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7/09/2015

Heroína I


Heroína, cujo nome científico é diacetilmorfina, é uma droga opióide semissintética obtida a partir de plantas da espécie Papaver somniferum, da qual é extraído o ópio. Durante o processamento do ópio origina-se a morfina que então é transformada em heroína. Trata-se de um entorpecente, muitas vezes obtido em laboratórios clandestinos, que provoca diminuição da atividade do SNC, ou seja, é uma substância depressora.
Produz sensações de prazer intenso, muitas vezes comparados com um orgasmo. Após essa fase de euforia ocorre um período de sedação. A droga causa tolerância de forma rápida e o indivíduo busca maiores doses para obter o mesmo efeito. Também produz dependência física.
Foi sintetizada pelo químico inglês Charles Romley Alder Wright em 1874 e introduzida no mercado de medicamentos pelo químico Felix Hoffmann, da Bayer, em 21 de agosto de 1897.
Seu nome provavelmente provém do alemão heroisch e indica a sensação observada pelos usuários durante estudos iniciais. Foi usada para tratamento de viciados em morfina e como sedativo da tosse em crianças de 1898 a 1910 quando foi descoberto que a heroína convertia-se em morfina no fígado, ironicamente sendo até mais viciante que a morfina.
O seu nome comercial foi cedido pela Alemanha aos Aliados em 1918 como parte das indenizações de guerra. A heroína foi proibida nos países ocidentais no início do século XX devido à grave dependência física que provocara.
Administração
A injeção é preferida no abuso recreativo, devido ao efeito de prazer súbito (denominado "orgasmo abdominal"). A inalação tem ganhado terreno, numa modalidade denominada "chasing the dragon", com origens orientais, onde a disponibilidade de seringas e agulhas é menor.
Também pode ser ingerida, absorvida pela pele ou fumada. O consumo com cocaína ("speedballs" ou "moonrocks") tem se generalizado.
A heroína é mais lipofílica do que os outros opioides, devido à adição do grupo acetila, o que leva à sua absorção muito mais rápida para o cérebro. A rapidez de efeito é importante para os toxicodependentes, porque proporciona maiores concentrações inicialmente, traduzindo-se em prazer intenso após a injeção ("chute", "rush"). No cérebro ela é imediatamente convertida em morfina e em formas menos acetiladas por enzimas celulares.
Metabolizada no fígado. Ultrapassa a barreira hemato-encefálica e a placenta: os filhos de consumidoras apresentam malformações aumentadas e profunda dependência.
A heroína é permitida em alguns países (no Reino Unido por exemplo), sob apertada vigilância, como analgésico de uso hospitalar. Para os demais usos é proibida.
Absorção e metabolismo
É bem absorvida no trato gastrointestinal, nos pulmões, mucosa nasal e por injeção intramuscular ou subcutânea. A diacetilmorfina sofre uma rápida hidrólise e é convertida em monoacetilmorfina que depois é hidrolisada em morfina. A lipossolubilidade (capacidade de penetrar uma membrana biológica) da diacetilmorfina e da monoacetilmorfina é maior que a da morfina e devido a isto, sua capacidade de entrar no cérebro é maior.
Mecanismo de ação
A heroína ativa (agonista farmacológico) todos os receptores opioides, mas os seus efeitos são largamente devidos à ativação do subtipo mi, efetivo na ação analgésica.
O mecanismo prazer e bem-estar produzido pelo consumo da heroína não está completamente esclarecido, mas sabe-se que, como o das outras drogas recreativas, é devido a interferência nas vias dopaminérgicas (vias que utilizam o neurotransmissor dopamina) meso-límbicas-meso-corticais. As vias dopaminérgicas que relacionam o sistema límbico (região das emoções e aprendizagem) e o córtex (região dos mecanismos conscientes) são importantes na produção de prazer.
Normalmente, elas só são ativadas de forma limitada em circunstâncias especificas, ligadas à recompensa da aprendizagem e dos comportamentos bem-sucedidos relacionados à obtenção de recursos, conhecimentos ou ligações sociais ou sexuais importantes para o sucesso do indivíduo. No consumo de droga, estas vias são modificadas e pervertidas ("highjacked") e passam a responder de forma positiva apenas ao distúrbio bioquímico cerebral criado pela própria droga.
