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9/01/2014

Os Sentimentos do Dependente Químico

A
Agressividade
Agressão é um ato que prejudica ou lesa outro(s) intencionalmente. Ainda é um tema controverso se esse comportamento de causar danos a alguém é devido à existência de um instinto ou se é resultante de múltiplas determinações motivacionais e circunstanciais. Na espécie humana, além da agressão capaz de causar lesão corporal, existem vários tipos de agressão: dirigida, verbal, deslocada, etc. definidas por critérios de classificação jurídicos ou oriundos de diversas disciplinas científicas. Segundo definição da Organização Mundial da Saúde, considera-se agressão como o uso de força ou poder, real ou apenas ameaçado, contra si próprio, contra outra pessoa, ou contra um grupo ou uma comunidade, que resulte ou tenha possibilidade de resultar em lesão, morte, dano psicológico, deficiência de desenvolvimento ou privação. O dependente é de forma geral agressivo, principalmente quando se vê privado da droga de preferência, sem dinheiro, quando confrontado, questionado ou mesmo censurado.
Ambivalência
É um estado de ter, simultaneamente, sentimentos conflitantes perante uma pessoa ou coisa. De outro modo, ambivalência é a experiência de ter pensamentos e emoções simultaneamente positivas e negativas em relação a alguém ou alguma coisa. Um exemplo comum de ambivalência é o sentimento de amor e ódio por uma mesma pessoa. Pode também ser entendido como o conflito entre prazer e culpa no uso de drogas.
Angústia
Forte sensação psicológica, caracterizada por "abafamento", insegurança, falta de humor, ressentimento e dor. Na psiquiatria é considerada uma doença que pode produzir problemas psicossomáticos. A angústia é também uma emoção que precede algo (um acontecimento, uma ocasião ou circunstância). É muito comum por exemplo quando o dependente chega à casa e tem que interagir com os familiares sempre tentando ocultar o vício, quando percebe que a droga está acabando no meio da noite, quando lhe falta o dinheiro para comprar ou quando o efeito do uso diminui ou acaba, fazendo com que se sinta angustiado por mais droga.
Ansiedade
É uma característica biológica do ser humano, que antecede momentos de perigo real ou imaginário, marcada por sensações corporais desagradáveis, tais como uma sensação de vazio no estômago, coração batendo rápido, medo intenso, aperto no tórax, transpiração, e outras alterações associadas à disfunção do sistema nervoso autônomo. É muito comum em dependentes químicos principalmente quando o uso pesado já levou ao aparecimento de neuroses diversas.
Apatia
A apatia é a falta de emoção, motivação ou entusiasmo. É um termo psicológico para um estado de indiferença, no qual um indivíduo não responde aos estímulos da vida emocional, social ou física. A apatia clínica é considerada depressão no nível mais moderado e diagnosticado como transtorno dissociativo de identidade no nível extremo. O aspecto físico da apatia se associa ao desgaste físico, enfraquecimento dos músculos e a falta de energia chamada letargia, que tem muitas causas patológicas também. Aparece na dependência química em geral após o uso prolongado, a privação de sono e quando passam os efeitos do consumo.
Arrogância
É o sentimento que caracteriza a falta de humildade. É comum conotar a pessoa que apresenta este sentimento como alguém que não deseja ouvir os outros, aprender algo de que não saiba ou sentir-se ao mesmo nível do seu próximo. São sinônimos, o orgulho excessivo, a soberba, a altivez, o excesso de vaidade pelo próprio saber ou o sucesso. Qual é o viciado que não acha que tem tudo sobre controle? Que não é viciado, que para quando quiser, que não aceita conselhos ou censura, que acha que com ele nunca acontecerá nada de mal?
Auto piedade          
É o sentimento de pena de si mesmo diante de um evento estressante. É um sentimento associado ao auto conforto com importante papel nas relações humanas. Pode envolver desde um comportamento breve, ocasional e transitório como comer doces após um dia estressante até um traço de personalidade central expressado mesmo sem provocação ou diante de percepções distorcidas e que causa sofrimento a si e aos outros mas é mantido por um ganho secundário. No caso das drogas basicamente está relacionado a preservar o vício e a continuidade do uso. Crises de abstinência muitas vezes são manipuladas como doenças outras; é o coitadinho que não se sente bem, que é frágil, debilitado e por ai vai.
Avareza
A avareza é o apego excessivo e descontrolado pelos bens materiais e pelo dinheiro. A avareza conduz à idolatria, que significa tratar algo, que não é Deus, como se fosse. É sinônimo de ganância, ou seja, é a vontade exagerada de possuir qualquer coisa. No caso do drogado a droga é o centro de tudo em sua vida e para obtê-la e usá-la tudo se justifica.

Aversão
É um tipo de franca agressão, que pode se manifestar pela violência física ou psicológica, é explicita, isto é, concretiza-se, por exemplo, em espancamentos, ataques à autoestima, humilhações. É muito comum quando o dependente despreza a família em favor da droga, onde ocorrem brigas muitas vezes violentas para conseguir dinheiro, quando vende objetos da casa, etc.

8/27/2014

Uso Nocivo de Substâncias, Neurobiologia e Ideologia

John C. M. Brust
Department of Neurobiology, Harlem Hospital Center and Columbia University (New York)
Arch Neurol 1999; 56: 1528-31.

Mesmo tendo sido publicado há anos, o presente artigo permanece atual. O trabalho de John Brust revisa a neurobiologia da intoxicação e da dependência das principais substancias psicoativas. As bases neurobiológicas da dependência química, na opinião de Brust, deixam claro que a mesma pode ser considerada e tratada como uma doença.

No entanto, ressalta que tais descobertas ainda não deixaram o meio acadêmico e os centros mais desenvolvidos: a mentalidade da maior parte da sociedade, que ainda insiste em tratar as drogas como uma questão preponderantemente moral.

O autor começa o artigo apresentando as linhas gerais de sua abordagem: "O termo uso nocivo de substancias psicoativas se refere ao uso recreativo de uma droga, apesar de seus efeitos danosos potenciais. Dependendo da substancia, seu consumo pode produzir dependência física ou psíquica, tolerância e sensibilização. Somado a isso, seus usuários estão sujeitos a complicações neurológicas, tais como traumas, infecções, derrames, convulsões, déficits cognitivos e lesões fetais. Fatores genéticos deixam alguns indivíduos ainda mais susceptíveis ao uso nocivo de substancias psicoativas. A farmacoterapia disponível até o momento é efetiva apenas para alguns tipos dependências (álcool e tabaco), inexistente para a maioria e totalmente eficaz para nenhuma delas."
FIGURA 1: A ação das principais substâncias sobre o sistema de recompensa. Apesar de possuírem naturezas diferentes (estimulante, sedativa ou alucinógena), a capacidade de uma droga levar um indivíduo à dependência passa sempre pelo sistema de recompensa. NIDA.

OPIÁCEOS

A dependência psíquica se refere ao uso recreativo com compulsividade (fissura). Em contraste, a dependência física se caracteriza pela presença de sinais e sintomas de abstinência após a cessação do uso. A dependência física pode existir sem a dependência psíquica (por exemplo, usuários de morfina que a utilizam para o tratamento da dor) e vive-versa. Tal dissociação entre sintomas físicos e psíquicos acontece devido à ação dos opiáceos em duas regiões distintas do cérebro.

A dependência psíquica aos opiáceos envolve o sistema mesolímbico-mesocortical ou sistema de recompensa. Esse sistema possui neurônios dopaminérgicos, localizados na área tegmental ventral, que se projetam para o nucleus accumbens, córtex pré-frontal e outras áreas do sistema límbico (relacionado à emoção). 

Esse circuito de recompensa está provavelmente envolvido na dependência a qualquer tipo de droga. Os opiáceos ativam o sistema de recompensa ao menos de duas maneiras: [1] bloqueando o sistema GABA, que normalmente inibe o sistema de recompensa, aumentando assim a descarga de dopamina dentro do circuito; [2] o sistema opióide ativa diretamente o sistema de recompensa.


