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8/31/2011

Letra D


Dano cerebral relacionado com o uso de álcool
Termo genérico que engloba a deterioração da memória e das funções mentais superiores relacionadas com o lobo frontal e o sistema límbico. Assim, compreende tanto a síndrome amnésica induzida pelo álcool (F10.6) como a síndrome do lobo frontal (incluído em F10.7). No entanto, o termo é com freqüência usado quando somente um destes transtornos está presente.
A perda de memória na síndrome amnésica afeta caracteristicamente a memória recente. O dano do lobo frontal manifesta-se por deficiências relativas ao pensamento abstrato, a conceitos e ao planejamento e processamento de informação complexa.
Outras funções cognitivas estão relativamente bem conservadas e a consciência não está perturbada. Deve-se distinguir entre dano cerebral relacionado com o álcool e demência alcoólica. Nesta última situação, há um maior dano global das funções cognitivas e, geralmente, a presença de evidência de outras etiologias, tais como repetidos traumatismos cranianos.

Defeito
Deterioração irreversível de qualquer função psicológica particular (p.ex., defeito cognitivo) do desenvolvimento geral das capacidades mentais, ou dos padrões característicos do pensamento, afeto e comportamento que constituem a personalidade do indivíduo. Um defeito em qualquer uma destas áreas pode ser inato ou adquirido.
Um estado característico de defeito da personalidade, incluindo em suas manifestações desde perda do vigor emocional e intelectual, leves excentricidades comportamentais até autismo e embotamento afetivo, foi descrito por Kraepelin (1856-1926) e Eugen Bleuler (1857-1939) como sendo uma característica da evolução da doença esquizofrênica, em contraste com a psicose maníaco-depressiva.

Deficiência de niacina
Níveis inadequados de ácido nicotínico (ou niacina) produzem o quadro clínico da pelagra, caracterizado por uma dermatite simétrica nas partes do corpo expostas ao sol, sintomas gastrintestinais (náuseas, vômitos, distensão abdominal, diarréia) e encefalopatia.
Esta última pode simular qualquer tipo de transtorno mental, mas a depressão é provavelmente a manifestação psiquiátrica mais comum. Desorientação alucinações e delirium também podem surgir e alguns pacientes podem evoluir para a demência. A pelagra é endêmica nas classes menos favorecidas nos países onde a dieta é inadequada e onde o milho não processado é a dieta principal. Em outros países, ela aparece principalmente entre os alcoolistas.

Deficiência de vitamina B12
Carência de vitamina B12, geralmente uma deficiência nutricional secundária à absorção insuficiente de vitamina pelo íleo, em indivíduos com doenças gastrintestinais crônicas. Uma conseqüência freqüente é a degeneração subaguda da medula, do nervo óptico, da substância branca cerebral e dos nervos periféricos.
O envolvimento da medula se manifesta como uma doença sistemática, caracterizada por parestesias progressivas simétricas dos pés ou mãos (dormência, formigamento, queimação, etc.) seguida de falta de firmeza ao andar e, finalmente, espasticidade, ataxia e paraplegia. Os sintomas psicológicos incluem apatia, irritabilidade, desconfiança e, com a progressão, confusão e demência.

Deficiência mental
Condição de desenvolvimento interrompido ou incompleto da mente, caracterizado particularmente pela redução das capacidades que contribuem para o nível global da inteligência, i.e., habilidades cognitivas, lingüísticas, motoras e sociais manifestada durante o período de desenvolvimento. A deficiência pode ocorrer com ou sem qualquer outra condição física ou mental. Os graus de deficiência são convencionalmente estimados por:
a) Testes padronizados de inteligência cujo resultado (Quociente Intelectual ou QI) médio é 100 com desvio padrão de 15 pontos.
b) Escalas de medida de adaptação social num dado meio. Nenhuma destas medidas pode dar mais que uma indicação aproximada do grau de deficiência mental. O funcionamento intelectual e a adaptação social podem mudar no decorrer do tempo e podem melhorar em função da maturação e da resposta à reabilitação e ao treinamento. Sinonímia: Subnormalidade Mental; Oligofrenia.
leve (F70). Suscetível de experimentar uma certa dificuldade na escola; muitos adultos serão capazes de trabalhar, ter e manter boas relações sociais e contribuir para a sociedade. Alguns aspectos da aprendizagem podem ser mais lentos e podem, requerer treino mais sistemático. O intervalo aproximado do QI é de 50-69 (adultos com idade mental de 9 a 12 anos).
moderada (F71). Marcado atraso de desenvolvimento na infância, mas muitos aprendem a desenvolver um certo grau de independência em cuidar de si e adquirir uma adequada escolaridade e capacidade de comunicação. Quando adultos, necessitarão, em grau variado, de ajuda para viver e trabalhar na comunidade. O intervalo aproximado de QI é de 35-49 (adultos com idade mental de 6 a 9 anos).
grave (F72). Pode responder a programas adequados de reabilitação, apesar das limitações físicas e orgânicas, mas o indivíduo provavelmente permanecerá dependente e com necessidade de ajuda permanente. O intervalo aproximado de QI é de 20-34 (adultos com idade mental de 3 a 6 anos).
profunda (F73). Limitação grave da capacidade de cuidar de si próprio, de continência, comunicação e mobilidade, mas o indivíduo pode ser capaz de ter alguma resposta a programas de reabilitação. O QI situa abaixo de 20 (adultos com idade mental de 3 anos, no máximo).

