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NOVO!

Livro sobre o tratamento do alcoolismo através da Fé

DEPENDENTES DE JESUS


Leia o resumo e peça o seu! A palavra de Deus me salvou e pode salvar você também!


7/07/2015

QUANDO A CURA VEM DO CORAÇÃO E DA MENTE



Filomena Maria Perrella Balestieri

 “Deus quer que nos mantenhamos na verdadeira fé, com a qual podemos curar e curar-nos. Levando esta fé dentro de nós acreditaremos que tudo pode ser possível através dela, ainda que nada se traduza exteriormente diante dos nossos olhos. Os verdadeiros médicos são aqueles que trazem para nós as obras da caridade divina, não perturbando com as suas obras a fé que guardamos no fundo do nosso ser e com a qual podemos caminhar sobre as águas.” 
Paracelsus (1493-1541) 

Introdução 

Em alguns períodos da história da humanidade, estivemos como seres humanos com a mente e o coração integrados, ou seja, a razão e a intuição estavam irmanadas. Nos últimos séculos, a mente racional, tecnológica foi tomando uma dimensão extraordinária no cotidiano e o coração foi sendo esquecido. O reflexo disso são o estresse e os distúrbios dele decorrentes, que vão desde uma doença cardiovascular até o câncer, as doenças auto-imunes e a depressão. 

Em contraponto, nunca se valorizou tanto a religião e as terapias alternativas/complementares. O homem está cansado de tanta racionalidade sem a integração com o seu aspecto mais antigo, mais transcendente; o homem está se cansando de engatinhar, ele quer voar. Isso me faz lembrar que as aves nasceram para voar, mas precisam passar pelo processo de aprendizagem; antes que as suas asas tenham forças e tenham adquirido todas as penas, é impossível voar; mas um dia, depois de tanta espera e aprendizado, se arrisca no seu primeiro voo. 

E depois disso, nunca mais será a mesma, porque a sua visão se ampliou, vislumbrou o infinito e a paz de ser aquilo que deveria ser. Assim nós como humanidade, estamos tentando voar, sermos o ser transcendente que somos, mas o conhecimento em excesso sem a conexão com a nossa intuição, nos leva a rastejar. E fica aquele sentimento de saudade de algo que não se sabe o que é; a saudade do que deveríamos ser e não somos. 

E passamos a vida olhando os céus sem saber que o que almejamos é voar. No mundo moderno, na maioria das vezes quando tentamos alçar o primeiro voo, alguém nos puxa; tentamos de novo e nada e nessa luta infinda, adoecemos na alma e no corpo. E assim nos contentamos com alguns momentos de transcendência quando numa oração, num ritual contemplamos aquilo que desejamos; tentamos preservar aqueles momentos, mas a pressão da vida nos faz aterrissar de novo. 

E mantém-se a fé e a esperança naquela experiência de transcendência, naquela percepção de que somos UM com o TODO. A fé, no entanto, nem sempre está associada a essa experiência onde se está por inteiro; a fé em muitos casos é cultivada por razões associadas ao medo, à insegurança frente ao mundo hostil em que se vive, à necessidade de se depender de forças externas para que uma vida saudável seja mantida. 

Existe uma grande diferença entre esses dois tipos de fé, que a ciência diferencia em religiosidade intrínseca e extrínseca. Na primeira a religiosidade vem de dentro, da experiência, que não depende de rituais, ela é; a outra depende de fatores externos, nem sempre acompanhados de experiência de transcendência, talvez de uma sensação de maior segurança, de confiança e de certeza de proteção e está associada a rituais e comportamentos ligados a determinada entidade religiosa. 

Essa é a grande dificuldade que a neurociência e a psiconeuroimunologia tem ao estudar a fé e a sua relação com a cura. Para que a cura pela fé seja possível tem que haver uma integração do corpo, da mente e do espírito como descreve o filósofo e teólogo cristão Paul Tillich. Segundo esse autor, a fé requer nossa ação física (na forma de comportamento), nossa ação mental (na forma de pensar e no raciocínio), na nossa ação afetiva (na forma de sentimentos e emoções direcionadas a Deus). 

Pelo esforço equilibrado dessas três ações podemos tocar em algo “incondicional”, “infinito” e “último” que é maior que a soma das partes. Quando fazemos isso, temos acesso ao sagrado, que segundo Tillich é a consciência da presença divina, algo misterioso e transcendente que acompanha e segue todas as atividades de cura. Paracelsus, médico do século XVI, nos chama a atenção no pequeno trecho que inicia esse texto sobre a verdadeira fé, aquela que cura e que está relacionada à descrição de P. Tillich. 

Paracelsus incluía a medicina da fé como uma das cinco formas de curar; além dessa, ele considerava a medicina natural, a medicina específica, a medicina caracterológica e a medicina dos espíritos. Acredito que poucos médicos ocidentais daquela época, e mesmo hoje apesar de tantos trabalhos científicos, foram tão sábios quanto Paracelsus pela amplitude da sua abordagem de saúde. 

A medicina natural segundo Paracelsus utiliza o jejum, o repouso, a dieta e as plantas medicinais; a medicina específica é aquela em que medicamentos de base química são indicados para cada caso de doença. Nesse sentido, pelos seus estudos experimentais de minerais com fins curativos, Paracelsus é considerado o pai da Farmacologia. A medicina caracterológica leva em consideração a personalidade do paciente que, segundo Paracelsus, poderia ser modificada pela palavra; hoje essa medicina é representada pela psicoterapia. 

E a medicina dos espíritos, que estaria relacionada com o espírito que criamos em nós por meio das emoções sejam elas de amor, de raiva ou de medo e que teriam um efeito na saúde física. E a medicina da fé que seria a fé em si mesmo, no médico, e segundo suas palavras “na disposição favorável dos deuses e na piedade de Jesus Cristo” 

Hoje a neurociência tem demonstrado que muitas curas se processam pela fé porque regiões do cérebro relacionadas com as expectativas positivas em relação ao futuro são ativadas. No entanto, esse mesmo tipo de ativação ocorre quando se ingere um medicamento inerte e se tem a expectativa positiva de que ocorrerá a cura; este é o conhecido efeito placebo. 

Estudos têm demonstrado que pessoas em estado de meditação apresentam ativação de áreas cerebrais similares àquelas induzidas pelo efeito placebo. Precisamos, no entanto, modificar o sentido pejorativo que impregnou o termo placebo ao entender que essa visão foi criada por um sistema que depende da nossa crença de que a solução para os problemas está mais no mundo externo do que dentro de nós. 

Antes de abordarmos o assunto sobre o efeito placebo vamos ver algumas citações de escrituras de diferentes tradições religiosas que relacionam a fé e a saúde: “Se servirdes ao Senhor, vosso Deus, ele abençoará teu pão e tua água. E afastará de ti a doença” (Exodus, 23:25). “Aqueles que sempre agem de acordo com as regras que estabeleci agora, com fé e sem ter de pensar muito, também estão livre da escravidão das ações (Bhagavad Gita, 3:31). 

“Como corcel tocado pelo rebenque, pela confiança, pela virtude, pela energia, pela meditação profunda, pela investigação da doutrina, pela sabedoria e pela atenção sobrepujamos o sofrimento da existência” (Dhammapada, 144). O Efeito Placebo O efeito placebo já está lá em um dos diálogos de Platão, na forma de encantamento, quando Crítias fala a Sócrates do jovem Cármides: 

Há momentos, dizia-me que, ao levantar-se pela manhã lhe doía a cabeça. Pões alguma objeção em fingires diante deles que conheces um remédio para as dores de cabeça? Respondi que era uma planta e que à poção se ligava um canto mágico. Se alguém o entoasse enquanto o usava, o remédio deixá-lo-ia absolutamente são. Sem o canto mágico, porém, de nada valeria a planta. Esse efeito do canto, que na época de Sócrates era visto como magia, é um importante aspecto da nossa mente. 

Quem já não sentiu os efeitos colaterais de um medicamento ao ler a sua bula? Quem se sentindo doente e indisposto, ao ouvir do médico que está tudo bem, não se sente melhor em poucos dias e logo se recupera? A melhoria de alguns tipos de patologias está muito relacionada com a fé e esta fé envolve vários aspectos que podem englobar a crença num Ser supremo, em si mesmo, num tipo de tratamento e no médico, dentre outras. 

