à bebida inebriante como ao suco de uvas ou xarope. Esse xarope era obtido pela fervura do suco até tornar-se como o mel, e então guardado em vasos para uso futuro. 

Numa região de clima quente, essa era a forma de conservar o derivado de uva para consumo posterior, sem que ocorresse a fermentação. Esse xarope diluído em água quente ou fria, era a bebida preferida nos tempos de Jesus.

Como a palavra grega não define se o vinho era fermentado ou não, com muito bom senso deve-se considerar o contexto em que a palavra se encontra. No caso do casamento em Canaã da Galileia, por exemplo, é inconcebível que Jesus, após o recebimento do Espírito Santo, haja em Seu primeiro milagre, produzido bebidas alcoólicas, pois elas são, segundo a Bíblia o maior oponente da vida do Espírito. Efésios 5:18 diz: 

· “Não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito”.

Tampouco, em hipótese alguma, Cristo, o Senhor da vida, produziria vinho fermentado ou o usaria na Ceia, pois a fermentação representa uma corrupção da bebida natural, e isso arruinaria o símbolo da Comunhão.

· As bebidas alcoólicas podem causar consequências graves. A Bíblia diz em Provérbios 23:29-30 

· “Para quem são os ais? Para quem os pesares? Para quem as pelejas, para quem as queixas? Para quem as feridas sem causa? E para quem os olhos vermelhos? Para os que se demoram perto do vinho, para os que andam buscando bebida misturada”.

A Bíblia oferece uma alternativa eficaz às bebidas alcoólicas. A Bíblia diz em Efésios 5:18:

· E não vos embriagueis com vinho, no qual há devassidão, mas enchei-vos do Espírito. 
· Que dizem as Escrituras sobre o álcool, vinho e licor? A Bíblia diz em Provérbios 20:1: 
· “O vinho é escarnecedor, e a bebida forte alvoroçadora; e todo aquele que neles errar não é sábio”.
· Por que as bebidas alcoólicas são perigosas? A Bíblia diz em Efésios 5:18:
· “E não vos embriagueis com vinho, no qual há devassidão, mas enchei-vos do Espírito”.
· Por que reis e governantes não deveriam beber bebidas alcoólicas? A Bíblia diz em Provérbios 31:4-5:
· Não é dos reis, ó Lemuel, não é dos reis beber vinho, nem dos príncipes desejar bebida forte; para que não bebam, e se esqueçam da lei, e pervertam o direito de quem anda aflito.

Com que outros pecados está a embriaguez classificada? A Bíblia diz em Gálatas 5:19-21:

· “Ora, as obras da carne são manifestas, as quais são: a prostituição, a impureza, a idolatria, a feitiçaria, as bebedices, as orgias, e coisas semelhantes a estas, contra as quais vos previno, como já antes vos preveni, que os que tais coisas praticam não herdarão o reino de Deus”.

Quais são os resultados dos que se entregam a excessos de comida e bebida? A Bíblia diz em Provérbios 23:20-21:

· “Não estejas entre os beberrões de vinho nem entre os comilões de carne. Porque o beberrão e o comilão caem em pobreza; e a sonolência cobrirá de trapos o homem”.

Como afetam as bebidas alcoólicas àqueles que as tomam? A Bíblia diz em Provérbios 23:29-35:

· Para quem são os ais? Para quem os pesares? Para quem as pelejas, para quem as queixas? Para quem as feridas sem causa? E para quem os olhos vermelhos? Para os que se demoram perto do vinho, para os que andam buscando bebida misturada. 

· “Não olhes para o vinho quando se mostra vermelho, quando resplandece no copo e se escoa suavemente. No seu fim morderá como a cobra, e como o basilisco picará. Os teus olhos verão coisas estranhas, e tu falarás perversidades. Serás como o que se deita no meio do mar, e como o que dorme no topo do mastro. E dirás: Espancaram-me, e não me doeu; bateram-me, e não o senti; quando virei a despertar? Ainda tornarei a buscá-lo outra vez”.

A bíblia ensina sobre os problemas do álcool

Nos países onde o povo de Israel habitava, havia culturas de videiras e o povo bebia, como hábito, suco de uva (não fermentado), mosto (suco fermentado), ou vinho. Mas desde os tempos mais remotos o vinho causou desastres, como por exemplo, a queda moral de Noé. Duma maneira geral quando não há abusos, a Bíblia não proíbe o uso de vinho. Então por que é que algumas Igrejas resolveram exigir a abstinência do álcool aos seus membros?

O fato é que nos nossos povos o abuso da bebida é uma das maiores causas do estrago físico, moral e espiritual. 

· "Não erreis: os bêbados não herdarão o Reino de Deus". I Cor. 6:10, Gal. 5:21.

O vinho, como as várias espécies de bebidas alcoólicas, tornaram-se para muitos milhares de pessoas em "escândalo" e uma pedra de tropeço. Por isso Jesus, que conhece o coração humano, não diz: "Voltai a ser moderados", mas ordena que se renuncie inteiramente e para sempre: 

· "Portanto, se a tua mão ou o teu pé te fazem cair em pecado, corta-os e atira-os para longe! É melhor entrares na vida eterna sem uma das mãos ou um dos pés do que seres atirado ao fogo do inferno levando as duas mãos e os dois pés. Do mesmo modo, se um dos teus olhos te faz pecar, arranca-o e atira-o para longe! É melhor entrares na vida eterna só com um olho do que seres atirado com os dois ao fogo do inferno." Mateus 18:8-9

Portanto, a abstinência total é uma opção positiva dada por Jesus a todos aqueles para quem as bebida alcoólicas é uma pedra de tropeço e que os faz cair no pecado.

Mas para quê pedir a abstinência a pessoas que não abusam? A Palavra de Deus mostra-nos que devemos, por causa dos fracos "não agradar a nós mesmos". "Nós, que somos fortes na fé, devemos suportar as fraquezas dos que não são como nós, sem procurarmos aquilo que nos é agradável. 

Cada um de nós deve agradar ao seu próximo naquilo que for bom para fortalecê-lo na fé”. Pois também Cristo não procurou o que lhe era agradável. Pelo contrário, passou-se com ele o que diz a Escritura:

· “Os insultos daqueles que te insultavam caíram sobre mim." Rom. 15:1-3 
· "Tudo é permitido, mas nem tudo convém. Tudo é permitido, mas nem tudo é útil à fé. Que ninguém procure o seu próprio bem, mas sim o dos outros." I Cor. 10:23,24

Quando Paulo fala de carnes compradas no mercado e que talvez tivessem sido sacrificadas aos ídolos, ele explica dizendo: 

· "Pela tua ciência perecerá o irmão fraco, pelo qual Cristo morreu", acrescentando "assim... pecais contra Cristo." e "se o manjar escandalizar a meu irmão, nunca mais comerei carne". I Cor. 8: 8-13
· Paulo aplica também este pensamento ao vinho: 
· "É melhor não comer carne nem beber vinho nem fazer nada que leve o irmão na fé a cair no pecado." Romanos 14:21

Há milhares de pessoas que não são bastante fortes para usar moderadamente as bebidas alcoólicas, sem abusar delas. Para eles, beber um pouco que seja já é uma ocasião de tropeço e na maior parte das vezes a sua recaída fatal. Querendo imitar a moderação dos que não abusam, eles caem depressa no pecado e perecem. 

Então é a lei do amor fraternal que leva o cristão a renunciar voluntariamente a um uso lícito para ele mesmo, mas que é ocasião de perdição para um irmão. Ele aceita por amor, o sacrifício ao qual o irmão mais fraco tem de se submeter, por força, para não se perder.

