As drogas
sintéticas são aquelas produzidas a partir de uma ou várias substâncias
químicas psicoativas que provocam alucinações no homem por estimular ou
deprimir o sistema nervoso central.
Existem também
as drogas semissintéticas que são produzidas através de drogas naturais
quimicamente alteradas em laboratórios. São drogas semissintéticas: crack,
cocaína, cristais de haxixe, heroína, maconha (modificada), morfina, codeína e
outras.
As drogas sintéticas possibilitam que uma pessoa
veja, ouça e sinta algo sem que haja estímulo por perto para tais sensações.
Existem pessoas que acreditam que essas drogas são menos prejudiciais ao
organismo e que ainda são menos favoráveis à dependência, mas estão enganados,
pois agem da mesma forma que as drogas tradicionais trazendo inúmeros
malefícios ao organismo.
Podem ser utilizadas sob as formas de injeção,
comprimido ou pó, variando seu efeito e seus malefícios de acordo com a
substância utilizada. São principalmente consumidas por jovens e adolescentes
em seus períodos de divertimento que a partir do roteiro de lazer definido
determinam a droga a ser utilizada.
Por todo o mundo, tem-se
registado um crescimento alarmante da popularidade e consumo das denominadas
drogas sintéticas como Ecstasy (MDMA), GHB, Quetamina ou LSD, intimamente
ligadas a bares/discotecas, raves, transes, com um objetivo claramente
recreativo e de diversão. Resultando a sua composição da investigação
laboratorial (logo, sintética), estas substâncias são encaradas como
facilitadoras da comunicação, assumindo um papel determinante na interação
desenvolvida naqueles espaços e que se pretende prolongar para além da duração
dos efeitos dos consumos.
Ainda que consumidas predominantemente em contextos recreativos, tendem
a extravasar para o quotidiano como forma de ultrapassar experiências negativas
(medo, sofrimento, dúvida) e desencadear emoções positivas (prazer, euforia,
diversão). O carácter voluntário dos consumos, assente na busca de um estado
mais elevado de bem-estar consigo e com os outros, parece ser reforçado pela
ausência de síndromes de abstinência.
O fato de estarem associadas a cenários de lazer liga-se com um elemento
essencial, a música que, através das ações psicotrópicas das substâncias
ingeridas, pode ampliar ou reduzir os efeitos ao nível da expressão,
motricidade, sentidos e afetividade. Como afirma Pedro Abrunhosa, no prefácio
ao livro "O Universo do Ecstasy", de Susana Henriques, "A House,
Trance, Dub, e, de uma maneira geral, a nova música para pista, estão
fortemente conectadas ao consumo de "rodelas". (...) Desta conjugação
entre som, batida, ritmo, frequência, repetição, resulta um encantamento tão
bem explorado quanto sublinhado pelo consumo de ecstasy, que parece prolongar e
aumentar tal efeito."
As principais drogas sintéticas
Anfetamina: (“Bolinha” ou “arrebite”). Droga produzida desde 1927 como vasoconstrictor,
com ação semelhante à cocaína. Muitas drogas sintéticas são derivadas de anfetaminas.
LSD 25 (Dietilamida
de ácido lisérgico). Sintetizado em 1938, e usado como alucinógeno a partir da década
de 1950.
Quetamina (Special-K): Anestésico
de uso veterinário e humano na forma líquida ou cristal branco que é aspirado. Foi
produzido nos anos a partir da década de 1960. A Quetamina é um anestésico, usado principalmente em
veterinária, podendo causar estados oníricos e alucinações; em doses elevadas
pode causar delírio, amnésia, redução das funções motoras, hipertensão
arterial, depressão e problemas respiratórios eventualmente mortais.
GHB (ácido gama-hidroxibutírico):
É usado na forma de sal ou diluído em água ( conhecido como “ecstasy líquido” ).
Inicialmente foi produzido como anestésico, e a partir da década de 1960como droga
alucinógena. O GHB é essencialmente um depressor do sistema nervoso
central, usado pelos seus efeitos euforizantes, sedativos e anabolizantes,
podendo a sua ingestão ocasionar paralisia e coma, tendo ficado conhecido como
"a droga para violar namoradas" e associado a casos de envenenamento,
overdose, violação e morte.
O Rohypnol é o nome comercial do flunitrazepan,
quimicamente uma benzodiazepina que, em associação com o álcool, pode causar a
morte ou paralisias; pode igualmente tornar uma vítima incapaz de se opor a um
ataque sexual; assim como causar amnésia de fixação, isto é, dificuldade ou
incapacidade de memorizar factos posteriores à ingestão da substância.
GLB (Gama-butirolactona).
Derivado do GHB, utilizado com a mesma finalidade.
PCP (Cloridrato
de eniciclidina). Pó branco cristalino solúvel em água que surgiu nos anos 70. É
inalado, ingerido ou injetado
Cetamina.
Droga anestésica derivada do PCP para uso veterinário e humano produzida em 1965,
utilizada logo como alucinógeno.
DOB ( 2,5-dimetoxi-4-bromoanfetamina
). Conhecida desde 1967. É um derivado da anfetamina, podendo ser usado como base
para a produção do ecstasy.
PMA (Para-metoxianfetamina) . Afetamina modificada.