Só para se ter a idéia do impacto que a fé tem no mundo moderno, um trabalho científico revelou que nos EUA, o país onde grande parte das novas tecnologias médicas surge, quase 50% dos entrevistados utiliza como a primeira forma de tratamento a oração para si mesmo e 25% oram para outra pessoa. 

O uso de terapias alternativas/complementares também é um aspecto crescente, mas as pessoas não as mencionam para os médicos com medo de receberem a resposta que a melhora se deve ao efeito placebo. E esse tipo de julgamento é do tipo negativo, desconsiderando aspectos importantes que a ciência tem tentado entender e que nos revela que temos uma força de resposta interior que o sistema tenta desconsiderar porque não tem preço. 

Temos que ter em mente que adoecemos pelo desequilíbrio entre a nossa natureza interna e o mundo externo, mas que temos sistemas de proteção internos que em associação com estímulos externos podem nos restaurar. Só precisamos ter cuidado porque esse assunto é de grande complexidade e não pode levar as pessoas a deixarem de procurar os médicos acreditando que podem curar tudo apenas com a fé. 

Temos os mecanismos internos, mas nem sempre conseguimos ativá-los ou mantê-los, como veremos em seguida. As idéias a respeito do efeito placebo têm mudado muito e em particular no século XX e uma das ciências que mais tem contribuído para o estudo de tão importante assunto é a psiconeuroimunologia. 

Este campo de estudo da imunologia é relativamente recente e estuda, ainda dentro dos limites técnicos e da diversidade humana, a integração da mente e dos três sistemas que mantém a homeostasia (equilíbrio) corporal, o sistema nervoso, o sistema endócrino e o sistema imune. O efeito placebo tem sido usado em dois diferentes contextos: quando um medicamento é estudado e são analisados os efeitos relacionados à sugestão e na prática clínica com propósito terapêutico. 

Pode-se perceber com mais facilidade esse conceito considerando-se um exemplo: suponhamos que temos três grupos de pessoas com determinado tipo de doença. O primeiro grupo não recebe qualquer tratamento, o segundo recebe um medicamento inativo acreditando que está sendo medicado e um terceiro grupo que recebe o medicamento ativo. 

No primeiro grupo temos a avaliação das respostas endógenas de cura de acordo com o ciclo natural da doença. No segundo grupo, a porcentagem de melhora pode ser maior que a do primeiro grupo apesar de receber o medicamento inerte, o que é descrito como efeito placebo. As pessoas do terceiro grupo, além de contarem com os processos naturais de cura, recebem o tratamento farmacológico específico e por isso podem ter uma cura mais rápida ainda. 

No caso da terapia inerte, onde é observado o efeito placebo, existe o poder simbólico e seu impacto na imaginação, crenças, expectativas e experiências prévias do paciente. É interessante a conversa que foi registrada entre um curandeiro e um médico: O senhor, doutor, retira tumores, mata micróbios e combate os vírus. E eu expulso os demônios, aplaco os ancestrais irados e converso com os espíritos malignos. Temos a mesma profissão, doutor. Só mudam as palavras. 

Na cabeça dos nossos pacientes, existem imagens. São essas imagens que curam o coração e o corpo dos homens. O efeito placebo ocorre não apenas no caso de uso de medicamentos inertes como também nas chamadas cirurgias brancas ou sham (do inglês, shamanic), nos tratamentos psicológicos ou outros tipos de tratamento que levem à sugestão de cura e nesse caso podemos colocar a fé que é depositada em um Ser supremo, Jesus Cristo, Buda, num santo, num curandeiro ou em si mesmo. 

Um exemplo muito interessante em relação ao uso de cirurgia placebo ocorreu quando células fetais foram transplantadas em pessoas com doença de Parkinson; estes pacientes apresentam redução de dopamina na substância nigra do cérebro. Mesmo aqueles que não receberam as células transplantadas e não tiveram aumento nas taxas de dopamina apresentaram melhora na função motora e no estado depressivo. 

Quando os pacientes ficaram conscientes que não haviam recebido as células fetais apresentaram os sintomas que estavam suprimidos e tiveram que receber realmente o transplante. No entanto, a nossa mente não é sugestionável apenas positivamente; pode-se ter o efeito nocebo, que se refere aos significados e emoções negativas em relação à determinado tipo de tratamento ou a um contexto psicológico criado inclusive por um médico. 

Segundo estudos realizados, o simples avental branco de um médico pode causar uma crise de hipertensão ou hiperglicemia em determinados pacientes. Uma das características do efeito placebo é que ele é específico e a sua especificidade depende das informações dadas ao indivíduo. 

Um placebo pode ter efeitos opostos sobre a pressão sanguínea ou a freqüência cardíaca, sendo estimulante ou tranquilizador dependendo da informação que é passada para o paciente. Existem evidencias de que esses efeitos podem persistir por até oito ou mesmo trinta semanas, causando síndrome de abstinência quando o tratamento é interrompido. As características do medicamento placebo, como por exemplo, se é cápsula ou comprimido, as suas cores, as vias de administração e o número de doses recebidas também podem interferir na resposta.

Apesar de todas essas evidencias, um dos aspectos que tem chamado a atenção dos pesquisadores é que existe um tipo de personalidade mais receptiva ao efeito placebo. Existem sugestões de que pessoas mais pessimistas são mais sensíveis a estímulos verbais negativos com evidente efeito nocebo como quando se fala dos sintomas adversos de determinado tipo de medicamento, apesar deste ser inerte.

Sabe-se também que algumas formas de motivação/desejo são mais efetivas que outras para promover a resposta placebo e que o condicionamento comportamental reforça esses efeitos. As formas de motivação/desejo induzidas pelo medicamento placebo induzem a liberação de neurotransmissores similares aos induzidos por substâncias farmacologicamente ativas. 

A participação de neurotransmissores de regiões associadas com a expectativa positiva no córtex pré- frontal tem sido sugerida pelo fato das terapias analgésicas serem menos efetivas em pacientes com doença de Alzheimer que apresentam degeneração nessa região cerebral. Além da personalidade e da expectativa positiva em relação ao medicamento, as atitudes de otimismo, entusiasmo e persuasão do médico além do tempo de atendimento contribuem para a eficácia do medicamento placebo. 

A Psiconeuroimunologia e os Casos “Misteriosos” de Cura Uma das áreas científicas do Ocidente que relativamente mais se aproxima do espírito da filosofia oriental no sentido de lidar com o ser humano integrando seus vários aspectos é a psiconeuroimunologia. A imunologia até a década de 1970 era considerada uma ciência que estudava os mecanismos de resposta aos diversos tipos de microrganismos e em diferentes patologias inflamatórias. 

A partir dessa época, experimentações que integram a psicologia e a imunologia começaram a revelar que existem aspectos neuronais e hormonais que devem ser levados em consideração ao se estudar a resposta imune. Esses experimentos realizados em camundongos demonstraram que existe algum tipo de condicionamento da resposta imune associado à memória. 

Um dos primeiros experimentos realizados seguiu o modelo de condicionamento do psicólogo russo Pavlov que associou a ingestão de carne por cachorros a um determinado tipo de som; todas as vezes que esses animais escutavam aquele som começavam a salivar porque o associavam à ingestão de alimento. Robert Ader realizou experimento de condicionamento tratando camundongos com a droga imunossupressora ciclosfosfamida (estímulo não condicionado) associada à sacarina sódica (estímulo condicionado); toda vez que esses animais recebiam a sacarina tinham a sua resposta imune suprimida. 

Outro experimento sugestivo foi a imunização de camundongos com uma determinada substância estranha (antígeno) associada com um estímulo gustativo condicionado; quando os animais eram submetidos ao tratamento apenas com o estímulo gustativo ocorria o aumento da produção de anticorpos contra o determinado antígeno ao qual havia sido associado anteriormente. 

Nos seres humanos, esse tipo de experimentação foi realizado numa criança com uma doença auto-imune, o lupus eritematoso, na qual o indivíduo produz anticorpos anti-DNA e outras moléculas associadas ao material genético. O tratamento para esse tipo de doença são drogas imunossupressoras como a ciclofosfamida. 

