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1/24/2015

Consumo de álcool e obesidade

Pesquisadores realizaram estudo com indivíduos que participaram de outro grande estudo chamado Diet, Cancer and Health Study. Foram estudados 49.877 indivíduos (25.325 homens e 24.552 mulheres de 56 a 60 anos de idade). Os parâmetros avaliados foram peso, altura, índice de massa corpórea (razão entre o peso em kilogramas e a altura elevada ao quadrado), medida da circunferência abdominal e do punho.

Os autores observaram que, em homens, houve associação positiva entre consumo total de álcool e índice de massa corpórea (IMC), aumento da circunferência abdominal (normal para homens até 102 cm e para mulheres até 88 cm) e inversa com a circunferência do punho.

Para as mulheres, houve associação positiva entre IMC, circunferência abdominal e diminuição de punho apenas para as que apresentaram os níveis mais elevados de consumo neste estudo (28 ou mais doses de etanol por semana).

Em relação à obesidade e consumo de álcool os autores notaram relação entre frequência de consumo e obesidade (os indivíduos que consumiram pequenas doses com maior frequência apresentaram a menor relação entre consumo e obesidade; tal resultado foi observado em homens e mulheres).

Homens e mulheres que bebem álcool sofrem continuamente de obesidade abdominal, associada ao aumento da mortalidade em adultos. O efeito do álcool sobre a gordura acumulada é maior no caso de cerveja do que em outras bebidas como o vinho, embora ambos tenham um efeito significativo sobre esta adiposidade.

1/22/2015

O Álcool e o sono

Em média um adulto dorme 7 horas e meia a 8 horas todas as noites. Apesar do sono ter uma função desconhecida, as evidências demonstram que dormir pouco pode ter graves consequências, incluindo o aumento do risco de doenças depressivas, dificuldades respiratórias e doenças coronárias. 

Além disso, dormir em excesso durante o dia, resultante de distúrbios do sono, está associado a défices de memória, dificuldades nas funções sociais e ocupacionais e acidentes de trânsito. O consumo de álcool pode induzir a perturbações do sono, por interromper a sequência e a duração dos estados de sono e por alterar o tempo de sono total, assim como o tempo necessário para adormecer (i.e., sono latente).

A estrutura do sono, início e despertar

Antes de discutirmos os efeitos do álcool no sono, torna-se importante resumir algumas das características do sono normal. Uma pessoa passa por dois estados alternados de sono, caracterizados em parte por diferentes tipos de atividade eléctrica cerebral (i.e., ondas cerebrais). 

Estes estados são designados por sono SWS (“slow wave sleep”), porque neste tipo de sono as ondas cerebrais são muito lentas (é um sono de ondas lentas), e por sono REM (“rapid eye movemente”), onde há movimentos rápidos dos olhos apesar da pessoa continuar a dormir.

A maior parte do sono é SWS, ou seja, profundo e relaxante. O sono REM ocorre periodicamente, ocupando cerca de 25% do tempo de sono no jovem adulto. Episódios do sono REM ocorrem normalmente em cada 90 minutos e duram entre 5 a 30 minutos. 

O sono REM é menos repousante que o sono SWS e está geralmente associado aos sonhos. Apesar da sua função ser desconhecida, o sono REM parece ser essencial para a saúde. Nos ratos, a privação do sono REM pode levar à morte num espaço de poucas semanas.

Ao sono foi formalmente atribuída a diminuição da atividade dos sistemas cerebrais que mantêm o estado de vigília. Dados mais recentes indicaram que o sono, como a consciencialização, é um processo ativo. O sono é controlado na sua maioria por centros nervosos localizados na base do cérebro, onde se junta à espinal medula. 

Algumas destas células nervosas produzem serotonina, um mensageiro químico associado ao início do sono e com a regulação do sono SWS. Outras células nervosas produzem norepinefrina, que ajuda a regular o sono REM e facilita o despertar. 

As funções exatas e as interações destes e de outros mensageiros químicos para “orquestrar” os padrões de sono não são conhecidas. Porém, o consumo de álcool afeta significativamente a função destes e de outros mensageiros químicos que parecem influenciar o sono.

O álcool e o sono nos não alcoólicos

O álcool consumido a horas de dormir, após um efeito estimulante inicial, pode diminuir o tempo necessário para adormecer. Devido ao efeito sedativo do álcool, muitas pessoas com insônia consomem álcool para promoverem o sono. 

Todavia, o álcool consumido acerca de uma hora de ir dormir parece interromper a segunda metade do período de sono. A pessoa pode dormir irregularmente durante a segunda metade do sono, acordando de sonhos e tornando a adormecer com dificuldade. 

Mantendo o consumo mesmo antes da hora de dormir, o efeito de sono induzido pelo álcool pode diminuir, enquanto os seus efeitos de interrupção continuam ou aumentam. Esta interrupção do sono pode originar fadiga e sonolência durante as horas do dia. 

Os mais idosos estão perante um risco maior, porque eles atingem níveis mais elevados de álcool no sangue e no cérebro do que os mais jovens, depois de consumirem doses equivalentes. O consumo de álcool às horas de dormir entre pessoas mais velhas pode levar a uma instabilidade se tentarem andar durante a noite, com o aumento do risco de quedas e ferimentos.

As bebidas alcoólicas são habitualmente consumidas ao princípio da noite (e.g., em “happy hour” ou ao jantar) sem outro consumo antes da hora de dormir. Estudos demonstram que uma dose moderada de álcool consumido até 6 horas antes da hora de dormir pode aumentar o despertar durante a segunda metade do sono. Quando este efeito ocorre, a dose de álcool consumida anteriormente já terá sido eliminada pelo corpo, sugerindo uma mudança relativamente longa no mecanismo de regulação do sono.

Os efeitos adversos da privação de sono sofrem um aumento seguindo o consumo de álcool. Pessoas a quem foram administradas baixas doses de álcool seguindo-se uma noite de sono reduzido, tiveram uma má prestação num simulador de condução, mesmo sem álcool nos seus organismos. 

Uma vigilância reduzida pode aumentar potencialmente o efeito sedativo do álcool em situações como horários rotativos de sono (e.g., trabalhar por turnos) e viagens rápidas através de múltiplas zonas (i.e., jet lag). Uma pessoa pode não reconhecer a dimensão do distúrbio de sono que ocorre sob estas circunstâncias, aumentando o perigo em que a sonolência e o consumo de álcool venham a co-ocorrer.

O álcool e as doenças respiratórias

Aproximadamente 2 a 4% dos Americanos sofrem de apneia obstrutiva do sono (OSA), uma doença em que a passagem superior do ar (i.e., a faringe, localizada na parte detrás da boca) se estreita ou fecha durante o sono. 

O episódio resultante da respiração interrompida (i.e., apneia) acorda a pessoa, que retoma a respiração e volta a dormir. Episódios recorrentes de apneia seguidos do despertar podem ocorrer centenas de vezes em cada noite, reduzindo significativamente o tempo de sono e provocando sonolência durante o dia. 

Aqueles que sofrem de alcoolismo parecem apresentar um aumento do risco de sofrerem apneia do sono, especialmente se ressonarem. Além disso, doses moderadas a doses elevadas de álcool consumidas ao serão podem levar ao estreitamento da passagem de ar, causando episódios de apneia inclusive em pessoas que de outra forma não exibem sintomas de apneia obstrutiva do sono (OSA). Os efeitos depressivos do álcool podem aumentar os períodos de apneia, piorando qualquer OSA preexistente.

Entre os pacientes com grave OSA, a taxa de consumo de álcool de duas ou mais bebidas por dia está associada a 5 vezes o aumento do risco de acidentes rodoviários relacionados com a fadiga, comparado com pacientes com OSA que não consomem álcool ou que o consomem em pequenas quantidades. Além disso, a combinação de álcool, OSA e do ressonar aumenta o risco de uma pessoa ter um ataque cardíaco, arritmia, enfarte e morte súbita.

Os efeitos relacionados com a idade e o impacto do consumo

Pouca pesquisa tem sido feita nos efeitos específicos do álcool nos estados de sono em diferentes grupos de idades. Foi feita uma investigação acerca dos efeitos da exposição pré-natal ao álcool nos padrões de sono dos bebês. 

A medição da atividade eléctrica cerebral demonstrou que os bebês de mães que consumiam pelo menos uma bebida alcoólica por dia durante o primeiro trimestre de gravidez, exibiam perturbações do sono e um aumento das vezes que despertavam, comparativamente aos bebés de mães não consumidoras de álcool. 

Estudos adicionais revelaram que os bebês expostos ao álcool através do leite materno adormeciam mais cedo, mas geralmente dormiam menos do que os que não tinham sido expostos ao álcool. (O significado exato destes resultados não é evidente).

O envelhecimento normal é acompanhado por um decréscimo gradual do sono SWS e um aumento da vigília durante a noite. Pessoas acima dos 65 anos frequentemente acordam 20 ou mais vezes durante a noite, fazendo com que o sono seja menos repousante e restaurador. Problemas em dormir relacionadas com a idade podem encorajar o uso de álcool para promover o sono, enquanto aumentam a susceptibilidade da pessoa idosa a distúrbios relacionados com o álcool.

Efeitos do álcool no sono dos alcoólicos

Os distúrbios de sono associados ao alcoolismo incluem o aumento do tempo necessário para adormecer, despertares frequentes, e um decréscimo da qualidade de sono com fadiga durante as horas do dia. Uma redução abrupta do consumo excessivo de álcool pode accionar um síndrome relacionado com essa ausência, acompanhado de insônias profundas com marcadas fragmentações do sono. 

A diminuição do sono SWS durante esta privação do consumo pode reduzir a quantidade de sono repousante. Tem-se sugerido que o aumento do sono REM pode estar relacionado com alucinações que por vezes ocorrem durante esta paragem do consumo. Em pacientes com reduções severas, o sono pode consistir, quase por completo, de breves períodos de sono REM interrompidos por numerosos despertares.

Recuperação e reincidência Apesar de algumas melhorias subsistirem após a privação do consumo, os padrões de sono podem nunca voltar ao normal nos que sofrem de alcoolismo, mesmo depois de vários anos de abstinência. Os alcoólicos abstinentes tendem a dormir pior, com quantidades inferiores de sono SWS e aumento da vigília noturna que pode tornar o sono menos restaurador e contribuir para a fadiga durante o dia. 

O reinício do excesso de consumo leva ao aumento do sono SWS e diminui a vigilância. Este aparente melhoramento na continuidade de sono pode promover a reincidência por contribuir para a impressão (errada!) de que o consumo de álcool melhora o sono. No entanto, ao continuar o consumo de álcool, os padrões de sono voltam a sofrer distúrbios.

Apesar de serem necessárias mais pesquisas, estes resultados podem facilitar a identificação precoce de pacientes em risco de reincidência e permitir aos médicos adequar os programas de tratamento.

1/03/2015

Memória

Uma maneira importante pela qual a percepção se torna consciente é através da Atenção que, em essência, é a focalização consciente e específica sobre alguns aspectos ou algumas partes da realidade. 

