Marie Neenan era secretária com um cargo de
responsabilidade num escritório de advogados. Lidava com processos
confidenciais, memorandos importantes e ocasionalmente, com importantes somas
de dinheiro. Os seus patrões nunca souberam que, nalgumas ocasiões, ela
trabalhava completamente às escuras, incapaz de se lembrar posteriormente,
daquilo que tinha feito sob os efeitos do álcool.
Pat Frye parecia à primeira vista uma mãe como
outra qualquer, levando o seu bebê no carrinho até à pastelaria da esquina,
para ir almoçar com uma amiga. O problema é que o "almoço" frequentemente
durava quatro horas e consistia em cerveja na sua quase totalidade. No
regresso, ela levava o carrinho do bebê aos ziguezagues.
Estas mulheres são alcoólicas. Apesar de não terem
bebido nem uma gota na última década, elas têm consciência de que são
incontrolavelmente viciadas no álcool - de que uma gota de qualquer coisa mais
forte que uma Coca Cola poder remetê-las de imediato, de volta ao inferno do
qual elas próprias se libertaram.
Sempre existiram mulheres alcoólicas. Hoje em dia a
situação pode ter piorado; um estudo sugere que o número de mulheres alcoólicas
duplicou nos últimos trinta anos. Ou muito simplesmente as mulheres já não
estão tão escondidas em casa como no passado - como afirma a conselheira sobre
alcoolismo Ruth Maxwell (ex-colaboradora do Centro de Smithers para a
Reabilitação de Alcoólicos no Hospital Roosevelt em Nova Iorque e atualmente
consultora para o estabelecimento de programas de pré-tratamento junto de
empresas industriais e de comércio) agora que as mulheres estão mais presentes
no mundo do trabalho e por isso são mais facilmente reconhecidas.
De qualquer forma, é agora um dado adquirido, que a
percentagem de mulheres com tendência para o alcoolismo é semelhante à dos
homens. Assim, dado que uma mulher em cada dez, é alcoólica, isso significa que
mais de 200.000 mulheres em Portugal já foram apanhadas nas malhas do
alcoolismo, incluindo, quem sabe, a si ou a sua melhor amiga. A única forma de
nos defendermos é compreender de que se trata e como nos afeta.