Pensando nos milhares, milhões de pessoas caídas, prejudicadas pelo álcool, resolvemos nunca mais beber álcool e, também, provar às pessoas enganadas pela falsa propaganda, de que podemos gozar da vida, ter saúde, ter festas e ser social sem beber uma gota de álcool. Mas há ainda outra razão que milita a favor da abstinência do povo de Deus: é a nossa condição de mordomos do Senhor. 

A Bíblia ensina-nos que o nosso corpo é o templo de Deus e que não somos de nós mesmos: 

· "Não sabem que são templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês?" I Cor. 3:16

· "Não sabem que não pertencem a vocês mesmos, mas que o vosso corpo é templo do Espírito Santo que está em vocês e que Deus vos deu?" I Cor. 6:19 

Ela nos chama a glorificar a Deus no nosso corpo que lhe pertence, avisando-nos ao mesmo tempo da condenação que há de cair sobre todo aquele que destruir este templo.

Ora, é fácil convencer-se de que o abuso das bebidas alcoólicas prejudica a saúde, leva o homem a expor sem necessidade o seu corpo a perigos, a desperdiçar as forças e as faculdades que ele devia utilizar para glorificar o seu Mestre. 

Pecando contra o seu corpo e não cuidando da sua saúde física e mental, o cristão peca contra Deus. Ele assemelha-se ao filho pródigo que desperdiçou o que tinha recebido do seu pai: 

· "Poucos dias depois, o mais novo vendeu o que era dele e partiu para uma terra muito distante, onde gastou todo o dinheiro numa vida desregrada." Lucas 15:13

E também ao mordomo infiel que dissipou os bens do seu senhor: 

· "Jesus disse aos seus discípulos: Havia um homem rico que tinha um feitor. Foram-lhe dizer que esse feitor desperdiçava os seus bens." Lucas 16:1 

A abstinência é necessária também para quem quer levar uma vida vitoriosa: 

· "Não sabem que, no estádio, todos os corredores tomam parte na corrida, mas só um é que recebe o prêmio? Corram, portanto, de maneira a poderem recebê-lo. Aqueles que se preparam para uma competição privam-se de tudo. E fazem-no só para ver se conseguem um prêmio, que, afinal, dura pouco. Mas nós trabalhamos por um prêmio que dura para sempre. 

É desta maneira que eu corro e não como quem corre sem saber para onde. É assim que eu luto e não como quem dá socos à toa. Mas eu luto contra o meu corpo, para o dominar, a fim de não acontecer que, andando a pregar aos outros, seja rejeitado por Deus." I Cor. 9:24-27

O cristão é ainda chamado a subjugar o seu corpo, a disciplinar os seus sentimentos e a refrear os seus impulsos para obedecer aos mandamentos de Deus: 

· "A vontade de Deus é que vivamos honestamente, mantendo-nos longe da imoralidade. Que cada um saiba usar com dignidade e respeito o corpo que lhe pertence. Não se deixem levar pelos maus desejos como fazem aqueles que não têm fé em Deus." I Tes. 4:3-5

Deus quer que sejamos livres e fortes, em vez de escravos do mal.

Ora, sabemos que o álcool ataca primeiramente o cérebro, que é o centro do juízo e da vontade. Pela sua ação sobre o sistema nervoso, as bebidas alcoólicas, mesmo tomadas em pequenas quantidades, diminuem a capacidade de vigiar, de dominar-se a si mesmo, de lutar contra o mal e de pegar-se ao bem. 

Mesmo sem se embriagar, o cristão que faz uso de bebidas alcoólicas torna-se mais fraco diante das tentações, mais exposto a transgredir as leis divinas por falta de perfeita lucidez. 


Veja o que aconteceu aos dois filhos do sacerdote Aarão e o mandamento que Deus deu depois da morte deles. Levítico 10:1-11

Devemos evitar tudo o que possa enfraquecer o nosso juízo e a nossa resistência aos pecados que o álcool facilita, tais como:

· Irritabilidade e brutalidade Provérbios 23:29-30; 20:1;
· Egoísmo, deslealdade, injustiça Habacuque 2:5; Provérbios 31:4-5; Isaías 28: 7;
· Impureza, imoralidade Provérbios 23:33; Oséias 4:11; 
· Preguiça Lucas 21: 34; Ecles. 10: 17-18, etc. 

A Palavra de Deus insiste também sobre a necessidade de sermos sóbrios: 

· "Por isso mesmo, não andemos a dormir como os outros, mas sejamos vigilantes e vivamos com sobriedade. Tanto os que dormem como os que se entregam à embriaguez é de noite que o costumam fazer." I Tes. 5:6-7 

· "Mas tu, sê prudente em tudo, suporta as dificuldades, comporta-te como mensageiro da Boa Nova e cumpre a tua missão." II Tm. 4:5

· Por isso, tenham o espírito preparado para a ação. Estejam atentos e ponham a esperança no dom que lhes será concedido quando Jesus se manifestar." I Pedro 1:13

Todos estamos sujeitos à fraqueza e por isso o apóstolo Paulo diz: 

· "Aquele que cuida estar em pé, olhe não caia" I Cor. 10: 12 

Ele exorta-nos também a olhar por nós mesmos para que não sejamos também tentados: 

· "Meus irmãos, se alguém for apanhado nalguma falta, vocês que têm o Espírito de Deus levem-no com mansidão ao bom caminho. E cada um de vocês tenha cuidado para não se deixar tentar." Gálatas 6:1 

Por todas estas razões achamos preferível renunciar às bebidas alcoólicas, não somente por amor dos irmãos que são fracos, mas também no nosso próprio interesse. Vigiemos e sejamos sóbrios

Abstinentes na Bíblia

Há na Bíblia vários exemplos de homens que renunciaram às bebidas alcoólicas. Todos eles receberam a aprovação de Deus.

Os recabitas (Jeremias 35). Apesar de terem vinho oferecido eles disseram: 

"Não beberemos vinho. Nosso pai nos mandou: nunca bebereis vinho. E Deus disse: Pois que obedecestes ao mandamento de Jonadab, nunca faltará varão a Jonadab".

Sansão e até a mãe dele, logo que ela concebeu a criança. 

· "Guarda-te de que bebas vinho ou bebida forte" Juízes 13: 4-7

Os nazireus, pessoas que "se separavam, para o Senhor". Faziam um voto de abstinência total de bebidas alcoólicas (Números 6: 1-4). Vimos aqui uma relação entre uma consagração mais completa e a abstinência. O profeta Amós fala dos nazireus como testemunhas de Deus (Amós 2: 11-12) junto aos profetas, num tempo de idolatria e imoralidade.

Enfim muitas vezes a Bíblia mostra o mal do alcoolismo. Prov. 23:29-35, 20:1; Oséias 4: 11, Isaías 5:11 - 22; I Cor. 5:11, etc.

O uso do Vinho na Ceia do Senhor

· Jesus usou uma bebida fermentada ou não fermentada de uvas, ao instituir a Ceia do Senhor (Mt 26.24-29; Mc 14.22-25; Lc 22.17-20; 1 Co 11.23-26)? Os dados abaixo levam à conclusão de que Jesus e seus discípulos beberam no dito ato suco de uva não fermentado.

· Nem Lucas nem qualquer outro escritor bíblico emprega a palavra “vinho” (gr. oinos) no tocante à Ceia do Senhor. Os escritores dos três primeiros Evangelhos empregam a expressão “fruto da vide” (Mt 26.24; Mc 14.25, Lc 22.18). 

O vinho não fermentado é o único “fruto da vide” verdadeiramente natural, contendo aproximadamente 20% de açúcar e nenhum álcool. A fermentação destrói boa parte do açúcar e altera aquilo que a videira produz. O vinho fermentado não é produzido pela videira.