Assim sendo, nossa consciência pode, voluntariamente ou espontaneamente, privilegiar um determinado conteúdo e determinar a inibição de outros conteúdos vividos. Portanto, reconhece-se a Atenção como um fenômeno de tensão, de esforço, de concentração, de interesse e de focalização da consciência.

A Atenção pode ser entendida como uma atitude psicológica através da qual concentramos a nossa atividade psíquica sobre um estímulo específico, seja este estímulo uma sensação, uma percepção, representação, afeto ou desejo, a fim de elaborar os conceitos e o raciocínio. Portanto, de modo geral a Atenção parece criar a própria consciência.

A Memória, no sentido estrito, pode ser entendida como a soma de todas as lembranças existentes na consciência, bem como as aptidões que determinam a extensão e a precisão dessas lembranças. De modo geral a Memória necessita de duas funções neuropsíquicas fundamentais; a capacidade de fixação, que é a função responsável pelo acréscimo de novas impressões à consciência e graças à qual é possível adquirir novo material mnemônico, e a capacidade de evocação, ou reprodução, pela qual os traços mnêmicos são revividos e colocados à disposição livremente da consciência.

Juízo

O raciocínio humano é uma cadeia infinita de representações, conceitos e juízos, sendo a fonte inicial de todo esse processo a experiência sensorial. Nosso conhecimento se dá através das representações senso perceptivas do mundo e delas elaboramos nossos conceitos. 

O pensamento lógico consiste em selecionar e orientar esses conceitos, tendo como objetivo alcançar uma integração significativa, que possibilite uma atitude racional ante as necessidades do momento.

Chama-se Juízo o processo que conduz ao estabelecimento dessas relações significativas entre conceitos e, julgar é, nesse caso, estabelecer uma relação entre conceitos. A função que relaciona os juízos, uns com os outros, recebe a denominação de raciocínio. 

Em seu sentido lógico, o raciocínio não é nem verdadeiro nem falso, ele será sim, correto ou incorreto. Portanto, o raciocínio para ser correto deve ser lógico. Em Psicologia, o termo raciocínio tem o mesmo sentido de pensamento.

O Juízo e a Lógica, são duas operações intelectuais exercidas pelo pensamento reflexivo ou lógico. Não obstante, nossos juízos estão sempre impregnados pela afetividade e pela vontade, de tal forma que todo julgamento é predominantemente subjetivo. 

Pode-se dizer que um juízo crítico, por mais fundamentado que possa ser, revela, às vezes, muito mais a natureza da pessoa que julga do que a qualidade da coisa julgada. Desta forma a própria razão, objeto do raciocínio lógico, também deve passar pela individualidade afetiva e, portanto, terá sempre uma racionalidade relativa por excelência.

Há situações onde ocorre uma predominância dos afetos sobre a reflexão consciente, com subseqüente alteração do juízo da realidade e com repercussões secundárias no comportamento social do indivíduo. 

As Idéias Supervalorizadas são conhecidas também como Idéias Prevalentes ou Idéias Superestimadas. É quando o pensamento se centraliza obsessivamente num tópico especialmente definido e carregado de uma enorme carga afetiva.

Delírio é um juízo patologicamente falseado da realidade. Fala-se em Percepção Delirante quando o paciente atribui, à uma percepção normal da realidade, um significado anormal sem que, para isso, existam motivos compreensíveis. 

Não existe, neste caso, uma verdadeira alteração da percepção mas é a interpretação dessa percepção que sofre um juízo crítico distorcido, patológico e com um significado muito especial.

1/02/2015

Estimulantes

Agente que aumenta a atividade funcional de um organismo ou de qualquer parte de um organismo. Os estimulantes podem ser categorizados pelo sistema somático, pela função ou pelo agente em questão. Os estimulantes do sistema nervoso central incluem os analépticos (p.ex., estricnina, picrotoxina) e as aminas simpaticomiméticas (p.ex., anfetamina, cocaína).

Com referência ao sistema nervoso central, qualquer agente que ative, potencie ou aumente a atividade neural; também chamado de psico estimulante. Compreende as anfetaminas, a cocaína, a cafeína e outras xantinas, a nicotina, e os supressores do apetite sintéticos, tais como a fenmetrazina e o metilfenidato. 

Outras drogas têm ações estimulantes que, embora não sejam seus efeitos primários, podem manifestar-se em altas doses ou após o uso crônico; estes incluem os antidepressivos, os anticolinérgicos, e certos opioides.

Os estimulantes podem induzir sintomas sugestivos de intoxicação, incluindo taquicardia, dilatação pupilar, aumento da pressão sanguínea, hiper-reflexia, sudorese, calafrios, náusea e vômitos, e comportamento anormal tal como agressão, grandiosidade, hipervigilância, agitação e alteração do juízo crítico. 

O uso crônico geralmente induz alterações de personalidade e comportamento, tais como impulsividade, agressividade, irritabilidade e desconfiança. Pode ocorrer uma psicose alucinatória completa. A interrupção da ingestão após períodos de consumo prolongado ou elevado pode produzir uma síndrome de abstinência, com humor depressivo, fadiga, alterações de sono e aumento de sonhos.

Na CID-10, os transtornos mentais e de comportamento decorrentes do uso de estimulantes são subdivididos uso de cocaína e uso de outros estimulantes, inclusive a cafeína. Proeminente entre eles estão a psicose anfetamínica e a psicose por cocaína. Ver transtorno psicótico induzido por álcool ou droga.

Encefalopatia de Wernicke

Síndrome neurológica aguda (descrita como poliencefalite hemorrágica superior, em 1881), que representa risco de vida. É caracterizada por confusão, apatia, embotamento, delirium oniroide, paralisia dos músculos palpebrais e oculomotores (devido a lesões nos núcleos dos nervos cranianos III e VI), nistagmo e alterações do equilíbrio (devido a lesões no núcleo vestibular) e ataxia (devido a lesões no córtex cerebelar). 

A causa mais comum nos países industrializados é a deficiência de tiamina associada com alcoolismo. Se não tratado imediatamente com terapia de reposição de tiamina, o paciente provavelmente evoluirá para psicose de Korsakov (também conhecida como psicose ou síndrome de Wernicke-Korsakov e como transtorno amnésico alcoólico) caracterizado por amnésia anterógrada grave, amnésia retrógrada e algumas vezes confabulação. 

Esta condição pode ser fatal, se não for adequadamente tratada.

12/29/2014

Delírio

Delírio

Convicção ou juízo falso, incorrigível, fora dos padrões da realidade e incompatível com as crenças sociais da cultura e do meio do indivíduo. Os delírios primários são essencialmente incompreensíveis em termos de história de vida e de personalidade do indivíduo; os delírios secundários são psicologicamente compreensíveis e estão associados a outras perturbações mentais, como, p.ex., transtorno afetivo ou de desconfiança.

Uma distinção foi feita por Birnbaum em 1908 e Jaspers em 1913 entre delírio propriamente dito e idéias delirantes; estas últimas são meramente um juízo equivocado mantido com excessiva tenacidade. Em avaliações psiquiátricas, uma crença cultural pode ser confundida com um delírio se o clínico não souber que esta crença particular é uma crença prescrita culturalmente e “normal”, independentemente de sua validez empírica. O brusco questionamento das crenças culturais sem a sua adequada substituição por outros conceitos ou crenças pode resultar em anomia ou crise de identidade. 

Delírio de grandeza

Crença mórbida na própria importância, grandiosidade ou superioridade (como, p.ex., no delírio de missão messiânica), freqüentemente acompanhada por outras idéias delirantes. Pode ser sintoma de paranoia, esquizofrenia (com freqüência, mas não invariavelmente do tipo paranoide), mania e síndromes orgânicas cerebrais, particularmente paralisia geral. 

Delírio de influência

Convicção delirante que algo de si está sendo substituído ou está sendo submetido à influência e controle de alguma força estranha. As descrições originais deste fenômeno delirante o associavam a pseudo-alucinações (Kandisnki, 1849-1889) e a alterações da consciência (Clérambault, 1872-1934).

Delírio de perseguição

Crença patológica de vitimização de um ou mais indivíduos ou grupos. Ocorre nos transtornos paranoides, mais comumente na esquizofrenia, mas também em alguns estados orgânicos ou depressivos. Certos transtornos da personalidade aumentam a predisposição para tais delírios.

Delírio polimórfico

 Quadro composto por delírios (p.ex., idéias delirantes, juízos delirantes) com numerosos conteúdos inconsistentes e contraditórios. Caracteriza-se pela inconstância dos temas e mudança de forma em breves unidades de tempo; é um fenômeno que se contrapõe ao delírio sistematizado.

Delírio sensitivo de auto-referência

Forma específica de psicose paranoide não esquizofrênica com idéias mórbidas de auto-referência surgindo da base de uma estrutura de personalidade introvertida sensitiva, com uma capacidade pobre de desenvolver a liberação de afeto e tensão. A psicose normalmente se segue a uma experiência significante envolvendo humilhação e amor-próprio ferido. A personalidade é caracteristicamente bem preservada e o prognóstico, favorável. O conceito foi introduzido por Kretschmer (1888-1964).

Cognição delirante

Sob a designação de Cognição Delirante incluem-se certas convicções intuitivas que surgem inesperadamente, sobretudo no início de surtos psicóticos agudos, vivências que, não raro, se mantêm, arraigadas e firmes, durante largo tempo. O característico dessas vivências é que, em contraste com as anteriores, elas dispensam por completo de conexões significativas com quaisquer dados perceptivos ou representativos concretos, ocorrendo à guisa de intuições puras atuais. 

É o que pode se evidenciar no seguinte relato do tipo: "Súbito, eu me dei conta de que a situação significava qualquer coisa de mau, mas eu não sabia o que".

O mesmo se verifica, neste outro exemplo, em que a paciente se revela repentinamente tomada da tranquila convicção de sua alta linhagem: "sabia que era filha do Presidente da República", certeza que se instala sob a forma de uma evidência interna imediata, isto é, que não lhe vem de qualquer interpretação, suposição ou reflexão crítica ou lógica, referente a acontecimentos vividos.

Caracteriza-se igualmente como Cognição Delirante, por exemplo, a vivência experimentada por um paciente que, acometido de súbita alteração, sai para a rua, dizendo: "Eu sou o filho da estrela d'Alva". Algumas vezes, contudo, essas cognições aparecem em estreita consonância com a temática delirante, ligando-se então, incidentalmente, a acontecimentos implicados no delírio. 

Esse tipo de Cognição Delirante ligada à temática do próprio delírio se observa, por exemplo, em pacientes obcecados com a Bíblia. Jaspers cita o caso de certa jovem que, ao ler o episódio da Ressurreição de Lázaro, sente-se, de repente, ela própria, encarnada na pessoa de Maria. Daí em diante assume o delírio onde sua irmã é Marta, Lázaro é um primo seu e passa a viver, com grande intensidade, o acontecimento narrado na Bíblia.