Essa criança foi tratada com ciclofosfamida associada a estímulos gustativos e olfativos; durante um ano, em metade das sessões mensais de tratamento, ocorreu remissão da doença quando a criança recebia apenas os estímulos gustativos e olfativos. Em outro estudo, pacientes com esclerose múltipla, outro tipo de doença autoimune que afeta as células cerebrais (neurônios), receberam ciclofosfamida associada a xarope aromatizado com anis. 

Dos dez pacientes, oito tiveram redução da contagem de leucócitos sanguíneos após ingerir apenas o xarope, um efeito característico da ciclofosfamida. Outros experimentos contribuíram para demonstrar que a ativação do sistema imune está interligada a ativação dos sistemas nervoso e endócrino. 

Num desses experimentos, a injeção de um antígeno induziu não apenas a produção de anticorpos específicos, como também o aumento da produção de cortisol, um hormônio produzido nas supra-renais, órgãos do sistema endócrino localizados acima dos rins, e a ativação de neurônios na região do hipotálamo, no sistema límbico do sistema nervoso central (SNC). 

Esses resultados são surpreendentes porque, segundo esses experimentos, precisaríamos receber uma única dose de um determinado tipo de medicamento associado a um fator, que seria o placebo, que induziria o tipo de resposta terapêutica desejada. Estes resultados deram início aos estudos da ciência que hoje é conhecida como psiconeuroimunologia e que tenta compreender como a mente, com toda a sua complexidade individual interfere nas interações entre os três sistemas que fazem a homeostasia do corpo – os sistemas nervoso, endócrino e imune. 

Isso nos faz lembrar que há dois mil anos o lendário Hermes Trismegistos já dizia no seu primeiro princípio: O Todo é mente; o Universo é mental. No entanto, antes mesmo da realização desses experimentos que iniciaram a ciência da psiconeuroimunologia foram descritos casos de curas fantásticas que ainda não são totalmente compreendidos. Vejamos dois deles. 

Um dos casos mais interessantes ocorreu com o Sr. Wright nos EUA, no final da década de 1940. Esse homem tinha um tipo de tumor nos linfonodos (gânglios linfáticos) chamado linfossarcoma e estava num estágio tão avançado da doença que havia desenvolvido resistência aos tratamentos paliativos e estava com anemia que impedia tratamentos intensivos. 

Seus linfonodos, devido à proliferação das células tumorais, estavam imensos, alguns do tamanho de uma laranja e se alojavam no pescoço, axilas, virilhas, peito e abdômen. O baço e o fígado estavam muito grandes e como o ducto torácico, que drena a linfa de grande parte do corpo, estava obstruído eram retirados de um a dois litros de linfa da região torácica a cada dois dias. 

A dificuldade respiratória era muito grande o que o levava ao uso de máscaras de oxigênio. Pelo quadro aqui exposto, de maneira proposital, para que se tenha consciência da gravidade do caso, pode-se observar que o paciente estava em fase terminal da doença. Na época estava sendo estudado um novo medicamento para o tratamento do câncer denominado Krebiozen. 

O Sr. Wright tendo notícias do medicamento solicitou ao seu médico que ele fosse incluído no grupo de estudo do Krebiozen. Pelo fato de estar em fase terminal esse paciente não seria um candidato natural à participação no estudo, no entanto, pela sua insistência o seu médico resolveu incluí-lo. Em uma sexta-feira o medicamento foi administrado no Sr. Wright e na segunda-feira, seu médico retornando ao trabalho imaginou que seu paciente teria morrido. 

Qual não foi a sua surpresa quando se deparou com ele no meio do corredor, conversando, rindo, respirando normalmente e com muitos linfonodos com tamanhos reduzidos à metade ou totalmente diminuídos. Após dez dias do tratamento inicial, o sr. Wright não tinha mais os sintomas da doença e passou por um período de remissão de dois meses até ter notícias de que o Krebiozen não estava fazendo o efeito esperado. 

Após essa notícia, o Sr. Wright começou a piorar e seu médico desconfiando do efeito inusitado do medicamento nesse paciente o que não era observado nos outros, disse-lhe que ia utilizar uma forma mais refinada e potente do medicamento. 

Como esperado pelo médico, o Sr. Wright passou mais dois meses recuperado até ler nos jornais a notícia: “Testes de âmbito nacional demonstram que o Krebiozen é uma droga sem valor para o tratamento do câncer”, quando morreu após dois dias. O psicólogo que acompanhava esse paciente fez uma avaliação da sua personalidade segundo as manchas de Rorschach. 

Esse teste desenvolvido pelo psiquiatra suíço Hermann Rorschach (1884-1922) consiste em mostrar ao paciente dez pranchas com manchas de tinta simétricas e analisar a sua personalidade de acordo com a percepção destas. Segundo essa análise o Sr. Wright tinha uma organização de ego flutuante, sendo sugestionável, sem qualquer sinal de crítica ou defesa. 

Suas características de personalidade criaram uma situação de fé na cura que propiciou a resolução da doença o que não foi mantido por falta de um centro de personalidade arraigado que permitisse a manutenção desse estado de cura. O outro caso é o do americano Norman Cousins (1915-1990) que se tornou conhecido como jornalista político, escritor, professor e autor de livros dentre eles “Anatomia de uma doença” e “Coração curador”. 

Quando criança foi erroneamente diagnosticado com tuberculose e passou alguns meses num sanatório, onde, segundo suas próprias palavras, tornou-se ciente do poder da mente em superar a doença e percebeu a importância da esperança para a cura. 

Assim ele descreve as percepções que teve no sanatório: “O mais interessante para mim, sobre aquela experiência primária, era que os pacientes se dividiam, eles próprios, em dois grupos: os que se encontravam confiantes de que combateriam a doença e seriam capazes de retomar vidas normais, e os que se resignaram diante de uma doença prolongada e até mesmo fatal. 

Aqueles que se voltaram para a visão otimista, tornaram-se bons amigos, envolvendo a nós mesmos em atividades criativas e tiveram pouco a ver com os pacientes que se haviam condenado ao pior. Quando novos internos chegavam ao hospital, fizemos o melhor que pudemos para arrebanhá-los antes que a brigada do desânimo se pusesse a agir.” 

Quando adulto Norman Cousins teve problemas cardíacos e desenvolveu espondilite anquilosante, uma doença auto-imune que afeta a coluna cervical; o que o ajudou a superar esses problemas de saúde foram atitudes positivas de amor, fé, esperança e bom humor. Para aliviar as dores assistia filmes dos irmãos Marx dizendo que as risadas que dava ao assisti-los tinham efeito analgésico e que propiciavam que tivesse pelo menos duas horas de sono sem sentir dores. 

Quando as dores retornavam, assistia aos filmes por mais um tempo e as dores eram amenizadas. Além desses e outros casos, estudos revelaram dados interessantes como o fato de que células do sangue coletadas em pacientes no hospital proliferam menos quando estimuladas que as células coletadas na própria casa do paciente. Ou mesmo, a simples lembrança ou imagens referentes à quimioterapia pode causar náuseas, fadiga e ansiedade, em pacientes que foram tratados anteriormente com esse tipo de terapia. 

O Sistema Imune Guarda a Memória do Contexto Os seres vivos evoluíram para se relacionar com os ambientes externos e internos que se modificam rapidamente; nesse processo foi adquirida a habilidade de aprender e modificar os comportamentos instintivos. 

Para essa relação com esses ambientes existem sensores específicos; no caso da relação com o meio ambiente externo, temos os órgãos dos sentidos que enviam informações para o Sistema Nervoso Central (SNC) para as correspondentes adaptações. Um caso simples é a ingestão de algo que nos faz mal e a subsequente atitude de evitar o contato com o mesmo. 

No entanto, existem informações ambientais sutis, moleculares das quais não temos consciência e para isso o organismo se vale de um sistema de proteção que reconhece essas partículas; essa é a função do sistema imune. O condicionamento clássico pode ser entendido como uma forma de aprendizagem sobre as relações temporais e/ou causais entre os estímulos externos e internos. 