Grande parte da motivação do indivíduo passa assim para a obtenção e consumo da droga, e os interesses sociais, familiares, ambição profissional, aprendizagem e outros fatores não diretamente importantes para a sua obtenção são com o consumo crescente cada vez mais desleixados, sem que muitas vezes o indivíduo tome decisões conscientes nesse sentido.
Excreção
Grande parte da heroína é eliminada na urina como morfina (livre e conjugada).6 90% da droga é eliminada nas primeiras 24 horas.
Interações
Enquanto depressor do sistema nervoso central, ela potencia os efeitos de outros depressores, aumentando o risco de overdose.
O consumo concomitante de álcool, benzodiazepinas (e.g. Valium), cocaína ou anfetaminas, barbitúricos, antiepilépticos e antipsicóticos aumenta muito o risco de overdose e morte.
A heroína é extremamente difícil de controlar, e não são raras as overdoses acidentais por consumidores experientes.
Efeitos
A heroína tem efeito similar aos outros opioides. Logo após o uso, a pessoa fica num estado sonolento, fora da realidade. Os batimentos cardíacos e respiração diminuem, sintoma muito comum no uso de opiáceos, sendo inclusive a causa de morte por overdose, insuficiência respiratória. As primeiras sensações são de euforia e conforto.
O dependente de heroína também pode ter problemas sociais e familiares. Ele torna-se apático, desanimado, perdendo o interesse por sua vida profissional e familiar.
Efeitos imediatos
 Euforia e disforia: São necessárias maiores doses do que antes para causar analgesia. Consiste num sentimento de estar no paraíso. Ao desvanecer o seu efeito a euforia é gradualmente substituída pela disforia, um estado de ansiedade desagradável e mal-estar. Geralmente quanto maior a habituação e dependência, maior é a disforia sentida.
Nas primeiras experiências com opiáceos e opioides existem relatos de experiências que podem ser consideradas disfóricas e que se caracterizam maioritariamente por vômitos e mau estar, incapacidade de sentir prazer ou dor, o que faz que algumas pessoas não voltem a usar opiáceos novamente. Contudo essas possíveis más experiências dão lugar a experiências de euforia intensa à medida que o corpo e mente se habituam aos opiáceos.
·         Analgesia (perda da sensação de dor física e emocional): pode levar à inflicção de ferimentos no heroinômano sem que este se dê conta e se afaste do agente agressor, pode levar a um infarto do miocárdio.
·         Sonolência, embotamento mental sem amnésia
·         Disfunção sexual em altos graus.
·         Sensação de tranquilidade e de diminuição do sentimento de desconfiança.
·         Maior autoconfiança e indiferença aos outros: comportamentos agressivos.
·         Miose: contração da pupila. Ao contrário da grande maioria das outras drogas de abuso, como cocaína e anfetaminas (metanfetamina e ecstasy) que produzem midríase (dilatação da pupila). É uma característica importante na distinção clínica da overdose de heroína daquelas produzidas por outras drogas
·         Obstipação ("prisão de ventre") e vómitos. Só são sentidos na primeira semana de consumo continuado, depois o corpo habitua-se e torna-se adicto.
·         Depressão do centro neuronal respiratório. É a principal causa de morte por overdose.
·         Supressão do reflexo da tosse: devido à depressão do centro neuronal cerebral da tosse.
·         Náuseas e vómitos: podem ocorrer se for ativado os centros quimiorreceptores do cérebro.
·         Espasmos nas vias biliares.
·         Hipotensão, prurido.
·         Os seus efeitos, quando fumada, são sentidos quase imediatamente (cerca de 3 a 8 segundos).
·         Perda do controle humorístico, ou seja, o famoso humor bipolar. Ao ser usada, a droga pode acarretar a mudança de humor bipolar, em um certo período de tempo o usuário está depressivo, sem energia com pensamentos suicidas, um pequeno período de tempo depois por exemplo 1 semana, ele se torna muito alegre, falante, desinibido eufórico tendo um comportamento totalmente diferente do anterior.