12/24/2014

Dano cerebral relacionado com o uso de álcool

Termo genérico que engloba a deterioração da memória e das funções mentais superiores relacionadas com o lobo frontal e o sistema límbico. Assim, compreende tanto a síndrome amnésica induzida pelo álcool (F10.6) como a síndrome do lobo frontal (incluído em F10.7). No entanto, o termo é com freqüência usado quando somente um destes transtornos está presente. 

A perda de memória na síndrome amnésica afeta caracteristicamente a memória recente. O dano do lobo frontal manifesta-se por deficiências relativas ao pensamento abstrato, a conceitos e ao planejamento e processamento de informação complexa. 

Outras funções cognitivas estão relativamente bem conservadas e a consciência não está perturbada. Deve-se distinguir entre dano cerebral relacionado com o álcool e demência alcoólica. Nesta última situação, há um maior dano global das funções cognitivas e, geralmente, a presença de evidência de outras etiologias, tais como repetidos traumatismos cranianos.

Convulsão relacionada a álcool ou drogas

Evento do tipo convulsivo que ocorre durante a abstinência ou a intoxicação por álcool ou outras drogas. É caracterizada por perda de consciência e rigidez muscular (acompanhada por parada respiratória temporária), seguida por movimentos despropositados dos membros e tronco. 

O termo é também usado algumas vezes para incluir convulsões resultantes de danos cerebrais induzidos pelo álcool ou drogas. As convulsões devido à epilepsia idiopática ou a danos cerebrais estruturais consequentes a trauma ou infecções em indivíduos com uso de substâncias psicoativas são excluídas desta definição. Sinonímia: Ataques Relacionados ao Álcool ou Drogas.

Conflitos

Os Conflitos Íntimos, juntamente com as frustrações presentes e passadas, os traumas presentes e passados e os Complexos compõem aquilo que chamamos de causas subjetivas para as Neuroses ou para as Reações Vivenciais Não-Normais.

Além das Reações Vivenciais responderem à vivências exteriores ao sujeito, ou seja, aos fatos proporcionados pela sua vida ou por seu destino, existem também sentimentos determinados por reações Interiores (intra-psíquicas) às vivências. Essas motivações intra-psíquicas não são facilmente detectadas por um observador comum. Neste caso, falamos em Conflitos Íntimos.

O ser humano sempre viveu diante do dilema entre aquilo que ele quer realmente (fazer), aquilo que ele deve (fazer) e aquilo que ele consegue (fazer). Portanto, nem sempre estamos fazendo aquilo que queremos, muitas vezes não queremos fazer aquilo que devemos, outras vezes queremos e devemos fazer aquilo que não conseguimos. Enfim, estamos constantemente diante desse conflito.

Essa situação não diz respeito apenas às questões de nossa vida prática, diz respeito também aos nossos sentimentos. Se devemos gostar ou não de determinada pessoa, gostar ou não de determinada atitude nem sempre obedece ao fato de querermos gostar ou não. Às vezes odiamos ou gostamos mesmo não querendo, outras vezes mesmo não devendo, outras vezes ainda, mesmo devendo e querendo não conseguimos.

Estes Conflitos Íntimos são reflexos de desarmonias interiores produzidas por tensões que envolvem situações instintivas, concepções éticas, paixões e sentimentos mais complicados, ou seja, reações determinadas pela força dos conflitos. Muitas vezes, estes conflitos íntimos têm origem em vivências exteriores acontecidas em algum lugar do passado mas, atualmente, pertencendo ao patrimônio da consciência ou do inconsciente.

A idéia de Conflito é melhor entendida como sendo a sensação subjetiva (consciente ou não) da contraposição entre três elementos psíquicos: o que o sujeito quer, o que o sujeito deve e o que o sujeito consegue. Freqüentemente nem tudo o que a pessoa quer, de fato, ela deve, nem sempre o que deve ela quer, e nem sempre o que deve e quer ela consegue. Como se vê, são muitas as combinações entre esses três elementos.

Havendo Conflito, forçosamente este produzirá uma sensação de angústia. Sendo o Conflito universal e fisiológico, não nos interessa mais, do ponto de vista clínico, saber se alguém tem ou não Conflito. O que interessa, de fato, é saber se esse Conflito é suportado satisfatoriamente ou não. No caso de ser satisfatoriamente suportado ou, no caso desse Conflito não implicar em sofrimento, falamos na Angústia Existencial (ou Vivencial) e, caso contrário, havendo dor e sofrimento, em Angústia Patológica ou Angústia Neurótica.

O valor emocional que atribuímos à nossos Conflito, depende sempre da tonalidade afetiva de cada um. É por causa dessa singularidade afetiva das pessoas que muitos conflitos de conteúdo semelhante desempenham diferentes reações em diferentes pessoas. Cada qual tem uma sensibilidade afetiva ao seu Conflito.

12/21/2014

Cirrose alcoólica

(K70.3) - Grave forma de hepatopatia alcoólica caracterizada por necrose e deformação permanente da arquitetura do fígado devido à formação de tecido fibroso e nódulos regenerativos. Esta é uma definição estritamente histológica, porém o diagnóstico com freqüência é clínico. 

A cirrose alcoólica acontece principalmente na faixa etária de 40 a 60 anos, depois de no mínimo 10 anos de uso arriscado de álcool. Os indivíduos apresentam sintomas e sinais de descompensação hepática, tais como ascite, edema de tornozelos, icterícia, hematomas, hemorragia gastrintestinal procedentes de varizes esofágicas e confusão ou estupor devido à encefalopatia hepática. 

Por ocasião do diagnóstico, cerca de 30% dos pacientes estão “compensados” e relatam queixas inespecíficas, tais como dor abdominal, perturbações intestinais, perda de peso e de massa muscular e fraqueza. O câncer de fígado é uma complicação tardia da cirrose em aproximadamente 15% dos casos.

A cirrose alcoólica é algumas vezes designada de “cirrose portal” ou "cirrose de Laennec", embora nenhum destes termos implique necessariamente uma causa alcoólica. Em países não tropicais nos quais o consumo de álcool é substancial, o uso do álcool é a principal causa da cirrose. 

Devido à deficiência de registros de consumo de álcool, a soma global de mortalidade por cirrose — mais que “cirrose com menção de alcoolismo” — é freqüentemente usada como indicador de problemas ligados ao álcool.

Cardiopatia alcoólica

 (142.6) - Transtorno difuso do músculo do coração, observado em indivíduos com uma história de consumo arriscado de álcool, geralmente de no mínimo 10 anos de duração. Os pacientes caracteristicamente apresentam insuficiência biventricular do coração; os sintomas mais comuns incluem: 
  • diminuição do fôlego durante esforço e deitado (dispneia noturna), 
  • palpitações, 
  • edema de tornozelos e 
  • distensão abdominal (devido à ascite). 

É comum o transtorno do ritmo cardíaco; a fibrilação auricular é a mais freqüente arritmia. A cardiopatia alcoólica deve ser diferenciada do beribéri cardíaco e de uma forma da “cardiomiopatia dos bebedores de cerveja”, causada pelo envenenamento por cobalto. Sinonímia: Doença Alcoólica do Músculo Cardíaco.

Burnout

Termo que designa uma síndrome caracterizada por exaustão física e emocional, despersonalização, percepção (real ou imaginária) de diminuição da capacidade laboral, sensação de fracasso pessoal e insônia. 

Pode-se encontrar ainda depressão, suscetibilidade aumentada para doenças físicas, uso de álcool ou outras drogas para obter alívio e, em alguns casos, suicídio. Esta síndrome, originalmente descrita nos Estados Unidos, é geralmente considerada como uma reação de estresse frente a inexoráveis exigências emocionais, ou por dedicação excessiva ao trabalho e uma negligência em relação à família e ao lazer. 

Parece ser uma síndrome relacionada à cultura, com maior prevalência em sociedades urbanas industrializadas, onde predomina o status conquistado.

Borderline

Patologicamente podemos dizer que a pessoa portadora de Personalidade Borderline, embora seja bem menos perturbada que os psicóticos, são muito mais complexas que os neuróticos, embora não apresentem deformações de caráter típicas das personalidades sociopáticas. 

Na realidade, o Borderline tem séria limitação para usufruir as disponibilidades de opção emocional diante dos estímulos do cotidiano e, por causa disso, pequenos estressores são capazes de enfurecê-lo.

São indivíduos sujeitos a acessos de ira e verdadeiros ataques de fúria ou de mau gênio, em completa inadequação ao estímulo desencadeante. Essas crises de fúria e agressividade acontecem de forma inesperada, intempestivamente e, habitualmente, tem por alvo pessoas do convívio mais íntimo, como os pais, irmãos, familiares, amigos, namoradas, cônjuges, etc.

Embora o Borderline mantenha condutas até bastante adequadas em grande número de situações, ele tropeça escandalosamente em certas situações triviais e simples. O limiar de tolerância às frustrações é extremamente susceptível nessas pessoas.

Betacaroteno

Faz parte da composição da vitamina A junto com o retinol. A Vitamina A é o retinol. O caroteno (beta-caroteno), pigmento de algumas plantas ( vegetais amarelos e verdes: cenoura, mamão papaia e pêssego), é convertido em vitamina A pelo organismo. Está relacionada à visão e à manutenção da integridade da pele como também com o crescimento ósseo, com a reprodução e com o desenvolvimento embriológico. 

É discutível usá-la na prevenção do câncer. Ocorre também nos óleos de peixe, fígado, gema de ovo, mas sua principal fonte são os vegetais amarelos e verdes, e a batata doce. A dieta normal contém quantidades suficientes de retinol. A sua deficiência gera um distúrbio da visão denominado cegueira noturna e pode ser devida a falta de ingestão ou a distúrbios na sua absorção ao nível do estômago-duodeno. É rara na III Idade. 

Pode ocorrer em dietas restritivas que só contenham arroz, feijão e batata, por exemplo, comum em nosso meio. É comum no alcoolismo e também em pessoas que se utilizam com freqüência de determinados medicamentos, como a colchicina para o tratamento da gota, por ex. A sua intoxicação leva ao aumento na pressão intracraniana, com dores de cabeça e vômitos. Pode ocorrer o coma. 

Pode ser útil no tratamento da otosclerose. betacaroteno - Faz parte da composição da vitamina A junto com o retinol. A Vitamina A é o retinol. O caroteno (beta-caroteno), pigmento de algumas plantas ( vegetais amarelos e verdes: cenoura, mamão papaia e pêssego), é convertido em vitamina A pelo organismo. 

Está relacionada à visão e à manutenção da integridade da pele como também com o crescimento ósseo, com a reprodução e com o desenvolvimento embriológico. É discutível usá-la na prevenção do câncer. Ocorre também nos óleos de peixe, fígado, gema de ovo, mas sua principal fonte são os vegetais amarelos e verdes, e a batata doce. 

