Escolha o Idioma

Mostrando postagens com marcador Aprendizagem. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Aprendizagem. Mostrar todas as postagens

10/11/2015

Solidão

Solidão é a falta de companhia. Essa falta (ou carência) pode ser voluntária (quando a pessoa decide estar sozinha) ou involuntária (quando o sujeito se encontra sozinho por circunstâncias diversas da vida).

A solidão, por conseguinte, implica a falta de contato com outras pessoas. Trata-se de um sentimento ou estado subjetivo, tendo em conta que existem diferentes graus ou matizes de solidão podendo ser encarados de diferentes formas dependendo da pessoa.

Em princípio, a solidão absoluta não existe. Há sempre alguém com quem se mantenha uma certa proximidade, seja física ou emocional. Por outro lado, a solidão, em certas ocasiões, é valorizada por muitas pessoas, havendo, aliás, quem a considere imprescindível para descansar ou se concentrar.

Independentemente das diferenças pessoais, a solidão durante períodos extensos costuma ser considerada como algo que causa dor e insatisfação, razão pela qual as pessoas tendem a procurar contato social, seja em reuniões, passeios ou saídas.

Os monges de certas congregações decidem viver na solidão como uma forma de se ligarem ao seu mundo interior (espiritual). Aliás, existem grupos de monges que, apesar de viverem em comunidade, não conversam sequer uns com os outros.

Solidão é um sentimento no qual uma pessoa sente uma profunda sensação de vazio e isolamento. A solidão é mais do que o sentimento de querer uma companhia ou querer realizar alguma atividade com outra pessoa não por que simplesmente se isola, mas por que os seus sentimentos precisam de algo novo que as transforme. Solidão não é o mesmo que estar desacompanhado.

Muitas pessoas passam por momentos em que se encontram sozinhas, seja por força das circunstâncias ou por escolha própria. Estar sozinho pode ser uma experiência positiva, prazerosa e trazer alívio emocional, desde que esteja sob controle do indivíduo.

Pablo Neruda: Saudade é solidão acompanhada, é quando o amor ainda não foi embora, mas o amado já...

Friedrich Nietzsche: Minha solidão não tem nada a ver com a presença ou ausência de pessoas...detesto quem me rouba a solidão, sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia ...

Augusto Cury: Quando somos abandonados pelo mundo, a solidão é superável; quando somos abandonados por nós mesmos, a solidão é quase incurável.

Luiz Gasparetto: Solidão é a distância que o separa de você mesmo e não a distância que o separa dos outros

Eu poderia colocar aqui diversos pensamentos e pontos de vista sobre a solidão.... Percebo que é um sentimento que difere de pessoa a pessoa, vejo que a palavra solidão tem muitos significados, e como é sentimento, cada um sente do seu jeito...

Se fosse eu dizer o que acho.... Diria tudo que já foi dito, que sentimos solidão acompanhados, em meio a uma multidão, que sentimos solidão quando alguém nos rouba a paz, que sentimos solidão quando estamos vazios de nós mesmos, sem rumo, sem objetivos, e queremos que o outro preencha o que só cabe a nós preencher...

Que estar só, não faz com que nos sintamos obrigatoriamente em estado de solidão, que cada ser em particular, sabe decifrar o seu próprio mal e que muitas vezes é necessário, o estar só...para o autoconhecimento e para a criação...o artista é um ser naturalmente solitário.

"Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros." (Clarice Lispector)

Para sentir solidão, entretanto, o indivíduo passa por um estado de profunda separação. Isto pode se manifestar em sentimentos de abandono, rejeição, depressão, insegurança, ansiedade, falta de esperança, inutilidade, insignificância e ressentimento. Se tais sentimentos são prolongados eles podem se tornar debilitantes e bloquear a capacidade do indivíduo de ter um estilo de vida e relacionamentos saudáveis. Se o indivíduo está convencido de que não pode ser amado, isto vai aumentar a experiência de sofrimento e o consequente distanciamento do contato social. A baixa autoestima pode dar início à desconexão social que pode levar à solidão.

A solidão ocorre com frequência em cidades densamente populosas; nestas cidades muitas pessoas podem se sentir totalmente sozinhas e deslocadas, mesmo quando rodeadas de pessoas. Elas sentem a falta de uma comunidade identificável numa multidão anônima. É incerto se a solidão é uma condição agravada pela alta densidade populacional ou se é uma condição humana trazida à tona por tal estrutura social. 

De fato, a solidão ocorre mesmo em populações menores e menos densas, mas a quantidade de pessoas aleatórias que entram em contato com o indivíduo diariamente numa cidade grande pode levantar barreiras de interação social, uma vez que não há profundidade nos relacionamentos, e isso pode levar à sensação de deslocamento e solidão. A quantidade de contatos não se traduz na qualidade dos contatos.

A solidão parece ter se tornado particularmente prevalente nos tempos modernos. No começo do século XX as famílias, eram tipicamente maiores e mais estáveis, os divórcios eram raros e relativamente poucas pessoas viviam sozinhas. Hoje, há uma tendência de inversão desses valores.

A escola existencialista vê a solidão como essência do ser humano. Cada pessoa vem ao mundo sozinha, atravessa a vida como um ser em separado e, no final, morre sozinho. Aceitar o fato, lidar com isso e aprender como direcionar nossas próprias vidas de forma bela e satisfatória é a condição humana.

Alguns filósofos, como Jean-Paul Sartre, acreditaram numa solidão epistêmica, onde ela é parte fundamental da condição humana por causa do paradoxo entre o desejo consciente do homem de encontrar um significado dentro do isolamento e do vazio do universo. Entretanto, alguns existencialistas pensam o oposto: os indivíduos precisariam se engajar ativamente uns aos outros e formar o universo na medida em que se comunicam e criam, e a solidão é meramente o sentimento de estar fora desse processo.

