O metabolismo do álcool nas mulheres não é igual ao dos homens. Se administrarmos
para dois indivíduos de sexos opostos a mesma dose ajustada de acordo com o peso
corpóreo, a mulher apresentará níveis alcoólicos mais elevados no sangue. A fragilidade
aos efeitos embriagadores do álcool no sexo feminino é explicada pela maior proporção
de tecido gorduroso no corpo das mulheres, por variações na absorção de álcool no
decorrer do ciclo menstrual e por diferenças entre os dois sexos na concentração
gástrica de desidrogenase alcoólica (enzima crucial para o metabolismo do álcool).
Por essas razões, as mulheres ficam embriagadas com doses mais baixas e progridem
mais rapidamente para o alcoolismo crônico e suas complicações médicas.
As mulheres são mais vulneráveis ao álcool
Aparentemente as mulheres são mais vulneráveis sim. Elas atingem
concentrações sanguíneas de álcool mais altas com as mesmas doses quando
comparadas aos homens. Parece também que sob a mesma carga de álcool os órgãos
das mulheres são mais prejudicados do que o dos homens. A idade onde se
encontra a maior incidência de alcoolismo feminino está entre 26 e 34 anos,
principalmente entre mulheres separadas. Se a separação foi causa ou efeito do
alcoolismo isto ainda não está claro. As consequências do alcoolismo sobre os
órgãos são diferentes nas mulheres: elas estão mais sujeitas a cirrose hepática
do que o homem. Alguns estudos mostram que mesmo o consumo moderado de álcool
aumenta as chances de câncer de mama.
Doenças do Fígado
Num dos estudos mais completos sobre o tema foram acompanhadas 13 mil pessoas
durante mais de 12 anos. Nele foi possível demonstrar:
•
Para todos os
níveis de consumo alcoólico, as mulheres correm mais risco de desenvolver doenças
hepáticas do que os homens;
•
Para os mesmos
níveis de ingestão, o risco de cirrose nas mulheres é três vezes maior;
•
Mulheres que
tomam de 28 a 41 drinques por semana (um drinque = 1 copo de vinho = 1 lata de cerveja
= 50 ml de bebida destilada) apresentam risco de cirrose 16 vezes maior do que o
dos homens abstêmios.
Doenças Cardiovasculares
A análise dos dados de dezenas de milhares de mulheres acompanhadas no “Nurses’
Health Study” revelou que tomar dois ou três drinques diários aumenta o risco de
surgir hipertensão arterial em 40% e a probabilidade de acontecer derrame cerebral
hemorrágico. Nas mulheres que bebem mais do que três drinques por dia o risco de
hipertensão arterial duplica. Mulheres que abusam de álcool desenvolvem também miocardiopatias
mesmo usando doses mais baixas do que os homens.
Câncer de Mama
A meta-análise de seis estudos importantes mostrou que mulheres habituadas
a ingerir de 2,5 a 5 drinques por dia, apresentam probabilidade 40% maior de desenvolver
câncer de mama. Esse risco aumenta 9% para cada 10 gramas de álcool (cerca de um
drinque) diárias.
Osteoporose
O efeito inibidor da remodelação óssea do álcool é fenômeno bem conhecido
em ambos os sexos. Mulheres com menos de sessenta anos que tomam de dois a seis
drinques por dia têm risco maior de fratura de colo de fêmur e de antebraço.
Distúrbios Psiquiátricos
Todos eles são mais prevalentes em mulheres que abusam de álcool do que em
homens que o fazem e do que em mulheres abstêmias. A única patologia mais frequente
no alcoolismo masculino é a personalidade antissocial. A prevalência de depressão
em mulheres que abusam de álcool é de 30% a 40%. Estudos demonstram que a maior
parte dessas mulheres bebe como forma de se livrar dos sintomas associados a quadros
de depressão primária. Anorexia e bulimia estão presentes em 15% a 32% das que abusam
de álcool. Mulheres que abusam de álcool tentam o suicídio quatro vezes mais frequentemente
do que as abstêmias.
Consequências Psicossociais
Problemas familiares são mais comuns entre mulheres que abusam de álcool
(entre os homens são os problemas legais e aqueles relacionados com o trabalho).
O alcoolismo torna as mulheres mais sujeitas a agressões físicas. Mulheres que consomem
quantidades exageradas de álcool geralmente vivem com parceiros que também abusam
da bebida.