A dieta normal contém quantidades suficientes de retinol. A sua deficiência gera um distúrbio da visão denominado cegueira noturna e pode ser devida a falta de ingestão ou a distúrbios na sua absorção ao nível do estômago-duodeno. É rara na III Idade. Pode ocorrer em dietas restritivas que só contenham arroz, feijão e batata, por exemplo, comum em nosso meio. 

É comum no alcoolismo e também em pessoas que se utilizam com freqüência de determinados medicamentos, como a colchicina para o tratamento da gota, por ex. A sua intoxicação leva ao aumento na pressão intracraniana, com dores de cabeça e vômitos. Pode ocorrer o coma. Pode ser útil no tratamento da otosclerose.

Benzodiazepínicos

Grupo de drogas estruturalmente relacionadas, usadas primordialmente como sedativos/hipnóticos, relaxantes musculares e antiepilépticos, e outrora denominados de "tranquilizantes menores". Acredita-se que estes agentes produzam efeitos terapêuticos ao potencializar a ação do ácido gama- aminobutírico (GABA), um importante neurotransmissor inibidor. Os benzodiazepínicos, segundo a duração de sua ação, são classificados em benzodiazepínicos de ação longa ou de ação curta.

Os benzodiazepínicos foram introduzidos como alternativas mais seguras que os barbitúricos. Eles não suprimem o sono REM na mesma extensão que os barbitúricos, mas tem um potencial significativo para induzir dependência e uso indevido.

Mesmo quando os benzodiazepínicos são consumidos em doses terapêuticas, sua interrupção abrupta induz uma síndrome de abstinência em até 50% das pessoas tratadas por seis meses ou mais. Os sintomas são mais intensos com as preparações de ação curta; com os benzodiazepínicos de ação longa os sintomas de abstinência aparecem uma ou duas semanas depois da interrupção e duram mais, mas são menos intensos. Como com outros sedativos, é necessário um programa de desintoxicação lenta para evitar complicações graves como as convulsões da abstinência.

Alguns benzodiazepínicos têm sido usados em combinação com outras substâncias psicoativas para acentuar a euforia, p.ex., 40-80 mg de diazepam tomados logo antes ou imediatamente após uma dose de manutenção diária de metadona. Os benzodiazepínicos são, com freqüência, usados de forma nociva em conjunção com álcool ou dependência de opioides.

A superdose fatal é rara com qualquer benzodiazepínico, a menos que ele seja consumido concomitantemente com álcool ou outro depressor do sistema nervoso central.

Apagamento

Termo vulgar para designar a amnésia anterógrada aguda, não associada com perda de consciência, resultante de ingestão de álcool e de outras substâncias; um período de perda de memória durante o qual há pouca ou nenhuma lembrança do que passou. Quando isto ocorre no curso da ingestão contínua de álcool, é algumas vezes chamado de “palimpsesto alcoólico”.

Anorexia nervosa

Perda de peso deliberada, induzida e mantida pelo paciente, com uma psicopatologia específica na qual um receio de engordar e da flacidez do contorno corporal persistem como uma ideia intrusiva e supervalorizada. 

Os pacientes impõem a si próprios um limite baixo de peso, geralmente resultando em subnutrição de intensidade variável, alterações secundárias endócrinas e metabólicas, e perturbações de funções fisiológicas (p.ex., amenorreia). 

Os sintomas incluem uma dieta restritiva, exercícios excessivos, vômito induzido e uso de laxantes, bem como uso de supressores do apetite e diuréticos. O transtorno ocorre mais freqüentemente em meninas adolescentes e mulheres jovens, mas mulheres de mais idade, até a época da menopausa, assim como meninos adolescentes e homens jovens também podem ser afetados. 

Alucinose

Termo introduzido por Wernicke (1848-1905) para indicar os estados alucinatórios agudos; designa uma imagem patológica que possui todas as características da imagem alucinatória (sobretudo uma notável nitidez), menos a convicção de realidade ou participação do eu.

O paciente reconhece aquela experiência perceptiva como algo estranho a si mesmo, como um acontecimento patológico. As alucinações alcoólicas e as alucinoses pedunculares são seus exemplos mais comuns. 

A expressão alucinose tem sido empregada cada vez mais para designar um delirium alucinatório: imagens alucinatórias resultantes da dissolução da consciência-vigilância ou da ação de substâncias psicoativas; "alucinose alcoólica" e "alucinose infecciosa" têm este sentido. 

Outros a empregam com o mesmo sentido de alucinação orgânica, sintomática ou tóxica, sem confusão mental ou prejuízo intelectual, mas persistente e recorrente. 

Alucinógeno

Substância psicoativa, natural ou sintética, capaz de ocasionar estados alterados de consciência caracterizados por: percepção intensificada, imagens vívidas que podem evoluir para ilusões e alucinações, alterações do humor e vivências de despersonalização/desrealização. Esses estados podem assemelhar-se a uma psicose aguda e conduzir a graves transtornos de comportamento, sem a produção de disfunção grosseira da memória e orientação características das síndromes orgânicas. 

Figuram entre os alucinógenos: 
(i) indolaminas, como a dietilamida do ácido lisérgico (lisergida, LSD), a N,N-dimetiltriptamina (DMT), a psilocibina e a harmina, 
(ii) feniletilaminas metoxiladas, como a mescalina; tetrahidrocanabinois, encontrados na maconha e no haxixe e 
(iii) várias outras drogas, como a metanfetamina metilenodioxianfetamina, MDA), 3,4-metilenodioximetanfetamina (MDMA ou ecstasy), a fenciclidina (PCP), a muscarina e a miristicina. 

Apesar de intensamente investigado, o modo de ação preciso dos alucinógenos é mal compreendido.

A maioria dos alucinógenos é tomada por via oral; o DMT, no entanto, é cheirado ou fumado. O uso é tipicamente episódico; o uso crônico e freqüente é extremamente raro. Os efeitos são notados dentro de 20-30 minutos da ingestão e consistem de dilatação pupilar, elevação da pressão sanguínea, taquicardia, tremor, hiper-reflexia e a fase psicodélica (que consiste de euforia ou alterações de humor, ilusões visuais e percepções alteradas, um embotamento dos limites entre o eu e o não-eu, e freqüentemente um sentimento de unidade com o cosmos); são comuns flutuações rápidas entre euforia e disforia. 

Após 4-5 horas, este quadro pode ser substituído por idéias de auto-referência, sentimentos de consciência aumentada do eu interior, e uma sensação de controle mágico. Além da alucinose, que é produzida regularmente, são freqüentes outros efeitos adversos de alucinógenos que incluem:

a) más-viagens;
b) transtorno de percepção pós-alucinógeno ou flashbacks;
c) transtorno delirante, que geralmente segue-se à má-viagem; as mudanças perceptuais atenuam-se, mas o indivíduo torna-se convencido de que as distorções perceptuais experimentadas correspondem à realidade; o estado delirante pode durar apenas um ou dois dias, ou pode persistir;
d) transtorno afetivo ou do humor, que consiste de ansiedade, depressão ou mania que ocorre logo após o uso de alucinógeno e persiste por mais de 24 horas; tipicamente o indivíduo sente que nunca mais poderá voltar ao normal e expressa preocupação a respeito de dano cerebral como resultado da ingestão de droga.

Os alucinógenos têm sido usados como coadjuvantes de terapia de insight, embora de forma cada vez mais restrita ou até mesmo banida pela legislação. Sinonímia: Psicodisléptico; Psicotomimético. Ver Planta Alucinógena; Transtorno Por uso de substâncias.

Alucinação

Sensopercepção, de qualquer natureza, que se dá na ausência de estímulo externo apropriado. As alucinações podem subdividir-se de acordo com: a modalidade sensorial afetada; a intensidade; a complexidade; a clareza de percepção; e o grau subjetivo de sua projeção ao exterior. 

Em indivíduos normais, podem ocorrer alucinações nos estados de transição vigília-sono (hipnagógicas) e sono-vigília (hipnopômpicas). Enquanto fenômeno mórbido, as alucinações podem ser sintomáticas de patologia orgânica cerebral, de psicoses funcionais e de intoxicação por drogas, com aspectos característicos para cada qual. 

Dependendo da cultura, algumas alucinações podem ou não ser socialmente sancionadas como eventos reais (p.ex., comunicação com os mortos ou espíritos, mensagens de Deus). Alucinações do cativeiro são imagens visuais ou auditivas induzidas pelo isolamento e pelo estresse decorrente de situações de ameaça à vida, na ausência de disfunções psiquiátricas graves.

12/20/2014

Alcoolismo

Termo há muito usado e com significado variável, geralmente refere-se a um modo de beber crônico e continuado ou mesmo ao consumo periódico de álcool, o qual é caracterizado pelo comprometimento do controle sobre o beber, freqüentes episódios de intoxicação e preocupação com o álcool e seu uso, apesar das conseqüências adversas.

O termo alcoolismo foi originalmente empregado por Magnus Huss em 1849. Até os anos de 1940, referia-se principalmente às conseqüências físicas do beber grandes quantidades, por longo tempo (alcoolismo Beta na tipologia de Jellinek). Um conceito mais restrito é o de alcoolismo como uma doença (Ver Doença Alcoólica), caracterizado pela perda do autocontrole sobre o beber, causado por uma anormalidade biológica preexistente e tendo um curso progressivo previsível. 

Mais tarde o termo foi usado por Jellinek e outros para indicar o consumo de álcool conduzindo a qualquer tipo de dano (físico, psicológico ou social, individual ou grupal). Jellinek subdividiu o alcoolismo assim definido em uma série de "tipos" designados por letras gregas.

A inexatidão do termo levou uma Comissão de Peritos da OMS, em 1979, a desaprová-lo, preferindo estreitar a formulação para síndrome de dependência do álcool como um dos problemas relacionados com o álcool.

Apesar de seu significado ambíguo, alcoolismo é ainda amplamente usado como termo diagnóstico e descritivo. Por exemplo, em 1990, a Sociedade Americana das Dependências definiu alcoolismo como "uma importante doença crônica primária com fatores genéticos, psicossociais e ambientais influenciando seu desenvolvimento e manifestações. 

A doença é com freqüência progressiva e fatal. Está caracterizada por contínua ou periódica perturbação do controle de ingestão, preocupação com a substância do álcool; uso de álcool apesar de suas conseqüências adversas e distorções de pensamento, notadamente, negação". Outras formulações têm dividido o alcoolismo em diversos tipos, alguns vistos como doença e outros não (Ver Tipologia De Jellinek). 
Distinguem-se: 
(i) alcoolismo essencial de alcoolismo reativo, onde "essencial" indica que o alcoolismo não é secundário nem provocado por alguma outra condição; 
(ii) alcoolismo primário de secundário, para indicar a ordem de início, em casos de duplo diagnóstico e;
(iii) alcoolismo do tipo I e do tipo II, tendo o último um componente genético fortemente ligado ao sexo masculino. Em uso mais antigo, a dipsomania (beber episódico) e adicção ao álcool referiam-se à perda do controle de beber; embriaguez também tinha uma mais ampla relação com a intoxicação habitual e seus efeitos prejudiciais.