Efeitos a longo prazo e potencial da dependência
Tendência para aumentar a quantidade de heroína auto administrada, com o fim de conseguir os mesmos efeitos que antes eram conseguidos com doses menores, o que conduz a uma manifesta dependência. Passadas várias horas da última dose, o viciado necessita de uma nova dose para evitar a síndrome de abstinência provocada pela falta dela.
Desenvolve tolerância em relação aos efeitos de euforia, de depressão respiratória, analgesia, sedação, vómitos e alterações hormonais. Não há desenvolvimento para a miose nem para a obstipação. Estes efeitos, junto com a diminuição da libido, a insónia e a transpiração, são os sintomas dos consumidores crónicos.
Há alguma imunossupressão com maior risco de infecções, principalmente aquelas introduzidas pelas agulhas partilhadas (SIDA/AIDS, Hepatite B) ou por bactérias através da pele quebrada pela agulha. A síndrome de privação pode levar à cegueira, dores, epilepsia, enfarte do miocárdio ou AVCs potencialmente fatais. A longo prazo leva sempre a lesões cerebrais extensas, claramente visíveis macroscópica e microscopicamente em autópsia.
Bastam apenas três dias de consumo continuado desta substância para que, na sua ausência, se comecem a sentir os efeitos da ressaca, que quer dizer que o organismo em 3 dias apenas se habitua de tal forma à presença desta substância que quando se deixa de a administrar o organismo entra num estado de desequilíbrio tal, que o indivíduo se vê obrigado a procurar de forma frenética satisfazer os pedidos do seu organismo, aumentando sempre a dose consumida.
A ressaca traduz-se em primeiro lugar por corrimento lacrimal e nasal, seguida de má disposição a nível estomacal e intestinal, suores frios e afrontamentos, dores de rins lancinantes, e na fase final de ausência de consumo, espasmos musculares e câimbras generalizadas.
Existe tolerância cruzada entre todos os agonistas opioides, fato que se aproveita para os tratamentos de desintoxicação e desabituação.
Tratamento da toxicodependência
Muitas opções existem para o tratamento do vício em heroína, que incluem administração medicamentosa e abordagem terapêutica.
Os tratamentos com fármacos agonistas baseiam-se na substituição da heroína por opioides de cção prolongada como a metadona, o LAAM (levo-alfa-acetilmetadol) ou abuprenorfina e a diminuição da dosagem moderadamente e ao longo do tempo.
A metadona é um fármaco agonista opioides que, em comparação à heroína é bem absorvida oralmente e de forma lenta e tem uma duração de ação muito superior evitando os ciclos rápidos de intoxicação/quadro de abstinência associados à dependência de heroína.
Esta substância funciona assim como um substituto com menos efeitos nefastos que a heroína embora provoque maior dependência que esta. Dado ser um opioide de ação prolongada produz sintomas que são menos severos do que os da heroína, mas que são mais prolongados no tempo (e que levam muitas vezes a recaídas, não pela intensidade da dor, mas pela sua duração).
O tratamento por metadona objetiva:
·         Melhorar a saúde dos utilizadores de opiáceos providenciando drogas "limpas" em doses adequadas sob supervisão profissional
·         Reduzir os crimes relacionados com drogas de forma livre e legal reduzindo a sua necessidade de roubar para financiar as compras de heroína ilícitas.
·         Melhorar a situação social dos utilizadores de drogas
·         Persuadir os utilizadores de drogas a reduzir a sua dose diária e encaminhar-se gradualmente à abstinência.
No entanto, há um objetivo que estes tratamentos por substituição não conseguem atingir: o do efeito psicológico da rebeldia, do risco, da adrenalina associada ao consumo ilícito de drogas.
Estudos recentes parecem por em causa a eficácia deste tipo de tratamentos e parecem por em evidência que a metadona tem maiores riscos de morte (correspondentes a uma taxa de mortalidade mais elevada) do que a heroína e vieram trazer dúvidas à utilização deste opiáceo de substituição.
Outro tratamento por substituição que tem sido utilizado envolve buprenorfina que é um agonista parcial opioide. Esta sua natureza faz com que os sintomas do quadro de abstinência sejam menores do que os dos verdadeiros agonistas como a metadona e provoca também uma menor dependência física. Como resultado, a sua utilização é mais segura e traz menos riscos de abuso do que a metadona sendo, no entanto, eficaz no bloqueio da euforia e da síndrome de abstinência produzidos por outros opioides.
Tratamento com fármacos agonistas
O tratamento com agonistas adrenérgicos, tais como a clonidina, a lofexidina ou a guanfacina, tem como objetivo a inibição da atividade noradrenérgica ao nível da região cerebral conhecida como locus ceruleus que aumenta de forma marcada quando ocorre um quadro de privação de opiáceos.
Esses fármacos diminuem, embora interagindo com outros receptores, a síndrome de abstinência. A lofexidina produz uma hipotensão menor que a clonidina quando utilizada.
Tratamento por fármacos antagonistas opioides
Antagonistas opioides, como a naloxona e a naltrexona (de ação mais prolongada), são moléculas que bloqueiam os efeitos da heroína e de qualquer outro opioide, impedindo a sua conexão a receptores opioides, dado que têm alta afinidade para estes receptores, mas a conexão ligando-receptor não causa a ativação destes.
São, por isso, muito utilizados em tratamento de overdose de heroína, em conjugação com outras terapias, pois reduzem a duração do quadro de privação. Mas, apesar de diminuírem a duração do quadro de privação, os antagonistas opioides parecem também aumentar a intensidade destes mesmos sintomas.
Desaconselha-se o uso destes antagonistas, que têm fortes efeitos secundários, podendo levar o paciente à morte. Estão documentados dezenas de casos de mortes provocadas direta e indiretamente por estes antagonistas. Portanto, é preferível o uso da metadona, como recurso terapêutico.
Tratamento com benzodiazepinas
A utilização de benzodiazepinas, fármacos ansiolíticos, que se destinam a controlar a ansiedade, serve de forma geral para sustentar outras formas de tratamento.
A sua utilização deve-se ao facto da ansiedade ser provavelmente a componente clinicamente mais importante do quadro de privação de opiáceos, o pior tolerado e o facto mais frequentemente envolvido em recaídas. Embora acompanhe a privação de opiáceos, deriva de mecanismos diversos de natureza psicológica, advindo assim a necessidade de associação de benzodiazepinas a outras terapias.
No entanto, a sua utilização deve ser cuidadosa dado serem também causadoras de dependência e, muitas vezes, indivíduos dependentes de heroína estão também dependentes de benzodiazepinas.
Normalmente os toxicodependentes tomam este tipo de substâncias para aumentar os efeitos da própria heroína, por isso, por vezes, poderá não ser o tratamento mais indicado. Para os toxicodependentes que demonstrem verdadeira vontade de suspender os consumos de heroína existe um medicamento chamado "Suboxone" que substitui com grande eficácia a heroína e tem efeitos terapêuticos semelhantes às benzodiazepinas tal como o "Serenal".
Tratamentos com sedativos ou anestesia geral
Estes tratamentos baseiam-se na desintoxicação de doentes dependentes de heroína usando antagonistas opioides enquanto os doentes se encontram sob o efeito de sedativos ou anestesia geral sendo um método rápido e, portanto, designado de desintoxicação ultrarrápida de opioides (UROD).
Tem várias potenciais vantagens que passam pela:
·         Aceleração do processo de abstinência por inibição de ligação dos agonistas aos receptores opioides permite uma hospitalização menos prolongada, havendo uma diminuição de custos
·         Melhoria da aceitação da abstinência por parte do doente no decorrer das fases iniciais do tratamento resultado de um maior conforto que é devido à ação dos sedativos ou amnésia.

