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9/29/2015

Exterminadores de neurônios

Certas substâncias são um veneno para nossas células nervosas 

ÁLCOOL
A droga mais popular do mundo "deprime" o sistema nervoso - ou seja, faz com que certas áreas dele funcionem menos. O cérebro de alcoólatras pode até diminuir de tamanho. 

MACONHA
Tem a capacidade de matar neurônios em desenvolvimento (o que pode explicar, por exemplo, os prejuízos na aprendizagem notados em crianças filhas de mulheres que fumaram a erva durante a gravidez).

COCAÍNA
Seu uso contínuo danifica os circuitos cerebrais que ajudam a produzir a sensação de prazer. Isso pode explicar as altas taxas de depressão verificadas entre os dependentes dessa droga.

ANFETAMINAS
Frequentemente usadas para aumentar o desempenho físico e mental, elas podem danificar os neurônios que produzem dopamina, um dos mensageiros químicos do cérebro.

ANTIDEPRESSIVOS
Ao afetar os minúsculos canais que os neurônios usam para receber mensagens de outras células, esses remédios também podem levar à morte neuronal.

SUBSTÂNCIAS TÓXICAS
Pesticidas, solventes industriais e metais pesados (como chumbo e mercúrio, por exemplo), também matam células nervosas dependendo do quanto forem expostas a eles.

RADIO E QUIMIOTERAPIA
A radioterapia em tumores localizados no cérebro, bem como a quimioterapia, pode resultar na destruição de grande quantidade de neurônios como efeito colateral.

Abstinência e dependência química

Uma concepção errada que prevalece tanto na profissão médica como no público leigo é que o tratamento da dependência química invariavelmente fracassa. Nada mais longe da verdade. Na maioria das drogas, o tratamento da abstinência é eficaz e segura, embora a melhora seja variável (McLellan e cols. 1992). A atenuação das síndromes de abstinência associadas à nicotina com, por exemplo, adesivo de nicotina contribui para atingir a abstinência. O tratamento da abstinência alcoólica é fundamental, já que a abstinência grave do etanol constitui um estado muito tóxico que pode resultar em eventos neurotóxicos cerebrais e, inclusive, morte se não for tratado.

A terapia de manutenção da abstinência de longo prazo também é eficaz quando administrada em centros de excelência. Comparações da eficácia de tratamentos da dependência química com a de tratamentos para outras doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e asma, apresentam taxas de sucesso terapêutico essencialmente similares, dentro do intervalo de 30%-60% de resultados bons (citado por C. O'Brien na Reunião de Abertura da Wellcome Trust, em Londres, 1994, ver também McLellan e cols. 1992). De fato, as principais razões para o fracasso terapêutico são as mesmas em todas essas condições: a não adesão ao tratamento.

Esses dados provam que o niilismo terapêutico constitui uma atitude inadequada que deve ser combatida e modificada para tornar mais acessíveis ao público geral os sucessos dos melhores programas de tratamento. A melhora do resultado terapêutico requer não apenas o desenvolvimento de fármacos mais eficazes, mas também a aplicação muito mais ampla de programas de tratamento integrados e baseados em conhecimentos aprofundados. Os viciados não formam uma população homogênea, e cada indivíduo tem uma série de problemas diferentes.

É necessário definir as necessidades terapêuticas dos grupos particulares de pacientes-alvo. Idealmente, cada paciente deveria participar de um programa de tratamento flexível e personalizado. Por exemplo, a terapia de reposição de nicotina é mais benéfica em pacientes com dependência mais grave, e a naltrexona funciona melhor em viciados em opiáceos que apresentam bom funcionamento social. Até agora, tem-se dado pouca ênfase ao desenvolvimento de farmacoterapias para subtipos de pacientes, o que pode constituir uma abordagem mais prática e realista. A exceção mais notável é o estudo de grande porte MATCH nos EUA, que atualmente avalia intervenções em alcoólatras desenhadas de acordo com determinadas variáveis biopsicológicas. Os achados desse estudo devem ser relatados logo.

