A maior parte das pessoas, quando ouve falar de
alcoolismo pensam em bairros degradados. O termo "alcoólica" traz à
mente imagens de velhas, sujas, vestidas de farrapos, sentadas à porta de
estações de autocarros, rodeadas de sacos com os seus escassos haveres.
Mas não é assim. Estas idosas já estão nos últimos
graus do alcoolismo e vício que pode durar décadas até atingir esta total
degradação. A alcoólica comum é, na maior parte dos casos, uma pessoa com uma
vida ativa.
Para quem está de fora, ela executa bem o seu trabalho,
pode tomar uma bebida num almoço ou um drinque numa festa, sem ficar com
"olhos piscos". Cuida da sua higiene, arranja-se bem e assume
responsabilidades como qualquer outra mulher. Como a maioria dos viciados, a
maior parte do tempo ela parece mais normal que você ou eu.
O que distingue uma alcoólica de nós, que também
bebemos, é que simplesmente enquanto que para nós ficar "eufórico" é
uma sensação que gostamos de experimentar, para a alcoólica essa euforia
torna-se uma NECESSIDADE; ela sente que não aguenta a vida sem essa
"ajuda". Ela é uma compulsiva, compelida a beber. Para ela,
"só uma", é coisa que não existe - logo à primeira bebida ela fica
enredada pelo vício.
Existem três estados distintos de alcoolismo. No
primeiro, a dependência passa despercebida. Beber é divertido. Dá uma boa
sensação - aumenta a sua confiança, ajuda a esquecer as pequenas contrariedades
ou simplesmente alivia o estômago tenso. Em resumo: faz o que faria qualquer
outra pessoa.
Mas pode haver um problema: se você é uma pessoa
que faz parte dos dez por cento dos seres humanos com aversão biológica ao
álcool, o seu problema é impossível de detectar pela medicina e ainda só é
muito vagamente compreendido pelos médicos. Ainda assim, você não pode tomar
álcool sem despertar em si um desejo muito forte de tomar mais. Uma vez ativado
esse desejo, você está no segundo grau da doença: a dependência.
Como qualquer viciado, você vai arranjar pretexto
para tomar mais uma bebida. Como qualquer viciado, vai necessitar de consumir
quantidades sempre crescentes para obter a mesma sensação de
"euforia" que deseja. Como qualquer outro viciado, vai descobrir que
se sente melhor depois de ter bebido mas também que começa a sentir-se bastante
mal se não beber. O seu ser começa a ficar inteiramente dedicado ao álcool.
As pessoas podem permanecer neste segundo grau
durante anos, ou mesmo décadas, sem que os outros se apercebam do seu problema
de alcoolismo. A sua capacidade de aguentar o álcool pode aumentar de tal
maneira, que pode aparentar sobriedade depois de ter bebido meia garrafa. Pode
aprender maneiras de disfarçar o seu vício, de tal forma que até mesmo os
amigos mais íntimos só vão pensar que "ela bebe um pouco a mais que a
conta".
Mas então vem o grau três, aquele em que se torna
evidente que o indivíduo é alcoólico. O Dr. Donald B. Douglas, do Hospital
Lenox Hill em Nova Iorque, compara-o ao cancro, na sua contínua evolução para o
fim inevitável, quando deixado sem tratamento. Tal como o cancro, mais tarde ou
mais cedo chegará o ponto em que a doença venceu.
Nesse estado, é comum a síndrome do "fim de
semana desaparecido", ou seja: a doente, de um momento para o outro,
torna-se incapaz de se recordar de qualquer coisa que tenha acontecido nas
últimas 12, 24 ou 48 horas. Por vezes ela sente que está num quarto
desconhecido com um estranho. Uma jovem de vinte e poucos anos veio a descobrir
que se tinha casado com um homem que mal conhecia, por ter estado durante uma
semana "desaparecida" e durante a qual ela parecia completamente
sóbria, enganando por completo o homem e o próprio oficial do registro civil.
Outros sintomas aparecem, frequentemente como
resultado de danos no cérebro: nervosismo e tremuras, fala incoerente, desleixe
pessoal, andar descoordenado e insônias. Este é o ponto em que todos à sua
volta se vão dar conta que não estão apenas perante uma bebedora excessiva mas
sim, uma alcoólica. Você já chegou ao fundo. A menos que, por qualquer forma,
se liberte da bebida e leve uma vida de total sobriedade, a sua vida só tem
duas saídas possíveis: a morte ou a loucura.







