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8/31/2011

Letra C


Cannabis (maconha)
Cannabis é um termo genérico usado para referir os vários preparados do cânhamo (Cannabis sativa). Isso inclui a folha de maconha ou diamba (com variada sinonímia de gíria), o cânhamo-da-índia ou haxixe (derivado da resina dos extremos floridos da planta) e o óleo de haxixe.
Na Convenção Única de Narcóticos e Drogas de 1961, a cannabis foi definida como "as extremidades floridas ou frutificadas da planta de cannabis (excluindo as sementes e as folhas sem aquelas extremidades) das quais a resina não foi extraída", enquanto que a resina da cannabis é "a resina bruta ou purificada, extraída da planta da cannabis".
As definições são baseadas na terminologia tradicional indiana como ganja (=cannabis) e charas (=resina). Um terceiro termo indiano, o bhang se refere às folhas. O óleo de cannabis (óleo de haxixe, cannabis líquida ou haxixe líquido) é um concentrado de cannabis obtido pela extração geralmente através de um óleo vegetal (José Manoel Bertolote - Glossário de Termos de Psiquiatria, 1997 - Artes Médicas).
O termo marijuana é de origem mexicana. Originalmente um termo usado para o tabaco barato, ocasionalmente misturado com cannabis. tornou-se um termo genérico para as folhas de cannabis ou a cannabis, em geral, em muitos países. O haxixe, inicialmente um termo utilizado para a cannabis nas áreas do Mediterrâneo oriental, é hoje utilizada para a resina da cannabis.
A cannabis contém pelo menos 60 canabinóides, muitos dos quais biologicamente ativos. O componente mais ativo é o delta-tetrahidrocanabinol (THC), o qual, bem como seus metabólitos, pode ser detectado na urina várias semanas após seu uso (geralmente após ter sido fumado).
A intoxicação pela cannabis produz sensação de euforia, leveza dos membros e geralmente retração social. Prejudica a capacidade de dirigir veículos, bem como de outras atividades complexas que requerem habilidade; prejudica a memória imediata, a capacidade de concentração, os reflexos, a capacidade de aprendizado, a coordenação motora, a percepção de profundidade, a visão periférica, a percepção do tempo (a pessoa geralmente tem a sensação de lentificação do tempo) e a detecção de sinais.
Outros sinais de intoxicação podem incluir ansiedade excessiva, desconfiança ou idéias paranóides em alguns e euforia ou apatia em outros, juízo crítico prejudicado, irritação conjuntival, aumento de apetite, boca seca e taquicardia. A cannabis às vezes é consumida com álcool, o que aumenta os efeitos psicomotores.
Há registros de que o uso da cannabis pode precipitar recaídas em casos de esquizofrenia. Estados de ansiedade e pânico agudos, e estados delirantes foram também relatados na intoxicação por cannabis; estes geralmente regridem em alguns dias. Os canabinóides são às vezes usados terapeuticamente para glaucoma e para as náuseas em tratamentos quimioterápicos do câncer.
Os transtornos por uso de canabinóides estão incluídos nos transtornos por uso de substância psicoativa na CID-10 (classificados em F12). São sinônimos: Maconha, Marihuana e Marijuana.

Caráter
De acordo com Reich, o Caráter é composto das atitudes habituais de uma pessoa e de seu padrão consistente de respostas para várias situações. Inclui atitudes e valores conscientes, estilo de comportamento (timidez, agressividade e assim por diante) e atitudes físicas (postura, hábitos de manutenção e movimentação do corpo).
Na psiquiatria clássica o Caráter é o atributo funcional da Personalidade responsável pela volição (vontade) e pelos conceitos éticos e morais. Assim sendo, o sociopata ou a pessoa que se conduz emancipada dos conceitos morais e éticos, bem como aquela que não consegue dominar sua vontade seria portadora de um transtorno de Caráter.
As neuroses (algumas) também podem ser entendidas como alterações do Caráter. A chamada Personalidade Neurótica ou, conforme termo de Henri Ey, do Caráter Neurótico, implica nas Disposições Pessoais, no arranjo peculiar dos Traços no interior do eu, da modelagem afetiva no desenvolvimento da Personalidade, da história biológica e existencial do indivíduo e das exigências adaptativas que a vida solicita.
Patologicamente podemos dizer, também, que a pessoa portadora da Personalidade Borderline, embora seja bem menos perturbada que os psicóticos, são muito mais complexas que os neuróticos, embora possam ter deformações de caráter tanto quanto nas personalidades sociopáticas.
Estas personalidades sociopáticas ou psicopáticas, devido aos defeitos de caráter, costumam fazer com que a pessoa demonstre uma absoluta falta de sentimentos diante de estímulos importantes.
Ao estudarmos as perturbações mentais, em muitos casos vamos ver que se tratam de reações cuja natureza não é só determinada pela situação vivencial psicotraumática, mas também pelas predisposições da personalidade. A maioria das reações psíquicas mórbidas desenvolve-se em função de uma perturbação de Caráter que predispõe a elas.