Consequências para o feto
A ingestão de álcool durante a gravidez pode provocar distúrbios fetais que
vão, do retardo de desenvolvimento, à chamada síndrome alcoólica fetal, caracterizada
por anormalidades físicas comportamentais e cognitivas. Consumo de álcool durante
a gravidez é considerado a principal causa evitável dessas anormalidades na infância.
Álcool e Gravidez
O uso de álcool durante a gravidez pode trazer inúmeros problemas para a
criança, incluindo hiperatividade, déficits de atenção, aprendizado e memória. Diversos
fatores podem contribuir para o surgimento de problemas no feto: padrão de
consumo de álcool, metabolismo materno, suscetibilidade genética, período da
gestação em que o álcool foi consumido e vulnerabilidade das diferentes regiões
cerebrais da criança. Atualmente sabe-se que os riscos para o feto aumentam com
o nível de consumo e a frequência de uso.
A mais grave das consequências relacionadas ao consumo de álcool durante
a gestação é a Síndrome Fetal Alcoólica (SFA) que foi descrita pela primeira
vez por Jones e Smith em 1973. A criança com SFA apresenta algumas
anormalidades faciais e exibe déficit intelectual, problemas cognitivos e
problemas comportamentais. Apesar de apresentar inúmeras limitações
intelectuais, a criança com SFA apresenta boa desempenho nos testes de
linguagem, mas ainda assim apresenta dificuldades nos testes de aritmética e em
seu desenvolvimento sócio emocional.
Para que o diagnóstico de síndrome fetal alcoólica seja feito é
necessário que o paciente seja avaliado por um pediatra. Isto porque outras
doenças que promovem atraso no desenvolvimento neuropsicomotor da criança podem
estar presentes ou se confundir com a SFA. Não há uma abordagem terapêutica
desenvolvida diretamente para SFA. Complicações clínicas, tais como convulsões
ou cardiopatias, requerem tratamentos específicos. O mesmo se aplica à presença
de transtornos psiquiátricos associados. Alguns fatores protetores contra
complicações sociais e psicológicas já foram identificados como, por exemplo:
·
Relacionamentos
familiares estáveis
·
Diagnóstico
da síndrome antes dos seis anos de idade
·
Ausência de
violência física
·
Rotina
estável e imune a mudanças periódicas de residência ou cidade
·
Ausência de
privações sociais
·
Presença de
acompanhamento especializado
O retardo mental, uma vez estabelecida sua gravidade, deve receber a
atenção necessária em serviços especializados. Problemas motores, tais como descoordenação
e déficits parecem ter boa resposta a tratamentos fisioterápicos. Não se deve,
no entanto, abordar o problema de modo restrito. Medicar um transtorno
psiquiátrico, cuidar de alterações oftalmológicas, procurar uma escola especial
ou proporcionar a criança atendimento psicológico ou fisioterápico são
fundamentais, mas somente eficazes se associados e concomitantes. Deve haver um
plano de tratamento e comunicação constante entre todos os profissionais e
familiares envolvidos.
Outra grave consequência do uso de álcool durante a gravidez é o chamado
Efeitos Relacionados ao Álcool (ERA). Crianças que apresentam ERA apresentam
algumas das características dos pacientes com Síndrome Fetal Alcoólica, mas
geralmente exibem melhor desempenho nos testes de inteligência. Existem três
formas de ERA:
•
Parcial:
crianças que apresentam algumas alterações faciais e comprometimentos
neurológicos;
•
Malformações
Congênitas: crianças que apresentam uma ou mais anormalidades congênitas,
incluindo anormalidades cardíacas, auditivas, renais e esqueléticas;
•
Desordem
Neuropsicomotoras: crianças que apresentam déficits em sua capacidade de
aprendizado, especialmente em aritmética e em seu desenvolvimento sócio
emocional. Em comparação com a Síndrome do Alcoolismo Fetal, a Desordem
Neuropsicomotora Relacionada ao Álcool atinge um número maior de crianças e
seus sintomas (incluindo déficit cognitivo) são menos severos do que os
sintomas apresentados por crianças com SFA.
A síndrome do alcoolismo fetal
Por ano nascem na Suíça cerca de 250 bebês
portadores de lesões derivadas ao álcool. Este fato ainda que esteja
cientificamente provado, ainda não é do conhecimento geral; considera-se que é
mais fácil ignorá-lo ou minimizá-lo, que admiti-lo.
