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8/23/2015

Cristal, minha cadela com asas como os anjos


... Cristal está a meia dúzia de passos de mim. Não consigo vê-la, mas ouço seus latidos daqui da minha casa e meu coração chora de tristeza e saudades. As lembranças vem aos borbotões; impossível controlar e isso vai me deixando muito, muito triste. 

Sempre tive muitos cães, cada um com caráter diferente, mas sempre amigos; mas como a Cristal nenhum foi igual. Sua docilidade, apego,carinho foram combustível para que suportasse a dor e a impossibilidade de reter a minha mãe junto a mim infinitamente mesmo sabendo que era impossível tal ato e ela tinha que partir aos 103 anos de idade. 

Nessas horas, Cristal, tão tímida e frágil, tornava-se a minha fortaleza e me enchia de coragem cobrando a minha companhia, fazendo assim que eu pudesse suportar por mais um tempo o que já estava determinado por Deus. Fazia-se de engraçada, obrigava a apanhar as bolinhas de brinquedo e assim o tempo ia passando. 

Dentro da dor havia momentos em que eu ria com as estrepolias da minha Cristal. Hoje só escuto seus latidos na casa onde vive. Não sei se está sentindo frio, se está com fome ou se lhe falta o alimento principal: o amor. Pode ser que lhe deem alguma atenção mas tenho certeza que não será igual e intensa como a que eu lhe proporcionava. 

Pode parecer piegas mas eu amo essa criatura com a maior intensidade que se pode amar um animal. O que me faz chorar é saber que ela é mais uma no plantel desse canil. Não faz a diferença. Cristal é uma cachorrinha com asas como os anjos.

Postado por Olinda Mattos de Almeida às 4:45 PM (80 anos de idade)

8/17/2015

Nove sinais precoces de demência

Um quadro de demência vai muito além da perda de memória - essa condição complicada é marcada por uma série de sintomas, especialmente no início. Mas eles podem ser sutis e nem sempre fáceis de reconhecer. Então, como saber se você ou um ente querido está mostrando sinais de Alzheimer ou outra forma de demência? 

De acordo com especialistas, qualquer alteração que seja diferente do comportamento habitual de uma pessoa pode ser um motivo de preocupação. Dê uma olhada em alguns dos primeiros sinais de demência e saiba reconhecer o problema precocemente:

Não compreender sarcasmo

"Em um quadro de demência pode haver comprometimento da função da porção dorso-lateral dos lobos frontais, onde se processa a avaliação dos significados emocionais", explica a neurologista Sandra Cristina Mathias, do Hospital Bandeirantes. 

Assim, a pessoa com esse tipo de dificuldade não consegue compreender o conteúdo implícito de um sarcasmo. Também é comum essas pessoas não conseguirem interpretar um provérbio e outras frases que contenham sentido figurado - as mensagens passam a ser literais, ou seja, sem significado emocional.

Quedas e tropeços frequentes

Esse quadro pode acontecer por três fatores principais: comprometimento das funções que controlam tarefas visuo-espaciais, das funções de controle do equilíbrio e postura ou comprometimento da área cerebral responsável por planejar e executar o movimento. "Em algumas demências esses sintomas já ocorrem nas fases iniciais, em outras, significam um estágio mais avançado", lembra a neurologista Sandra.

Quando as funções visuo-espaciais são afetas, a pessoa pode sentir dificuldade de perceber a posição de um objeto com relação a outros ou com ela própria. Sem saber exatamente qual a distância entre ela e o objeto, o risco de tropeçar ou esbarrar aumenta. 

"Se há comprometimento do equilíbrio e postura, o paciente está mais suscetível a quedas, uma vez que o ato de caminhar e se movimentar se torna mais difícil", afirma o neurologista André Felício, do Hospital Israelita Albert Einstein.

Comportamento inapropriado

"O comportamento desinibido está relacionado ao comprometimento da função das regiões cerebrais responsáveis pela tomada de decisão baseada na emoção e ponderadas pela flexibilidade e comportamento social", afirma a neurologista Sandra. 

Nesses casos, a pessoa pode apresentar um comportamento desinibido e impulsivo, sem considerar o que é socialmente apropriado. "Pode ocorrer a perda do juízo e crítica, gerando desrespeito das leis, atos de impulsividade, irritabilidade, hipersexualidade, euforia e até mudança de hábitos alimentares."

Esquecer a função de objetos

O idoso com demência muitas vezes mostra dificuldade em utilizar objetos comuns e de realizar tarefas motoras em sequências. Por exemplo: a pessoa sabe o que é uma chave e sabe o que é uma fechadura, mas não sabe executar a sequência que liga um objeto a outro. 

"Ela não consegue ligar as áreas do cérebro responsáveis por seguir os passos, como pegar a chave, colocar na fechadura, girar a chave etc", diz o neurologista André. Em outros casos, a pessoa reconhece a chave, mas não se lembra para que ela serve - no caso, abrir fechaduras. 

Outro exemplo é a incapacidade de fazer gestos que tenham um significado pré-definido, como o sinal de silêncio, acenar para dar oi ou levantar o polegar em sinal positivo.

Incapacidade de reconhecer objetos ou pessoas

O paciente com demência pode ter dificuldade em reconhecer objetos e pessoas através da visão, apesar desta não ter sido comprometida. Dependendo do grau da lesão, a pessoa pode inclusive não reconhecer mais rostos. 

Muito além de esquecimentos simples, como quando a palavra "foge" da nossa cabeça, um quadro de demência impossibilita a pessoa de reconhecer objetos e situações presentes no cotidiano e pessoas que ela vê com frequência.

Prostração e perda da empatia

"O paciente pode desenvolver déficit de atenção e de interação com o mundo que o cerca", explica a neurologista Sandra. Um reflexo comum desse déficit é a prostração - ou seja, a pessoa passa minutos ou até horas focada em um mesmo objeto ou no horizonte, ignorando as manifestações externas.

O comportamento apático também interfere no relacionamento com as pessoas. "O idoso perde o interesse pelo que ocorre em sua volta, não identifica as emoções de seus familiares e, por conseguinte, não reage a elas", ressalta Sandra. 

Esse desinteresse e falta de empatia causa isolamento social, uma vez que o paciente passa a ignorar os sentimentos de seus familiares e pessoas próximas. "É comum, antes que haja o diagnóstico, que os familiares se sintam magoados com o idoso, imaginando que esse comportamento é falta de sensibilidade ou egoísmo."

Comportamento ritualístico

Comportamento ritualístico. Também é uma manifestação inapropriada que se associa ao comprometimento das regiões fronto-orbitárias. Ocorre pela perda do juízo e crítica e pela inflexibilidade e dificuldade de tomada de decisões.

Problemas com o manejo das finanças

Finanças

O idoso com demência não tem capacidade de gerir suas finanças. Vários fatores estão envolvidos. Dentre eles citamos a dificuldade de tomada de decisões, a inflexibilidade de pensamento, dificuldade de raciocínio lógico e de cálculo e o próprio déficit de memória.

Dificuldade de expressão da linguagem

A dificuldade de expressão da linguagem - seja oral ou escrita - pode ser precoce em alguns tipos de demência e bem mais tardia em outras. É comum o paciente sofrer com a perda da comunicação, que pode ser a fala ou o entendimento de uma mensagem. 

Segundo o neurologista André, no primeiro caso o paciente pode entender o que você fala, mas é incapaz de se expressar pela linguagem falada, e no segundo ele consegue se expressar de todas as formas, mas não entende o que lhe é dito. Em alguns cenários, o idoso pode se expressar e compreender a linguagem falada, mas não reconhece as palavras escritas ou tem dificuldades para escrevê-las.

No caso de comprometimento no grupo compreensão, é importante que a família fica atenta aos sinais que ela pode apresentar, pois é muito difícil reconhecer essa dificuldade. Geralmente, a pessoa não responderá as perguntas de forma adequada, e falará sobre assuntos que não estão sendo discutidos no momento.

8/01/2015

Alcoolismo e tabagismo em idosos

Rev. bras. geriatr. gerontol. vol.14 no.4 Rio de Janeiro Oct./Dec. 2011



O envelhecimento populacional está ocorrendo de forma rápida, principalmente em países em desenvolvimento, levando a importantes desafios sociais e econômicos. A prevalência de doenças crônico-degenerativas reforça a necessidade de ações eficazes no sentido de promover melhor qualidade de vida aos idosos.

Embora o envelhecimento seja um processo natural, leva o organismo a várias alterações anatômicas e funcionais, com repercussões nas condições de saúde e nutrição do idoso. Associadas às alterações decorrentes do envelhecimento, mudanças como aposentadoria, perda de amigos, solidão e isolamento social, deixam os idosos vulneráveis e mais propensos a intensificação de hábitos menos saudáveis, como o consumo abusivo de álcool e o tabagismo.

Alcoolismo e tabagismo no idoso

De acordo com alguns estudos epidemiológicos, cerca de um terço da população idosa começa a fazer uso do álcool tardiamente. São comuns os problemas relacionados ao abuso do álcool em indivíduos maiores de 60 anos, mas por serem pouco reconhecidos são denominados por alguns autores de "epidemia invisível".

Estudos realizados em amostras clínicas evidenciaram um aumento significativo do uso de álcool na população idosa. As pesquisas mostram que 6 a 11% dos pacientes idosos admitidos em hospitais gerais apresentam sintomas de dependência alcoólica, inclusive as estimativas de admissão por alcoolismo nos serviços de emergência se equiparam às admissões por infarto. Apesar disto, a equipe hospitalar reconhece menos casos de alcoolismo em idosos do que em pacientes mais jovens.

O consumo excessivo de álcool interfere de várias maneiras na nutrição adequada do idoso, pois compete com os nutrientes desde sua ingestão até sua absorção e utilização. Quanto maior a participação do álcool na dieta, menor a densidade e qualidade nutricional da alimentação.