Um outro tratamento, tanto para depressão quanto para a solidão, é a terapia de animais de estimação, ou terapia através da presença de animais de companhia, como cachorros, gatos, coelhos e até mesmo porquinhos-da-índia. De acordo com a agência Centers for Disease Control and Prevention, existem vários benefícios associados aos animais de estimação. 

Além de atenuar a sensação de solidão (mesmo porque isto pode também levar à socialização com outros donos de animais semelhantes), ter um animal de estimação diminui a ansiedade e, consequentemente, os níveis de stress no organismo.

A solidão é o resultado da quebra de confiança nas relações de um mundo globalizado, mas cada vez mais imerso nas distorções da busca por satisfação individual. As últimas novidades em tecnologia da comunicação e redes sociais atendem a esta demanda, portanto facilitando o estabelecimento de contatos de modo rápido e eficiente. 

Este modo de se relacionar, entendido mais como sintoma do que causa, revela a busca de quantidade em detrimento da qualidade no contato com o outro. Qualidade implica em encontros pessoais, disposição para acordos, que entre outras coisas, importa em tempo. Tempo para dar e receber é artigo de luxo, produto escasso no mercado. 

Se por um lado, a quantidade otimizada na equação tempo e amigos resolve o problema de não ficar sozinho e ter o que fazer, por outro lado encobre o fato de que a forma de contato é artificial, superficial e descartável, enfim inconsistente. 

A ideia de que ninguém vive sozinho e que o ser humano foi criado para ter o seu convívio dentro de uma sociedade não são conceitos novos. Inclusive, isso é algo tão enraizado na nossa cultura que o fato de alguém estar sozinho ou se sentir dessa forma pode ser algo que o leve facilmente a uma depressão.

O problema nisso é que as redes sociais passaram a representar quase uma obsessão pela autoimagem de um indivíduo. Muitos acabam dedicando horas à construção do que consideram um perfil adequado, selecionando apenas as fotografias que julgam conter os seus melhores ângulos e escrevendo apenas frases que transmitam um pouco da “pessoa ideal”, aquela sem qualquer tipo de falhas – a que todos gostariam de ser.

As pessoas se acostumam facilmente a “colecionar” amigos nas redes sociais, substituindo uma boa conversa pessoal por uma mera conexão. A cada dia a “qualidade” é trocada pela “quantidade” e a definição de “relacionamento” passa a ser representada pela troca de imagens e algumas poucas linhas de texto em um chat online.

Você passa a esperar menos das pessoas e começa a desejar que os métodos tecnológicos para a comunicação passem por evoluções que tragam funções novas. Muitos autores costumam dizer que o uso excessivo da internet faz você passar a vê-la como um modelo ideal de convivência e até mesmo a ter uma dificuldade muito maior para desenvolver relações pessoais.

Infelizmente, como resultado do uso excessivo desses meios para a comunicação, o que ocorre na maioria dos casos é que, mesmo que o indivíduo considere que tem muitos amigos, ele acaba se sentindo cada vez mais sozinho. Como somos vulneráveis à solidão, nos apegamos cada vez mais à tecnologia para tentar preencher esse vazio.

Isso porque as redes sociais trazem a impressão de que você pode passar uma imagem beirando a perfeição; sempre será ouvido e nunca estará sozinho. Assim, muitos passam a querer cada vez mais compartilhar experiências online para se sentirem “vivos” e “fazendo parte de um grande grupo”, e é por essas razões que a tecnologia mudou o conceito de estar sozinho e de sentir solidão.

A solidão é uma condição interior do Homem, uma sensação de carência absoluta, de um objetivo ou um desejo que sempre se desloca, gerando na alma esta percepção da falta. Os religiosos afirmam que este sentimento de separação, de desvinculação com alguma coisa que não se pode definir, indica que o ser humano está apartado do Criador, sinônimo de Eu Superior, Self ou o Todo no âmbito da psicologia.

Sociologicamente pode-se dizer que a solidão é fruto da marginalização social, da exclusão do indivíduo da sociedade convencional, por inadaptação ou pela recusa em seguir determinados parâmetros fixados socialmente. De acordo com esta ciência, quem não consegue conviver com as pessoas é, de certa forma, expulso do meio, e assim se sente sozinho.

Atualmente, com a conquista de uma liberdade financeira cada vez maior, muitas pessoas, independente de sexo ou faixa etária, vivem sós, mas não se sentem necessariamente sozinhas, pois elas revelam estar bem assim, pois optaram por esta condição existencial, o que não significa que elas foram excluídas ou se auto exilaram da vida social, mas apenas que escolheram manifestar sua independência desta forma. Mesmo porque alguém pode estar no meio de uma multidão e assim mesmo se sentir sozinho.

O sentimento da solidão também nasce da incapacidade das pessoas de se voltarem para si mesmas, de mergulharem no processo de autoconhecimento. Desta forma elas se distanciam de si mesmas e passam a procurar no outro o que deveriam buscar em seu íntimo.

O Homem deve aprender a ser só, a aceitar este estado natural, preparando-se assim para viver plenamente e concretizar suas metas. Pretender que não se está sozinho e não se alimenta a angústia na alma e tentar amenizar estas sensações vivendo a vida do outro, não soluciona em ninguém o problema da solidão.

A angústia provocada pela solidão é o sentimento que muitas pessoas experimentam quando se conscientizam de estarem sós no mundo. É o mal-estar que o ser humano experimenta quando descobre a possibilidade da morte em sua vida, tanto a morte física quanto a morte de cada uma das possibilidades da existência, a morte de cada desejo, de cada vontade, de cada projeto."



