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11/01/2015

Lemon Balm has been used for centuries to relax the nerves




Lemon Balm is a member of the mint family and a favourite flower of bees. Lemon balm also goes by the folk names Balm, Bee Balm, Dropsy Plant, Heart’s Delight and Melissa [Mel being Latin for honey and μέλισσα (melissa) the Greek for bee]. The herb has been known as a cure for nervousness and anxiety for centuries. Avicenna (980-1037), an Arab physician said, “Balm causes the mind and heart to be merry”.




About 700 years later in 1696 the London Dispensary wrote, "An essence of balm, given in canary wine every morning will renew youth, strengthen the brain, relieve languishing nature and prevent baldness" referring to Carmelite Water. 

Carmelite Water is a mixture of white wine, lemon balm and other herbs made by the Carmelite Monks the inspiration for Eau de Melisse, a 400 year old cure for a bewildering variety of things including calming the nerves.

Over 300 years after the London Dispensary claimed the herb could "strengthen the brain" researchers at Northumbria University, England, found that lemon balm (Melissa) "can improve cognitive performance and mood".

Aside from the enormous collection of ailments lemon balm is said to relieve it's a pleasant herb in tea and as a dressing for salads and soups. Simply put a sprig into your drinking water to give it a lemony lift. 

Lemon balm tea is best when made from fresh, rather than the dried plant.

The essential oil from lemon balm is included in perfume and massage oils. Lemon Balm, native to Europe, grows open woodland to about two feet tall with a four sided stem, a sign of the mint family. The lemon scented oval pointed leaves grow opposite each other on the stem. The flowers are a light yellow, white to lavender colour.

The herb thrives in full sun to partial shade, needs only moderate watering, and prefers well-drained soil. Bees love it, like the Scorpionweed, and growing lemon balm in the garden will attract them.

9/14/2015

VAMPIROS EMOCIONAIS



Sabe aquele tio, que na verdade nem tio é, só é casado com a sua tia, e que não perde uma oportunidade de ser extremamente indelicado e ofensivo com você? No jantar de Natal, com toda a família reunida, ele faz aquela piadinha regada de preconceito sobre homossexuais bem no ano em que você saiu do armário para a sua família. Ou faz um comentário ofensivo sobre pessoas tatuadas, alto o suficiente para que você e suas 9 tatuagens escutem. Ou te chama indiretamente de vagabunda e todos os piores nomes, por você estar usando uma mini saia, ou por ter ido morar com o seu namorado, ou por apenas existir.

Os encontros familiares, que deveriam ser felizes e agradáveis, se tornam um martírio para você, já que a cada reunião, uma nova oportunidade para uma nova ofensa disfarçada de piada, crítica, opinião ou crença. 

Sabe aquela amiga de infância que você coleciona agradáveis memórias mas que conforme os anos foram se passando ela foi ganhando um estranho gosto por te botar pra baixo? Pequenos comentários seguidos de risadinhas, seguidos de “tô brincando”, seguidos de qualquer desculpa que faça com que você aceite pacientemente suas crueldades. Mais uma vez. E mais uma. E mais uma. E mais até enquanto você permitir. Você tira uma nota boa na prova e a amiga ao invés de te parabenizar, comenta que a dela foi melhor. Você tem um encontro, ao qual ela obviamente não foi convidada, mas a amiga chora e faz chantagem emocional até você desistir de ir. Você ganha um presente maravilhoso e a amiga “acidentalmente” deixa cair no chão. Sempre que você está feliz passa magicamente a não estar no momento em que a encontra.

Sabe aquele seu colega de trabalho que sempre dá um jeito de te boicotar? Sempre que você vai abrir a boca numa reunião, na frente do chefe e de todo o resto da equipe, ele imediatamente te corta. Sempre que você dá uma ideia, a sua ideia por melhor que seja, é ruim, é péssima, é burra. E quando é boa, ele dá um jeito de tomar o crédito por ela. Sempre que você dá uma vacilada e chega depois do horário ou não entrega o relatório no tempo certo, ele faz questão de ir até o chefe fazer a sua caveira. Ele tem olhos de coruja em cima de você. Sorrindo quando te vê, mas esperando a primeira oportunidade de te apunhalar pelas costas.


Sabe aquele namorado que passou o namoro inteiro te proibindo de sair sozinha, de ter amigos, de usar decote/saia/short, invadindo seu e-mail, seu Facebook, suas mensagens, dizendo para deletar Fulano, para parar de falar com Ciclano, te botando pra baixo, te chamando de gorda, de feia, de puta, e quando você finalmente decide terminar, ele te relembra “por acaso” das fotos que tem de você linda, maravilhosa e completamente pelada? Ou faz um escândalo e diz que vai se matar. Ou faz um escândalo e diz que vai te matar. Ou faz um escândalo e diz que vai matar você, ele, o Fulano, o Ciclano e quem mais passar pela frente também. 

Sabe esse cara que te trata feito objeto, feito propriedade dele, feito um completo nada? Sabe, né?


E você não revida. Você nunca revida. Você não tem nem forças para revidar. E não sabe o porquê. Você finge, contrariada, que não escutou, que não viu, que não se magoou. E por que você faz isso?

Você faz isso porque de alguma forma o jogo sempre vira contra você. De alguma forma você acaba saindo como a ovelha negra da família por arrumar briga no Natal, ou a ingrata por não estar ao lado da amiga que cresceu com você, ou o funcionário que não sabe trabalhar em equipe, ou a namorada malvada que não se esforça para compreender o namorado de longa data que sua família tanto adora.

De alguma forma ninguém mais, nem seus amigos, seu chefe ou sua família, conseguem enxergar os abusos que por tanto tempo você tem engolido a seco. Para os outros, que não estão sentindo na pele, nunca é nada de mais.

E de tanto que tentam te convencer de que não foi nada, até você começa a acreditar. Talvez você esteja mesmo sendo injusta, ingrata, exagerada, louca. Talvez seja só um mal entendido. Talvez seja só o jeito da pessoa. Talvez esteja tudo bem em tomar umas mijadinhas de vez em quando, né? Talvez esteja tudo bem em aguentar calada insultos, covardias, rasteiras, preconceitos, chantagens e abusos, né?

Não. Não é. Vampiros emocionais não sossegam enquanto não sugam suas vítimas por inteiro. Não há piedade. Não há compaixão. Eles querem tudo. Eles querem cada gota de você. Enquanto restar um pingo de felicidade, vitalidade e energia em você, lá estará ele, sorrateiro, cruel e duas caras. Esperando uma brecha, um momento, uma oportunidade. Esperando você respirar, você se distrair, você sorrir, você se sentir feliz, você esquecer da última vez em que se sentiu miserável por causa dele. E assim que você estiver bem, ele surgirá para te mostrar que você pode se sentir ainda mais miserável.

E claro, tudo muito discretamente, que é para ninguém ao redor perceber e ele continuar mantendo seu papel de vítima da situação. Mas aqui vai uma verdade que ninguém te fala: você não tem a menor obrigação de aguentar isso. Quanto vale a sua saúde mental? Quanto vale o seu bem estar emocional? Quanto vale você? Vale a pena não tomar uma atitude para agradar terceiros enquanto você murcha feito uma flor velha? Vale a pena dizer que é para não se estressar enquanto você se estressa calada e sozinha? Vale a pena se desfazer aos pouquinhos, se sentir cada vez mais infeliz e cansada, por motivos que às vezes nem você sabe ao certo?

Não adianta você achar que uma hora vai parar, uma hora vai mudar, uma hora vai voltar a ser o que era. Não adianta você se recusar a enxergar que por mais que tenham existido momentos agradáveis, eles foram embora junto com a pessoa que você achava que era uma coisa mas na verdade é outra. Não adianta você se prender ao que você gostaria que fosse e ignorar o que é. Não adianta você se esforçar ao máximo para agradar achando que com isso a pessoa se sentirá satisfeita e irá parar.

Vampiros emocionais não param. Eles são parados. Ou você decide tirá-los de vez da sua vida, ou nos casos de impossibilidade, se impôr, ou eles continuarão subindo em suas costas e fazendo mais peso do que você pode aguentar. E você sabe o que diz o ditado: em cavalo manso, todo mundo quer montar. Já está na hora de você dar uns belos coices e mandar o morcegão de volta pra tumba de onde nunca deveria ter saído.

8/19/2015

DOIS GRANDE LOBOS

Existe uma antiga história dos índios cherokee sobre o cacique de uma grande aldeia. Um dia, o cacique decidiu que era hora de orientar o seu neto sobre a vida. Ele o levou para o meio da floresta, fez com que se sentasse sob uma velha árvore e explicou, “Filho, existe uma batalha sendo travada dentro da mente e do coração de todo ser humano que vive hoje. 

Embora eu seja um velho e sábio cacique, o líder da nossa tribo, essa mesma batalha é travada dentro de mim. Se você não souber dessa batalha, ela o fará perder o juízo. Você nunca saberá que direção tomar.