Deficiência
Falta ou redução. No contexto psiquiátrico (Ing.: impairment), é qualquer perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica. Ver Desvantagem; Incapacidade.

Degeneração
Alteração patológica em um tecido ou organismo, que consiste em uma descontinuidade de sua estrutura original. Na psiquiatria do século XIX, o termo foi associado à desacreditada teoria de Morel (1809-1873), que postulava a transmissão de características hereditárias adversas de geração em geração.

Delírio de grandeza
Crença mórbida na própria importância, grandiosidade ou superioridade (como, p.ex., no delírio de missão messiânica), freqüentemente acompanhada por outras idéias delirantes. Pode ser sintoma de paranóia, esquizofrenia (com freqüência, mas não invariavelmente do tipo paranóide), mania e síndromes orgânicas cerebrais, particularmente paralisia geral.

Delírio de influência
Convicção delirante que algo de si está sendo substituído ou está sendo submetido à influência e controle de alguma força estranha. As descrições originais deste fenômeno delirante o associavam a pseudo-alucinações (Kandisnki, 1849-1889) e a alterações da consciência (Clérambault, 1872-1934).

Delírio de perseguição
Crença patológica de vitimização de um ou mais indivíduos ou grupos. Ocorre nos transtornos paranóides, mais comumente na esquizofrenia, mas também em alguns estados orgânicos ou depressivos. Certos transtornos da personalidade aumentam a predisposição para tais delírios.

Delírio humor-congruentes
A distinção fundamental entre Idéias Delirantes (que é o Delírio) e Idéias Deliróides, é que nas Idéias Deliróides a imagem do mundo exterior é falsificada de acordo com as demandas afetivas e instintivas fragilizadas. O sistema deliróide constrói a realidade da qual a pessoa necessita emocionalmente, portanto, é uma construção da realidade secundária às exigências emocionais e não, como no Delírio, uma ocorrência primária.
O raciocínio que caracteriza a idéia deliróide é bastante similar àquele que todos nós utilizamos, embora de grau muito diferente (patológico). Seria uma fantasia ou devaneio patologicamente mais sólido que aqueles aos quais todos nós estamos sujeitos nos momentos de angústia. Na penúria nos imaginamos ganhando na loteria, o deliróide tem certeza de que ganhou...
Por isso a idéia deliróide é compreensível para as pessoas normais na maioria das vezes. Nossas crenças tendem a ser subjetivamente coloridas e, sem dúvida, todos recorremos a certas ficções por insegurança. O emprego da Racionalização e da Projeção com propósitos defensivos, por exemplo, têm o mesmo objetivo psicológico da utilização patológica desses Mecanismos de Defesa como acontece nas Idéias Deliróides.
As Idéias Deliróides, notadamente aquelas organizadas e sistematizadas, constituem tentativas de manipular os problemas e as tensões da vida através de fantasias elaboradas para fornecer aquilo que a vida real nega, entretanto, devido ao seu aspecto mórbido, tais fantasias não são construídas numa estrutura compatível com uma adaptação social normal.
Verificamos, com freqüência, que o conteúdo das Idéias Deliróides revela aspectos significativos dos problemas pessoais do paciente. As fontes desses problemas podem ser freqüentemente encontradas em inclinações e impulsos contrariados, esperanças frustradas, sentimentos de inferioridade, inadequações biológicas, qualidades rejeitadas, desejos importunantes, sentimentos de culpa e outras situações que exigem uma defesa contra a angústia.
Uma profunda necessidade de consolo pode ser satisfeita por idéias auto-elogiosas, portanto, uma falsa Idéia Deliróide de grandeza, por exemplo, pode refletir uma defesa contra sentimentos de inferioridade.
Na Depressão Grave com Sintomas Psicóticos, como sabemos e bem atestou Kurt Schneider, embora a tristeza vital seja considerada primária, no sentido de ser também incompreensível e psicologicamente irredutível, dela deriva e se vincula toda a gama de Idéias Deliróides depressivas.
Essas Idéias Deliróides são pseudo-delírios ou Delírios Secundários, como os denomina Jaspers, por tomá-los psicologicamente compreensíveis e dentro do quadro clínico geral em que se formam. Atualmente fala-se também em Delírio Humor-Congruentes.

