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2/21/2014

Continuação: A mulher e o álcool

Marie Neenan era secretária com um cargo de responsabilidade num escritório de advogados. Lidava com processos confidenciais, memorandos importantes e ocasionalmente, com importantes somas de dinheiro. Os seus patrões nunca souberam que, nalgumas ocasiões, ela trabalhava completamente às escuras, incapaz de se lembrar posteriormente, daquilo que tinha feito sob os efeitos do álcool.
Pat Frye parecia à primeira vista uma mãe como outra qualquer, levando o seu bebê no carrinho até à pastelaria da esquina, para ir almoçar com uma amiga. O problema é que o "almoço" frequentemente durava quatro horas e consistia em cerveja na sua quase totalidade. No regresso, ela levava o carrinho do bebê aos ziguezagues.
Estas mulheres são alcoólicas. Apesar de não terem bebido nem uma gota na última década, elas têm consciência de que são incontrolavelmente viciadas no álcool - de que uma gota de qualquer coisa mais forte que uma Coca Cola poder remetê-las de imediato, de volta ao inferno do qual elas próprias se libertaram.
Sempre existiram mulheres alcoólicas. Hoje em dia a situação pode ter piorado; um estudo sugere que o número de mulheres alcoólicas duplicou nos últimos trinta anos. Ou muito simplesmente as mulheres já não estão tão escondidas em casa como no passado - como afirma a conselheira sobre alcoolismo Ruth Maxwell (ex-colaboradora do Centro de Smithers para a Reabilitação de Alcoólicos no Hospital Roosevelt em Nova Iorque e atualmente consultora para o estabelecimento de programas de pré-tratamento junto de empresas industriais e de comércio) agora que as mulheres estão mais presentes no mundo do trabalho e por isso são mais facilmente reconhecidas.

De qualquer forma, é agora um dado adquirido, que a percentagem de mulheres com tendência para o alcoolismo é semelhante à dos homens. Assim, dado que uma mulher em cada dez, é alcoólica, isso significa que mais de 200.000 mulheres em Portugal já foram apanhadas nas malhas do alcoolismo, incluindo, quem sabe, a si ou a sua melhor amiga. A única forma de nos defendermos é compreender de que se trata e como nos afeta.