Este texto é dedicado a todos aqueles, mulheres ou homens, que convivem
com pessoas cujo comportamento torna quase impossível qualquer tipo de
relacionamento, além de caracterizar-se pela negação peremptória do sujeito em
aceitar a presença da doença, grave, de difícil tratamento e, na maioria das
vezes, incurável.
Este agrupamento compreende diversos estados e tipos de comportamento
clinicamente significativos que tendem a persistir e que são a expressão
característica da maneira de viver do indivíduo e de seu modo de estabelecer
relações consigo próprio e com os outros. Alguns destes estados e tipos de
comportamento aparecem precocemente durante o desenvolvimento individual sob a
influência conjunta de fatores constitucionais e sociais, enquanto outros são
adquiridos mais tardiamente durante a vida.
Os transtornos específicos da personalidade, os transtornos mistos e
outros transtornos da personalidade e as modificações duradouras da
personalidade, representam modalidades de comportamento profundamente
enraizadas e duradouras, que se manifestam sob a forma de reações inflexíveis a
situações pessoais e sociais de natureza muito variada. Eles representam
desvios extremos ou significativos das percepções, dos pensamentos, das
sensações e particularmente das relações com os outros em relação àquelas de um
indivíduo médio de uma dada cultura.
Tais tipos de comportamento são geralmente estáveis e englobam múltiplos
domínios do comportamento e do funcionamento psicológico. Frequentemente estão
associados a sofrimento subjetivo e a comprometimento de intensidade variável
do desempenho social.
Antes de descrevê-los gostaria de, em linguagem leiga, relacionar este
tema a um determinado tipo de comportamento que via de regra acaba por ser
rotulado com termos vulgares, tais como: fofoqueira, encrenqueira, frutriqueira,
mal amada, doida, esquizofrênica, paranoica, maluca, e por aí vai.
Ocorre com maior frequência no sexo feminino que novamente é rotulada
como aquela mulher mal resolvida, as quais eu prefiro rotular de muito adoecidas
do ponto de vista psicológico, social e sexual, deixando de lado aquelas que
assim o são por comorbidades psiquiátricas.
Infelizmente, essas pessoas acabam destruindo todas e quaisquer relações
ao seu redor, principalmente as de natureza familiar. Preocupam-se em rotular
os outros, criar padrões de definição próprios e aplica-los de maneira covarde
e com o objetivo equivocado de que com isso está diminuindo ou agredindo ao
outro, quando na verdade está apenas exibindo sua personalidade transtornada,
baixa ou nenhuma autoestima, numa tentativa doente de ocultar suas
fragilidades, incapacidades e fracassos.
São geralmente pessoas hediondas, desprovidas de sentimentos saudáveis e
que só sobrevivem por ter sempre alguém na mira de seus ataques infundados,
descabidos e claramente perceptíveis como ações provenientes de uma pessoa
muito adoecida.
Vale este tema para alguns pseudo psicólogos que além de acreditarem-se
donos da verdade absoluta, desconhecem a ciência médica, a psiquiatria e são
eles mesmos, tão ou mais doentes do que aqueles que julgam estar tratando, se
cabe esta palavra. Eu prefiro dizer que estão, isso sim, transformando
pacientes com problemas simples e facilmente tratáveis em doentes graves
criados e moldados à sua semelhança, ou seja, pessoas gravemente adoecidas e
que acabam por tornar-se reféns ad eternum de consultas e mais consultas,
criando um elo de dependência emocional que anula o paciente e alimenta sua
própria doença.
Trata-se de distúrbios
graves da constituição caracterológica e das tendências comportamentais do
indivíduo, não diretamente imputáveis a uma doença, lesão ou outra afecção
cerebral ou a outro transtorno psiquiátrico. Estes distúrbios compreendem
habitualmente vários elementos da personalidade, acompanham-se em geral de
angústia pessoal e desorganização social; aparecem habitualmente durante a
infância ou a adolescência e persistem de modo duradouro na idade adulta.
Personalidade
paranóica
Transtorno da
personalidade caracterizado por uma sensibilidade excessiva face às
contrariedades, recusa de perdoar os insultos, caráter
desconfiado, tendência a distorcer os fatos interpretando as ações
imparciais ou amigáveis dos outros como hostis ou de desprezo; suspeitas
recidivantes, injustificadas, a respeito da fidelidade sexual do esposo ou do
parceiro sexual; e um sentimento combativo e obstinado de seus próprios
direitos. Pode existir uma superavaliação de sua auto importância,
havendo frequentemente auto referência excessiva.
Personalidade
dissocial
Transtorno de
personalidade caracterizado por um desprezo das obrigações sociais, falta de
empatia para com os outros. Há um desvio considerável entre o comportamento
e as normas sociais estabelecidas. O comportamento não é facilmente
modificado pelas experiências adversas, inclusive pelas punições. Existe uma baixa
tolerância à frustração e um baixo limiar de descarga da agressividade,
inclusive da violência. Existe uma tendência a culpar os outros ou a fornecer
racionalizações plausíveis para explicar um comportamento que leva o
sujeito a entrar em conflito com a sociedade.
Transtorno de personalidade
com instabilidade emocional
Transtorno de
personalidade caracterizado por tendência nítida a agir de modo imprevisível
sem consideração pelas consequências; humor imprevisível e caprichoso;
tendência a acessos de cólera e uma incapacidade de controlar os
comportamentos impulsivos; tendência a adotar um comportamento briguento e a
entrar em conflito com os outros, particularmente quando os atos impulsivos são
contrariados ou censurados.
Dois tipos podem ser
distintos: o tipo impulsivo, caracterizado principalmente por uma instabilidade
emocional e falta de controle dos impulsos; e o tipo “borderline”, caracterizado,
além disto, por perturbações da autoimagem, do estabelecimento de projetos e
das preferências pessoais, por uma sensação crônica de vacuidade, por relações
interpessoais intensas e instáveis.
Personalidade
histriônica
Transtorno da
personalidade caracterizado por uma afetividade superficial e lábil, dramatização,
teatralidade, expressão exagerada das emoções, sugestibilidade,
egocentrismo, auto complacência, falta de consideração para
com o outro, desejo permanente de ser apreciado e de
constituir-se no objeto central de atenção e tendência a se sentir
facilmente ferido.
Personalidade ansiosa
Transtorno da
personalidade caracterizado por sentimento de tensão e de apreensão,
insegurança e inferioridade. Existe um desejo permanente de ser amado e
aceito, hipersensibilidade à crítica e a rejeição, reticência a se
relacionar pessoalmente.
Personalidade
dependente
Transtorno da
personalidade caracterizado por: tendência sistemática a deixar a outrem a
tomada de decisões, importantes ou menores; medo de ser abandonado;
percepção de si como fraco e incompetente; submissão passiva à vontade do outro
(por exemplo de pessoas mais idosas) e uma dificuldade de fazer face às
exigências da vida cotidiana; falta de energia que se traduz por alteração das
funções intelectuais ou perturbação das emoções; tendência frequente a
transferir a responsabilidade para outros.
Produção deliberada
ou simulação de sintomas ou de incapacidades, físicas ou psicológicas [transtorno fictício]. Simulação repetida e coerente de sintomas,
às vezes com automutilações com o intuito de provocar sinais ou sintomas. A
motivação é obscura e possivelmente de origem interna e visa adotar um papel ou
um status de doente, e frequentemente se associa a grandes transtornos da
personalidade e das relações.







