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2/26/2014

Malefícios à saúde da mulher


O metabolismo do álcool nas mulheres não é igual ao dos homens. Se administrarmos para dois indivíduos de sexos opostos a mesma dose ajustada de acordo com o peso corpóreo, a mulher apresentará níveis alcoólicos mais elevados no sangue. A fragilidade aos efeitos embriagadores do álcool no sexo feminino é explicada pela maior proporção de tecido gorduroso no corpo das mulheres, por variações na absorção de álcool no decorrer do ciclo menstrual e por diferenças entre os dois sexos na concentração gástrica de desidrogenase alcoólica (enzima crucial para o metabolismo do álcool). Por essas razões, as mulheres ficam embriagadas com doses mais baixas e progridem mais rapidamente para o alcoolismo crônico e suas complicações médicas.
As mulheres são mais vulneráveis ao álcool
Aparentemente as mulheres são mais vulneráveis sim. Elas atingem concentrações sanguíneas de álcool mais altas com as mesmas doses quando comparadas aos homens. Parece também que sob a mesma carga de álcool os órgãos das mulheres são mais prejudicados do que o dos homens. A idade onde se encontra a maior incidência de alcoolismo feminino está entre 26 e 34 anos, principalmente entre mulheres separadas. Se a separação foi causa ou efeito do alcoolismo isto ainda não está claro. As consequências do alcoolismo sobre os órgãos são diferentes nas mulheres: elas estão mais sujeitas a cirrose hepática do que o homem. Alguns estudos mostram que mesmo o consumo moderado de álcool aumenta as chances de câncer de mama.
Doenças do Fígado
Num dos estudos mais completos sobre o tema foram acompanhadas 13 mil pessoas durante mais de 12 anos. Nele foi possível demonstrar:
       Para todos os níveis de consumo alcoólico, as mulheres correm mais risco de desenvolver doenças hepáticas do que os homens;
       Para os mesmos níveis de ingestão, o risco de cirrose nas mulheres é três vezes maior;
       Mulheres que tomam de 28 a 41 drinques por semana (um drinque = 1 copo de vinho = 1 lata de cerveja = 50 ml de bebida destilada) apresentam risco de cirrose 16 vezes maior do que o dos homens abstêmios.
Doenças Cardiovasculares
A análise dos dados de dezenas de milhares de mulheres acompanhadas no “Nurses’ Health Study” revelou que tomar dois ou três drinques diários aumenta o risco de surgir hipertensão arterial em 40% e a probabilidade de acontecer derrame cerebral hemorrágico. Nas mulheres que bebem mais do que três drinques por dia o risco de hipertensão arterial duplica. Mulheres que abusam de álcool desenvolvem também miocardiopatias mesmo usando doses mais baixas do que os homens.
Câncer de Mama
A meta-análise de seis estudos importantes mostrou que mulheres habituadas a ingerir de 2,5 a 5 drinques por dia, apresentam probabilidade 40% maior de desenvolver câncer de mama. Esse risco aumenta 9% para cada 10 gramas de álcool (cerca de um drinque) diárias.
Osteoporose
O efeito inibidor da remodelação óssea do álcool é fenômeno bem conhecido em ambos os sexos. Mulheres com menos de sessenta anos que tomam de dois a seis drinques por dia têm risco maior de fratura de colo de fêmur e de antebraço.
Distúrbios Psiquiátricos
Todos eles são mais prevalentes em mulheres que abusam de álcool do que em homens que o fazem e do que em mulheres abstêmias. A única patologia mais frequente no alcoolismo masculino é a personalidade antissocial. A prevalência de depressão em mulheres que abusam de álcool é de 30% a 40%. Estudos demonstram que a maior parte dessas mulheres bebe como forma de se livrar dos sintomas associados a quadros de depressão primária. Anorexia e bulimia estão presentes em 15% a 32% das que abusam de álcool. Mulheres que abusam de álcool tentam o suicídio quatro vezes mais frequentemente do que as abstêmias.
Consequências Psicossociais
Problemas familiares são mais comuns entre mulheres que abusam de álcool (entre os homens são os problemas legais e aqueles relacionados com o trabalho). O alcoolismo torna as mulheres mais sujeitas a agressões físicas. Mulheres que consomem quantidades exageradas de álcool geralmente vivem com parceiros que também abusam da bebida.