FIGURA 2: Distribuição dos receptores opióides pelo organismo e sua relação com o sistema de recompensa

A principal estrutura envolvida na dependência física dos opiáceos é olocus coeruleus. Agindo sobre os receptores opióides tipo um (m ), os opiáceos inibem pronta e repentinamente o locus coeruleus. Com o uso crônico, o organismo se adapta a esta inibição, diminuindo o número e a sensibilidade dos receptores aos quais os opiáceos se ligam. 

Ao mesmo tempo, para compensar a perda da sensibilidade dos receptores, o locus coeruleus torna-se mais sensível a qualquer estímulo vindo do sistema opióide. Essas neuroadaptações são as responsáveis pelo surgimento da dependência física. Quando o usuário de opiáceos fica sem a substancia, o locus coeruleus, sensibilizado, secreta noradrenalina em grandes quantidades. A noradrenalina estimula os órgãos autônomos do corpo, tais como o coração e os intestinos. 

O resultado é um quadro de mal-estar físico e psíquico marcado por tremores, suor excessivo (sudorese), aceleração dos batimentos do coração (taquicardia), aumento da temperatura, diarréia, sensação de pânico, inquietação motora e sintomas de alucinação e desorientação. Outros sedativos como o álcool e os calmantes (barbitúricos e benzodiazepínicos) também atuam sobre o sistema opióide, motivo pelo qual também são capazes de ocasionar dependência física em seus usuários.


FIGURA 3: Locus coeruleus. 

COCAÍNA

Tolerância é a necessidade de doses crescentes da droga para atingir o efeito desejado ou para evitar sintomas de abstinência. Ao contrario, a sensibilização ou tolerância reversa é um tipo de "aprendizado implícito", aumenta a sensibilidade do organismo para alguns efeitos da droga. Ela está envolvida também, nas memórias emocionais da experiência positiva com a droga, que leva ao uso continuo ou predispõe a recaída.

Tal como a dependência física, a tolerância é uma adaptação compensatória . A cocaína aumenta a dopamina na sinapse do sistema de recompensa por meio do bloqueio de sua recaptação. No nucleus accumbens os receptores dopaminérgicos tipo 2 (D2) causam euforia, enquanto os receptores tipo 1 (D1) inibem tal efeito. Frente à presença constante da cocaína no cérebro, ocorre um aumento dos receptores D1 e redução dos receptores D2. Isso dificulta a ação euforizante da cocaína e faz com o usuário se veja forcado a aumentar a dose para obter o mesmo efeito de antes (tolerância).


FIGURA 4: A cocaína age diretamente sobre o sistema de recompensa, bloqueando a recaptação de dopamina.NIDA.

FIGURA 5: Distribuição dos receptores canabinóides pelo organismo e sua relação com o sistema de recompensa. NIDA. 

A sensibilização ou tolerância reversa tem um papel crucial no desenvolvimento da dependência da cocaína. Ela se manifesta por meio do aumento da sensibilidade do cérebro para alguns efeitos da droga, tais como psicose, tiques, inquietação motora e convulsões. Durante a abstinência, a sensibilizarão se torna evidente e aparece na forma de fissura. A fissura é desencadeada por fatores ambientais e internos. Ela se manifesta na forma de respostas intensas, de natureza física e psíquica, frente à lembrança do consumo da droga.

A base fisiológica da sensibilização envolve múltiplos níveis do sistema de recompensa. Na área tegmental ventral há redução da sensibilidade dos receptores encarregados de inibir a secreção de dopamina. Há, ainda, aumento da sensibilidade dos receptores do sistema glutamato (excitatórios).

No nucleus accumbens há aumento da sensibilidade à presença da dopamina e diminuição da atividade da bomba de recaptação. Tudo isso ocorre porque o cérebro já havia se adaptado à presença constante da cocaína, que passou a ser a principal estimuladora da presença de dopamina na sinapse. Com a abstinência, porém, o organismo se vê empobrecido desse neurotransmissor. Para compensar a faltar, torna-se ávido e mais sensível à presença da dopamina. Isso causa o mal-estar físico e psíquico da fissura e o desejo incomensurável pelo consumo da substancia.

MACONHA

A maconha, obtida de uma planta denominada cânhamo (Cannabis sativaou Cannabis indica), contem um grande número de compostos canabinóides. Entre esses, o Δ-9-tetraidrocanabinol (THC) é o seu principal agente psicoativo.

Durante a última década, foi descoberto no cérebro dos mamíferos, um sistema de neurotransmissão cujos receptores e neutransmissores eram semelhantes aos canabinóides da maconha. Dois tipos de receptores foram descobertos: os receptores canabinóides tipo 1 (CB1), largamente distribuídos pelo hipocampo, córtex associativo, cerebelo e nucleus da base, e os receptores canabinóides tipo 2 (CB2), presentes nas células do sistema imunológico, em especial os linfócitos B, linfócitos T e nos monócitos. 

Os receptores canabinóides são capazes de inibir os sistemas de neurotransmissão da acetilcolina, da noradrenalina e glutamato, além de algumas funções do sistema imune. O neurotransmissor do sistema canabinóide é a anandamida (araquidoniletanolamida). O nome deriva do sânscrito: ananda (prazer) era como os antigos hindus denominavam o cânhamo.

Ratos geneticamente modificados, sem receptores CB1, não apresentaram os efeitos normalmente observados durante a intoxicação pelo THC, tais como diminuição da atividade motora, analgesia, hipotensão e hipotermia. 

A capacidade de o THC provocar reforço ao consumo (e conseqüentemente dependência) foi demonstrada em alguns estudos, apesar do achado não ser consensual. Os sintomas de abstinência em estudos humanos foram considerados brandos ou inexistentes, provavelmente devido à eliminação lenta da substancia. O THC aumenta a concentração de dopamina no nucleus accumbens. Os receptores CB1 são capazes de ativar o sistema opióide endógeno na área tegmental ventral, que por sua vez estimula a liberação de dopamina no sistema de recompensa. Essa é provavelmente a base neurobiológica da dependência da maconha.

FENCICLIDINA (PCP) E QUETAMINA

Apesar do declínio do uso recreativo do PCP nos Estados Unidos e na Europa, principalmente após o aparecimento do crack nos anos oitenta, este ainda pode ser encontrado no mercado ilícito.

A fenciclidina e outros compostos ariciclohexamina-análogos (entre eles a quetamina) possuem propriedades clínicas e farmacológicas que os distinguem de outras substâncias psicoativas. Dependendo da dose em que são utilizados, podem causar sintomas de euforia ou depressão. Doses elevadas desencadeiam sintomas similares à esquizofrenia. A fenciclidina bloqueia a recaptação de dopamina, serotonina e noradrenalina, potencializando a ação desses neurotransmissores na sinapse. A psicose, porém, esta relacionada à ação da droga sobre o sistema glumatamato. O reforço ao consumo de fenciclidina deriva de sua ação direta sobre o sistema de recompensa no nucleus accumbens.

ÁLCOOL

Até há pouco tempo, achava-se que a ação do álcool sobre o cérebro era de natureza generalizada e inespecífica. As evidencias acumuladas, no entanto, indicam que o álcool age seletivamente sobre os sistemas de neurotransmissão.

O sistema GABA é o principal sistema de neurotransmissão responsável pela inibição da atividade cerebral. O álcool ativa esse sistema, ocasionando um quadro de euforia em doses baixas e incoordenação motora e sedação em doses elevadas. A neuroadaptação do sistema GABA a ação prolongada do álcool provoca tolerância. Os benzodiazepínicos, que também possuem ação gabaérgica, são eficazes no tratamento dos sintomas da síndrome de abstinência do álcool, mas não no tratamento da dependência.

O desenvolvimento da dependência do álcool não passa pelo sistema GABA. O álcool é capaz de estimular o sistema opióide endógeno na área tegmental ventral, levando à liberação de dopamina no nucleus accumbens. A ação opióide sobre o sistema de recompensa explica o quadro de euforia e dependência induzido pelo álcool.



Figura 6: O sistema GABA e o sistema glutamato são responsáveis pela inibição e excitação do sistema nervoso central respectivamente. À esquerda, um receptor GABA tipo A (GABA-A), que pode ser estimulado pelo álcool, barbitúricos e benzodiazepínicos. À direita, um receptor de glutamato (NMDA e GLU). A glicina (GLY) potencializa a ação dos neurotransmissores. O álcool é capz de bloquear sua ligação, piorando o desempenho desse sistema. 