Cardiopatia alcoólica
Transtorno difuso do músculo do coração, observado em indivíduos com uma história de consumo arriscado de álcool, geralmente de no mínimo 10 anos de duração. Os pacientes caracteristicamente apresentam insuficiência biventricular do coração; os sintomas mais comuns incluem: diminuição do fôlego durante esforço e deitado (dispnéia noturna), palpitações, edema de tornozelos e distensão abdominal (devido à ascite).
É comum o transtorno do ritmo cardíaco; a fibrilação auricular é a mais freqüente arritmia. A cardiopatia alcoólica deve ser diferenciada do beribéri cardíaco e de uma forma da “cardiomiopatia dos bebedores de cerveja”, causada pelo envenenamento por cobalto. Sinonímia: Doença Alcoólica do Músculo Cardíaco.

Cenestesia & Cinestesia
Cenestesia é a consciência (senso-percepção) que temos do próprio corpo, é a representação consciente do próprio corpo, de sua posição, de seu movimento, de sua postura em relação ao mundo à sua volta e em relação aos suas diversas partes e segmentos.
Quando existe uma percepção falseada dos órgãos internos ou do esquema corporal falamos em Alucinações Cenestésicas. Nestes casos os pacientes sentem como se tivessem seu fígado revirado, esvaziado seu pulmão, seus intestinos arrancados, o cérebro apodrecido, o coração rasgado, e assim por diante.
Cinestesia já diz respeito à senso-percepção dos movimentos corporais e em relação ao ambiente à sua volta. As Alucinações Cenestésicas devem ser diferenciadas das Alucinações Cinestésicas, que não dizem respeito à sensação tátil, mas sim aos movimentos (cine=movimento). Nas cinestesias os pacientes percebem as paredes movendo-se ou eles próprios movendo-se no espaço.

Ciclotimia
Instabilidade persistente do humor, envolvendo períodos numerosos de depressão e hipomania, sendo que nenhum destes é suficientemente grave ou prolongado para justificar um diagnóstico de transtorno afetivo bipolar ou transtorno depressivo recorrente. Originalmente, o termo foi introduzido por Kahibaum (1828-1899) para designar as formas mais leves de psicose maníaco-depressiva; subseqüentemente o conceito foi também aplicado para transtornos de personalidade caracterizados por anomalias afetivas.

Cirrose alcoólica
Grave forma de hepatopatia alcoólica caracterizada por necrose e deformação permanente da arquitetura do fígado devido à formação de tecido fibroso e nódulos regenerativos. Esta é uma definição estritamente histológica, porém o diagnóstico com freqüência é clínico.
A cirrose alcoólica acontece principalmente na faixa etária de 40 a 60 anos, depois de no mínimo 10 anos de uso arriscado de álcool. Os indivíduos apresentam sintomas e sinais de descompensação hepática, tais como ascite, edema de tornozelos, icterícia, hematomas, hemorragia gastrintestinal procedentes de varizes esofágicas e confusão ou estupor devido à encefalopatia hepática.
Por ocasião do diagnóstico, cerca de 30% dos pacientes estão “compensados” e relatam queixas inespecíficas, tais como dor abdominal, perturbações intestinais, perda de peso e de massa muscular e fraqueza. O câncer de fígado é uma complicação tardia da cirrose em aproximadamente 15% dos casos.
A cirrose alcoólica é algumas vezes designada de “cirrose portal” ou "cirrose de Laennec", embora nenhum destes termos implique necessariamente uma causa alcoólica. Em países não tropicais nos quais o consumo de álcool é substancial, o uso do álcool é a principal causa da cirrose. Devido à deficiência de registros de consumo de álcool, a soma global de mortalidade por cirrose — mais que “cirrose com menção de alcoolismo” — é freqüentemente usada como indicador de problemas ligados ao álcool.