O tabagismo é considerado um relevante problema de saúde pública em todo o mundo. As estimativas são de que 1/3 da população mundial adulta seja fumante, com prevalência de 47% na população masculina e 12% na população feminina. A mortalidade mundial, por doenças associadas ao fumo, atinge cerca de 4,9 milhões de mortes por ano, o que representa 10 mil mortes por dia.6 O hábito de fumar está particularmente associado em usuários de bebidas alcoólicas, predispondo o indivíduo a importantes alterações na capacidade visual e cognitiva, causando sofrimento pessoal, familiar e alto custo social.

Além da nicotina, um alcaloide com propriedades psicoativas, existem no cigarro mais de 4.500 substâncias químicas com efeitos cancerígenos, mutagênicos, tóxicos e irritantes. O consumo de tabaco está associado ao aumento do risco de diversas doenças do aparelho gastrointestinal, designadamente: câncer do esôfago, do estômago, do pâncreas, do fígado e do cólon, refluxo gastroesofágico, úlcera péptica gástrica e duodenal e doença de Chron.

O tabagismo influencia também nos processos metabólicos, pois fumantes geralmente pesam em média 4 kg a menos que não fumantes; alterações essas resultantes de um aumento da taxa metabólica concomitante a uma supressão do apetite.

Diante do exposto, este artigo tem por objetivo verificar a prevalência do alcoolismo e tabagismo em idosos residentes em Porto Alegre e estabelecer sua relação entre a ingestão alimentar diária e o nível socioeconômico, de acordo com o sexo, grupo etário, escolaridade, renda, situação e composição familiar.

METODOLOGIA

Este é um estudo transversal de base populacional em idosos (60 anos ou mais) da cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. Esta pesquisa fez parte do Projeto Estudo Multidimensional dos Idosos de Porto Alegre (EMIPOA), que foi desenvolvida pelo IGG/PUCRS. O tamanho da amostra foi calculado em 1.092 idosos, baseando-se no número de indivíduos avaliados em estudo anterior (1995), para cada bairro da cidade de Porto Alegre, atualizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de acordo com as estimativas de variação populacional para 2005. 

Os entrevistados foram recrutados de forma estratificada por região censitária, sendo sorteada a primeira residência e escolhidas as demais de forma sistemática. Foi aplicado um questionário com dados socioeconômicos e de saúde por profissionais treinados do Serviço Social da PUCRS, nas residências escolhidas.

Neste estudo, relacionaram-se as respostas das perguntas direcionadas para o uso de álcool e cigarro, situação familiar, dados socioeconômicos e número de refeições diárias dos idosos. As perguntas relacionadas ao alcoolismo foram as do questionário SRQ-A (Self-Reporting Questionnaire). O SRQ-A é composto por cinco questões para rastreamento de transtornos pelo uso de álcool e é um questionário aprovado pelo WHO (World Health Organization).

O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, conforme parecer nº 0502935, e todos os idosos assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido antes de responderem ao questionário. Durante o estudo, foram cumpridos os princípios éticos contidos na Declaração de Helsinki. Os dados foram digitados no programa Excel e analisados com o pacote estatístico SPSS versão 17.0. A associação do alcoolismo e tabagismo com as variáveis socioeconômicas e número de refeições foi testada pelo Qui-Quadrado, considerando significativos os valores de P inferiores ou iguais a 0,05.

RESULTADOS

O total de idosos que responderam a todas as questões requeridas para este estudo foi de 832. Destes, 592 (71,2%) eram mulheres e 240 (28,8%) eram homens. A faixa etária mais prevalente foi a dos 60 aos 69 anos, tendo um total de 373 (44,8%) idosos, seguido de 319 (38,3%) idosos com idade entre 70 e 79 anos e 140 (16,8%) idosos com 80 anos ou mais. A distribuição dos idosos segundo sexo, faixa etária, escolaridade, renda, situação e composição familiar e refeições diárias está relacionada com o uso de álcool e cigarro.

De acordo com a análise estatística, houve uma diferença significativa quando se relacionou a variável sexo com o uso de álcool (P<0 11="" 16="" 1="" 20="" 4="" 60-69="" a="" alcoolistas="" am="" anos="" apenas="" cigarro="" de="" div="" dos="" e="" em="" encontraram="" entre="" escolaridade="" et="" faixa="" foi="" fumantes="" grau="" homens="" idosos.="" idosos="" maior="" maioria="" mais="" ncia="" o="" onde="" outra="" pelos="" possu="" preval="" que="" rela="" respectivamente.="" ria="" s="" se="" significativa="" tabagistas="" vari="" vel="">

A relação familiar também mostrou ser significativa (P<0 13="" 46="" a="" abusivo="" alcoolistas="" cigarro.="" com="" de="" div="" e="" familiar="" fumantes="" idosos="" indicou="" lcool="" maior="" n="" naqueles="" nbsp="" ncia="" o="" possuem="" preval="" quando="" que="" rela="" relacionada="" respectivamente.="" ser="" uso="">

Considerando a composição familiar desses idosos, ou seja, com quem eles moram, não houve diferença significativa quando se verificou a prevalência de alcoolistas e fumantes, pois a mesma proporção foi encontrada naqueles idosos que moram sozinhos, com familiares ou com não familiares. Já em relação às refeições diárias, verificou-se que a prevalência de idosos alcoolistas e fumantes foi maior dentre aqueles que faziam apenas de 1 a 2 refeições diárias, 5,6% e 28,1%, respectivamente.

DISCUSSÃO

Poucos são os estudos que relatam o impacto do uso de álcool e cigarro na vida dos idosos, especialmente nos países em desenvolvimento, como o Brasil, onde a população idosa vem crescendo aceleradamente.

Do ponto de vista da Saúde Pública, os cinco mais importantes fatores de risco para doenças crônicas não-transmissíveis são o tabagismo, o consumo de álcool, a obesidade ou sobrepeso, a hipertensão e a dislipidemia.

O tabaco é um dos mais potentes agentes carcinogênicos para o ser humano e seu consumo, assim como a exposição à fumaça produzida pelo fumante, é identificado como a maior causa passível de prevenção de doenças. O consumo aumentado de álcool está associado à hipertensão arterial, à cirrose, ao acidente vascular hemorrágico e aos cânceres da orofaringe, laringe, esôfago e fígado.

Os dados deste estudo relatam a prevalência de idosos alcoolistas e/ou fumantes na cidade de Porto Alegre, RS. A proporção de fumantes entre os homens (20,8%) foi maior do que entre as mulheres (13,0%), assim como quando relacionado com o alcoolismo, encontraram-se mais homens alcoolistas (11,7%) do que mulheres (0,7%). 

Em um estudo feito na Coreia, observou-se que a proporção de homens alcoolistas e fumantes era bem maior do que entre as mulheres. Outro estudo em Lubeck, Alemanha, revelou que idosos acima de 64 anos que deram entrada em hospitais foram diagnosticados como dependentes alcoólicos em 17,7% do sexo masculino e 4,2% do sexo feminino.

Em um estudo feito em Bambuí (MG) e Belo Horizonte (MG), também encontrou-se um número maior de homens idosos fumantes, 31,4% e 19,6%, respectivamente, enquanto 10,3% e 8,1% das mulheres eram fumantes. O autor relata que a menor prevalência do tabagismo observada entre as mulheres idosas deve ser analisada com cautela, uma vez que esse hábito tende a aumentar entre as mulheres mais jovens.

A escolaridade também mostra estar relacionada ao uso de álcool e cigarro, sendo 4,7% e 16,1% que possuíam apenas o 1° grau eram alcoolistas e fumantes, respectivamente. Estes dados estão de acordo com outros estudos populacionais. Assim como a pobreza está intimamente relacionada a vários comportamentos que afetam a saúde, neste estudo se observou que 17,4% e 4,9% dos idosos que possuíam uma renda mensal familiar de até dois salários eram fumantes e alcoolistas. 

No Reino Unido, por exemplo, os mais pobres fumam e bebem mais e têm uma dieta menos adequada. O mesmo resultado foi encontrado em Goiânia para os fumantes. Silva et al. encontraram em seu estudo maior uso de álcool e "drogas ilícitas" no grupo que apresentava maior renda familiar mensal.

A associação do alcoolismo e tabagismo com a ingestão alimentar neste grupo demonstrou que os idosos tinham uma média de uma a duas refeições diárias. Esse número de refeições por dia é considerado insuficiente para atender à demanda energética nesta população, visto que o número de refeições preconizado pelo guia alimentar para a população brasileira é de cinco a seis refeições diárias. 

São frequentemente encontradas carências graves de vitaminas e minerais em indivíduos que consomem uma elevada porcentagem de calorias na forma de álcool, bem como desnutrição energético-proteica, visto que no álcool há uma oferta de calorias vazias, o que sempre compromete a qualidade nutricional da dieta de alcoolistas.

Alguns trabalhos têm demonstrado que o tipo de bebida alcoólica ingerida pode ser um fator que influencia os níveis séricos de homocisteína, vitaminas e ácido fólico. Recente estudo sugeriu que o alcoolismo crônico está acompanhado por perturbação do metabolismo de aminoácidos sulfurados e que a hiper-homocisteinemia etanol-induzida através de aguardente de cana-de-açúcar pode ser acompanhada de níveis séricos baixos de folato, agravando o estado nutricional destes pacientes.

Quanto ao tabagismo e sua implicação no consumo alimentar, tem sido demonstrado em estudos experimentais que a nicotina e a exposição à fumaça do cigarro podem levar à perda de peso e a diminuição do consumo alimentar.

A relação entre o tabagismo e a ingestão alimentar é extremamente complexa. A nicotina além de altamente tóxica tem ação estimulante e também depressiva sobre o sistema nervoso central, cujos efeitos são mediados pela liberação de catecolaminas, influenciando na regulação do apetite e ou no comportamento alimentar. O estudo mostrou que 13,3% e 46,7% dos idosos que não tem relação familiar, são alcoolistas e tabagistas, respectivamente, sendo que 18,1% dos tabagistas vivem sozinhos. 