O sistema glutamato é o principal sistema excitatório do organismo. Seus receptores, além do glutamato (NMDA), também permitem a ligação com a glicina. A presença da glicina facilita a despolarização da membrana pelo glutamato. O álcool bloqueia a ligação da glicina a esses receptores. Isso diminui o efeito excitatório deste sistema. A redução do potencial excitatório provoca aumento da secreção de dopamina no sistema de recompensa. O déficit do sistema glutamato também prejudica a memória de curta duração. Esse é provavelmente a base neurobiológica para a amnésia alcoólica ou blackouts.

Para compensar o bloqueio dos receptores de glutamato, há proliferação e aumento da sensibilidade dos mesmos. Isso será responsável pelos sintomas de hipersensibilidade notados durante a abstinência, tais como convulsões e delirium tremens. As mesmas neuroadaptações podem estar relacionadas a outras complicações, tais como a síndrome de Wernicke-Korsakoff, a atrofia cerebral não-nutricional, a degeneração do cerebelo e a síndrome alcoólica fetal.

DOENÇA, CULTURA MÉDICA E PRECONCEITO SOCIAL

Os anos noventa ficaram conhecidos como a década do cérebro. Houve um extraordinário avanço na pesquisa e no entendimento da neurobiologia e da ação farmacológica das substâncias psicoativas nos circuitos neuronais e na bioquímica celular. Apesar da grande variedade, as drogas de abuso possuem ações farmacológicas semelhantes, em especial sobre o sistema de recompensa. O entendimento completo das propriedades positivas de reforço das drogas para o surgimento da dependência química está muito próximo. 

Se há uma base neurobiológica para a dependência química, significa que se trata de uma doença. Uma doença, por sua vez, requer um tratamento específico. No entanto, o uso de substâncias psicoativas continua a ser tratado como uma fraqueza moral passível de punição penal. Nos Estados Unidos, se gasta mais com interdições do que com tratamento e a construção de prisões ultrapassa a de escolas. 

Durante o ano de 1998, o prefeito de Nova Iorque tentou fechar todos os centros de tratamento de manutenção de metadona sob sua jurisdição. Essa postura ideológica encontra-se fortemente arraigada à mentalidade contemporânea, que por ora mostra-se indiferente ao novo modelo de doença neurobiológica proposto pelos pesquisadores nessa última década.

Metanfetaminas...Para quem gosta de cair de boca...



O uso de metanfetamina, droga que estimula o sistema nervoso central, é altamente viciante e pode trazer graves efeitos colaterais, destruindo a saúde física e mental dos usuários. Independente de serem jovens, idosos, mulheres ou homens, ninguém está imune às consequências, que envolvem desde a perda de músculos a fortes alucinações. O uso de metanfetamina foi proibido em vários países, inclusive no Brasil. Um dos efeitos que essa droga faz no corpo é visto claramente nos “dentes e gengivas”. O esmalte dos dentes é visivelmente danificado com substâncias químicas da droga, e a falta de higiene é frequente entre usuários. Além disso, os vasos sanguíneos na região das gengivas tendem a encolher, o que diminui a produção de saliva e leva ácidos prejudiciais a danificarem a boca. Veja a seguir uma galeria de fotos de pessoas viciadas em metanfetamina, algumas são impressionantes.

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8/25/2014

Fumaça da maconha tem mais tóxicos que a de tabaco

 Um estudo divulgado nesta semana traz mais uma evidência de que maconha não é inofensiva, em relação ao cigarro. Pesquisadores canadenses compararam a fumaça da Cannabis com a de tabaco e descobriram que a primeira contém mais substâncias tóxicas, algumas delas carcinogênicas. 

Os cientistas, liderados por David Moir, do Programa de Controle de Tabaco, encontraram na fumaça inalada de maconha uma quantia de amônia igual à de 20 cigarros. Os níveis de cianeto de hidrogênio e de óxido nítrico - que afetam coração e pulmões - apareceram em concentrações três a cinco vezes superiores. 

Os pesquisadores se motivaram a levantar esses dados depois de perceberem que a porcentagem de jovens entre 15 e 24 anos do país que fumam maconha diária ou ocasionalmente vem crescendo nos últimos anos, enquanto a dos que fumam cigarro vem caindo. 

Em parte, isso pode ocorrer porque os malefícios do tabaco são muito mais bem conhecidos e divulgados - como o fato de conter 4.000 substâncias químicas, sendo 50 delas consideradas cancerígenas. “Havia uma falta de trabalhos que examinassem comparativamente os dois produtos”, escreveu a equipe na revista “Chemical Research Toxicology”. 

Ao analisarem a fumaça de cigarro e de maconha tanto do ponto de vista químico quanto toxicológico, eles encontraram no segundo pelo menos 20 substâncias tóxicas e concluíram que a maconha é tão ou mais prejudicial à saúde que o cigarro. Para isso eles usaram uma espécie de robô-fumante, que inalava a fumaça. O material era examinado a seguir. 

Os pesquisadores também testaram a fumaça que sai diretamente da brasa - e é inalada por quem está por perto do fumante por exemplo. Nela também foram encontradas amônia, e outras substâncias. 

Seus níveis tóxicos, no entanto, ficaram abaixo do detectado na fumaça inalada, porque nesta o calor do cigarro interfere nas reações químicas. 

“A confirmação da presença de conhecidos carcinogênicos e outros produtos químicos ligados a doenças respiratórias tanto na fumaça inalada quanto na que sai da brasa dos cigarros de maconha é uma importante informação para a saúde pública”, concluíram os autores.