Ciúme alcoólico
Tipo de transtorno psicótico crônico provocado pelo álcool, caracterizado por delírios de que o parceiro conjugal ou sexual é infiel. O delírio é caracteristicamente acompanhado de uma procura intensa da evidência da infidelidade e acusações diretas que podem levar a discussões violentas. Inicialmente foi visto como uma entidade diagnóstica específica, mas agora esta consideração é controvertida. Sinonímia: Paranóia Amorosa; Paranóia Conjugal.

Cocaína
Alcalóide obtido das folhas de coca (Erythroxylon coca) ou derivado sinteticamente da ecgonina ou de seus derivados. O hidrocloreto de cocaína era comumente usado como anestésico local em odontologia, oftalmologia e cirurgias de ouvido, nariz e garganta, dada à sua forte ação vasoconstritora, auxiliar na redução das hemorragias locais.
A cocaína é um poderoso estimulante do sistema nervoso central, usado não- medicamentosamente para produzir euforia ou “ligação”; o uso constante produz dependência. A cocaína ou "coca" é geralmente vendida como cristais brancos e translúcidos, ou em pó ("farinha" ou "pó"), freqüentemente adulterada com açúcares ou anestésicos locais. O pó é aspirado (“cheirado” ou “cafungado”) e produz efeitos entre 1-3 minutos que duram em torno de 30 minutos.
A cocaína pode ser ingerida oralmente, geralmente com álcool; os usuários de opióides e cocaína combinados geralmente os injetam por via intravenosa. Freebase (elementos alcalinos) são utilizados para aumentar a potência da cocaína pela extração do alcalóide puro através da inalação dos vapores em cigarros ou cachimbo de água (narguilé). Uma solução aquosa de sal de cocaína é misturada com um álcali (como bicarbonato de sódio) e o extrato é obtido através de um solvente orgânico como o éter ou hexano.
O procedimento é perigoso, uma vez que a mistura é explosiva e altamente inflamável. Um procedimento mais simplificado que evita o uso de solventes orgânicos consiste em aquecer o sal de cocaína com bicarbonato de sódio; isto produz o crack.
O crack é uma cocaína alcaloidal (básica), um composto amorfo que pode conter cristais de cloreto de sódio. E um composto de coloração bege.
Crack refere-se ao som de estalido provocado quando o composto é aquecido. Um efeito intenso ocorre de 4-6 segundos após a inalação do crack. Um sentimento de exaltação e de desaparecimento de ansiedade é experimentado, juntamente com um exagerado sentimento de confiança e auto-estima. Há também uma perturbação do juízo crítico e o usuário tende a cometer atos irresponsáveis, ilegais ou perigosos, sem atentar para as conseqüências.
A fala é acelerada e pode tornar-se desconexa e incoerente. Os efeitos agradáveis terminam em torno de 5-7 minutos, depois disso o humor rapidamente muda para depressão e o consumidor é compelido a repetir o processo de forma a recuperar a euforia do ápice. A superdose parece ser mais freqüente com o crack que com outras formas de cocaína.
A interrupção do uso contínuo de cocaína é geralmente seguida por uma crise que pode ser vista como síndrome de abstinência, na qual a exaltação dá lugar à apreensão, depressão profunda, sonolência e inércia.
Reações tóxicas agudas podem ocorrer tanto no consumidor de cocaína principiante quanto no inveterado. Essas reações incluem delirium semelhante ao pânico, hiperpirexia, hipertensão (algumas vezes com hemorragia subdural ou subaracnóide), arritmias cardíacas, infarto do miocárdio, colapso cardiovascular, convulsões, estado de mal epiléptico e morte.
Outras seqüelas neuropsiquiátricas incluem uma síndrome psicótica com delírios paranóides, alucinações visuais e auditivas e idéias de auto-referência. "Luzes na neve" (snow lights) é o termo usado para descrever alucinações ou ilusões que lembram o brilho do sol nos cristais de neve.
Efeitos teratogênicos foram descritos, incluindo anormalidades do trato urinário e deformidade dos membros. Os transtornos por uso de cocaína estão entre os transtornos por uso de substâncias psicoativas incluídas na CID-10 (classificadas em F14).