Estes dados levam a crer que ser usuário de álcool e fumo pode levar as pessoas a se afastarem umas das outras. Uma pessoa solitária tende a beber cada vez mais como meio de fugir da realidade e afastar a solidão. Em estudo realizado com jovens estudantes universitários, usuários de álcool e tabaco apresentaram maior satisfação em relação à frequência de lazer fora de casa do que não-usuários.

A presença de um grupo familiar estável, seguro e de confiança é fundamental para manter boas relações familiares e evitar perdas em todos os sentidos, envolvendo bem-estar físico, social e emocional.

O presente estudo possui limitações metodológicas, entre as quais podemos citar: 

(1) como se trata de um estudo transversal, não é possível definir com precisão o que é causa e o que é efeito, para tais comprovações são necessários estudos longitudinais; 
(2) destacam-se as perdas amostrais decorrentes da dificuldade de obter os dados completos dos pacientes; 
(3) mesmo garantindo o sigilo, alguns pacientes podem não ter revelado o uso de álcool ou tabaco. Independentemente dessas limitações, os achados desta pesquisa corroboram os resultados encontrados na literatura.



CONCLUSÃO

Os idosos muitas vezes se tornam mais vulneráveis ao uso de álcool e tabaco, e isso aos poucos poderá gerar um grande problema populacional, já que o número de idosos no mundo está aumentando. Eles fazem parte de uma classe que apresenta vários problemas de saúde, uso de muitos medicamentos, que, combinados com as substâncias nocivas presentes no fumo e álcool, tornam os idosos mais susceptíveis a interações, agravamento do quadro instalado, dificuldade de recuperação e interação social.

Apesar de existirem vários estudos sobre o tabagismo e alcoolismo, ainda são poucos os que investigam as tendências e consequências desses hábitos entre a população idosa. Ações de saúde, políticas de prevenção e intervenção devem ser planejadas, utilizando uma abordagem integrada com o social, o psicológico e o biológico, visando a diminuir o consumo abusivo do álcool e o tabagismo, bem como prevenir seus malefícios à saúde.



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Talita Gandolfi 




Epidemiologia do uso de álcool e drogas entre idosos

O uso do álcool e outras drogas entre idosos é um tema que vem preocupando os profissionais da área da saúde devido a um aumento observado no número de admissões em unidades de pronto-atendimento e busca por tratamento associados ao uso dessas substâncias. No entanto, faltam estudos científicos que avaliem esta questão de forma abrangente. Os idosos dificilmente reconhecem o uso de substâncias como problemático e resistem a engajar em tratamentos.

Os autores revisaram dados epidemiológicos publicados sobre uso de álcool e substâncias na terceira idade (coorte de indivíduos acima de 60 anos), na literatura relevante entre os anos de 2011 e 2012. 

Com relação ao padrão de consumo do álcool, o termo “uso nocivo” ou “de risco” é empregado para indicar um padrão de utilização que expõe o sujeito a maior propensão a prejuízos físicos e psicológicos. Para indivíduos com 65 anos ou mais, saudáveis, e que não estejam fazendo uso de medicamentos, o National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism (NIAAA)* recomenda que não bebam mais que 3 doses** por dia para evitar problemas, sendo que não se deve ultrapassar 7 doses por semana. Ademais, para a Sociedade Americana de Geriatria, o consumo de 5 ou mais doses de álcool em uma mesma ocasião é definido como “beber pesado episódico” (BPE). 

De acordo com dados do National Surveys on Drug Use and Health (NSDUH 2005-2007), abuso/dependência de álcool e sintomas de dependência foram relatados por 11% dos adultos com idades entre 50 e 64 e quase 7% entre aqueles com mais de 65 anos. De 15,4% a 20% dos idosos norte-americanos relataram que fizeram uso de álcool no último ano, sendo que a grande maioria apresentou sintomas subsindrômicos de dependência (12% a 12,5%), ou seja, reportou quase todos os sintomas necessários para definir o transtorno. 

Entre estes sintomas, os mais relatados foram a tolerância (48%) – a necessidade de doses crescentes para atingir o mesmo efeito obtido com doses anteriormente inferiores ou efeito cada vez menor com uma mesma dose da substância –, e muito tempo é gasto em atividades necessárias para a obtenção do álcool e para recuperar-se de seus efeitos (37%). 

O padrão de “beber de risco” foi mais prevalente entre idosos do sexo masculino, com co-ocorrência de um ou mais transtornos associados (por exemplo, depressão) e maiores chances de sofrer quedas ou acidentes decorrentes do uso de álcool. Por exemplo, mais de 8% dos idosos homens na Finlândia relataram consumir 5 ou mais doses de bebida no último ano, comportamento este compatível com BPE. Já na Ucrânia, o diagnóstico de abuso e dependência do álcool foi elevado entre homens com mais de 50 anos, embora não tenha sido significativamente associado à depressão. 

No Brasil, os dados de uma pesquisa nacional*** são preocupantes: 12% dos entrevistados com mais de 60 anos foram classificados como bebedores pesados (consumo de mais de 7 doses por semana), 10,4% como bebedores pesados episódicos (considerado por este estudo como o consumo de mais de 3 doses em uma única ocasião) e quase 3% foram diagnosticados como dependentes. 

Na revisão bibliográfica, verificou-se que o padrão BPE e os transtornos relacionados ao álcool (abuso e dependência) em idosos estão mais associados ao sexo masculino e ser economicamente desfavorecido. Em paralelo, as idosas representam um subgrupo que merece atenção específica, já que para elas a progressão do uso à dependência tende a ocorrer mais rapidamente e as consequências adversas iniciam-se mais precocemente. Além disso, as idosas estão especialmente mais propensas que os homens a utilizar medicamentos de prescrição como tranquilizantes, analgésicos, sedativos, estimulantes e antidepressivos.

Em suma, os autores enfatizam a necessidade de avaliar sistematicamente todos os idosos em relação ao uso de álcool e drogas de prescrição por meio de instrumentos simples de rastreamento nas consultas rotineiras. Para este grupo, pode ser necessário diminuir o limiar diagnóstico para detectar o uso nocivo de substâncias e implementar programas de tratamento consistentes com suas necessidades específicas. Como os dados sobre a prevalência crescente de uso de substâncias entre idosos se referem àqueles de países desenvolvidos, os autores recomendam análises transculturais para estimar a prevalência global, compreender a amplitude do problema e as diferenças entre regiões desenvolvidas e em desenvolvimento.

* Special Populations & Co-occurring disorders. National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism (NIAAA). Disponível em: http://www.niaaa.nih.gov/alcohol-health/special-populations-co-occurring-disorders/older-adults. Data do último acesso: 06/09/13.

** Dose: segundo o NIAAA, 1 dose contém aproximadamente 14 g de álcool puro, o equivalente a 1 lata de cerveja de 355 ml, 1 taça de vinho de 150 ml ou 1 dose de destilado de 45 ml.

*** Castro-Costa E, Ferri CP, Lima-Costa MF, Zaleski M, Pinsky I, Caetano R, Laranjeira R (2008). Alcohol consumption in late-life - the first Brazilian National Alcohol Survey (BNAS). Addict Behav, 33(12), 1598-1601.

Uso de álcool por idosos

Projeto SABE - Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento, São Paulo, Brasil

Problemas de saúde associados ao uso de álcool e outras drogas entre idosos são geralmente relacionados às mudanças fisiológicas próprias do avançar da idade, como maior sensibilidade a tais substâncias, aumento do número de condições comórbidas e uso concomitante de medicamentos. Por outro lado, diversas pesquisas apontam para potenciais efeitos benéficos do consumo de álcool em níveis leves a moderados*. 

Na tentativa de melhor entender esse aparente paradoxo, estudos sobre o consumo de álcool entre idosos vêm sendo amplamente realizados em diferentes países; porém, pouco se sabe sobre o comportamento de beber dos idosos brasileiros. Sendo assim, um estudo analisou os dados do Projeto SABE** referentes à cidade de São Paulo, com o objetivo de caracterizar o consumo de álcool em idosos por meio da avaliação da frequência de uso nos últimos três meses, determinação de fatores sociodemográficos e de saúde associados, e possíveis mudanças no comportamento de beber desses idosos após um período de seis anos.

No ano de 2000, foram entrevistados 2.143 indivíduos com idade igual ou superior a 60 anos, dos quais 1.115 responderam à pesquisa novamente em 2006. A frequência de consumo de álcool nos últimos 3 meses foi obtida por autorrelato dos idosos à pergunta: “Nos últimos 3 meses, em média, quantos dias por semana tomou bebidas alcoólicas? (Por exemplo: cerveja, vinho, aguardente ou outras bebidas que contenham álcool)”. 

Foram utilizadas três categorias de frequência de uso de álcool: baixo consumo (menos de 1 dia por semana); consumo moderado (de 1 a 3 dias por semana) e alto consumo (4 dias ou mais por semana). Os indivíduos que permaneceram no estudo até 2006 foram comparados quanto à categoria que pertenciam na primeira entrevista, verificando se houve permanência ou mudança no padrão de consumo e os potenciais fatores associados. 

Os resultados demonstram que, em 2000, quase 80% da amostra de idosos relatava baixo consumo de álcool, 13% eram bebedores moderados e 7% apresentaram alto consumo. Homens bebiam proporcionalmente mais quando comparados às mulheres e aqueles que relataram alto consumo também apresentavam maior nível de escolaridade, renda e boa autopercepção de saúde. 

Ao longo dos 6 anos, o aumento observado no consumo de álcool foi associado positivamente à boa autopercepção de saúde para os homens e a maior nível de escolaridade para mulheres. Aqueles que mantiveram sua frequência de consumo estável, independente do gênero, apresentavam altos níveis de renda e escolaridade. 

Apesar da maioria dos idosos relatar uma baixa frequência de ingestão de álcool, 25% dos homens e 15% das mulheres se comportaram como bebedores estáveis ou referiram aumento no consumo de bebidas após 6 anos. Os autores do estudo sugerem que tal impacto positivo para o uso de álcool poderia estar relacionado ao aumento de informações referentes aos benefícios do consumo moderado dessa substância divulgadas nos últimos anos. 