Delírio polimórfico
Quadro composto por delírios (p.ex., idéias delirantes, juízos delirantes) com numerosos conteúdos inconsistentes e contraditórios. Caracteriza-se pela inconstância dos temas e mudança de forma em breves unidades de tempo; é um fenômeno que se contrapõe ao delírio sistematizado.

Delírio sensitivo de auto-referência
(Al.: Sensitiver Beziehungswahn) - Forma específica de psicose paranóide não esquizofrênica com idéias mórbidas de auto-referência surgindo da base de uma estrutura de personalidade introvertida sensitiva, com uma capacidade pobre de desenvolver a liberação de afeto e tensão.
A psicose normalmente se segue a uma experiência significante envolvendo humilhação e amor-próprio ferido. A personalidade é caracteristicamente bem preservada e o prognóstico, favorável. O conceito foi introduzido por Kretschmer (1888-1964).

Delírio
Convicção ou juízo falso, incorrigível, fora dos padrões da realidade e incompatível com as crenças sociais da cultura e do meio do indivíduo. Os delírios primários são essencialmente incompreensíveis em termos de história de vida e de personalidade do indivíduo; os delírios secundários são psicologicamente compreensíveis e estão associados a outras perturbações mentais, como, p.ex., transtorno afetivo ou de desconfiança.
Uma distinção foi feita por Birnbaum em 1908 e Jaspers em 1913 entre delírio propriamente dito e idéias delirantes; estas últimas são meramente um juízo equivocado mantido com excessiva tenacidade. Em avaliações psiquiátricas, uma crença cultural pode ser confundida com um delírio se o clínico não souber que esta crença particular é uma crença prescrita culturalmente e “normal”, independentemente de sua validez empírica. O brusco questionamento das crenças culturais sem a sua adequada substituição por outros conceitos ou crenças pode resultar em anomia ou crise de identidade.

Delirium associado ao VIH
 O delirium pode estar sobreposto a déficits cognitivos da demência associada ao VIH e pode agravar o seu curso. O delirium pode também ocorrer na altura da seroconversão em associação com meningite asséptica.
Mais freqüentemente, o delirium em doentes com AIDS/SIDA pode estar relacionado com hipóxia (p.ex., pneumonia por Pneumocystis carinii), meningite por criptococos, infecções sistemáticas (p.ex., bacteremia por estafilococos), lesões expansivas cerebrais (p.ex., linfoma do SNC ou abscesso cerebral devido à toxoplasmose), alterações metabólicas (alterações do equilíbrio hidroeletrolítico e ácido-básico) e uso de drogas psicotrópicas (especialmente antidepressivos tricíclicos, cuja ação anticolinérgica parece ser mais pronunciada nestes doentes).

Delirium tremens
Síndrome de abstinência com delirium; um estado psicótico agudo que ocorre durante a fase de abstinência em indivíduos dependentes de álcool e caracterizado por confusão, desorientação, ideação paranóide, delírios, ilusões, alucinações (tipicamente visuais ou táteis, menos comumente auditivas, olfatórias ou vestibulares), inquietação, distração, tremores (algumas vezes grosseiros), sudorese, taquicardia e hipertensão.
É usualmente precedida por sinais de síndrome de abstinência simples. O início do delirium tremens ocorre usualmente 48h ou mais após a retirada ou a redução do consumo de álcool, mas pode apresentar-se até 1 semana após este período. Deve ser distinguido da alucinose alcoólica, que nem sempre é um fenômeno da abstinência. A condição é conhecida coloquialmente como "DT".

Delirium
Síndrome orgânica cerebral aguda, de etiologia inespecífica, caracterizada por perturbações da consciência, atenção, percepção, orientação, pensamento, memória, comportamento psicomotor, emoções e ciclo sono-vigília. O estado de delirium é transitório e de intensidade flutuante. A duração é variável, de poucas horas a poucas semanas e a gravidade varia de leve até muito grave.
A maior parte dos casos remite dentro de 4 semanas ou menos; contudo, não são incomuns casos de delirium que duram mais do que 6 meses. A síndrome de abstinência induzida pela retirada do álcool com delirium é conhecida como delirium tremens. Sinonímia: Estado Confusional Orgânico Agudo. Ver Síndrome de Abstinência; Síndrome de Abstinência com Delirium.