PMMA (Para-metoximetilanfetamina). Anfetamina modificada produzida com o nome de “mitsubishi”
2-CB (4-bromo-2,5-dimetoxifenetilamina)
. Conhecida como “nexus” tem efeito psicodélico semelhante ao LSD.
2-CT-7 (2,5-dimetoxi-4(n)-propiltiofenetilamina) com efeito psicodélico semelhante ao LSD.
O D-CB e o 2-CT-7 foram produzidos na década de 70.
MDMA (Ecstasy): Um derivado de anfetamina. Comprimido
ingerido por via oral. O ecstasy foi sintetizado em 1912, e o seu uso como entorpecente
iniciou-se na década de 70 nos EUA. O Ecstasy, cientificamente denominado MDMA
(3,4-metilenodioximetanfetamina), é uma substância química pertencente à
família das anfetaminas que tem propriedades estimulantes e alucinogênicas.
Foi inicialmente sintetizado na Alemanha em 1912 como supressor do
apetite, mas tendo sido demonstrado que as alterações do estado de consciência
não eram facilmente controladas, passou a ser considerada uma droga poderosa e
perigosa e o seu uso terapêutico proibido.
É comercializado sob a forma de comprimido ou cápsula, geralmente com um
símbolo gravado, sendo conhecida entre outras por E, XTC, Adão e Eva, Pastilha.
A sua composição deveria conter MDMA, MDA ou MDEA, mas pode conter outras
substâncias como anfetaminas, LSD, 2-CB, cafeína, efedrina, quetamina,
estrictina, atropina, 4-MTA, DXM, sendo este corte que gera as variações de
efeitos e reações colaterais inesperadas. A sua administração é feita
geralmente por via oral, surgindo os seus efeitos no espaço de minutos a meia
hora, permanecendo durante cinco horas e os efeitos residuais por vários dias.
Os seus efeitos tóxicos incluem euforia, sensação de espiritualização e intimidade,
subida da tensão arterial, da frequência cardíaca e de suores. Entre outros
problemas graves associados, tem ainda o perigo potencial de poder provocar
alterações de longa duração (de a mais de 6 meses) no funcionamento das células
nervosas ricas em serotonina.
4-MTA (
4-metiltioanfetamina ) ( “flatliner” ) é uma anfetamina modificada produzida nos
anos 70.
Ice. Uma anfetamina
modificada. Um cristal branco semelhante ao gelo. Pode ser injetado, ingerido ou
inalado. Surgiu nos anos 80.
Anabolizante: Versão sintética da testosterona. Comprimidos ou ampolas. Via oral
ou intramuscular para aumentar a massa corporal.
MPTP (1-metil-4-fenil-1,2,3,6-tetrahidropiridina
) – Surgiu na década de 80 provocando sintomas semelhantes ao mal de Parkinson.
EFEITOS PREDOMINANTES
Como qualquer estimulante, funcionando em parte pela libertação ou
bloqueio da recaptação de neurotransmissores (substâncias químicas que
estimulam os neurónios vizinhos) como a dopamina das células nervosas; produzindo
ainda efeitos noutros neurotransmissores como a serotonina. Da combinação
destas modificações geram-se alterações no metabolismo cerebral e no fluxo
sanguíneo, associando-se a sensações de estimulação intensa e euforia.
Os seus efeitos produzem-se no SNC, nos nervos periféricos e no sistema
cardiovascular, provocando euforia, diminuição de fadiga e de necessidade de
dormir, pode aumentar o desejo sexual, reduzir o apetite; se as doses mais
baixas tendem a melhorar a desempenho motor, as doses mais elevadas geram um
défice com fortes tremores e mesmo convulsões; provocam ainda náuseas, vómitos,
pupilas dilatadas e aumento da temperatura, arritmias, depressão e outras
perturbações neurológicas.
Mas porque estas drogas sintéticas também são alucinogênicas, estas
substâncias provocam adicionalmente outros efeitos tais como: aumento da
consciência dos estímulos sensoriais, sensação subjetiva de intensificação da atividade
mental, alteração das imagens corporais, menor distinção entre si mesmo e o que
o rodeia, apura os sentimentos de empatia, rubor facial, aumento da tensão
arterial, da glicemia e da temperatura, e se em excesso colapso cardiovascular
e convulsões.
As pesquisas apontam ainda para os graves problemas de saúde ou mesmo
morte, perigo esse que aumenta em associação com o consumo de álcool. Uma das
consequências mais graves regista-se a nível comportamental e cerebral,
provocando danos no nível da serotonina, um neurotransmissor que desempenha um
papel da regulação da emoção, memória, sono, dor e outros processos cognitivos.
Por outro lado, dado a sua maioria não possuir cor, sabor ou odor, estas drogas
podem ser colocadas em bebidas por indivíduos que queiram intoxicar outros,
constituindo um perigo e causa de estupros, gravidez em idades precoces e
transmissão de doenças infecciosas como HIV/AIDS.
Vejamos, por último, alguns dos efeitos relativos a cada uma destas
drogas sintéticas psicotrópicas. O Ecstasy, em doses elevadas, pode afetar a
capacidade de regulação de temperatura do organismo, levando a uma subida
brusca da temperatura corporal (hipertermia), e podendo resultar em colapso sistêmico hepático, renal e cardiovascular; alterações das funções cerebrais, afetando as atividade cognitiva e a memória; assim como sintomas depressivos
vários dias depois de se usar.







