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3/27/2014

Drogas Sintéticas

As drogas sintéticas são aquelas produzidas a partir de uma ou várias substâncias químicas psicoativas que provocam alucinações no homem por estimular ou deprimir o sistema nervoso central.
Existem também as drogas semissintéticas que são produzidas através de drogas naturais quimicamente alteradas em laboratórios. São drogas semissintéticas: crack, cocaína, cristais de haxixe, heroína, maconha (modificada), morfina, codeína e outras.
As drogas sintéticas possibilitam que uma pessoa veja, ouça e sinta algo sem que haja estímulo por perto para tais sensações. Existem pessoas que acreditam que essas drogas são menos prejudiciais ao organismo e que ainda são menos favoráveis à dependência, mas estão enganados, pois agem da mesma forma que as drogas tradicionais trazendo inúmeros malefícios ao organismo.
Podem ser utilizadas sob as formas de injeção, comprimido ou pó, variando seu efeito e seus malefícios de acordo com a substância utilizada. São principalmente consumidas por jovens e adolescentes em seus períodos de divertimento que a partir do roteiro de lazer definido determinam a droga a ser utilizada.
Por todo o mundo, tem-se registado um crescimento alarmante da popularidade e consumo das denominadas drogas sintéticas como Ecstasy (MDMA), GHB, Quetamina ou LSD, intimamente ligadas a bares/discotecas, raves, transes, com um objetivo claramente recreativo e de diversão. Resultando a sua composição da investigação laboratorial (logo, sintética), estas substâncias são encaradas como facilitadoras da comunicação, assumindo um papel determinante na interação desenvolvida naqueles espaços e que se pretende prolongar para além da duração dos efeitos dos consumos.
Ainda que consumidas predominantemente em contextos recreativos, tendem a extravasar para o quotidiano como forma de ultrapassar experiências negativas (medo, sofrimento, dúvida) e desencadear emoções positivas (prazer, euforia, diversão). O carácter voluntário dos consumos, assente na busca de um estado mais elevado de bem-estar consigo e com os outros, parece ser reforçado pela ausência de síndromes de abstinência.
O fato de estarem associadas a cenários de lazer liga-se com um elemento essencial, a música que, através das ações psicotrópicas das substâncias ingeridas, pode ampliar ou reduzir os efeitos ao nível da expressão, motricidade, sentidos e afetividade. Como afirma Pedro Abrunhosa, no prefácio ao livro "O Universo do Ecstasy", de Susana Henriques, "A House, Trance, Dub, e, de uma maneira geral, a nova música para pista, estão fortemente conectadas ao consumo de "rodelas". (...) Desta conjugação entre som, batida, ritmo, frequência, repetição, resulta um encantamento tão bem explorado quanto sublinhado pelo consumo de ecstasy, que parece prolongar e aumentar tal efeito."
As principais drogas sintéticas
Anfetamina: (“Bolinha” ou “arrebite”). Droga produzida desde 1927 como vasoconstrictor, com ação semelhante à cocaína. Muitas drogas sintéticas são derivadas de anfetaminas.
LSD 25 (Dietilamida de ácido lisérgico). Sintetizado em 1938, e usado como alucinógeno a partir da década de 1950.
Quetamina (Special-K): Anestésico de uso veterinário e humano na forma líquida ou cristal branco que é aspirado. Foi produzido nos anos a partir da década de 1960.Quetamina é um anestésico, usado principalmente em veterinária, podendo causar estados oníricos e alucinações; em doses elevadas pode causar delírio, amnésia, redução das funções motoras, hipertensão arterial, depressão e problemas respiratórios eventualmente mortais.
GHB (ácido gama-hidroxibutírico): É usado na forma de sal ou diluído em água ( conhecido como “ecstasy líquido” ). Inicialmente foi produzido como anestésico, e a partir da década de 1960como droga alucinógena. GHB é essencialmente um depressor do sistema nervoso central, usado pelos seus efeitos euforizantes, sedativos e anabolizantes, podendo a sua ingestão ocasionar paralisia e coma, tendo ficado conhecido como "a droga para violar namoradas" e associado a casos de envenenamento, overdose, violação e morte.
Rohypnol é o nome comercial do flunitrazepan, quimicamente uma benzodiazepina que, em associação com o álcool, pode causar a morte ou paralisias; pode igualmente tornar uma vítima incapaz de se opor a um ataque sexual; assim como causar amnésia de fixação, isto é, dificuldade ou incapacidade de memorizar factos posteriores à ingestão da substância.
GLB (Gama-butirolactona). Derivado do GHB, utilizado com a mesma finalidade.
PCP (Cloridrato de eniciclidina). Pó branco cristalino solúvel em água que surgiu nos anos 70. É inalado, ingerido ou injetado
Cetamina. Droga anestésica derivada do PCP para uso veterinário e humano produzida em 1965, utilizada logo como alucinógeno.
DOB ( 2,5-dimetoxi-4-bromoanfetamina ). Conhecida desde 1967. É um derivado da anfetamina, podendo ser usado como base para a produção do ecstasy.
PMA (Para-metoxianfetamina) . Afetamina modificada.