Consequências para o feto
A ingestão de álcool durante a gravidez pode provocar distúrbios fetais que vão, do retardo de desenvolvimento, à chamada síndrome alcoólica fetal, caracterizada por anormalidades físicas comportamentais e cognitivas. Consumo de álcool durante a gravidez é considerado a principal causa evitável dessas anormalidades na infância.
Álcool e Gravidez
O uso de álcool durante a gravidez pode trazer inúmeros problemas para a criança, incluindo hiperatividade, déficits de atenção, aprendizado e memória. Diversos fatores podem contribuir para o surgimento de problemas no feto: padrão de consumo de álcool, metabolismo materno, suscetibilidade genética, período da gestação em que o álcool foi consumido e vulnerabilidade das diferentes regiões cerebrais da criança. Atualmente sabe-se que os riscos para o feto aumentam com o nível de consumo e a frequência de uso.
A mais grave das consequências relacionadas ao consumo de álcool durante a gestação é a Síndrome Fetal Alcoólica (SFA) que foi descrita pela primeira vez por Jones e Smith em 1973. A criança com SFA apresenta algumas anormalidades faciais e exibe déficit intelectual, problemas cognitivos e problemas comportamentais. Apesar de apresentar inúmeras limitações intelectuais, a criança com SFA apresenta boa desempenho nos testes de linguagem, mas ainda assim apresenta dificuldades nos testes de aritmética e em seu desenvolvimento sócio emocional.
Para que o diagnóstico de síndrome fetal alcoólica seja feito é necessário que o paciente seja avaliado por um pediatra. Isto porque outras doenças que promovem atraso no desenvolvimento neuropsicomotor da criança podem estar presentes ou se confundir com a SFA. Não há uma abordagem terapêutica desenvolvida diretamente para SFA. Complicações clínicas, tais como convulsões ou cardiopatias, requerem tratamentos específicos. O mesmo se aplica à presença de transtornos psiquiátricos associados. Alguns fatores protetores contra complicações sociais e psicológicas já foram identificados como, por exemplo:
·                 Relacionamentos familiares estáveis
·                 Diagnóstico da síndrome antes dos seis anos de idade
·                 Ausência de violência física
·                 Rotina estável e imune a mudanças periódicas de residência ou cidade
·                 Ausência de privações sociais
·                 Presença de acompanhamento especializado
O retardo mental, uma vez estabelecida sua gravidade, deve receber a atenção necessária em serviços especializados. Problemas motores, tais como descoordenação e déficits parecem ter boa resposta a tratamentos fisioterápicos. Não se deve, no entanto, abordar o problema de modo restrito. Medicar um transtorno psiquiátrico, cuidar de alterações oftalmológicas, procurar uma escola especial ou proporcionar a criança atendimento psicológico ou fisioterápico são fundamentais, mas somente eficazes se associados e concomitantes. Deve haver um plano de tratamento e comunicação constante entre todos os profissionais e familiares envolvidos.
Outra grave consequência do uso de álcool durante a gravidez é o chamado Efeitos Relacionados ao Álcool (ERA). Crianças que apresentam ERA apresentam algumas das características dos pacientes com Síndrome Fetal Alcoólica, mas geralmente exibem melhor desempenho nos testes de inteligência. Existem três formas de ERA:
       Parcial: crianças que apresentam algumas alterações faciais  e comprometimentos neurológicos;
       Malformações Congênitas: crianças que apresentam uma ou mais anormalidades congênitas, incluindo anormalidades cardíacas, auditivas, renais e esqueléticas;
       Desordem Neuropsicomotoras: crianças que apresentam déficits em sua capacidade de aprendizado, especialmente em aritmética e em seu desenvolvimento sócio emocional. Em comparação com a Síndrome do Alcoolismo Fetal, a Desordem Neuropsicomotora Relacionada ao Álcool atinge um número maior de crianças e seus sintomas (incluindo déficit cognitivo) são menos severos do que os sintomas apresentados por crianças com SFA.
A síndrome do alcoolismo fetal
Por ano nascem na Suíça cerca de 250 bebês portadores de lesões derivadas ao álcool. Este fato ainda que esteja cientificamente provado, ainda não é do conhecimento geral; considera-se que é mais fácil ignorá-lo ou minimizá-lo, que admiti-lo.