Este método tem, no entanto, fortes contraindicações pois traz graves efeitos secundários como uma ocorrência pronunciada de vómitos intensos.
Epidemiologia da toxicodependência
Opiáceos
·         Alfentanil
·         Buprenorfina
·         Codeína
·         Di-hidrocodeína
·         Fentanil
·         Heroína
·         Metadona
·         Morfina
·         Nalbufina
·         Oxicodona
·         Petidina
·         Remifentanil
·         Sufentanil
·         Tramadol
Calcula-se que 1% ou 2% dos adolescentes consomem esta droga, mas esta percentagem varia com o país ou região[carece de fontes]. Ultimamente, após muitos anos de predomínio da cocaína, o consumo de heroína tornou-se "moda"[carece de fontes], muitas vezes em associação com a própria cocaína, uma associação particularmente danosa.
Tráfico e custos sociais da heroína
Na maioria dos países do mundo, é ilegal produzir, armazenar ou vender diacetilmorfina.
O Afeganistão é responsável por 86% (2004) do ópio usado na produção de heroína. Outros grandes produtores são o Paquistão e a região do Triângulo Dourado (Birmânia, Tailândia, Vietnam, Laos e a província de Yunnan, na China). Ultimamente os traficantes latino-americanos de cocaína têm investido no cultivo do ópio, e começa a haver produções significativas na Colômbia e no México, que já detêm a maior parte do mercado dos EUA.