Maconha

Muito se fala em drogas, mas como saber o que é droga? Tudo depende do objetivo que se deseja atingir e as formas de uso. Seria a maconha um mal absoluto ou poderia ser usada para fins benéficos como remédio ou como matéria prima para a indústria textil? Muito tem que se discutir sobre isso. Não podemos agir precipitadamente, mas sabemos de antemão que os efeitos da planta no organismo são avassaladores. Apresentamos aqui uma abordagem técnica da planta e uma análise social do seu uso, bem como seus efeitos no homem.
Descrição da Planta
Canabis Sativa
Nome: Maconha
Origem do Nome: Do Quimbundo MA’KAÑA, que significa erva santa
Nome Cientifico: Cannabis sativa (leia-se: kânabis sativa)
Família: Cannabaceae
Origem: Ásia Central
Formas de Uso: Pode ser usada como fumo ou por ingestão
Principio ativo: THC (Tetrahidrocanabinol)
Descrição: Planta arbustiva, possui folhas em forma serrilhada e verdes. Pode atingir até 2,50 metros de altura.
Status Legal: uso proibido, tráfico e comércio.
A maconha (palavra de origem angolana) é uma das drogas extraídas de plantas mais antigas, os registros mais remotos datam de 2723 a.C., quando foi mencionada na farmacopeia chinesa. Outras informações históricas evidenciam a existência da maconha em uma cerâmica com marcas da fibra do vegetal encontrada há mais ou menos 4.000 a.C. no norte da China central.
Difundiu-se gradualmente para a Índia, Oriente médio, chegando a Europa somente nos fins do século XVIII e início do XIX, passando pelo norte da África e atingindo as Américas. Até então, era utilizada principalmente por suas propriedades têxteis e medicinais. Os romanos valorizam a planta principalmente por causa das resistentes cordas e velas para navio produzidas com sua fibra.
Após a viagem de Vasco da Gama, navegadores portugueses introduziram na África e na Ásia o tabaco. Em troca, seus navios trouxeram escravos acostumados a fumar maconha para o Brasil. Aqui ela também foi utilizada para produção de fibras, na mesma época, nos Estados Unidos, George Washington, Thomas Jefferson e fazendeiros importavam da Europa a semente para o plantio.
As carroças dos pioneiros na conquista do oeste americano eram protegidas com lonas feitas a partir das fibras da maconha. Navios portugueses, espanhóis, holandeses, franceses e ingleses dependiam tanto das velas e cordas de maconha que seus governos espalharam sementes da planta por todo o planeta.
Até o século XX a maconha era mais famosa nas Américas como fibra têxtil e como planta medicinal. De meados do século XIX até os anos 40 a maconha constava na farmacopeia oficial de vários países. Remédios à base de maconha estavam disponíveis em qualquer farmácia. No ocidente a maconha começou a ser usada como psicotrópico por escritores e artistas no século XIX, como os poetas franceses Rimbaud e Baudelaire, mas sua utilização restringia-se a pequenos círculos boêmios das grandes cidades e as colônias de imigrantes asiáticos e africanos.
Em meados do século XX os cientistas identificaram os efeitos colaterais da maconha e seu uso acabou restringido ou excluído nas farmacopeias, sendo proibido por lei em vários países. O consumo da maconha, entretanto, passou a ser disseminado no mundo nos anos 60. A difusão do Rock e de Woodstock, bem como o avanço hippie em muito colaborou para que a maconha se espalhasse pelos Estados Unidos e fosse disseminada para o mundo todo.
Seu uso era frequente entre as classes mais baixas e mais tarde foi difundido entre os jovens de todas as classes. Na década de 1960 a maconha era usada em shows de rock, juntamente com outras drogas e atingiu grande abrangência entre os jovens, sendo inclusive usada por soldados americanos na Guerra do Vietnã.
No Brasil a droga é usada pela população jovem de classe baixa, média e alta. Nos últimos anos as estatísticas mostram que a maconha está sempre entre as drogas ilícitas mais consumidas pelos jovens estudantes colegiais e universitários.
A maconha é usada como fumo, das folhas e algumas vezes de flores da planta. Também o haxixe, uma outra forma de narcótico é proveniente da maconha com a diferença de que utiliza a resina que cobre as flores e as folhas da parte superior da planta. É um extrato, e por isso o haxixe é muitas vezes mais potente que a maconha comum.
Há algum tempo surgiu uma nova variedade de maconha, chamada "skunk" ou "supermaconha". O skunk é produzido em laboratório com variedades de cânhamo cultivados no Egito, Afeganistão e Marrocos, apresentando um teor de THC ou seja tetrahidrocanabinol, o composto químico responsável princípio tóxico ativo da maconha, de até 33%. Seus efeitos são dez vezes mais potentes que os da maconha comum. No Brasil, o consumo do skunk está crescendo.
São mais de 60 substâncias que se encontram presentes na maconha, chamadas pelo nome genérico de canabinóides. O tetrahidrocanabinol é a substância preponderante e o principal princípio ativo da maconha. Sua concentração pode ser de 1% a 5% na maconha comum e de até 33% no skunk.
1-Cortéx Frontal: Controla o comportamento. A euforia tem origem aqui.
2-Núcleo Acumbens: Pode sediar o mecanismo que causa dependência.
3-Hipocampo: É o setor que guarda informações. Se atingido perde-se a memória.
4-Cerebelo: Responde às alterações da coordenação motora.
Quando um psicotrópico chega ao cérebro, estimula a liberação de uma dose extra de um neurotransmissor, provocando as sensações de prazer. À medida que o uso vai se prolongando, o organismo do usuário tenta se ajustar a esse hábito.
O cérebro adapta seu próprio metabolismo para absorver os efeitos da droga. Cria-se, assim, uma tolerância ao tóxico. Desse modo, uma dose que normalmente faria um estrago enorme torna-se em pouco tempo inócua.
O usuário procura a mesma sensação das doses anteriores e não acha. Por isso, acaba aumentando a dose, para obter o mesmo efeito. A dependência vai assim se agravando continuamente. Como o psicotrópico imita a ação dos neurotransmissores, o cérebro deixa de produzi-los. A droga se integra ao funcionamento normal do órgão. E quando falta o “impostor” químico, o sistema nervoso fica abalado. É o que popularmente se conhece como a síndrome da abstinência da droga.
Os neurotransmissores são substâncias químicas capazes de transmitir um sinal elétrico de um neurônio a outro. Assemelham-se a um eletrólito de bateria, o qual permite que a corrente elétrica circule pelas placas. Depois de retransmitir o sinal elétrico o neurotransmissor normalmente é reabsorvido, para não ficar estimulando indefinidamente os outros neurônios, permitindo que eles possam reagir rapidamente a novas exigências.
As drogas que provocam euforia, como a cocaína, impedem essa reabsorção, de modo que o cérebro fica superativado. Não é difícil perceber o estrago que essa intervenção antinatural pode provocar, quando se sabe que num minuto ocorrem trilhões de trocas neuroquímicas no cérebro. Não é sem razão que muitos especialistas em drogas chamam esse estado de "prazer espúrio". Os especialistas costumam dividir as drogas em dois tipos: leves e pesadas.
Drogas leves são as que causam "dependência psíquica", que significa o desejo irrefreável de consumir a droga. Drogas pesadas são aquelas que além da dependência psíquica causam também a física, ou seja, a sua falta acarreta uma síndrome de abstinência tão violenta, com sintomas físicos tão dolorosos, que o viciado procura desesperadamente pela droga a fim de aliviar a ânsia de consumo. Por essa razão, fumo e álcool podem ser considerados como drogas pesadas, apesar de serem socialmente aceitas.
Ao chegar na corrente sanguínea, a maconha passa por todos os tecidos do organismo. As sensações experimentadas variam com o teor de Delta 9THC das preparações (que varia de acordo com a parte da planta utilizada e o modo como são preparadas), via de introdução e absorção do Delta 9THC. Os efeitos variam muito de indivíduo para indivíduo e dependem da personalidade e mesmo do grau de experiência do indivíduo no uso da droga.
A curto prazo, os efeitos comportamentais típicos são:
·         Período inicial de euforia (sensação de bem-estar e felicidade, seguido de relaxamento e sonolência);
·         Quando em grupo, ocorrem risos espontâneos;
·         Risos e gritos imoderados como reação a um estímulo verbal qualquer;
·         Perda da definição de tempo e espaço: o tempo passa mais lentamente (um minuto pode parecer uma hora ou mais), e as distâncias são calculadas muito maiores do que realmente são (um túnel de 10 metros de comprimento por exemplo pode parecer ter 50 ou 100 metros).
·         Coordenação motora diminuída: perda do equilíbrio e estabilidade postural;
·         Alteração da memória recente;
·         Falha nas funções intelectuais e cognitivas;
·         Maior fluxo de ideias;
·         Pensamento mais rápido que a capacidade de falar, dificultando a comunicação oral, a concentração, o aprendizado e o desenvolvimento intelectual;
·         Ideias confusas;
·         Aumento da frequência cardíaca (taquicardia);
·         Hiperemia das conjuntivas (olhos vermelhos);
·         Aumento do apetite (especialmente por doces) com secura na boca e garganta.
Doses mais altas de podem levar a:
·         Alucinações, ilusões e paranoias;
·         Pensamentos confusos e desorganizados;
·         Despersonalização;
·         Ansiedade e angústia que podem levar ao pânico;
·         Sensação de extremidades pesadas;
·         Medo da morte;
·         Incapacidade para o ato sexual (até impotência).
A longo prazo, a extensão dos danos, bem caracterizados, se restringem ao sistema pulmonar e cardiovascular.
·         Maior risco de desenvolver câncer de pulmão;
·         Diminuição das defesas, facilitando infecções;
·         Dor de garganta e tosse crônica;
·         Aumenta os riscos de isquemia cardíaca.
A mulher que amamenta passa as toxinas da droga para a criança através do leite materno.
O consumo da maconha começou a subir na década de 1960-70 chegou ao ápice em 1979 depois caiu, voltando a avançar em 1994. Nos EUA em 1992, 4% da população usava maconha. Avaliações feitas pela OMS, indicam que em 1997 o número de usuários de maconha era de 140 milhões de pessoas. A OMS afirma ainda que o uso da maconha tende a aumentar.
A recuperação de viciados da maconha não se difere muito da forma de recuperação de outros viciados. Acontece ainda que geralmente um viciado em maconha, que é uma droga de poder moderado, também é viciado em outras drogas como a cocaína e álcool.

