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12/03/2013

PANCREATITE E DROGRAS

A principal causa da pancreatite crônica é o alcoolismo

O álcool ingerido em grandes quantidades, por tempo prolongado determina uma alteração no parênquima pancreático (imagem 3), que é substituído por tecido fibroso, endurecido, e reduz o tamanho do órgão, que atrofia. Além disso, o duto pancreático principal (canal de Wirsung), que mede menos de meio centímetro de diâmetro, fica muito dilatado por causa do depósito de cálculos formados principalmente por cálcio em seu interior. Doente com pancreatite crônica pode ter surtos de pancreatite aguda.

Dor também é um sintoma importante na pancreatite crônica. Embora a localização seja a mesma, ou seja, na região epigástrica e também se irradie para o dorso, ela dura mais tempo e seu início é menos súbito do que na forma aguda da doença. De qualquer modo, é uma dor tão forte que, para controlá-la, os doentes lançam mão de analgésicos potentes e até do uso de drogas ilícitas. Quando o indivíduo é etilista e tem propensão para desenvolver dependência de drogas, esse recurso para controlar a dor pode reverter-se num problema social muito grave.
Estudos mais recentes, porém, sugerem que o álcool tem a capacidade de provocar efeitos nocivos sobre o pâncreas que resultam numa pancreatite aguda de natureza alcoólica. Vários surtos de pancreatite aguda alcoólica facilitam o aparecimento de lesões que se cronificam no pâncreas.
Quando se fala em álcool, logo se pensa no fígado, mas ele lesa também o pâncreas. Em relação à pancreatite alcoólica aguda, não existem estudos que mostrem qual é o volume necessário para provocar a doença. Sabe-se, porém, que os surtos costumam aparecer depois da ingestão de quantidade grande de álcool, especialmente quando associado à dieta muito gordurosa, que estimula a secreção das enzimas pancreáticas.
No que se refere à pancreatite crônica, os estudos existem e mostram que a mulher é mais sensível ao álcool do que o homem. Nela, a quantidade necessária para produzir lesão pancreática é de 60 gramas de álcool etílico por dia, em tempo prolongado. No homem, é de 80 gramas. Se lembrarmos que a cerveja tem 5%, 6% de álcool, 60 gramas correspondem a quatro latinhas de 300ml, 330ml.
Se considerarmos os destilados, a coisa fica mais complicada. Como o aguardente de cana e o uísque têm mais ou menos 50% de álcool etílico puro, três ou quatro doses tomadas continuamente podem lesar o pâncreas e provocar pancreatite crônica.
Indivíduo que teve pancreatite alcoólica não pode tomar álcool nunca mais, para não agravar o quadro e evitar a progressão da doença. É preciso reforçar que, ao contrário do que ocorre na pancreatite aguda causada por cálculo biliar, em que o pâncreas volta ao normal e não surgem complicações como insuficiência pancreática, nem diabete, na pancreatite crônica, ele está lesado pelo resto da vida. Não só não se recupera mais, como o quadro irá progressivamente piorando, se a pessoa continuar bebendo.