Acatisia

Acatisia é uma condição psicomotora onde o paciente sente uma grande dificuldade em permanecer parado, sentado ou imóvel.

A Acatisia como efeito colateral dos neurolépticos, notadamente os incisivos (haloperidol, flufenazina e trifuoperidol) ocorre geralmente após o terceiro dia de uso da medicação. Clinicamente é caracterizado por inquietação psicomotora, desejo incontrolável de movimentar-se e sensação interna de tensão. 

O paciente assume uma postura típica de levantar-se a cada instante, andar de um lado para outro e, quando compelido a permanecer sentado, não para de mexer suas pernas. Há um movimento constante e continuado de mexer as pernas como se o paciente estivesse marchando sem sair do lugar.

A Acatisia não responde bem aos anticolinérgicos ou ansiolíticos e o clínico é obrigado a decidir entre a manutenção do tratamento com o antipsicótico com aquelas doses e o desconforto da sintomatologia da Acatisia. Com freqüência é necessário a diminuição da dose ou mudança para outro tipo de antipsicótico. Quando isso acontece normalmente pode-se recorrer aos Antipsicóticos Atípicos.

Abuso e Dependência Química: Oque é?

Abuso

Tudo que vai além do uso habitual ou sancionado. No campo da saúde mental é utilizado com duas acepções principais: 
1. Maus-tratos, ameaças ou lesões infligidos a outrem, de natureza física, psicológica ou moral (dos quais o abuso sexual, particularmente de menores, é uma variedade particular). 
2. Uso excessivo ou inadequado de substâncias, p.ex., álcool ou outras drogas, que pode resultar em dano à saúde ou em um aumento de risco a tal dano. 

Abuso de drogas

No DSM.IV e na CID.10, fala-se em Abuso de Substância, de modo genérico, especificando-se daí, qual a substância abusada. A característica essencial do Abuso de Substância é um padrão mal-adaptativo de uso de substância, manifestado por conseqüências significativamente danosas e recorrentes relacionadas ao uso repetido da substância.

Em decorrência do abuso da substância pode haver um fracasso repetido em cumprir obrigações importantes, pode haver uso repetido em situações nas quais isto apresenta perigo físico, múltiplos problemas legais e problemas sociais e interpessoais recorrentes. Esses problemas devem acontecer de maneira recorrente (com recaídas), durante um período de 12 meses.

À diferença entre Dependência de Substância e Abuso de Substância, diz respeito à tolerância (aumento na quantidade consumida), abstinência (crise por falta da substância) ou um padrão de uso compulsivo, quando há dependência.

Embora um diagnóstico de Abuso de Substância seja mais provável em indivíduos que começaram recentemente a consumi-la, alguns indivíduos continuam por um longo período de tempo sofrendo as conseqüências sociais adversas relacionadas à substância, sem desenvolverem evidências de Dependência de Substância. A categoria Abuso de Substância não se aplica à nicotina e à cafeína.

O indivíduo pode repetidamente apresentar intoxicação ou outros sintomas relacionados à substância, quando deveria cumprir obrigações importantes relativas a seu papel no trabalho, na escola ou em casa. Pode haver repetidas ausências ou fraco desempenho no trabalho, relacionados a "ressacas" recorrentes. Um estudante pode ter ausências, suspensões ou expulsões da escola relacionadas à substância. Enquanto intoxicado, o indivíduo pode negligenciar os filhos ou os afazeres domésticos. A pessoa pode apresentar-se repetidamente intoxicada em situações nas quais isto representa perigo físico (por ex., ao dirigir um automóvel, operar máquinas ou em comportamentos recreativos arriscados, tais como nadar ou praticar montanhismo).

Podem ser observados problemas legais recorrentes relacionados à substância (por ex., detenções por conduta desordeira, agressão e espancamento, direção sob influência da substância). O indivíduo pode continuar utilizando a substância, apesar de uma história de conseqüências sociais ou interpessoais indesejáveis, persistentes ou recorrentes (por ex., conflito com o cônjuge ou divórcio, lutas corporais ou verbais).

Abuso de substâncias que não produzem dependência (F55)

Definido na CID-10 como o uso repetido e inadequado de uma substância isenta de potencial de dependência, que se acompanha de efeitos físicos ou psicológicos nocivos ou envolve um contato desnecessário com profissionais da saúde (ou ambos). Esta categoria poderia ser mais apropriadamente chamada de "abuso de substâncias não psicoativas". Na CID-10, este diagnóstico está incluído na secção "Síndromes comportamentais associadas a perturbações fisiológicas e fatores físicos" (F50-F59).

Uma ampla variedade de medicamentos à venda sob prescrição médica ou de venda livre e de remédios populares e fitoterápicos pode estar envolvida. Os grupos particularmente importantes são:


a) drogas psicotrópicas que não produzem dependência, tais como os antidepressivos e teurolépticos;
b) laxativos (o uso inadequado dos mesmos é chamado de "hábito laxativo");
c) analgésicos que podem ser comprados sem prescrição médica, tais como aspirina (ácido acefilsalicílico) e paracetamol (acetaminofeno);
d) esteróides e outros hormônios;
e) vitaminas; 
f) antiácidos.

Embora estas substâncias não produzam, tipicamente, efeitos psíquicos agradáveis, as tentativas de desencorajar ou proibir o seu uso freqüentemente encontram resistência. A despeito da forte motivação do paciente para tomar a substância, não há o desenvolvimento de síndrome de dependência nem de síndrome de abstinência. Estas substâncias não têm potencial de dependência no sentido de efeitos farmacológicos intrínsecos, mas são capazes de induzir dependência psicológica.

Abuso (de droga, de álcool, de substâncias, de produtos químicos ou de substâncias psicoativas)

Grupo de termos muito utilizado embora com significados variáveis. No DSM-IIIR, "abuso de substância psicoativa" é definido como "padrão de uso desajustado indicado pela continuação desse uso, apesar do indivíduo reconhecer que tem um problema social, ocupacional, psicológico ou físico, recorrente ou persistente, que é causado ou exacerbado pelo uso, recorrente ou não [da substância em questão] em situações nas quais ele é fisicamente perigoso". 

É uma categoria residual, sendo que o diagnóstico de dependência a precede, quando ambos coexistirem. O termo "abuso" é algumas vezes utilizado de forma desaprovadora ao se referir a qualquer tipo de uso, particularmente o de drogas ilícitas. Devido à sua ambiguidade, o termo não é usado na CID-10 (exceto no caso de substâncias que não produzem dependência); uso nocivo e uso arriscado são termos equivalentes a abuso na terminologia da OMS, embora eles geralmente se relacionem somente aos efeitos sobre a saúde e não às conseqüências sociais. 

"Abuso" também é desestimulado pelo Escritório de Prevenção do Abuso de Substâncias dos EUA, embora expressões como "abuso de substâncias" permaneçam em amplo uso na América do Norte, para se referir, de modo geral, aos problemas do uso de substâncias psicoativas.

Em outros contextos, abuso já indicou padrões de uso não-médico ou desaprovado, independentemente das conseqüências. Assim, a definição publicada em 1969 pela Comissão de Peritos da OMS em Dependência de Drogas foi "uso excessivo" de droga, persistente ou esporádico, inconsistente ou sem relação com a prática médica aceitável".

  • abuso de analgésicos
  • abuso de antiácidos
  • abuso de antidepressivos 
  • abuso de barbitúricos 
  • abuso de drogas
  • abuso de esteroides
  • abuso de hormônios
  • abuso de medicamentos populares
  • abuso de plantas medicinais
  • abuso de substância
  • abuso de substâncias psicoativas

Abulia e Hipobulia

Por Hipobulia e Abulia entende-se, respectivamente, a diminuição e a total incapacidade do potencial volitivo. Esse enfraquecimento da vontade pode ocorrer, fugazmente em indivíduos normais, em estados de fadiga ou em conseqüência de trauma emocional intenso. Nessa situação há lentidão concomitante das ações e dos movimentos (bradibulia e bradicinesia).

A debilidade da vontade é observada em todos os estados de depressão e de inibição. A Hipobulia pode ser permanente nas esquizofrenias e em oligofrênicos apáticos. O tipo mais característico de debilidade volitiva é encontrado na depressão, na qual a vontade está inibida em todo o período de duração do acesso. Em estados depressivos a Hipobulia é duradoura, onde surge junto com a baixa volição as típicas dificuldade de decisão.

Anorexia e Alcoolismo

Quantas pessoas você conhece que não são gordas, mas estão sempre de dieta, nunca se gostam, vivem contando as calorias e são obcecadas por estar em forma? Por conta do constante crescimento da valorização do “corpo perfeito” tem-se observado um contínuo sofrimento emocional e doenças alimentares em crianças, jovens e adultos insatisfeitos com o corpo. Exemplo disso é a anorexia alcoólica, junção de duas patologias graves - a anorexia e o alcoolismo.

A aspiração por uma imagem corporal perfeita é inalcançável é interminável, pois é amparada por conceitos irracionais e percepções ilusórias. Isto causa sérias distorções perceptivas que ocasionam a constante insatisfação com o corpo e a graves doenças, como os transtornos alimentares, anorexia, bulimia, Drunkorexia (anorexia alcoólica), entre outros. 

O transtorno alimentar é uma doença multifatorial definida como desvio de comportamento alimentar que pode induzir ao emagrecimento extremo ou à obesidade. Já a Drunkorexia, ou anorexia alcoólica é um termo criado nos EUA para nomear a junção de duas graves patologias, a anorexia e o alcoolismo, distúrbio muito comum entre jovens e adultos de idade entre 20 e 40 anos, que ingerem bebidas alcoólicas no lugar da refeição. 

A similaridade entre as duas doenças está no quadro de alteração emocional e na busca obsessiva pelo corpo perfeito e magro. “obcecadas pela forma física perfeita, as mulheres ingerem doses excessivas de álcool para enganar a fome e amenizar as dores de estômago, substituindo refeições por bebidas e enviando estímulos falsos ao aparelho digestivo”, explica. 

Estudos psiquiátricos demonstram que o alcoolismo, principalmente aquele ocasionado em mulheres, está ligado a problemas psicológicos como depressão, ansiedade, anorexia, bulimia, entre outros. Além disso, pode-se levar em conta que o álcool funciona como um anestésico momentâneo das emoções negativas, logo, percebe-se que muitas vezes a pessoa se utiliza da bebida alcoólica para “esquecer” fatos desagradáveis.

A anorexia e a anorexia alcoólica assim como qualquer outro transtorno alimentar não estão restritas a apenas uma classe social. A doença pode atingir qualquer classe e na maioria das vezes ocorre em meninas, de boa aparência, inteligentes e com perfil perfeccionista. Elas aparentam ser independentes, mas possuem um nível elevado de carência de afeto.

Pessoas que sofrem deste mal apresentam características semelhantes de comportamento, como a preocupação de comer em público, tentam se livrar da refeição em guardanapos ou bolsos. O pensamento rígido e o sentimento de desvalorização são freqüentes, podendo ocorrer também o isolamento social. 