A dependência é considerada como doença e cada caso é um caso único a ser tratado. As atividades de recuperação de viciados concentram-se em clinicas especializadas, onde o viciado não tem contato com a droga. Os doentes passam por uma análise histórica e depois são tratados e acompanhados por psicólogos, psiquiatras e conselheiros. Há também as clínicas localizadas no campo em forma de comunidades. 

8/23/2014

A posição do Budismo em relação às bebidas alcoólicas
Vivemos em uma sociedade onde, de forma explícita ou implícita, o consumo de bebidas alcoólicas é estimulado e visto com grande simpatia. O consumidor contumaz dessas bebidas inebriantes é visto como um sujeito simpático, alegre, sociável e engraçado.
Mesmo com as tentativas hipócritas de disfarçar (como o “beba com moderação”), o que a mídia vive pregando é “ficar bêbado é legal, é engraçado, não é uma coisa muito séria”. As propagandas de cerveja mostram sempre um indivíduo feliz, cercado de belas mulheres, em um ambiente paradisíaco e com muitos amigos.
Se você for a um bar, padaria ou lanchonete depois das 18:00 (o chamado “Happy-Hour”) verá que mais de 90% das pessoas presentes estão consumindo álcool. Se for a uma festa, com toda certeza, terá a oportunidade de ver alguém embriagado. Se sair à noite em um sábado, será quase impossível não encontrar alguém visivelmente alterado pelo consumo de bebidas alcoólicas.
A TV mostra, o tempo todo, o bêbado como um tipo engraçado. É engraçado ver o sujeito falando mole, trançando as pernas e cometendo todo tipo de imbecilidade. O programa “Pânico na TV” recentemente lançou o quadro “Pânico Delivery” onde um imbecil alcoolizado é colocado dentro de uma limusine, com a desculpa de conduzi-lo seguramente ao seu lar, para ser ridicularizado, rebaixado e exposto da forma mais indigna possível.
O bêbado é excitado por duas fulanas seminuas que depois o rebaixam. É submetido a lamber tábuas, fivelas de cinto (para ganhar o beijinho de uma das finíssimas moças de família), dançar, cantar e depois tomar um banho vestido com fantasias das mais ridículas. Claro que todo esse quadro degradante é mostrado como uma pilhéria, algo engraçadíssimo, nada reprovável ou ridículo.
A maioria dos bêbados submetidos a esse tratamento “VIP” são jovens, com idades que variam entre 18 e 30 anos. A cultura da bebida alcoólica é estimulada por uma vida vazia de ideias, vazia de buscas significativas e vazia de sentido. Encher a cara é um modo de anestesiar os sentidos, de esconder a própria insignificância ou a covardia de buscar alçar voos mais altos.
O Budismo condena de forma veemente o uso de bebidas inebriantes. A mente intoxicada e alterada não tem a capacidade de perceber com precisão aquilo que se passa no momento e isso, é matar a oportunidade de se obter sabedoria, compreensão e de se observar adequadamente o que ocorre à sua volta.
Em relação à conduta moral, o álcool é destrutivo pois altera a capacidade de julgamento e de avaliação entre a conduta correta e a incorreta. Dois ou três copos de bebida alcoólica são suficientes para destruir o seguimento da Nobre Senda Óctupla.
Uma pessoa embriagada não tem correta compreensão, não consegue formular um propósito correto, não usa sua boca para falar palavras corretas, não tem como ter uma conduta moral correta, não tem capacidade para empreender um esforço correto, não consegue ter atenção correta e muito menos meditar corretamente de que forma seja.
Além disso, quem vende bebida alcoólica não tem um meio de vida correto, assim como quem bebe e estimula os outros a fazerem o mesmo. Em suma, todo o embasamento do Budismo é jogado no abismo por quem se utiliza de bebidas alcoólicas.
Os efeitos da bebida alcoólica sobre a sociedade também são trágicos. Quantas famílias foram desfeitas, quantos indivíduos caíram na indigência, quantos crimes foram cometidos, quantas vidas foram ceifadas graças ao consumo do álcool? É impossível precisar um número, mas deve chegar à casa dos milhões com tranquilidade.
O álcool destrói o corpo, causa centenas de danos no cérebro, no fígado, nos rins, no coração e em muitos outros órgãos. É criminosa a indulgência com que se vê aos jovens se viciando pouco a pouco nesse hábito maldito. É criminoso o pai ou a mãe que se apresentam embriagados perante seus filhos ou que permitem que eles bebam, seja o que for e em que quantidade for.
O alcoolismo deve ser combatido como se combate uma praga, uma desgraça, uma chaga purulenta que ameaça destruir todo o organismo onde se instalou. Não existe nenhuma justificativa racional para o consumo de bebidas alcoólicas. Só o vício e o interesse daqueles que fabricam essa arma de autodestruição justificam seu consumo.
Um Budista deve ser um inimigo implacável contra o uso de inebriantes. O Sutra Upasakasila condena veementemente o uso de álcool e de inebriantes. Aqui também deve ficar claro que é totalmente absurdo se ofertar bebidas alcoólicas em um altar budista. É equivalente a zombar dos ensinos do Buda
O budismo da última novela das 6 (Joia Rara) da Globo, recém acabada, pra variar foi uma bobajada só. O budismo não tem muito a ver com aqueles discursos sobre “somos todos um” ou “paz mundial” – como a maioria foi educada pela TV a pensar. Isso é ideologia da Nova Ordem Mundial adaptada no movimento “Nova Era”, que é uma linha espiritualista, não budista.
Esse estilo apresentado na novela não tem nada a ver com o ensinamento original de Buda. Eu queria ver um monge budista com coragem pra dizer que o ensinamento original de Buda defende, por exemplo, que pessoas que bebem bebidas alcoólicas vão pro inferno. Esse “budismo de propaganda” não passa de lorota pra fascinar adolescente.
Alguns dirão que este budismo é ocidentalizada, que a contracultura o deturpou… Sim. De acordo com o budismo oriental, original, aqueles que não seguem os cinco preceitos dedicados aos seguidores leigos (para os monges, existem 8 ou 10 preceitos), tanto homens quanto mulheres, não podem escapar do inferno, do reino dos fantasmas famintos ou do reino animal (renascer como animal), ou, em resumo, os “destinos infelizes”. Os cinco preceitos são:
1.       Não matar.
2.       Não roubar.
3.       Não consumir embriagantes (bebidas alcoólicas e eu colocaria os alucinógenos no meio).
4.       Não mentir.
5.       Não praticar sexo inapropriado (dentro do contexto da Índia e do Nepal, acredito que o único apropriado seja dentro do casamento).
Especificamente sobre o preceito relacionado aos embriagantes, está escrito assim no cânone: “Eu tomo o preceito de abster-me do vinho, álcool e outros embriagantes que causam a negligência.”
Palavra-chave: negligência.
Em outro sentido, podemos entender a crítica budista contra os embriagantes porque ela vai exatamente na mão contrária do Nobre Caminho Óctuplo, já que a embriaguez é uma sabotagem contra a própria mente: contra a percepção correta, contra a atenção correta, contra o meio de vida correto (que compreende o respeito para com o próprio corpo; a bebida altera o funcionamento do organismo), concentração correta e também do esforço correto. Nesse sentido, a bebida alcoólica vai na contramão de tudo que prega o budismo.
Em um dos seus sermões atribuídos à Buda, ele explica mais:
 “Quando alguém bebe vinho, álcool e outros embriagantes que causam a negligência, então, tendo o beber vinho, álcool e outros embriagantes que causam a negligência como condição, ele produz medo e animosidade no aqui e agora, produz medo e animosidade em vidas futuras, experimenta concomitantes mentais de dor e tristeza mas ao abster-se de beber vinho, álcool e outros embriagantes que causam a negligência, ele nem produz medo e animosidade no aqui e agora, nem produz medo e animosidade em vidas futuras, nem experimenta concomitantes mentais de dor e tristeza: pois naquele que se abstém de beber vinho, álcool e outros embriagantes que causam a negligência, aquele medo e animosidade é dessa forma silenciado.”
Um discípulo leigo (não-monge) só pode dizer que superou o inferno quando supera os efeitos negativos do álcool e de outras práticas.
 “Quando, num nobre discípulo, as cinco formas de medo e animosidade [a respeito dos cinco preceitos] estão silenciadas; quando ele possui os quatro fatores para entrar na correnteza; e quando, através da sabedoria, ele viu claramente e penetrou completamente o nobre método, então se ele quiser poderá afirmar acerca de si mesmo: ‘O inferno foi destruído, os ventres animais foram destruídos; o estado dos fantasmas famintos foi destruído; os estados de privação, os destinos infelizes foram destruídos! Eu entrei na correnteza, não mais destinado aos mundos inferiores, com o destino fixo, tendo a iluminação como destino!’”
Pra ser mais exato, uma pessoa dada a bebidas, segundo o budismo, pode ir para o (a) inferno, o (b) reino dos fantasmas famintos e (c) renascer como um animal.