· Jesus instituiu a Ceia do Senhor quando Ele e seus discípulos estavam celebrando a Páscoa. A lei da Páscoa em Êx 12.14-20 proibia, durante a semana daquele evento, a presença de seor (Êx 12.15), palavra hebraica para fermento ou qualquer agente fermentador. 

· Seor, no mundo antigo, era frequentemente obtido da espuma espessa da superfície do vinho quando em fermentação. 

· Além disso, todo o hametz (i.e., qualquer coisa fermentada) era proibido (Êx 12.19; 13.7). Deus dera essas leis porque a fermentação simbolizava a corrupção e o pecado (Mt 16.6,12; 1 Co 5.7,8). Jesus, o Filho de Deus, cumpriu a lei em todas as suas exigências (Mt 5.17). 

Logo, teria cumprido a lei de Deus para a Páscoa, e não teria usado vinho fermentado.

· Um intenso debate perpassa os séculos entre os rabinos e estudiosos judaicos sobre a proibição ou não dos derivados fermentados na videira durante a Páscoa. Aqueles que sustentam uma interpretação mais rigorosa e literal das Escrituras hebraicas, especialmente (Êx 13.7), declaram que nenhum vinho fermentado devia ser usado nessa ocasião.

· Certos documentos judaicos afirmam que o uso do vinho não fermentado na Páscoa era comum nos tempos do Novo Testamento. Por exemplo: Segundo os Evangelhos Sinóticos, parece que no entardecer da quinta-feira da última semana de vida aqui, Jesus entrou com seus discípulos em Jerusalém, para com eles comer a Páscoa na cidade santa; neste caso, o pão e o vinho do culto de Santa Ceia instituído naquela ocasião por Ele, como memorial, seria o pão asmo e o vinho não fermentado do culto Seder.

· No AT, bebidas fermentadas nunca deviam ser usadas na casa de Deus, e um sacerdote não podia chegar-se a Deus em adoração se tomasse bebida embriagante (Lv 10.9). Jesus Cristo foi o Sumo Sacerdote de Deus do novo concerto, e chegou-se a Deus em favor do seu povo (Hb 3.1; 5.1-10).

· O valor de um símbolo se determina pela sua capacidade de conceituar a realidade espiritual. Logo, assim como o pão representava o corpo puro de Cristo e tinha que ser pão asmo (i.e., sem a corrupção da fermentação), o fruto da vide, representando o sangue incorruptível de Cristo, seria representado por suco de uva não fermentado (1 Pe 1.18-19). Uma vez que as Escrituras declaram explicitamente que o corpo e sangue de Cristo não experimentaram corrupção (Sl 16.10; At 2.27; 13.37), esses dois elementos são corretamente simbolizados por aquilo que não é corrompido nem fermentado.

· Paulo determinou que os coríntios tirassem dentre eles o fermento espiritual, o agente fermentador “da maldade e da malícia”, porque Cristo é a nossa Páscoa (1 Co 5.6-8). 

· Seria contraditório usar na Ceia do Senhor um símbolo da maldade, algo contendo levedura ou fermento, se considerarmos os objetivos dessa ordenança do Senhor, bem como as exigências bíblicas para dela participarmos.

Portanto, o suco de uva, não embriagante e não fermentado, é a bebida mais apropriada para representar o sangue de Jesus na Ceia do Senhor. Por coerência, o pão, representativo do corpo de Cristo, deve ser sem fermento. O vinho fermentado é uma bebida alcoólica. Um sacerdote que tome vários goles de vinho dessa natureza por dia, em celebrações várias, tende a se tornar viciado. 

Qualquer espécie de bebida que contenha álcool é considerada uma droga, capaz de levar a dependência. A cachaça, por exemplo, é uma droga. Os alcoólatras em recuperação são orientados para não tomarem o primeiro gole, a fim de não desencadear um impulso incontrolável. O fornecimento de bebida embriagante a irmãos nessa situação é desaconselhável. 

A bebida Alcoólica segundo a Palavra de Deus

A mensagem principal do Senhor Jesus é a vida e a sua preservação em santidade e pureza.

A Palavra de Deus nos diz em João 10;10:

· "O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância."

Nós já aprendemos anteriormente um breve resumo do que o álcool faz na vida da sociedade, aspectos e alguns efeitos, portanto claramente é possível tirar a conclusão que o álcool é algo destrutivo, pois acaba com lares, famílias, empregos, destrói relacionamentos enfim ele vai destruindo e o fim é a morte.

Percebe-se na Palavra de Deus citada que em João 10;10 que isso provém do diabo ele quer destruir o máximo que puder e levar as pessoas até a morte, pois ele já está condenado por Deus.

A Palavra de Deus nos ensina que Ele quer que tenhamos vida e vida com abundância, ou seja, Jesus Cristo não quis dizer que é para sermos ricos que abundemos na vida material tenhamos posses, carros, mansões, salários exorbitantes, Jesus Cristo quer dizer uma vida espiritual digna diante de Deus , ele quer que cheguemos mais perto de Deus para que Deus possa nos abençoar, termos uma vida tranquila de paz, bondade, fé, amor para com o próximo de união em família de saúde física, mas principalmente uma vida espiritual ativa , quando estamos em comunhão com Deus às outras coisas sendo elas matérias ou não são apenas uma consequência daquilo que Deus já tem preparado para nós.

É comum encontrarmos dentro das igrejas, vidas que anseiam por uma latinha de cerveja ou uma dose de uísque, estas, não vigiaram devidamente e foram influenciadas pela astuta mensagem do inimigo; preferem satisfazerem à carne e sua “sede” a ouvir a voz do Espírito Santo, que misericordiosamente se materializa na instrumentalidade dos irmãos. A palavra dita por Deus a Ezequiel se aplica muito bem a eles, veja:

· “Os filhos são de duro semblante e obstinados de coração; eu te envio a eles, e lhes dirás: Assim diz o Senhor Deus. Eles, quer ouçam quer deixem de ouvir, porque são casa rebelde, hão de saber que esteve no meio deles um profeta.” Ez 2:4,5

O Senhor Deus também fala com profundidade em Sua Palavra sobre a ingestão de bebidas alcoólicas, desaconselhando o seu consumo.

No livro de Levítico capítulo 10 Deus condena claramente a ingestão de bebida alcoólica, Nadabe e Abiú sacerdotes do templo morreram diante do Senhor porque beberam bebidas alcoólicas e entraram alcoolizados em um lugar Santo. 

“E falou o Senhor a Arão, dizendo: Não bebereis vinho nem bebida forte, nem tu nem teus filhos contigo, quando entrardes na tenda da congregação, para que não morrais; estatuto perpétuo será isso entre as vossas gerações e para fazer diferença entre o santo e o profano e entre o imundo e o limpo”. Levítico 10; 8-10

Vejam meus amados que o Próprio Deus falou a Arão para não beber vinho ou bebida forte, pois estavam sujeitos à morte caso isso acontecesse. Ainda hoje é assim, nós não devemos beber seja pouco ou muito, seja vinho ou bebida forte. Qualquer tipo de bebida como cachaça, caipirinha, cerveja, uísque, vodca ou qualquer outra que contenha álcool, pois podemos acabar com nossas vidas. Deus fala ainda que este seja um estatuto perpétuo, ou seja, nunca devemos beber bebidas alcoólicas. 

· "E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito." Efésios 5.18

· "E olhai por vós, não aconteça que os vossos corações se carreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e venha sobre vós de improviso aquele dia”. Lucas 21.34 

· "Invejas, homicídios, bebedeiras, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro como já antes vos disse que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus.” Gálatas 5.21

Veja que a palavra de Deus mais uma vez claramente condena um grupo, entre aqueles que fazem ingestão de bebidas alcoólicas, eles não herdarão o Reino de Deus.

