Nos últimos anos aumentou gravemente o número de mulheres que estão se
tornando dependentes do álcool, o alerta vem de várias instituições de saúde e
também do Grupo dos Alcoólicos Anônimos de São Paulo. O AA de São Paulo
realizou um estudo para levantar os dados e informa que o número de mulheres e
homens que são atendidos hoje em virtude do vicio do álcool é igual, enquanto
que há apenas cinco anos os grupos tinham uma proporção de uma mulher a cada cinco
homens. O levantamento foi realizado tendo como base os 206 Grupos de AA que
funcionam em São Paulo, na região metropolitana.
Porque
cresce o Alcoolismo Feminino?
Nos países, ditos desenvolvidos cresce
assustadoramente o número de mulheres que consomem bebidas alcoólicas. Há quem diga que o quadro não é diferente nos países em desenvolvimento.
Há tendência para tentar encontrar “razões” que justifiquem este problema, no
entanto, ainda não se sabe se bebem em situações de crise ou se o fazem por
serem as mais vulneráveis ao estresse social que os homens. Há também quem
afirme que o álcool é mais pernicioso para as mulheres devido às diferenças
existentes entre os dois sexos.
O que está
subjacente ao consumo do álcool?
Segundo Gameiro in Fonseca (1979), o alcoolismo deve ser considerado
como uma manifestação sistêmica – modelo biológico, sociológico e psicológico –
em que vários fatores atuam e interagem entre si.
Fatores
biológicos
Ao nível biológico o efeito do álcool, constata-se que o hábito
alcoólico instala-se mais rapidamente, acabando por ter um aspecto mais
destrutivo, uma vez que o organismo feminino esta menos preparado para
metabolizar o álcool. (Bredda, 1994). A absorção alcoólica parece ser muito
mais rápida; o que contribui para uma toxicidade mais elevada. Torna-se
evidente, então, que as diferenças orgânicas, relacionadas com a resistência
aos efeitos do álcool estão ligadas à desigualdade dos sistemas hormonal,
imunológico e enzimático.
Fatores
Sociais
Constata-se que, à medida que se a diminui a censura social sobre a
mulher embriagada, o alcoolismo feminino aumenta e toma progressivamente a
mesma aparência do masculino. Assim, enquanto a mulher se afasta do
comportamento típico da feminilidade, em que desempenha diferentes papéis
(mulher, esposa, mãe, profissional, dona de casa...) à incidência do alcoolismo
aumenta.
Para Bechnik (in Fernandez, 1981), os fatores que determinam o
crescimento desta problemática resumem-se aos seguintes mecanismos:
a) Mudança externa, queda dos “tabus” e obstáculos sociais;
b) Mudança interna, que se transformou numa crise de Identidade pelo
fato da mulher ter interiorizado como modelo aspectos masculinos;
c) As tensões de uma vida profissional e as incitações provenientes do
meio, no que se refere ao hábito de beber, ocupando os tempos livres para
“solidificar” as relações interpessoais.
Apesar da diminuição da censura, a sociedade tem pouca tolerância com a
mulher alcoólica, rejeitando e marginalizando aquelas que se embriagam frequentemente.
Desta forma muitas delas entram num ciclo vicioso: bebe porque se sente
rejeitada pelos outros, e assim é retirada do grupo. Considerada transgressora
de sua imagem de mãe, protetora, educadora, afetiva - o que explica muitas
delas se esconderem para manter o vício.
Fatores
Psicológicos
O alcoolismo poderá ocorrer em consequência de uma organização neurótica
da personalidade. Muitas vezes como compensação de fracasso, abandono, decepção
ou ainda tentativa de assumir alguma virilidade.
Reynaud (1987) [4] indica, como uma possível causa, um trauma de caráter
sentimental no fundo do qual há uma mulher que sofre, com uma solidão difícil
de suportar e que a procura preencher com a bebida.
Por outro lado pode representar os conflitos e ambivalência de
identidade sexual, mas, sobretudo para diminuir, ou mesmo anular, a diferença
entre o modo como se vê e de como gostaria de se ver.
Fatores
Espirituais
A ausência de uma referência do Divino na vida cotidiana dos indivíduos
colabora para a instalação de um complexo de sentimentos ambivalentes em
relação à funcionalidade e finalidade da existência humana. O vazio
existencial, a falta de fé e esperança empurra o individuo cada vez mais para
um abismo de solidão de proporção cada vez maior.
A própria desestruturação dos modelos altruístas de relacionamentos, a
exaltação descomedida do individualismo, a valorização da competência e da autossuficiência,
impõe um ritmo acelerado e quase sempre levando à exaustão a maioria. O
significado último do existir se perde na efemeridade do "ganha-pão de
cada dia". Não existe mais tempo para Deus, nem para o tempo de Deus.