Ampla variedade de terapias é utilizada na dependência química, o que torna difícil à avaliação completa de sua eficácia. Apesar das afirmações de alguns terapeutas, parece improvável que as comparações de terapias farmacológicas com os tratamentos cognitivos ou comportamentais sejam particularmente frutíferas; já é ponto pacífico que o melhor tratamento é uma combinação de terapias medicamentosas e psicossociais, aplicadas as duas em doses otimizadas (McLellan e cols. 1993). A abordagem terapêutica deve ser sistemática e seguir a política de passar para alternativas diante da ausência de resposta ao tratamento inicial. Além disso, talvez seja necessário à aplicação de várias estratégias no mesmo paciente durante os vários estágios de tratamento.

O desenho apropriado e a aplicação desse tratamento requerem habilidades especializadas, o que tem implicações profundas na formação de médicos, psicólogos e assistentes sociais. Para o fornecimento desse tipo de tratamento, requerem-se clínicas com instalações para a administração de tratamentos medicamentosos integrados e, idealmente, com recursos para pesquisas próprias.

A adesão ao tratamento não é apenas um problema importante, mas também um fator de prognóstico relevante. Os auto-relatos do uso de drogas ilícitas não são confiáveis, portanto, são necessárias medições independentes para avaliar o progresso do tratamento. É preciso que sejam mais bem estudados os fatores de motivação e os estágios de modificação da motivação. Técnicas como entrevistas de motivação, que incentivam e inflamam a vontade incipiente dos pacientes de controlar a sua dependência química, precisa ser pesquisadas em maior profundidade.

Visto que a ocorrência de transtornos psiquiátricos como co-morbidade do abuso de drogas é comum, é fundamental que o distúrbio psiquiátrico concomitante seja tratado para melhorar o prognóstico da dependência química. Por exemplo, as pessoas com histórico de depressão e abuso de nicotina respondem bem ao tratamento com antidepressivos tricíclicos no contexto de um programa comportamental abrangente para parar de fumar, que inclua a reposição de nicotina. Uma minoria significativa de homens jovens alcoólatras e viciados em drogas sofrem de fobia social e resulta-lhes mais fácil controlar seu consumo de drogas se a sua ansiedade for apropriadamente tratada. Nesse caso a detecção e intervenção precoces são importantes para prevenir as conseqüências secundárias do consumo de drogas e álcool e dos efeitos negativos dessas conseqüências sobre o resultado terapêutico.

Abstinência 

Abstenção do uso de droga ou (particularmente) de bebidas alcoólicas, por questão de princípio ou por outras razões. O indivíduo que pratica a abstinência é chamado de abstêmio. Deve-se, no entanto, diferenciar abstêmio (que não bebe ou não usa drogas) de abstinente (que não está, atualmente, bebendo; que não está, atualmente, usando drogas). A expressão "atualmente abstinente", freqüentemente usada em levantamentos populacionais, geralmente define uma pessoa que não ingeriu bebidas alcoólicas nos últimos 12 meses; esta definição não coincide necessariamente com a descrição que o próprio indivíduo faz de si como um abstêmio. O termo "abstinência" não deve ser confundido com "síndrome de abstinência". 

Abstinência condicionada 

Síndrome com sinais e sintomas semelhantes à abstinência, geralmente vivenciados por indivíduos dependentes de álcool ou opiáceos, que são expostos a estímulos previamente associados com ouso de álcool ou outras drogas. De acordo com a teoria clássica do condicionamento, estímulos ambientais não condicionados, temporariamente associados a reações de abstinência, tornam-se estímulos condicionados capazes de eliciar os mesmos sintomas de abstinência. Em outra versão da teoria do condicionamento, uma resposta inata compensatória aos efeitos de uma substância (tolerância aguda) torna-se condicionada e associada aos estímulos relacionados ao uso da substância. Se os estímulos são apresentados sem a efetiva administração da substância, a resposta condicionada é eliciada como uma reação compensatória do tipo da abstinência. 