Esse aprendizado capacita o organismo a usar respostas preparatórias antes dos eventos biologicamente significantes ocorrer. Desse ponto de vista é de alto valor adaptativo a capacidade de associar um aroma particular ou um contexto ambiental específico com um estímulo imune seja ele oriundo de toxinas, bactérias, vírus ou diversos outros tipos de estruturas estranhas. 

Existe a hipótese que essa capacidade de aprendizagem condicionada foi adquirida durante a evolução como uma estratégia adaptativa a fim de proteger o organismo e prepará-lo para o perigo. A exposição a uma molécula estranha pode ser associada (processo de aprendizagem) a um ambiente específico ou alimento. 

Uma resposta adaptativa é estimulada (processo de memória) consistindo de modificações comportamentais para evitar o local ou alimento associado com aquela molécula estranha. Quando a exposição é inevitável, o organismo tentará reduzir o contato com o antígeno tossindo ou espirrando; ao mesmo tempo o sistema imune prepara o corpo para produzir anticorpos, uma forma mais interna de lidar com a agressão. 

Nesse sentido, o sistema imune atua como um sistema sensorial difuso que detecta a presença de constituintes químicos específicos em microrganismos patogênicos e então sinaliza para o cérebro reagir apropriadamente. Essa conexão entre o sistema imune e o SNC pode ocorrer por meio de duas vias: a via sistêmica e a neural. 

Na via sistêmica, as moléculas do sistema imune podem cruzar a barreira sangue-cérebro e ativar os neurônios cerebrais. Na via neural, as moléculas do sistema imune produzidas nas regiões periféricas do corpo, como por exemplo na pele, ativam os neurônios localmente e enviam informações para o SNC. 

Além da ativação das células nervosas pelo sistema imune, três outros aspectos são importantes na comunicação entre os sistemas imune (SI), nervoso (SN) e endócrino (SE). O primeiro deles é a presença de receptores de neurotransmissores/neuropeptídeos (SN) e hormônios (SE) na membrana das células do sistema imune; o segundo é a produção de neurotransmissores e hormônios pelas células do SI e o terceiro é que as moléculas do SI podem ter atividades similares a moléculas do sistema endócrino e nervoso. 

Um exemplo desse terceiro caso é o fato de que moléculas produzidas durante uma infecção e que causam febre podem interferir no batimento cardíaco atuando de forma similar a noradrenalina, hormônio que aumenta essa função, ou podem atuar como analgésico, mimetizando os efeitos de substâncias opióides como as endorfinas. 

Essas observações sugerem que os sistemas nervoso, endócrino e imune falam uma linguagem bioquímica comum e se comunicam num circuito multidirecional. Essa comunicação entre os três sistemas pode ocorrer por meio do eixo HPA, que envolve a interação entre o hipotálamo (SN), a hipófise (ou pituitária-SE) e as adrenais (SE) que pela liberação de diferentes tipos de moléculas pode modular a resposta imune, aumentando-a ou suprimindo-a. 

O hipotálamo está intimamente relacionado às emoções e parece ser a ponte entre a mente (pensamentos, emoções, expectativas, fé) e o corpo. As interações neuro-imunes dependem da rede de nervos nos diversos órgãos do corpo e que pode ser ativada pelo contexto psicossocial do tratamento placebo para induzir efeitos imunomoduladores. Essa conexão entre os três sistemas tem contribuído para explicar a noção presente desde tempos remotos da história da humanidade de que a mente influencia o corpo e como ocorre o efeito placebo. 

O Efeito Placebo à Luz da Neurociência 

O efeito placebo no contexto da neurociência tem sido visto como uma experiência subjetiva que ocorre pela integração das percepções do mundo externo e interno. O mundo externo seria representado por sinais sensoriais de experiências tão diversas quanto escutar uma música ou sentir uma dor. 

O mundo interno seria uma construção do cérebro baseada em memórias de experiências do passado, expectativas em relação ao futuro e o significado das experiências para o indivíduo. As memórias das experiências do passado teriam o efeito de criar um tipo de condicionamento que associado às expectativas e ao significado da experiência (motivação) seriam os principais responsáveis pelo efeito placebo. 

Nesse sentido, diferentes tratamentos podem afetar de forma diferenciada aspectos relacionados ao condicionamento ou às expectativas ou ser dependente dos dois aspectos simultaneamente. Experiências com tratamentos ativos podem criar condicionamentos associados com o contexto do tratamento e as respostas neurofisiológicas endógenas. 

Essas respostas condicionadas podem ser inconscientes e involuntárias ativando mecanismos neurais diferentes dos envolvidos na expectativa; por outro lado, o condicionamento pode criar expectativas que podem interferir no tipo de resposta. Nesse sentido, a analgesia, um dos principais efeitos estudado em relação ao tratamento placebo, está relacionada tanto ao condicionamento quanto à expectativa. 

Em relação ao condicionamento, o aprendizado e a memória do contexto da dor levam o indivíduo a antecipar a resposta do corpo e a adotar respostas de proteção contra o provável dano. A correlação da analgesia placebo com o condicionamento é corroborada por dados clínicos e experimentais que demonstram que esse efeito é mais intenso se a medicação placebo é dada após um período efetivo de tratamento com a droga associada ao placebo, período em que ocorre o aprendizado associativo. 

O aprendizado e a memória levam à ocorrência de fenômenos relacionados à atenção como a antecipação e a ansiedade. As condições placebo, as sugestões hipnóticas e a distração são alguns dos aspectos que podem alterar a percepção da dor. Em relação à antecipação, esta pode envolver tanto o condicionamento quanto a expectativa, e o seu grau de intensidade depende do julgamento da sensação dolorosa, que é um processo neurobiológico associado com aspectos afetivos e de tomada de decisão. 

Um exemplo disso pode ser percebido no seguinte estudo: indivíduos submetidos a estímulos de raio laser de alta intensidade ao esperarem estímulo de baixa intensidade, expressaram uma reação de dor de intensidade menor em relação aos indivíduos que recebiam os estímulos de acordo com a expectativa de alta intensidade. 

O mesmo ocorreu quando indivíduos foram submetidos a estímulos de baixa intensidade, mas esperavam receber estímulos de alta intensidade; sentiram mais dor do que aqueles que receberam estímulos de baixa intensidade. Estudos recentes demonstraram que o efeito placebo também está associado à ativação de regiões do córtex cerebral relacionadas com a atenção e a dor. 

Segundo esses estudos o tratamento placebo suprime atividades indutoras de dor em regiões como o tálamo, o córtex cingulado superior e a insula, essa última estrutura sendo responsável pelo julgamento cognitivo da dor. Em relação à expectativa, há crescente evidencia que o efeito placebo ativa regiões cerebrais relacionadas com a expectativa de recompensa e o circuito da motivação, ou seja, o significado da experiência. 

No caso de expectativa de recompensa, neurônios na região pré-frontal, no núcleo accumbens e no putamen-caudado apresentam estado de maior ativação. Muitas dessas regiões são consideradas como parte do chamado cérebro emocional, apesar das dificuldades de se considerar essas áreas puramente afetivas. 

Por estar relacionada com aspectos motivacionais do indivíduo, a magnitude da resposta placebo é dependente da variação na ativação dessas áreas cerebrais. Quando o córtex pré-frontal é ativado, ocorre no cérebro um aumento do fluxo de dopamina, molécula associada ao bom-humor, à modulação emocional, aos comportamentos motivados de persecução de metas, à atenção e ao controle neuroendócrino. 

Ao mesmo tempo, a ativação do córtex pré-frontal pela expectativa consciente estimula a produção de opióides endógenos, moléculas que causam além do efeito analgésico, a sensação de bem-estar e, quando em doses elevadas, a sensação de euforia. Ao ser administrado o placebo, a produção de opióides endógenos depende da crença na eficácia do analgésico e da experiência subjetiva de dor, ou seja, a motivação para o alívio da dor. 

No entanto, a base neural da expectativa e os efeitos comportamentais por ela induzida dependem do grau de certeza, de segurança. Podemos nos lembrar do caso do Sr. Wright em relação à resposta ao câncer: enquanto havia segurança, a certeza de cura relacionada ao Krebiozen havia a remissão dos sintomas, quando essa recrudescia, os sintomas reapareciam. Havia associada à expectativa de cura, a certeza de que o medicamento tinha efeito sobre a doença. 