Agora, o Instituto Suíço para a prevenção do
alcoolismo e outras toxicodependências (ISPA) decidiu-se a informar o público,
pois as deformações à nascença, frequentemente muito graves, poderiam ser
evitadas.
O álcool ingerido pela grávida é inevitavelmente
absorvido pelo organismo do bebê em gestação através do sistema circulatório.
Se uma mãe bebe muito, o mesmo acontece com o seu bebê. Se ele beber com
regularidade, a criança estará constantemente sob a influência do álcool.
Como o feto não possui ainda um mecanismo de
defesa, o álcool pode impedir o seu desenvolvimento de diversas maneiras: pelo
retardamento do crescimento, provocando lesões cerebrais e malformações físicas
ou orgânicas. A sua gravidez depende de vários fatores: a duração do tempo em
que a mãe bebeu, os seus hábitos de beber, a quantidade de álcool absorvida e a
forma como o seu metabolismo elimina o álcool.
Nos últimos 30 anos este problema tem sido
conhecido nos meios científico e médico como "Síndrome de Alcoolismo
Fetal" (SAF). Apesar disso, ele é desconhecido do público em geral por se
recear que, quando as grávidas fossem postas ao corrente dos fatos, elas iriam
encarar a sua gravidez com medo em vez de alegria. Além disso, o SAF é
considerado como sendo um problema de apenas uma minoria específica das
mulheres.
Todavia, para os especialistas em prevenção, este
problema diz respeito a todos, incluindo homens que frequentemente, pelo seu
exemplo, encorajam as suas esposas a beberem apesar da sua gravidez tornando-se-lhes
difícil abandonarem a bebida, os amigos conhecidos, a sociedade no geral
compartilham esta responsabilidade; ao condenarem o alcoolismo nas mulheres
eles só estão encorajando-as a beber às escondidas.
O ISPA, baseado em pesquisas levadas a cabo noutros
países, chegou à conclusão de que na Suíça (população total: 6,5 milhões) uma
criança em cada 200 ou 300 exibe lesões de nascença devidas ao álcool. E mesmo
assim este assunto é ainda "tabu", largamente ignorado tanto pelo
público como por círculos especializados. É claro que toda a mulher sabe que
beber durante a gravidez é perigoso para o bebê, mas no geral desconhece até
que ponto e em que quantidade.
É assim que, ano após ano, sem querer e geralmente
sem intencionalidade, mulheres dão à luz bebês sofrendo de SAF, crianças que
evidenciam sintomas de graves anomalias, por vezes irreparáveis, que as vão
acompanhar por toda a sua vida. E ainda o que é mais perturbador, é sabermos
que essas malformações poderiam ter sido evitadas.
Estes bebês nascem subdesenvolvidos e com peso
abaixo do normal. Nos casos mais graves eles sofrem de problemas físicos e
orgânicos tais como malformações do coração, olhos, dedos ou dos órgãos
genitais externos. Uma cabeça pequena e certos traços faciais são característicos:
pequenas cavidades oculares, nariz pequeno e achatado, lábio superior achatado
e estreito.
Apresentam perturbações do seu comportamento, tais
como hiperatividade, dificuldades de linguagem e de aprendizagem,
descoordenação de movimentos, desenvolvimento emocional retardado e atraso
mental. Os sintomas da SAF tanto podem ser ligeiros como extremamente sérios.
Variam desde a falta de capacidade de concentração, o que se torna evidente na
idade escolar, às dramáticas malformações e anomalias acima mencionadas. Muitas
crianças são mais ou menos atrasadas no seu desenvolvimento físico e mental;
outras mostram desarranjos mentais ou de comportamento.
À medida que as crianças crescem, a maior parte das
anomalias externas desaparece. Contudo, as deficiências mentais subsistem na
maioria dos casos. Estudos demorados cobrindo o período do nascimento à
adolescência e levados a cabo em crianças que sofrem do SAF provam os fatos
expostos.
Dez anos mais tarde, dois terços das crianças
estavam atrasados ou eram deficientes mentais. Mais de 80% não conseguiram
completar a escolaridade. Pesquisas europeias parecem indicar que uma grávida
poderá, quando muito beber uma bebida "normal" por dia, ou seja, 1dl
de vinho ou 3dl de cerveja. Um copo a mais já pode ter efeitos graves no bebê.