Conclui-se, a partir deste estudo e com base em dados de outros países, que as políticas direcionadas ao consumo de álcool também devem contemplar a terceira idade, uma vez observadas as tendências para o aumento do uso dessa substância nessa população.


* O uso moderado é um conceito difícil de ser estabelecido, na medida em que países e instituições de pesquisa consideram diferentes quantidades de álcool para uma dose-padrão. O National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism (NIAAA) considera consumo moderado ou de baixo risco aquele que não ultrapassa os seguintes limites: para homens, no máximo 4 doses em um único dia e não mais que 14 doses por semana; para mulheres, no máximo 3 doses em um único dia e não mais que 7 doses por semana. 

Mesmo dentro desses limites, alerta-se que o indivíduo pode ter problemas se beber muito rapidamente ou tiver outros problemas de saúde, e que algumas pessoas devem evitar completamente o consumo de álcool (por exemplo, aqueles que planejam dirigir um veículo automotor ou operar máquinas, mulheres grávidas ou que estão tentando engravidar, indivíduos que fazem uso de medicamentos cujos efeitos possam interagir com o álcool ou que tenham alguma condição médica que pode ser agravada pelos efeitos do álcool). Segundo o NIAAA, 1 dose contém aproximadamente 14 g de álcool puro, o equivalente a 1 lata de cerveja de 355 ml, 1 taça de vinho de 150 ml ou 1 dose de destilado de 45 ml.

** Conduzido pela Organização Pan Americana da Saúde (OPAS) em 2000, o Projeto SABE (Saúde, bem estar e envelhecimento) é um estudo multicêntrico que visou traçar o perfil das condições de vida e saúde de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos em sete centros urbanos da América Latina e Caribe. 

Em São Paulo, ele é desenvolvido pelo Núcleo de Apoio à Pesquisa em Envelhecimento – NAPSABE, no Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, com apoio financeiro da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Ministério da Saúde.

É comum o idoso tornar-se alcoólatra?

por Danilo Baltieri


Meu avô de 70 anos começou a beber muito há três anos. Ele tem apresentado tremores nas mãos quando não bebe. Minha família faz vistas grossas sobre o problema. Eu estou preocupada com o problema.
"... pessoas idosas apresentam menor tolerância aos efeitos do etanol, quando comparado a adultos jovens. Isso pode significar maiores efeitos psíquicos e físicos deletérios para o idoso que consome uma mesma quantidade de álcool do que um adulto jovem"Resposta: Independentemente da idade, o consumo inadequado de substâncias psicoativas deve ser considerado uma importante causa de problemas físicos e psiquiátricos. Pessoas idosas têm alguns fatores predisponentes para o abuso de certas substâncias psicoativas, principalmente o álcool e medicações hipnóticas e sedativas.
Como a nossa população vem envelhecendo, nós seguramente encararemos um crescente número de pessoas mais maduras procurando “sensações” físicas e psíquicas através do uso de drogas. Para algumas delas, essa busca é uma forma de lidar com uma série de perdas do passado; para outras, é uma maneira de lidar com dores e sofrimentos físicos e psíquicos relacionados com a idade. Além disso, para outras pessoas ainda, é uma continuação de um padrão de consumo inadequado de substâncias que iniciou em tempos idos e que permanece na atualidade, sem adequado tratamento e manejo médicos. Alguns estudos europeus apontam uma prevalência de 5 a 12% de abuso/dependência de álcool entre idosos nos seus 60 anos.

Alguns autores têm classificado os alcoolistas idosos em três diferentes grupos:

a) alcoolistas idosos de início precoce: são aqueles que já apresentavam problemas com o consumo de bebidas bem antes dos 60 anos de idade e continuaram o consumo ao longo da vida;

b) alcoolistas idosos de início tardio: são aqueles que começaram a apresentar problemas com o consumo de bebidas alcoólicas tardiamente, comumente categorizado como depois dos 60 anos de idade, muitas vezes após o falecimento de um ente querido, perdas diversas mas significativas para a pessoa, solidão, sensação de estar sendo um peso para a sua família, etc;

c) alcoolistas idosos do tipo “binge drinkers”: são aqueles que bebem ocasionalmente grandes quantidades de álcool, o que lhes causa notáveis problemas.
De fato, modificações abruptas do estilo de vida, tais como aposentadoria e redução das atividades sociais, são fatores contribuintes para o desenvolvimento de problemas emocionais reativos. Isolamento e solidão são fatores extremamente importantes. Somando esses fatores com problemas de saúde típicos dessa fase da vida, o consumo de bebidas pode parecer opção atraente para muitos deles.

Também, pessoas idosas podem começar a beber ou aumentar o consumo de álcool para induzir o sono, reduzir a sensação de dor física e aliviar a ansiedade.

É importante lembrar que pessoas idosas apresentam menor tolerância aos efeitos do etanol, quando comparado a adultos jovens. Isso pode significar maiores efeitos psíquicos e físicos deletérios para o idoso que consome uma mesma quantidade de álcool do que um adulto jovem. Essa redução da tolerância se deve à redução da razão água versus gordura corporal, diminuição do fluxo sanguíneo hepático, redução da atividade das enzimas hepáticas, alteração do funcionamento neuroquímico, dentre outros fatores.

O álcool deprime o funcionamento cerebral, prejudicando a coordenação motora e memória, o que pode provocar quedas e confusão mental. Pode também provocar alterações do humor como: irritabilidade, labilidade emocional e comportamentos agressivos.

É importante notar que idosos costumam fazer uso de diferentes tipos de medicações prescritas. Efeitos colaterais de muitas dessas medicações podem ser recrudescidos devido ao consumo concomitante de etanol. Além disso, interações farmacológicas entre o álcool e as medicações utilizadas são sempre uma preocupação para os cuidadores.

O tratamento de idosos alcoolistas precisa ser baseado em evidências científicas de sucesso. Também, é necessário adequada ênfase na melhora da qualidade de vida, maior interação social e suporte social. Acredito que programas específicos para alcoolistas idosos devam ser desenvolvidos ao redor do país, da mesma forma como serviços especializados em adolescentes dependentes químicos por exemplo. Trata-se de fato de população com necessidades especiais. Logo, uma equipe especializada e disposta a atender esse grupo de doentes é amplamente necessária.

Cuidando dos idosos

Quem são?

Cuidar dos idosos é um assunto importante à geração de hoje que tem entre 45-65 anos de idade. Estatísticas atuais sugerem que muitos dos trabalhadores de hoje vão viver mais do que a expectativa de vida anterior. O governo americano projeta que cerca de 20 milhões de idosos com mais de oitenta e cinco anos de idade vão fazer parte da população dos Estados Unidos no ano de 2050. 

Isso é um acréscimo de quase 17 milhões de idosos quando comparamos os três milhões que estavam vivos em 2000. No início do século 20, menos de cinco milhões de americanos chegaram à idade de sessenta e cinco. Em 2005, quase quarenta milhões de homens e mulheres estão chegando ou ultrapassando a idade de sessenta e cinco.

Cuidando dos idosos – O que está envolvido?

Cuidar dos idosos tem muitas faces e é geralmente emocionalmente difícil para o que cuida. A situação exige que perdão seja dado livremente e mágoas passadas sejam deixadas para trás. Aquele que cuida (geralmente filho ou filha) é quem tem que superar coisas do passado e seguir para frente para que a ajuda possa ser de alta qualidade. 

Problemas não resolvidos durante os anos mais jovens e de produtividade provavelmente não serão encarados agora quando os pais têm que enfrentar tantos outros problemas que surgem por ficarem mais velhos. Cuidar dos idosos geralmente envolve o seguinte:

  • Fornecer uma casa
  • Oferecer ajuda e apoio jurídico
  • Ajudar com as responsabilidades financeiras
  • Considerar cuidados de enfermagem em casa
  • Lidar com a saúde mental e questões médicas relacionadas ao envelhecimento, como a demência, a doença de Alzheimer, etc.
  • Cuidar de suas necessidades de socialização
  • Ajudar os idosos a tomarem decisões, incluindo decisões sobre sua morte, ou seja, testamento, procurações, etc.

Como assumir esta enorme responsabilidade? Você será capaz de ver além das mágoas antigas à medida que você cuida dos preparativos necessários para cuidar de seus pais idosos? Como você vai ajudar um membro idoso da sua família a lidar com o declínio da saúde e envelhecimento e ao mesmo tempo preservar sua dignidade? Como você vai enfrentar os desafios que surgem com a tarefa de cuidar de idosos?

Cuidando de idosos - Onde encontrar ajuda?

Minha mãe foi diagnosticada com um tumor cerebral maligno em junho de 2005. O médico previu que ela iria viver 1 ano se tivesse radiação ou 2 meses sem os tratamentos. Ela escolheu os tratamentos.

Como a pessoa responsável por minha mãe, eu tinha que cuidar da tarefa de levá-la aos tratamentos de radiação e às consultas médicas. Também cuidei de suas refeições e limpei a sua casa porque ela não era mais capaz de fazê-lo. Minha mãe perdeu a capacidade de andar e o controle do seu braço direito, por isso ela dependia de mim para a maioria das tarefas diárias. 

Em janeiro, ela teve um derrame que mudou o resto de sua vida. Ela não podia sair da cama, então tive que alimentá-la, trocar sua roupa e dar-lhe banho. Exceto nos fins de semana quando meu pai estava em casa, eu tinha responsabilidade total por suas necessidades.

Que tipo de conselhos devo dar a pessoas que estão assumindo esse papel?
Se você estiver cuidando de um ente querido com uma doença terminal, eu gostaria de encorajá-lo a considerar uma casa de repouso. Ela é uma organização maravilhosa e eu descobri que eles não só cuidavam de minha mãe, mas também de toda a nossa família.


Outro aspecto importante do atendimento é tirar uns dias de folga quando possível. Cuidar de um ente querido é uma enorme responsabilidade, e você precisa de um descanso dessas demandas. Durante sete meses, eu cuidei de minha mãe sem qualquer tipo de folga. Eu não aconselharia ninguém a fazer isso. Essa responsabilidade é muito difícil, não só fisicamente, mas também mental e emocionalmente. 