As vezes vencerá na vida e, depois, sem entender o porquê, perceberá que está perdido, confuso, com medo, arriscado a perder tudo o que trabalhou tanto para ganhar. Você muitas vezes achará que está fazendo a coisa certa e depois descobrirá que fez as escolhas erradas. Se você não entender as forças do bem e do mal, a vida individual e a vida coletiva, o verdadeiro eu e o falso eu, você viverá a vida todo num grande tumulto.

“E como se existissem dois grandes lobos vivendo dentro de mim; um é branco e o outro é preto. O lobo branco é bom, gentil e não faz mal a ninguém. Ele vive em harmonia com tudo à sua volta e não se ofende se a intenção não era ofender. 

O lobo bom, sensato e certo de quem ele é e do que é capaz, briga apenas quando essa é a coisa certa a fazer e quando precisa se proteger ou à sua família, e mesmo então ele faz isso da maneira certa. Ele toma conta de todos os outros lobos da matilha e nunca se desvia da sua natureza.

“Mas existe o lobo preto também, que vive dentro de mim, e esse lobo é bem diferente. Ele é ruidoso, zangado, descontente, ciumento e medroso. Basta uma coisinha para que ele se encha de fúria. Ele briga com todo mundo, o tempo todo, sem nenhuma razão. 

Ele não consegue pensar com clareza, porque a sua ganância para ter sempre mais e a sua raiva e a sua ira são grandes demais. Mas trata-se de uma raiva infrutífera, filho, porque ela não muda nada. Esse lobo só procura confusão aonde quer que vá, e por isso sempre acaba achando. Ele não confia em ninguém, por isso não tem amigos de verdade.”

O velho cacique ficou sentado em silêncio durante alguns minutos, deixando que a história dos dois lobos penetrasse na mente do jovem neto. Então ele lentamente se curvou, olhou fixamente nos olhos do menino e confessou, “As vezes, é difícil viver com esses dois lobos dentro de mim, pois eles brigam muito para dominar o meu espírito”.

Cativado pela história do ancião sobre essa grande batalha interior, o menino puxou a tanga do avô e perguntou, ansioso, “Qual dos dois lobos vence, vovô?” E com um sorriso cheio de sabedoria e uma voz firme e forte, o cacique diz, “Os dois, filho. Veja, se eu escolho alimentar só o lobo branco, o preto ficará à espreita, esperando o momento em que eu sair do equilíbrio ou ficar ocupado demais para prestar atenção às minhas responsabilidades, e então atacará o lobo branco e causará muitos problemas para mim e nossa tribo. 

Ele viverá sempre com raiva e brigará para atrair a atenção pela qual tanto anseia. Mas, se eu prestar um pouquinho de atenção no lobo preto, compreendendo a sua natureza, se reconhecê-lo como a força poderosa que ele é e deixá-lo saber que eu o respeito pelo seu caráter e o usarei para me ajudar se um dia eu ou a tribo estivermos em apuros, ele ficará feliz, e o lobo branco ficará feliz também, e ambos vencerão. Todos venceremos”.

Sem entender direito, o menino perguntou, “Não entendi, vovô. Como os dois lobos podem ganhar?”

O cacique continuou a explicação:

“Veja, filho, o lobo preto tem muitas qualidades importantes de que eu posso precisar, dependendo das circunstâncias. Ele é feroz, determinado, e não se deixará subjugar nem por um segundo. Ele é inteligente, astuto e capaz dos pensamentos e estratégias mais tortuosos, o que é importante em tempos de guerra. Ele tem os sentidos aguçados e superiores que só aqueles que olham através da escuridão podem apreciar. Em meio a um ataque, ele poderia ser o nosso maior aliado”.

O cacique então tirou da sua bolsa alguns pedaços de carne defumada e colocou-os no chão, um à direita e o outro à esquerda. Ele apontou para a carne e disse:

“À minha esquerda está a comida para o lobo branco e à minha direita está a comida para o lobo preto. Se eu optar por alimentar os dois, eles não brigarão mais pela minha atenção, e eu poderei utilizar cada um deles como precisar. 

E como não haverá guerra entre eles, poderei ouvir a voz da minha sabedoria profunda e escolher qual dos dois pode me ajudar melhor em cada circunstância. Se a sua avó quer uma carne para fazer uma refeição especial e eu não cuidei disso como deveria, posso pedir para o lobo branco me emprestar a sua magia e consolar o lobo preto da sua avó, que estará zangada e faminta. 

O lobo branco sempre sabe o que dizer e me ajudará a ser mais sensível às necessidades dela. Veja, filho, se você compreender que existem duas grandes forças dentro de você e respeitar a ambas igualmente, as duas sairão ganhando e haverá paz. A paz, meu filho, é a missão dos cherokees – o propósito supremo da vida. Um homem que tem paz dentro de si tem tudo. Um homem dividido pela guerra em seu íntimo não tem nada.

Você é um jovem que precisa escolher como vai lidar com as forças opostas que vivem no seu interior. A sua decisão determinará a qualidade do resto da sua vida. E quando um dos lobos precisar de atenção especial, o que acontecerá às vezes, você não terá do que se envergonhar; poderá simplesmente admitir isso para os anciãos e conseguirá a ajuda de que precisa. Quando isso for de conhecimento público, aqueles que já travaram essa mesma batalha podem oferecer-lhe a sua sabedoria”.

Essa história simples e pungente explica como é a experiência humana. Cada um de nós está em meio a uma batalha contínua, em que as forças da luz e da escuridão competem pela nossa atenção e pela nossa submissão. Tanto a luz quanto a escuridão habitam dentro de nós ao mesmo tempo. 

Verdade seja dita: existe uma matilha inteira de lobos dentro de nós – o lobo amoroso, o lobo bondoso, o lobo esperto, o lobo sensível, o lobo forte, o lobo altruísta, o lobo generoso e o lobo criativo. Junto com esses aspectos positivos existem o lobo insatisfeito, o lobo ingrato, o lobo autoritário, o lobo desagradável, o lobo egoísta, o lobo indecente, o lobo mentiroso e o lobo destrutivo. 

Todo dia temos a oportunidade de reconhecer todos esses lobos, todas essas partes de nós mesmos, e escolher como iremos nos relacionar com cada um deles. Será que continuaremos condenando alguns e fingindo que eles não existem ou vamos tomar posse de toda a matilha?

Por que sentimos a necessidade de negar a matilha de lobos que vive em nós? A resposta é fácil. Ou achamos que ela não existe ou que não deveria existir. Tememos que, se admitirmos todos os diferentes eus que ocupam espaço na nossa psique, de algum modo seremos rotulados de esquisitos, diferentes, prejudiciais ou psicologicamente fragmentados. 

Achamos que devemos ser pessoas boas e “normais”, dentro das quais só mora um único eu. Mas existem muitos eus e a recusa em entrar em acordo com eles é um grave erro – que nos levará a cometer atos estúpidos e temerários de autossabotagem.

Eis o grande segredo: existem muitos eus contidos dentro do nosso “eu”, pois dentro de cada um de nós existem todas as qualidades possíveis. Não há nada que possamos ver e nada que possamos julgar que não exista dentro de nós. Todos somos luz e escuridão, santos e pecadores, pessoas adoráveis e abomináveis. 

Somos todos gentis e calorosos, mas também frios e cruéis. Dentro de você e dentro de mim existem todas as qualidades conhecidas pela espécie humana. Embora possamos não estar conscientes de todas as qualidades que possuímos, elas estão adormecidas dentro e nós e podem despertar a qualquer momento, em qualquer lugar. 

A compreensão disso nos permite entender por que todos nós, que somos “bons”, somos capazes de fazer coisas ruins e, mais importante, por que às vezes nos tornamos os nossos piores inimigos.

O SILÊNCIO DOS LOBOS

Pense em alguém poderoso. Essa pessoa briga e grita como uma galinha ou olha em calmo silêncio, como um lobo? Os lobos não gritam. Eles têm uma aura de força e poder. Observam em silêncio.

Somente os poderosos, sejam lobos, homens ou mulheres, respondem a um ataque verbal com o silêncio. Além disso, quem evita dizer tudo o que tem vontade, raramente se arrepende por magoar alguém com palavras ásperas e impensadas.

Exatamente por isso, o primeiro e mais óbvio sinal de poder sobre si mesmo é o silêncio em momentos críticos. Se você está em silêncio, olhando para o problema, mostra que está pensando, sem tempo para debates fúteis.

Se for uma discussão que já deixou o terreno da razão, quem silencia e continua a trabalhar mostra que já venceu, mesmo quando o outro lado insiste em gritar a sua derrota. Olhe… sorria… silencie… vá em frente.


Lembre-se de que há momentos de falar e há momentos de silenciar. Escolha qual desses momentos é o correto, mesmo que tenha que se esforçar para isso.

Por alguma razão, provavelmente cultural, somos treinados para a (falsa) ideia de que somos obrigados a responder a todas as perguntas e reagir a todos os ataques. Não é verdade. Você responde somente ao que quer responder e reage somente ao que quer reagir.