Agora, o Instituto Suíço para a prevenção do alcoolismo e outras toxicodependências (ISPA) decidiu-se a informar o público, pois as deformações à nascença, frequentemente muito graves, poderiam ser evitadas.
O álcool ingerido pela grávida é inevitavelmente absorvido pelo organismo do bebê em gestação através do sistema circulatório. Se uma mãe bebe muito, o mesmo acontece com o seu bebê. Se ele beber com regularidade, a criança estará constantemente sob a influência do álcool.
Como o feto não possui ainda um mecanismo de defesa, o álcool pode impedir o seu desenvolvimento de diversas maneiras: pelo retardamento do crescimento, provocando lesões cerebrais e malformações físicas ou orgânicas. A sua gravidez depende de vários fatores: a duração do tempo em que a mãe bebeu, os seus hábitos de beber, a quantidade de álcool absorvida e a forma como o seu metabolismo elimina o álcool.
Nos últimos 30 anos este problema tem sido conhecido nos meios científico e médico como "Síndrome de Alcoolismo Fetal" (SAF). Apesar disso, ele é desconhecido do público em geral por se recear que, quando as grávidas fossem postas ao corrente dos fatos, elas iriam encarar a sua gravidez com medo em vez de alegria. Além disso, o SAF é considerado como sendo um problema de apenas uma minoria específica das mulheres.
Todavia, para os especialistas em prevenção, este problema diz respeito a todos, incluindo homens que frequentemente, pelo seu exemplo, encorajam as suas esposas a beberem apesar da sua gravidez tornando-se-lhes difícil abandonarem a bebida, os amigos conhecidos, a sociedade no geral compartilham esta responsabilidade; ao condenarem o alcoolismo nas mulheres eles só estão encorajando-as a beber às escondidas.
O ISPA, baseado em pesquisas levadas a cabo noutros países, chegou à conclusão de que na Suíça (população total: 6,5 milhões) uma criança em cada 200 ou 300 exibe lesões de nascença devidas ao álcool. E mesmo assim este assunto é ainda "tabu", largamente ignorado tanto pelo público como por círculos especializados. É claro que toda a mulher sabe que beber durante a gravidez é perigoso para o bebê, mas no geral desconhece até que ponto e em que quantidade.
É assim que, ano após ano, sem querer e geralmente sem intencionalidade, mulheres dão à luz bebês sofrendo de SAF, crianças que evidenciam sintomas de graves anomalias, por vezes irreparáveis, que as vão acompanhar por toda a sua vida. E ainda o que é mais perturbador, é sabermos que essas malformações poderiam ter sido evitadas.
Estes bebês nascem subdesenvolvidos e com peso abaixo do normal. Nos casos mais graves eles sofrem de problemas físicos e orgânicos tais como malformações do coração, olhos, dedos ou dos órgãos genitais externos. Uma cabeça pequena e certos traços faciais são característicos: pequenas cavidades oculares, nariz pequeno e achatado, lábio superior achatado e estreito.
Apresentam perturbações do seu comportamento, tais como hiperatividade, dificuldades de linguagem e de aprendizagem, descoordenação de movimentos, desenvolvimento emocional retardado e atraso mental. Os sintomas da SAF tanto podem ser ligeiros como extremamente sérios. Variam desde a falta de capacidade de concentração, o que se torna evidente na idade escolar, às dramáticas malformações e anomalias acima mencionadas. Muitas crianças são mais ou menos atrasadas no seu desenvolvimento físico e mental; outras mostram desarranjos mentais ou de comportamento.
À medida que as crianças crescem, a maior parte das anomalias externas desaparece. Contudo, as deficiências mentais subsistem na maioria dos casos. Estudos demorados cobrindo o período do nascimento à adolescência e levados a cabo em crianças que sofrem do SAF provam os fatos expostos.
Dez anos mais tarde, dois terços das crianças estavam atrasados ou eram deficientes mentais. Mais de 80% não conseguiram completar a escolaridade. Pesquisas europeias parecem indicar que uma grávida poderá, quando muito beber uma bebida "normal" por dia, ou seja, 1dl de vinho ou 3dl de cerveja. Um copo a mais já pode ter efeitos graves no bebê.