Aristóteles dizia que uma vida de contemplação seria a melhor vida para um homem. Ele se referia ao modo observador, por ele muito empenhado. Einstein também dizia: "Olhe profundamente a natureza e então entenderá tudo melhor". Observe e reflita.

9/29/2015

A Humildade

A humildade é a virtude que dá o sentimento exato da nossa fraqueza, modéstia, respeito, pobreza, reverência e submissão.

Humildade vem do Latim “humus” que significa “filhos da terra”, ao analisarmos esta frase, encontramos material suficiente para aprender sobre a humildade.

Filhos da Terra: sentimo-nos oprimidos sabendo que nosso lugar não é aqui, fomos criados a imagem e semelhança do Criador, descemos por nosso próprio livre arbítrio, devendo retornar atarvés do nosso esforço e trabalho, fazendo florescer as virtudes latentes em nossa alma.

Se diz que a humildade é uma virtude humilde, quem se vangloria da sua, mostra simplesmente que lhe falta.

Ela torna as virtudes discretas, despercebidas de si mesma.

A humildade não depreciação de si mesmo, não é ignorância com relação ao que somos, mas ao contrário, se tem conhecimento exato do que não somos. Se apresenta com humildade, sem que a vaidade se manifeste.

Podem-se encontrar diferentes graus de humildade, como também falsas humildades, pode-se ser humildade em breves momentos, ante algo que nos parece grandioso.

São falsas humildades: Aqueles que se rebaixam ante os outros querendo parecer humildes, porém estão cheios de ressentimentos, inveja ou ambição.

Outra falsa humildade é não reconhecer ou não acreditar em seu real valor e se sentir inferior, pode até possuir humildade porém se inferioriza a tal ponto ante seus semelhantes, sentindo grande sofrimento em seu interior, este ser não respeita a sua dignidade.

Ter humildade não significa ser servil.

Ter humildade não é signo de fraqueza.

Pode-se ser humilde sem se depreciar ou reconhecer os valores de cada um.

Mas, a verdadeira humildade, é aquela que o homem tem consciência e possui uma convicção do que ele é, da sua capacidade, da sua força ou da sua fraqueza, compreende a sua inferioridade, reconhece seus limites, mas não sofre por isso, se esforça e trabalha para ser melhor e procura constantemente seu aperfeiçoamento físico, moral e espiritual.

Ser humilde é saber ir até o ponto de não interferir nos outros, ser humilde é não intrometer-se na vida dos outros.

Esta humildade, esta consciência, este sentimento se adquire lentamente pelo trabalho interior ou pode ser provocada pelo recolhimento da existência de algo superior em nós mesmos, reconhecer a grandeza de Deus, o Poder Superior, das suas Forças Universais ou das leis que as regem, ante essa compreensão e reconhecimento interior há humildade, reverência à grandeza do Criador.

A verdadeira humildade sempre está acompanhada de outras virtudes: caridade, misericórdia, amor, verdade e compaixão.

O Reparador deixou grandes ensinamentos de humildade: ao lavar os pés dos seus discípulos, assim como nos ensinou o amor ao próximo e a caridade, quando mitigava o sofrimento dos pobres.

O homem pode nascer com tendências à virtude da humildade, pode nascer humilde, como também pode trabalhar para adquiri-la.

A humildade é uma virtude que atua sem ilusão, sendo guiada pela razão. Um bom conhecimento teórico da humildade favorece o aprofundamento nesta virtude assim como também o conhecimento exato de nossas limitações.

A humildade produz no interior do homem alegria, paz e serenidade, todo o ser tem conformidade do que ele realmente é e se sente satisfeito em sua fraqueza.

A força da virtude está na alma e não precisamos ser santos para ter humildade, afastando o orgulho, a vaidade, a prepotência e o egoísmo.

Vander Campello

9/14/2015

VAMPIROS EMOCIONAIS



Sabe aquele tio, que na verdade nem tio é, só é casado com a sua tia, e que não perde uma oportunidade de ser extremamente indelicado e ofensivo com você? No jantar de Natal, com toda a família reunida, ele faz aquela piadinha regada de preconceito sobre homossexuais bem no ano em que você saiu do armário para a sua família. Ou faz um comentário ofensivo sobre pessoas tatuadas, alto o suficiente para que você e suas 9 tatuagens escutem. Ou te chama indiretamente de vagabunda e todos os piores nomes, por você estar usando uma mini saia, ou por ter ido morar com o seu namorado, ou por apenas existir.

Os encontros familiares, que deveriam ser felizes e agradáveis, se tornam um martírio para você, já que a cada reunião, uma nova oportunidade para uma nova ofensa disfarçada de piada, crítica, opinião ou crença. 

Sabe aquela amiga de infância que você coleciona agradáveis memórias mas que conforme os anos foram se passando ela foi ganhando um estranho gosto por te botar pra baixo? Pequenos comentários seguidos de risadinhas, seguidos de “tô brincando”, seguidos de qualquer desculpa que faça com que você aceite pacientemente suas crueldades. Mais uma vez. E mais uma. E mais uma. E mais até enquanto você permitir. Você tira uma nota boa na prova e a amiga ao invés de te parabenizar, comenta que a dela foi melhor. Você tem um encontro, ao qual ela obviamente não foi convidada, mas a amiga chora e faz chantagem emocional até você desistir de ir. Você ganha um presente maravilhoso e a amiga “acidentalmente” deixa cair no chão. Sempre que você está feliz passa magicamente a não estar no momento em que a encontra.