Demência alcoólica
Termo de significado variável, que comumente designa um transtorno crônico ou progressivo resultante de um beber arriscado, caracterizado pelo comprometimento das múltiplas funções corticais superiores, que incluem memória, raciocínio, orientação, compreensão, cálculo, capacidade de aprendizagem, linguagem e julgamento.
A consciência é preservada. As perturbações cognitivas são comumente acompanhadas de deterioração do controle emocional, do comportamento social ou da motivação. A existência da demência alcoólica como uma síndrome específica é posta em dúvida por alguns que atribuem a demência a outras causas.

Demência
Síndrome, geralmente crônica e progressiva, devido a uma patologia encefálica na qual se verificam diversas deficiências das funções corticais superiores, que incluem memória, pensamento, orientação, compreensão, cálculo, capacidade de aprender, linguagem e julgamento; a consciência não é afetada; as deficiências cognitivas são acompanhadas (e ocasionalmente precedidas) por deterioração do controle emocional, da conduta social ou da motivação.

Dependência cruzada
Termo farmacológico usado para denotar a capacidade de uma substância (ou classe de substâncias) de suprimir as manifestações da síndrome de abstinência de outra substância ou classe e assim manter o estado de dependência física. Note que dependência é normalmente usado num sentido psicofarmacológico mais estrito, associado à supressão dos sintomas da síndrome de abstinência.
Uma conseqüência do fenômeno da dependência cruzada é que a dependência a uma substância é mais provavelmente desenvolvida se o indivíduo já está dependente de uma substância relacionada. Por exemplo, a dependência de um benzodiazepínico desenvolve-se mais rapidamente em indivíduos já dependentes de uma outra droga deste tipo ou de outras substâncias com efeitos sedativos, tais como álcool e barbitúricos.

Dependência
Como um termo geral, o estado de necessidade ou dependência de alguma coisa ou alguém para apoio, funcionamento ou sobrevivência.
Quando aplicado ao álcool e outras drogas, o termo implica a necessidade de repetidas doses da droga para sentir-se bem ou para evitar sensações ruins. No DSM-IIIR, a dependência é definida como um grupo de sintomas cognitivos, comportamentais e psicológicos que indicam que uma pessoa tem o controle do uso da substância psicoativa prejudicado e continua esse uso a despeito de conseqüências adversas.
É aproximadamente equivalente à síndrome de dependência da CID-10. No contexto da CID-10, o termo dependência refere-se geralmente a qualquer dos elementos da síndrome. O termo é freqüentemente usado como equivalente de alcoolismo.
Em 1964, uma Comissão de Peritos da OMS introduziu "dependência" em substituição a adicção e habituação. O termo pode geralmente ser usado com referência a todas as drogas psicoativas (p.ex., dependência de drogas, dependência química, dependência do uso de substância), ou referindo-se especificamente a uma droga em particular ou a uma classe de drogas (p.ex, dependência de álcool, dependência de opióide). Embora a CID-10 descreva dependência em termos de classes de drogas, há diferenças entre os sintomas característicos de diferentes drogas.
De forma não qualificada, dependência refere-se a ambos os elementos físicos e psicológicos. Dependência psicológica ou psíquica refere-se à experiência de controle prejudicado sobre o beber ou o uso da droga (Ver cravwg, compulsão), enquanto dependência fisiológica ou física refere-se à tolerância e sintomas de abstinência. Em discussões de orientação biológica, dependência é freqüentemente usada para referir-se somente à dependência física.
Dependência (ou dependência física) é também usado no contexto psicofarmacológico num sentido limitado, referindo-se somente ao desenvolvimento de sintomas de abstinência que seguem uma parada do uso de droga. Neste sentido restrito, dependência cruzada é vista como complementar à tolerância cruzada, com ambas definições referindo-se somente à sintomatologia física (neuroadaptação).

Depressão
Em linguagem leiga, um estado de acabrunhamento, desânimo ou tristeza que pode indicar má saúde. Em um contexto médico, o termo se refere a um estado mental dominado por uma diminuição do humor e freqüentemente acompanhado por um conjunto de sintomas variados, particularmente ansiedade, agitação, sentimentos de desvalia, idéias suicidas, hipobulia, lentificação psicomotora e vários sintomas somáticos, disfunções fisiológicas (p.ex., insônia) e queixas diversas.
Como síndrome, a depressão é um elemento importante em várias categorias de doenças. O termo é amplamente utilizado — por vezes, de modo impreciso — para designar um transtorno, uma síndrome ou um estado de doença. Ver Melancolia.