Dependa de Deus para ter forças. Eu dependi de Deus para enfrentar cada dia e eu aprendi a viver minha vida um dia de cada vez. Quando alguém está nessa situação, você nunca sabe o que cada dia trará. Houve dias quando me sentei perto da cama da minha mãe lendo a Bíblia e orando, porque isso nos deu um certo grau de conforto. 

Quando ela já não podia se comunicar, eu dependi de Deus para que Ele traduzisse o que ela estava tentando me dizer. Tudo que eu podia fazer era pedir por sabedoria para saber como fazê-la o mais confortável possível. Sem Deus, eu nunca poderia ter aguentado essa pressão. 

Ore. Às vezes, eu não podia orar mais do que "Oh Deus, ajude-nos!". Deus pode ser o seu refúgio e fortaleza também; tudo o que você tem a fazer é pedir. 


Concentre-se no que é eterno. Quando minha mãe faleceu, eu tinha paz porque eu sabia que ela estava nas mãos de Deus. Eu sabia disso porque a minha mãe tinha aceitado o presente de salvação que só Jesus pode dar.

Depois de ter passado por essa temporada de cuidar de minha mãe, o melhor conselho que posso dar é deixar que Deus seja o seu tudo. Ele pode te ajudar a passar por qualquer situação, por mais difícil que ela seja. Basta clamar a Ele. Só Deus pode acalmar a sua ansiedade e dar a paz e garantia de vida após a morte. Em João 14:1-3, 27, podemos ler estas palavras: "Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. 

Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também. Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize".

Deus quer derramar Sua paz em suas circunstâncias mais difíceis.

7/31/2015

Game pode melhorar capacidade cognitiva de idosos

Jogo multitarefas modifica o cérebro, diz pesquisa da revista 'Nature'. Idosos chegaram a superar resultados de jogadores mais jovens.

Um grupo de cientistas criou um videogame capaz de medir e reparar a deterioração neuronal relacionada ao envelhecimento, informou a revista científica britânica "Nature" nesta quarta-feira.

Segundo a pesquisa da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, o cérebro de uma pessoa idosa é mais flexível do que se acredita. Com treinamento concreto é possível evitar que diminuam com a idade algumas aptidões como atenção, memória e capacidade de realizar várias tarefas ao mesmo tempo.

Para comprovar a hipótese, os cientistas pediram que um grupo de especialistas em tecnologia e entretenimento projetasse um jogo de corrida, que recebeu o nome de "NeuroRacer", no qual o jogador poderia ter uma única tarefa ou várias ao mesmo tempo.

"Uma das condições do videogame foi que os jogadores estivessem expostos a distrações durante as partidas para analisar sua atenção e sua capacidade de realizar múltiplas tarefas", explicou Adam Gazzaley, chefe do projeto.

Após testar o jogo com um grupo de pessoas entre 20 e 79 anos, os pesquisadores concluíram que os participantes mais velhos tinham mais dificuldades para superar a versão com várias tarefas simultâneas.

Posteriormente, eles concentraram a avaliação em pessoas entre 60 e 85 anos e as dividiram em diversos grupos para que jogassem versões diferentes do "NeuroRacer" três horas por semana durante um mês.

Assim, os cientistas conseguiram comprovar que o grupo que jogou a versão multitarefas do "NeuroRacer" melhorou sua capacidade de desempenhar duas funções simultâneas que demandam atenção.

Após seis meses de treinamento contínuo, os idosos não só melhoraram essa capacidade mas também chegaram a superar os resultados dos jovens de 20 anos que não tinham treinado dessa forma.

“Eu gosto da ideia de que seja possível intervir no processo de envelhecimento das pessoas, e que os mais velhos possam melhorar suas capacidades cognitivas jogando”, disse Gazzaley.

Para demonstrar seus resultados, a equipe de cientistas da Califórnia também mediu a atividade cerebral dos participantes através de eletroencefalogramas, tanto antes como depois dos treinos.

“O jogo provocou mudanças no cérebro”, declarou o cientista em referência à maior atividade que se registrou nas ondas “theta” do cérebro dos participantes, associadas à memória plástica e à capacidade de aprendizagem.

Segundo o pesquisador da Califórnia, o treino contínuo com o “NeuroRacer” também trouxe melhoras para a memória de trabalho e para a atenção dos idosos.

"Esta é uma prova importante que confirma o que se pode conseguir com estes tratamentos, como diagnosticar deficiências neuronais e melhorar as capacidades cognitivas do cérebro", acrescentou o chefe do projeto.

Embora Gazzaley reconheça que ainda há muito trabalho pela frente, já foram iniciadas novas pesquisas, também com videogames, para estudar este tipo de tratamentos em jovens e crianças.

7/25/2015

Cães terapeutas: veja como eles auxiliam a saúde e o bem-estar

Alegres, inteligentes, companheiros e, acima de tudo, dotados de uma qualidade que nós, humanos, ainda não fomos capazes de desenvolver: dispostos a amar incondicionalmente a qualquer um, independente da aparência física, estado psicológico ou humor. 

Os cachorros são assim mesmo - vão chegando e distribuindo afeto ao menor sinal de interação. E é com base neste comportamento que a Terapia Assistida por Cães auxilia na recuperação de diversos públicos, como crianças internadas, com distúrbios psicológicos ou cognitivos, idosos em asilos e dependentes químicos em reabilitação.

Companheiros e dispostos a dar afeto a quem quer que seja, os cães terapeutas ajudam a melhorar o bem-estar de crianças, idosos e dependentes químicos

A técnica é muito difundida em outros países, especialmente nos Estados Unidos e Europa, em países como Itália, Bélgica, Alemanha e Espanha. No Brasil, o trabalho vem crescendo, especialmente nas regiões Sul e Sudeste. O cão é o animal mais utilizado para este tipo de trabalho por ser mais adaptável. “Ele é o animal mais próximo do ser humano, é fácil de adestrar e transportar. Ele entra como motivador para as práticas terapêuticas”.

Já existem estudos que comprovam benefícios fisiológicos no ser humano quando em contato com os animais. Na TAC, os bichinhos atuam com uma equipe multidisciplinar, com fisioterapeutas, psicólogos, adestradores e outros profissionais, com o objetivo de trabalhar as relações afetivas entre paciente e animal, visando a melhoria do bem-estar. 

Crianças

O trabalho na TAC com crianças pode ser feito de duas formas – ou como visitas, ou como parte de uma terapia. O ato de brincar com os animais facilita o desenvolvimento de questões psicológicas e a estimulação cognitiva. “Ele é o motivador, vai transformar uma sessão em algo mais lúdico, quebrando o gelo entre o paciente e o terapeuta”, explica.

Ele ressalta que no caso das crianças internadas, o grande benefício é a quebra do ambiente frio, hospitalar e pouco acolhedor. “As crianças com câncer podem melhorar a imunidade, e as questões emocionais; as cardíacas, acabam tendo uma redução da pressão arterial; crianças com distúrbios psiquiátricos têm uma aproximação ao nosso mundo real e melhoras do quadro de depressão; as autistas melhoram a sociabilização, a partir da interação com os cães".

Na prática percebe-se a melhora de crianças em situação de vulnerabilidade social, que na maioria das vezes desenvolvem problemas psicológicos decorrentes de traumas experienciados nos primeiros anos de vida. “O foco principal é trabalhar a inclusão. O maior papel do cachorro é o vínculo que se cria, porque é muito difícil ter uma criança que não goste de bicho e os cães gostam da pessoa independente do que ela é.”

Uma criança que, por ter um grave problema de descamação na pele, se tornou tímida e não conversava com ninguém. “Quando ele cumprimentava as pessoas, não olhava na cara. Até que ele percebeu que o cachorro lambia a cara dela mesmo assim. Três ou quatro visitas depois, começamos a ser recebidas por ela com abraço e beijo”, acrescentando que o tratamento auxilia também na recuperação da autoestima.

Idosos

Muitos dos idosos que são institucionalizados têm muitas perdas de uma só vez, como a capacidade física, cognitiva, de amigos da mesma idade e da sociedade. “Com essas perdas, eles têm um isolamento afetivo. Afinal, ‘para que vou me ligar emocionalmente à pessoa que está do meu lado se ela pode falecer?’. O cachorro consegue trazer um ganho afetivo sem nenhuma perda”.

Com isso, o benefício mais visível é a motivação. “Por meio desse afeto conseguimos fazer intervenções terapêuticas como fisioterapia, a pedagogia para trabalhar a memória, e a psicologia para lidar com a questão das perdas. O cachorro resgata a motivação de viver”.

Os ganhos para os idosos são muitos. “Eles decoram os nomes de todos os animais e sentem falta quando algum não vem. Até o relacionamento deles melhora, quem nunca conversava acaba interagindo por causa do cachorro”.

Dependentes químicos em recuperação

Na TAC, o projeto foi pensado para a recuperação de dependentes químicos a partir da educação de cães. Tudo começa no abrigo da cidade de Cruzeiro, onde fica a clínica parceira. Alguns cachorros são selecionados e os próprios dependentes químicos participam do adestramento. “Com isso, eles trabalham questões como empatia, paciência, reforço positivo, expressão corporal, coisas que perderam por causa da droga. Ele vai voltar a trabalhar estes valores e reaprender essas habilidades sociais”.

Os cachorrinhos também são beneficiados, pois depois de treinados são colocados para adoção e reintegrados na sociedade – com isso, o valor social e a cidadania também são trabalhados com a pessoa que pretende abandonar as drogas. “Hoje, o cachorro de rua é um problema social e de saúde pública. Ele também foi colocado à margem da sociedade, privado da sua liberdade, assim como o dependente químico. Acaba acontecendo uma identificação e ambos vão conseguir se reintegrar”, conclui.