As consequências dos transtornos alimentares são sérias e merecem atenção, pois podem levar à morte. A anorexia ocasiona desnutrição, transformando mulheres saudáveis e bonitas em cadáveres ambulantes, já o álcool impede a absorção de muitas vitaminas, prejudica a atividade dos glóbulos brancos diminuindo a resistência do organismo às infecções. Dessa forma, a união das duas doenças acaba tendo um efeito destruidor.

Tratamento

O tratamento mais indicado para as pessoas que sofrem de anorexia e anorexia alcoólica deve ser realizado por uma equipe multidisciplinar formada principalmente por psiquiatra, psicólogo, clínico e nutricionista, em função da complexa interação de problemas emocionais e fisiológicos que ocorrem nos transtornos alimentares. No que se refere ao tratamento psicoterápico, a terapia cognitivo-comportamental (TCC) tem-se mostrando eficaz nos resultados, pois baseia-se na teoria de que as cognições (pensamentos ou idéias) influenciam a sua afetividade e seu comportamento. Portanto, a TCC procura modificar a forma de pensar, sentir e agir para que assim a pessoa adquira comportamentos que passam a ser mais aceitáveis e adequados. 

Sinais de alerta:

Fique atento aos principais sinais que um indivíduo que sofre de anorexia ou anorexia alcoólica pode apresentar:

  • perda de peso em um espaço de tempo reduzido;
  • obsessões com a alimentação e preocupação com peso corporal;
  • crença de que se está gordo, mesmo estando com o peso abaixo da média; 
  • parada do ciclo menstrual, 
  • depressão, ansiedade e irritabilidade; 
  • exercícios físicos em excesso; 
  • progressivo isolamento da família e amigos;
  • ingestão em demasia de bebida alcoólica.

O que é Abstinência

Abstinência

Abstenção do uso de droga ou (particularmente) de bebidas alcoólicas, por questão de princípio ou por outras razões. O indivíduo que pratica a abstinência é chamado de abstêmio. Deve-se, no entanto, diferenciar abstêmio (que não bebe ou não usa drogas) de abstinente (que não está, atualmente, bebendo; que não está, atualmente, usando drogas). A expressão "atualmente abstinente", freqüentemente usada em levantamentos populacionais, geralmente define uma pessoa que não ingeriu bebidas alcoólicas nos últimos 12 meses; esta definição não coincide necessariamente com a descrição que o próprio indivíduo faz de si como um abstêmio. O termo "abstinência" não deve ser confundido com "síndrome de abstinência".

Abstinência condicionada

Síndrome com sinais e sintomas semelhantes à abstinência, geralmente vivenciados por indivíduos dependentes de álcool ou opiáceos, que são expostos a estímulos previamente associados com ouso de álcool ou outras drogas. De acordo com a teoria clássica do condicionamento, estímulos ambientais não condicionados, temporariamente associados a reações de abstinência, tornam-se estímulos condicionados capazes de eliciar os mesmos sintomas de abstinência. Em outra versão da teoria do condicionamento, uma resposta inata compensatória aos efeitos de uma substância (tolerância aguda) torna-se condicionada e associada aos estímulos relacionados ao uso da substância. Se os estímulos são apresentados sem a efetiva administração da substância, a resposta condicionada é eliciada como uma reação compensatória do tipo da abstinência. 

Abstinência protraída

Ocorrência de sintomas da síndrome de abstinência, geralmente leves, mas desconfortáveis, por várias semanas ou meses após a síndrome de abstinência física aguda ter passado. Esta é uma condição encontrada em dependentes do álcool, dependentes de sedativos, e dependentes de opióides. Os sintomas psíquicos tais como ansiedade, agitação, irritabilidade e depressão são mais proeminentes que os sintomas físicos. Os sintomas podem ser precipitados ou exacerbados pela visão do álcool ou da droga de dependência, ou pelo retorno ao ambiente previamente associado ao uso de álcool ou de outra droga.

Abstinência, sintomas de - Efeitos físicos e mentais da retirada de substâncias aditivas dos pacientes que se tornaram dependentes delas.

12/18/2014

Dependência Química, Recuperação e Alimentação – Café

Café: planta (medicinal) utilizada como estimulante, aceleradora da absorção de outras moléculas (aumento da rapidez do efeito, por ex. do paracetamol), contra as dores de cabeça, enxaquecas e outras.

Constituintes 
Cafeína, ácidos clorogênicos

Partes utilizadas
Grãos

Efeitos do café 
Estimulante (do ponto de vista químico: consiste no bloqueio da adenosina), estimula a concentração, aumenta a memorização ou a associação de idéias (criatividade), exerce um estímulo positivo sobre o estado de espírito, antioxidante, efeito antibacteriano, vasoconstritor, protetor do fígado, diurético.


Indicações do café
Fadiga, enxaqueca (em associação a um analgésico), dor de cabeça (com ou sem associação a um analgésico), problemas de memória (efeito ainda não comprovado) cáries (em prevenção), diabetes (em prevenção), doença de Parkinson (em prevenção, diminui em 80% o risco de desenvolver o Mal de Parkinson), câncer de fígado (em prevenção), câncer do cólon (em prevenção, reduz em 25% o risco de desenvolver um câncer do cólon), câncer do útero, protetor do fígado em caso de alcoolismo (em prevenção), mau humor (humor depressivo), hipertensão (um café por dia provoca a diminuição da pressão arterial em algumas pessoas a até 9 milímetros de mercúrio, mais informações em conselhos sobre a hipertensão).

Efeitos secundários
Excitação, nervosismo, distúrbios do sono, problemas de ereção (em alta dose, como 10 a 12 cafés por dia), problemas na absorção metabólica de determinados minerais, desidratação, angústia ou medo, problemas cardíacos, incontinência (sobretudo nas mulheres), dependência (droga, risco de farmacodependência devido ao aumento do número de receptores da adenosina), distúrbios digestivos na região do estômago, geração de um fenômeno de tolerância, em crianças (taxa de cafeina nos refrigerantes), possível desenvolvimento de hiperatividade.

Contra-indicações 
Distúrbios cardíacos, esporte intensivo (diminui a oxigenação), gravidez (acreditamos que não se trata de uma contra-indicação absoluta mas é preferível evitar o café), osteoporose, distúrbios do sono. 



O café cresce principalmente nos países quentes (América Central, África, Brasil,...).

Observações
Bebida muito apreciada no Brasil, na Europa e no resto do mundo, consumida em dose moderada (3 a 4 cafés por dia), o café provoca nenhum ou somente poucos efeitos secundários. Todavia, nas pessoas sensíveis (como as crianças) e em fortes doses, o café pode ter os seguintes efeitos secundários: medo, angústia, hiperatividade, diarreia, problemas cardíacos, dores de cabeça e etc. Se você estiver apresentando algum desses efeitos secundários reduza o consumo ou pare totalmente com o café, opte pelo chá preto ou verde, que também exercem um efeito estimulante, porém possuem uma concentração menor de cafeina (teína). 

A cafeína (princípio ativo do café) intervém em inúmeras preparações farmacêuticas, como por exemplo, no efeito sonífero de medicamento (em antialérgicos, em medicamentos contra as dores de viagens) ou para ativar e potencializar o efeito de determinados antálgicos (paracetamol, AAS). É interessante mencionar ainda um estudo que prova que mulheres que consomem mais de 5 xícaras de café por dia engravidam com mais dificuldade. No entanto, o café ainda tem um papel preventivo em inúmeras doenças (incluindo o câncer), sendo assim, o benefício de tomar café é superior, e ele é portanto aconselhado para a população (menos para as pessoas sensíveis).

Dependência Química, Recuperação e Alimentação – Cacau

O cacau cresce geralmente nos países tropicais. O cacau está na origem do chocolate, um alimento bastante consumido em todo o mundo, principalmente no ocidente. A origem do cacau vem dos Maias, para os quais este era considerado o "alimento dos Deuses". Do ponto de vista médico e nutritivo, estudos comprovaram o efeito benéfico do cacau (do chocolate meio amargo, de preferência) para tratar uma depressão passageira ou melhorar o sistema cardiovascular. A concentração de cacau é superior no chocolate meio amargo, portanto, se você quiser ter os efeitos benéficos do cacau, dê preferência a este tipo de chocolate. 

Os antigos Incas, Maias e Astecas consideravam o cacau como uma fonte de poder. O nome científico para a semente de cacau é Theobroma cacao, que, literalmente, se traduz como “alimento dos deuses”. 

Grãos de cacau são carregados com antioxidantes poderosos, bem como, importantes minerais e vitaminas. Para ter uma ideia, o cacau contém mais antioxidantes, polifenóis, catequinas e epicatequinas que o vinho tinto, morango, romã e chá verde, combinados. 

Constituintes: Xantinas [teobromina], feniletilamina (responsável pelo efeito antidepressivo), flavonoides, endorfinas, polifenóis. 

Partes utilizadas: Grãos 

Benefícios do cacau 

  • Consumido em forma de chocolate, ele pode ter um efeito contra a depressão leve e uma ação positiva sobre o sistema cardiovascular (graças ao efeito antioxidante).
  • Em cápsula, ele pode ter um efeito positivo contra o excesso de peso e gordura. Atenção, na forma de chocolate (alimento) é completamente o oposto do que parece, especialmente se você consumir mais que duas barrinhas por dia.
  • Outro estudo britânico realizado com 114 mil pessoas, publicado em Agosto de 2011, mostrou que pessoas que consomem duas barrinhas de chocolate (de preferência preto) por dia, tinham um risco 37% menor de sofrer de doenças cardiovasculares (por exemplo, infarto do coração), 29% menor de sofrer de AVC e 31% menor de sofrer de diabetes.
  • . O cacau é um dos alimentos que mais possui magnésio. O magnésio é um mineral essencial para o funcionamento saudável do coração. Muitos distúrbios cardíacos estão relacionados com um nível insuficiente de magnésio no músculo do coração.
  • Além de ser rico em magnésio, o cacau também está repleto de flavonoides. Os flavonoides previnem o aparecimento de coágulos sanguíneos. Eles colaboram para tornar as plaquetas do sangue menos viscosas e, portanto, reduzem a principal causa de ataques cardíacos e derrames.
  • Frear o desejo por comida é outro benefício deste poderoso alimento. Ele contém dois nutrientes, teobromina e anandamida que aceleram o metabolismo e reduzem a comilança emocional.
  • O cacau também ajuda o corpo a metabolizar o açúcar e reduzir a resistência à insulina. Um pequeno estudo italiano da Universidade de L’Aquilia descobriu que, os participantes que consumiram o equivalente a uma barra de chocolate escuro ao longo de 15 dias, reduziram a resistência à insulina quase pela metade. Ponto para os diabéticos!
  • Este alimento dos deuses ainda contém quantidades significativas de triptofano, um aminoácido essencial que colabora para produção de serotonina e melatonina, dois neurotransmissores que servem como um “escudo de defesa contra o estresse”, e desempenham um papel importante na regulação do humor.
  • Reduzir o mau colesterol (LDL) e aumentar o bom colesterol (HDL)
  • Melhorar a saúde mental
  • Ter efeitos antidepressivos
  • Proteger a visão
  • Melhorar a saúde e o bem-estar de um modo geral
Efeitos secundários: Enxaqueca, distúrbios gastrointestinais, ganho de peso (no caso de consumo excessivo de chocolate).