Depressor
Qualquer agente que suprime, inibe ou diminui alguns aspectos da atividade do SNC. As principais classes de depressores do SNC são os sedativos/hipnóticos, opióides e neurolépticos. Álcool, barbitúricos, anestésicos, benzodiazepinas, opiáceos e seus análogos sintéticos são exemplos de drogas depressoras. Os anticonvulsivantes são incluídos algumas vezes no grupo dos depressores, por causa de suas ações inibitórias da atividade neuronal anormal.
Os transtornos relacionados ao uso de depressores são classificadas na CID-10 como transtornos por uso de substâncias psicoativas, nas categorias F10 (para álcool), F11 (para opióides) e F13 (para sedativos ou hipnóticos).

Descarrilamento
 ("afrouxamento de associações"). Um padrão de discurso no qual as idéias da pessoa mudam de um assunto para outro sem qualquer relação ou apenas obliquamente relacionado. Ao mover-se de uma frase ou oração para outra, a pessoa muda de assunto, idiossincraticamente, de um quadro de referência para outro, podendo dizer coisas em justaposição, sem que tenham um relacionamento significativo.
Esta perturbação ocorre entre as frases, em contraste com a incoerência na qual a perturbação se dá dentro das frases. Uma mudança ocasional de assunto sem aviso ou conexão obvia não constitui um descarrilamento.

Descriminalização
Anulação de leis ou regulamentações que definem como criminoso um comportamento, produto ou condição. O termo é usado tanto em conexão com drogas ilícitas como com delitos de embriaguez em via pública (Ver embriagado). Algumas vezes é também aplicado à redução na gravidade de um crime ou de penalidades criminais, como quando a posse de cannabis é reduzida de crime que leva à prisão para infração que pode ser penalizada com uma advertência ou multa.
Assim, a descriminalização é freqüentemente distinguida da legalização, o que envolve a completa anulação de qualquer definição de um crime, freqüentemente acompanhado com um esforço governamental para controlar ou influenciar o mercado do comportamento ou produto afetado.

Desenvolvimento psicossocial
lnteração progressiva entre uma pessoa e seu ambiente através de estágios que começam na infância, como inicialmente descritos por Erikson. Tarefas do desenvolvimento específicas, envolvendo as relações sociais e o papel da realidade social, são enfrentadas por uma pessoa em uma determinada fase de seu desenvolvimento. As principias tarefas acompanham os estágios do desenvolvimento psicossexual; as posteriores estendem-se através da idade adulta.

Desinibição
Estado de liberação das funções inibitórias em geral exercidas pelo córtex cerebral. A desinibição pode resultar tanto de lesões orgânicas cerebrais como da administração de uma droga psicoativa.
A crença de que uma droga psicoativa, especialmente o álcool, induz farmacologicamente o comportamento desinibido, é encontrada desde o século XIX na formulação fisiológica do desligamento das inibições localizadas “nos centros superiores da mente”.
Quase qualquer adjetivo, desde “maligno” a “expressivo”, pode ser usado para descrever o comportamento atribuído ao efeito desinibitório. A expressão “teoria da desinibição" é usada para distinguir esta crença de uma perspectiva mais recente que afirma que os efeitos farmacológicos são fortemente mediados por expectativas culturais, pessoais e pelo contexto.
Desinibição é também usado por neurofisiologistas e neurofarmacologistas para referir-se à retirada de uma influência inibitória em um neurônio ou circuito neuronal em contraste com a estimulação direta do neurônio ou circuito neuronal. Por exemplo, as drogas opióides deprimem a atividade de neurônios dopaminérgicos que normalmente exercem um efeito inibitório na secreção de prolactina pelas células da hipófise. Assim, os opióides “desinibem” a secreção de prolactina e indiretamente causam uma elevação do nível de prolactina no plasma.

Desintoxicação
Processo pelo qual um indivíduo é afastado dos efeitos de uma substância psicoativa. Como um procedimento clínico, o processo de privação ocorre de maneira segura e efetiva, de modo que os sintomas da abstinência são minimizados. O local no qual esse processo se dá é denominado de unidade ou centro de desintoxicação.
No início de desintoxicação, em geral o indivíduo está clinicamente intoxicado ou já em abstinência. A desintoxicação pode ou não envolver o uso de medicamentos. Quando usada, a medicação dada é usualmente uma droga que apresenta tolerância cruzada e dependência cruzada com a(s) substância(s) usada(s) pelo paciente. A dose é calculada para aliviar a síndrome de abstinência sem induzir intoxicação e é gradualmente diminuída à medida que o paciente se recupera.
A desintoxicação como um procedimento clínico implica que o indivíduo seja supervisionado até recuperar-se completamente da intoxicação ou da síndrome de abstinência física. O termo “autodesintoxicação” é usado algumas vezes para denotar a recuperação não assistida de um episódio de intoxicação ou sintomas da abstinência.