Sabe aquele seu colega de trabalho que sempre dá um jeito de te boicotar? Sempre que você vai abrir a boca numa reunião, na frente do chefe e de todo o resto da equipe, ele imediatamente te corta. Sempre que você dá uma ideia, a sua ideia por melhor que seja, é ruim, é péssima, é burra. E quando é boa, ele dá um jeito de tomar o crédito por ela. Sempre que você dá uma vacilada e chega depois do horário ou não entrega o relatório no tempo certo, ele faz questão de ir até o chefe fazer a sua caveira. Ele tem olhos de coruja em cima de você. Sorrindo quando te vê, mas esperando a primeira oportunidade de te apunhalar pelas costas.


Sabe aquele namorado que passou o namoro inteiro te proibindo de sair sozinha, de ter amigos, de usar decote/saia/short, invadindo seu e-mail, seu Facebook, suas mensagens, dizendo para deletar Fulano, para parar de falar com Ciclano, te botando pra baixo, te chamando de gorda, de feia, de puta, e quando você finalmente decide terminar, ele te relembra “por acaso” das fotos que tem de você linda, maravilhosa e completamente pelada? Ou faz um escândalo e diz que vai se matar. Ou faz um escândalo e diz que vai te matar. Ou faz um escândalo e diz que vai matar você, ele, o Fulano, o Ciclano e quem mais passar pela frente também. 

Sabe esse cara que te trata feito objeto, feito propriedade dele, feito um completo nada? Sabe, né?


E você não revida. Você nunca revida. Você não tem nem forças para revidar. E não sabe o porquê. Você finge, contrariada, que não escutou, que não viu, que não se magoou. E por que você faz isso?

Você faz isso porque de alguma forma o jogo sempre vira contra você. De alguma forma você acaba saindo como a ovelha negra da família por arrumar briga no Natal, ou a ingrata por não estar ao lado da amiga que cresceu com você, ou o funcionário que não sabe trabalhar em equipe, ou a namorada malvada que não se esforça para compreender o namorado de longa data que sua família tanto adora.

De alguma forma ninguém mais, nem seus amigos, seu chefe ou sua família, conseguem enxergar os abusos que por tanto tempo você tem engolido a seco. Para os outros, que não estão sentindo na pele, nunca é nada de mais.

E de tanto que tentam te convencer de que não foi nada, até você começa a acreditar. Talvez você esteja mesmo sendo injusta, ingrata, exagerada, louca. Talvez seja só um mal entendido. Talvez seja só o jeito da pessoa. Talvez esteja tudo bem em tomar umas mijadinhas de vez em quando, né? Talvez esteja tudo bem em aguentar calada insultos, covardias, rasteiras, preconceitos, chantagens e abusos, né?

Não. Não é. Vampiros emocionais não sossegam enquanto não sugam suas vítimas por inteiro. Não há piedade. Não há compaixão. Eles querem tudo. Eles querem cada gota de você. Enquanto restar um pingo de felicidade, vitalidade e energia em você, lá estará ele, sorrateiro, cruel e duas caras. Esperando uma brecha, um momento, uma oportunidade. Esperando você respirar, você se distrair, você sorrir, você se sentir feliz, você esquecer da última vez em que se sentiu miserável por causa dele. E assim que você estiver bem, ele surgirá para te mostrar que você pode se sentir ainda mais miserável.

E claro, tudo muito discretamente, que é para ninguém ao redor perceber e ele continuar mantendo seu papel de vítima da situação. Mas aqui vai uma verdade que ninguém te fala: você não tem a menor obrigação de aguentar isso. Quanto vale a sua saúde mental? Quanto vale o seu bem estar emocional? Quanto vale você? Vale a pena não tomar uma atitude para agradar terceiros enquanto você murcha feito uma flor velha? Vale a pena dizer que é para não se estressar enquanto você se estressa calada e sozinha? Vale a pena se desfazer aos pouquinhos, se sentir cada vez mais infeliz e cansada, por motivos que às vezes nem você sabe ao certo?

Não adianta você achar que uma hora vai parar, uma hora vai mudar, uma hora vai voltar a ser o que era. Não adianta você se recusar a enxergar que por mais que tenham existido momentos agradáveis, eles foram embora junto com a pessoa que você achava que era uma coisa mas na verdade é outra. Não adianta você se prender ao que você gostaria que fosse e ignorar o que é. Não adianta você se esforçar ao máximo para agradar achando que com isso a pessoa se sentirá satisfeita e irá parar.

Vampiros emocionais não param. Eles são parados. Ou você decide tirá-los de vez da sua vida, ou nos casos de impossibilidade, se impôr, ou eles continuarão subindo em suas costas e fazendo mais peso do que você pode aguentar. E você sabe o que diz o ditado: em cavalo manso, todo mundo quer montar. Já está na hora de você dar uns belos coices e mandar o morcegão de volta pra tumba de onde nunca deveria ter saído.