Estudos em larga escala levados a cabo nos Estados Unidos, com mulheres que continuaram a beber "normalmente" durante a gravidez, isto é, 29g de álcool puro por dia, o equivalente a 2,5 dl de vinho, provaram que o QI das suas crianças era, em média, sete pontos abaixo do normal. E não devemos esquecer que a inteligência é apenas uma das múltiplas funções do cérebro.
As crianças que são mais severamente afetadas são evidentemente os filhos de mães alcoólicas, mas um exagero na bebida, mesmo ocasional, expõe subitamente o feto a uma alta concentração de álcool e também isso, pode ser perigoso.
Contudo, a quantidade de álcool consumida pela mãe não é o único fator decisivo que determina o efeito do álcool na criança; a tolerância individual da mãe e da criança também tem um papel importante. Consequentemente, não é possível estipular qual a quantidade que a mãe pode beber sem provocar danos ao nascituro.
Em termos gerais, o álcool é um veneno para o nascituro e muitos especialistas, como precaução, recomendam abstinência total durante a gravidez. Também as mulheres que desejam ter um filho devem ser cuidadosas, pois só virão a saber da sua gravidez umas semanas depois da concepção.
Há alguma cura possível para as crianças afetadas pelo SAF? Infelizmente a resposta é NÃO! É verdade que certas malformações podem ser corrigidas ou reduzidas, mas para o atraso no desenvolvimento não existe tratamento médico.
Felizmente, ao tempo do nascimento muito órgãos ainda não estão completamente desenvolvidos; isto é especialmente verdade no caso do cérebro e através da estimulação podem-se obter melhorias espetaculares, mesmo nos casos em que a cura completa é impossível.
O alcoolismo feminino é um dos problemas mais cuidadosamente ocultados, por causa da condenação social que recai sobre ele. As grandes bebedoras são objeto de maior desprezo, comparativamente ao homem.
Estas são consideradas pessoas irresponsáveis, perturbadas que provocam a sua própria ruína e consequentemente da sua família, as mulheres não se querem identificar como alcoólicas e além disso os seus familiares incentivam-nas a ocultar a situação para salvar a reputação. Com frequência, as famílias resistem a aceitar esta realidade; com efeito não agrada a ninguém saber que a mão que embala o bebê, é uma mão trêmula.
Esta forma consciente ou inconsciente em reconhecer o alcoolismo feminino faz com que as mulheres careçam de estímulo para se tratarem. Inclusivamente, alguns médicos e psiquiatras não chegam a reconhecer o alcoolismo nas mulheres. Assim, ao não interpretar corretamente os sintomas, são prescritos tranquilizantes que, por sua vez, causam uma maior dependência ainda mais perigosa.
As causas do alcoolismo na mulher são muito variadas. Nos Estados Unidos, o tipo da mulher alcoólica corresponde às mulheres na casa dos quarenta anos, casadas e com dois ou três filhos. Cerca de 15% das donas de casa dependem do álcool ou de drogas até ao seu oitavo ano de casamento. É evidente que o hábito de beber começa normalmente nas reuniões "sociais", mas rapidamente se descobrem os efeitos tranquilizadores do álcool. Este é usado com diferentes fins, entre eles, para provocar o esquecimento ou para atenuar o ódio, a ansiedade, a pressão ou o tédio.
Existem provas de que o alcoolismo na mulher está frequentemente relacionado com situações especificas da vida, como o divórcio, a morte de um ente querido, as más relações conjugais ou o ocultamento das necessidades emocionais insatisfeitas: falta de amor, de segurança de reconhecimento e de pertença.
A solidão da dona de casa urbana é um fator que convida ao consumo do álcool. Por outro lado, a mulher profissional que tem que atuar no mundo dos negócios altamente competitivo e onde é considerada inferior, não obstante o seu êxito profissional, pode compensar com o álcool ou com as drogas os sentimentos que causam esta situação de competência injusta. Assim, ao avaliar a situação não podemos limitar a pergunta apenas ao que aconteceu à mulher, mas a todo o meio ambiente que faz com que ela se queira evadir da realidade. Um sério exame da destruição da mulher em todos os países é indispensável para uma compreensão mais adequada do problema.
Alguns estudos indicam que dois terços das mulheres estão ou estiveram casadas com grandes bebedores e que mais de 25% tiveram pais alcoólicos. O número crescente de alcoólicos entre os adolescentes obriga a que nos perguntemos acerca da influência que uma mãe alcoólica exerce nos seus filhos, principalmente se tiver em conta que a maioria das mulheres bebem no lar, ao passo que os homens bebem, frequentemente, nos lugares públicos, na companhia de outros.
