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4/18/2013

Transtornos da Personalidade


Este texto é dedicado a todos aqueles, mulheres ou homens, que convivem com pessoas cujo comportamento torna quase impossível qualquer tipo de relacionamento, além de caracterizar-se pela negação peremptória do sujeito em aceitar a presença da doença, grave, de difícil tratamento e, na maioria das vezes, incurável.
Este agrupamento compreende diversos estados e tipos de comportamento clinicamente significativos que tendem a persistir e que são a expressão característica da maneira de viver do indivíduo e de seu modo de estabelecer relações consigo próprio e com os outros. Alguns destes estados e tipos de comportamento aparecem precocemente durante o desenvolvimento individual sob a influência conjunta de fatores constitucionais e sociais, enquanto outros são adquiridos mais tardiamente durante a vida.
Os transtornos específicos da personalidade, os transtornos mistos e outros transtornos da personalidade e as modificações duradouras da personalidade, representam modalidades de comportamento profundamente enraizadas e duradouras, que se manifestam sob a forma de reações inflexíveis a situações pessoais e sociais de natureza muito variada. Eles representam desvios extremos ou significativos das percepções, dos pensamentos, das sensações e particularmente das relações com os outros em relação àquelas de um indivíduo médio de uma dada cultura.
Tais tipos de comportamento são geralmente estáveis e englobam múltiplos domínios do comportamento e do funcionamento psicológico. Frequentemente estão associados a sofrimento subjetivo e a comprometimento de intensidade variável do desempenho social.
Antes de descrevê-los gostaria de, em linguagem leiga, relacionar este tema a um determinado tipo de comportamento que via de regra acaba por ser rotulado com termos vulgares, tais como: fofoqueira, encrenqueira, frutriqueira, mal amada, doida, esquizofrênica, paranoica, maluca, e por aí vai.
Ocorre com maior frequência no sexo feminino que novamente é rotulada como aquela mulher mal resolvida, as quais eu prefiro rotular de muito adoecidas do ponto de vista psicológico, social e sexual, deixando de lado aquelas que assim o são por comorbidades psiquiátricas.
Infelizmente, essas pessoas acabam destruindo todas e quaisquer relações ao seu redor, principalmente as de natureza familiar. Preocupam-se em rotular os outros, criar padrões de definição próprios e aplica-los de maneira covarde e com o objetivo equivocado de que com isso está diminuindo ou agredindo ao outro, quando na verdade está apenas exibindo sua personalidade transtornada, baixa ou nenhuma autoestima, numa tentativa doente de ocultar suas fragilidades, incapacidades e fracassos.
São geralmente pessoas hediondas, desprovidas de sentimentos saudáveis e que só sobrevivem por ter sempre alguém na mira de seus ataques infundados, descabidos e claramente perceptíveis como ações provenientes de uma pessoa muito adoecida.
Vale este tema para alguns pseudo psicólogos que além de acreditarem-se donos da verdade absoluta, desconhecem a ciência médica, a psiquiatria e são eles mesmos, tão ou mais doentes do que aqueles que julgam estar tratando, se cabe esta palavra. Eu prefiro dizer que estão, isso sim, transformando pacientes com problemas simples e facilmente tratáveis em doentes graves criados e moldados à sua semelhança, ou seja, pessoas gravemente adoecidas e que acabam por tornar-se reféns ad eternum de consultas e mais consultas, criando um elo de dependência emocional que anula o paciente e alimenta sua própria doença.
Transtornos específicos da personalidade
Trata-se de distúrbios graves da constituição caracterológica e das tendências comportamentais do indivíduo, não diretamente imputáveis a uma doença, lesão ou outra afecção cerebral ou a outro transtorno psiquiátrico. Estes distúrbios compreendem habitualmente vários elementos da personalidade, acompanham-se em geral de angústia pessoal e desorganização social; aparecem habitualmente durante a infância ou a adolescência e persistem de modo duradouro na idade adulta.
Personalidade paranóica
Transtorno da personalidade caracterizado por uma sensibilidade excessiva face às contrariedades, recusa de perdoar os insultos, caráter desconfiado, tendência a distorcer os fatos interpretando as ações imparciais ou amigáveis dos outros como hostis ou de desprezo; suspeitas recidivantes, injustificadas, a respeito da fidelidade sexual do esposo ou do parceiro sexual; e um sentimento combativo e obstinado de seus próprios direitos. Pode existir uma superavaliação de sua auto importância, havendo frequentemente auto referência excessiva.
Personalidade dissocial
Transtorno de personalidade caracterizado por um desprezo das obrigações sociais, falta de empatia para com os outros. Há um desvio considerável entre o comportamento e as normas sociais estabelecidas. O comportamento não é facilmente modificado pelas experiências adversas, inclusive pelas punições. Existe uma baixa tolerância à frustração e um baixo limiar de descarga da agressividade, inclusive da violência. Existe uma tendência a culpar os outros ou a fornecer racionalizações plausíveis para explicar um comportamento que leva o sujeito a entrar em conflito com a sociedade.
Transtorno de personalidade com instabilidade emocional
Transtorno de personalidade caracterizado por tendência nítida a agir de modo imprevisível sem consideração pelas consequências; humor imprevisível e caprichoso; tendência a acessos de cólera e uma incapacidade de controlar os comportamentos impulsivos; tendência a adotar um comportamento briguento e a entrar em conflito com os outros, particularmente quando os atos impulsivos são contrariados ou censurados.
Dois tipos podem ser distintos: o tipo impulsivo, caracterizado principalmente por uma instabilidade emocional e falta de controle dos impulsos; e o tipo “borderline”, caracterizado, além disto, por perturbações da autoimagem, do estabelecimento de projetos e das preferências pessoais, por uma sensação crônica de vacuidade, por relações interpessoais intensas e instáveis.
Personalidade histriônica
Transtorno da personalidade caracterizado por uma afetividade superficial e lábil, dramatização, teatralidade, expressão exagerada das emoções, sugestibilidade, egocentrismo, auto complacência, falta de consideração para com o outro, desejo permanente de ser apreciado e de constituir-se no objeto central de atenção e tendência a se sentir facilmente ferido.
Personalidade ansiosa
Transtorno da personalidade caracterizado por sentimento de tensão e de apreensão, insegurança e inferioridade. Existe um desejo permanente de ser amado e aceito, hipersensibilidade à crítica e a rejeição, reticência a se relacionar pessoalmente.
Personalidade dependente
Transtorno da personalidade caracterizado por: tendência sistemática a deixar a outrem a tomada de decisões, importantes ou menores; medo de ser abandonado; percepção de si como fraco e incompetente; submissão passiva à vontade do outro (por exemplo de pessoas mais idosas) e uma dificuldade de fazer face às exigências da vida cotidiana; falta de energia que se traduz por alteração das funções intelectuais ou perturbação das emoções; tendência frequente a transferir a responsabilidade para outros.
Neurose de compensação
Produção deliberada ou simulação de sintomas ou de incapacidades, físicas ou psicológicas [transtorno fictício]. Simulação repetida e coerente de sintomas, às vezes com automutilações com o intuito de provocar sinais ou sintomas. A motivação é obscura e possivelmente de origem interna e visa adotar um papel ou um status de doente, e frequentemente se associa a grandes transtornos da personalidade e das relações.