Abstinência protraída 

Ocorrência de sintomas da síndrome de abstinência, geralmente leves, mas desconfortáveis, por várias semanas ou meses após a síndrome de abstinência física aguda ter passado. Esta é uma condição encontrada em dependentes do álcool, dependentes de sedativos, e dependentes de opióides. Os sintomas psíquicos tais como ansiedade, agitação, irritabilidade e depressão são mais proeminentes que os sintomas físicos. Os sintomas podem ser precipitados ou exacerbados pela visão do álcool ou da droga de dependência, ou pelo retorno ao ambiente previamente associado ao uso de álcool ou de outra droga. 

Abstinência, sintomas de - Efeitos físicos e mentais da retirada de substâncias aditivas dos pacientes que se tornaram dependentes delas. 

9/17/2015

HEPATITE B e Drogas

O que é?

É uma inflamação do fígado causada pelo vírus da Hepatite B (HBV).

Como se adquire?

Transfusões de sangue foram a principal via de transmissão da doença, circunstância que se tornou rara com a obrigatória testagem laboratorial dos doadores e rigoroso controle dos bancos de sangue. Atualmente, o uso compartilhado de seringas, agulhas e outros instrumentos entre usuários de drogas, assim como relações sexuais sem preservativo (camisinha) são as formas mais frequentes de contaminação na população.

O contato acidental de sangue ou secreções corporais contaminadas pelo vírus, com mucosa ou pele com lesões também transmitem a doença.

Gestantes (grávidas) portadoras do vírus podem transmitir a doença para os bebês, sendo o momento do nascimento, seja por parto normal ou por cesariana o principal momento de risco para a transmissão.

O que se sente e como se desenvolve?

Assim como em outras hepatites, muitas pessoas não apresentam sintomas e descobrem que são portadoras do vírus, em atividade ou não, em exames de rotina. Quando presentes os sintomas ocorrem em fases agudas da doença e são semelhantes aos das hepatites em geral, se iniciando com:
mal-estar generalizado
dores de cabeça e no corpo
cansaço fácil
falta de apetite e náusea
febre
Após, surgem tipicamente coloração amarelada das mucosas e da pele (icterícia)
coceira no corpo
urina escura (cor de chá escuro ou coca-cola)
fezes claras (cor de massa de vidraceiro).

Ao final de 10 a 15 dias os sintomas gerais diminuem muito, mesmo na vigência da icterícia, que tende a desaparecer em 6 a 8 semanas em média. A resolução da doença ocorre em mais de 95% adultos que adquirem hepatite. 

Após a fase aguda, que pode passar desapercebida, 1 a 5% dos adultos não se curam da infecção e ficam com hepatite crônica. Desses, 25 a 40% podem desenvolver cirrose e câncer de fígado ao longo de décadas. Em crianças o risco da doença tornar-se portador de hepatite crônica é bem maior, cerca de 90% em recém nascidos e 50% da infância.

A forma clínica mais grave, chamada de hepatite fulminante, na qual há elevado risco de morte, ocorre em menos de 1% dos pacientes que adquirem o vírus.

O risco de doença crônica com má evolução é maior em quem usa bebida alcoólica, em bebês que adquirem a doença no parto e em pessoas com baixa imunidade (pacientes com AIDS, em quimioterapia, ou submetidos a transplante de órgãos, por exemplo).

Como o médico faz o diagnóstico?

Os sintomas não permitem identificar a causa da hepatite. Hepatites em adultos, especialmente se usuários de drogas injetáveis, homossexuais ou pessoas com muitos parceiros sexuais levantam a suspeita de hepatite B.