Codependente
Parente, amigo próximo ou colega de uma pessoa alcoolista ou dependente de droga cujas reações são definidas por este termo como tendendo a perpetuar a dependência daquela pessoa e daí retardar o processo de recuperação. No início dos anos 1970, os termos "coalcoolista" e "coalcoolismo" passaram a ser usados entre os que se tratavam de alcoolismo nos EUA, para caracterizar parentes próximos de alcoolistas (inicialmente a esposa em particular).
Com a mudança na terminologia de alcoolismo para dependência de álcool, "codependente direto" e "codependência" passaram a ser usados também para se referir aos parentes dos dependentes de outras drogas. O uso do termo implica uma necessidade de tratamento ou ajuda e há quem proponha classificar a codependência como um transtorno psiquiátrico. O termo é também usado atualmente no sentido figurado para se referir à comunidade ou sociedade que age como um facilitador da dependência de álcool ou droga.

Cognição delirante
Sob a designação de Cognição Delirante incluem-se certas convicções intuitivas que surgem inesperadamente, sobretudo no início de surtos psicóticos agudos, vivências que, não raro, se mantêm, arraigadas e firmes, durante largo tempo. O característico dessas vivências é que, em contraste com as anteriores, elas dispensam por completo de conexões significativas com quaisquer dados perceptivos ou representativos concretos, ocorrendo à guisa de intuições puras atuais.
É o que pode se evidenciar no seguinte relato do tipo: "Súbito, eu me dei conta de que a situação significava qualquer coisa de mau, mas eu não sabia o que".
O mesmo se verifica, neste outro exemplo, em que a paciente se revela repentinamente tomada da tranqüila convicção de sua alta linhagem: "sabia que era filha do Presidente da República", certeza que se instala sob a forma de uma evidência interna imediata, isto é, que não lhe vem de qualquer interpretação, suposição ou reflexão crítica ou lógica, referente a acontecimentos vividos.
Caracteriza-se igualmente como Cognição Delirante, por exemplo, a vivência experimentada por um paciente que, acometido de súbita alteração, sai para a rua, dizendo: "Eu sou o filho da estrela d'Alva". Algumas vezes, contudo, essas cognições aparecem em estreita consonância com a temática delirante, ligando-se então, incidentalmente, a acontecimentos implicados no delírio.
Esse tipo de Cognição Delirante ligada à temática do próprio delírio se observa, por exemplo, em pacientes obcecados com a Bíblia. Jaspers cita o caso de certa jovem que, ao ler o episódio da Ressurreição de Lázaro, sente-se, de repente, ela própria, encarnada na pessoa de Maria. Daí em diante assume o delírio onde sua irmã é Marta, Lázaro é um primo seu e passa a viver, com grande intensidade, o acontecimento narrado na Bíblia.

Cognição
Termo geral que abrange a aquisição de conhecimentos por meio de qualquer um dos vários processos mentais, como conceitualização, percepção, julgamento ou imaginação. O domínio cognitivo é tradicionalmente contrastado com o domínio conativo (relativo à volição ou à psicomotricidade) e com o domínio das emoções.

Cognitivo, desenvolvimento
Começando na infância, a aquisição de inteligência, pensamento consciente e habilidades para a solução de problemas. Uma seqüência ordenada no aumento do conhecimento, derivada da atividade sensório-motora, demonstrada empiricamente por Piaget.