· “Mas também estes erram por causa do vinho, e com a bebida forte se desencaminham; até o sacerdote e o profeta erram por causa da bebida forte; são absorvidos pelo vinho; desencaminham-se por causa da bebida forte; andam errados na visão e tropeçam no juízo”. Isaias 28.7

Efeitos do vinho e bebidas alcoólicas segundo a Palavra Deus 

Provérbios 23; 29-35 

· Para quem são os ais? Para quem os pesares? Para quem as pelejas? Para quem as queixas? Para quem as feridas sem causa? E para quem os olhos vermelhos? Para os que se demoram perto do vinho, para os que andam buscando vinho misturado. 

Não olhes para o vinho quando se mostra vermelho, quando resplandece no copo e se escoa suavemente. No fim, picará como a cobra, e como o brasílico morderá.

· Os teus olhos olharão para as mulheres estranhas, e o teu coração falará perversidades. 
· E serás como o que se deita no meio do mar, e como o que jaz no topo do mastro. 
· E dirás: Espancaram-me e não me doeu; bateram-me e nem senti; quando despertarei? Aí então beberei outra vez. 

Estes são apenas alguns efeitos escarnecedores do vinho e outras bebidas alcoólicas. Quantas vezes você já fez uso de bebidas alcoólicas e sentiu esses efeitos após estar sobre o seu efeito?

Isto relata bem o que pode acontecer com quem faz uso de bebidas alcoólicas. O problema é que as pessoas podem perder a família, nem os amigos vão querer ajudar, pode perder o emprego e virar um escravo da bebida pelo resto da sua vida. 

Pode sofrer um acidente e ficar lesado pelo resto da sua vida, pode perder a sua vida e ir direto para o inferno, pois já aprendemos pela Bíblia Sagrada que os que bebem não herdarão o Reino de Deus. Ou seja, se a pessoa faz uso de bebidas alcoólicas e por conta dos efeitos da bebida cometeu algo ilícito vai dar conta disso a Deus.

No livro de Romanos 14.12 diz:

· "Cada um dará conta de si mesmo a Deus"

· "Andemos honestamente, como de dia; não em glutonarias, nem em bebedeiras, nem em desonestidades, nem em dissoluções, nem em contendas e inveja” Romanos 13.13

Serão Destituídos do Reino de Deus

· "Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus." 1 Coríntios 6.10

Os que fazem uso de bebidas alcoólicas não são boas companhias

· "Não estejas entre os beberrões de vinho, nem entre os comilões de carne" Provérbios 23.20

Serão Punidos e descerão ao inferno

· Ai dos que se levantam pela manhã, e seguem a bebedeira; e continuam até à noite, até que o vinho os esquente! Isaías 5.11-14
· E harpas e alaúdes, tamboris e gaitas, e vinho há nos seus banquetes; e não olham para a obra do SENHOR, nem consideram as obras das suas mãos. 
· Portanto o meu povo será levado cativo, por falta de entendimento; e os seus nobres terão fome, e a sua multidão se secará de sede. 
· Portanto o inferno grandemente se alargou, e se abriu a sua boca desmesuradamente; e para lá descerão o seu esplendor, e a sua multidão, e a sua pompa, e os que entre eles se alegram!
· Ai dos que são poderosos para beber vinho e homens de poder para misturar bebida forte. Isaias 5;22

Credo dos Alcoólicos Vitoriosos

· Compreendi que não consigo ultrapassar o hábito da bebida por mim próprio. Acredito que o poder de Jesus Cristo está disponível para me ajudar. Eu acredito que através da minha aceitação Dele como meu Salvador pessoal, eu sou um novo homem.

· Porque a presença de Deus se vai manifestando conforme eu vou orando, coloquei de parte dois períodos por dia para comunicar com o meu Pai dos céus. Eu compreendo que preciso disso para viver diariamente Salmos 24:1-5.

· Eu reconheço a necessidade da amizade Cristã e terei portanto amizades com Cristãos. Eu sei que para ser vitorioso eu tenho que estar ativo no serviço de Cristo. E ajudarei os outros através da minha vitória.

· Nunca mais bebo mais nenhuma bebida que contenha álcool. Eu sei que é a primeira bebida que suscita o mal. Eu ficarei longe dos lugares onde possa estar a tentação do álcool, e das companhias que possam tentar-me. Posso ser vitorioso porque sei que a Sua força é suficiente para suprir todas as minhas necessidades.

O papel da família

A família é um ponto chave no tratamento terapêutico de dependentes químicos

A todo o momento, o ser humano é cobrado e influenciado pelo meio social em que vive e esse meio também determina como ele deve agir pensar e se comportar. Se ele fugir às normas sociais consequentemente será “punido” pela sociedade. 

Com isso, a todo o momento o indivíduo se sente “vigiado” por esta e, em última instância, por ele mesmo. Sendo assim, o nível de estresse ao qual é submetido todos os dias é alto, saindo às vezes do “normal” para o descontrole. 

Nem mesmo na condição de dependente químico, o indivíduo se livra da cobrança e do julgamento social – ao contrário – a cobrança passa a ser muito maior e, como não pode mais obedecer às regras sociais, passa a ser excluído de todo o convívio em sociedade, seja na escola, no trabalho ou até mesmo na família. 

Oh! quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união. Salmos 133:1

Tributai ao Senhor, ó famílias dos povos, tributai ao Senhor glória e força. 1 Crônicas 16:28

Porém livra ao necessitado da opressão, em um lugar alto, e multiplica as famílias como rebanhos. Salmos 107:41

Naquele tempo, diz o SENHOR, serei o Deus de todas as famílias de Israel, e elas serão o meu povo. Jeremias 31:1

A família em muitos casos faz parte deste processo de exclusão do doente, muitas vezes por medo, desconhecimento, ou simplesmente pelo estigma de ter em seu convívio um doente tido pela sociedade como alguém sem capacidades, “louco” ou “drogado”. 

Percebemos as dificuldades e a carga psicológica às quais as famílias estão expostas; porém é essencial todo e qualquer apoio nestes casos, sendo de suma importância seu envolvimento e participação durante todo o tratamento terapêutico vivenciado pelo paciente, a fim de conhecer e entender melhor a problemática, tornando-se parte deste processo.

Além do preconceito que os dependentes químicos sofrem da sociedade, eles também são submetidos aos da família, que se sente envergonhada da sociedade pelo simples fato de não terem conseguido formar um indivíduo “saudável” e preparado para cumprir com suas obrigações sociais. 

Não é possível julgá-las pois também são vítimas da sociedade assim como o doente, mas é possível reconhecer a importância dela na vida de qualquer ser humano.

Os familiares são fundamentais no processo de tratamento do doente. No entanto, necessitam saber como lidar com as situações estressantes, evitando comentários críticos ou se tornando exageradamente super protetores, dois fatores que reconhecidamente provocam recaídas. 

Torna-se muito importante que os familiares dosem o grau de exigências em relação ao doente, não exigindo mais do que ele pode realizar em dado momento, mas sem deixá-lo abandonado, ou sem participação na vida familiar. 

Conhecendo melhor a doença e tendo um diagnóstico claro, a família passa a ser um aliado eficiente em conjunto com a medicação e a terapêutica trabalhada pela equipe multiprofissional.

Ao mesmo tempo em que se trata o quadro de doença do paciente, a família deve receber total atenção no sentido de ser orientada em sua abordagem ao paciente ou em sua dinâmica de relacionamento durante o processo terapêutico, visto que em muitos casos a família adoece em conjunto, sendo necessário um processo de escuta, apoio e orientação. 