A confirmação diagnóstica é feita por exames de sangue, onde são detectados anticorpos ou partículas do vírus da hepatite B. O exame central no diagnóstico da hepatite B crônica é o chamado antígeno de superfície do vírus B (HBsAg), que quando reagente (positivo) indica a presença do vírus e possibilidade de transmisão. A quantificação do vírus (HBV-DNA quantitativo, também chamado PCR quantitativo), realizada também por exame de sangue, é usada para confirmação da atividade do vírus e é fundamental na definição da necessidade e monitorização do tratamento.

A biópsia hepática (retirada de pequeno fragmento do fígado com uma agulha fina para análise microscópica) pode ser necessária para avaliar o grau de comprometimento do fígado e a necessidade de tratamento.

Como se trata?

A hepatite B aguda não requer tratamento medicamentoso específico. Remédios para náuseas, vômitos e coceira, bem como administração endovenosa de líquidos (soro) podem ser usados ocasionalmente.

O repouso no leito não deve ser exigido uma vez que não afeta a evolução para hepatite crônica ou fulminante. A ingestão de álcool em qualquer quantidade é proibida.

O uso de qualquer medicamento deve ser avaliado pelo médico, já que muitos necessitam de um bom funcionamento do fígado para seu desempenho. A forma fulminante da hepatite aguda exige cuidados intensivos em hospital, podendo necessitar de transplante hepático de urgência.

Muitos casos de hepatite crônica B necessitam tratamento para evitar a evolução da doença e o risco de desenvolver cirrose e suas complicações. Os tratamentos podem ser divididos em dois grupos: o primeiro, formado pelo interferon e pelo interferon peguilado é injetável por via subcutânea, e o segundo, formado pelas medicações de uso oral. 

Os interferons, tem a vantagem de ser a única opção com prazo definido de tratamento, geralmente cerca de um ano. Entretanto, a quantidade de pacientes com resposta ao uso do interferon na hepatite B é reduzido, geralmente abaixo de 15-20%. Além disso, os efeitos adversos restringem o uso do interferon a casos selecionados com maior chance de resposta.

A maioria dos indivíduos que necessitam tratamento são candidatos ao uso por prazo indeterminado de uma medicação oral. Os agentes atualmente disponíveis são a lamivudina, o adefovir, o entecavir e o tenofovir. Devido ao menor desenvolvimento de resistência, o entecavir e o tenofovir tem sido as medicações preferenciais para novos tratamentos. 

Para pacientes já em tratamento com os outros agentes, o acréscimo de mais uma medicação deve ser discutido individualmente com o seu médico. O tratamento por via oral costuma ser bem tolerado, e com poucos efeitos adversos.

Como se previne?

A vacina para hepatite B deve ser feita em todos os recém-nascidos, iniciando o esquema vacinal já no primeiro mês de vida. Adultos não vacinados e que não tiveram a doença também podem fazer a vacina, que está especialmente recomendada a pessoas que cuidam de pacientes, a profissionais da área da saúde, aos portadores do vírus da hepatite C, alcoolistas e a indivíduos com quaisquer outras doenças hepáticas. Deve-se usar luvas, máscara e óculos de proteção quando houver possibilidade de contato com sangue ou secreções corporais.

Pessoas que tiveram exposição conhecida ao vírus (relação sexual com indivíduo contaminado, acidente com agulha) devem receber uma espécie de soro (imunoglobulina) nos primeiros dias após o contato, o que pode diminuir a chance ou, pelo menos, a intensidade da doença. Recém-nascidos de mães com hepatite B devem receber imunoglobulina específica e vacina imediatamente após o parto para diminuir o risco do bebê desenvolver a doença. O tratamento da mãe para diminuir o risco de transmissão deve ser discutido individualmente com o especialista.

Drogas Injetáveis e ENDOCARDITES

O que são endocardites?

Endocardite é o nome dado às afecções, infecciosas ou não, do endocárdio.

O coração é formado por três camadas: o pericárdio é a externa, o miocárdio é a medial e o endocárdio é a interna, da qual fazem parte as válvulas cardíacas.