Você nem mesmo é obrigado a atender seu telefone pessoal. Falar é uma escolha, não uma exigência, por mais que assim o pareça. Você pode escolher o silêncio.

Além disso, você não terá que se arrepender por coisas ditas em momentos impensados, como defendeu Xenócrates, mais de trezentos anos antes de Cristo, ao afirmar: “Arrependo-me de coisas que disse, mas jamais de meu silêncio.”


Responda com o silêncio, quando for necessário. Use sorrisos, não sorrisos sarcásticos, mas reais, use o olhar, use um abraço ou use qualquer outra coisa para não ter que responder em alguns momentos. Você verá que o silêncio pode ser a mais poderosa das respostas. E, no momento certo, a mais compreensiva e real delas.

8/18/2015

Bonsais e Terapia Ocupacional com Dependentes Químicos

Que a arte de criar e cultivar bonsais é uma excelente terapia é um fato incontestável. Que os dependentes químicos sejam capazes de criar essa arte é, não só uma satisfação, como a prova de que eles podem se recuperar dessa doença terrível, despertar a autoestima adormecida e revelar talentos antes desconhecidos. Trabalhando com rosas do deserto seguem algumas fotos do que eles são capazes de criar.
Bonsai Natal    

    

     

8/16/2015

Autoestima

Autoestima inclui uma avaliação subjetiva que uma pessoa faz de si mesma como sendo intrinsecamente positiva ou negativa em algum grau. A autoestima envolve tanto crenças auto significantes (por exemplo: "eu sou competente/incompetente", "eu sou benquisto/malquisto") e emoções auto significantes associadas (por exemplo: triunfo/desespero, orgulho/vergonha). Também encontra expressão no comportamento (por exemplo: assertividade/temeridade, confiança/cautela).


O "si mesmo" pode ser definido como o conhecimento que o indivíduo tem de si próprio, pode-se dividir esse conhecimento em dois componentes distintos: um descritivo, chamado autoimagem, e outro valorativo, que se designa autoestima.
Outros dois termos são muitas vezes usados como sinônimos de autoestima: autoconfiança e auto aceitação. Uma análise mais aprofundada desses termos indica, no entanto, uma sutil diferença de uso: autoconfiança refere-se quase sempre à competência pessoal e é definida como a convicção que uma pessoa tem de ser capaz de fazer ou realizar alguma coisa. Autoestima é um termo mais amplo, incluindo, por exemplo, conceitos sobre as próprias qualidades etc.
Auto aceitação, por outro lado, é um termo ligado ao conceito de "aceitação incondicional" da abordagem centrada na pessoa e indica uma aceitação profunda de si mesmo, das próprias fraquezas e erros. A autoestima, a autoconfiança e a auto aceitação tendem a estar intimamente ligadas e se influenciam mutuamente.
Todas as pessoas são capazes de desenvolver a autoestima positiva, ao mesmo tempo em que ninguém apresenta uma autoestima totalmente sem desenvolver. Quanto mais flexível é a pessoa, tanto melhor resiste a tudo aquilo que, de outra forma, a faria cair na derrota ou no desespero.
A autoestima tem dois componentes: um sentimento de concorrência pessoal e um sentimento de valor pessoal, que refletem tanto seu julgamento implícito de sua capacidade para sobrelevar os reptos da vida bem como sua crença de que seus interesses, direitos e necessidades são importantes.
Os sentimentos de inferioridade podem ser expressados de muitas maneiras, e são comuns a todos, dado que nos achamos em situações que desejamos melhorar. Podemos definir o complexo de inferioridade como aquele que aparece frente a um problema ante o qual o indivíduo não se acha preparado e expressa sua convicção de que é incapaz do resolver.
O nível e a qualidade da autoestima, embora correlacionados, não são sinônimos. A autoestima pode ser elevada, mas frágil (por exemplo, narcisismo) e baixa, porém segura (por exemplo, humildade). Todavia, a qualidade da autoestima pode ser indiretamente avaliada de várias formas:

  • Em termos de sua constância através do tempo (estabilidade),
  • Em termos de sua independência ao se apresentarem condições particulares (não contingência),
  • Em termos de quão entranhada ela esteja num nível psicológico básico (inquestionabilidade ou automaticidade).
Criminosos violentos, frequentemente, se descrevem como superiores aos outros - em especial, como pessoas de elite, que merecem tratamento preferencial. Muitos assassinatos e ataques são cometidos em resposta a golpes contra a autoestima, tais como insultos e humilhação.
Para ser mais preciso, muitos perpetradores vivem em ambientes onde insultos são muito mais ameaçadores do que a opinião que têm de si mesmos. Estima e respeito estão ligados ao status na hierarquia social, e desonrar alguém pode ter consequências tangíveis e mesmo acarretar risco de perder a vida.
A mesma conclusão emergiu dos estudos de outra categoria de pessoas violentas. É relatado que membros de gangues de rua possuem opiniões favoráveis sobre si mesmos e recorrem à violência quando estas avaliações são contestadas.
Autoestima refere-se ao grau em que as pessoas gostam de si mesmas. O estudo sobre o assunto trouxe interessantes contribuições para o entendimento do comportamento humano no ambiente organizacional, uma vez que está diretamente relacionada às expectativas de sucesso.
A autoestima elevada nos indivíduos faz com que eles acreditem no seu potencial para ter sucesso no trabalho e aceitem tarefas desafiadoras. Abordando este assunto de uma maneira geral, foi descoberto que os indivíduos com baixa autoestima, são mais vulneráveis às influências externas e dependem de incentivos constantes.
Em consequência disso, buscam aprovação dos outros e se submeter às convicções e comportamento daquelas pessoas que respeitam, a probabilidade de assumir posições incomuns são menores que os indivíduos com autoestima elevada.
1. Auto aceitação: uma postura positiva com relação a si mesmo como pessoa. Inclui elementos como estar satisfeito e de acordo consigo mesmo, respeito a si próprio, ser "um consigo mesmo" e se sentir em casa no próprio corpo;
2. Autoconfiança: uma postura positiva com relação às próprias capacidades e desempenho. Inclui as convicções de saber e conseguir fazer alguma coisa, de fazê-lo bem, de conseguir alcançar alguma coisa, de suportar as dificuldades e de poder prescindir de algo;
3. Competência social: é a experiência de ser capaz de fazer contatos. Inclui saber lidar com outras pessoas, sentir-se capaz de lidar com situações difíceis, ter reações flexíveis, conseguir sentir a ressonância social dos próprios atos, saber regular a distância-proximidade com outras pessoas;

4. Rede social: estar ligado a uma rede de relacionamentos positivos. Inclui uma relação satisfatória com o parceiro e com a família, ter amigos, poder contar com eles e estar à disposição deles, ser importante para outras pessoas.

7/31/2015

Drogas e Cognição

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), droga é toda "substância que, quando administrada ou consumida por um ser vivo, modifica uma ou mais de suas funções, com exceção daquelas substâncias necessárias para a manutenção da saúde normal".

Para entender o mecanismo do vício, é preciso compreender os caminhos percorridos pela dopamina no cérebro. A dopamina é o neurotransmissor da dependência. É ela que dispara a sensação de prazer - seja a advinda da ingestão de um prato saboroso, seja a causada pelo uso de um entorpecente. Ao inalar cocaína, por exemplo, o usuário tem seu cérebro inundado de dopamina - daí a sensação de euforia que, em geral, a droga produz. 

Até pouco tempo atrás, acreditava-se que o vício era processado exclusivamente nas porções cerebrais associadas ao sistema de prazer e recompensa, ativado em especial pela dopamina. Recentemente, descobriu-se que há outros circuitos envolvidos nesse mecanismo e que a dopamina também os integra. 

"Graças ao aperfeiçoamento dos exames de neuroimagem, constatamos que os efeitos neurobiológicos das drogas ultrapassam os centros de prazer e recompensa do cérebro e se estendem ao córtex pré-frontal, região associada à analise dos riscos e benefícios, na qual se concentram as tomadas de decisão", afirma a psiquiatra Nora Volkow, diretora do Instituto Nacional de Abuso de Drogas, dos Estados Unidos, e uma das principais autoridades mundiais no assunto. Isso significa que o vício se relaciona também à química envolvida nos processos decisórios e mnemônicos. Em outras palavras, ele está associado tanto ao impulso quanto à memória.

O vício é fruto, em grande parte, de propensão genética. Não fosse assim, todos que algum dia experimentaram algum tipo de droga - do álcool à heroína - se tornariam dependentes. É a genética, ainda, que estabelece o tipo de dependência e a sua intensidade. Estima-se que os fatores genéticos respondam por algo entre 40% e 60% da vulnerabilidade ao vício. 

Existe um gene específico associado à síntese da enzima monoaminoxidase A, uma das substâncias responsáveis pelo equilíbrio de dopamina no cérebro. Quando há mutações nesse gene, a pessoa se torna mais ou menos vulnerável ao vício. A genética explica também por que existem pessoas com baixos níveis de receptores de dopamina - o que as faz mais suscetíveis ao vício e a achar mais prazerosa a experiência com drogas.