A colheita de2003 terá rendido aos seus cultivadores cerca de 2,8 bilhões de dólares americanos. É desconhecido, no entanto, o valor global dos rendimentos gerados nos vários níveis da cadeia produtiva da heroína, onde se incluem transporte, transformação laboratorial em heroína e distribuição. Também é desconhecido o total dos gastos dos países no tratamento dos toxicodependentes, bem como em ações de repressão ao tráfico da droga.

Heroína

Há mais de cinco mil anos a Papoula, planta de onde deriva a heroína, é conhecida pela humanidade. Naquela época, os sumérios costumavam a utilizá-la para combater algumas doenças como a insônia e constipação intestinal. No século passado, farmacêuticos obtiveram, da Papoula, uma substância que foi chamada de Morfina. O uso da morfina foi amplamente difundido na medicina do século XIX devido, principalmente, a suas propriedades analgésicas e antidiarreicas.

Da morfina, logo foram sintetizadas várias derivações como diamorfina, codeína, codetilina, heroína, metopon. A heroína é a mais conhecida delas. Na década de 20 foi constatado que a heroína causava dependência química e psíquica, por isso foi proibida sua produção e comércio no mundo todo. A heroína voltou a se expandir pelo mundo depois da Segunda Guerra Mundial e hoje é produzida no mercado negro principalmente no Sudeste Asiático e na Europa.

Princípio ativo

A heroína é uma variação da morfina, que por sua vez é uma variação do ópio, obtido de uma planta denominada Papoula. A designação química da heroína é diacetilmorfina. A heroína se apresenta no estado sólido. Para ser consumida, ela é aquecida normalmente com o auxílio de uma colher onde a droga se transforma em liquido e fica pronta para ser injetada. O consumo da heroína pode ser diretamente pela veia, forma mais comum no ocidente, ou inalada, como é, normalmente, consumida no oriente.