Pré-requisitos

Não existem raças mais propensas ao trabalho de cão terapeuta, no entanto, todos precisam preencher alguns pré-requisitos. O ideal é que sejam adultos, castrados, dóceis e sociáveis. Além de uma pré-avaliação para análise comportamental, eles passam por um treinamento para não agir agressivamente em hipótese nenhuma e não ter nenhum tipo de medo excessivo, pois isso aumentaria o estresse do animal.

Histórias felizes

Uma história vivenciada em projeto em parceria com o Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas: “Temos uma criança autista que hoje está bem mais sociável, consegue brincar com as outras crianças, interagir e entender a dinâmica familiar melhor”.

Outra história de sucesso é a do comerciante Gastão Cervi Machado, 37, que está internado na Casa Ágape há cerca de três meses para se livrar do vício do crack. Ele conta que quando a cadelinha Ester chegou à instituição, alguns profissionais disseram que ela não tinha o perfil para cão terapeuta. “Só que eu já tinha criado um vínculo com ela em apenas dez minutos de conversa. Senti que estava acontecendo com ela o que aconteceu comigo várias vezes, pessoas me dizendo que eu não era capaz”.

Hoje, ele acredita que a amizade com a cachorrinha e o trabalho de educação que está ajudando a desenvolver são a válvula de escape para a reinserção na sociedade, para ambos. “Ela também está lutando para voltar para a sociedade. O que procuramos na droga é o prazer, que hoje, consigo encontrar através dos animais”, comemora.

4/24/2015

Las adicciones en el adulto mayor: contexto actual


Introducción

Las drogas constituyen en la actualidad uno de los problemas de salud pública más importantes y tanto su consumo como las consecuencias derivadas del mismo son un tema de atención y preocupación prioritario para todos los países de nuestro entorno1.

En el mundo actual la drogodependencia afecta a millones de personas sin distinción de sexo, color de la piel, cultura o latitud. Las estadísticas de salud en el Mundo en el 2007, señalaron que el 8,9% de la carga de morbilidad se debía al consumo de sustancias psicoactivas como resultado de una amplia gama de problemas sanitarios y sociales. Las repercusiones nocivas del abuso de drogas, son parte de la cotidianidad en muchos países y van incidiendo desde el ámbito personal y familiar hasta el social, con secuelas en el deterioro de la salud, las relaciones interpersonales, el incremento de la marginalidad, la violencia y delitos múltiples1,2.

Estimados mundiales conservadores plantean que los años de vida perdidos por discapacidades asociadas a las drogas llegan a 59 millones en el tabaco, 58 millones en el alcohol y 20 millones en las drogas ilegales pese a que en estas últimas no se incluyen las incapacidades vinculadas a la criminalidad asociada y las cifras se hacen espeluznantes cuando a las mismas se suman los años perdidos por muertes precoces para integrar el nuevo indicador conocido como carga global de enfermedad (CGE), cuyas cifras respectivas para el tabaco, alcohol y sustancias ilícitas alcanzan 160, 120 y 50 millones de años, con una suma total de 330 millones que se pierden cada 12 meses 1,2,3. Reconocido como uno de los flagelos de la humanidad en el actual milenio 2 se expresa por la disminución en 15 años de la esperanza de vida en los adictos en general 3 y en el caso del tabaco la reducción de 9 minutos de vida por cada cigarrillo consumido3.

La Organizaciòn Mundial de la Salud (OMS) plantean que el uso, mal uso, abuso y dependencia de drogas legales, de prescripción, e ilegales, se relaciona mundialmente con el 12.4 % de los fallecimientos y el 8.9% del total de años perdidos 1,2. En países desarrollados se ha demostrado que el consumo de tabaco produce más muertes que la suma de las determinadas por el alcohol y todas las drogas ilegales, más los fallecidos por accidente de tránsito, homicidios, y suicidio.

En Estados Unidos de América, el consumo anual de dichas sustancias alcanza la cifra de 600 mil millones de cigarrillos, 200 mil millones de tazas de café y 50 mil millones de tragos fuertes ajenos al vino y la cerveza 4.

Por otra parte uno de cada siete nacidos vivos padecerá de alcoholismo y el 26,6 % general abusa o ha abusado de alguna sustancia que afecta la conciencia, mientras que 90 millones de personas han probado al menos una vez alguna droga ilegal. La mitad de los casos hospitalizados de adultos, se dedican a la atención de afecciones relacionadas con las drogas 5,6.

Otras realidades, son los estimados de que el consumo excesivo de café determina a escala mundial el 20% de las prescripciones anuales de hipnotranquilizantes y que el tabaco en igual período determina cinco millones de muertes, por lo que resulta más mortal que la suma de fallecimientos producidos por el SIDA , los suicidios y los accidentes de tránsito 6.

La repercusión económica global de este aspecto del estilo de vida, alcanza 200 mil millones de dólares, de los cuales la mitad se relaciona con el consumo irresponsable de alcohol. Estas cifras generalizables a la mayoría de los países desarrollados no son muy superiores a los reportados en América Latina donde la prevalencia de alcoholismo fluctúa entre 4 y 24 % de la población adulta y existen 30 millones de alcohólicos con una expectativa que rebasa los 40 millones a comienzos del presente milenio 7.

En el primer mundo y en América Latina, la expectativa de vida de la población adulta se ve reducida por el abuso de sustancias que dañan seriamente la conciencia (se excluyen el café y el tabaco), con la agravante de la frecuente organicidad cerebral y el subsiguiente aumento de la vulnerabilidad ante los tóxicos.

Existe actualmente una deficiente información de la población en general respecto a la vinculación del consumo de sustancias psicotropas con afecciones cardiovasculares, digestivas, endocrino metabólicas, genitourinarios y psiquiátricas 8,9 , y por otra parte los programas educativos en este campo han sido muchas veces criticados por no trascender el nivel cognitivo de la comunicación 10,11.

En Cuba los patrones de consumo inadecuados y la proporción de bebedores de riesgo cercana al 10% 9,12,13, junto al incipiente fenómeno del consumo de sustancias ilegales condicionaron la estructuración y ejecución de un Programa Nacional para la prevención y control del uso inadecuado de sustancias, hoy en proceso de actualización con los recientes criterios de la OMS/OPS 10,14.

Pese a estos esfuerzos preventivos desarrollados en el país, la prevalencia del tabaquismo es bastante elevada, siendo una de las más altas en América Latina; según la 1era Encuesta Nacional de Factores de Riesgo (1995), la prevalencia del tabaquismo es de un 36,8% de la población: 48,2% y 26,2% de adultos masculinos y femeninos respectivamente. En ese mismo estudio se constató que el 45,2% de la población consume bebidas alcohólicas de forma sistemática y de ellos entre el 8 y el 10% eran bebedores excesivos 10,14.

Sin embargo los estudios de prevalencia del consumo de sustancias psicoactivas se han realizado en poblaciones pequeñas y con diversas metodologías que han dificultado conocer la magnitud real de este problema médico social y no han incluido la exploración de drogas de prescripción 12, 15, 16, 17. En Matanzas las cifras son similares a las anteriormente mencionadas destacándose las investigaciones tutoradas por el Dr. Vicente E. Hernández Reyes en los municipios de Perico, Unión de Reyes y Guanábana.

Es destacable que no se reportan estudios de prevalencia en el adulto mayor a pesar de ser esta una población vulnerable a dicha patología cuya detección sería de gran importancia pues nos permitiría una labor preventiva más eficaz junto al conocimiento de los factores de riesgo más frecuentes presentes en este grupo etáreo.

Cobra mayor importancia lo planteado por el hecho de que estimaciones futuras de la población cubana hasta el 2030 y 2050 muestran un proceso acelerado de envejecimiento, que hace que respecto a la población total el grupo de 60 años y más llegue al 29,9%18.

Cada década que pasa la población cubana se convierte en una sociedad envejecida con una expectativa de vida de 77 años 19 con los consecuentes problemas biológicos, psicológicos y sociales que se derivan de ese grupo etáreo 20 incluyendo la adicción con todos sus efectos perjudiciales 21, 22,23.

El envejecimiento es una manifestación del desarrollo biológico, psicológico y social de los seres humanos en las diferentes manifestaciones de su actividad, modificándose tanto el individuo como su medio 24. La vejez, última etapa de la vida, es un período matizado por una serie de peculiaridades biopsicosociales que ha requerido el desarrollo de áreas médicas especializadas en su estudio. La vejez no es una enfermedad, es un estado normal de la vida del hombre. A este período de la vida se llega con una amplia gama de minusvalía que, si no se conoce, pueden hacer de la ancianidad una etapa de amargura y sufrimiento que dista mucho de lo que se desea25.

El anciano asiste poco a poco a pérdidas y limitaciones que día a día la vida le va imponiendo; la depresión es la primera manifestación psicológica que se presenta en él, por lo que los ancianos constituyen una población con riesgo de padecer cuadros depresivos según la discapacidad, su intensidad y la organización de la personalidad del anciano lo cual lo predispone al consumo de mùltiples sustancias entre ellas las de prescripción conllevando secundariamente a la adicción en numerosos casos 25,26.

Cumplir 60 años significa entrar en un nuevo período del ciclo vital. Según consenso general, en la Asamblea Mundial sobre Envejecimiento que sesionó en Viena en 1982, comienza una nueva etapa en la vida de las personas en la que se sufrirán crisis, se tendrá tiempo para encontrarse consigo mismo y se percibirá su realidad; es entonces cuando se comienza a tomar conciencia de que la vida está cambiando y experimentarán los cambios físicos que surgen en él 25.

El anciano es un ser socialmente deficiente en el sentido de haber perdido a este nivel algunos de los pilares básicos en los que sustentaba su vida (cónyuge, familiares, amigos, actividades y prestigio profesional). Todos estos elementos, además de la jubilación, la pérdida de estatus y de las funciones familiares pueden tornarse peligrosos para el anciano si no logra encontrar un equilibrio que favorezca su armonía psíquica, conllevando a una alteración afectiva 27.

En el estudio de la vejez es de crucial importancia tomar en cuenta las consideraciones relativas al bienestar subjetivo para la evaluación de la calidad de su vida, pues varios estudios han demostrado que el bienestar no declina con la edad y que permanece relativamente independiente de las circunstancias objetivas en que transcurre la vida del anciano y de su propio estado de salud 28,29.