Coma
O estado de coma é a alteração do estado de consciência. Traduz uma lesão que provocou o desligamento das funções cerebrais superiores que são responsáveis pela manutenção do estado de consciência. A graduação do estado de coma vai de um estado mais superficial quando pode ocorrer movimentos espontâneos como a abertura dos olhos, até estado mais profundo quando não há possibilidade de ocorrer uma respiração espontânea nem condições de se manter a pressão arterial em níveis normais.
Representa sempre grave insulto ao cérebro ocorrendo nas hemorragias cerebrais extensas, tumores cerebrais, nos traumatismos cranianos graves e nos distúrbios metabólicos severos. O diabetes descontrolado pode evoluir para o estado de coma. Há sempre necessidade de cuidados intensivos.

Comorbidade
Coexistência simultânea de mais de um diagnóstico, que é uma imposição do processo diagnosticador analítico-descritivo. É usado com freqüência para se referir à coexistência dos diagnósticos de síndrome de dependência (geralmente de álcool) e de um outro transtorno mental.

Compensação
Mecanismo mental, operando inconscientemente, pelo qual o indivíduo tenta compensar por deficiências reais ou imaginárias; o processo consciente pelo qual o indivíduo luta para compensar defeitos reais ou imaginados em áreas tais como psique, desempenho, habilidades ou atributos psicológicos - os dois tipos freqüentemente fundem-se.

Compulsão
Ato ou comportamento repetitivo e estereotipado (p.ex., lavar as mãos, verificar se as janelas ou o gás estão fechados, se as luzes estão apagadas, rezar) que uma pessoa se sente insistentemente obrigada a realizar, apesar da consciência da inutilidade do ato ou de sua indesejabilidade. A compulsão é o equivalente motor e comportamental da obsessão.
Quando aplicado ao uso de substâncias psicoatíuas, o termo refere-se a uma necessidade poderosa de consumir a substância (ou substâncias) em questão, atribuída mais a sentimentos internos do que a influências externas.
O usuário da substância pode identificar a necessidade como prejudicial ao seu bem-estar e pode ter uma intenção consciente de refrear-se. Esses sentimentos são menos característicos da dependência do álcool e de droga do que do transtorno obsessivo-compulsivo.

Comunidade terapêutica
Um ambiente estruturado no qual indivíduos com transtornos por uso de substância psicoativa vivem para alcançar a reabilitação. Tais comunidades são geralmente especificamente designadas para pessoas dependentes de drogas; elas operam sob normas estritas, são dirigidas principalmente por pessoas que se recuperaram de uma dependência, e são geralmente isoladas geograficamente.
As comunidades terapêuticas são caracterizadas por uma combinação de "teste de realidade" (através da confrontação do problema relacionado ao uso de droga do indivíduo) e apoio para a recuperação dos funcionários e colegas. Elas têm geralmente uma linha muito similar à dos grupos de ajuda mútua tais como Narcóticos Anônimos.

Concretismo
Trata-se de uma modalidade especial de alteração da forma do pensamento, que consiste na incapacidade do indivíduo para fazer a distinção entre o simbólico e o concreto. Seria quase o oposto do derreísmo. Em muitas pessoas, esta manifestação não representa nada de anormal, sendo mais um resultado de incultura ou dificuldade intelectual, em outras pessoas, porém, essa dificuldade de abstrair-se do concreto adquire um caráter nitidamente patológico.
A capacidade de abstração é fundamental ao ser humano e serve, entre outras utilidades, para avaliar os vários aspectos de uma situação, argüir e reagir diante de estímulos que não aparecem intrínseca e concretamente definidos. Pessoas incultas revelam sempre dificuldades na compreensão do simbólico e o ato de captar, rápida e intuitivamente, os vários aspectos de uma situação simbólica requer um bom nível intelectual e cultural.
Nas atividades cotidianas não há exigência de nenhuma atitude abstrata, visto tratar-se da execução de atos eminentemente pragmáticos, aprendidos ou até condicionados.
O pensamento concreto sempre se refere ao sensível e se opõe à abstração, tal como o pensamento chamado de primitivo. Falta ao pensamento primitivo e concreto a independência de abstrair-se, estando sempre escravizado ao fenômeno material e o objeto do pensar é sempre o objeto da percepção. Portanto, o conceito de concreto exprime sempre um objeto particular determinado e sensorialmente percebido. O que esse tipo de pensamento consegue produzir está sempre vinculado à analogia.