O efeito placebo, portanto pode induzir um estado afetivo/motivacional que reduz a atenção à dor que parece ser apenas parcialmente regulada de forma voluntária. O efeito placebo serviria como um sinal de segurança que permite que a atenção seja direcionada para algo além da dor. 

Os fatores que afetam a atenção motivada também podem afetar as vias sensoriais na coluna espinhal o que sugere que estes efeitos podem ser de longo alcance. Um aspecto importante que tem sido estudado é que a crença no tratamento placebo e a expectativa consciente criam um senso de segurança e um campo receptivo para o consolo. O individuo ao ser consolado sente um alívio da dor, da aflição de se sentir doente e isolado, o que reduz o estresse causado por essas sensações. 

Na terminologia neurobiológica isso ocorre quando o córtex pré-frontal e as regiões do chamado cérebro emocional reduzem o condicionamento do medo. Por isso o efeito placebo pode também atuar não apenas na redução da dor, mas na redução de estados depressivos, como ocorre na doença de Parkinson. Patologias e o Efeito Placebo Entre as patologias do sistema imune, as doenças inflamatórias das mucosas são as que mais respondem à modulação pelo tratamento placebo. 

A asma, a colite ulcerativa, a úlcera duodenal, a síndrome do cólon irritável, a doença de Crohn são alguns exemplos, além de efeitos na esclerose múltipla e na síndrome da fadiga crônica. Segundo os estudos realizados, o efeito placebo atua modificando componentes da resposta inflamatória aguda. No caso da asma, foi demonstrado que quase 50% dos pacientes apresentam sintomas se a inalação de uma substância for acompanhada de sugestão verbal que esta substância é um alérgeno (antígeno que causa alergia). 

Por outro lado, 30% dos pacientes após inalarem um falso broncodilatador têm redução dos sintomas. Esses resultados estão relacionados às expectativas e ao condicionamento propiciado por experiências anteriores. Essas respostas dependem da personalidade dos indivíduos que podem ser sugestionáveis ou resistentes ao estímulo. Num desses estudos, o efeito placebo em casos de asma ocorreu em cinco de oito pessoas sugestionáveis e apenas em um paciente num grupo de indivíduos resistentes à sugestão. 

Em relação ao efeito placebo nos estudos realizados com pacientes de câncer, a redução do tumor ocorre em cerca de 2 a 7% dos pacientes (em 10 estudos clínicos), com redução das dores (9%, em 12 estudos clínicos) e a melhora no apetite (20%, em 5 estudos clínicos). Em relação ao efeito nocebo, 10 a 60% dos pacientes desenvolvem respostas negativas, náusea, vômitos, dores abdominais, letargia, boca seca e diarréia à terapia placebo. 

Nesse sentido, a apresentação desses sintomas é dependente do aprendizado associado ao uso anterior da quimioterapia. O uso do efeito placebo também tem sido estudado em pacientes com doença de Parkinson. Em um desses estudos, os pacientes foram submetidos à estimulação da região subtalâmica do Sistema Nervoso Central, que nesses pacientes está hiperativa. 

Essa região está relacionada às emoções e ao humor depressivo e pode ser modulada por sugestões verbais. Nesses pacientes a ativação dessa região por microestimulação reduz a rigidez e o tremor. Nos pacientes submetidos à microestimulação num tipo de tratamento denominado aberto, o paciente sabia quando estava ocorrendo a estimulação pelo barulho realizado pelo aparelho; no tratamento fechado o paciente não sabia quando era realizada a estimulação pela retirada do barulho. 

Quando foram avaliados os parâmetros relacionados à freqüência cardíaca, bem estar e prazer induzidos pela ativação do sistema límbico, os pacientes do experimento aberto tiveram respostas aumentadas, confirmando que a expectativa interfere nos resultados. Conclusões Segundo os próprios cientistas, existe um grande interesse popular no efeito placebo porque este sugere que podemos influenciar a saúde mudando nossas mentes. 

Para os cientistas o estudo do efeito placebo é importante porque propicia a compreensão dos processos de controle endógeno que formam a percepção, o afeto e a motivação e como esses processos de controle internos interagem com tratamentos ativos. Apesar de vários estudos já realizados, a filosofia predominante no mundo ocidental que agora já penetra no Oriente e que valoriza o TER e não o SER perpetua a ideia de que o efeito placebo é algo negativo. 

Para a maioria dos médicos alopatas qualquer terapia que não seja a por eles empregada estabelece a cura por meio do efeito placebo e isso é dito de forma pejorativa, crítica. A homeopatia e os florais são as terapias mais cotadas como tendo efeito placebo provavelmente pelo fato da ciência ocidental ainda não ter comprovado, por meio de seus métodos convencionais, o seu mecanismo de ação. 

A massagem e a acupuntura por terem seus mecanismos melhor esclarecidos em termos neurológicos são terapias que fogem mais ao rótulo de causarem a cura via efeito placebo. Não devemos desconsiderar as conquistas tecnológicas que foram realizadas até o momento que são de extrema importância para a humanidade, mas precisamos estar atentos para não desconsiderar que dentro de nós existe uma sabedoria que precisamos cultivar para chegar a toda a sua plenitude. 

Para isso precisamos educar a nossa mente, o nosso espírito para que sejamos aquilo que deveríamos ser e, dentro desse novo contexto, nossas tecnologias provavelmente serão mais surpreendentes do que aquelas que já conquistamos. 

Versículos Bíblicos De Cura Por Fé

Muitas são as aflições do justo, mas o SENHOR o livra de todas. - Salmos 34:19


Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e orem sôbre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor; E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados. Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis: a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos. - Tiago 5:14-16

Enviou a sua palavra, e os sarou, e os livrou da sua destruição. - Salmos 107:20

Assim diz o SENHOR, Deus de Davi, teu pai: Ouvi a tua oração e vi as tuas lágrimas; eis que eu te sararei; ao terceiro dia subirás à Casa do SENHOR. -II Reis 20:5b

Porque te restaurarei a saúde, e te curarei as tuas chagas, diz o SENHOR; porquanto te chamaram a repudiada, dizendo: É Sião, já ninguém pergunta por ela. - Jeremias 30:17

Dá força ao cansado, e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor. -Isaías 40:29

É ele que perdoa todas as tuas iniquidades e sara todas as tuas enfermidades; - Salmos 103:3

Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. - Isaías 53:5

E disse: Se ouvires atento a voz do SENHOR, teu Deus, e fizeres o que é reto diante de seus olhos, e inclinares os teus ouvidos aos seus mandamentos, e guardares todos os seus estatutos, nenhuma das enfermidades porei sobre ti, que pus sobre o Egito; porque eu sou o SENHOR, que te sara. - Exodo 15:26

E aconteceu que, indo eles, ficaram limpos. - Lucas 17:14

E, chamando os seus doze discípulos, deu-lhes poder sobre os espíritos imundos, para os expulsarem, e para curarem toda a enfermidade e todo o mal. - Mateus 10:1

Mas para vós que temeis o meu nome nascerá o sol da justiça e salvação trará debaixo das suas asas;- Malaquias 4:2

E disse-lhe Pedro: Enéias, Jesus Cristo te dá saúde; levanta-te e faz a tua cama. E logo se levantou. - Atos 9:34

E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas; Pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos e os curarão. - Marcos 16:17-18

E fazei veredas direitas para os vossos pés, para que o que manqueja se não desvie inteiramente, antes seja sarado. - Hebreus 12:13


E, para que me não exaltasse pelas excelências das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de me não exaltar. Acerca do qual três vezes orei ao Senhor para que se desviasse de mim. E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade pois me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. - II Coríntios 12:7-9

A Fé Favorece A Cura




Quando era um jovem clínico geral, Harold Koenig foi consultado sobre a paciente Rose Berrar (nome trocado para proteger a privacidade) hospitalizada havia um mês após cirurgia do quadril. O marido morrera de um derrame e, durante o funeral, a mulher escorregara no gelo, fraturando o quadril.

- Ela está emocionalmente vulnerável - preveniu o cirurgião.

- Não vejo como alguém possa enfrentar tudo isso - concordou Koenig.

