Importa sublinhar que a família ocupa um papel primordial na
estruturação e funcionamento psicológico do indivíduo. Como tal, as contribuições
familiares englobam fatores genéticos e ambientais. Muito se tem afirmado que
os filhos de alcoólicos têm, para o álcool, uma especial apetência. Isto, no
entanto não prova a existência de uma hereditariedade alcoólica, mas apenas que
os filhos de pais alcoólicos recebem desde cedo influências ambientais que
explicam muita “coisa”.
Além disso, quase sempre marcados, física e psicologicamente, estes
filhos dificilmente se libertam de tais influências e de solicitações que neles
irão incidir. Tanto mais que são em si mesmos, portadores de uma menor
resistência ao álcool. Por outro lado, a vida frustrada e infeliz do alcoólico
dá aos filhos um sentido de desgosto, de insatisfação e de revolta, que os
poderá induzir na mesma vida de bebedores.
Hoje são muitos os grupos de apoio aos alcoólicos, e muitas as
possibilidades de terapia, geralmente envolvendo os membros da família. Seja
qual for o modelo de intervenção, deverá fornecer informações acerca das consequências
que a dependência do álcool tem para si e para o seu meio, para que possa
decidir deixá-lo... Para que possa conhecer-se melhor, crescer e,
fundamentalmente, para que este não se torne o elixir de uma vida curta e
infeliz.