PMMA (Para-metoximetilanfetamina). Anfetamina modificada produzida com o nome de “mitsubishi”
2-CB (4-bromo-2,5-dimetoxifenetilamina) . Conhecida como “nexus” tem efeito psicodélico semelhante ao LSD.
2-CT-7 (2,5-dimetoxi-4(n)-propiltiofenetilamina) com efeito psicodélico semelhante ao LSD. O D-CB e o 2-CT-7 foram produzidos na década de 70.
MDMA (Ecstasy): Um derivado de anfetamina. Comprimido ingerido por via oral. O ecstasy foi sintetizado em 1912, e o seu uso como entorpecente iniciou-se na década de 70 nos EUA. O Ecstasy, cientificamente denominado MDMA (3,4-metilenodioximetanfetamina), é uma substância química pertencente à família das anfetaminas que tem propriedades estimulantes e alucinogênicas.
Foi inicialmente sintetizado na Alemanha em 1912 como supressor do apetite, mas tendo sido demonstrado que as alterações do estado de consciência não eram facilmente controladas, passou a ser considerada uma droga poderosa e perigosa e o seu uso terapêutico proibido.
É comercializado sob a forma de comprimido ou cápsula, geralmente com um símbolo gravado, sendo conhecida entre outras por E, XTC, Adão e Eva, Pastilha. A sua composição deveria conter MDMA, MDA ou MDEA, mas pode conter outras substâncias como anfetaminas, LSD, 2-CB, cafeína, efedrina, quetamina, estrictina, atropina, 4-MTA, DXM, sendo este corte que gera as variações de efeitos e reações colaterais inesperadas. A sua administração é feita geralmente por via oral, surgindo os seus efeitos no espaço de minutos a meia hora, permanecendo durante cinco horas e os efeitos residuais por vários dias.
Os seus efeitos tóxicos incluem euforia, sensação de espiritualização e intimidade, subida da tensão arterial, da frequência cardíaca e de suores. Entre outros problemas graves associados, tem ainda o perigo potencial de poder provocar alterações de longa duração (de a mais de 6 meses) no funcionamento das células nervosas ricas em serotonina.
4-MTA ( 4-metiltioanfetamina ) ( “flatliner” ) é uma anfetamina modificada produzida nos anos 70.
Ice. Uma anfetamina modificada. Um cristal branco semelhante ao gelo. Pode ser injetado, ingerido ou inalado. Surgiu nos anos 80.
Anabolizante: Versão sintética da testosterona. Comprimidos ou ampolas. Via oral ou intramuscular para aumentar a massa corporal.
MPTP (1-metil-4-fenil-1,2,3,6-tetrahidropiridina ) – Surgiu na década de 80 provocando sintomas semelhantes ao mal de Parkinson.
EFEITOS PREDOMINANTES
Como qualquer estimulante, funcionando em parte pela libertação ou bloqueio da recaptação de neurotransmissores (substâncias químicas que estimulam os neurónios vizinhos) como a dopamina das células nervosas; produzindo ainda efeitos noutros neurotransmissores como a serotonina. Da combinação destas modificações geram-se alterações no metabolismo cerebral e no fluxo sanguíneo, associando-se a sensações de estimulação intensa e euforia.
Os seus efeitos produzem-se no SNC, nos nervos periféricos e no sistema cardiovascular, provocando euforia, diminuição de fadiga e de necessidade de dormir, pode aumentar o desejo sexual, reduzir o apetite; se as doses mais baixas tendem a melhorar a desempenho motor, as doses mais elevadas geram um défice com fortes tremores e mesmo convulsões; provocam ainda náuseas, vómitos, pupilas dilatadas e aumento da temperatura, arritmias, depressão e outras perturbações neurológicas.
Mas porque estas drogas sintéticas também são alucinogênicas, estas substâncias provocam adicionalmente outros efeitos tais como: aumento da consciência dos estímulos sensoriais, sensação subjetiva de intensificação da atividade mental, alteração das imagens corporais, menor distinção entre si mesmo e o que o rodeia, apura os sentimentos de empatia, rubor facial, aumento da tensão arterial, da glicemia e da temperatura, e se em excesso colapso cardiovascular e convulsões.
As pesquisas apontam ainda para os graves problemas de saúde ou mesmo morte, perigo esse que aumenta em associação com o consumo de álcool. Uma das consequências mais graves regista-se a nível comportamental e cerebral, provocando danos no nível da serotonina, um neurotransmissor que desempenha um papel da regulação da emoção, memória, sono, dor e outros processos cognitivos. Por outro lado, dado a sua maioria não possuir cor, sabor ou odor, estas drogas podem ser colocadas em bebidas por indivíduos que queiram intoxicar outros, constituindo um perigo e causa de estupros, gravidez em idades precoces e transmissão de doenças infecciosas como HIV/AIDS.

Vejamos, por último, alguns dos efeitos relativos a cada uma destas drogas sintéticas psicotrópicas. O Ecstasy, em doses elevadas, pode afetar a capacidade de regulação de temperatura do organismo, levando a uma subida brusca da temperatura corporal (hipertermia), e podendo resultar em colapso sistêmico hepático, renal e cardiovascular; alterações das funções cerebrais, afetando as atividade cognitiva e a memória; assim como sintomas depressivos vários dias depois de se usar.