Trabalhar com famílias traz à tona traços relacionados à dinâmica funcional familiar muitas vezes já cristalizados ao longo do tempo e que necessitam ser repensados e apreendidos.

Orientação familiar

Educação em saúde é fundamental para assegurar não só o entendimento do cliente, como também de sua família, sobre os problemas relacionados ao uso crônico de álcool. Assim como é imprescindível a orientação do paciente sobre o seu problema, a família, parte integrante dessa disfunção, precisa ser informada e encaminhada para um tratamento mais intensivo, se necessário. 

Em qualquer dos níveis de comprometimento que o indivíduo apresente, é essencial trabalhar os conceitos de síndrome de dependência e abstinência alcoólica, com objetivo claro de desenvolver, nesse sistema familiar, a análise crítica sobre seu papel nesse transtorno, como também promover sua mudança de pensamento e comportamento. 

Trabalhar a autoestima e a importância da desintoxicação, assim como a prevenção da recaída, são estratégias a serem adotadas nessa fase inicial do tratamento, não só com o paciente, como também com seu sistema familiar e social.

Como falar sobre álcool com os filhos

Reconhecendo que os pais exercem grande influência sobre o consumo precoce dos filhos, foram desenvolvidas algumas dicas para conversar sobre o assunto em casa. A idade ideal para começar a falar sobre os efeitos do álcool é a partir dos nove anos de idade.

· Dê o exemplo: Se você bebe, não cometa exageros. Não se gabe por beber nem menospreze aqueles que não bebem. Não dirija embriagado nem seja tolerante com quem o faz. Se você não bebe, converse sobre o álcool e explique o que motivou sua opção.

· Seja realista: Apresente fatos concretos. Os efeitos imediatos e nocivos da bebida são os principais argumentos. Ensine que o álcool atrapalha o desenvolvimento físico, mental, social e espiritual.

Processo terapêutico

O processo terapêutico é o momento onde o paciente passa por cuidados efetivos exercidos pela equipe multiprofissional tendo por finalidade o tratamento dos sintomas de sua doença e a manutenção e garantia de sua continuidade no tratamento tendo o suporte adequado para este fim, visando sua recuperação e melhora. 

É neste momento também que estão lado a lado a equipe multidisciplinar e os familiares do paciente, juntos pelo mesmo objetivo - o da melhora e qualidade de vida do paciente. 

Diante desde complexo cotidiano, as ações dirigidas às famílias devem estruturar-se de modo a favorecer e fortalecer a relação familiar/profissional/serviço, entendendo que o familiar e fundamental no tratamento dispensado ao doente.

Durante o processo terapêutico onde os familiares estão inseridos e participantes, conseguem lidar com menos apreensão e assim oferecer cuidados de melhor qualidade ao doente, principalmente quando estão inseridos em reuniões e/ou grupos de família ou em outros processos, sendo estes espaços propícios para a reflexão, discussão, escuta, troca de vivências, angústias e orientações, constituindo-se estes como efetivos espaços privilegiados de atendimento familiar.

Os pacientes sofrem e suas famílias também necessitam ser atendidas pela equipe respeitando sua forma de constituição, porem levando em consideração os vínculos estabelecidos e a dinâmica funcional, reconhecendo e respeitando suas limitações, procurando trabalhar preconceitos e outras formas de entendimento da situação problema do paciente.

A relação familiar é o sustentáculo e a base para uma boa estrutura emocional para o paciente, tanto para a prevenção de uma crise, quanto para sua manutenção e recuperação, fato pelo qual se torna essencial sua participação em todos os processos terapêuticos no qual o paciente esteja inserido, o que irá propiciar uma melhor adequação do tratamento e consequente melhora.

O papel da escola

A adolescência é como uma etapa de transição, um período psicossociológico entre a infância e a vida adulta do sujeito, fruto da organização da nossa sociedade tal como a conhecemos. Um dos fatores mais marcantes durante a adolescência é a busca dos jovens por um grupo que os defina. 

Ainda que durante a adolescência a família continue ocupando um lugar preferencial como contexto socializador, à medida que vão se desvinculando de seus pais, as relações com os companheiros ganham em importância, em intensidade e em estabilidade e o grupo de iguais passa a ser o contexto de socialização mais influente. Esse fenômeno acontece basicamente na convivência escolar diária.

Prevenção no contexto escolar

A escola, por ser um elemento de presença forte para os jovens e - juntamente com a família - responsável pela educação destes de forma global, tendo as ferramentas necessárias para proporcionar prevenção ao uso de drogas.

O trabalho com drogas pode vir a ser feito em três níveis - prevenção, repressão e tratamento. A prevenção divide-se em duas etapas: prevenção primária que procura desestimular a primeira experiência dos não iniciados e a prevenção secundária que busca prevenir o aprofundamento do uso experimental. 

A prevenção coloca-se portanto como imperativo desse processo já que o tratamento de pessoas já em dependência é longo, difícil, aleatório e caro. Quanto mais precoce, maiores são as possibilidades de eficácia da mesma.

Ela pode vir a seguir vários modelos: princípio moral (uso de drogas como algo condenável do ponto de vista ético e moral), amedrontamento (enfatiza aspectos negativos e perigosos das drogas), conhecimento científico (propõe fornecimento de informação de modo imparcial e científico), educação afetiva (modificação dos fatores predisponentes ao uso de drogas), estilo de vida saudável e pressão de grupo positiva (o grupo como fator de proteção do jovem contra as drogas).

Quando se considera a prevenção no contexto escolar deve-se dar ênfase no investimento da formação de profissionais qualificados, bem treinados e habilidosos para lidar com as demandas da instituição. 

Deve também buscar envolver o corpo escolar inteiro e colocar o adolescente como participante ativo do processo de elaboração dos projetos utilizando linguagem acessível e escutando o que ele tem a dizer sobre sua realidade.

Na impossibilidade de excluir as drogas do domínio social há que se trabalhar visando à construção de profissionais mais preparados para enfrentar os problemas causados por elas. A prevenção entra, portanto como parte da formação dentro do ambiente escolar.

É papel do psicólogo escolar/educacional junto ao corpo discente da escola a elaboração, desenvolvimento e acompanhamento de projetos de prevenção ao uso de drogas. Deve ainda trabalhar junto a projetos que visem à construção de uma identidade pessoal (autoestima, socialização, disciplina, organização) e participação social (conscientização de papéis sociais e cidadania responsável).

O trabalho deve ser realizado junto ao jovem buscando valorizar as nuances de seu caráter e propiciar um ambiente favorável para que elabore os possíveis fatores relativos ao seu contexto social ou sua subjetividade que possam vir a influir na procura pelo uso de entorpecentes. 

Os grupos que geralmente servem como meio de iniciação do uso de drogas podem vir a ser revertidos favoravelmente e servir como fator de segurança contra o uso de drogas.
O papel da religião

Religião na dependência química

Profissionais da saúde, pesquisadores e a população em geral reconhecem, cada vez mais, a importância da dimensão religiosa e espiritual para a saúde. Diversos estudos científicos sobre as relações entre saúde e espiritualidade estão presentes em diversos centros de pesquisas espalhados pelo mundo e esses estudos apontam que crenças e práticas religiosas estão associadas a uma melhor saúde física e mental, incluindo melhor qualidade de vida. 

Semeia-se corpo natural, ressuscitará corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual. 1 Coríntios 15:44

Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido. 1 Coríntios 2:15

Porque desejo ver-vos, para vos comunicar algum dom espiritual, a fim de que sejais confortados; Romanos 1:11

Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual; Colossenses 1:9

Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo. Colossenses 2:8

Há um consistente e diversificado corpo de evidências indicando a relevância da religiosidade e da espiritualidade na saúde mental, de tal maneira que discutir ou pesquisar se essa relação benéfica entre espiritualidade e saúde é válida ou não já está ultrapassada.