O Cristão e a Bebida Alcoólica

Durante toda a história as Igrejas Evangélicas tem discutido sobre o consumo de bebidas alcoólicas pelos crentes. As perguntas levantadas são: O cristão pode beber? Se não, por que? Se sim, o que e quando pode beber?

Antes de pensarmos nas possíveis respostas, partiremos do pressuposto que um verdadeiro cristão deseja proceder conforme a Palavra de Deus, pois esta é sua única regra de fé e prática.

Qualquer “achismo”, tradição ou costume deverá ser analisado à luz da palavra de Deus. A Bíblia nos fala muito sobre esse assunto e antes de tomar qualquer decisão precisamos conhecer o que Deus diz sobre o uso de bebidas alcoólicas:

“Não se embriaguem com vinho, que leva a libertinagem, mas deixem-se encher pelo Espírito Santo” (Efésios 5:18).

É importante reconhecermos que as Escrituras não nos dão um mandamento explícito que proíbe o consumo de bebidas alcoólicas. A Bíblia não diz: “Não beberás”! Por outro lado, ela nos proíbe categoricamente quanto a embriaguez, bebedice ou o alcoolismo. Quem está debaixo do controle do álcool não poderá ser controlado pelo Espírito Santo e o estado de embriaguez não glorificará ao Senhor. Lembre-se que a embriaguez só acontecerá com aqueles que se aventuram no uso do álcool. Nenhum abstêmio cairá no pecado da embriaguez. Nenhum abstêmio se tornará um alcoólatra.

Vamos considerar o mandamento referente à embriaguez e o alcoolismo:

  • Gálatas 5:21 – A embriaguez é uma obra da carne e aqueles que praticam essas obras não herdarão o reino de Deus.
  • Efésios 5:18 – A embriaguez produz libertinagem.
  • 1 Coríntios 5:11 – O alcoolismo não é uma característica de um verdadeiro cristão.
  • 1 Coríntios 6:10 – Os alcoólatras são contados entre os perversos e estes não herdarão o reino de Deus.
Um cristão deve se questionar: Tenho certeza que não abusarei do álcool? Alguma vez fiquei embriagado? Meu comportamento e ideias foram afetados pela bebida?

Uma resposta afirmativa a qualquer uma dessas perguntas deve produzir uma reflexão e mudança de comportamento quanto ao consumo de bebidas alcoólicas.

“De quem são os ais? De quem são as tristezas? E as brigas, de quem são? E os ferimentos desnecessários? De quem são os olhos vermelhos? Dos que demoram bebendo o vinho, dos que andam à procura de bebida misturada. Não se deixe atrair pelo vinho quando está vermelho, quando cintila no copo e escorre suavemente! No fim, ele morde como serpente e envenena como víbora” (Provérbios 23:29-32).

Ninguém começa a beber planejando transformar-se em um alcoólatra. As estatísticas, porém, nos revelam que 1 em cada 3 jovens que começam a beber enfrenta problemas com o alcoolismo.

O cristão não deve permitir que “nada” domine sua vida. O apóstolo Paulo nos diz em 1 Coríntios 6:12: 

“Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não deixarei que nada me domine.”

Devemos ser dominados exclusivamente pelo Senhor Jesus e pelo seu Espírito, e portanto devemos fugir de qualquer coisa que nos cause dependência.

O consumo contínuo do álcool obscurece a mente e provoca distúrbios nas funções corporais e podem causar cirrose no fígado e produzir incontáveis desordens físicas. O álcool é um forma terrível de autodestruição. 

Um cristão deve se questionar: Posso ser dominado pela bebida? Sou capaz de passar um bom tempo sem beber? Isso afetará meu comportamento ou humor?

São poucas pessoas que conseguem beber com moderação, sem serem afetadas pelo álcool. Lembre-se que muitos adolescentes e até crianças começam a beber incentivados pelo exemplo e hábitos de seus próprios pais.

"Você começará a ver coisas estranhas e a falar bobagens, coisas sem sentido e sem valor. Você será como quem dorme no meio do mar, como quem se deita no alto das cordas do mastro. E dirá: ‘Espancaram-me, mas eu nada senti! Bateram em mim, mas nem percebi! Quando acordarei para que possa beber mais uma vez?’" (Provérbios 23.23).

A bebida mata e destrói muitas famílias. É verdade que nem todas as pessoas serão mortas pela ação da bebida e que nem todos os lares sofrerão com um membro alcoólatra. Porém, as estatísticas são suficientes para servir de alerta para qualquer cristão comprometido! 

O livro de Provérbios nos alerta quanto ao poder sedutor da bebida e seus efeitos. O álcool influencia a pessoa e lhe dá uma falsa coragem, isso porque ele possui um efeito inibidor/depressivo e sua ação no sangue pode induzir ao sono. Isso porque a ação depressiva do álcool no cérebro e no sistema nervoso central reduz a capacidade mental e física diminuindo a habilidade para a realização de tarefas mais complexas como, por exemplo, conduzir um veículo. 

Grande parte dos acidentes de trânsito ocorridos no Brasil é consequência direta da embriaguez ao volante. Todo condutor de veículos em estado de embriaguez, mesmo leve compromete gravemente a sua segurança e a de outras pessoas. Estima-se que em 60% dos acidentes na estrada as pessoas encontravam-se alcoolizadas. Em nosso país, não é permitido dirigir com concentrações acima de 0,8 g de álcool por litro de sangue. Daí a recomendação: não beba antes de dirigir e não dirija depois de beber.

É comum ouvir dizer que é a ingestão do álcool em pequenas doses não gera nenhum efeito psicológico. Essa afirmação é falsa, pois um indivíduo que ingere uma pequena dose pode agir da mesma forma que outro indivíduo que ingeriu uma grande dosagem alcoólica.  
Algumas pessoas ficam irritadas, outras ficam agressivas e violentas. Quando uma pessoa bebe ninguém pode prever quais serão seus comportamentos, e todos nós conhecemos histórias de brigas, violência doméstica, divórcio e até mesmo o endividamento causado pelo vício.

Será que a bebida combina com a mensagem de Cristo? Será que queremos estar associados com algo que causa tantas mortes, dependência e destruição de famílias? Pense e considere essas questões.

“Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem ao vosso Pai que está nos céus.” (Mateus 5:16)

Gostando você ou não, os não crentes acreditam que os crentes e a bebida não combinam. Cabe a você avaliar os efeitos desse hábito para o seu testemunho cristão. A Bíblia nos ensina em 1 Coríntios 10:31:

“Portanto quer comais, quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus.”

Se o beber pode estabelecer um obstáculo para que uma pessoa ouça o Evangelho, devemos entender que isso não produz a glória de Deus.

“É melhor não comer carne nem beber vinho, nem fazer qualquer outra coisa que leve seu irmão a cair” (Romanos 14:21).