Alcoolismo e Suicídio

Aspectos psicológicos, sociais que influenciam e/ou determinam a relação entre uso/abuso de álcool e suicídio

O consumo de bebida alcoólica ultrapassa gerações e padrões sociais, tem ocorrido em todas as culturas e os prejuízos causados em razão do consumo dessa substância são registrados desde a antiguidade. Estudos mostram que o uso demasiado de bebidas alcoólicas produz efeitos prejudiciais aos seres humanos, quer seja em relação aos fatores biopsicossociais ou individuais e são uma das causas do suicídio.

Não há quantidade segura quando se trata da ingestão de substâncias desse porte, porque há “[...] indivíduos que bebem eventualmente, mas são incapazes de controlar ou adequar seu modo de consumo”, acarretando em problemas sociais (como brigas, falta de emprego etc.), físicos (acidentes) e psicológicos. Deste modo, é de fundamental importância investigar todas as formas de comportamentos resultantes do consumo de álcool que antecedem o suicídio, para informar a sociedade a respeito dos fatores desencadeantes do suicídio por uso do álcool.

Nessa perspectiva, considera-se que quanto mais informações adquiridas pelos profissionais de saúde, melhor será o planejamento para uma possível abordagem terapêutica, lembrando-se que cada indivíduo é diferente do outro e que o álcool, assim como outras drogas, atua de modo negativo no controle, na motivação, na atitude interna e contribui materialmente para o impulso do comportamento suicida.

O uso de bebidas alcoólicas é um hábito tão antigo quanto à própria civilização. Os efeitos benéficos sociais do uso moderado do álcool não podem ser medidos, mas certamente não podem ser negados. Como droga psicoativa mais utilizada em todo o mundo, tem sido responsável por 50% dos casos de morte em acidentes de trânsito e causa de aproximadamente 50% dos homicídios e 25% de suicídios. Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), classifica-se como alcoolista a pessoa que ultrapassa os padrões de consumo de bebidas alcoólicas e torna-se dependente das mesmas, o que acarreta graves problemas para o indivíduo, pessoas próximas, comunidade e torna-se problema de saúde pública.

O uso crônico e excessivo de substâncias alcoólicas resulta em problemas físicos, psiquiátricos, ocupacionais e familiares. Trata-se de um grave problema médico-social e um dos malefícios mais frequentes no mundo, cujo tratamento tem resultado terapêutico limitado. O álcool produz efeitos depressores sobre o sistema nervoso central, porém efeitos paradoxalmente estimulantes ou euforizantes são observáveis em alguns alcoolistas, sendo que a maioria deles sofre desaprovação social, desenvolve sérios problemas de saúde e tende a negar a dependência.

O alcoolismo é, sem dúvida, a mais frequente das toxicomanias e a Organização Mundial da Saúde estima que sua prevalência esteja em torno de 13% da população, o que é alarmante. É mais frequente nos homens do que nas mulheres e o uso excessivo dessa substância comumente inicia-se entre 20 e 24 anos, sendo que a maior incidência de psicoses relacionadas ao alcoolismo ocorre na quinta década de vida. Alguns transtornos mentais encontram-se corroborando para o consumo do álcool, tais como: ansiedade; pânico; fobias; depressão e esquizofrenia e, muitas vezes, serve como sedativo para inquietação, ansiedade e insônia.

O suicídio é “a morte de si mesmo”, portanto voluntária e consciente. Assim, qualquer definição de suicídio reflete a intenção pessoal de morrer e muitas pessoas tentam o suicídio ou se auto agridem com tal seriedade a ponto de precisarem de cuidados médicos. Todo mundo já pensou, algum dia, na ideia de resolver alguma situação difícil morrendo, mas isso como uma ideia fugaz, passageira. É algo normal. A ideação suicida é caracterizada quando a pessoa tem a ideia frequente de tirar a própria vida. Esse é o primeiro nível de gravidade a ser identificado em uma triagem de saúde mental.

O plano suicida ocorre se, além de ter tal ideia, a pessoa estiver fazendo um plano, considerando como, quando e onde consumaria o fato e tomando providências concretas nesse sentido, esse é o segundo nível de gravidade. Juntos, a ideação e planos suicidas dão origem ao terceiro e mais grave nível, quando a pessoa dispõe de meios efetivos para consumar o plano, tais como fácil acesso a armas de fogo, venenos, acesso a lugares altos etc. Na relação entre suicídio e alcoolismo, em alguns casos, na fase da abstinência alcoólica o indivíduo fica totalmente descontrolado e a única saída encontrada para aliviar este sintoma é o suicídio.

Dentre os transtornos mentais relacionados ao suicídio encontra-se o alcoolismo ou transtorno por abuso de substâncias psicoativas. Em uma pesquisa desenvolvida pelos autores nos EUA constatou-se que 25 a 50% das mortes por suicídio encontram-se relacionadas ao uso e abuso de substâncias e álcool. A morte por suicídio relacionado ao transtorno de uso de álcool na população estudada ao longo da vida de cada indivíduo apresentou um percentual de 2 a 18%.

Segundo a Organização Mundial da Saúde - OMS, o Brasil ocupa a 10ª posição dentre os demais países no mundo em números de suicídios e as estimativas apontam que entre 10 a 20% dos brasileiros sejam alcoolistas. Um estudo epidemiológico no Brasil obteve prevalência de 11,2% de dependentes de álcool, sendo 17,1% entre os homens e 5,7% entre as mulheres.

Estima-se que aproximadamente 815 mil indivíduos se suicidaram em 2000. No ano de 2004, das 127.470 mortes por causas externas, 8.017 delas (6,3%) foram por suicídio. A taxa de suicídio no Brasil cresceu 21% de 1980 a 2000, principalmente entre os jovens de 15 a 24 anos. Calcula-se que até 2020 mais de 1,5 milhões de pessoas cometerão suicídio. Os dados da OMS (2010) indicam que o cigarro e o álcool juntos são responsáveis por 8,1% dos problemas de saúde dos brasileiros, tornando-se uma questão de saúde pública.

Para identificar a dependência alcoólica é necessário que se faça uma avaliação através de exames clínicos, psicológicos ou através de relatos com o próprio alcoolista e com familiares. Dentre as técnicas existentes, podem ser utilizadas entrevistas, exames clínicos e testes psicológicos, além de observar critérios de diagnóstico para dependência de substâncias psicoativas com a utilização de manuais diagnósticos.

O diagnóstico requer que um dano real deva ter sido causado à saúde física e mental do usuário. Padrões nocivos de uso são frequentemente criticados por outras pessoas e estão associados a consequências sociais diversas. O fato de um padrão de uso ou uma substância em particular não ser aprovado por outra pessoa, pela cultura ou por ter levado a consequências socialmente negativas, tais como prisão ou brigas conjugais, não é por si mesmo evidencia de uso nocivo. O uso nocivo não deve ser diagnosticado se a síndrome de dependência, um transtorno psicótico ou outra forma especifica de transtorno relacionado ao uso de drogas ou álcool está presente.

Critérios diagnósticos da dependência de substancias psicoativas

Compulsão para o consumo

A experiência de um desejo incontrolável de consumir uma substância. O indivíduo imagina-se incapaz de colocar barreiras a tal desejo e sempre acaba consumindo.

Aumento da tolerância

A necessidade de doses crescentes de uma determinada substância psicoativa para alcançar efeitos originalmente obtidos com doses mais baixas.

Síndrome de abstinência

O surgimento de sinais e sintomas de intensidade variáveis quando o consumo de substância psicoativa cessou ou foi reduzido.

Alívio ou evitação da abstinência pelo aumento do consumo

O consumo de substâncias psicoativas visando ao alivio dos sintomas de abstinência. Como o indivíduo aprende a detectar os intervalos que separam a manifestação de tais sintomas, passa a consumir a substância preventivamente, a fim de evitá-los.

Relevância do consumo

O consumo de uma substância torna-se prioridade, mais importante do que coisas que outrora eram valorizadas pelo indivíduo.

Estreitamento ou empobrecimento do repertório

A perda das referências internas e externas que norteiam o consumo. À medida que a dependência avança, as referências voltam-se exclusivamente para o alívio dos sintomas de abstinência, em detrimento do consumo ligado a eventos sociais. Além disso, passa a ocorrer em locais onde sua presença é incompatível, como por exemplo, o local de trabalho.

O ressurgimento dos comportamentos relacionados ao consumo e dos sintomas de abstinência após um período de abstinência. Uma síndrome que levou anos para se desenvolver pode se reinstalar em poucos dias, mesmo o indivíduo tendo atravessado um longo período de abstinência.

Um diagnóstico definitivo de dependência deve usualmente ser feito somente se três ou mais dos seguintes requisitos tenham sido experienciados ou exibidos em algum momento do ano anterior.

a) um forte desejo ou senso de compulsão para consumir a substância. 

b) dificuldades em controlar o comportamento de consumir a substância em termos de seu início, término e níveis de consumo;

c) um estado de abstinência fisiológico quando o uso da substância cessou ou foi reduzido, como evidenciado por: síndrome de abstinência para a substância ou o uso da mesma substância (ou de uma intimamente relacionada) com a intenção de aliviar ou evitar sintomas de abstinência;

d) evidência de tolerância, de tal forma que doses crescentes da substância psicoativa são requeridas para alcançar efeitos originalmente produzidos por doses mais baixas;

e) abandono progressivo de prazeres e interesses alternativos em favor do uso da substância psicoativa, aumento da quantidade de tempo necessária para se recuperar de seus efeitos;

f) persistência no uso da substância, a despeito de evidência clara de consequências manifestamente nocivas. Devem-se fazer esforços claros para determinar se o usuário estava realmente consciente da natureza e extensão do dano.

Para se realizar o diagnóstico da dependência alcoólica é necessário que sejam avaliados três padrões principais da patologia: necessidade de uso diário de álcool para o funcionamento adequado; a ingestão regular e maciça de bebidas alcoólicas, limitada aos finais de semana; e longos períodos de abstinência intercalados com períodos de uso excessivo que duram desde semanas até meses.

Jellinek definiu alcoolismo como qualquer uso de bebidas alcoólicas que causa dano ao indivíduo, à sociedade ou a ambos, classificando os alcoolistas conforme o padrão de uso da bebida. Embora tal definição não seja perfeita, é utilizada porque evoca padrões clínicos, culturais e critérios de inclusão e exclusão. Divide-se os alcoolistas em dois tipos:

· Tipo I: bebedor árduo, início após 25 anos com reforço externo para beber;
· T ipo II: início precoce e desenvolve o alcoolismo independentemente de reforço externo.