Um "fato da vida" tão devastador pode muitas vezes deflagrar depressão clínica, que é prejudicial à recuperação.

Mas quando Koenig entrou no quarto, Rose o cumprimentou efusivamente.

-Em que posso ajudá-lo, doutor? O médico procurou os sinais mais óbvios de depressão: fadiga, olheiras ou olhos avermelhados de tanto chorar, dificuldade de concentração. Não encontrou nenhum. Ela reconheceu que atravessava um momento triste, mas não via a hora de voltar para o lado dos outros membros da família.

Koenig pensou que a paciente estava se recusando a aceitar a realidade. Entretanto, à medida que falava com ela, percebeu que Rose simplesmente vinha enfrentando bem a situação.

- Qual o seu segredo? - perguntou ele.

- Se desperto sozinha ou com medo, leio a Bíblia ou converso com Deus. Ele sempre está presente, mesmo na falta dos meus entes queridos. É isso, acima de tudo, que me faz seguir adiante.

Koenig ficou impressionado, mas foi apenas quando a paciente se restabeleceu com poucas complicações que ele começou a perceber o significado médico de uma fé tão profunda. Outros pacientes começaram a lhe contar como a religião os ajudara a enfrentar o infortúnio, acelerando assim a cura física. 

Koenig, 46 anos, é pioneiro no estudo científico do potencial de cura da fé. Sua equipe reuniu provas convincentes de que a fé religiosa não apenas promove boa saúde geral, mas também ajuda na recuperação de doenças graves.

"Ao rezar a Deus", observa Koenig, os pacientes religiosos "controlam indiretamente suas doenças." Acreditam que não estão sozinhos na batalha e que Deus está pessoalmente cuidando deles. Tal crença os protege contra o isolamento psicológico que castiga tantos doentes graves.

Num estudo envolvendo 455 idosos hospitalizados, por exemplo, Koenig observou que a média de internação daqueles que freqüentavam a igreja mais de uma vez por semana era de quatro dias. Os que nunca ou quase nunca iam à igreja permaneciam hospitalizados de 10 a 12 dias.

Quando Koenig começou a revelar suas observações aos colegas, muitos se mostraram céticos. Consideravam a fé irrelevante para a medicina. Em anos recentes, entretanto, outros pesquisadores vêm relatando observações similares. Como resultado, um número cada vez maior de médicos começa a compreender o papel que a fé pode desempenhar no processo de cura.

Um estudo da Faculdade de Medicina de Dartinouth revelou que a probabilidade de pacientes cardíacos morrerem após a cirurgia era 14 vezes maior entre aqueles que não participavam de atividades de grupo nem encontravam conforto na religião. Num prazo de seis meses após a cirurgia, 21 pacientes morreram - mas entre os 37 que se declararam "profundamente religiosos" não ocorreu nenhuma morte.

Pesquisadores em Israel estudaram 3.900 pessoas vivendo em kibutzim durante um período de 16 anos. Seus achados: a taxa de mortalidade relacionada com doenças cardiovasculares e câncer era 40% mais baixa nos indivíduos religiosos do que em seus pares sem religião.

Um estudo da Universidade de Yale abrangendo 2.812 idosos revelou que aqueles que nunca ou raramente freqüentavam a igreja apresentavam uma taxa de acidente vascular cerebral quase duas vezes mais alta do que aqueles que freqüentavam a igreja semanalmente. 

'Preparadas para Deus'

O Dr. Herbert Benson, professor adjunto da Faculdade de Medicina de Harvard, promoveu uma nova compreensão da fisiologia envolvida nessa fé capaz de curar. Ele observa que de 60% a 90% das consultas médicas envolvem doenças relacionadas com o estresse ? incluindo hipertensão, infertilidade, insônia e problemas cardiovasculares. O Dr. Benson, porém, demonstrou que o estado de relaxamento provocado pela oração e meditação reduz o impacto dos hormônios do estresse, tais como a noradrenalina e a adrenalina.

"Orações repetitivas desaceleram os batimentos cardíacos e o ritmo da respiração", afirma ele. "Além disso, baixam a pressão sangüínea e até mesmo reduzem a velocidade das ondas cerebrais, tudo isso sem medicamento ou cirurgia."

Técnicas não espirituais, como a meditação, produzem efeito semelhante, mas a maioria das pessoas prefere o conforto emocional mais acentuado da oração.

O estresse também prejudica o sistema imunológico ao fazê?lo produzir o agente inflamatório “interleucina-6”, associado a infecções crônicas, diabetes, câncer e doenças cardiovasculares. Koenig encontrou altos níveis sangüíneos de “interleucina-6” em pessoas que raramente iam à igreja. Freqüentadores assíduos apresentavam níveis de “interleucina-6” significativamente mais baixos, sugerindo que tais indivíduos enfrentavam melhor o estresse, como comprovavam seus sistemas imunológicos mais resistentes.

Em seu livro, Medicina espiritual, o Dr. Benson comenta que as pessoas estão "preparadas para Deus". Como somos a única espécie consciente da própria mortalidade, teoriza ele, apresentamos uma "ânsia orgânica" pelo eterno. 

'Oração e Prosac'

No princípio da década de 80, o Dr. Dale A. Matthews, então um jovem clínico geral, conheceu um enérgico homem de meia?idade que mudaria sua vida. Antes de permitir que o Dr. Matthews tratasse sua cardiopatia, o homem disse:

- Sou cristão devoto. Se vai ser meu médico, quero que reze comigo.

O Dr. Matthews jamais compartilhara sua fé com um paciente. Com certa relutância, deu as mãos ao homem. Para seu horror, a voz retumbante do paciente trovejou pela sala de exame. O médico esperava que ninguém os ouvisse, receoso de que seus superiores considerassem aquela atitude contrária à ciência. Mas o Dr. Matthews naquele dia compreendeu algo vital: seu paciente era uma pessoa integral, não uma combinação de sintomas e exames formando um "caso".

Hoje ele busca atentamente sinais da importância da religião para o paciente. Se alguém diz: "Queira Deus que os exames não revelem nada de mau", o médico responde: "Fale?me sobre o que pensa de Deus."

Mas o Dr. Matthews, professor adjunto de Medicina em Georgetown e autor de The Faith Factor O Fator Fé), previne que "a oração não é uma panacéia que possa suplantar os medicamentos". Em vez disso, revela que sua abordagem é "oração e Prozac: fé e medicina, como médico e paciente julgarem necessário'. 



O melhor do antigo e do novo

A profissão médica começa gradualmente a concordar com pioneiros como Koenig, Benson e Matthews. Hoje, por exemplo, exige-se que todos os programas de residência para psiquiatras incluam no currículo questões religiosas e espirituais. Na Faculdade de Medicina Johns Hopkins, o clínico geral e pediatra Dr. Thomas A. Corson e seus colegas vêm ministrando nos últimos três anos um curso sobre fé e medicina. Ele prevê que tais cursos logo se tornarão corriqueiros nas faculdades médicas.

O Dr. Dean Ornish prega os benefícios da meditação religiosa. Em seu recente best seller, “Amor e Sobrevivência”, Ornish afirma que alcançar a tranqüilidade emocional através de meios espirituais poderia ser a "mais completa experiência de cura". Esse uso da oração, diz ele, não é um modismo da Nova Era, mas representa "idéias muito antigas que estamos redescobrindo".

As igrejas americanas também estão proporcionando maior atenção espiritual aos paroquianos doentes e hospitalizados: centenas de paróquias dispõem atualmente de enfermeiras em cargos remunerados. Sue Mooney é enfermeira da Igreja Presbiteriana Overbrook, em Ohio. Ela visita diariamente membros da comunidade religiosa hospitalizados e intercede pessoalmente por eles junto ao sistema de saúde. Sue também costuma rezar com seus pacientes.

- É muito confortador saber que seu tratamento está sendo monitorado de perto por uma enfermeira da paróquia - diz ela. - Mas os pacientes também acham que o contato pessoal e as orações em comum trazem igual conforto.

Esse renovado interesse pelos benefícios à saúde promovidos pela fé não se limita aos cristãos. Rabinos e profissionais da área de saúde, como a enfermeira Ellen Winer, que chefia o Centro Judaico de Cura em Metivta, Los Angeles, visitam regularmente os doentes. 

