A principal causa da pancreatite crônica é o alcoolismo.
Dor também é um sintoma importante na pancreatite crônica. Embora a localização seja a mesma, ou seja, na região epigástrica e também se irradie para o dorso, ela dura mais tempo e seu início é menos súbito do que na forma aguda da doença. De qualquer modo, é uma dor tão forte que, para controlá-la, os doentes lançam mão de analgésicos potentes e até do uso de drogas ilícitas. Quando o indivíduo é etilista e tem propensão para desenvolver dependência de drogas, esse recurso para controlar a dor pode reverter-se num problema social muito grave.
Estudos mais recentes, porém, sugerem que o álcool tem a capacidade de provocar efeitos nocivos sobre o pâncreas que resultam numa pancreatite aguda de natureza alcoólica. Vários surtos de pancreatite aguda alcoólica facilitam o aparecimento de lesões que se cronificam no pâncreas.
Quando se fala em álcool, logo se pensa no fígado, mas ele lesa também o pâncreas. Em relação à pancreatite alcoólica aguda, não existem estudos que mostrem qual é o volume necessário para provocar a doença. Sabe-se, porém, que os surtos costumam aparecer depois da ingestão de quantidade grande de álcool, especialmente quando associado à dieta muito gordurosa, que estimula a secreção das enzimas pancreáticas.
No que se refere à pancreatite crônica, os estudos existem e mostram que a mulher é mais sensível ao álcool do que o homem. Nela, a quantidade necessária para produzir lesão pancreática é de 60 gramas de álcool etílico por dia, em tempo prolongado. No homem, é de 80 gramas. Se lembrarmos que a cerveja tem 5%, 6% de álcool, 60 gramas correspondem a quatro latinhas de 300ml, 330ml.
Se considerarmos os destilados, a coisa fica mais complicada. Como o aguardente de cana e o uísque têm mais ou menos 50% de álcool etílico puro, três ou quatro doses tomadas continuamente podem lesar o pâncreas e provocar pancreatite crônica.
Indivíduo que teve pancreatite alcoólica não pode tomar álcool nunca mais, para não agravar o quadro e evitar a progressão da doença. É preciso reforçar que, ao contrário do que ocorre na pancreatite aguda causada por cálculo biliar, em que o pâncreas volta ao normal e não surgem complicações como insuficiência pancreática, nem diabete, na pancreatite crônica, ele está lesado pelo resto da vida. Não só não se recupera mais, como o quadro irá progressivamente piorando, se a pessoa continuar bebendo.