La proyección preventiva de nuestro Sistema de Salud plantea la urgente necesidad de actualizar y calificar a los profesionales y técnicos del equipo de salud para la atención específica de estas afecciones y la educación en materia de adicciones debe dirigirse a los individuos, las familias y la comunidad. Por tanto, conocer las características de los ancianos y realizar con ellos una labor profiláctica y educativa además de elaborar estrategias de capacitación al alcance del nivel de atención primaria elevaría los conocimientos y la calidad de vida de los adultos mayores.
Consideraciones Generales Sobre Drogas

Diversas y numerosas son las cuestiones que han ocupado a profesionales, científicos y estudiosos, sobre las drogas, tratando de dar solución a distintas inquietudes y preguntas que han surgido acerca de las mismas. Debido a su rápida expansión y a sus terribles efectos sobre el individuo que la consume, en particular, y sobre la sociedad que la vive, en general. Por ello, en el presente capitulo le daremos respuesta a varias interrogantes como: ¿desde cuándo existen las drogas?, ¿a qué se le llama droga? ¿Cómo pueden clasificarse?

¿Cómo surge el consumo de drogas por el hombre?

El consumo de sustancias que afectan la conciencia y el comportamiento puede remontarse a los albores de la humanidad, cuando el hombre primitivo, en su etapa de recolectar comenzó a interesarse por el efecto de las plantas y logró mediante ensayo-error acumular rudimentarios conocimientos que pronto se hicieron exclusivos de una " élite" de chamanes, brujos, hechiceros y sacerdotes, cuyos " poderes" en gran parte se basaban en la supuesta comunicación con fuerzas sobrenaturales durante sus viajes alucinóticos, experiencias generalmente transmitidas a sus descendientes en forma directa, desde muchos miles de años antes que apareciera la escritura 30,31.

Las primeras referencias escritas sobre la utilización del OPIO como medicamento, aparecen en unas tablillas, cuya antigüedad es de 5000 años, y mil años después se registraron el vino, la cerveza, y los derivados de la CANNABIS SATIVA (marihuana). Ya desde esta época se reportan hojas de coca en enterramientos peruanos32.

La incorporación masiva de la droga se establece con mayor nitidez a partir de la década del 60 y coincide con la nefasta y progresiva caracterización como mercancía de comercialización altamente rentable.

Hacia un concepto de droga:

Siguiendo a González, R. (2002) podemos analizar lo siguiente:

"...Pudiera denominarse medicamento, pero por sus actuales efectos este concepto no es práctico".

"...Toda sustancia que incorporada al organismo determina un cambio en el mismo, incluiría cardiotóxicos, vitaminas y otras sustancias sin efectos psicoactivos".

"Toda sustancia de origen natural o artificial, de efectos psicoactivos, cuyo consumo frecuente conduce a la tolerancia y dependencia con la determinación de efectos nocivos sobre el sujeto, la sociedad o ambos".

Teniendo en cuenta la repercusión y el carácter que las drogas han tomado, esta última definición es la más acertada, ya que reúne concretamente las características y consecuencias de la toxicomanía; además de encerrar en sí el promedio de opiniones y criterios de personal calificado en este aspecto 33.

Debe destacarse que estas sustancias pueden ser de carácter legal o ilegal, médico o no médico y natural o sintético. Así como que sus efectos psíquicos son indistintamente estimulantes, depresores o distorsionantes y que sus nefastas consecuencias fundamentales repercuten sobre el hombre en sus niveles biológicos, psicológicos, social y espiritual 34.
Clasificación de las drogas

Por lo variado de sus características, utilización, efectos y lugares donde se consume, existen diferentes criterios a la hora de clasificar estas sustancias. Para ello, nosotros abordaremos aquellas más generales que recojan lo más importante y significativo.

Como sustancias.

Legales: Cola, té, café, tabaco y alcohol.

De prescripción médica: narcóticos, sedantes, tranquilizantes, antiparkinsonianos, simpático-tónicos, vagolíticos y antianoréxicos.

Ilegales: Marihuana, cocaína, heroína, L.S.D. hongos, polvo de ángel y drogas de síntesis como el ICE, éxtasis y desafortunadamente muchas más.

Inhalantes: como los derivados del Tolueno presentes en pegamentos, plásticos, disolventes y barnices. Así como otras sustancias donde se cuentan los combustibles, betunes y descongelantes.

Según sus efectos sobre las funciones psíquicas.

Drogas estimulantes o exitatorias: cola, cacao, té, mate, café, metilfenidato, anfetaminas, simpático-tónicos, metanfetaminas (ICE), coca.

Drogas depresoras, sedantes o inhibitorias: alcohol, tranquilizantes. Hipnóticos, morfina, heroína, fentanil, inhalantes y otros.

Drogas distorsionantes, psicodélicas o alucinógenos: antiparkinsonianos, vagolíticos, marihuana. L.S.D., polvo de ángel o PCP, mescalina, hongos, metanfetaminas (ICE), éxtasis y otros.

Drogas de efectos simultáneos, estimulantes y depresores: tabaco.

Drogas de efectos simultáneos, depresores y alucinógenas: marihuana.

Otras de las clasificaciones bastantes usadas (incluso en la literatura) es en duras y blandas, pero...

¿Qué es la dureza de una droga?

Es precisamente la potencialidad de esclavizar al consumidor en breve tiempo, y esta es una característica de todas las drogas ilegales.

Por ejemplo:

Mientras que el alcohol (droga blanda) dura unos 5 años para llegar a la esclavitud, las drogas ilegales hasta con una sola vez de consumo crean adicción.

La dureza se da también por la proporción de consumidores que llegan a esclavizarse. Con el alcohol, de 10 personas 1 llegará a ello, mientras que en las demás de 10, 4 ó 5 llegarán a convertirse en drogadictos y en el CRACK, y la heroína, llegan 8 ó 9 35, 36, 37, 38.
Las drogas, sus particularidades y efectos

Drogas Legales

No es un secreto para nadie que el alcohol, el tabaco y el café han pasado a formar parte de la vida "común y natural" de la sociedad en que vivimos, pues para un por ciento elevado de la población la dosis diaria de café antes de comenzar las faenas o en medio de estas es indispensable, un cigarrillo de vez en cuando "para relajar tensiones", y para cada ocasión especial, el siempre presente "traguito". Muchas de estas personas no saben, y ni imaginan siquiera, que son adictos, pues aunque gran parte sabe que estas sustancias son dañinas, no consideran en toda su magnitud la tolerancia y dependencia y por consiguiente no se incluyen en el concepto de toxicómanos.

Estas drogas, legales o blandas afectan considerablemente al organismo y en casos extremos pueden causar hasta la muerte, sin olvidar además que son un paso desgraciadamente inicial para el consumo de las más fuertes, por lo que se les llama "drogas porteras" y que al igual que estas, crean, aunque en más tiempo, un grado de adicción que hace sentirse al sujeto esclavizado y débil, debido a su incapacidad de abandonar estos hábitos dañinos 39,40.

Café

El principio activo del café es la trimetilxantina (cafeína). La cafeína pasa a la sangre a través de la mucosa del estómago e intestino. Su acción sobre el S.N. se produce por elevar considerablemente las sustancias llamadas neurotransmisores, que trasmiten la excitación nerviosa de una neurona a la otra, y su peligrosidad estriba en que esa elevación ocurre a expensas del mecanismo del acto anticipado, es decir, que los neurotransmisores almacenados para una semana se consumen en un día, y por consiguiente, en los próximos días existirá una carencia que explica lo que se llama efecto de rebote, caracterizado por notable falta de ánimo y somnolencia 41,42.

Efectos del café sobre la salud.

Una taza de café contiene de 100 a 150 gramos de cafeína.

- Sobre el Sistema Nervioso.

El café provoca ansiedad, cefalea, vértigos, temblores, insomnio, en los casos más severos puede haber convulsiones y también ideas delirantes de persecución, así como crisis de pánico.

- Sobre el aparato cardiovascular.

Provoca palpitaciones, extrasístoles, aumento de la presión arterial, pulso rápido y dolores precordiales.

- Sobre el aparato digestivo-

El café aumenta notablemente la secreción de ácido clorhídrico del jugo gástrico, con la consecuente acidez y regurgitaciones ácidas, además provoca diarreas acompañadas de cólicos, empeora notablemente las úlceras gástricas y duodenales, aumenta la producción de saliva y disminuye el apetito.

- Sobre el aparto genitourinario-

Determina polaquiuria y micción imperiosa.
Tabaco

El tabaco actúa también elevando la cantidad de neurotransmisores, pero al mismo tiempo disminuye la circulación de la sangre por el cerebro y el corazón y bloquea los impulsos nerviosos de la médula espinal.

Efectos del tabaco sobre la salud

Según estudios científicos muy serios permiten establecer que cada cigarrillo consumido por un fumador habitual reduce a 9 minutos su vida, ya que los fumadores como promedio viven 15 años menos que los que logran alcanzar las personas no fumadoras 43,44,45.

Elementos tóxicos del tabaco

La nicotina

El alquitrán

Monóxido de carbono

La alta temperatura del humo que se inhala.

- Efectos sobre el aparato cardiovascular-

Hoy se sabe que el 25 % de las muertes por enfermedades de las arterias y el corazón están determinadas por el tabaco. El factor de mayor importancia es el efecto de la nicotina que libera sustancias como la cortisona, y como si esto fuera poco, bloquea el consumo de oxígeno por el músculo cardíaco, y aumenta el nivel de grasas en la sangre, las cuales se acumulan en las paredes de las arterias, estrechándolas y endureciéndolas, provocando así la aterosclerosis.

- Sobre el aparato respiratorio

La acción irritante del humo y la reducción de la llegada de la sangre para alimentar los tejidos, son los principales responsables de la bronquitis crónica del fumador, y también de las frecuentes faringitis, laringitis, disnea, y disminución de la elasticidad de los pulmones (enfisema).