Há dois grupos de pessoas bastante vulneráveis ao vício - os adolescentes e os portadores de distúrbios psiquiátricos, como esquizofrenia, depressão e ansiedade. Durante a adolescência, o cérebro sofre mudanças dramáticas. Uma das áreas ainda em maturação é o córtex pré-frontal, associado à tomada de decisões e responsável pelo controle dos desejos e emoções. 

O uso de substâncias químicas nesse momento de desenvolvimento tende a ter um impacto mais profundo e duradouro no funcionamento cerebral. A maior parte dos dependentes químicos se iniciou no vício - qualquer um deles - na juventude. Entre os usuários de drogas, isso ocorre, em geral, antes dos 21 anos. Quanto aos alcoólatras, antes dos 15.


Os tipos de substâncias

Poucas drogas produzem um efeito tão devastador no organismo quanto a heroína. Derivada da papoula, da qual também se originam o ópio e a morfina, a heroína provoca delírios e uma sensação de torpor no dependente. Ela empresta à realidade contornos de sonho, como se não houvesse problemas e a pessoa pairasse acima do bem e do mal. 

Com o uso, a droga interrompe a produção da endorfina, a substância que o corpo produz para controlar a dor e proporcionar prazer. Quando o dependente tenta interromper o vício, entra em desespero. Durante a crise de abstinência, ele sente dores tão fortes que não consegue realizar atos corriqueiros, como dormir, trocar de roupa ou tomar banho; o coração dispara e corre-se o risco de um colapso. 

O organismo não consegue mais regular a temperatura e o dependente passa a suar muito ou sentir calafrios. A metadona é a única substância conhecida, exceto a própria heroína, que pode aliviar a síndrome de abstinência dos dependentes. A heroína pode ser injetada, tragada ou inalada. A terceira forma é a mais comum, porque não deixa marcas e evita o risco de contaminação pelo vírus da Aids, o HIV. A diferença entre a quantidade necessária para causar algum efeito e a dose fatal é muito pequena - o que explica o número elevado de mortes por overdose.

A cocaína é popularmente encontrada em pó, geralmente branco, obtido de uma pasta feita com folhas de coca, um tipo de arbusto sul-americano que, na década de 80, tornou-se uma coqueluche mundial. Entre os efeitos agudos da droga estão uma sensação de euforia logo nos primeiros minutos, seguida de disforia, um aumento das percepções sensoriais e da auto-estima e a diminuição do sono e do apetite. 

A droga prejudica o funcionamento do cérebro como um todo, mas estudos mostraram que ela compromete principalmente o lobo frontal. Essa região é responsável, entre outras funções, pela criatividade, pelo controle da impulsividade e pelo senso crítico, o que explicaria alguns comportamentos muito comuns entre os viciados, como as mudanças repentinas de humor e surtos de agressividade. 

A droga também é um potente vasoconstritor, ou seja, ela provoca uma contração das artérias, especialmente as cerebrais. Dessa forma, sobra menos espaço para o sangue circular. Além disso, a constrição agride as paredes dos vasos e as deixa mais vulneráveis à pressão feita pelo fluxo sanguíneo. Com isso, a probabilidade de um derrame aumenta. 

Ou de vários pequenos derrames que, embora muitas vezes imperceptíveis, podem ter um efeito devastador se somados ao longo do tempo - alguns especialistas afirmam que esses mini derrames são os responsáveis pela perda gradativa de atividade cerebral notada entre os usuários. O principal fator de risco para o desenvolvimento de sequelas é o tempo de exposição à droga, e não a quantidade que se utiliza. Ou seja, quanto maior o tempo de consumo de cocaína, maiores os prejuízos para o cérebro.

O crack surgiu em meados dos anos 80, quando a política de repressão às drogas acabou criando uma nova maneira de se preparar a cocaína. A droga chegou ao Brasil no início dos anos 90 e, dois anos mais tarde, já marcava presença nas maiores cidades do país. As pedras de crack são obtidas pela mistura de pasta de coca, água e bicarbonato de sódio. 

Tudo isso é aspirado numa espécie de cachimbo. A droga é considerada a forma de cocaína mais capaz de causar consumo compulsivo e dependência. Para os traficantes, o crack é vantajoso por ser mais barato, mais fácil de transportar do que o pó e muito mais potente. O efeito da droga começa quinze segundos após a primeira aspiração. Em um mês, em média, cria-se a dependência.

O princípio ativo da maconha, droga produzida a partir da planta Cannabis sativa, é o THC, sigla de tetrahidrocanabinol. É ele o responsável pelas sensações de relaxamento e desinibição experimentadas por quem fuma a erva. A fome que todo usuário sente depois de fumar - a popular "larica" - também é obra do THC. 

Na década de 60, um cigarro da erva continha 0,5% de THC. Recentemente, estudos americanos apontaram para níveis de até 5%. Há ainda o skank, a supermaconha desenvolvida em laboratório, com 20% de THC. Por causa dessas altas taxas de princípio ativo, a maconha hoje vicia mais e inflige danos ainda maiores ao organismo. 

O uso freqüente da droga diminui a coordenação motora, altera a memória e a concentração e pode levar o usuário a crises de ansiedade e depressão. Além disso, aumenta o risco de infecções e inflamações nas vias respiratórias e contém substâncias cancerígenas - o THC é apenas um dos 400 compostos químicos encontrados em um cigarro de maconha.

O LSD (abreviação de dietilamina do ácido lisérgico) foi descoberto pelo químico suíço Albert Hofmann em 1938, que estudava aplicações medicinais de um fungo de cereais. Nos anos 60, a droga popularizou-se e virou símbolo da contracultura. Consumido em pastilhas, ela cai no sangue depois de ser absorvida pelo estômago e chega ao sistema nervoso central, causando alucinações e distorção das imagens. 

Também aumenta a sensibilidade tátil e auditiva. Seu feito pode durar de algumas horas a um dia e os riscos ao organismo vão de taquicardia, surtos psicóticos à degeneração de células cerebrais e convulsões. Atualmente, a droga costuma vir acrescida de grandes doses de anfetamina, para atender àqueles que querem sacolejar nas pistas de dança.

O ecstasy, ou MDMA, é um tipo de metanfetamina, substância estimulante do sistema nervoso central. Mistura de alucinógeno com anfetamina, é conhecido como "droga do amor" ou simplesmente "E". Sintetizada em 1912, a droga já foi usada como moderador de apetite e até como desinibidor em sessões de psicoterapia, mas acabou proibida nos anos 80. Seu uso causa sensação de euforia, gerada pela descarga de serotonina - neurotransmissor ligado ao prazer e ao bem-estar - que ela produz no cérebro. 

Mas também acelera os batimentos cardíacos, eleva a temperatura corporal e desidrata o organismo, o que leva o usuário a consumir muita água. Passado o efeito da droga, geralmente ocorre uma sensação de depressão que dura cerca de dois dias. Há casos de usuários que, para evitar essa reação, consomem a droga cada vez com mais freqüência, o que leva à dependência.

Há outras drogas sintéticas que compõem com o ecstasy o grupo das chamadas club drugs. O GHB,sigla para ácido gama-hidroxibutírico, ou ecstasy líquido, alucinógeno diluído em água ou no álcool, é uma delas. Vendido sob a forma de pó ou já diluído em água, o GHB é incolor, não tem cheiro e o gosto é levemente amargo. Por ser consumido sob a forma líquida, começa a fazer efeito em, no máximo, meia hora - contra as duas horas exigidas pelo ecstasy. 

Se misturado com álcool, como geralmente acontece, o GHB fica bem mais potente. E perigoso. Seus malefícios vão das náuseas e vômitos ao risco de morte. Outro item da lista é a ketamina, ou Special K, anestésico veterinário do qual se extrai um pó branco para ser aspirado. Os especialistas também alertam para o avanço de uma droga desse mesmo grupo, com altíssimo poder de gerar dependência química. Trata-se do crystal, metanfetamina quase quatro vezes mais devastadora do que a cocaína.

Até as década de 50 e 60, quem tinha problemas para dormir costuma contornar o problema combarbitúricos. Porém, mais tarde, descobriu-se que a ingestão excessiva desses soníferos acarreta sérios risco à saúde. Numa overdose de remédios à base de barbitúricos, a pessoa costuma sofrer uma parada cardíaca. Se tiverem sido misturados a álcool, formam um coquetel ainda mais explosivo. 

Um potencializa o efeito do outro, deprimindo o sistema nervoso central e podendo levar ao coma profundo. O vício é outro risco, cuja síndrome de abstinência traz dores, tremedeiras, crises súbitas de choro, apagões, uma depressão aguda e a sensação de pânico. Hoje os barbitúricos são pouco receitados, apenas como antiepilépticos. Seus sucessores foram os benzodiazepínicos, que, apesar de colocarem os insones para dormir, proporcionam um sono não muito proveitoso. 