As mulheres têm de ocultar os seus hábitos de bebida, visto que num bom número de casos bebem no seu domicilio que é o seu "posto de trabalho”. As chamadas bebedoras “caseiras" podem ocultar o seu problema, em certa medida, aos seus maridos, mas não podem, ou não o poderão ocultar com tanta facilidade aos seus filhos.
O alcoolismo das mães tem efeitos negativos nos filhos que ainda se encontram num estádio de desenvolvimento físico, emocional e intelectual. Além disso, as grandes bebedoras têm muito mais possibilidades de dar à luz filhos com certas anomalias congênitas, desenvolvimento retardado ou anormalidades várias detectáveis mediante exame neurológico.
A chamada síndrome da embriopatia alcoólica (alcoolismo fetal) pode provocar partos prematuros. Outro indício de que as funções reprodutoras da mulher ficam afetadas pelo forte consumo de álcool é o reconhecimento de que as alcoólicas podem ter mais defeitos ginecológicos e maiores taxas de esterilidade do que as não alcoólicas.
A mulher, principalmente na fase pré-menstrual, fica mais sensível fisiologicamente ao álcool do que o homem. Infelizmente, é precisamente nesse período que a mulher bebe mais para atenuar a depressão. O fígado da mulher acusa os efeitos do álcool mais depressa e com maior gravidade que o do homem. Uma pesquisa feita recentemente no hospital londrino revelou que o número de alcoólicas com graves problemas de fígado era maior do que o de alcoólicos, ainda que as mulheres absorvessem menos álcool; mesmo assim, as mulheres respondiam menos favoravelmente ao tratamento e morriam mais jovens do que os homens.
Apesar das suas graves consequências, o alcoolismo da mulher vai crescendo. As admissões hospitalares para tratamento do alcoolismo na Inglaterra e no País de Gales, nesta ultima década, aumentaram cerca de 77% para os homens e 137% para as mulheres. No mesmo período, os falecimentos por cirrose aumentaram em 27% nos homens e 64% nas mulheres.
As consequências psicológicas e sociais do alcoolismo feminino são extremamente graves. A mulher tende a assumir a sua culpabilidade extrema. Interioriza a reação da sociedade acerca de si e com frequência, detesta-se a si própria. Por sua vez, esta falta de respeito próprio dá lugar a uma perda de identidade que só agrava o problema.
A bebedora, muito mais que o bebedor, é condenada por abandonar o lar e os filhos; assim, quando a mulher é a doente, a família corre um risco muito maior de decomposição. Enquanto que nove em cada dez mulheres permanecem com o seu marido alcoólico, nove em cada dez homens abandonam a sua mulher alcoólica. As consequências não são só devastadoras para a família, como também para o processo de reabilitação da mulher. Esta fica abandonada, carente do apoio emocional dos seus entes queridos e muitas vezes sem recursos financeiros suficientes.
A sociedade deve aprender a considerar o alcoolismo como uma doença social e física que carece de uma terapia específica. Esta mensagem deve ser comunicada à mulher alcoólica, que atualmente é um ser isolado que não é comunicativo e que recorre a mecanismos de defesa como a negação, a racionalização e a autodecepção, para contornar maiores sofrimentos psicológicos.
A reabilitação não se faz de um dia para o outro. Uma recuperação satisfatória exige, no mínimo, dois ou três anos e abrange, no mínimo, a totalidade da pessoa: o físico, o psicológico, o emocional e o espiritual. O processo de reabilitação da mulher deverá ter em conta a baixa autoestima e os elevados níveis de depressão e de ansiedade. A reconstrução da autoconfiança deverá contemplar o tratamento.

A generalização do alcoolismo na mulher é um fenômeno relativamente recente e para o qual se terá dado, até à data, uma resposta muito insuficiente. O mais frequente é que, quando o tratamento começa e mais precisa de ajuda emocional, a mulher já foi abandonada pelo marido, pela família e pelos amigos. É necessário ajudar a mulher alcoólica para que conheça os seus talentos e para que se considere um ser humano útil e capaz, que tem poder suficiente para reconstruir a sua própria vida.