Estudos em larga escala levados a cabo nos Estados
Unidos, com mulheres que continuaram a beber "normalmente" durante a
gravidez, isto é, 29g de álcool puro por dia, o equivalente a 2,5 dl de vinho,
provaram que o QI das suas crianças era, em média, sete pontos abaixo do
normal. E não devemos esquecer que a inteligência é apenas uma das múltiplas
funções do cérebro.
As crianças que são mais severamente afetadas são
evidentemente os filhos de mães alcoólicas, mas um exagero na bebida, mesmo
ocasional, expõe subitamente o feto a uma alta concentração de álcool e também
isso, pode ser perigoso.
Contudo, a quantidade de álcool consumida pela mãe
não é o único fator decisivo que determina o efeito do álcool na criança; a
tolerância individual da mãe e da criança também tem um papel importante. Consequentemente,
não é possível estipular qual a quantidade que a mãe pode beber sem provocar
danos ao nascituro.
Em termos gerais, o álcool é um veneno para o
nascituro e muitos especialistas, como precaução, recomendam abstinência total
durante a gravidez. Também as mulheres que desejam ter um filho devem ser
cuidadosas, pois só virão a saber da sua gravidez umas semanas depois da
concepção.
Há alguma cura possível para as crianças afetadas
pelo SAF? Infelizmente a resposta é NÃO! É verdade que certas malformações
podem ser corrigidas ou reduzidas, mas para o atraso no desenvolvimento não
existe tratamento médico.
Felizmente, ao tempo do nascimento muito órgãos
ainda não estão completamente desenvolvidos; isto é especialmente verdade no
caso do cérebro e através da estimulação podem-se obter melhorias
espetaculares, mesmo nos casos em que a cura completa é impossível.
O alcoolismo feminino é um dos problemas mais
cuidadosamente ocultados, por causa da condenação social que recai sobre ele.
As grandes bebedoras são objeto de maior desprezo, comparativamente ao homem.
Estas são consideradas pessoas irresponsáveis,
perturbadas que provocam a sua própria ruína e consequentemente da sua família,
as mulheres não se querem identificar como alcoólicas e além disso os seus
familiares incentivam-nas a ocultar a situação para salvar a reputação. Com frequência,
as famílias resistem a aceitar esta realidade; com efeito não agrada a ninguém
saber que a mão que embala o bebê, é uma mão trêmula.
Esta forma consciente ou inconsciente em reconhecer
o alcoolismo feminino faz com que as mulheres careçam de estímulo para se tratarem.
Inclusivamente, alguns médicos e psiquiatras não chegam a reconhecer o
alcoolismo nas mulheres. Assim, ao não interpretar corretamente os sintomas,
são prescritos tranquilizantes que, por sua vez, causam uma maior dependência
ainda mais perigosa.
As causas do alcoolismo na mulher são muito
variadas. Nos Estados Unidos, o tipo da mulher alcoólica corresponde às
mulheres na casa dos quarenta anos, casadas e com dois ou três filhos. Cerca de
15% das donas de casa dependem do álcool ou de drogas até ao seu oitavo ano de
casamento. É evidente que o hábito de beber começa normalmente nas reuniões
"sociais", mas rapidamente se descobrem os efeitos tranquilizadores
do álcool. Este é usado com diferentes fins, entre eles, para provocar o
esquecimento ou para atenuar o ódio, a ansiedade, a pressão ou o tédio.
Existem provas de que o alcoolismo na mulher está frequentemente
relacionado com situações especificas da vida, como o divórcio, a morte de um
ente querido, as más relações conjugais ou o ocultamento das necessidades
emocionais insatisfeitas: falta de amor, de segurança de reconhecimento e de
pertença.
A solidão da dona de casa urbana é um fator que
convida ao consumo do álcool. Por outro lado, a mulher profissional que tem que
atuar no mundo dos negócios altamente competitivo e onde é considerada
inferior, não obstante o seu êxito profissional, pode compensar com o álcool ou
com as drogas os sentimentos que causam esta situação de competência injusta.
Assim, ao avaliar a situação não podemos limitar a pergunta apenas ao que
aconteceu à mulher, mas a todo o meio ambiente que faz com que ela se queira
evadir da realidade. Um sério exame da destruição da mulher em todos os países
é indispensável para uma compreensão mais adequada do problema.
Alguns estudos indicam que dois terços das mulheres
estão ou estiveram casadas com grandes bebedores e que mais de 25% tiveram pais
alcoólicos. O número crescente de alcoólicos entre os adolescentes obriga a que
nos perguntemos acerca da influência que uma mãe alcoólica exerce nos seus
filhos, principalmente se tiver em conta que a maioria das mulheres bebem no
lar, ao passo que os homens bebem, frequentemente, nos lugares públicos, na
companhia de outros.
