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2/26/2014

Cresce o Alcoolismo Entre as Mulheres


Nos últimos anos aumentou gravemente o número de mulheres que estão se tornando dependentes do álcool, o alerta vem de várias instituições de saúde e também do Grupo dos Alcoólicos Anônimos de São Paulo. O AA de São Paulo realizou um estudo para levantar os dados e informa que o número de mulheres e homens que são atendidos hoje em virtude do vicio do álcool é igual, enquanto que há apenas cinco anos os grupos tinham uma proporção de uma mulher a cada cinco homens. O levantamento foi realizado tendo como base os 206 Grupos de AA que funcionam em São Paulo, na região metropolitana.
Porque cresce o Alcoolismo Feminino?
Nos países, ditos desenvolvidos cresce assustadoramente o número de mulheres que consomem bebidas alcoólicas. Há quem diga que o quadro não é diferente nos países em desenvolvimento. Há tendência para tentar encontrar “razões” que justifiquem este problema, no entanto, ainda não se sabe se bebem em situações de crise ou se o fazem por serem as mais vulneráveis ao estresse social que os homens. Há também quem afirme que o álcool é mais pernicioso para as mulheres devido às diferenças existentes entre os dois sexos.
O que está subjacente ao consumo do álcool?
Segundo Gameiro in Fonseca (1979), o alcoolismo deve ser considerado como uma manifestação sistêmica – modelo biológico, sociológico e psicológico – em que vários fatores atuam e interagem entre si.
Fatores biológicos
Ao nível biológico o efeito do álcool, constata-se que o hábito alcoólico instala-se mais rapidamente, acabando por ter um aspecto mais destrutivo, uma vez que o organismo feminino esta menos preparado para metabolizar o álcool. (Bredda, 1994). A absorção alcoólica parece ser muito mais rápida; o que contribui para uma toxicidade mais elevada. Torna-se evidente, então, que as diferenças orgânicas, relacionadas com a resistência aos efeitos do álcool estão ligadas à desigualdade dos sistemas hormonal, imunológico e enzimático.
Fatores Sociais
Constata-se que, à medida que se a diminui a censura social sobre a mulher embriagada, o alcoolismo feminino aumenta e toma progressivamente a mesma aparência do masculino. Assim, enquanto a mulher se afasta do comportamento típico da feminilidade, em que desempenha diferentes papéis (mulher, esposa, mãe, profissional, dona de casa...) à incidência do alcoolismo aumenta.
Para Bechnik (in Fernandez, 1981), os fatores que determinam o crescimento desta problemática resumem-se aos seguintes mecanismos:
a) Mudança externa, queda dos “tabus” e obstáculos sociais;
b) Mudança interna, que se transformou numa crise de Identidade pelo fato da mulher ter interiorizado como modelo aspectos masculinos;
c) As tensões de uma vida profissional e as incitações provenientes do meio, no que se refere ao hábito de beber, ocupando os tempos livres para “solidificar” as relações interpessoais.
Apesar da diminuição da censura, a sociedade tem pouca tolerância com a mulher alcoólica, rejeitando e marginalizando aquelas que se embriagam frequentemente. Desta forma muitas delas entram num ciclo vicioso: bebe porque se sente rejeitada pelos outros, e assim é retirada do grupo. Considerada transgressora de sua imagem de mãe, protetora, educadora, afetiva - o que explica muitas delas se esconderem para manter o vício.
Fatores Psicológicos
O alcoolismo poderá ocorrer em consequência de uma organização neurótica da personalidade. Muitas vezes como compensação de fracasso, abandono, decepção ou ainda tentativa de assumir alguma virilidade.
Reynaud (1987) [4] indica, como uma possível causa, um trauma de caráter sentimental no fundo do qual há uma mulher que sofre, com uma solidão difícil de suportar e que a procura preencher com a bebida.
Por outro lado pode representar os conflitos e ambivalência de identidade sexual, mas, sobretudo para diminuir, ou mesmo anular, a diferença entre o modo como se vê e de como gostaria de se ver.
Fatores Espirituais
A ausência de uma referência do Divino na vida cotidiana dos indivíduos colabora para a instalação de um complexo de sentimentos ambivalentes em relação à funcionalidade e finalidade da existência humana. O vazio existencial, a falta de fé e esperança empurra o individuo cada vez mais para um abismo de solidão de proporção cada vez maior.
A própria desestruturação dos modelos altruístas de relacionamentos, a exaltação descomedida do individualismo, a valorização da competência e da autossuficiência, impõe um ritmo acelerado e quase sempre levando à exaustão a maioria. O significado último do existir se perde na efemeridade do "ganha-pão de cada dia". Não existe mais tempo para Deus, nem para o tempo de Deus.