Milagre ou ciência?

A Dra. Iris Keys, 54 anos, clínica geral no Centro de Enfermagem do Coppin State College de Baltimore, é ministra ordenada da Igreja Episcopal Metodista Africana. Embora a Dra. Iris nunca imponha sua religião, está sempre atenta às "conversas de igreja" entre seus pacientes, muitos dos quais são mulheres negras e idosas, com pressão arterial muito alta.

Ao longo dos anos, aprendeu que as pacientes religiosas seguem mais estritamente a medicação, a dieta e os programas de exercícios quando ela combina a medicina com orações confortadoras.

Há pouco, a Dra. Iris tratou uma vítima de ataque cardíaco de 54 anos. Embora a paciente soubesse que devia se exercitar para fortalecer o sistema cardiovascular, estava apavorada com a possibilidade de que o esforço deflagrasse novo ataque.

Os exames revelaram que não havia nenhuma evidência de nova doença coronária, mas, com a agitação do trabalho durante o dia e noites de insônia carregadas de ansiedade, ela se encontrava sob a investida incessante dos hormônios do estresse. A Dra. Iris percebeu que o espírito da mulher estava mais doente do que o corpo.

- Vamos rezar um pouco? - sugeriu.

Deram-se as mãos, curvaram a cabeça e rezaram.

- Senhor - finalizou a Dra. Iris -, como sabemos que a cura está entre suas atribuições, pedimos-Lhe que alivie a pesada carga sobre nossa irmã.

Nas semanas seguintes, cada exame era iniciado com uma breve oração. Hoje a paciente está praticamente livre de sintomas e a caminho da recuperação.

Seria um milagre ou uma abordagem psicológica criativa para lidar com um paciente? Para a Dra. Iris, esse é um ponto de controvérsia. 

- A vida humana é um milagre de Deus - afirma ela com convicção.
- E Ele cura através das mãos dos médicos. 

Por: Malcolm McConnel

CURA PELA FÉ II

Hoje em dia, Jeff Levin é considerado um dos principais nomes nos estudos científicos a respeito da relação entre as práticas religiosas ou espirituais e a saúde.

Gilberto Schoereder

Várias pesquisas vêm sendo realizadas nos últimos anos envolvendo o que alguns chamam de “o poder da oração”. Uma das grandes autoridades mundiais nesse campo é o dr. Jeff Levin, um epidemiologista social formado em religião, sociologia, saúde pública, medicina preventiva e gerontologia na Universidade Duke, na Universidade da Carolina do Norte, na Divisão Médica da Universidade do Texas e na Universidade de Michigan.

Ele é pesquisador do National Institute for Healthcare Research e seus estudos podem ser definidos como epidemiologia da religião – o estudo científico de como fatores espirituais previnem a incidência de enfermidades em determinadas regiões e a mortalidade, e promovem a saúde e o bem-estar - estabelecendo o relacionamento existente entre ciência, medicina e espiritualidade.

Seu trabalho estabelece pontes entre diferentes campos de atividade, como epidemiologia, gerontologia, sociologia, psicologia e medicina alternativa e complementar.

As perguntas básicas que seus estudos apresentam são: Como a fé religiosa atua como um recurso na prevenção de doenças e na promoção do bem-estar?; Um relacionamento de amor com Deus é uma característica das pessoas saudáveis?; A religiosidade é um fator de proteção contra doenças ao longo do processo de envelhecimento?; Existem efeitos terapêuticos ou preventivos de energias sutis ou estados alterados de consciência?

O resultado de suas pesquisas foi publicado no livro Deus, Fé e Saúde (Editora Cultrix). Entrevistamos o dr. Levin por e-mail para que ele nos falasse mais sobre seu trabalho e as mais recentes descobertas nessa área, assim como sua relação com teorias e posturas mais conservadoras da medicina, que ainda resistem em aceitar as evidências científicas coletadas nos últimos vinte anos.

A relação entre a oração ou as preces e a saúde se tornou um dos assuntos mais comentados da atualidade. Essa relação positiva entre ambas está definitivamente comprovada ou ainda estamos no campo das evidências? Em que ponto se encontram as pesquisas científicas? 

O campo da pesquisa em espiritualidade e saúde compreende, na verdade, três áreas de estudo diferentes. Uma delas, aquela em que minha pesquisa se focou nos últimos vinte anos, envolve investigações epidemiológicas de como a fé ou o envolvimento religioso influencia a saúde física e mental. Já foram feitos mais de mil estudos com esse enfoque e, hoje, a idéia de que aspectos da vida religiosa podem ser benéficos para a saúde ou o bem-estar de algumas pessoas é aceita de forma geral e não controversa. 

As duas outras áreas de pesquisa em espiritualidade e saúde envolvem: 1) estudos experimentais de laboratório, como em psicofisiologia, explorando os correspondentes espirituais de estados alterados de consciência; 2) testes clínicos investigando os efeitos da oração à distância. Em contraste com a pesquisa epidemiológica, esses estudos encontram muito mais resistência. Pessoalmente, acredito que existem boas evidências para ambas, mas os temas e conceitos levantados por esses estudos desafiam a estreiteza da visão de mundo de muitos cientistas das correntes estabelecidas.

Tem se falado na influência de fatores espirituais ou religiosos no processo de cura. Foi realizada alguma tentativa no sentido de determinar se se trata, de fato, de fatores espirituais, ou pode se tratar da ação da mente, como ocorre em tantos dos chamados “fenômenos parapsicológicos”? Em outras palavras, a crença de uma ou mais pessoas daria início a um processo ou uma ação mental. O que o senhor pensa a esse respeito?

Eu não estou certo de que usando os métodos naturalistas da ciência empírica poderemos algum dia desemaranhar esses dois conceitos. Aqui, nos Estados Unidos, médicos religiosamente muito conservadores opuseram muita resistência a essa pesquisa. Eles vêem os resultados de estudos de oração e cura, e quer atribuir qualquer cura subseqüente à intervenção “sobrenatural” de Deus. 

Outros reconhecem a possibilidade de que o ato de rezar envolva criar uma intenção mental positiva que pode ter, por si mesma, um efeito curativo. Mas isso é interpretado pelo primeiro grupo como blasfemo e até mesmo, acredite ou não, satânico – porque parece implicar efeitos que são inerentemente parapsicológicos, e a parapsicologia é considerada maligna.

Considero essa reação perturbadora por duas razões. Em primeiro lugar, fez muitos médicos cristãos conservadores rejeitar efetivamente os resultados de estudos de oração e cura, porque os estudos implicavam que as orações de qualquer um podem ser efetivas, independentemente de religião, talvez devido a algum tipo de mecanismo paranormal. Isso ameaça as reivindicações de exclusividade que alguns fazem para sua própria religião e para os resultados de orações dessa religião.

Em segundo lugar, se os resultados forem devidos “apenas” à parapsicologia – em vez de a Deus, por assim dizer -, por que isso seria um problema? Em última instância, todos esses efeitos vêm de Deus. Eu acredito que o Criador dotou os seres humanos com todo tipo de aptidão, algo que os grandes místicos conhecem há milhares de anos e que cientistas ocidentais só agora procuram entender. Mais de cem anos de pesquisa parapsicológica confirmaram isso, para satisfação minha e de muitos outros.

Durante suas pesquisas, o senhor teve conhecimento da ação dos chamados “médiuns de cura”? De alguma forma, esses casos podem estar relacionados? Já ouvimos falar que a cura não provém exatamente dos médiuns, mas da crença das pessoas que os consultam. 

Pessoalmente, nunca pesquisei sobre médiuns, mas tenho uma posição a respeito. Acredito que, quando se trata de orações, cura pelas mãos ou por energia, ou qualquer outra forma sutil de terapia bioenergética ou relativa à consciência, todos os elementos da interação curativa podem ser importantes; em outras palavras, as habilidades, características e intenções de quem cura, o método da cura e as crenças do paciente. Tudo isso pode entrar em jogo até certo ponto, mas pode variar de acordo com a situação. 

