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2/21/2014

O que fazer se suspeitar de alcoolismo?

Antes da embriaguez, que é o "hábito", se tornar em alcoolismo, que é "doença", ninguém tinha pena dos vagabundos. Então o alcoolismo começou a ser compreendido e os alcoólicos passaram a ser lastimados em vez de desprezados. Até muito recentemente, o método de aproximação usual consistia em perdoar os caprichos dos alcoólicos, confortá-los nas suas más disposições, cortar-lhes o acesso às bebidas e esperar que se sentissem tão mal que, por si sós, se decidissem a recuperar-se.
Então, os peritos começaram a aperceber-se que o alcoólico só se recupera depois de chegar ao "fundo" - quando se sentem tão repugnantes e cheios de asco. Só então, estão disponíveis para aceitar a realidade de que já não têm controle na bebida mas sim que a bebida passou a controlá-las e isso está a arruinar as suas vidas.
Algumas alcoólicas atingem o "fundo" ainda a tempo de se recomporem. Outras só lá chegam quando já todos os seus parentes e amigos lavaram as mãos do seu caso e sozinhas deixam-se embrenhar tão profundamente no álcool que ficam num estupor alcoólico e quase morrem de má-nutrição.
Noutros casos ainda, só chegam ao fundo para morrer, devido ao consumo simultâneo de álcool e comprimidos para dormir (uma complicação comum, especialmente entre as mulheres) elas morrem por um efeito combinado de bebidas e drogas, como foi o caso da morte de Marilyn Monroe. Infelizmente, as mulheres alcoólicas são muito mais frequentemente impedidas de chegarem ao fundo que os homens.
Os parentes protegem-nas das consequências das suas ações, os amigos e os patrões encobrem-nas e até mesmo a polícia quando se depara com uma mulher embriagada, faz de conta que não vê.
Mas, Ruth Maxwell, no seu livro "A Batalha das Bebidas: Uma aproximação que funciona, baseada no senso comum", sugere que retiremos a nossa proteção e que ainda, forcemos a alcoólica a ir ao "fundo", só então veremos que ela vai pedir socorro antes que ela torne o dano irreparável.
Ruth disse-me "se pararmos de proteger a alcoólica das consequências do seu vício, se permitirmos que ela veja o mal que está fazendo a ela própria e aos que a rodeiam, podemos forçá-la a ver a realidade da sua situação." “NÃO esconda as bebidas, diz-nos Ruth; a alcoólica acaba por descobri-la e ainda arranja mais”. NÃO evite ocasiões sociais onde ela possa ficar embriagada, não lhe peça para prometer que não volta a beber, não a recompense nem a ameace por causa da bebida.
Tudo isso é inútil. Chame-lhe ALCOOLISMO. Deixe-a beber porque de qualquer maneira, ela não é capaz de parar e deixe-a passar por todas as situações dolorosas e humilhantes: a ameaça de perder o emprego, os efeitos da bebida em si e nela própria. A dor e humilhação fornecem frequentemente a primeira motivação para que a alcoólica procure alcançar ajuda e deixar de beber.
Parar de beber é a única resposta para a alcoólica. Isso foi provado e confirmado durante um estudo de cinco anos levado a cabo na Universidade da Carolina do Norte pelo psiquiatra John Ewing. Usando terapia de aversão e técnicas de apoio, o Dr. Ewing tentou ajudar alcoólicos a controlarem o consumo de álcool e falhou, não conseguindo que um só alcoólico bebesse apenas uma ou duas bebidas e parasse.
Mas, para deixar de beber, a alcoólica necessita de ajuda e não é qualquer tipo de ajuda que vai resultar. Muitas mulheres tentam a psicanálise, a qual se tem mostrado totalmente ineficaz. De fato, muitos dos bons psicanalistas recusam-se a trabalhar com alcoólicos. Muitas mulheres consultam os seus médicos, a maior parte das vezes não para se curarem mas apenas buscando alívio dos sintomas - ansiedade, insônia e depressão.