A maioria das endocardites tem uma origem infecciosa e os microorganismos mais freqüentemente causadores dessa doença são: 

bactérias
fungos
micobactérias
riquetsias
clamídias
micoplasmas

Os agentes mais comuns são: 

estreptococos
estafilococos
enterococos
alguns germes gram-negativos

Também existem reações inflamatórias do endocárdio provocadas por doenças auto-imunes, nas quais não encontramos um agente infeccioso na reação inflamatória do endocárdio.

A endocardite se localiza preferencialmente nas válvulas do coração, mas pode ser encontrada em qualquer parte do endocárdio, podendo ser classificada em aguda e subaguda.

A aguda se caracteriza pela intensa toxicidade e rápida progressão, podendo evoluir em dias para a morte. Costuma provocar infecções à distância, como no cérebro, rins, pulmões, fígado, olhos. O agente etiológico mais comum é o estafilococos aureus.

Já a subaguda tem a evolução mais lenta, persistindo por até meses e, na maioria dos casos, é causada por Estreptococos viridans, enterococos, estafilococos coagulase negativos ou bacilos gram-negativos.

A endocardite pode atingir as pessoas em qualquer idade e os sintomas e sinais principais são: 

febre de longa duração
suores noturnos persistentes
astenia, baço aumentado de volume
alterações cardíacas, como o agravamento súbito de uma doença cardíaca previamente existente.

O que favorece o aparecimento de endocardites ?

As pessoas portadoras de lesões valvulares do coração, congênitas ou adquiridas, são as mais propensas a apresentarem a doença. Contudo, a endocardite também ocorre em pessoas que não tenham lesões cardíacas.

As endocardites surgem principalmente depois de procedimentos invasívos, em que há a invasão do organismo, como cirurgias, extrações dentárias, colocação de sondas, manipulação de abscessos (cuidado com espremer espinhas ou furúnculos!). Em alguns grupos, a metade dos casos encontrados de endocardite é em pessoas que fizeram ou fazem uso de drogas injetáveis.

Um outro grupo de pessoas seguidamente acometido de endocardite encontra-se entre os que foram submetidos a cirurgia cardíaca. Existem trabalhos que relatam que até 30% das válvulas artificiais implantadas nos corações são atingidas por infecção.

Diagnóstico

O diagnóstico de endocardite é feito principalmente quando existe um alto índice de suspeita do médico naqueles pacientes que tenham febres prolongadas e sem um outro diagnóstico que explique a elevação da temperatura. 

A história de procedimentos cirúrgicos, dentários e uso de drogas aumentam a suspeita. Para um diagnóstico de endocardite, o médico se vale de um bom exame clínico do sistema cardiovascular, no qual se destacam o surgimento ou a alteração em sopros anteriormente existentes, o aumento do baço, alterações ecocardiográficas e culturas do sangue.

Atualmente, um dos exames que mais auxilia para o diagnóstico de endocardite é a ecografia trans-esofágica. Em um grande número de casos, não se consegue obter uma cultura positiva do sangue para identificar o agente causador da endocardite. 

Nos melhores laboratórios, que tenham acesso às técnicas mais apuradas, em cerca de 70 a 80% dos casos em que se colhe o sangue dos pacientes se consegue obter culturas positivas que identifiquem o agente etiológico. Uma das razões para a falta de identificação está no fato da maioria dos pacientes estarem recebendo antibióticos administrados às cegas, isto é, sem ter um diagnóstico etiológico confirmado.

Tratamento

O tratamento é feito com antibióticos em doses generosas e durante um tempo prolongado, em média 30 dias. Alguns pacientes, uma vez curada a infecção do coração, havendo alterações severas de válvulas, devem ser submetidos a troca cirúrgica dessa válvula. 

Denomina-se de endocardite hospitalar aquela que ocorre em pessoas tratadas em hospital, que não foram submetidas a procedimentos sobre o coração, e que tendo ou não uma lesão cardíaca ou uma válvula artificial, desenvolvem endocardite atribuída ao uso de agulhas ou cateteres infectados, instrumentação ou cirurgia de vias urinárias ou digestivas.