Quanto a uma condição sine qua non para o sucesso da cura, já ouvi muitos curandeiros dizendo que descobriram, por experiência própria, que é indispensável haver uma intenção amorosa por parte do curandeiro ou rezador; independentemente de outros elementos (método, técnica, expectativas de paciente, etc.). É fundamental haver uma intenção sincera e abnegada de amor fraterno, que deseje o melhor benefício para a pessoa, de acordo com a vontade de Deus.

Já ouvimos falar de experiências de “prece a distância”, com resultados positivos. Inclusive, as pessoas que realizavam as preces não sabiam a quem elas se dirigiam. O que o senhor pode nos dizer sobre esse assunto? 

Como muitos leitores já devem saber, houve vários estudos recentes que investigaram os efeitos da oração a distância. Alguns desses estudos foram, de fato, bem controlados, com método duplo-cego e amostragem criteriosa; foram testes clínicos de certa forma similares aos testes farmacológicos que avaliam os efeitos de novas drogas. 

Para horror de muitos médicos acadêmicos convencionais, alguns desses estudos mostraram resultados, com índices de recuperação que foram melhores entre os pacientes que foram alvo de orações sem o saberem do que entre os pacientes dos grupos de controle. 

Acredite ou não, já houve quase duzentas investigações desse tipo. E não só em pessoas, mas outros organismos, como animais e plantas. A pesquisa foi compilada de forma muito abrangente em um livro soberbo chamado Spiritual Healing (Cura Espiritual), escrito por meu amigo Dr. Dan Benor, um médico norte-americano. Ele descobriu que cerca de um quarto dos estudos foi realizado com uma metodologia de pesquisa impecável, e que, desse um quarto, aproximadamente três quartos constataram resultados positivos. Em outras palavras, isso é evidência e que orações a distância tiveram um efeito mensurável e benéfico.

Em seu livro Deus, Fé e Saúde, o senhor estabelece uma relação entre o modo como o compromisso religioso influencia o comportamento, e o modo como o comportamento influencia a saúde. No entanto, o comportamento de uma pessoa não está necessariamente ligado ou necessariamente dependente de um compromisso religioso. 

Foi feita alguma pesquisa no sentido de determinar o comportamento de pessoas não-religiosas, para ver se aquelas que têm comportamento saudável têm uma saúde melhor, como as religiosas ou espiritualizadas? O senhor diz em seu livro que as pesquisas mostram que o comportamento não-saudável não relacionado à postura religiosa ou espiritual? 

É claro que as pessoas podem ser perfeitamente saudáveis sendo ou não sendo religiosas ou espiritualizadas. O que tentei fazer no meu livro foi examinar os “mecanismos” subjacentes às relações entre espiritualidade e saúde observadas em pesquisas. Essas associações existem, eu concluí, exatamente porque a religiosidade pode motivar comportamentos saudáveis, pode gerar relações sociais de apoio e solidariedade, pode produzir sentimentos ou emoções poderosos, etc. E já se sabe que cada um desses fatores – hábitos saudáveis, relacionamentos, sentimentos – é importante para a saúde. 

Existem diferenças visíveis entre “estar associado a uma religião” e ter o que se poderia chamar de uma “atitude espiritual independente”? Faz diferença se a pessoa reza numa igreja ou em qualquer outro tipo de templo, ou se ela reza em casa, e segundo suas próprias regras? O que conta, afinal, é o comportamento, é o modo de pensar, é uma sintonia especial, ou outro fator?

Eu não acredito que faça qualquer diferença. Um dos primeiros fatos básicos que descobri quando comecei minha pesquisa, vinte anos atrás, é que um efeito saudável da religiosidade ou da espiritualidade parecia ser uma constante universal na natureza. Isto é, quando se toma como referência ou pessoas sem um caminho espiritual ou a população como um todo, efeitos epidemiologicamente protetores ou preventivos foram observados em católicos, protestantes, judeus, budistas, hindus, muçulmanos, zoroastristas, etc. 

Além disso, uma quantidade considerável de estudos mostrou um benefício às pessoas que, mesmo não sendo formalmente religiosas, estão envolvidas com meditação ou outras buscas espirituais. 

O Institute of Noetic Sciences, uma esplêndida organização na Califórnia, publicou um relatório excelente chamado The Physcal and Psychological Effects of Meditation (Os Efeitos Físicos e Psicológicos da Meditação) documentando esses estudos.

O senhor entende que essa aproximação da ciência com a religião é uma tendência para o futuro? O filósofo Ken Wilber já vem se manifestando há anos a respeito da necessidade de se desenvolver aproximando as visões científica e espiritual. O que o senhor pensa a esse respeito?

Nos últimos trinta anos, os acadêmicos dos Estados Unidos têm demonstrado um considerável interesse em explorar a interface entre religião e ciência. Porém, muito desse discurso aconteceu dentro do contexto rígido das filosofias e visões de mundo adotadas pelos acadêmicos e pelas religiões predominantes. Um “novo paradigma” que unifique as abordagens científica e espiritual seria certamente um desdobramento bem-vindo. Mas precisamos nos perguntar: Qual paradigma? Qual abordagem científica? Perspectiva espiritual de quem?

Ken Wilber fala para muitas pessoas que têm interesse intelectual na consciência e em caminhos espirituais alternativos, mas eu não diria que o mundo acadêmico ortodoxo esteja pronto para isso. Para boa parte da comunidade acadêmica, o diálogo entre ciência e religião é um diálogo entre uma visão muito materialista e mecanicista de ciência e uma versão cartesiana de espiritualidade, baseada num paradigma muito antigo.

Já existe alguma tentativa de se desenvolver uma teoria a respeito dessa ação da prece na melhora da saúde das pessoas, ou ainda é muito cedo para isso? O senhor entende que uma tória desse gênero deverá estar ligada a teorias desenvolvidas pela parapsicologia, envolvendo a atuação da mente sobre a matéria?

Uma das críticas que os céticos organizados fazem incessantemente à literatura científica sobre oração e cura é que esses estudos não podem ser verdadeiros porque não existe uma teoria que explique as descobertas. Assim, de acordo com essa crítica, os resultados são impossíveis.

A crítica é errônea por dois motivos distintos. Primeiro, a pesquisa clínica estabelece uma distinção entre eficácia e mecanismo de ação. A eficácia de uma terapia pode ser demonstrada muito tempo antes de se compreender o mecanismo subjacente de ação. É o caso da aspirina, que sabíamos que funcionava antes de entendermos por quê. Ignorar ou condenar os resultados de pesquisas metodologicamente sólidas porque eles não se enquadram nas atuais teorias seria a morte da ciência. 

Qualquer grande novo avanço, por definição, será gerado pela necessidade de se formular uma nova perspectiva teórica que responda a dados inesperados. É assim que as coisas têm funcionado ao longo da história da ciência.

Mas a segunda razão que invalida as objeções dos céticos é muito mais básica: existem, de fato, teorias e perspectivas para nos ajudar a entender como e por quê a oração pode curar. Sobre esse tópico já foi escrito mais do que eu poderia abordar aqui, mas basta dizer que há muitos anos têm surgido livros acadêmicos e artigos científicos com esse enfoque. 

Propuseram-se muitos mecanismos de ação possíveis, aproveitando trabalhos estimulantes nas áreas da física, do estudo da consciência, da psicofisiologia e da parapsicologia. Todo tipo de força, energia ou campos foi cogitado, inclusive conceitos como os de mente estendida, campos mórficos, mente não-local, psi, energias sutis, etc. 

O pesquisador alemão, Dr. David Aldridge, escreveu muito sobre esse tópico, assim como meu amigo Dr. Larry Dossey, o médico norte-americano, em muitos de seus livros, como Palavras que Curam (Healing Words, Editora Cultrix).

Acredito que a parapsicologia guarda uma riqueza de demonstrações empíricas e de proposições teóricas no que tange à oração a distância e seus efeitos de cura. Mas, infelizmente, muitos cientistas e médicos acadêmicos ortodoxos desdenham e não acreditam nesse trabalho, ao mesmo tempo em que o conhecem tão pouco. 

Essa postura vem principalmente da ignorância e de uma necessidade corporativista de proteger o próprio território. É pena, mas isso também parece ser uma constante na história da ciência e da medicina.