Desorientação
Obscurecimento das esferas temporal, topográfica ou pessoal da consciência, associado a várias formas de síndromes cerebrais orgânicas ou, menos comumente, com síndromes dissociativas. Em avaliações interculturais, o clínico deve estar sensível às diferenças culturais relativas a calendários, diferenças geográficas na identificação de estações do ano, do acesso a meios de mensuração de unidades do tempo ligadas à cultura (p.ex., relógios) e vários meios de orientação espacial (p.ex., indicar andares de um edifício, conhecimento dos nomes de distritos locais).

Despersonalização
Estado de perturbação da consciência no qual a pessoa percebe a si mesma como irreal, distante ou artificial; tais alterações da consciência de si mesmo aparecem sem alteração sensorial e com integridade da capacidade de expressão emocional. Entre uma grande variedade de fenômenos de sofrimento subjetivo, muitos deles difíceis de serem verbalizados, os mais relevantes se referem à experiência de transformação corporal, auto-avaliação compulsiva, ausência de resposta afetiva (apatia), perturbação da orientação temporal e da percepção do fluir do tempo, alienação da consciência de identidade (orientação autopsíquica) ou automatização.
O paciente pode sentir-se distanciado de suas experiências, como se visse a si mesmo de longe ou como se tivesse morrido. A consciência do caráter patológico destas experiências costuma estar conservada. A despersonalização pode ocorrer como manifestação isolada, mesmo em pessoas sadias submetidas a fadiga ou sobrecarga emocional, ou pode compor quadros clínicos mais complexos de ruminação e outros estados de ansiedade obsessiva, depressão, esquizofrenia, certos transtornos da personalidade e alterações funcionais cerebrais. Sua patogenia é desconhecida. Ver Sindrome De Despersonalização/Desrealização.

Desrealização
Experiência subjetiva de alienação semelhante à despersonalização, mas que envolve o mundo externo ao invés das experiências próprias do indivíduo e sua personalidade. O ambiente pode parecer descolorido, sem vida e parecer artificial ou num estágio no qual as pessoas estão agindo em papéis errados.

Desvantagem
Obstáculos, conseqüentes a deficiências ou incapacidades, que limitam ou impedem a um indivíduo o desempenho de papéis ou atividades normalmente esperados por seu grupo social, de acordo com sua idade, sexo e outros fatores sociais e culturais.
Representa uma discordância entre o desempenho ou status de um indivíduo e as expectativas do próprio indivíduo ou do grupo social a que ele pertence. Resulta das barreiras físicas ou de qualquer outra natureza, erigidas pelo grupo social em relação a um indivíduo (ou grupo de indivíduos) em função de sua identidade particular como portador de um dado transtorno.

Desvio
Em geral, forma de comportamento que se afasta significativamente daquilo que é considerado como normal em uma dada cultura. O termo pode ser neutro, designando baixa freqüência estatística, ou pode traduzir um significado sociológico, p.ex., quebra de regras, conduta estigmatizada ou censurada ou adoção de papéis marginais na sociedade.

Deterioração esquizofrênica
Redução da capacidade cognitiva adaptativa, da resposta volitiva e afetiva, da motivação e das habilidades sociais, que ocorrem em uma parte das doenças esquizofrênicas, após o início da doença, por períodos variáveis. Este processo normalmente resulta em um defeito ou em um estado terminal, mas nem sempre é irreversível.

Determinismo cultural
A visão de que o desenvolvimento, a psicologia e o comportamento humano são determinados pela cultura, com pouca ou nenhuma contribuição de fatores biológicos e psicológicos. É um conceito que se opõe, por um lado, ao determinismo biológico (ou seja, a biologia determina tudo), e, por outro lado, ao determinismo psicológico (ou seja, a psicologia determina tudo).

Dipsomania
Forma de uso excessivo de álcool caracterizada por uso episódico, porém descontrolado.

Discriminação
1. Ato de distinguir precisamente e identificar um objeto ou conceito através do reconhecimento de diferenças entre dois objetos ou conceitos. Assim, discriminação auditiva é a habilidade de diferenciar entre sons da fala, entre fala com significado e sílabas sem sentido ou barulho, entre vozes diferentes, etc. Da mesma forma, discriminação visual é a habilidade de diferenciar entre as letras de uma palavra escrita e rabiscos, entre números diferentes, entre cores, etc.
2. Identificação, na maioria das vezes de forma negativa ou pejorativa, de um indivíduo como pertencente a um grupo ou minoria social.