Em relação à saúde mental, existem milhares de pesquisas. A maior parte sugere uma associação do envolvimento religioso com maiores níveis de satisfação de vida, tais como:

· Sensação de bem estar;
· Senso de propósito;
· Significado da vida;
· Esperança;
· Otimismo;
· Estabilidade nos casamentos;
· Menores índices de ansiedade e depressão;
· Menores índices de abuso de substâncias.

Outros estudos demonstram que pessoas com envolvimento religioso têm menor probabilidade de:

· Usar e abusar de álcool e drogas,

· Apresentar comportamentos de risco, como o sexo sem proteção, delinquência e crime, especialmente os adolescentes.

Ainda entre os adolescentes, o envolvimento religioso também é relacionado a menores taxas de suicídio e de atividade sexual precoce e consequente gravidez prematura.

O que nos cabe hoje, em ciência moderna, como profissionais de saúde mental, é encontrar as nossas dificuldades em lidar com esses assuntos na prática diária. Essas dificuldades passam por tópicos desde carência de treinamento em temas dessa natureza até os sistemas de crenças diversos de cada profissional, que podem gerar dificuldades em lidar com as crenças religiosas dos pacientes.

Os conceitos de religiosidade e espiritualidade

Espiritualidade e religião parecem a mesma coisa. Mas não são.

Antes de iniciar o estudo sobre o tema, é de extrema importância definir os conceitos de espiritualidade e religiosidade, uma vez que existe um infindável debate epistemológico na utilização desses conceitos.

Há várias definições para esses dois vocábulos, mas apresentamos aquelas que nos parecem mais simples e mais perto do que consideramos adequado:

· Espiritualidade é uma busca pessoal pela compreensão das questões da vida, de seu significado e da relação com o sagrado e o transcendente, podendo ou não conduzir ou originar rituais religiosos e formação de comunidades.

· Religião é um sistema organizado de crenças, práticas, rituais e símbolos, destinados a facilitar a proximidade com o sagrado e o transcendente: Deus ou uma força superior, nominadas ou não.

Religião desenvolve espiritualidade

Na literatura em geral, ainda há controvérsia se a religião é benéfica ou prejudicial. O que se procura avaliar é se a forma como o indivíduo interpreta ou pratica sua religião é funcional ou disfuncional.

A prática religiosa funcional é aquela que facilita o desenvolvimento da personalidade como um todo, ao mesmo tempo em que encoraja relacionamentos construtivos e interdependentes com outras pessoas. 

Também ajuda a pessoa a aceitar a realidade, sendo fonte de inspiração para o uso de recursos disponíveis no ser humano, com o objetivo de atingir alvos nobres. 

Ao contrário, a prática religiosa disfuncional é negativa e visa ao controle social por meio da culpa, do medo e da vergonha. Encoraja os seguidores a adotarem uma atitude de superioridade, de intolerância e de julgamento perante aqueles que possuem ideias contrárias. 

Pequenos temas se transformam em importantes e exigem a suspensão da razão. Porém, muitas pessoas sentem grande apoio e orientação, segurança e clareza nesse ambiente, pois não precisam tomar decisões morais, deixando-se guiar com fé e confiança.

Prática religiosa funcional

· Reduz a ansiedade existencial.
· Fonte de esperança e sensação de bem estar emocional.
· Promove coesão social.
· Fornece identidade ao unir pessoas em torno de um ideal comum.
· Orientação moral que diminui estilo de vida autodestrutivo.
· Sensação de controle ao se unir com uma força onipotente.
· Diminui a ansiedade da morte.
· Desperta segurança para enfrentar dor e sofrimento.
· Fonte de solução de conflitos emocionais e situacionais.

Prática religiosa disfuncional

· Gera culpa patológica.
· Diminui a autoestima.
· Gera ansiedade e medo por meio de crenças punitivas.
· Obstáculo para o crescimento pessoal.
· Favorece o conformismo e a sugestionabilidade.
· Inibe a expressão de sensações sexuais.
· Fonte de paranoia.

Espiritualidade, religiosidade e recuperação de dependentes químicos

Impossível falar de espiritualidade como tratamento de dependência química sem falar de Alcoólicos Anônimos, bem como de seu posterior desdobramento, a irmandade de Narcóticos Anônimos. 

São seguramente os primeiros a falarem em espiritualidade para seus membros, gente com uma história de sofrimento absurdo em função de sua toxicodependência/alcoolismo, desvinculando esse conceito de um modelo tradicional de religião. Isso pode ser verificado no próprio preâmbulo de AA:

Alcoólicos anônimos é uma irmandade de homens e mulheres que compartilham suas experiências, forças e esperanças a fim de resolver o seu problema comum e ajudarem outros a se recuperarem do alcoolismo. O único requisito para se tornar membro é o desejo de parar de beber. 

Para ser membro de A.A. não há necessidade de se pagar taxas nem mensalidades somos autossuficientes graças às nossas próprias contribuições. A.A. não está ligado a nenhuma seita ou religião, nenhum movimento político, nenhuma organização ou instituição não deseja entrar em qualquer controvérsia; não apoia nem combate quaisquer causas. Nosso propósito primordial é mantermo-nos sóbrios e ajudar outros alcoólicos a alcançarem a sobriedade.

Essas características podem ser responsáveis pela imensa capacidade de agregar em um mesmo espaço pessoas tão diferentes. Mas outra relação menos conhecida do Programa de Doze Passos está de fato intimamente ligada ao convívio religioso, visto que algumas das ideias que perduram até hoje se originaram dos grupos de Oxford. 

Eles praticavam rendição absoluta, direção de suas vidas por um Espírito Santo, compartilhar experiências, companheirismo, mudança de vida, fé e oração. Apontaram para padrões absolutos de Amor, Pureza, Honestidade, e eliminação total do egoísmo que foram introduzidos nos primeiro grupos de AA em Akron, Cleveland e Nova Iorque. Acima de tudo no grupo existia um companheirismo: "O Companheirismo Cristão do Primeiro Século." Levavam sua mensagem aos outros. Reuniam-se em igrejas, universidades, e lares.

Em 1932 e 1933, um homem chamado Rowland Hazard, filho de um Senador e proprietário bem sucedido de um engenho da Ilha de Rhode, tinha se tornando um alcoólico sem esperança e foi procurar ajuda com um psiquiatra de fama mundial, Carl Jung. Jung falou que não havia nenhuma esperança para ele ali, que voltasse para casa e que talvez encontrasse essa ajuda em algum grupo religioso. 

Foi o que fez e ingressou no Grupo de Oxford nos Estados Unidos e tornou-se sóbrio. Ensinaram-lhe certos princípios que ele aplicou a sua vida. Este relato está documentado no Livro Azul (O livro texto de Alcoólicos Anônimos).

Aqui estão preceitos de A.A.:

1. Admitimos somos impotentes.
2. Seremos honestos conosco mesmos.
3. Falaremos sobre isso com outra pessoa.
4. Faremos reparação a quem prejudicamos.
5. Levaremos essa mensagem a outros de graça.
6. Oramos a um Deus como nós o entendemos.

Percebam portando a semelhança dos princípios espirituais dos grupos Oxford com os atuais princípios dos Doze Passos de AA e NA.