As mulheres têm de ocultar os seus hábitos de
bebida, visto que num bom número de casos bebem no seu domicilio que é o seu
"posto de trabalho”. As chamadas bebedoras “caseiras" podem ocultar o
seu problema, em certa medida, aos seus maridos, mas não podem, ou não o
poderão ocultar com tanta facilidade aos seus filhos.
O alcoolismo das mães tem efeitos negativos nos
filhos que ainda se encontram num estádio de desenvolvimento físico, emocional
e intelectual. Além disso, as grandes bebedoras têm muito mais possibilidades
de dar à luz filhos com certas anomalias congênitas, desenvolvimento retardado
ou anormalidades várias detectáveis mediante exame neurológico.
A chamada síndrome da embriopatia alcoólica
(alcoolismo fetal) pode provocar partos prematuros. Outro indício de que as
funções reprodutoras da mulher ficam afetadas pelo forte consumo de álcool é o
reconhecimento de que as alcoólicas podem ter mais defeitos ginecológicos e
maiores taxas de esterilidade do que as não alcoólicas.
A mulher, principalmente na fase pré-menstrual,
fica mais sensível fisiologicamente ao álcool do que o homem. Infelizmente, é
precisamente nesse período que a mulher bebe mais para atenuar a depressão. O
fígado da mulher acusa os efeitos do álcool mais depressa e com maior gravidade
que o do homem. Uma pesquisa feita recentemente no hospital londrino revelou
que o número de alcoólicas com graves problemas de fígado era maior do que o de
alcoólicos, ainda que as mulheres absorvessem menos álcool; mesmo assim, as
mulheres respondiam menos favoravelmente ao tratamento e morriam mais jovens do
que os homens.
Apesar das suas graves consequências, o alcoolismo
da mulher vai crescendo. As admissões hospitalares para tratamento do
alcoolismo na Inglaterra e no País de Gales, nesta ultima década, aumentaram
cerca de 77% para os homens e 137% para as mulheres. No mesmo período, os
falecimentos por cirrose aumentaram em 27% nos homens e 64% nas mulheres.
As consequências psicológicas e sociais do
alcoolismo feminino são extremamente graves. A mulher tende a assumir a sua
culpabilidade extrema. Interioriza a reação da sociedade acerca de si e com frequência,
detesta-se a si própria. Por sua vez, esta falta de respeito próprio dá lugar a
uma perda de identidade que só agrava o problema.
A bebedora, muito mais que o bebedor, é condenada
por abandonar o lar e os filhos; assim, quando a mulher é a doente, a família
corre um risco muito maior de decomposição. Enquanto que nove em cada dez
mulheres permanecem com o seu marido alcoólico, nove em cada dez homens
abandonam a sua mulher alcoólica. As consequências não são só devastadoras para
a família, como também para o processo de reabilitação da mulher. Esta fica
abandonada, carente do apoio emocional dos seus entes queridos e muitas vezes
sem recursos financeiros suficientes.
A sociedade deve aprender a considerar o alcoolismo
como uma doença social e física que carece de uma terapia específica. Esta
mensagem deve ser comunicada à mulher alcoólica, que atualmente é um ser
isolado que não é comunicativo e que recorre a mecanismos de defesa como a
negação, a racionalização e a autodecepção, para contornar maiores sofrimentos
psicológicos.
A reabilitação não se faz de um dia para o outro.
Uma recuperação satisfatória exige, no mínimo, dois ou três anos e abrange, no
mínimo, a totalidade da pessoa: o físico, o psicológico, o emocional e o
espiritual. O processo de reabilitação da mulher deverá ter em conta a baixa
autoestima e os elevados níveis de depressão e de ansiedade. A reconstrução da
autoconfiança deverá contemplar o tratamento.
A generalização do alcoolismo na mulher é um
fenômeno relativamente recente e para o qual se terá dado, até à data, uma
resposta muito insuficiente. O mais frequente é que, quando o tratamento começa
e mais precisa de ajuda emocional, a mulher já foi abandonada pelo marido, pela
família e pelos amigos. É necessário ajudar a mulher alcoólica para que conheça
os seus talentos e para que se considere um ser humano útil e capaz, que tem
poder suficiente para reconstruir a sua própria vida.