Muitos usuários acordam com uma sensação de embriaguez que os acompanha durante todo o dia. Os benzodiazepínicos agem no hipotálamo, no hipocampo e nas amígdalas. É essa ação indiscriminada que leva às sensações inebriantes no dia seguinte e aumenta o risco de dependência. Na década de 90, tratamentos mais seguros contra a insônia surgiram no mercado, mas os benzodiazepínicos continuam sendo comercializados.

O cigarro também é considerado uma droga. Só que lícita, como o álcool. Todos os anos 4 milhões de pessoas no mundo morrem vítimas de doenças associadas ao fumo. O tabagismo está entre os principais fatores de risco para infartos, derrames, diabetes e vários tipos de câncer, entre outros males. Um único cigarro contém 4.700 substâncias, mas apenas uma causa dependência: a nicotina. 

Depois de uma tragada de cigarro, ela demora apenas nove segundos para chegar ao cérebro e desencadear a liberação de dopamina, neurotransmissor responsável pela sensação de prazer. Isso resulta em dependência química. Pesquisas indicam que mais da metade dos fumantes gostaria de largar o vício: a maioria não consegue pela dependência, mas também pelo hábito. Fumar é um hábito arraigado ao dia-a-dia do fumante.

O álcool não é uma droga para a maioria das pessoas, mas pode ter efeitos desastrosos para até 15% das pessoas, aquelas que se tornam dependentes físicas e mentais da substância. Seu consumo, principalmente na adolescência e na juventude, deixa marcas indeléveis no cérebro. Ao entrar no organismo, o álcool vai direto para o sangue. 

De lá, migra para o fígado, onde é metabolizado, e para o cérebro. Quando o fígado não consegue desintoxicar-se por inteiro, produz-se a ressaca. E quando é alta a quantidade de álcool que vai para o cérebro, sem passar pelo metabolismo, vem o famoso "porre". Os efeitos a longo prazo são bastante indesejáveis. Eles variam de déficits de aprendizagem, falhas permanentes de memória, dificuldade de autocontrole a ausência de motivação e lesões graves no fígado. O abuso de álcool na juventude faz com que o jovem fique cinco vezes mais propenso a se tornar alcoólatra na idade adulta.

Os tratamentos

O uso repetido de drogas muda a forma como o usuário se relaciona com o mundo. Além de alterar as emoções, compromete a capacidade de cognição e os reflexos motores. A boa notícia é que o cérebro tem uma capacidade extraordinária de se recuperar dos danos causados pelo vício. Quanto antes uma pessoa inicia o tratamento, melhor. É mais difícil tratar alguém que foi dependente de cocaína por trinta anos do que quem usa a droga há três. 

O mesmo vale para outras substância, como nicotina e álcool. Os especialistas são unânimes em afirmar que não existem tratamentos eficazes que durem menos de noventa dias. Os exames de neuroimagem mostram que esse é o período de maior propensão a recaídas, porque o cérebro permanece mais vulnerável ao longo dos três meses seguintes à última vez em que se utilizou a droga.

Um enorme salto na busca pelo tratamento da dependência foi dado a partir do momento em que o vício deixou de ser visto como uma doença da alma - uma fraqueza de caráter que impinge a suas vítimas comportamentos autodestrutivos - e começou a ser encarado como um distúrbio cerebral. Ele decorre de um desequilíbrio químico e altera os circuitos de recompensa e prazer, tomada de decisões, controle inibitório e aprendizado. 

Trata-se, como se vê, de um problema complexo. A luta contra o vício costuma ser marcada por recaídas e fracassos. Alguém que decida parar de fumar, por exemplo, faz, em média, oito tentativas até largar de vez o cigarro. A vareniclina, a mais nova arma de combate ao tabagismo, está longe de ser a solução mágica contra o problema, mas representa um avanço espetacular: se associada à terapia cognitivo-comportamental, sua taxa de sucesso chega a dobrar. A substância atua nos mecanismos cerebrais da dependência, bloqueando a sensação de prazer proporcionada pela nicotina.

A combinação com terapias psicológicas é essencial para ajudar o dependente a reprogramar o cérebro para a nova vida, longe do vício. Veja-se o caso do grupo Alcoólicos Anônimos (AA). Há mais de setenta anos, muito tempo antes de a ciência começar a desvendar os mecanismos do vício, o AA já ajudava muita gente a se livrar da bebida. Ainda assim, o índice de sucesso de terapias como a do AA segue uma média internacional ao redor de 20% ao fim de um ano. Com a ajuda de um remédio contra o alcoolismo como o acamprosato, no entanto, esse índice pode chegar a 45%.

O arsenal contra a dependência química deve, sem demora, receber reforços. Nos Estados Unidos, estão em estudo duas centenas de novas medicações para combater os mais diversos vícios, do cigarro ao álcool e drogas pesadas até comportamentos compulsivos. Duas vacinas - uma contra a dependência de nicotina e outra para deter o uso da cocaína - devem passar a ser comercializadas nos próximos anos. Também está em fase avançada de testes clínicos um remédio para o tratamento do vício em álcool e metanfetaminas, como o ecstasy. O medicamento funcionaria como um interruptor nos processos de compulsão.

Os especialistas chegam a afirmar que a medicina viverá uma revolução no tratamento de todo e qualquer tipo de vício ao longo da próxima década. A chave desse avanço está na compreensão dos caminhos percorridos pela dopamina no cérebro. Até pouco tempo, acreditava-se que o vício era processado exclusivamente nas porções cerebrais associadas ao sistema de prazer e recompensa, ativado em especial pela dopamina. 

A grande novidade é a descoberta de que há outros circuitos envolvidos nesse mecanismo, como os processos decisórios e mnemônicos, e de que a dopamina também os integra. Com base em descobertas nesse sentido, as pesquisas passaram a dar menos ênfase ao sistema de recompensa e mais aos processos de formação e consolidação da memória do uso de substâncias psicoativas. Há um remédio contra a cocaína em fase adiantada de estudos que atua nesse processo - cujos resultados até agora são bastante promissores. Ao agir sobre os níveis de dopamina, ele corta a relação entre lembrança e vontade de usar a droga.

Uso terapêutico

Quando se fala do uso terapêutico das drogas, refere-se principalmente à maconha. Embora comprovadas, as propriedades terapêuticas da erva são ainda pouco conhecidas. Sabe-se que, em certos casos, a droga tem efeitos analgésicos e abre o apetite, promovendo a recuperação de peso em doentes terminais de Aids e câncer. 

Ela é eficaz ainda no combate ao enjoo e ao vômito, sintomas que aparecem em praticamente todo tipo de tratamento quimioterápico. Também reduz o enrijecimento muscular dos portadores de esclerose múltipla e há casos registrados de melhora em pacientes epiléticos. As pesquisas sobre a droga são, no entanto, limitadas. 
Os críticos da ideia argumentam que as ainda pouco estudadas propriedades terapêuticas da erva podem, em alguns casos, levar à dependência e deflagrar quadros graves de depressão e de esquizofrenia em pessoas com propensão a esses distúrbios psiquiátricos.

Cocaína Envelhece o Cérebro Prematuramente

Apesar de a cocaína fazer com que os usuários se sintam mais alertas e dispostos por instantes, a longo prazo ela pode deixar o cérebro das pessoas muito mais lento. Um novo estudo mostra que o uso crônico da droga envelhece regiões-chave do cérebro mais rapidamente. As descobertas foram publicadas on-line pela Molecular Psychiatry.

Usuários regulares de cocaína geralmente experimentam declínio cognitivo prematuro e atrofia cerebral. Agora, a nova pesquisa mostra como eles estão, de fato, perdendo massa cinzenta cerebral de forma acelerada.

“Conforme envelhecemos, naturalmente perdemos massa cinzenta”, reforça Karen Ersche, do Instituto de Neurociência Clínica e Comportamental da University of Cambridge e co-autora do trabalho. “Já usuários crônicos de cocaína perdem massa cinzenta a uma taxa significativamente maior, o que pode ser um sinal de envelhecimento precoce”, alerta. 

Karen e seus colegas usaram imagens de ressonância magnética para estudar o cérebro de 60 pessoas entre 18 e 50 anos que declararam usar cocaína, comparando com imagens cerebrais de 60 voluntários saudáveis, com idade e QI semelhantes, que não usavam a droga. Eles descobriram que em geral os participantes saudáveis perdiam aproximadamente 1,7 mm de massa cinzenta por ano, enquanto usuários de cocaína perdiam cerca de 3,1 mm.

Esse último grupo perdeu muito mais massa cinzenta nas regiões pré-frontal e temporal, áreas responsáveis pelo controle da memória, pela tomada de decisões e pela atenção, do que os outros voluntários.

A descoberta traz uma nova interpretação sobre “a razão de o déficit cognitivo típico da terceira idade ter sido observado frequentemente em usuários crônicos de meia idade”, observa Karen. Mesmo após os pesquisadores excluírem 16 pessoas que, além do uso de cocaína ingeriam álcool com frequência, a tendência à perda acelerada permaneceu. 