- Sobre el aparato digestivo-

La nicotina es uno de los tóxicos que más estimula la producción de ácido clorhídrico en el jugo gástrico, provocando: gastritis, úlceras gástricas y duodenales 44, 46,47.

- Sobre el sistema nervioso-

El verdadero efecto del tabaco es de tipo excitatorio y por ello determina ansiedad, temblores, trastornos de la concentración, dolores de cabeza de tipo tóxicos, mareos, zumbidos de oído y afectación del equilibrio.

- Sobre el aparato genitourinario-

Uno de sus efectos más importantes es el de disminuir la excitación por su aspecto tóxico, a nivel del cerebro, al que se suman el efecto bloqueador de la médula espinal y la disminución del aporte de sangre a los cuerpos cavernosos del pene.

Otro aspecto poco valorado es la halitosis del fumador, además, infecciones secundarias que se producen en las encías, debido a la poca defensa de esos tejidos ante las infecciones provocadas por la reducción de la llegada de la sangre a ellos.
Alcohol

El alcohol es la más difundida de las toxicomanías y tiene la capacidad de afectar seriamente la personalidad y conciencia del consumidor. Se considera como "la droga modelo" por ser la única de consumo legal y no médico capaz de producir los mismos efectos que las "drogas duras" 40, 41,42.

El alcoholismo es un trastorno entre cuyos síntomas se encuentran: un fuerte y persistente deseo de beber pese a las consecuencias nocivas, la incapacidad para dominar este hábito, la mayor prioridad concedida al consumo del alcohol respecto a otras obligaciones y actividades, así como una fuerte sensación física de privación cuando se interrumpe bruscamente el consumo, entre otras.

Efectos del alcohol sobre la salud

- Sobre el corazón-

Sobre este órgano, tiene un efecto tóxico, hasta el punto de causar daño irreparable. Una persona que beba diariamente durante dos años, acumula grasa en su corazón, lo que trastorna su funcionamiento normal.

- Sobre el cerebro-

Mata células del cerebro, provoca pequeñas hemorragias cerebrales y taponamiento de los vasos capilares, hace que el cerebro disminuya de tamaño y se torne esponjoso... "la ingestión de bebidas alcohólicas durante años, puede causar daños irreparables a la memoria, a la capacidad de juzgar y aprender. Perjudica la personalidad del alcohólico y su capacidad de funcionar normalmente en la sociedad..."

- Sobre el sistema óseo.-

Produce "células ebrias" que hace que los huesos se tornen quebradizos y fáciles de romper en caso de caídas. Puede reducir la producción de glóbulos rojos y blancos en la médula de los huesos.

- Sobre la sangre-

Al reducir la producción de glóbulos rojos, causa anemia. Une estos glóbulos rojos en grupos pegajosos que hacen más lenta la circulación y privan de oxígeno a los tejidos.

- Sobre las manos y los pies-

Causa polineuritis o inflamación de los nervios como resultado de la deficiencia de vitaminas. La polineuritis provoca sensaciones parecidas a quemaduras y punzadas en las manos y los pies.

- Sobre el aparato digestivo-

Hígado: La cirrosis (degeneración del tejido sano del hígado), es más frecuente 8 veces entre los alcohólicos que entre los abstemios, ya que los bebedores habituales tienen mucho depósito de grasa, lo que daña a las células de dicho órgano.

Intestino delgado: Impide la absorción de diversas sustancias útiles e indispensables para el buen funcionamiento del organismo, tales como tiamina, ácido fólico, grasas, vitamina B1 y aminoácidos.

Páncreas: Causa inflamación en el páncreas y es posible que no se recupere, sino que continúe degenerándose. En formas agudas produce hemorragias, que provoca la muerte.

- Sobre la sexualidad-

Según los datos que se han manejado, alrededor de un 40 % de los alcohólicos sufren disfunciones eréctiles y entre un 5 y un 10 % tienen eyaculación retardada. Entre un 30 y 40 % de las mujeres alcohólicas, sufren trastornos en la fase de excitación sexual y un 15% padece disfunciones orgásmicas.

El alcoholismo afecta directamente la producción de hormonas y disminuye el nivel de testosterona en los hombres. En el alcohólico se da con frecuencia un agrandamiento en los pechos y un encogimiento en los testículos 43, 44, 45, 48,49.

Psicofármacos

Los psicofármacos son las sustancias adictivas de mayor consumo en la población geriátrica en lo cual influyen numerosos factores entre los que sobresalen la relativa facilidad de obtención, los mitos difundidos en la población sobre sus beneficios sin tomar en cuenta las complicaciones, el mal uso y abuso de los mismos visto como natural y la mala indicación como hipnóticos sin tomar en cuenta otros factores que generan el trastorno los cuales si se suprimen no harían necesario el uso de estos medicamentos.

Sus efectos adversos incluyen todos los sistemas de órganos los cuales varían en dependencia del grupo farmacológico ya se traten de sedantes, hipnóticos, antidepresivos, ansiolíticos u otros 50.

Factores que condicionan el consumo en el anciano.

El envejecimiento trae consigo el abandono de la profesión o de otros objetivos, reducción de vigor físico, cambio de los placeres sensuales y una conciencia de la muerte desconocida en etapas previas. Los problemas emocionales incluyen cierta depresión y una alteración de la propia estima, a la cual se añaden las propias presiones sociales derivadas de la jubilación, la dependencia, la muerte de familiares y amigos, la pérdida de la seguridad económica, entre otras. Como se evidencia, existen suficientes condiciones inherentes a la vejez que son un caldo de cultivo adecuado para que se manifieste esta conducta 20, 21, 22, 23, 43.

Para una mejor clasificación de los factores de riesgo en los ancianos, estos se pueden dividir en:

Factores médicos:

- Enfermedades crónicas, terminales, dolorosas, invalidantes y discapacitantes, como Parkinson, demencia de Alzheimer o de otro tipo, las neoplasias, entre otras.- La hospitalización periódica del anciano, así como ser sometido a intervenciones quirúrgicas frecuentes.

- Los tratamientos pro depresivos.

- Las enfermedades pro depresivas.

Factores psiquiátricos:

Se incluyen las depresiones de cualquier etiología, el abuso de drogas o alcohol, los trastornos crónicos del sueño, las psicosis delirantes y la confusión mental 20, 21. Factores psicológicos:

Los ancianos que sufren de sentimientos de soledad e inutilidad, inactivos, aburridos con falta de proyectos vitales y con tendencia a revivir el pasado24. Factores familiares:

- Pérdida de seres queridos por muerte natural o por suicidio. La viudez durante el primer año.

- El abuelo que se rota entre los familiares.

- El ingreso en un hogar de ancianos en su etapa de adaptación puede ocasionar situaciones de desamparo.

Factores socio - ambientales:

- La jubilación.

El aislamiento social.

La actitud hostil, peyorativa o despreciativa de la sociedad hacia el anciano.- La pérdida de prestigio.

Estos son algunos de los factores de riesgo que se pueden presentar en esta etapa y mientras mayor número de estos se acumulen, mayor será el riesgo de consumo de sustancias psicoactivas como intentos infructuosos de obtener bienestar. Conociendo estos factores, el médico de atención primaria puede trazar la valoración precoz para evitar la conducta. No obstante, la prevención no es problema exclusivo de las instituciones de salud, sino de toda la comunidad, sus organizaciones e individuos. El apoyo social formal que se le debe prestar al anciano es fundamental y repercute en su estado de satisfacción y habla del trabajo mancomunado para mejorar su calidad de vida. Distintas dimensiones de las redes sociales son importantes para la salud o la adaptación de la persona de edad avanzada, en función de enfrentar las demandas sociales.

Está demostrado que de la calidad del apoyo proporcionado al anciano depende su nivel de bienestar y con ello, su calidad de vida. El nivel de bienestar o calidad de vida resulta del equilibrio entre la satisfacción de las necesidades básicas y la falta de satisfacción de éstas tanto en el plano subjetivo - posibilidad de desarrollo completo de la personalidad - como en el plano subjetivo-satisfacción por la vida y aspiraciones personales. Este concepto, como punto de partida para mejorar las condiciones de bienestar y enfrentar el problema del envejecimiento poblacional en una comunidad, es indispensable para crear las estructuras y establecer redes sociales entre distintos sectores que nos permitan desarrollar un programa de atención al adulto mayor adecuado y donde el amor y el sentido de responsabilidad con esa generación estén presentes.

Es necesario crear en la comunidad estructuras que faciliten un equilibrio entre los elementos psicológicos, económicos, sociales y ecológicos que mejoren el estado de salud físico y mental, así como el desarrollo de capacidades que le permitan al anciano ejercer autonomía o decidir por sí solo y poder ejecutar estas decisiones para lograr con ello satisfacción individual, familiar y social. De lograrse esto, estaríamos contribuyendo al mantenimiento de la salud, favoreciendo el estado emocional y disminuyendo la incidencia de adicción en el anciano.
Conclusiones

La drogodependencia actualmente afecta a millones de personas sin distinción de sexo, color de la piel, cultura o latitud. La estadística mundial de salud hasta el 2007, señaló que el 8,9% de la carga de morbilidad se debía al consumo de sustancias psicoactivas resultado de una amplia gama de problemas sanitarios y sociales.

En la actualidad los estudios de prevalencia del consumo de sustancias psicoactivas se han realizado en poblaciones pequeñas y con diversas metodologías que han dificultado conocer la magnitud real de este problema médico social y no han incluido la exploración de drogas de prescripción. Es destacable también que no se reportan estudios de prevalencia en el adulto mayor a pesar de ser esta una población vulnerable a dicha patología cuya detección sería de gran importancia pues nos permitiría una labor preventiva más eficaz junto al conocimiento de los factores de riesgo más frecuentes presentes en este grupo etáreo.

Cobra mayor importancia lo planteado por el hecho de que estimaciones futuras de la población cubana hasta el 2030 y 2050 muestran un proceso acelerado de envejecimiento, que hace que respecto a la población total el grupo de 60 años y más llegue al 29,9%.
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