Disforia
Humor desagradável. Ansiedade. Angústia.

Dislexia
Incapacidade ou dificuldade para a leitura, incluindo cegueira para as palavras e uma tendência para inverter letras e palavras na leitura e na escrita.

Dissociação
Alteração temporária da consciência não devido à doença mental orgânica; suas manifestações clínicas podem incluir conversão, fuga, desorientação, amnésia, pseudoconvulsões. Certas síndromes vinculadas à cultura, tais como personalidade múltipla, síndrome de Ganser e síndromes de possessão freqüentemente apresentam esta condição considerada como não-psicótica.

Dissonia
Transtornos primários do sono ou vigília, caracterizados por insônia ou hipersonia como sintoma principal. As dissonias são transtornos na quantidade, qualidade ou tempo de sono.

Distorção
Alteração de fatos, percepções, idéias ou impulsos de forma que eles não correspondem às interpretações ou percepções comumente aceitas. A distorção pode ser consciente ou inconsciente, ou pode ser uma combinação de ambas. De acordo com a teoria psicanalítica, a neurose de transferência é um tipo particular de distorção inconsciente que se desenvolve no contexto da relação psicoterapêutica. Geralmente a distorção não implica nem um erro interpretativo psicótico nem uma percepção delirante.

Distorções de linguagem
Alterações de palavras, frases ou construções gramaticais. Exemplos destas distorções ocorrem em pacientes afásicos ou em crianças com transtornos de desenvolvimento da leitura ou da fala. Estas distorções podem tornar difícil ou às vezes impossível o entendimento do que a pessoa tenta dizer. Em avaliações clínicas com auxílio de intérpretes, estes podem não reconhecer o valor clínico deste quadro e podem tentar “normalizar” as expressões do paciente, mascarando a patologia expressa no discurso do paciente.

Distribuição lognormal
Refere-se à teoria, proposta por Sully Ledermann, nos anos 1950, que o consumo de álcool está distribuído entre os bebedores de uma população de acordo com uma curva lognormal que varia, de uma população a outra, segundo um único parâmetro, pelo que uma grande proporção do consumo de álcool se deve a uma pequena proporção de bebedores.
Se bem que a formulação específica de Ledermann esteja hoje desacreditada, aceita-se, em geral, que, nas sociedades onde se obtém álcool livremente no mercado, os bebedores estão distribuídos ao longo de um espectro de níveis de consumo de álcool, numa curva unimodal desviada para a esquerda (referida como a distribuição unimodal do consumo, a qual também caracteriza o consumo de muitos outros bens).
A ênfase na distribuição do consumo na população tornou-se associada a uma atenção renovada para com medidas do controle do álcool que reduzem os níveis dos problemas ligados ao álcool; por isso, esta perspectiva orientada para a saúde pública é, às vezes, designada como teoria da distribuição do consumo.

Doença alcoólica
A convicção de que o alcoolismo é uma condição de causa biológica primária e com história natural previsível configura-a de acordo com as definições aceitas de uma doença. A perspectiva leiga dos Alcoólicos Anônimos (1939) — de que o alcoolismo, caracterizado pela perda de controle do indivíduo sobre o beber e assim sobre sua vida, era uma “doença” — foi introduzida na literatura acadêmica nos anos 1950 na forma de conceito de doença do alcoolismo.
O conceito tinha suas raízes nas concepções médica e leiga do século XIX de embriaguez como uma doença. Em 1977, um grupo de investigadores da OMS, reagindo ao amplo e diversificado uso do termo alcoolismo, propôs substituí-lo na nosologia psiquiátrica por síndrome de dependência do álcool. Por analogia com dependência de drogas, a dependência de álcool tem encontrado aceitação geral nas atuais nosologias.

Doença dos nervos
Mal vago, encontrado em grupos latino-americanos. Os sintomas mais comuns variam de instabilidade emocional e ansiedade ao abuso de álcool, dores de cabeça e síndrome paranóide. Julga-se que os efeitos patológicos do estresse no sistema nervoso contribua para a existência de uma série de alterações comportamentais, emocionais ou mentais.
Pode ocorrer em associação com vários transtornos psiquiátricos, tais como transtorno de ajustamento, transtorno do humor, transtorno de ansiedade, transtorno dissociativo, transtorno por uso de substâncias. É descrita como um transtorno crônico ou como uma vulnerabilidade crônica devido a defeitos constitucionais. Nervos é um estado semelhante à doença dos nervos, encontrado em indivíduos que falam diferentes dialetos do inglês. Nevra é um estado semelhante à doença dos nervos, encontrado em pessoas de origem grega.

