Estudos tentaram descobrir a diferença. Um
relatório sugere que a mulher necessita de menos álcool para atingir a embriaguez;
outro indica que quando ela se encontra no período menstrual é mais afetada.
Estas descobertas estão ainda por provar mas já foi demonstrado sem margem para
dúvida que, embora a mulher tenha tendência para começar a beber mais tarde que
o homem, elas passam pelo primeiro e segundo graus muito mais rapidamente. Elas
têm também uma maior tendência que os homens para contraírem doenças de fígado
provocadas pelo abuso do álcool.
Costumava dizer-se que enquanto o homem aprecia
beber em companhia, as alcoólicas preferem fazê-lo em segredo. Ruth Maxwell
diz-nos pela sua experiência isso não é verdade.
Ela afirma “Todos os verdadeiros alcoólicos ocultam
o que bebem”. Só que os homens bebem com os companheiros para além daquilo que
bebem às escondidas, enquanto que as mulheres alcoólicas raramente se arriscam
a embriagar-se em público. Existe uma enorme dicotomia na forma como, por um
lado, se perdoam os alcoólicos e por outro, se desprezam as mulheres com o
mesmo problema.
Que tipo de mulheres tem tendência para o alcoolismo?
Antigamente considerava-se que as donas de casa
tinham mais tendência para o alcoolismo que as mulheres que trabalhavam.
Ensinavam-nos que era assim porque as domésticas estavam sozinhas em casa,
aborrecidas, frustradas, ressentidas com as crianças, com o trabalho doméstico
por fazer e com o armário das bebidas à mão. Mas isto só parecia ser verdade
porque naqueles tempos havia muito mais mulheres domésticas que trabalhadoras.
Agora, que há tantas mulheres a trabalhar fora de
casa, outras estatísticas estão a destronar este mito. De fato, um programa de
pré-tratamento destinado aos trabalhadores da indústria descobriu que numa
determinada fábrica, oito por cento dos trabalhadores com problemas de
alcoolismo eram mulheres e mais, que no caso em análise, as mulheres
representavam oito por cento do total dos trabalhadores. Por outras palavras, a
relação trabalhadores alcoólicos / trabalhadoras alcoólicas era de um para um!
O mesmo relatório sugeria que pode mesmo haver mais
mulheres alcoólicas do que homens porque, como os pesquisadores descobriram:
Quando uma mulher começa a caminhada rumo ao alcoolismo, ela normalmente
desiste voluntariamente de trabalhar e vai para casa para se tornar numa
"bebedora escondida".
As pessoas gostavam de pensar que as alcoólicas são
originárias das classes mais pobres ou das mais ricas. Mas, cada vez mais
começamos a perceber que a jovem editora que nos eventos sociais, bebe demais
para poder regressar a casa sozinha, ou a atraente secretária divorciada que
falta muitas vezes à segunda feira, ou que "adoece" depois de almoço,
são ambas alcoólicas.
Existem tantas possibilidades da trabalhadora
moderna e independente, quanto à doméstica antiquada, serem bebedoras
excessivas. Se alguma diferença houver é que o alcoolismo é na doméstica mais
fácil de manter porque ela não tem que se preocupar em esconder as provas.
Toby Levinson, psicólogo no Instituto de
Psiquiatria Clarke, no Canadá, declarou numa entrevista, "O alcoolismo
está a aumentar entre as mulheres que vivem sós. Elas estão sós, isoladas e não
têm nenhum dos apoios nem mesmo os das alcoólicas domésticas, em termos de
maridos e filhos." Isto é igualmente verdade em relação às mulheres
americanas. A única pista da sua dependência, acrescenta Levinson, pode
encontrar-se talvez através do seu recorde de mudança de empregos.
Como começa o alcoolismo?
As alcoólicas normalmente invocam determinada crise
na sua vida como a causa de terem começado a beber, de se terem descontrolado,
ou beberem demais. Elas procuram sempre encontrar uma razão lógica que justifique
mais uma bebida. Frequentemente deitam as culpas sobre alguém: "o meu
marido está sempre a implicar comigo", "o meu patrão anda a
aborrecer-me".
Presentemente é popular pôr as culpas nos problemas
de ser mulher num mundo de homens. Ainda assim, Rute Maxwell observa:
"Duas pessoas exatamente com os mesmos problemas, uma pode tornar-se
alcoólica e a outra não."
Na realidade, o alcoolismo começa pela refutação. Não
há uma única alcoólica que ainda beba, que reconheça que tem um problema com a
bebida. É claro que ela bebe imenso - e arranja montes de razões para fazê-lo
- mas no essencial a sua doença consiste na sua incapacidade para ver que
entrou num vício e num desejo compulsivo e descontrolado.