12/14/2014

Demência

Demência é a perda ou redução progressiva das capacidades cognitivas, de forma parcial ou completa, permanente ou momentânea e esporádica, suficientemente importante a ponto de provocar uma perda de autonomia do indivíduo.
Dentre as causas potencialmente reversíveis estão disfunções metabólicas, endócrinas e hidroeletrolíticas, quadros infecciosos, déficits nutricionais, distúrbios psiquiátricos, como a depressão (pseudodemência depressiva) e as doenças passíveis de tratamento neurocirúrgico, principalmente a hidrocefalia do idoso (hidrocefalia de pressão normal), hematoma subdural crônico, higroma e tumores cerebrais.
Tipicamente, essa alteração cognitiva provoca a incapacidade de realizar atividades da vida diária. Os déficits cognitivos podem afetar qualquer das funções cerebrais, particularmente as áreas da memória, a linguagem (afasia), a atenção, as habilidades visuo construtivas, as práxis e as funções executivas, como a resolução de problemas e a inibição de respostas.
A demência pode afetar também a compreensão, a capacidade de identificar elementos de uso cotidiano, o tempo de reação e os traços da personalidade. Durante a evolução da doença, pode-se observar a perda de orientação espaço-temporal e de identidade. À medida que a doença avança, os dementes também podem apresentar traços psicóticos, depressivos e delírios ou alucinações.
Embora a alteração da memória possa, em poucos casos, não ser um sintoma inicialmente dominante, é alteração típica da atividade cognitiva nas demências - sobretudo para a mais frequente delas, ligada à doença de Alzheimer -, e sua presença é condição essencial para o diagnóstico. A depender da origem etiológica, a demência pode ser reversível ou irreversível.
Prevalência
O envelhecimento da população leva a um aumento das doenças crônicas e degenerativas, acarretando um maior custo-paciente na área de saúde e a necessidade de inúmeras adaptações sociais, ambientais e econômicas. É provável que em 2025, o Brasil se torne o 6o país com mais idosos no mundo então é importante começar o trabalho preventivo o mais cedo possível.
O número de vítimas de demências aumenta exponencialmente com a idade afetando apenas 1,1% dos idosos entre 65 e 70 anos e mais de 65% depois dos 100 anos. A doença de Alzheimer, o tipo de demência mais comum, é mais comum em mulheres enquanto as demências vasculares, segundo tipo mais comum, são mais comuns em homens.
A prevalência média de demência, acima dos 65 anos de idade, é de 2,2% na África, 5,5% na Ásia, 6,4% na América do Norte, 7,1% na América do Sul e 9,4% na Europa.
Tipos
A demência é um termo geral para várias doenças neurodegenerativas que afetam principalmente as pessoas da terceira idade. Todavia a expressão demência senil, embora ainda apareça na literatura, tende a cair em desuso. A maior parte do que se chamava demência pré-senil é de fato a doença de Alzheimer, que é a forma mais comum de demência neurodegenerativa em pessoas de idade.
Embora existam casos raros diagnosticados de pessoas na faixa de idade que vai dos 17 anos aos 50 anos e a prevalência na faixa etária de 60 aos 65 anos esteja abaixo de 1%, a partir dos 65 anos ela praticamente duplica a cada cinco anos. Depois dos 85 anos de idade, atinge 30 a 40% da população. Segundo a Organização Mundial da Saúde a exposição aos disruptores endócrinos poderá desencadear a doença deAlzheimer.
A demência pode ser descrita como um quadro clínico de declínio geral na cognição como também de prejuízo progressivo funcional, social e profissional. As demências mais comuns são:
* Demência no mal de Alzheimer;
* Demência vascular e;
* Demência com corpos de Lewy.
No dicionário internacional de doenças outras demências são classificadas como:
CID 10 - F02.0 Demência da doença de Pick
CID 10 - F02.1 Demência da doença de Creutzfeldt-Jakob
CID 10 - F02.2 Demência da doença de Huntington
CID 10 - F02.3 Demência da doença de Parkinson
CID 10 - F02.4 Demência da doença pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV)
Esses diagnósticos não são exclusivos sendo possível, por exemplo, a existência de Alzheimer simultaneamente com uma demência vascular. Outras classificações incluem a demência na Síndrome de Korsakoff.
Demência reversiva
Há fatores que podem causar demência e que podem ser revertidos.
O uso de drogas
Depressão
Hipotiroidismo, encefalite de Hashimoto
Perda progressiva de visão e audição
Infecções , SIDA, sífilis
Deficiência de vitamina b12, ácido fólico: anemia.
Tumores, hidrocefalia
Reações tóxicas a medicamentos: antidepressivos, antihistaminicos, anticonvulsivos, corticosteroides, sedativos, antiparkinsonianos, anticonvulsivos, antiansiolíticos
Tratamento integrativo
O tratamento integrativo que pretendemos avaliar foi proposto no estudo de. A amostra do estudo foi formada por 35 pacientes (20 do sexo masculino, 15 do feminino) com uma idade média de 71 anos, diagnosticados com demência moderada e depressão. O tratamento proposto pelos autores incluiu: antidepressivos (sertralina, citalopram ou venlafaxina XR, apenas ou em combinação com bupropiona XR), inibidores de colinesterase (donepezil, rivastigmine ou galantamine), como também vitaminas e suplementos (multivitaminas, vitamina E, ácido alfa lipóico, omega-3 e coenzima Q-10).
As pessoas participantes do estudo foram encorajadas a modificar a sua dieta e estilo de vida bem como a executarem exercícios físicos moderados. Os resultados do estudo demonstraram que a abordagem integrativa não apenas diminuiu o declínio cognitivo em 24 meses, mas até mesmo melhorou a cognição, especialmente a memória e as funções executivas (planejamento e pensamento abstrato).
Memória Reconstrutiva
Um estudo publicado no "Journal of Experimental Psychology: Learning, Memory and Cognition" conclui que os declínios que se verificam na memória reconstrutiva são indicio de um comprometimento cognitivo leve e de demência de Alzheimer, e não se verificam no envelhecimento saudável. "A memória reconstrutiva é muito estável em indivíduos saudáveis??, de modo que um declínio neste tipo de memória é um indicador de comprometimento neurocognitivo" revela Valerie Reyna.
Exercícios Mentais