Doping
Definido pelo Comitê Olímpico Internacional e pela Federação Internacional de Atletas Amadores como o uso ou distribuição de substâncias que podem melhorar artificialmente as condições físicas e mentais do atleta e, portanto, seu desempenho atlético.
As substâncias que têm sido usadas com este fim são inúmeras e incluem vários esteróides, estimulantes, beta bloqueadores, anti-histamínicos e opióides. Testes de rastreamento oficiais para detecção de doping têm sido feitos nos Jogos Olímpicos desde 1968 e são atualmente uma prática habitual em vários esportes profissionais e amadores em muitos países.
No final do século XIX, um exemplo de doping era a ministração de substâncias psicoativas a cavalos de corrida, para alterar seu desempenho e “dopado” passou a ser usado para descrever uma pessoa cujos sentidos estivessem aparentemente embotados, como sob efeito de drogas. Na gíria, o termo “dopado” tem sido utilizado para se referir a qualquer substância

Dosagem de drogas
Análise de fluidos corporais (sangue, urina ou saliva), cabelos ou outros tecidos para verificar a presença de uma ou mais substâncias psicoativas.
Os testes são usados para monitorizar a abstinência de substâncias psicoativas em participantes de programas de reabilitação de drogas, para monitorizar o uso furtivo de drogas por pacientes em terapia de manutenção e em empregos condicionados à abstinência destas substâncias.

Dose padrão
Volume de bebida alcoólica (p.ex., um copo de vinho, uma lata de cerveja, ou um coquetel que contém destilados) que contém aproximadamente as mesmas quantidades (em gramas) de etanol, independente do tipo de bebida. O termo é geralmente utilizado para educar usuários de álcool sobre efeitos similares associados com o consumo de diferentes bebidas alcoólicas, servidas em copos ou em recipiente de tamanho-padrão (p.ex., os efeitos de um copo de cerveja são equivalentes aos de uma taça de vinho).
No Reino Unido, é empregado o termo “unidade” (aproximadamente 8-9 g de etanol); na literatura norte-americana, “uma dose” contém cerca de 12 g de etanol. Em outros países, as quantidades de álcool escolhidas para se aproximarem de uma dose padrão podem ser maiores ou menores, dependendo dos costumes locais e do acondicionamento da bebida.

Droga sensibilizadora ao álcool
Um agente terapêutico prescrito para ajudar na manutenção da abstinência do álcool por meio da produção de efeitos colaterais desagradáveis, se o álcool for ingerido. Os compostos comumente em uso inibem a aldeidodesidrogenase, a enzima que cataliza a oxidação do acetaldeído. A conseqüente acumulação do acetaldeído causa a síndrome de rubor facial, náusea e vômito, palpitações e tontura. Exemplos de drogas sensibilizadoras incluem o dissulfiram (Antabuse) e a carbamida de cálcio.

Droga
Termo de uso variado. Em geral, refere-se a qualquer substância com o potencial de prevenir ou curar doenças ou aumentar o bem-estar físico ou mental. Em farmacologia, refere-se a qualquer agente químico que altera os processos bioquímicos e fisiológicos de tecidos ou organismos.
Portanto, droga é uma substância que é, ou pode ser, listada numa farmacopéia. Na linguagem comum, o termo se refere especificamente a drogas psicoativas e em geral ainda mais especificamente às drogas ilícitas, as quais têm um uso não médico além de qualquer uso médico.
As classificações profissionais (p.ex., “álcool e outras drogas”) freqüentemente procuram fazer com que a cafeína, o tabaco, o álcool e outras substâncias de uso habitual não médico sejam também enquadradas como drogas, na medida em que elas são consumidas, pelo menos em parte, por seus efeitos psicoativos.

Duplo diagnóstico
Um termo genérico que se refere à comorbidade ou à concomitância no mesmo indivíduo de um transtorno por uso de substâncias psicoativas e outro transtorno psiquiátrico. Tais indivíduos são algumas vezes conhecidos como doentes mentais que abusam de substâncias químicas.
Menos comumente o termo se refere à ocorrência simultânea de dois transtornos psiquiátricos, não envolvendo o uso de substâncias psicoativas. O termo também tem sido aplicado à concomitância de dois transtornos por uso de substâncias (Ver Uso de Múltiplas Drogas).
O uso deste termo não traz implicações sobre a natureza da associação entre as duas condições ou de qualquer relação etiológica entre elas. Sinonímia: comorbidade.

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