Microrganismos mais freqüentemente envolvidos na endocardite 

Estreptococcus viridans
de 30 a 65% dos casos de endocardite não relacionados ao uso de drogas ilícitas, são causados por esse agente. Ele é um habitante normal das nossas vias aéreas e orofaringe. Essa endocardite é muito encontrada em portadores de lesões valvulares que foram submetidos a tratamentos dentários nos dias precedentes à descoberta de endocardite.

Estreptococcus bovis (e outros)
é geralmente um habitante normal do trato digestivo, estando envolvido em cerca de 27% dos casos de endocardite. É mais freqüente em pacientes portadores de câncer ou pólipos intestinais.

Estreptococcus pneumoniae
Embora esse germe seja muito encontrado no sangue dos portadores de infecções causadas por ele, só em 1 a 3% ele atinge o coração. É encontrado em alcoolistas e costuma estar associado a meningite e pneumonia.

Enterococcus
Em 85 % dos casos de endocardite provocada pelos enterococos, os responsáveis são e E. faecalis ou o E. faecium. São habitantes normais do trato digestivo e urinário e os casos de endocardite por eles causados costumam ser em pessoas jovens, principalmente em mulheres jovens e homens idosos, como conseqüência da manipulações do trato genitourinário.

Estafilococos
O E. aureus dos coagulase positivos e o E. epidermidis entre os coagulase negativos, são os mais encontrados em casos de endocardite provocados pelo uso de sondas, drenos e próteses de uso hospitalar.

Fungos
Os fungos podem estar envolvidos em casos de endocardite, bacteriana ou não, que se caracterizam por lesões vegetantes de proporções maiores causando embolias. São particularmente encontrados em pacientes que tiveram válvulas cardíacas trocadas e em usuários de drogas ilícitas injetáveis.

Endocardite não bacteriana trombótica
Pode surgir em pacientes que tenham sofrido uma lesão no endocárdio e em portadores de doenças que se acompanham de hipercoagulabilidade do sangue. É mais encontrada em pessoas idosas, em portadores de doenças malignas, lesões de válvulas, portadores de lupus eritematoso sistêmico e em pacientes que tiveram cateteres implantados em procedimentos hospitalares. Esse tipo de endocardite chega a ser detectado em l,3% das necrópsias.

Sintomas e sinais

Sintomas de endocardite, mais freqüentes: 

Calafrios - 40 a 70%
Suores, principalmente noturnos - 25%
Emagrecimento - 25 a 35%
Falta de ar - 20 a 40%
Tosse - 25%
Confusão mental - 10 a 20%
Dores diversas - 5 a 35%.
Febre - 80 a 90%
Sopro no coração - 80 a 85%
Mudanças dos sopros cardíacos - 10 a 40%
Agravamento súbito de doença cardíaca preexistente - 30%
Alterações neurológicas - 30 a 40%
Embolias arteriais ou pulmonares - 20 a 40%
Aumento do baço - 15 a 50%
Manifestações periféricas - 5 a 40% (em pele, unhas, fundo do olho)

É importante saber que qualquer endocardite necessita do acompanhamento urgente de um médico para orientar o diagnóstico e o tratamento.

Alcoolismo e DELÍRIO

O que é?

São todas as doenças que levam uma pessoa a ouvir, enxergar e pensar que está vivenciando uma situação inexistente podendo levar o paciente a um quadro de agitação e/ou agressividade.

Como se desenvolve?

As causas são as mais diversas possíveis. Doenças, uso de drogas ilícitas, remédios entre outras. As doenças de fígado, hemorragias e isquemias cerebrais podem levar a delírio.

O uso de LSD (ácido lisérgico), mescalina, cocaína, cola de sapateiro, intoxicação por metais pesados também podem levar a delírio. Sífilis, encefalites e meningite podem criar quadros de delírio. Epilepsias do lobo frontal e temporal levam o indivíduo a ouvir e enxergar coisas que não existem. Remédios para doença de Parkinson e corticóides podem levar os pacientes a delírio. Alguns tumores cerebrais levam a delírio, mas não é comum.