O exercício mental tem um papel fundamental na preservação de uma boa saúde mental. Os exercícios deverão ser variados, com um certo grau de complexidade, ensinar algo de novo e devem ser agradáveis e feitos com regularidade. Deve-se treinar o cálculo mental, ler em voz alta, aprender uma língua nova e treinar as imagens mentais (imagery),e também treinar os sentidos: da audição da visão e do cheiro. A perda da sensibilidade do cheiro, relacionada com o primeiro nervo craniano, é uma dos primeiras capacidades a serem afetados pela demência.
Um estudo do Wellcome Trust Centre for Neuroimaging do UCL demonstrou que o treino intensivo de aprendizado levado a cabo pelos taxistas de Londres para obterem o certificado de motorista de táxi altera a estrutura do cérebro aumentando o volume da matéria cinzenta na área do hipocampo posterior. O estudo revela que o cérebro mantém a plasticidade mesmo em adultos e o treino mental intenso é fundamental para a criação de novos neurônios.
Videogames
Jogos multitarefa
Uma pesquisa, publicada na revista Nature, revela que pessoas idosas com dificuldades cognitivas podem treinar a mente e melhorar a atenção (o foco de longo prazo) e a memória de curto prazo. Os neurocientistas revelam que alguns dos idosos de 80 anos que participaram da pesquisa conseguiram melhorar o seu desempenho e apresentar um padrão neurológico igual ao de um jovem de 20 anos.
O treino com o jogo multi-tarefa, NeuroRacer, um jogo muito simples, desenvolvido por uma equipa da Universidade da Califórnia permitiu ainda registar a alteração que se processa ao nível das ondas cerebrais.
Jogos de estratégia
Um outro estudo da UCL e Queen Mary University of London, usando o jogo StarCraft, também revela que após várias horas de treino há uma melhoria na flexibilidade cognitiva. O Jogo Halo também foi objeto de estudo, e revela que é capaz de melhorar a capacidade de decisão ao torná-la mais rápida.
Tiro em primeira pessoa
Um estudo da universidade dos Países Baixos indica que os jogos de Tiro em primeira pessoa melhoram a memória de curto prazo e a agilidade mental. Há ainda a possibilidade do habito de jogar determinados tipos de jogos melhorar o bem estar e diminuir a possibilidade de ter depressão.
Segundo o Dr Adam Gazzaley "Isso confirma nossa compreensão de que os cérebros de adultos mais velhos, como os dos jovens, são 'plásticos' - o cérebro pode mudar em resposta ao treinamento focado".
Um estudo revelou que jogar o jogo “Super Mario 64” provocava aumento nas regiões do cérebro responsáveis pela orientação espacial, pela formação da memória e planejamento estratégico, bem como uma melhoria das capacidades motoras finas das mãos.
Jogar jogos diferentes, cada jogo focado no desenvolvimento específico de uma capacidade cognitiva distinta, e não apenas um só tipo de jogo, treina e desenvolve um leque mais vasto de capacidades cognitivas.
Exercícios físicos
Em questão aos exercícios físicos, segundo Pérez e Carral (2008), estes apresentam um potencial de melhorar a plasticidade do cérebro, reduzindo as perdas cognitivas ou minimizando o curso progressivo da demência. A importância dos exercícios físicos no tratamento da demência pode ser apoiada por outros estudos.
O levantamento de pesos, comparado com outros exercícios revelou melhores resultados embora um conjunto de exercícios envolvendo levantamento de pesos, aeróbica e equilíbrio tivesse melhorado as capacidades linguísticas.
Alimentação
Uma dieta funcional e exercícios físicos associados também demonstraram serem protetivos contra o desenvolvimento da demência ou para diminuir o curso progressivo dessa patologia. Não obstante, pessoas com tendência a demência que utilizaram vitaminas antioxidantes (vitaminas C e E, por exemplo) apresentaram menor perda cognitiva que pessoas que não utilizaram tal recurso. A deficiência de vitamina D está associada a um risco significativamente maior do desenvolvimento de demências incluindo a doença de Alzheimer.
Pessoas com demência tenderam a ter uma alimentação mais pobre em macronutrientes, cálcio, ferro, zinco, vitamina K, vitamina A e ácidos gordurosos, o que pode acentuar o curso degenerativo da doença. Aspecto que justifica a administração de suplementos alimentares para essa população, devido à dificuldade de se alimentar, um dos sintomas que tendem a fazer parte do quadro de demência.
Em relação ao ácido alfalipóico e à coenzima Q10, potentes antioxidantes cerebrais, ou seja, redutores dos radicais livres, existem evidências em estudos que essas substâncias também contribuem significativamente para a redução da progressão das perdas cognitivas em pessoas com demência, além de serem agentes protetivos. Tais substâncias são produzidas naturalmente pelo organismo, mas essa produção tende a reduzir-se com a idade.
Comportamentos saudáveis
Metade das demências podem ser prevenidas ou pelo menos adiadas mantendo uma vida social, intelectual e profissional ativa. Uma vida com compromissos e ativa também revelou melhorar as perdas cognitivas em demências mais moderadas. O uso do fumo também pode vulnerabilizar as pessoas para a demência. Desse modo, a mudança do estilo de vida é um fator fundamental para minimizar o curso das perdas evidenciadas na demência.
Portanto, podemos observar que, no estudo de Bragin et al. (2005), foram utilizados como tratamento da demência vários recursos disponíveis para tanto. Ocorreu uma melhora significativa em funções cognitivas importantes, prejudicadas pela demência moderada.
Assim, o diagnóstico precoce da demência é um aspecto importante para que os tratamentos existentes possam diminuir a progressão das perdas cognitivas, funcionais, sociais e profissionais em pessoas com essa patologia. Conforme demonstrou o estudo de Bragin et al. (2005), o tratamento deve ser integrativo, envolvendo uma equipe multidisciplinar, com medicações específicas e suplementação alimentar, além de uma mudança do estilo de vida que inclui exercícios físicos moderados, cessação do uso do fumo, uma alimentação adequada e uma vida com o máximo possível de atividades.
Uma abordagem integrativa pode reduzir o curso das perdas cognitivas da demência, porém, ainda não existem tratamentos que possam "curar" integralmente essa patologia. Assim, a prevenção ao longo da vida é o melhor recurso existente. É importante durante a vida manter uma alimentação saudável e exercícios físicos regulares; bem como, na aposentadoria, torna-se imprescindível manter um estilo de vida ativo.
Psicoterapia