Efeitos

A heroína é uma das mais prejudiciais drogas de que se tem notícia. Além de ser extremamente nociva ao corpo, a heroína causa rapidamente dependência química e psíquica. Ela age como um poderoso depressivo do sistema nervoso central. Logo após injetar a droga, o usuário fica em um estado sonolento, fora da realidade. Esse estado é conhecido como "cabeceio" ou "cabecear". As pupilas ficam muito contraídas e as primeiras sensações são de euforia e conforto. Em seguida, o usuário entra em depressão profunda, o que o leva a buscar novas e maiores doses para conseguir repetir o efeito.

Fisicamente, o usuário de heroína pode apresentar diversas complicações como surdez, cegueira, delírios, inflamação das válvulas cardíacas, coma e até a morte. No caso de ser consumida por meios injetáveis, pode causar necrose (morte dos tecidos) das veias. Isto dificulta o viciado a encontrar uma veia que ainda esteja em condições adequadas para poder injetar uma nova dose. O corpo fica desregulado deixando de produzir algumas substâncias vitais como a endorfina ou passando a produzir outras substâncias em demasia, como a noradrenalina que, em excesso, acelera os batimentos cardíacos e a respiração. O corpo perde também a capacidade de controlar sua temperatura causando calafrios constantes. O estômago e o intestino ficam completamente descontrolados causando constantes vômitos, diarreias e fortes dores abdominais.

OS EFEITOS DESTRUTIVOS DA HEROÍNA

As drogas são igual a morte. Se não faz nada para as deixar, acaba por morrer. Ser toxicodependente é estar aprisionado. De início, pensa que as drogas são suas amigas (parecem ajudá–lo a escapar às coisas ou sentimentos que o incomodam). Mas depressa descobre que acorda de manhã apenas a pensar em drogas.

“Todo o seu dia é gasto a descobrir ou a consumir drogas. Fica drogado todas as tardes. À noite, põe–se a dormir com heroína. E vive apenas para isso. Está numa prisão. Bate com a cabeça contra a parede, sem parar, mas não o leva a lado nenhum. Por fim, a sua prisão torna–se o seu caixão.” — Sabrina

DANOS IMEDIATOS: Os efeitos iniciais da heroína incluem um aumento da sensação — uma “elevação”. Isso é acompanhado frequentemente de um sentimento quente da pele e boca seca. Por vezes, a reação inicial pode incluir vômitos ou severa comichão.

Depois destes efeitos iniciais se desvanecerem, o consumidor fica sonolento durante várias horas. As funções básicas do corpo tais como respiração e batimento cardíaco abrandam.

Horas após os efeitos da droga terem diminuído, o corpo do dependente começa a ansiar por mais. Se ele não arranja outra “cena”, irá começar a sentir a abstinência. A abstinência inclui os efeitos físicos e mentais extremos os quais são sentidos se o corpo não é abastecido outra vez com a dose seguinte de heroína. Os sintomas da abstinência incluem insônias e dores nos ossos, diarreia, vômitos e desconforto severo.

A intensa subida que um consumidor pretende dura apenas alguns minutos. Com o uso continuado, a pessoa necessita de quantidades crescentes da droga apenas para se sentir “normal”.

EFEITOS A CURTO PRAZO
  • “Subida”
  • Respiração deprimida
  • Funcionamento mental pouco claro
  • Náuseas e vômitos
  • Tranquilização; sonolência
  • Hipotermia (temperatura corporal mais baixa do que o normal)
  • Coma ou morte (devido a overdose)
EFEITOS A LONGO PRAZO

A abstinência de heroína é uma experiência terrífica que começa a torturar o corpo nas horas seguintes à última dose.

Os efeitos no corpo devido ao uso continuado desta droga são devastadores. Injeções frequentes podem causar o colapso de veias, e podem levar a infecções dos vasos sanguíneos e válvulas do coração. Poderá ser contraída tuberculose como resultado da condição debilitada geral do corpo. A artrite é outro resultado a longo prazo da dependência de heroína.