Confinamento
Processo legal de admissão de uma pessoa mentalmente enferma a um programa de tratamento. A definição legal e o procedimento, nos Estados Unidos, variam de estado para estado, embora isso normalmente exija um processo judicial.

Conflito
Luta mental que surge da operação simultânea de impulsos, pulsões e demandas internas ou externas (ambientais) opostos; chamado de intrapsíquico, quando o conflito é entre as forças internas da personalidade; extrapsíquico, quando é entre o eu e o ambiente.

Confusão mental
Estado de turvação de consciência associado a doença cerebral orgânica aguda ou crônica. Clinicamente é caracterizada por desorientação, lentificação de processos cerebrais com escassa associações de idéias, apatia, perda da iniciativa, fadiga e atenção empobrecida.
Em estados confusionais leves, respostas e comportamentos racionais podem estar presentes ao exame, mas graus mais graves do transtorno não permitem ao indivíduo manter contato com o meio. O termo é também empregado de forma imprecisa para descrever pensamentos desordenados nas psicoses funcionais; este último uso não é recomendado. Sinonímia: Estado Confusional.

Congêneres
A rigor, este termo aplica-se aos álcoois (que não o etanol), aldeídos e ésteres que são encontrados nas bebidas alcoólicas e contribuem para o gosto e aroma especiais dessas bebidas. Entretanto, “congêneres” é também usado, informalmente, para referir-se a qualquer constituinte de uma bebida alcoólica que conceda aroma, paladar, cor e outras características, tais como "corpo" para tal bebida. Os taninos e os corantes estão entre os compostos assim denominados.

Consciência
Parte moralmente autocrítica dos padrões próprios do comportamento, desempenho e julgamento de valores. Habitualmente equacionada com o superego.

Consumo compulsivo periódico de bebida
Padrão de beber intensivamente que ocorre por um período prolongado, propositadamente. Em estudos populacionais, o período usualmente é definido como beber mais que um dia de cada vez. Sinonímia: Ataque de Bebedeira.

Convenções internacionais sobre drogas
Tratados internacionais relacionados ao controle da produção e distribuição de drogas psicoativas. Tratados iniciais (General Brusseis Act, 1889-90, e a Convenção de St. Germain-en-Laye, de 1912) controlavam, na era colonial, o tráfico de bebidas destiladas na África.
O primeiro tratado relacionado com as substâncias controladas atualmente foi a Convenção de Haia, de 1912; suas determinações e sucessivos acordos foram consolidados na Convenção Única de Drogas Narcóticas (1961, emendada por um Protocolo de 1972). A essa foi adicionada a Convenção de Substâncias Psicotrópicas, de 1971, e a Convenção contra o Tráfico Ilícito de Drogas Narcóticas e Substâncias Psicotrópicas, de 1988.

Convulsão relacionada a álcool ou drogas
Evento do tipo convulsivo que ocorre durante a abstinência ou a intoxicação por álcool ou outras drogas. É caracterizada por perda de consciência e rigidez muscular (acompanhada por parada respiratória temporária), seguida por movimentos despropositados dos membros e tronco.
O termo é também usado algumas vezes para incluir convulsões resultantes de danos cerebrais induzidos pelo álcool ou drogas. As convulsões devido à epilepsia idiopática ou a danos cerebrais estruturais conseqüentes a trauma ou infecções em indivíduos com uso de substâncias psicoativas são excluídas desta definição. Sinonímia: Ataques Relacionados ao Álcool ou Drogas.

Craving
Necessidade imperiosa de uma substância psicoativa ou de seus efeitos intoxicantes. Craving é um termo popular usado para o mecanismo que se supõe estar na base do controle prejudicado: alguns acreditam que esse desejo aumente, pelo menos parcialmente, como resultado de associações condicionadas que evocam respostas de abstinência condicionada. O craving pode também ser induzido pela evocação de algum estado psicológico semelhante à síndrome de abstinência do álcool ou drogas.

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