Ora o Deus de esperança vos encha de todo o gozo e paz em crença, para que abundeis em esperança pela virtude do Espírito Santo. Romanos 15:13

E, levando-os à sua casa, lhes pôs a mesa; e, na sua crença em Deus, alegrou-se com toda a sua casa. Atos 16:34

Interação com líderes religiosos

Por vezes pode ocorrer oposição entre questões religiosas e o tratamento oferecido. Nestes casos pode ser de grande valia contar com o líder religioso, depois de autorizado pelo paciente, nunca com postura de confrontamento, mas sempre tentando trabalhar em conjunto. Normalmente ao perceber postura não hostil e atuação colaborativa, o líder passa a estimular a adesão da paciente ao tratamento.

Critérios sugestivos de experiências espirituais saudáveis

· Ausência de sofrimento psicológico.
· Ausência de prejuízos sociais e ocupacionais.
· Existe uma atitude crítica sobre a realidade objetiva da experiência.
· Existe compatibilidade da experiência com algum grupo cultural ou religioso.
· Ausência de comorbidades.
· A experiência é controlada.
· A experiência gera crescimento pessoal.
· A experiência é voltada para os outros

Tratamentos com abordagem religiosa e espiritual

A APA (Associação Psiquiátrica Americana) recomenda que os psiquiatras respeitem e considerem com relevância a identidade cultural, espiritual e religiosa dos pacientes ao decidir por um tratamento. Esclarece que as crenças religiosas e espirituais podem ser importantes fontes de esperança e significado. 

Cita o programa de 12 passos, com uma dimensão espiritual, como importante para o tratamento. Considera que as comunidades religiosas e espirituais facilitem a reintegração social e oferecem estabilidade, inspiração e apoio prático para os membros mentalmente doentes.

A fé como proteção à recaída

Os indivíduos de menos idade são os que menos atribuem à espiritualidade e à religiosidade o caráter de fator protetor para manter-se longe das drogas. Eles são os que mais cedo fazem uso de substâncias de dependência e que também usam um número maior no que se refere à diversidade de substâncias. Entretanto, vários pesquisadores concluem que quanto maior a importância dada à religião, menor o envolvimento com drogas. 

Ainda que existam outros fatores que contribuam para a mudança de conduta dos dependentes químicos, é a espiritualidade desenvolvida ao longo de alguns meses, através do contato com a informação religiosa, que os faz permanecer no caminho da abstinência - pessoas que há mais de dois anos estão abstêmios demonstram uma estreita relação com a religião professada e a ela atribuem o principal fator da manutenção da abstinência.

Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá pela fé. Romanos 1:17

E Jesus, respondendo, disse-lhes: Tende fé em Deus; Marcos 11:22
(Porque andamos por fé, e não por vista). 2 Coríntios 5:7
Guardando o mistério da fé numa consciência pura. 1 Timóteo 3:9
Sabendo que a prova da vossa fé opera a paciência. Tiago 1:3
Disseram então os apóstolos ao Senhor: Acrescenta-nos a fé. Lucas 17:5
Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar. Gálatas 3:23
De sorte que os que são da fé são benditos com o crente Abraão. Gálatas 3:9

As questões que tratam do apoio de membros da instituição religiosa têm significativa relevância, confirmando que a religião não promove apenas a abstinência do consumo de drogas, mas, em especial, oferece recursos sociais de reestruturação: nova rede de amizades, ocupação do tempo livre em trabalhos voluntários, atendimento “psicológico” individualizado, valorização das potencialidades individuais, coesão do grupo e apoio incondicional dos líderes religiosos, sem julgamentos.

A religiosidade controla indiretamente as atitudes frente ao consumo de drogas através da percepção do perigo de usar. Em especial, os aspectos de suporte social oferecido pela igreja ficam mais evidentes, pois realiza um forte acolhimento, demonstra mais zelo, preocupação e cuidado com os seus membros. A importância da igreja como suporte social também é destacada por algumas pessoas em recuperação.

Na igreja, o fiel passa a seguir as regras adotadas e passa a respeitar as normas e valores determinados pela religião. Naturalmente essas normas levam a um distanciamento das drogas, devido à conscientização gradual da degradação moral associada ao seu uso e também pelo receio da rejeição por parte dos outros membros da igreja. 

A gratidão que o dependente químico tem pela instituição religiosa, apoiado na fé, afasta-o de atitudes e comportamentos que não estejam de acordo com a moral difundida pela religião. 

O papel da oração 

Pesquisas demonstram que a oração parece ser a ferramenta mais adotada para evitar a fissura e lidar com as dificuldades, uma vez que 80,0% dos dependentes fazem orações nessas ocasiões. 

Este aspecto demonstra que a devoção pessoal, expressa essencialmente pelas orações dirigidas a Deus, mostra-se inversamente associada ao abuso e à dependência das drogas e é o principal método de tratamento da síndrome de abstinência e de qualquer sintoma de recaída associada à fissura.

É utilizada sempre que surge a vontade de usar e sempre que os dependentes sentem necessidade de “conversar com Deus”. A oração atua também como um ansiolítico, pois além de promover a fé, é nesse momento que o indivíduo divide suas angústias, sua luta diária contra a vontade de consumir drogas, confiante na resposta que terá do Divino. 

O despertar da fé 

Fica claro que a busca pela fé está diretamente ligada à história de dependência química, pois quando questionados sobre “em que momento da sua vida sentiram necessidade de procurar uma religião ou desenvolver sua espiritualidade” a maioria relata que foi no pior momento que tiveram quando ainda usavam drogas. 

Observa-se também que esses momentos estão ligados a rupturas drásticas na já frágil estabilidade emocional dos dependentes tais como: brigas e separação familiar, perda de emprego, perdas financeiras, discriminação generalizada, isolamento, etc. 

Outro fator importante de estresse durante a dependência química é o tratamento e internação psiquiátrica, 40% dos sujeitos sentiram necessidade de buscar apoio religioso/espiritual nesse momento da vida. 

Assim, a religião influencia o modo como as pessoas lidam com situações de estresse, sofrimento e problemas vitais. A religiosidade pode proporcionar à pessoa maior aceitação, firmeza e adaptação a situações difíceis de vida, gerando paz, autoconfiança e perdão, além de permitir o despertar de uma imagem mais positiva de si mesmo.

É notório, porém, que esse despertar para fé, não acontece apenas por uma situação única e isolada, mas como a “gota d’água”, isto é, parte dos recorrentes conflitos causados pelo consumo de drogas, que na maioria das vezes é decorrente de uma desestruturação existencial e comportamental. 

Quando inquiridos sobre qual a importância que a fé teve na recuperação de sua doença pode-se dizer que muitos dependentes encaram a fé como a salvação de suas vidas e como suporte indispensável para alcançar a abstinência e conseguir manter-se assim. Esses são aspectos responsáveis pelo sucesso de programas que abordam a espiritualidade/religiosidade no tratamento contra as drogas.

Aproximar a espiritualidade ao tratamento convencional ainda representa uma tarefa muito difícil para a psiquiatria. Entretanto, todo indivíduo tem a necessidade de ser tratado como pessoa completa num contexto biológico psicológico sociológico e espiritual. 

Talvez se o tratamento psiquiátrico ao qual são submetidos tiver, em algum momento, um aporte espiritual, estejamos na verdade conseguindo abordar da forma mais abrangente possível todos os recursos capazes de levar à recuperação.

E isto digo, conhecendo o tempo, que já é hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé. Romanos 13:11

De modo que, tendo diferentes dons, segundo a graça que nos é dada, se é profecia, seja ela segundo a medida da fé; Romanos 12:6

Portanto, é pela fé, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa seja firme a toda a posteridade, não somente à que é da lei, mas também à que é da fé que teve Abraão, o qual é pai de todos nós, Romanos 4:16

O Papel da Espiritualidade

Um dos textos que mais me ajudam como aprender a verdadeira e autêntica espiritualidade é a carta de São Paulo aos gálatas. Ele nos recorda a beleza da nossa vocação, deste caminho espiritual que devemos percorrer e que devemos sempre ter presente na vida. “Fostes chamados para a liberdade?’ Somente quem busca a autêntica liberdade se aventura no caminho espiritual”.