A Bíblia nos convida a viver em amor e a promover a obra de Deus na vida dos nossos irmãos. O cristão de fato é a pessoa mais livre de todas, mas ele está sujeito a lei do amor. Agir sem considerar o efeito de nossos comportamentos na vida dos outros é egoísmo e apesar da Bíblia não proibir explicitamente o consumo de álcool, ela certamente condena aqueles que agem de maneira a prejudicar a fé de outros. Paulo em Romanos 14:15-20 nos dá vários princípios que devem ser observados:
  • Não devemos entristecer um irmão.
  • Devemos agir com amor.
  • Não devemos prejudicar um irmão por causa da comida ou bebida.
  • O que é bom para nós não deve gerar maledicência.
  • O reino de Deus é justiça, paz e alegria no Espírito Santo.
  • Devemos nos esforçar para promover a paz e edificação.
  • É errado fazer qualquer coisa que leve os outros a tropeçarem.
Talvez você esteja pensando: "Mas você está falando de pessoas que abusam do álcool. Eu sei beber com moderação. A Bíblia proíbe a embriaguez e eu nunca fiquei embriagado!” Provavelmente você está com a razão, mas mesmo assim, gostaria que você avaliasse mais algumas questões antes de tomar uma decisão:

1. Realmente você precisa beber?
2. Por que você quer beber?
3. Você tem certeza que sabe se controlar?
4. Isso poderá prejudicar seu testemunho?
5. Poderá fazer um irmão tropeçar? 
6. Estará incentivando alguma criança ou jovem a beber?

8/22/2014

Em 20 dos atendimentos a adolescentes viciados, 9 combinam drogas e álcool

O alcoolismo é progressivo, começa na grande maioria dos casos na adolescência, na fase de curiosidade, experimentação. A dependência só vai se caracterizar na vida adulta, quando já foram causados inúmeros estragos na vida da pessoa.
Especialistas apontam dois fatores determinantes que influenciam na dependência, segundo eles, até mesmo a genética pode estar relacionada ao vício. “Pesquisas apontam que filhos de dependentes do álcool têm quatro vezes mais predisposição a se tornarem alcoólatras”.
Fatores externos
Os adolescentes são influenciados pelos estímulos visuais que recebem de uma gama cada vez maior de propaganda. E não só isso. “Até mesmo a própria família aceita e acha normal que o adolescente comece a beber”. A iniciação ocorre muitas vezes em festas de família, churrascos com os parentes, no almoço do fim de semana.
Às vezes na festinha de aniversário das crianças existe a presença de bebidas alcoólicas, isso torna o álcool comum, aceitável e até indispensável, nesse meio o adolescente enxerga os exemplos, sente que é normal.
Fatores internos
Além das questões extrínsecas, problemas psicossociais também influenciam a busca pelas bebidas alcoólicas, como fuga de conflitos interiores. Por estar em fase de formação, o adolescente ainda não possui maturidade para compreender a complexidade emocional e as instabilidades comuns a essa fase da vida.
Insatisfação com a própria vida, baixa autoestima, não ter coragem para uma postura desafiadora diante da vida, não saber lidar com a frustração, sintomas depressivos, condição social, falta de qualidade de vida e a ausência de um projeto de futuro”, são fatores determinantes.
Orientações
A prevenção deve começar dentro de casa o quanto mais cedo possível. A prevenção deve começar na infância, dentro da própria casa deve restringir o consumo de bebidas alcoólicas, evitar deixar na geladeira algumas latinhas, por exemplo, é um passo importante ajuda a pelo menos não tornar a bebida algo tão comum a vida do indivíduo.
Porta de entrada
O álcool pode interferir na dependência e agravar o estado psíquico e emocional. O álcool é a porta de entrada de outras drogas como o crack, a maioria dos internados inicialmente fazia uso de álcool, antes de se envolverem com drogas mais pesadas.
Tratamento
O diagnóstico de alcoolismo é muito difícil, pais e responsáveis devem estar atentos quando os adolescentes chegarem em casa embriagados, este é um sinal de cuidado que não deve ser desprezado.
O período de desintoxicação do álcool é muito danoso para o paciente e tem sintomas que precisam de atenção e cuidado; esse adolescente dependente do álcool, precisa ser acompanhado no período de abstinência, que pode causar sintomas como sudorese, alteração na pressão, desidratação e aceleramento cardíaco e em casos críticos pode levar a morte.

A Organização Mundial da Saúde apresenta cinco razões básicas pelas quais os jovens podem ser atraídos às drogas:

     Desejar sentir-se adultos e tomar suas próprias decisões;
Desejar ser "populares" entre os colegas ou num grupo;
Desejar relaxar e sentir-se bem;
Desejar correr riscos e rebelar-se;
Desejar matar a curiosidade.
Consomem álcool porque "todo mundo bebe", "eu gosto, é divertido", "ajuda a relaxar", "tira a timidez", "estou mal, serve para escapar do sofrimento", "por que não, além do mais nem bebo tanto".
Clínicas de Tratamento e Recuperação para dependentes químicos
Violência, marginalidade, vício, tráfico. Estes são estereótipos comumente associados ao usuário de substâncias psicoativas. Esta visão distorcida se agrava quando reportagens sobre entidades que "tratam" aqueles a quem os jornais se referem como "viciados" são veiculadas. Agressões, choque elétrico, trabalho forçado são manchetes convidativas para TV e companhia. O problema é que esta situação, verdadeira em certos casos, não reflete a realidade do segmento como um todo.
Em primeiro lugar, é preciso ressaltar que as drogas já deixaram de ser marginais há muito tempo. Apesar de se insistir, por meio de reportagens sensacionalistas, em associar drogas apenas com Cravolândia, hoje elas também estão presentes nos lares do cidadão comum, do trabalhador honesto, do homem ou mulher de bem.
E a hipótese de que as drogas entram na vida das pessoas por meio de marginais, estranhos, traficantes, é puro mito, segundo especialistas. "Geralmente quem oferece é quem está mais próximo, um colega de escola ou trabalho, companheiro de 'balada' e, talvez, o melhor amigo. O pai que bebe na frente dos filhos pode, sem saber, ser o introdutor da droga na vida dessas crianças e jovens.
Por outro lado, há mais drogas lícitas (cigarro e álcool), prescritas sob orientação médica (antidepressivos, controladores de ansiedade e inibidores do apetite) sendo consumidas e que causam dependência, que propriamente as drogas ilícitas, como maconha, cocaína e crack.
A dependência química é uma doença, reconhecida pela Organização Mundial de Saúde em sua Classificação Internacional de Doenças (CID – 10). Está descrita entre os capítulos F-10 e F-19, que tratam de Transtornos Mentais e Comportamentais devidos ao uso de substância psicoativa.
Por se tratar de assunto de saúde pública, a dependência química necessita de profissionais qualificados, entre médicos, psiquiatras, psicólogos; com programas terapêuticos definidos, para que sejam obtidos resultados efetivos no tratamento da doença.
A questão é que, por falta de fiscalização de órgãos públicos competentes, o segmento de tratamento para dependentes químicos virou terreno fértil para pessoas que, por falta de informação - às vezes até com boas intenções -, ou simplesmente por oportunismo, enxergam uma oportunidade de negócio facilmente rentável. E as famílias, no auge da questão "internar ou não um parente" e sensíveis pela necessidade da decisão com urgência, acabam caindo em verdadeiras ciladas.
Na contramão do oportunismo, há clínicas sérias, que entendem a complexidade da doença, capacitadas e gabaritadas para o tratamento, e que investem em pesquisa e conhecimento para compreender cada vez mais o que é a dependência química. Tais instituições baseiam seu trabalho em estudos aprofundados a cada dia, para se obterem resultados cada vez mais efetivos, como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC).
Estas clínicas atuam dentro da lei, respeitando normas referentes ao tratamento, à questão sanitária, à segurança, e atendendo a outras exigências legais.

Exames Toxicológicos

A análise toxicológica para verificação do consumo de drogas vem sendo utilizada no meio profissional, no esporte, no auxílio e acompanhamento da recuperação de usuários em clínicas de tratamento e em pesquisas. Há testes disponíveis para a detecção de qualquer tipo de substância psicoativa (maconha, cocaína, barbitúricos, opiáceos, anfetaminas e êxtase).

Atualmente há três tipos de exames capazes de detectar a presença de drogas no organismo:

Exame de Urina

As drogas são geralmente destruídas (metabolizadas) pelo fígado e eliminadas pela urina. Portanto, analisar a urina em busca de metabólitos das drogas é um dos métodos para se detectar a presença do consumo de drogas. A urina é geralmente aceita como amostra para verificar o uso recente de drogas de abuso, mas não permite distinguir o usuário ocasional do abusivo ou do dependente.