É frequente a comorbidade entre depressão, transtornos de ansiedade, distúrbios comportamentais e transtornos delirantes e demências, por isso é importante o acompanhamento psicológico regular. Esse acompanhamento inclui os familiares pois a demência causa grande impacto nos cuidadores, especialmente na família nuclear, os deixando vulneráveis a transtornos psicológicos como síndrome de Burnout (exaustão física e psicológica). São necessárias mais políticas públicas de apoio aos cuidadores pois, quando exaustos, tendem a colocar os idosos em asilos aumentando seriamente as despesas do governo.

12/11/2014

Psicomotricidade

Psicomotricidade é a ciência que estuda o homem através do seu corpo em movimento e em relação ao seu mundo interior e exterior, podendo ser definida como a capacidade de determinar e coordenar mentalmente os movimentos corporais. 

A palavra "psicomotricidade" vem do termo grego psiché = alma e do verbo latino moto = mover frequentemente, agitar fortemente.

A psicomotricidade está relacionada com o processo de maturação, no qual o corpo é a origem das aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas, sendo sustentada pelo movimento, intelecto e afeto. 

É a capacidade psíquica de realizar movimentos, através da atividade psíquica que transforma a imagem para a ação em estímulos para os procedimentos musculares adequados.​

Pode-se assim dizer que a psicomotricidade é um termo usado para uma concepção de movimento organizado e integrado, de acordo com as experiências vividas pelo sujeito cuja ação é o resultado da sua individualidade, linguagem e socialização. 

No início, a psicomotricidade fixava-se apenas no desenvolvimento motor. Depois, estudou a relação entre o desenvolvimento motor e intelectual da criança e só agora estuda a lateralidade, a estruturação espacial, a orientação temporal e as suas relações com o desenvolvimento intelectual da criança.
Psicomotricidade na Educação Infantil

A educação psicomotora é uma educação global que associa as potencialidades intelectuais, afetivas, sociais e motoras da criança, dando-lhe segurança, equilíbrio e permitindo o seu desenvolvimento, organizando corretamente as suas relações com os diferentes meios em que deve evoluir.

Refere-se a uma formação de base indispensável a toda a criança, seja ela normal ou com problemas, pois responde a uma dupla finalidade: assegurar o desenvolvimento funcional, tendo em conta as possibilidades da criança, e ajudar sua afetividade a expandir-se e a equilibra-se através do intercambio com o ambiente humano.

É ação pedagógica que tem como objetivo principal o desenvolvimento motor e mental da criança, com a finalidade de levá-la a dominar o próprio corpo e a adquirir uma inibição voluntária, propõe, tem no movimento espontâneo, sua diretriz fundamental, pois, em qualquer movimento, existe um condicionante afetivo que determina um comportamento intencional. 

Acredita-se que é sempre uma ação motriz, por menos que seja que regula o aparecimento e o desenvolvimento das formações mentais, é pelo aspecto motor que a criança estabelece os primeiros contatos com a linguagem socializada.​

Cultura

Seguindo os dicionários, cultura é definida, no âmbito da sociologia, como o «sistema de valores, conhecimentos, técnicas e artefatos, de padrões de comportamento e atitudes que caracteriza uma determinada sociedade» (Dicionário Universal da Língua Portuguesa, Ed. Melhoramentos, 1972) ou, também, como o «conjunto de costumes, práticas, comportamentos que são adquiridos e transmitidos socialmente de geração em geração: "cultura asteca", "cultura inca", "cultura greco-latina", "cultura latino-americana", "cultura ocidental"» (Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa, 2001). 

Pelo fato de estar intimamente associada às particularidades de um determinado povo ou de uma civilização, o termo cultura refere-se, ainda, ao «patrimônio literário, artístico e científico de um grupo social, de um povo», o que está patente na seguinte frase: «Recuperar os monumentos antigos é preservar a nossa cultura».

Por sua vez, se não nos quisermos limitar a estas fontes tão abrangentes e optarmos por direcionarmos a nossa pesquisa a bibliografia específica, da autoria de especialistas, apercebemo-nos de que as suas definições de cultura não divergem das dos dicionários. O sociólogo Guy Rocher, em Sociologia Geral (Lisboa, Ed. Presença, 1977), define cultura como sendo «um conjunto ligado de maneiras de pensar, de sentir e de agir mais ou menos formalizadas que, sendo apreendidas e partilhadas por uma pluralidade de pessoas, servem, de uma maneira simultaneamente objectiva e simbólica, para organizar essas pessoas numa colectividade particular e distinta.

Acrescenta, ainda, que «os modelos, os valores e símbolos que compõem a cultura incluem os conhecimentos, as ideias, o pensamento, abrangem todas as formas de expressão dos sentimentos, assim como as regras que regem ações observáveis do modo objetivo», o que leva a que sejam «muito formalizadas num código de lei, nas fórmulas rituais, cerimônias, protocolo […], em certos setores das regras da boa educação, nomeadamente aquelas que regulam as relações interpessoais implicando pessoas que se conhecem e se dão há muito tempo». Portanto, os traços culturais caracterizam-se como uma herança social.

12/04/2014

A perfeição do cérebro

Veja o texto abaixo e perceba que as letras estão totalmente desorganizadas. Entretanto, seu cérebro é capaz de usar mecanismos altamente sofisticados para decodificar e ler a mensagem escrita. É a arte da cognição em pleno trabalho. Tente.