Incapazes de, na maior parte das vezes, reconhecer estes sintomas, o médico prescreve comprimidos. Sendo particularmente susceptível a vícios secundários, a alcoólica cai frequentemente na fase "bebida e comprimidos". O Dr. Donald Douglas salienta, num artigo publicado, que “o tratamento numa luxuosa clínica de desintoxicação por fisioterapia, ou uma estadia num hospital discreto, sob um diagnóstico falso, ou o uso comum de sedativos e tranquilizantes”... tudo não passa de simples métodos de proteger a continuação do vício...
As chamadas "melhoras", ou curas, atingem apenas um quarto, ou quando muito, um terço, da população alcoólica que consegue manter-se abstinente, por vezes por períodos prolongados. E conclui, "A libertação do vício não termina na abstinência; ela começa com abstinência."
Existem três formas através das quais o alcoólico pode ser ajudado a abandonar a bebida – e a recusar a próxima que lhe venha a ser oferecida.
A primeira e mais antiga é através dos Alcoólicos Anônimos. Os AA têm sido bem sucedidos desde o seu começo; três quartos dos seus membros foram bem sucedidos na sua libertação duma doença que, até ao aparecimento dos AA era quase totalmente incurável. O Dr. Douglas explicou como funcionam os Alcoólicos Anônimos:
"Depois de ouvir os testemunhos verídicos de outros alcoólicos, a doente sente uma dificuldade crescente em negar o seu alcoolismo, e isso lhe tira a vontade de beber ... um inabalável reconhecimento é imprimido pelo muito esforço para negá-lo: o aumento progressivo do consumo, a imprevisível perda de controlo depois da primeira bebida, as típicas negações…" O Dr. Douglas faz notar que muitas das reuniões AA são abertas a toda a gente e sugere que muitas das alcoólicas levadas contra vontade a uma essas reuniões podem vir a ser ajudadas pela experiência de perceberem que ali é o seu lugar.
Um recente desdobramento dos AA foram os programas de recuperação de alcoólicos levados a cabo pelas grandes empresas. Uma pesquisa feita pelo Instituto Nacional do Abuso do Álcool, demonstrou que das 149 grandes empresas sediadas em Nova Iorque, 51 desenvolveram programas de tratamento para os seus empregados.
A maioria utiliza recursos exteriores tais como os AA, mas o seu próprio pessoal é treinado para detectar pessoas suspeitas, por causa do seu absentismo ou outros indícios típicos do alcoolismo. Os pesquisadores descobriram que, quando uma mulher é ameaçada de perder o emprego se não se tratar, isso é muitas vezes a motivação de que ela necessita.
Muitas mulheres necessitam apenas do apoio dum grupo do tipo AA. Mas outras há que já vão tão avançadas no seu vício que já têm convulsões, delírio, histeria e outros problemas graves. Para elas, o primeiro passo a dar na sua recuperação é a desintoxicação, através da admissão num centro especializado para ressacar e reabilitarem-se (dura normalmente 5 a 7dias mas por vezes vai até quatro semanas).
O terceiro apoio disponível para os alcoólicos que querem chutar das suas vidas o hábito da bebida é o uso de outra droga - o "antabus". É barato, dura até cinco dias por dose e não tem efeitos maléficos para o organismo, exceto quando um trago de cerveja, uísque ou vinho é absorvido.

Então todo o inferno parece soltar-se: os olhos ficam esbugalhados, a face escalda, violentas dores de cabeça, fortes batidas do coração, os pulmões fazem ruído, o estômago revolve-se. Esta droga não resulta com todos e algumas pessoas não a podem utilizar por causa dos seus efeitos secundários, mas para muitos outros, que desejam verdadeiramente permanecer sóbrios, o "antabus" tem provado ser um forte suporte para muitos que realmente querem permanecer sóbrios.