O estilo de vida do dependente — no qual os consumidores de heroína partilham frequentemente as agulhas — leva ao SIDA/AIDS e a outras infecções contagiosas. Estima–se que das 35.000 novas infecções de hepatite C2 (doença do fígado) por ano nos Estados Unidos, mais de 70% são de consumidores de droga que usam agulhas.

Abcessos devido ao uso de agulhas subcutâneas marcam o corpo de toxicodependente de 16 anos. Crédito fotográfico: U.S. Treasury Department, Bureau of Narcotics/dependente de heroína

OS EFEITOS A LONGO PRAZO INCLUEM
  • Problemas dentários
  • Inflamação das gengivas
  • Obstipação (Prisão de ventre)
  • Suores frios
  • Comichão
  • Enfraquecimento do sistema imunitário
  • Coma
  • Doenças respiratórias
  • Enfraquecimento muscular, paralisia parcial
  • Capacidade sexual reduzida e impotência a longo prazo nos homens
  • Perturbações menstruais nas mulheres
  • Incapacidade de atingir o orgasmo (homem e mulher)
  • Perda da memória e desempenho intelectual
  • Introversão
  • Depressão
  • Pústulas na cara
  • Perda de apetite
  • Insônia
“As pessoas acreditam que a heroína é o máximo, mas perdes tudo: trabalho, pais, amigos, confiança, a tua casa. Mentir e roubar tornam–se um hábito. Não respeitas mais nada nem ninguém.” — Pete

“VOU SÓ EXPERIMENTAR UMA VEZ.”

Aviso: até uma única dose de heroína pode pôr uma pessoa no caminho para a dependência.

Muitas pessoas que experimentam heroína pensam: “Vou experimentar uma vez ou duas. Posso sempre parar.” Mas aqueles que começam por esse caminho fora descobrem que é quase impossível de regressar. Considere as palavras do Sam, um toxicodependente de 15 anos: “Quando injeta pela primeira vez, é bem provável que vomite e que se sinta repelido, mas depressa experimenta outra vez. Irá agarrá–lo como uma amante obcecada. O estalo repentino de maneira a que queira mais, como se estivesse privado de ar — é assim que o irá armadilhar.”

A ameaça de dependência não é a pior consequência de experimentar heroína. O Jim tinha 21 anos e costumava passar as suas tardes a beber cerveja com os amigos. Ele já tinha tido experiências com heroína, então quando os amigos lhe ofereceram uma linha para “snifar”, ele aceitou. Quinze minutos depois de ter inalado, perdeu os sentidos, depois entrou num coma profundo que durou mais de dois meses. Hoje está confinado a uma cadeira de rodas, incapaz de escrever, praticamente incapaz de ler. Quaisquer sonhos ou aspirações que tenha tido desapareceram.

É horrivelmente irônico que Davidé Sorrenti (acima) — fotógrafo de moda cujo trabalho era sinônimo de “chique da heroína” — morreu com vinte anos devido a uma overdose de heroína.

O “ESTILO” DA HEROÍNA

Outrora a heroína assustava as pessoas. Mais recentemente, algumas pessoas tentaram tornar “moda” o uso de heroína.

Na década passada, o “ar de heroinômano” — expressão pálida, aspecto mole, olheiras nos olhos, esquelético na cara, magreza excessiva, cabelo oleoso — foi promovido em revistas populares e no meio da moda como “chique.”

Tal como as estrelas do rock contribuíram para tornar popular o LSD durante os anos 60, também alguns desenhadores de moda, fotógrafos e pessoas dos anúncios de hoje influenciaram uma geração inteira de jovens ao retratarem o consumo de heroína em revistas e vídeos de música como moda e até mesmo desejável.

UMA INCLINAÇÃO MUITO ESCORREGADIA

Algumas crianças fumam cigarros e bebem álcool enquanto ainda muito novas. Na altura em que acabem o liceu, aproximadamente 40% de todos os jovens terão experimentado marijuana. Alguns passam mais tarde a substâncias mais viciantes.