Pacientes psiquiátricos, com bastante freqüência, têm delírios que podem ser de lógicos e bem estruturados a quadros bem pouco elaborados.

Privação de drogas podem levar também a quadros de delírio, como nos pacientes que deixam de ingerir álcool de forma súbita.

O que se sente?

O indivíduo passa a ter visões incongruentes, ouvir sons ou vozes e a ficar agitado com a sua percepção, muitas vezes inverossímil para o próprio paciente.

Como o médico faz o diagnóstico?

O diagnóstico é feito através de entrevista com o paciente, com perguntas corriqueiras como: quem ele é; em que país se encontra; idade e situações de seu cotidiano bem conhecidas. Caso o paciente responda de forma inadequada, apresentando-se agitado, tem-se grande chance de que esse paciente esteja em delírio.

A tomografia computadorizada do encéfalo (TC) e a ressonância magnética do encéfalo (RM) nos informam sobre alguma alteração cerebral do paciente.

Exames para dosagem de drogas na urina e sangue, bem como alguma prescrição de medicamentos, devem ser avaliados.

Exames de laboratório para sangue e urina são úteis em doenças metabólicas das mais variadas.

Como se trata e como se previne?

A prevenção é possível nos casos de uso de drogas, doenças infecciosas e intoxicação por metais pesados.

O tratamento da dependência a agentes químicos é difícil e necessita de ajuda especializada. As doenças infecciosas devem ser tratadas com medicação específica para cada uma delas. Algumas medicações devem ser descontinuadas por produzirem efeitos indesejáveis.

Os tumores cerebrais devem ser tratados com cirurgia. 

Alcoolismo e CIRROSE

O que é?

A cirrose é uma doença difusa do fígado, que altera as funções das suas células e dos sistemas de canais biliares e sanguíneos.

É o resultado de diversos processos, entre os quais, a morte de células do fígado e a produção de um tecido fibroso não funcionante. Isto prejudica toda a estrutura e o trabalho do fígado.

Como se adquire e como se desenvolve?

Após períodos variáveis de tempo, indivíduos com inflamações crônicas do fígado estão sujeitos a desenvolverem cirrose.

Não é possível prever quais as pessoas com doença de fígado que terão cirrose.

As causas mais comuns são: 

As hepatites crônicas pelos vírus B e C
O alcoolismo.

Outras causas menos comuns são: 

As hepatites por medicamentos;
Hepatite Autoimune;
Esteatohepatite não-alcoólica (NASH);
Doenças genéticas (Hemocromatose, Doença de Wilson);

A cirrose biliar primária ou secundária (dificuldade crônica, sem causa definida, do fluxo de bile desde o interior do fígado ou, eventualmente, após cirurgias complicadas da vesícula, das vias biliares ou do fígado).

Em recém-nascidos, a atresia de vias biliares (uma malformação dos canais que conduzem a bile do fígado ao intestino) é importante causa da rápida instalação de cirrose no bebê, situação curável apenas por cirurgia precoce ou transplante hepático.

O que se sente?

A doença se desenvolve lentamente e nada pode ser percebido por muitos anos. A cirrose por si mesma dificilmente causa sintomas em seu início, porém, com a evolução para estágios mais avançados, o insuficiente funcionamento do fígado leva ao aparecimento de diversas manifestações.

Dependendo do paciente e da causa da cirrose poderão ser predominantes sintomas de um ou mais grupos.

As alterações relacionadas aos hormônios são: 

Perda de interesse sexual;
Impotência;
Esterilidade;
Parada das menstruações;
Aumento das mamas dos homens;
Perda de pelos.