Dos aproximadamente 21 milhões de usuários de cocaína registrados no mundo, cerca de 1,9 milhão vivia nos Estados Unidos em 2008. E o maior grupo, segundo o National Institutes of Health, era composto por pessoas de 18 a 25 anos. “Os jovens usuários precisam ser alertados também sobre o risco de envelhecimento precoce”, alerta Karen.

Neuropsicologia do Uso Crônico da Cocaína

Autor: Paulo J. Cunha



Introdução

A cocaína é uma substância psicoativa que atua no sistema de recompensa cerebral (brain reward system), através da recaptação de neurotransmissores tais como a noradrenalina, serotonina e dopamina. Embora outros neurotransmissores também estejam envolvidos no processo, acredita-se que o bloqueio da recaptação da dopamina leva a um aumento da concentração deste neurotransmissor na fenda sináptica (espaço entre os neurônios), fenômeno responsável pelas sensações de euforia e prazer associadas ao uso da droga (Nathan et al., 1998). 

Em longo prazo, no entanto, acredita-se que ocorra uma diminuição na disponibilidade de neurotransmissores e comprometimento de receptores, processos que podem estar associados à anedonia (ausência de prazer), ansiedade, diminuição da energia e vários problemas cognitivos (Lacayo, 1995; Cadet e Bolla, 1996; Baumann et al., 2004). Este texto tem o objetivo de revisar os principais achados neste campo, assim como o impacto das alterações neuropsicológicas no tratamento dos dependentes de cocaína. 

Efeitos neuropsicológicos crônicos do uso da cocaína

Em uma época em que a cocaína era vista pela sociedade médica como uma droga incapaz de provocar dependência, Washton et al. (1984) realizaram um levantamento, a partir de um serviço de ajuda telefônica para usuários de cocaína, englobando 500 indivíduos, que detectou não apenas problemas sociais, físicos e psicológicos, como também uma prevalência alta de queixas cognitivas: a parcela de 65% referiu dificuldade de concentração e 57% relatou problemas de memória. 

Anos depois, vieram os estudos com bases mais sólidas e com a utilização de testes neuropsicológicos. Ardila et al. (1991) estudaram 37 dependentes de cocaína, internados, com a média de 30 dias em abstinência, usando uma bateria neuropsicológica básica e comparando os resultados com tabelas normativas dos testes. 

Encontraram um prejuízo neuropsicológico moderado nos pacientes, em tarefas de memória verbal, visual, atenção, nomeação e capacidade de abstração. Foi observado também que quanto maior a quantidade de uso da droga durante a vida, pior o desempenho neuropsicológico. 

Berry et al. (1993) estudaram 16 dependentes de cocaína, internados para tratamento, em dois momentos: 72 horas e 14 dias após a abstinência, comparando-os a 21 controles, pareados em idade, sexo, raça e educação. Verificaram que o uso recente de cocaína estava relacionado a prejuízos na memória, habilidades viso-espaciais e concentração, durante a fase inicial da retirada da droga, e que estes persistiam por pelo menos duas semanas após a cessação do uso. 

A despeito de os dois grupos terem obtido uma melhoria significativa na maioria das medidas neuropsicológicas, os sujeitos dependentes falharam em demonstrar um grau de recuperação similar aos controles, principalmente nas tarefas de velocidade viso-motora, memória e concentração. 

Strickland et al. (1993) estudaram pacientes dependentes de cocaína internados, buscando avaliar a relação entre fluxo sangüíneo cerebral e o funcionamento neuropsicológico desses sujeitos, após um período significativo de abstinência à droga (pelo menos seis meses). 

Os pacientes apresentaram alterações no fluxo sangüíneo cerebral e disfunção cognitiva persistente, particularmente em tarefas que requeriam sustentação da atenção, concentração, novas aprendizagens, memória visual e verbal, fluência verbal e integração viso-motora. Os déficits neuropsicológicos observados foram associados com o padrão multifocal de hipoperfusão cerebral constatado pelos exames de SPECT. 

Rosseli e Ardila (1996), em um estudo realizado com 183 participantes, sendo 63 sujeitos controles, 59 dependentes de várias drogas e 61 dependentes de cocaína, em abstinência de pelo menos dois meses, encontraram déficits cognitivos moderados associados ao uso crônico de cocaína e de várias drogas, principalmente de memória, atenção, abstração e flexibilidade cognitiva (funções executivas).

Selby e Azrin (1998) pesquisaram 60 dependentes de cocaína, 101 de álcool e 56 de várias substâncias, comparando-os a 138 indivíduos controles. Não foi encontrada diferença significativa entre o desempenho dos dependentes de cocaína e o resultado dos indivíduos controles. Nota-se que o tempo de abstinência foi bem maior que nos outros estudos, pois compreendeu um período médio de 36 meses (três anos).

Bolla et al. (1999) investigaram 30 usuários de cocaína e os compararam a 21 indivíduos. Os resultados sugeriram déficits em funções executivas, viso-percepção, velocidade psicomotora e destreza manual. Quanto maior o uso desta droga (gramas por semana), maior o decréscimo do funcionamento em testes neuropsicológicos, principalmente em funcionamento executivo, viso-percepção, velocidade psicomotora e destreza manual.

Cunha et al. (2004) pesquisaram 15 dependentes de cocaína, em tratamento, com a média de duas semanas de abstinência à droga, comparando-os a um grupo controle (n=15), pareado em diversas variáveis, como idade, gênero, nível sócio-econômico, lateralidade, etnia e nível intelectual. Os resultados apontaram diferenças estatisticamente significantes em atenção, memória (visual e verbal), aprendizagem, funções executivas e fluência verbal fonológica.

Em suma, é possível observar que o uso da cocaína está associado a alterações principalmente de atenção, memória e funções executivas. Há, ainda, efeitos relacionados à dose, ou seja, quanto maior o uso da droga (gramas na semana), piores os déficits encontrados, achado que contribui de maneira significativa para o estudo da relação de causalidade entre uso de cocaína e danos cognitivos (Bolla et al., 1999). 

Os prejuízos neuropsicológicos iniciam-se nos primeiros dias de abstinência e persistem mesmo após seis meses de abstinência. Nesta fase, são encontrados ainda problemas na atenção, concentração, novas aprendizagens, memória visual e verbal, fluência verbal e integração viso-motora, assim como na perfusão (circulação sanguínea) cerebral (Strickland et al., 1993). 

Por outro lado, em estudo realizado com três anos de abstinência à cocaína, não foram encontradas alterações, o que sugere que após um longo período de abstinência, é possível que a atividade neuroquímica e cerebrovascular retorne aos níveis anteriores de funcionamento, e desta forma as capacidades neuropsicológicas também (Selby e Azrin, 1998).

Alterações na tomada de decisões em dependentes de cocaína

De acordo com a Associação Psiquiátrica Americana (APA), a principal característica do dependente químico é a recorrência do comportamento de uso da droga, a despeito de suas conseqüências negativas, sejam na área social, psicológica ou legal (APA, 1994). O indivíduo apresenta uma série de comportamentos, que acabam levando-o a um processo de “autodestruição”, muitas vezes sem volta. 

De posse deste conhecimento, pesquisadores passaram a avaliar o comportamento de dependentes de cocaína em um teste inovador, denominado Iowa Gambling Task (IGT), que simula situações de ganhos e perdas na vida real, com o objetivo de avaliar como o indivíduo processa o recebimento de recompensas e punições, tanto de longo como de curto prazo.

O indivíduo deve selecionar as cartas com o mouse, uma por vez, de qualquer um dos conjuntos, até que o jogo chegue ao final (após 100 escolhas). Depois de virar cada carta, a pessoa recebe uma quantia em dinheiro, fato anunciado imediatamente na tela, sendo a quantia variável de acordo com o conjunto escolhido. Depois de virar algumas cartas, os indivíduos recebem dinheiro, mas devem pagar uma penalidade, que também é anunciada após a escolha e varia de acordo com o conjunto. 

Os sujeitos recebem a informação de que: 

1) o objetivo do jogo é ganhar o máximo possível de dinheiro; 

2) eles estão livres para escolher. Enquanto nos conjuntos A e B os ganhos imediatos são maiores, as perdas em longo prazo são mais expressivas ainda. Já as escolhas das cartas provenientes dos grupos C e D levam a ganhos baixos, porém estão associadas a perdas menores em longo-prazo. 

O cálculo da pontuação final é feito através do Netscore, que representa a soma de escolhas dos grupos de cartas “vantajosas”, menos a soma das escolhas das cartas “desvantajosas” [(C+D)-(A+B)]. No total, há um saldo positivo quando o indivíduo escolhe mais cartas nos blocos C e D, ao passo que o saldo se torna negativo se o indivíduo escolher mais cartas oriundas dos blocos A e B. 