Paulo diz que os que vivem os frutos da carne não podem entrar no reino de Deus. Não é necessário termos todos os frutos da carne, é suficiente ter um que nos domine, para não termos acesso à mesma vivência do reino. Um fruto influencia toda a nossa vida e nos escraviza. Os frutos do Espírito, que são o sinal do autocontrole e do senhorio de nós mesmos, nos fazem entrar na verdadeira liberdade. 

Quais são estes frutos do Espírito? Os frutos do espírito são: caridade, alegria, paz, longanimidade, afabilidade, bondade, fidelidade, mansidão, continência. Contra estes não há Lei. (Gl 5, 22-23)

Aqueles que vivem estes frutos do espírito não tem mais lei porque são orientados pelo amor e quem ama sabe que jamais poderá fazer o mal nem a si mesmo e nem aos outros. João, na sua visão de liberdade e de plenitude da vida, ensina que quem chega no cimo do monte encontra somente a honra e a glória de Deus, e que para o justo não há lei. O justo tem uma única lei que o orienta, o amor. Este não lhe permite mais ser escravo de nada e de ninguém.

O caminho da verdadeira espiritualidade é um processo de libertação interior onde tudo está debaixo do poder da nossa liberdade e que nada mais poderá nos impedir de sermos livres no nosso agir. Na espiritualidade então percebemos que é necessário superar as ideologias mágicas que não realizam nada em nós. 

Por exemplo, a espiritualidade dos perfumes, das cores, do incenso queimado ou das novenas feitas somente pelo intuito de receber a graça e nada mais. São espiritualidades vazias e sem fundamento. É preciso que o Espírito encontre em nós uma resposta e se faça carne. 

Deus nos dá um espaço de tempo para viver a nossa espiritualidade e somente neste espaço de vida que somos chamados a realizar o seu projeto de amor. Não há nada de reencarnação e de caminhos de volta para nos purificar e chegar assim à iluminação. 

É aqui e agora que a nossa vida deve se realizar. Não há outras vidas e nem outra existência a não ser a vida eterna que se conquista no dia a dia duro e difícil do nosso carregar a cruz, e na luta sem trégua contra o mal que está dentro e fora de nós.

Mas afinal o que é espiritualidade? É um estilo de vida pautado pelo evangelho que visa a imitar a pessoa de Jesus. Seremos espirituais quando pudermos dizer com sinceridade como Paulo apóstolo: não sou mais eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim.

A espiritualidade é uma dimensão da pessoa humana que traduz, segundo diversas religiões e confissões religiosas, o modo de viver característico de quem busca alcançar a plenitude da sua relação com o transcendental. 

Cada uma das referidas religiões comporta uma dimensão específica a esta descrição geral, mas, em todos os casos, se pode dizer que a espiritualidade traduz uma dimensão do homem, enquanto é visto como ser naturalmente religioso, que constitui, de modo temático ou implícito, a sua mais profunda essência e aspiração.

Espiritualidade pode ser definida como um sistema de crenças que engloba elementos subjetivos, que transmitem vitalidade e significado a eventos da vida. Essa crença pode mobilizar energias e iniciativas extremamente positivas, com enorme potencial para melhorar a qualidade de vida. As implicações da espiritualidade na saúde vêm sendo estudadas cientificamente e documentadas em centenas de artigos.

A religião é uma das formas de se praticar a espiritualidade, embora não seja a única. E não existem religiões melhores do que outras, uma vez que todas as linhas têm um ponto em comum, que é a orientação para a busca do sentido de cada ser, da compreensão do significado das experiências vividas, da transmissão do amor, do perdão, da compaixão e da bondade.

A prática da espiritualidade é um exercício diário e permanente para cada pessoa. Consiste, basicamente, na busca pelo contato com seu eu interior, com a sua essência e também na procura pela conexão entre esse eu interior e o universo em que está inserido. Não tem que ser religiosa nem tradicionalista e pode constituir-se por breves momentos. É conquistada gradualmente, ao longo de toda a vida.

Exercícios para o desenvolvimento da espiritualidade independentemente da religião ou em complemento a ela. Cada uma das atividades sugeridas emana força vital e é nesse aspecto que deve estar focada.

· Contato com a natureza
· Prática de atividade física, em ambiente natural
· Relaxamento e meditação
· Expressão criativa por meio de escrita, canto, dança, pintura
· Oração
· Música suave e tranquilizante
· Consciência focada nos pensamentos, sentimentos e sensações corporais, buscando contato profundo com a própria essência espiritual

“A espiritualidade não pode ser esquecida, pois é ela que nos faz humanos”

Somos seres complexos, misteriosos, emotivos, belos, enigmáticos. Há em cada um de nós uma profundidade que não conseguimos alcançar. Estamos sempre questionando nossa própria essência, o sagrado e o universo. Além disto, temos necessidade de significado e sentido para a vida. 

Por possuir toda esta complexidade, o homem é considerado um ser biopsíquico, social e espiritual. Na verdade, estas são divisões didáticas para representar a totalidade humana. As dimensões físicas, psíquicas e sociais são muito estudadas. Mesmo sendo a maior força geradora de sentido, a espiritualidade e sua influência nos processos de saúde ou no contexto da doença, só recentemente despertaram interesse científico.

As vivências espirituais não são menos reais do que as necessidades biológicas e sociais. Podem trazer novo sentido e reorganização à vida. Por vezes, transformam aspirações, desejos e motivações e despertam valores universais como empatia, ética, compaixão e amor incondicional. Mais ainda, são experiências subjetivas da consciência que integram pensamento, sensação, intuição e emoção. Por isto, gera um potencial de mobilização de todo o sistema psico-neuroendócrino.

Por meio do que os cientistas chamam de eixo neuropsíquico, todos os aspectos da consciência, sejam eles espirituais, cognitivos ou emocionais agem sobre o corpo. Em outras palavras, o corpo se manifesta respondendo a todos os pensamentos, emoções, desejos e crenças.

As vivências espirituais geralmente causam um aumento do bem-estar emocional e psíquico, diminuem o senso de perda de controle e isolamento social. Assim, a espiritualidade pode nos auxiliar a enfrentar e superar as situações difíceis em nossas vidas, dando-nos a segurança que não estamos sós.

O papel dos grupos de mútuo ajuda

Alcoólicos Anônimos e Narcóticos Anônimos são irmandades mundiais de homens e mulheres que se ajudam mutuamente a permanecerem sóbrios. Eles oferecem a mesma ajuda a qualquer um que tenha um problema com a bebida/drogas e queira parar. Por serem todos dependentes químicos, eles tem uma compreensão mutua especial. Sabem como essa doença os atinge – e aprenderam como se recuperar dentro de A.A /N.A.

Cada grupo realiza reuniões regulares, nas quais os membros relatam entre si suas experiências - geralmente em relação aos "DOZE PASSOS" sugeridos para a recuperação, e às "DOZE TRADIÇÕES" sugeridas para as relações dentro da Irmandade e com a comunidade de fora. 

Muitas pessoas não aceitarão a nossa mensagem. As pessoas que estão no “caminho fácil que leva para o inferno” não se mostrarão entusiasmadas em submeter-se aos passos claramente definidos no caminho para a recuperação. Mas, para aqueles que ouvirem, a nossa história poderá ser a diferença entre a vida e a morte.

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