As alterações relacionadas à circulação do sangue no fígado (hipertensão da veia porta) levam a: 

Aumento do baço
Varizes do esôfago e estômago com risco de hemorragias graves (vômito ou fezes com sangue)
Ascite (barriga d'água)
Devido à incapacidade do trabalho da célula hepática, acumula-se bile no sangue, surgindo a icterícia (amarelão), que pode estar associada à coceira no corpo.

Muitas outras alterações podem ocorrer, tais como: 

Inchaço nas pernas;
Desnutrição (emagrecimento, atrofia muscular, unhas quebradiças);
Facilidade de sangramento (gengiva, nariz, pele);
Escurecimento da pele.

A Encefalopatia Hepática (EpH) – síndrome com alterações cerebrais decorrentes da má função hepática, produz: 

Sonolência excessiva durante o dia e dificuldade de dormir a noite;
Agitação ou agressividade no comportamento, dificuldade de escrever, de falar, de dirigir veículos, de cálculos simples.


Esta EpH tem vários graus e chegando ao coma, pode levar à morte. A encefalopatia pode ocorrer pela progressiva evolução da doença do fígado ou por intercorrências agudas de infecção, sangramento, excesso alimentar de proteínas ou constipação (dificuldade de evacuação).

Como o médico faz o diagnóstico?

O diagnóstico definitivo de cirrose é feito por biópsia hepática (obtida por punção do fígado com agulha especial) e análise microscópica do material obtido nesse exame. Em muitos casos, quando o paciente chega ao médico, seu quadro já é típico da doença e a avaliação complementar mais simples, com a ecografia , a endoscopia digestiva e alguns exames de sangue, é suficiente para estabelecer o diagnóstico clínico, dispensando a biópsia.

Quando existe uma história de uso excessivo de bebidas alcoólicas ou exames de sangue positivos para os vírus da hepatite B ou C fica facilitado o diagnóstico da causa da cirrose. Diversos outros exames estão disponíveis para investigação das causas menos comuns de cirrose.

Como se trata?

A suspensão do agente agressor (álcool, drogas) ou a eliminação/controle do vírus da hepatite pode desacelerar ou parar a evolução da doença, evitando as complicações mais graves. Entretanto, a cirrose avançada é um processo irreversível.

Cada uma das complicações da cirrose exige um tratamento específico, geralmente visando o controle de situações agudas como sangramentos, infecções, ascite ou encefalopatia. O transplante de fígado aparece como única opção de cura da doença, alcançando bons resultados. Ainda é um tratamento difícil de ser conseguido pela falta de doadores, complexidade da cirurgia e do controle ao longo prazo da rejeição.

Como se previne?

A melhor prevenção das cirroses de origem viral é através da vacinação contra Hepatite B, dos rigorosos critérios de controle do sangue usado em transfusões, do uso de preservativos nas relações sexuais e do uso individualizado de seringas pelos usuários de drogas injetáveis. Destas formas, a cirrose causada pelas hepatites B e C podem ser minimizadas.

É necessário o tratamento dos portadores das hepatites crônicas B e C, antes que evoluam para cirrose. E nos portadores de cirrose inicial, para prevenir que cheguem a estágios mais avançados.

No caso do álcool, deve-se evitar o seu uso excessivo. É exigida a parada total do seu consumo em indivíduos com hepatite B ou C.

Apesar de apenas uma minoria das pessoas que bebem demais terem cirrose, o risco aumenta proporcionalmente à quantidade e ao tempo de consumo. Não é possível precisar que quantidade de álcool causará cirrose em determinada pessoa, entretanto, doses acima de 20g de álcool por dia, o equivalente a duas latas de cerveja ou duas taças de vinho, ou duas doses de destilado, são suficientes para, em certos homens, causar doença. Em mulheres, a metade desta dose, ou seja, 10 gramas de álcool por dia, já pode provocar cirrose.

Deve-se lembrar que pessoas aparentemente “resistentes” ao álcool, ou seja, que ingerem frequentemente bebidas, porém não ficam embriagadas (bêbadas), podem não ter o fígado tão resistente, e desenvolver cirrose sem nunca terem ficado bêbadas.