O IGT foi inicialmente desenhado com o intuito de examinar o processo de tomada de decisões em pacientes com lesões cerebrais em córtex pré-frontal (CPF) (Bechara et al., 1994). Após lesão em CPF, especialmente em áreas órbito-frontais, indivíduos com personalidade normal tendem a apresentar conduta social desajustada, bem como sérios problemas na tomada de decisões e na execução de ações, que repetidamente levam a conseqüências psicossociais negativas (Damasio et al., 1990). 

Um dos exemplos mais conhecidos deste tipo de infortúnio é Phineas Gage (para maiores detalhes, consultar Damasio, 1996). Tal como Gage e outros pacientes com lesões em CPF, sabe-se que, na maioria das vezes, dependentes de cocaína apresentam alterações de comportamento e personalidade semelhantes. 

Ademais, estudos de neuroimagem estrutural e funcional têm apontado disfunções em CPF em dependentes de cocaína, no período de abstinência, que podem estar na base das alterações comportamentais vivenciadas pelos usuários (Volkow et al., 1988; Fein et al., 2002; Matochik et al., 2003; Bolla et al., 2004; Goldstein et al. 2004).

Alguns pesquisadores já utilizaram o IGT na avaliação de dependentes de drogas, tendo encontrado resultados interessantes e promissores. Grant et al. (2000) estudaram um grupo de 30 abusadores de múltiplas drogas, que tiveram o seu desempenho comparado com 24 sujeitos-controle. 

Após os devidos ajustes estatísticos, o grupo encontrou um desempenho significativamente pior dos abusadores de drogas em relação aos controles no IGT. Bechara et al. (2001) estudaram o desempenho de 41 dependentes de estimulantes e álcool nesta tarefa, comparando-os a 40 sujeitos normais e cinco pacientes com lesão conhecida em CPF. 

Foi encontrado prejuízo significativo nos abusadores em relação aos controles, sendo que 61% deles situaram-se dentro da faixa de desempenho esperada para os pacientes lesionados. Em nosso meio, foram avaliados dependentes de cocaína e os resultados foram similares aos dos estudos internacionais. 

Ao longo das 100 tentativas, enquanto os indivíduos do grupo controle tendiam a escolher cada vez mais cartas dos grupos “vantajosos” (C+D), os dependentes de cocaína falharam em aprender efetivamente com as conseqüências futuras de suas ações, mantendo-se presos aos efeitos imediatos (A+B), o que os levou inevitavelmente a perdas maiores de longo-prazo, algo semelhante ao que ocorria na vida pessoal (Cunha et al., 2005). Entretanto, de acordo com Bartzokis et al. (2000), é provável que a avaliação dos riscos melhore na medida em que o tempo de abstinência à cocaína aumenta.

Impacto dos déficits cognitivos no tratamento 

A maioria dos tratamentos atualmente reconhecidos como eficazes para a dependência se baseia no emprego de estratégias cognitivo-comportamentais, em que o uso do processamento mental é um mediador para a mudança de comportamentos. Assim, aqueles dependentes de cocaína que não conseguem compreender as intervenções (ex: análise funcional, treinamento de habilidades), tendem a obter pouco sucesso ou abandonar o tratamento precocemente. 

Aharonovich et al. (2003) acompanhou 18 dependentes de cocaína, não-deprimidos, durante tratamento baseado em terapia cognitivo-comportamental (TCC), após terem respondido a uma bateria de testes cognitivos por computador. Os resultados indicaram que aqueles que completaram o tratamento de 12 semanas, haviam obtido pontuação melhor no início da avaliação, quando comparados àqueles que desistiram antes de completar o programa. 

Os dados fornecem subsídios para a compreensão de que determinados déficits cognitivos podem afetar a aderência ao tratamento e a abstinência à cocaína. De fato, é razoável e faz sentido pensar que os usuários de cocaína que não conseguem compreender as intervenções da TCC estão mais propensos ao abandono do tratamento (Aharonovich et al., 2003). 

O mesmo grupo de pesquisadores prosseguiu com as investigações, agora com uma amostra maior (n= 56 dependentes de cocaína), e percebeu que os resultados não foram afetados por outros fatores como depressão, dados sócio-demográficos ou intensidade do uso de droga (Aharonovich et al., 2006). 

Os autores defendem a elaboração de estratégias específicas para os pacientes, no sentido de melhorar a aderência ao tratamento. De fato, parece que isso pode dar certo. Maude-Griffin et al. (1998) avaliaram 128 usuários de cocaína (crack), oriundos de programas ambulatoriais e de internação para tratamento de dependência de cocaína e perceberam, no geral, superioridade da TCC quando comparada ao método de 12 passos, utilizado em grupos como os Narcóticos Anônimos (NA). 

Entretanto, quando os pesquisadores analisaram sub-grupos da amostra, perceberam que o sucesso do tratamento parecia depender do funcionamento cognitivo e características individuais dos pacientes. Os dependentes de cocaína que possuíam melhor nível de abstração, por exemplo, tendiam a obter melhores taxas de sucesso na TCC, quando comparados àqueles com pior nível de abstração. 

Estes, por sua vez, tendiam a obter mais sucesso quando submetidos a tratamento baseado em estratégias de NA, quando comparados aos indivíduos com alto nível cognitivo. Tais resultados estão em consonância com os Princípios Gerais de Tratamento das Dependências Químicas do National Institute on Drug Abuse (NIDA, 1999), que defende a utilização de estratégias direcionadas às características individuais de cada paciente.

Conclusões

O uso de cocaína está associado a efeitos prejudiciais, de longo-prazo (crônicos), em várias funções cognitivas, principalmente em atenção, memória, funções executivas e na tomada de decisões. As alterações cognitivas parecem estar associadas predominantemente a problemas de funcionamento do CPF do cérebro, e podem, por sua vez, interferir negativamente na aderência e aumentar as chances de recaída dos pacientes. 

Este complexo de sintomas parece estar na base das dependências, e, por isso, considera-se de extrema valia a busca por adaptações nas técnicas comportamentais e investigação de estratégias farmacológicas mais eficazes para o seu tratamento. Acredita-se que o tratamento voltado para as características individuais dos pacientes, incluindo o funcionamento cognitivo, pode ser muito mais efetivo, por levar à diminuição das chances de recaída e melhorar a aderência ao programa de acompanhamento.

Game pode melhorar capacidade cognitiva de idosos

Jogo multitarefas modifica o cérebro, diz pesquisa da revista 'Nature'. Idosos chegaram a superar resultados de jogadores mais jovens.

Um grupo de cientistas criou um videogame capaz de medir e reparar a deterioração neuronal relacionada ao envelhecimento, informou a revista científica britânica "Nature" nesta quarta-feira.

Segundo a pesquisa da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, o cérebro de uma pessoa idosa é mais flexível do que se acredita. Com treinamento concreto é possível evitar que diminuam com a idade algumas aptidões como atenção, memória e capacidade de realizar várias tarefas ao mesmo tempo.

Para comprovar a hipótese, os cientistas pediram que um grupo de especialistas em tecnologia e entretenimento projetasse um jogo de corrida, que recebeu o nome de "NeuroRacer", no qual o jogador poderia ter uma única tarefa ou várias ao mesmo tempo.

"Uma das condições do videogame foi que os jogadores estivessem expostos a distrações durante as partidas para analisar sua atenção e sua capacidade de realizar múltiplas tarefas", explicou Adam Gazzaley, chefe do projeto.

Após testar o jogo com um grupo de pessoas entre 20 e 79 anos, os pesquisadores concluíram que os participantes mais velhos tinham mais dificuldades para superar a versão com várias tarefas simultâneas.

Posteriormente, eles concentraram a avaliação em pessoas entre 60 e 85 anos e as dividiram em diversos grupos para que jogassem versões diferentes do "NeuroRacer" três horas por semana durante um mês.

Assim, os cientistas conseguiram comprovar que o grupo que jogou a versão multitarefas do "NeuroRacer" melhorou sua capacidade de desempenhar duas funções simultâneas que demandam atenção.

Após seis meses de treinamento contínuo, os idosos não só melhoraram essa capacidade mas também chegaram a superar os resultados dos jovens de 20 anos que não tinham treinado dessa forma.

“Eu gosto da ideia de que seja possível intervir no processo de envelhecimento das pessoas, e que os mais velhos possam melhorar suas capacidades cognitivas jogando”, disse Gazzaley.

Para demonstrar seus resultados, a equipe de cientistas da Califórnia também mediu a atividade cerebral dos participantes através de eletroencefalogramas, tanto antes como depois dos treinos.

“O jogo provocou mudanças no cérebro”, declarou o cientista em referência à maior atividade que se registrou nas ondas “theta” do cérebro dos participantes, associadas à memória plástica e à capacidade de aprendizagem.

Segundo o pesquisador da Califórnia, o treino contínuo com o “NeuroRacer” também trouxe melhoras para a memória de trabalho e para a atenção dos idosos.