Sendo assim, é imperativo ressaltar o alcoolismo em diferentes fases de desenvolvimento de dependência, sendo eles: 

· fase pré-alcoólica, que pode durar de 6 a 12 meses - seu uso é sintomático;
· fase prodrômica, que pode durar de 6 meses a 5 anos - há comprometimento orgânico maior;
· fase crucial, com perda de controle sobre o uso, presença de diversos sintomas e síndrome de abstinência, bem como graves problemas sociais e familiares;
· fase crônica, com embriaguez contínua e graves problemas psicológicos e físicos.

O uso excessivo do álcool pode causar alguns transtornos mentais, dentre eles:

· Intoxicação Alcoólica; 
· Intoxicação alcoólica idiossincrásica; 
· Síndrome de abstinência alcoólica; 
· Delirium de abstinência alcoólica (delirium tremens); 
· Alucinose alcoólica; 
· Ciúme patológico; 
· Síndrome amnéstica alcoólica (Síndrome de Wernicke-Korsakoff); 
· Demência associada ao alcoolismo. 

Diante dos transtornos causados, existem tratamentos que auxiliam na melhora do dependente. A seguir serão apresentados os tratamentos utilizados nas diferentes classificações do alcoolismo.

O alcoolismo constitui uma abordagem lógica para o problema ao considerar três possíveis causas: 

· Alcoolismo social;
· Alcoolismo neurótico;
· Alcoolismo psicótico. 

Importante lembrar que essas categorias são complementares.

As pesquisas revelam alguns fatores que estão associados à maior probabilidade de suicídios entre pessoas que abusam do álcool, tais como: serem homens, jovens, divorciados ou separados, desempregados, depressivos, viúvos, quando comparados a outros indivíduos suicidas que não abusaram do álcool nos meses que precederam seus suicídios. 

Em outra pesquisa constatou-se que entre 100 suicídios, 93% tinham doenças mentais, 85% tinham depressão ou alcoolismo. De igual forma, em um estudo realizado por com alcoolistas com maior risco de suicídio, identificou-se que a maioria era de homens brancos, em idades produtivas, tinham pouco apoio social, alguns portavam doenças físicas sérias, outros estavam desempregados, viviam sozinhos e tinham manifestado intenção de suicídio. Os dados apontam que cerca de 83% dos alcoolistas que cometeram suicídio apresentaram também pelo menos quatro dos sete fatores de risco.

Indivíduos que abusam do álcool apresentam maior probabilidade de morte por intoxicação alcoólica ou por overdose de medicamentos e outras drogas e, os suicídios relacionados ao álcool também tem os indivíduos com mais eventos vitais adversos próximos ao momento de seu suicídio, apesar de terem melhor ajustamento psicossocial anterior ao longo da vida”.

Em um estudo entre alcoolistas hospitalizados por depressão maior, identificaram que quase 40% deles tinham feito uma tentativa de suicídio na semana anterior à baixa e 70% haviam realizado uma tentativa em algum momento de sua vida, segundo os mesmos autores: “Havia uma associação significativa entre o comportamento suicida recente e o consumo exagerado de bebida recente, sendo que a maioria dos sujeitos também relatava ter bebido mais do que o habitual no dia de suas tentativas de suicídio, as quais geralmente eram impulsivas”.

Ao ser detectado o risco de suicídio a pessoa deverá ser acompanhada, amparada, vigiada por todos de sua família, da comunidade ou pelos profissionais que estão em sua volta. A hospitalização pode ser indicada nos casos graves.

As taxas de suicídio aumentam com a idade e ressaltam a importância da crise da meia-idade, embora o suicídio entre homens de 25 a 34 anos tenha aumento em cerca de 30% nos últimos anos. Há um aumento de suicídios entre jovens, homens de 15 a 24 anos e a taxa de suicídio para as mulheres no mesmo grupo etário vem aumentando significativamente (Associação Americana de Psiquiatria, 2008). Existe ainda diferença entre as taxas de suicídio de homens e mulheres conforme a faixa etária, sendo de 45 anos para homens e após os 55 para as mulheres.

Quanto ao gênero e orientação sexual, as pesquisas revelam que os homens cometem quatro vezes mais suicídio do que as mulheres. Os riscos de tentativas de suicídio e ideação suicida entre indivíduos homo e bissexuais foram avaliados por diferentes pesquisadores e as tentativas de suicídio mais comuns são identificadas em homens com orientação sexual para o mesmo gênero.

Variações nas taxas de suicídios estão associadas à raça, etnia e cultura. Dois em cada três suicídios são de homens brancos, mas o suicídio entre negros está crescendo, quatro vezes maior do que para as mulheres brancas e oito vezes maior do que para as mulheres negras. O suicídio entre jovens indígenas está crescendo significativamente e entre os imigrantes (mundialmente) são encontradas as taxas mais altas de suicídios do que a população nativa. O choque cultural é causa de suicídios na velhice, visto que os valores da sociedade como um todo se modificam alterando a identidade familiar que resulta no isolamento dos idosos e contribui para o suicídio.

Quanto ao estado civil e ocupação, o casamento reforçado por filhos tende a diminuir o risco de suicídio. A taxa de suicídio varia de 11 por 100 mil para pessoas casadas enquanto que para as solteiras que nunca se casaram a taxa global de suicido é duas vezes maior. O suicídio ocorre com maior frequência do que o usual entre indivíduos socialmente isolados e com história familiar de suicídio (tentativas ou suicídio consumado). 

Quanto maior a condição social de uma pessoa, maior é o risco de suicídio, mas uma queda na condição social também aumenta esse risco. Ter uma ocupação (emprego, trabalho) em geral protege a pessoa contra o suicídio e, dentre as profissões, os médicos apresentam um índice maior de possibilidades de suicídio, sendo a proporção de suicídio entre as mulheres médicas maior do que a relacionada a outras mulheres com mais de 25 anos de idade.

Assim como no alcoolismo, a prevenção ainda é a melhor maneira de reduzir os danos causados ao indivíduo e a identificação de fatores de risco pode auxiliar na diminuição das tentativas. A prevenção do suicídio deve ser pautada no conhecimento dos fatores de risco e o profissional que atender o paciente com histórico de tentativas de suicídio deve reconhecer o que é uma ideação suicida, plano suicida e meio suicida, bem como tomar precauções para tentar evitar que o paciente atente contra a própria vida.

O comportamento suicida apresenta várias causas complexas e que interagem entre si. A identificação desses fatores e a compreensão de seu papel é essencial para a prevenção do suicídio. O psicólogo deve ficar atento a fatores como pobreza, conflitos intrafamiliares, perda de pessoas queridas ou amigos, rompimento de relacionamento e problemas jurídicos ou ocupacionais que são fatores de risco para suicídio.

A história de suicídio familiar é considerada também um fator de risco relacionado tanto a aspectos sociais quanto genéticos. O uso excessivo de álcool e outras drogas, o abuso físico ou sexual na infância, isolamento social, depressão, transtornos do humor, esquizofrenia, sentimento de desesperança e doenças físicas dolorosas e incapacitantes são fatores que predispõem o suicídio.

Psicoterapia é a aplicação de técnicas especializadas ao tratamento de distúrbios mentais ou a outros problemas de ajustamento cotidiano. O termo psicoterapia inclui diversas técnicas empregadas por especialistas de várias formações teóricas. Deste modo, para o tratamento do paciente alcoolista com risco de suicídio, algumas terapias como: Cognitivo Comportamental, Breve, Psicodinâmicas e Interpessoais e de Apoio são utilizadas na saúde mental.

A psicoterapia do comportamento consiste na aplicação dos princípios da aprendizagem ao tratamento da conduta desordenada, sendo elas:

- Dessensibilização Sistemática: baseia-se no princípio comportamental de contra condicionamento, pelo qual a pessoa supera a ansiedade mal adaptativa induzida por uma situação ou um objeto abordado, de forma gradual, a situação terminada, em um estado psicofisiológico que inibe a ansiedade. São utilizados recursos de relaxamento para aliviar a ansiedade;

- Exposição Gradual Terapêutica: semelhante à dessensibilização sistemática, porém não utiliza técnicas de relaxamento, o indivíduo deve entrar em contato com o estímulo temido para ficar sabendo que não haverá consequências perigosas (ex: medo de gatos, podem progredir de olhar a figura de um gato até segurar um);

- Inundação: também conhecida como implosão, é semelhante à exposição gradual na medida em que envolve a exposição in vivo ao objeto temido. Tal abordagem baseia-se na premissa de que fugir de uma experiência provocadora de ansiedade reforça a ansiedade mediante o condicionamento. Este método funciona melhor com fobias;

- Modelagem Participante: os pacientes aprendem um novo comportamento por imitação, primariamente por observação, sem ter que realizar o comportamento até que se sintam prontos. Esta técnica tem sido usada com sucesso na agorafobia.

A terapia cognitiva, de acordo com seu criador, Aaron Beck é desenvolvida onde o afeto e o comportamento de um indivíduo são determinados pela forma como o mesmo estrutura o mundo. É uma terapia de curto prazo que utiliza colaboração ativa entre paciente e terapeuta para atingir os objetivos terapêuticos, orientada para problemas atuais e sua resolução.

A psicoterapia cognitiva e comportamental consiste em técnicas como: “auto monitoramento, fixação de objetos, gratificação pela realização de metas, analise funcional das situações de ingestão de bebidas alcoólicas e aprendizado de habilidades de enfrentamento alternativas”.

O objetivo da psicoterapia breve é o alívio dos sintomas no paciente para que esse atinja equilíbrio. Se necessário, motivá-lo a aderir um tratamento mais prolongado com o objetivo de reduzir o uso ou abuso de álcool e outras drogas.

A psicoterapia dinâmica engloba quase todas as variedades de psicoterapia breve, intervindo nas crises do paciente. O objetivo é a resolução do desconforto cronicamente suportada e da autoimagem negativa do paciente. O foco de intervenção é o desconforto presente e cronicamente suportado pelo paciente alcoolista.

A psicoterapia de Apoio é uma forma de terapia em que o terapeuta, pelo encorajamento, exortação (animação), sugestão e estímulo de confiança, tenta fortalecer o funcionamento do ego no paciente suicida, sobretudo durante os períodos mais penosos no curso de uma psicoterapia de profundidade. Na psicoterapia de apoio o psicólogo recorre principalmente, a manipulação do meio cultural do paciente, para que lhe sejam propiciados fatores necessários a sua satisfação pessoal/individual, cuja ausência é uma das causas que precipita o comportamento suicida.

A psicoterapia familiar pode tratar as preocupações de qualquer membro da família, tem maior probabilidade de influenciar os filhos, cuja realidade cotidiana é diretamente afetada pelo contexto familiar. A técnica focaliza em intervenções que visem melhorar o funcionamento da família, tem duração de até duas horas por sessão e acontece uma vez por semana.