De aorcdo com uma peqsiusa de uma uinrvesriddae ignlsea, não ipomtra em qaul odrem as Lteras de uma plravaa etãso, a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e útmlia Lteras etejasm no lgaur crteo. O rseto pdoe ser uma bçguana ttaol, que vcoê anida pdoe ler sem pobrlmea. Itso é poqrue nós não lmeos cdaa Ltera isladoa, mas a plravaa cmoo um tdoo.


35T3 P3QU3N0 T3XTO 53RV3 4P3N45 P4R4 M05TR4R COMO NO554 C4B3Ç4 CONS3GU3 F4Z3R CO1545 1MPR3551ON4ANT35! R3P4R3 N155O! NO COM3ÇO 35T4V4 M310 COMPL1C4DO, M45 N3ST4 L1NH4 SU4 M3NT3 V41 D3C1FR4NDO O CÓD1GO QU453 4UTOM4T1C4M3NT3, S3M PR3C1S4R P3N54R MU1TO, C3RTO? POD3 F1C4R B3M ORGULHO5O D155O! SU4 C4P4C1D4D3 M3R3C3! P4R4BÉN5!

12/03/2014

Aprendizagem

Conceito neurobiológico

Processo complexo que resulta em modificações estruturais e funcionais permanentes do Sistema Nervoso Central. Representa uma das fases da memória: aquisição. “... a aprendizagem é um processo mental que envolve o processamento de informação e a sua passagem da memória de curto prazo para a de longo prazo. Neste processo, o conhecimento prévio e a construção de sentidos tem um papel determinante em toda a aprendizagem”. 

Em decorrência dos avanços das pesquisas neurológicas e estudos realizados por neurocientistas; é curioso conhecer o funcionamento do cérebro e sua plasticidade; que mesmo sofrendo traumatismos, tem condições de reconstituir-se na busca da construção do conhecimento humano.

O carácter intencional da aprendizagem é uma característica particular do ser humano. Este caracteriza-se, simultaneamente, pelo seu dinamismo, ao estar sempre em mutação e procurar novas informações para a aprendizagem. É ainda criador, ao procurar novos métodos que permitam a melhoria da própria aprendizagem, por exemplo, pela tentativa e erro.

Para desenvolver o processo de aprendizagem, o ser humano necessita de estímulos externos e internos, como a motivação e a necessidade. Este processo provoca uma transformação qualitativa na estrutura mental daquele que aprende, sendo, por isso, um processo pessoal que envolve a totalidade da pessoa.

Durante a aprendizagem, ocorre a interiorização de uma série de comportamentos e capacidades intelectuais, a aquisição de novos conhecimentos e o desenvolvimento de competências. Verifica-se também a alteração de conduta de um indivíduo, em que as informações adquiridas podem ser absorvidas através de técnicas de ensino ou pela mera aquisição de hábitos. 

Graças à capacidade para aprender, o ser humano consegue uma melhor adaptação ao meio que o rodeia, verificando-se que a maior parte da aprendizagem que o homem adquire é consequência da imitação de outras pessoas.

A aprendizagem é simultaneamente influenciada e condicionada por diversos elementos básicos necessários ao sucesso do processo de fixação das novas informações, que depois serão processadas pelo indivíduo:

Motivação - Aprende-se melhor e mais depressa se houver interesse pelo assunto que se está a estudar, dado que um indivíduo motivado possui uma atitude ativa e empenhada no processo de aprendizagem. Por isso, existe uma relação dinâmica entre a aprendizagem e a motivação.

Conhecimentos anteriores - Os conhecimentos anteriores que uma pessoa detém sobre um assunto condicionam a aprendizagem, porque há aprendizagens prévias que, se não tiverem sido corretamente concretizadas, não possibilitam o ato de aprender. Deste modo, uma nova aprendizagem só se concretiza quando o material novo se incorpora e relaciona com os conhecimentos e saberes que já se possui, ocorrendo uma reorganização permanente dos conteúdos já possuídos.

Quantidade de informação - A capacidade de o Homem aprender novas informações é limitada, dado que não é possível integrar simultaneamente grandes quantidades de informação. Por isso, é necessário selecionar-se a informação relevante.

Diversidade das atividades - Quanto maior for a diversidade das abordagens a uma temática e quanto mais distintas forem as tarefas, maior serão a motivação e a concentração do indivíduo e, consequentemente, a aprendizagem decorrerá melhor. 

Planejamento e organização - A forma como se aprende determina, em larga escala, o que se aprende. Para que uma aprendizagem seja bem sucedida, é fundamental a definição clara de objetivos, a seleção de estratégias e é ainda necessário planejar, organizar o trabalho por etapas e ir avaliando os resultados. Estes processos promovem a eficiência e o controle dos processos de aprendizagem e, concludentemente, a autonomia do ser humano.

Cooperação - Se existir trabalho de forma cooperativa com os outros, determinados tipos de problemas são resolvidos de uma melhor forma e a aprendizagem é mais eficaz, uma vez que “a aprendizagem cooperativa, ao implicar a interação e a ajuda mútua, possibilita a resolução de problemas complexos de forma mais eficaz e elaborada”. Este fato deve-se à singularidade do ser humano, pelo que a forma como cada ser humano encara um problema e a forma como o soluciona é diferente. 

Todavia, a aprendizagem é igualmente influenciada pela hereditariedade, em que o estímulo, o impulso, o reforço e a resposta são considerados elementos básicos no processo de fixação das novas informações adquiridas e processadas pelo indivíduo.

O estado emocional também influencia a eficiência da aprendizagem, uma vez que existe uma propensão para recordarmos melhor os acontecimentos que se encontram associados a experiências especialmente felizes, tristes ou dolorosas. 

Além disso, também nos lembramos melhor dos acontecimentos quando estamos atentos, o que significa que o interesse reforça a aprendizagem.

Deste modo, compreende-se que o processo de aprendizagem é de suma importância para o estudo do comportamento do ser humano.