"Esta é uma prova importante que confirma o que se pode conseguir com estes tratamentos, como diagnosticar deficiências neuronais e melhorar as capacidades cognitivas do cérebro", acrescentou o chefe do projeto.

Embora Gazzaley reconheça que ainda há muito trabalho pela frente, já foram iniciadas novas pesquisas, também com videogames, para estudar este tipo de tratamentos em jovens e crianças.

Jogos para melhorar a cognição em diversos aspectos


Exercite seu cérebro!

Jogos virtuais melhoram a atenção e a memória, segundo especialistas


Segundo especialista, jogos para a mente melhoram o desempenho quando praticados regularmente por pelo menos três meses. Seja pelo excesso de informação ou pelo ritmo de vida alucinante, você já deve ter parado um instante e esquecido o que estava procurando ou o que ia falar. A memória é infinita, mas precisa ser treinada para ter rápido acesso às informações escondidas no seu cérebro.

Com esta necessidade crescente para não perder tempo no seu dia a dia (lembrando onde deixou os óculos, por exemplo) ou no trabalho, surgiram diversos jogos especializados na tarefa. 

As “academias virtuais” prometem exercitar as funções do cérebro e deixá-lo melhor do que nunca. Mas estes jogos para a mente realmente funcionam?

As pesquisas científicas divergem, algumas afirmam que há melhoras, especialmente em pacientes com problemas de memória como o Alzheimer, outras não indicam ganhos significativos.

“Existem muitas pesquisas sobre o desenvolvimento do cérebro e jogos computadorizados, mas ainda não há provas científicas que possam esclarecer se eles são eficientes”, conta a neurocientista Mirna Wetters Portuguez, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

Franck Tarpin-Bernard, chefe de tecnologia da Scientific Brain Training, que possui o site de games para o cérebro Happy Neuron, afirma que os jogos são eficientes porque foram desenvolvidos para exercitar adequadamente áreas específicas do cérebro. O jogo pode ser um caça-palavras ou uma batalha naval, que estimula em níveis diferentes as funções cognitivas memória, atenção, linguagem, raciocínio lógico e visão espacial.

“Exercitamos regularmente áreas específicas do cérebro como memória e atenção, e temos programas interativos, em que existem níveis de dificuldade, então é possível ser desafiado constantemente e, assim, não desistir e melhorar suas funções cognitivas”, explica Tarpin-Bernard.

Portuguez concorda que os jogos virtuais melhoram o desempenho cognitivo, mas não há muita diferença em relação aos demais videogames.

“Jogos computadorizados funcionam como efeito estimulador no desenvolvimento intelectual, permitem maior flexibilidade de raciocínio, desafiam nosso funcionamento executivo, ajudam a treinar e estimular o pensamento lógico, o planejamento estratégico, a solução de problemas, a tomada de decisões, o reconhecimento de erros, a enfrentar situações novas, a inibir reações habituais quando se mostram inadequadas para o momento e o raciocínio dedutivo”, elenca.

Todas essas funções estão localizadas no lobo frontal, especialmente no córtex pré-frontal, que é responsável por essas manifestações cognitivas e comportamentais.

Por outro lado, ela acredita que os jogos não substituem relações sociais, que desenvolvem outras áreas do cérebro. “No entanto, essas habilidades são menos produtivas em algumas funções cognitivas muito importantes como linguagem, incluindo compreensão e expressão verbal, leitura, escrita e alguns aspectos comportamentais, como interagir com o mundo real, com as pessoas, tanto no âmbito afetivo como social”, pondera.

Sudoku

Sabe-se que várias atividades podem estimular e treinar o cérebro, como jogos de baralho, palavras-cruzadas, xadrez e a leitura. Em uma pesquisa realizada com mais de 5.000 chineses idosos, comparou-se grupos com diferentes atividades de lazer, como assistir à TV, ler e jogar Mahjong (considerado um jogo das 100 inteligências). Os idosos que tinham o hábito do jogo e da leitura apresentaram risco menor de prejuízos cognitivos.

Tarpin-Bernard diz que estes jogos ajudam a fortalecer ligações no cérebro, mas que elas não são usadas para funções do dia a dia. “A pessoa quer ter uma memória melhor para lembrar o que tem q comprar no supermercado, para coisas do dia a dia. Jogando muito sudoku o máximo que você vai conseguir é ser um expert em sudoku”, ironiza.

O grande diferencial, segundo ele, é que os jogos para o cérebro combinam funções cognitivas diferentes e aumentam a dificuldade gradativamente, o que permite a criação de novas conexões para se chegar à informação. “Os games ensinam como focar sua atenção e melhorar a concentração e ainda desenvolvem técnicas de memorização que você já usa naturalmente”, explica.

Pesquisa

Uma das principais pesquisas sobre a eficiência dos jogos para mente foi realizada pela BBC. A "Lab UK" Bang Goes the Theory testou cerca de 11 mil pessoas. Elas tinham que fazer determinadas atividades, no mínimo 10 minutos ao dia, três vezes na semana, por seis semanas. No final, as pessoas que realizaram treino cerebral e as que simplesmente usaram a internet durante mesmo tempo tiveram ganhos cognitivos semelhantes.

“Eles observaram melhoras progressivas no desempenho no jogo, mas os ganhos cognitivos não acompanharam essa 'performance'. Não identificaram melhoras no raciocínio geral, nas funções de memória, planejamento e nem nas habilidades visuais e espaciais”, lembra a neurocientista.

A resposta dos especialistas em jogos para a mente não diverge da conclusão da própria pesquisa: é necessário mais tempo de atividade para verificar benefícios no funcionamento cognitivo. “Um período curto, como foi feito na pesquisa em questão, não é suficiente para produzir modificações consistentes no cérebro”, analisa Portuguez.

Para o especialista em jogos para a mente, para se começar a ter resultados é necessário pelo menos 90 dias de treinamento regular, com 20 minutos a cada 2 dias.

Cérebro de adultos também se modifica a cada novo aprendizado

A memória é um sistema de redes complexo distribuído por todo o cérebro, responsável pela criação, armazenamento e lembrança das informações. Assim, não basta ter um dado gravado na sua cabeça, é preciso saber também como chegar até ele. 

O aprendizado tem uma relação estreita com a plasticidade cerebral, que é a capacidade de reorganizar o cérebro conforme o uso, ou seja, você faz novas conexões em células nervosas para aprender. E não são poucas, estima-se que mais de 100 bilhões de células nervosas são usadas ao longo da vida no processo de aprendizagem.

“Na criança o circuito neuronal é extremamente plástico, moldável, em relação ao processo de formar aprendizado. Os primeiros 2 anos são extremamente sensíveis a criação de vias cerebrais para o funcionamento de diversas funções, como a memória, linguagem, percepção, atenção etc. 

A criança nasce e permanece, durante os primeiros cinco ou seis anos de vida, com as janelas de aprendizado totalmente abertas. Isso significa que toda criança já nasce pronta para aprender”, explica a neurocientista Mirna Wetters Portuguez, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

Mas a plasticidade não é exclusividade das crianças, o cérebro dos adultos também de adapta e reorganiza a comunicação entre os neurônios a cada novo aprendizado. E isto implica em mudanças tanto para massa cinzenta (formada pelos corpos neurônios, que compõe o córtex, a camada externa) quanto para a substância branca (os axônios, ou extensões do neurônios, que fazem a ligação) do cérebro.

Um exemplo é a alfabetização. A neurocientista destaca que diferente da linguagem falada que é uma característica biologicamente determinada que se desenvolve de forma natural e espontânea (se existir um ambiente estimulante), o mesmo não acontece com a leitura e a escrita. “A leitura e a escrita não são características genéticas da espécie humana e, portanto, sua aquisição requer aprendizado, esforço e a existência de um ambiente que motive essa atividade”.

Veja dicas para treinar o cérebro e turbinar a memória



Dicas dadas por especialistas em jogos para o cérebro e neurologia para você treinar seu cérebro e melhorar sua memória.

Aprenda o máximo que puder. Coisas novas mantêm a mente ativa e criam novas conexões.

Exercite o cérebro com frequência. O hábito de pensar, seja em jogos, leitura etc melhora as funções cognitivas e evita as perdas que vêm com a idade.

Tente pensar rápido. Busque novas respostas para antigas dúvidas. Esses atos desenvolvem as capacidades necessárias ao bom raciocínio lógico, da identificação de problemas ao estabelecimento de metas e execução de uma estratégia.

Faça associações. Ligue assuntos novos a algo que você já conhece. Quanto mais associações, mais uma coisa será lembrada.

Durma bem. O sono é o estado em que nosso cérebro consolida novas informações adquiridas e as armazenam como memória.

Preste atenção a alimentação. Uma dieta rica em ômega-3, vitamina B e antioxidantes é importante para a saúde do cérebro.

Faça exercícios físicos. Um estudo recente da Universidade da Pennsylvania sobre exercícios e memória descobriu que pessoas que praticavam rotineiramente exercícios com atenção mostraram melhorias mensuráveis em “desempenho cerebral”.