Nós não podemos assumir que todas as crianças que fumam marijuana hoje tornar–se–ão viciadas de heroína amanhã. Mas o perigo existe. E estudos a longo prazo de estudantes de liceu mostram que muito poucos jovens usam outras drogas sem primeiro terem experimentado marijuana. A partir da altura que a pessoa não sente mais a “intensidade”, procura e começa a aumentar o consumo de droga ou procurar algo mais forte.

VAMOS ENFRENTAR A REALIDADE

As crianças a ter contacto com drogas ilegais estão a aumentar.

O Inquérito Nacional sobre o Consumo de Drogas e Saúde de 2007 descobriu que mais de 9,5% dos jovens com idades entre os 12 e 17 nos EUA eram atualmente consumidores de drogas ilícitas. Em 2008, o Centro Nacional de Toxicodependência da Universidade de Columbia relatou que o consumo de marijuana por dia, entre estudantes universitários dobrou, e o consumo de cocaína e heroína estava em alta também.

De acordo com o Gabinete para as Drogas e Crime das Nações Unidas estima–se que em 2008, 16 milhões de pessoas mundialmente consumiam opiáceos: ópio, morfina, heroína e opiáceos sintéticos.

A NOVA CARA DA HEROÍNA

A imagem de um jovem heroinômano apático caído num imundo beco escuro é obsoleta. Hoje, o jovem toxicodependente pode ter 12 anos, brincar com jogos de vídeo e desfrutar a música da sua geração. Pode ter uma aparência de inteligente, com estilo e não exibir nenhum dos traços comuns de consumo de heroína, tais como marcas de agulha no seu braço.

Por estar disponível em várias formas que são mais fáceis de consumir e mais acessíveis, a heroína hoje em dia é mais tentadora do que nunca. Entre 1995 e 2002, o número de adolescentes na América com idade entre os 12 e 17 anos que usou heroína nalguma altura das suas vidas aumentou 300%.

Um jovem que possa pensar duas vezes em pôr uma agulha no braço pode mais facilmente fumar ou “snifar” a mesma droga. Mas isto é dar falsa garantia e pode dar à pessoa a ideia de que há menos perigo. A verdade é que a heroína em todas as suas formas é perigosa e viciante.

A droga altamente viciante conhecida como “queijo” (heroína) é uma mistura de heroína preta do México (chamada “piche preto” por causa da sua cor) e devido à quantidade de medicação contida nela, tal como Tylenol PM.

A droga custa apenas um par de dólares sendo um sucesso em crianças com apenas 9 anos de idade, dependentes em “queijo”, algumas destas já deram entradas em urgências hospitalares por abstinência de heroína.

A combinação das duas drogas pode causar mudanças vitais no corpo, como respiração e batimento cardíaco lento resultando em morte. Desde 2004, o “queijo” é responsável por pelo menos quarenta mortes na região do Norte do Texas, segundo autoridades locais.

O QUE OS TRAFICANTES LHE DIRÃO

Quando se entrevistaram adolescentes para se descobrir porque é que eles tinham começado a consumir drogas em primeiro lugar, 55% respondeu que fora devido à pressão dos seus amigos. Eles queriam ser porreiros e populares. Os traficantes sabem disto.

Eles aproximar–se–ão de si como um amigo e oferecer–lhe algo para “o ajudar” com algo para “o animar”. A droga ajudá–lo–á a “enquadrar–se” ou “a ser porreiro”.

Os traficantes, motivados pelo dinheiro que fazem, dir–lhe–ão qualquer coisa para o ter a comprar as suas drogas. Eles dir–lhe–ão que “a heroína é um cobertor quente” ou “a heroína será a sua melhor elevação”.

Eles não se importam se as drogas arruinarem a sua vida desde que eles sejam pagos. Tudo quanto lhes interessa é o dinheiro. Traficantes reformados admitiram que viam os seus compradores como “peões num jogo de xadrez”.

Obtenha os factos sobre as drogas. Tome as suas decisões.