O período de duração da detectabilidade das drogas varia de acordo com a frequência e intensidade do uso das mesmas. Este período pode variar de poucas horas até 27 dias (ver tabela abaixo). A análise de amostras de urina podem detectar o uso de maconha e de cocaína em períodos mais longos. Já o álcool é metabolizado e eliminado rapidamente e os exames toxicológicos detectam somente o uso feito nas últimas horas.

A exata concentração da droga ou de seu metabólito presente na urina não pode ser estimada; oferecendo um resultado preliminar. A quantificação da droga é realizada, quando solicitada, por metodologia específica em centros especializados. Portanto, a interpretação do resultado desta triagem deve ser submetida à consideração clínica e ao julgamento profissional do médico. Ainda, as concentrações de detecção do método seguem as recomendações da "Substance Abuse and Mental Health Services Administration" SAMHSA, EEUU.

Exame de Sangue

Pesquisa direta da droga no sangue. O exame de sangue possibilita apenas verificar o uso recente de substâncias (algumas horas). Este exame é realizado em centros especializados.

É importante salientar que os teste de detecção de drogas só podem ser realizados após autorização do indivíduo por escrito ou em condições de urgência clínica. No ambiente hospitalar a triagem para drogas de abuso é realizada exclusivamente para avaliação e suporte da conduta médica, não podendo ser utilizado como subsídio para outras ações.

Duração da Detectabilidade das Drogas de Abuso na Urina:


Substância
Duração da Detectabilidade
Anfetamina
48 horas
Metanfetamina
48 horas
Barbitúricos:

Ação curta
24 horas
Ação Intermediária
De 48 a 72 horas
Ação Prolongada
7 dias ou mais
Benzodiazepínicos
3 dias (dose terapêutica)
Metabólitos da Cocaína
De 2 a 3 dias
Metadona
3 dias aproximadamente
Codeína / Morfina
48 horas
Canabinóides (maconha):
3 dias
Uso Único
4 dias
Uso Moderado
10 dias
Uso Intenso (diário)
10 dias
Uso Crônico
21 a 27 dias
Metaquoalona
7 dias ou mais
Feniciclidina (PCP)
8 dias aproximadamente
Fonte: Site Álcool e Drogas sem Distorção (www.einstein.br/alcooledrogas)/Programa Álcool e Drogas (PAD) do Hospital Israelita Albert Einstein

Dependência

Dependência Física

Consiste na necessidade sempre presente, a nível fisiológico, o que torna impossível a suspensão brusca das drogas. Essa suspensão acarretaria a chamada crise da "abstinência". A dependência física é o resultado da adaptação do organismo, independente da vontade do indivíduo. A dependência física e a tolerância podem manifestarem-se isoladamente ou associadas, somando-se à dependência psicológica.

A suspensão da droga provoca múltiplas alterações somáticas, causando a dramática situação do "delirium tremens". Isto significa que o corpo não suporta a síndrome da abstinência entrando em estado de pânico. Sob os efeitos físicos da droga, o organismo não tem um bom desenvolvimento.

Dependência Psicológica

Em estado de dependência psicológica, o indivíduo sente um impulso irrefreável, tem que fazer uso das drogas a fim de evitar o mal-estar. A dependência psicológica indica a existência de alterações psíquicas que favorece a aquisição do hábito. O hábito é um dos aspectos importantes a ser considerado na toxicomania, pois a dependência psíquica e a tolerância significam que a dose deverá ser ainda aumentada para se obter os efeitos desejados. A tolerância é o fenômeno responsável pela necessidade sempre presente que o viciado sente em aumentar o uso da droga.

Em estado de dependência psíquica, o desejo de tomar outra dose ou de se aplicar, transforma-se em necessidade, que se não satisfeita leva o indivíduo a um profundo estado de angústia, (estado depressivo). Esse fenômeno não deverá ser atribuído apenas as drogas que causam dependência psicológica. O estado de angústia, por falta ou privação da droga é comum em quase todos os dependentes e viciados.

Requisitos Básicos da Dependência

1.    Forte desejo ou compulsão para consumir a substância;

2.    Dificuldade no controle de consumir a substância em termos do seu início, término ou níveis de consumo;

3.    Estado de abstinência fisiológica quando o uso cessou ou foi reduzido (sintomas de abstinência ou uso da substância para aliviá-los);

4.    Evidência de tolerância, de tal forma que doses crescentes da substância psicoativa são requeridas para alcançar efeitos originalmente produzidos por doses mais baixas;

5.    Abandono progressivo de prazeres ou interesses alternativos em favor do uso da substância psicoativa, aumento do tempo necessário para obter ou tomar a substância psicoativa ou para se recuperar dos seus efeitos;

6.    Persistência no uso da substância, a despeito de evidência clara de consequências manifestamente nocivas, tais como dano ao fígado por excesso de álcool, depressão consequente a período de consumo excessivo da substância ou comprometimento cognitivo relacionado à droga.

Uso de Droga em Adolescentes
Idade de início
Substância
Tempo para uso problemático
11 anos
Álcool
2,5 anos
12 anos
Maconha
1 ano
13 anos
Cocaína
6 meses
14 anos
Crack
1 mês


Perfil dos Usuários
81%
São de classe média
46,8%
Cursam o nível superior
50%
Mencionam apenas os efeitos positivos da droga
84%
Já tiveram episódios depressivos após o uso
65,6%
Acreditam que o ecstasy é seguro
15,6%
Já tiveram problemas financeiros pelo uso do ecstasy
100%
Usam a droga em grupo
100%
São usuários de outras drogas como maconha, cocaína e LSD

Dados Epidemiológicos
  • ·         20% da população usa substâncias psicoativas no decorrer da vida;
  • ·         15% no mínimo são portadores da doença da dependência química;
  • ·         10% a 12% desses usam mais de uma droga concomitante;
  • ·         A incidência de DQ é de 2 a 6 vezes maior no homem;
  • ·         DQ evolui do álcool para drogas mais pesadas;
  • ·         150 mil óbitos/ano por alcoolismo nos USA;
  • ·         15% dos DQ cometem suicídio (20 vezes maior que na população).

Transtornos Psiquiátricos em Pacientes Dependentes de Álcool
218 pacientes alcoolistas x 218 pacientes não alcoolistas - Serviço Ambulatorial Universitário do estado de São Paulo;
  •       Prevalência em toda vida (LTP) de transtornos psiquiátricos: 70% população alcoolista x 26% população não alcoolista;
  •          Depressão maior em 50%;
  •          Personalidade antissocial em 30%;
  •          Fobias em 20%;
  •          Abuso/dependência de outras drogas em 19%.

Transtornos de Personalidade na dependência da Cocaína
·         Prevalência ao longo da vida de transtornos psiquáticos foi de 69%;
  •          29% com transtornos afetivos e ansiosos
  •          40% com transtornos de personalidade
  •          31% sem transtornos

Saiba como Agir nas Emergências
Aprenda a conhecer os sintomas de overdose (intoxicação aguda) e saiba o que fazer quando uma pessoa exagerou no uso de drogas e pode estar precisando da sua ajuda:
Conheça os sintomas:
  •          Perda da consciência, coma ou sono repentino e/ou profundo
  •          Respiração lenta ou curta ou parada da respiração
  •          Sem pulso ou pulso fraco
  •          Lábios roxos
  •          Convulsões, movimentos involuntários, desmaios
  •          Palpitação, taquicardia, dor no peito

Saiba o que fazer:
  •          Chame o resgate ou ajuda médica para emergências, imediatamente.
  •          Nunca deixe a pessoa sozinha.
  •          Deite a pessoa de lado, tenha certeza de não haver comida ou vômito na garganta.
  •          Afaste o queixo do peito.
  •          Nunca dê outra droga para combater o efeito.
  •          Nunca ponha nada na boca da pessoa, incluindo água ou medicamentos.
  •       Se a pessoa estiver tendo uma convulsão segure a sua cabeça com cuidado para não bater no chão ou em algum móvel


Atenção: A mistura de qualquer droga com álcool ou outras drogas aumenta o risco de overdose, ferimentos, violência, abuso sexual e morte.