Para o alcoólico, o álcool atua no seu sistema como
uma espécie de alergia. Uma pessoa tanto pode ser capaz de beber durante anos e
anos antes de se deixar apanhar pelo vício, ou a sua tolerância pode baixar
logo a partir da primeira bebida. Seja qual for o padrão, o alcoolismo só será
detectável depois da pessoa já estar enredada.
Como pode saber se você é uma alcoólica?
Não há forma de saber, seja por exame físico ou
psicológico, se uma pessoa é dependente do álcool. Mas existem certos sinais de
perigo. Coloque a si mesmo, ou aos seus amigos, as seguintes questões:
1. Bebe com sofreguidão?
2. Faz promessas, a outros ou a si própria, acerca
de beber menos ou passar a ser mais cuidadosa com a bebida?
3. Você mente para ocultar o que bebe, ou minimiza
o número de bebidas que tomou?
4. Você bebe antes de ir para uma festa, ou antes
de um encontro, onde sabe que há bebidas disponíveis?
5. Necessita de beber com intervalos regulares - um
"drinque" sempre às cinco, ou uma bebida sempre ao almoço, ou antes
de dormir?
6. Necessita de dedicar, diariamente, uma parte do
seu tempo para beber, apesar disso trazer inconvenientes para os outros?
7. Mistura sempre a bebida com acontecimentos
especiais: uma ida ao teatro, concertos, acontecimentos desportivos, picnics?
8. Antes de enfrentar uma situação difícil você
necessita de certa quantidade de bebidas?
9. Você usa a bebida para acalmar os nervos?
10. Você busca a bebida quando se sente em baixo?
Se você respondeu SIM a mais de duas ou três das
perguntas acima, é melhor reconhecer que você é um daqueles um em cada dez, que
está a ficar preso pelo álcool.
Você pode dizer: "mas eu só bebo cerveja."
Assim pensava Marie Neenan e Pat Frye também. A cerveja parece bastante
inocente. Afinal qualquer um pode comprar uma embalagem de seis no supermercado
da esquina. O fato é que existe tanto álcool numa cerveja como num cálice de
uísque ou num uísque com soda.
O vinho também é forte. Um bom Jerez tem cerca de
40 graus, o que significa que um copo de vinho normal contém tanto álcool como
uma caneca ou lata de cerveja. Independentemente da forma como é apresentado, o
álcool é viciante, é cancerígeno, é veneno!
Como distinguir se uma amiga é alcoólica?
Um dos sinais mais marcantes do vício numa mulher é
a necessidade de ocultar o fato de todos os que a rodeiam. E por uma boa razão!
Ao contrário do homem alcoólico, a mulher com inclinação para o alcoolismo é
desprezada e rejeitada. Está confirmado estatisticamente que enquanto a mulher
de um alcoólico normalmente não se afasta do marido, o marido duma alcoólica frequentemente
abandona a esposa, levando por vezes os filhos consigo.
Sabemos duma mulher que esconde a garrafa num
pacote de detergente, debaixo do lava-louça. Outra, que passava os dias
embriagada, conseguia vestir-se à pressa e dar uma arrumadela na casa, mesmo à
justa, antes da chegada do autocarro da escola. Outra ainda, guardava o vinho
numa velha garrafa de lixívia em casa, no fundo do armário das vassouras, na
casa de banho.
Mas há nove indícios de alcoolismo muito difíceis
de ocultar:
1. Se ela aparenta ficar embriagada depois duma ou
duas bebidas apenas, a sua amiga pode ser alcoólica.
2. Se ela amua, é imprevisível ou tem tendência
para evitar ocasiões sociais que antes ela gostava, pode ser uma alcoólica.
3. Se a razão de faltas ao trabalho continua a
aumentar, especialmente às segundas-feiras ou depois de períodos de férias.
4. Se ela mantém à distância pessoas que fazem
barulho, por pequenas razões, especialmente à noite, pode ser alcoólica.
5. Se ela usa refrescantes para a boca e outros
disfarces do hálito.
6. Se ela frequentemente evidencia hematomas
resultantes de quedas ou se queima por falta de cuidado.
7. Continua-se, com pesadelos ou insônias e fala em
tomar comprimidos para dormir.
8. Se ela tem períodos em que parecer estar bem e
se comporta normalmente, mas mais tarde não se lembra do que disse ou fez.
9. Se ela esconde bebidas alcoólicas pela casa,
você pode estar certo de que é alcoólica.







