Escolha o Idioma

9/09/2011

Sete Passos para a queda




1º- Beber socialmente

Quase sem nenhuma exceção, as pessoas começam a beber porque alguém lhes oferece uma bebida.

Os estudantes podem beber pela primeira vez por causa do receio de os colegas se rirem deles, para provar que já são adultos, ou simplesmente por curiosidade. Muitos tomam bebida alcoólica pela primeira vez nas festas de fim de ano.

Na universidade, onde as ocasiões sociais são mais importantes e mais freqüentes, a bebida começa a adquirir um papel mais proeminente. "É preciso beber um pouco", disse um universitário calouro. "Todo mundo bebe".

A "hora da hospitalidade" e o cocktail tornam-se parte aceite da vida social. Assim, o jovem contrário à bebida depara-se sob pressões fortes, embora subtis, para se unir à multidão. Em algumas festas, a pressão para que todos bebam é tão grande que o hóspede tem de ter um copo na mão, ainda que contenha apenas refrigerante ou qualquer outra coisa, para deixar os outros à vontade.

Ninguém, quando começa a beber, deseja tornar-se escravo do álcool. Não deseja beber até cambalear ou expor-se ao ridículo. Não deseja fazer da garrafa seu primeiro amor – com a exclusão da família, dos amigos e do emprego. A pessoa raciocina:

"Não é isso o que vai acontecer comigo." Considera-se esperta demais para se submeter ao controle do álcool. Tem bastante vontade própria e bastante autocontrole. É bem provável que nem mesmo perceba os sinais de perigo, até ser tarde demais.

Embora o beber socialmente seja o primeiro passo para o alcoolismo, um perigo ainda mais insidioso é a idéia corrente de que, para demonstrar hospitalidade, deve servir-se uma bebida alcoólica. Essa armadilha já apanhou muitos que, felizmente, conseguiram voltar à sobriedade.

2º Dependência da bebida
Os motivos que o alcoólico apresenta para beber mudam sutilmente, mas de modo perceptível. Ele já não bebe somente quando recebe visitas ou quando vai visitar outros. Torna-se um bebedor habitual ou um dependente da bebida. O motivo pelo qual começou a beber determinará o tipo de bebedor em que se tornará.

O bebedor habitual é o que está apenas começando a sentir o puxão poderoso e insistente do vício. Ele prepara uma bebida quando chega a casa, de volta do trabalho, ou depois do jantar, enquanto vê televisão. Talvez nem perceba que o hábito da bebida pode levá-lo para o alcoolismo.

Aquele que depende da bebida bebe quando as dificuldades começam a acumular-se e quando os problemas ficam grandes demais. O patrão repreende-o no trabalho; perde um grande contrato; a esposa quer comprar móveis novos, ou um cobrador irrita-se. Assim, ele bebe.

A bebida ajuda-o a esquecer. Os desapontamentos e frustrações não parecem tão grandes sob o brilho temporário produzido pelo álcool.

Sei muito a respeito dessa maneira de beber. Eu costumava fazer da bebida a minha parceira, de modo que meu conhecimento é total. Se alguma coisa me perturbasse ou irritasse, ia logo para o bar mais próximo. Nunca me ocorreu que a garrafa jamais pudesse resolver um único problema.

Nem encarava o fato de me sentir pior e menos capaz para enfrentar a vida, depois de passado o efeito da bebida. Embora nessa época meu impulso principal para beber viesse das pressões que enfrentava, estava a tornar-me viciado no álcool. E, à semelhança do bebedor habitual, não o percebia.

Na verdade, a diferença entre o bebedor habitual e o que depende da bebida é bem pequena. Ambos se encontram nos estágios iniciais do vício.

3º - Fase pré-alcoólico

Aqui, novamente, o passo é bastante definido. Bem entrincheirado agora como bebedor regular, o indivíduo começa a beber com mais pressa. Ele começa a engolir tragos de uma vez só; a beber escondido e a surripiar bebidas. Nas festas, é o indivíduo com grande coração que deseja ajudar a servir.

Com um pretexto ou outro, o indivíduo na fase pré-alcoólico conseguirá dar um jeito de ir para a cozinha preparar as bebidas. O seu copo está sempre cheio, e talvez prepare uma bebida extra e beba sempre que mistura uma bebida para outra pessoa. Embora nesse ponto ele raramente aparente os efeitos de haver bebido demais, agora começa a revelar as evidências da intoxicação.

Mesmo na fase pré-alcoólico o indivíduo torna-se um mentiroso consumado. Ao procurar impedir que a família ou o patrão fiquem sabendo que ele está a beber cada vez mais, o engano e a mentira passam a ser seu modo de vida. Se você lida com alcoólicos, isso é algo de que se deve lembrar.

Não importa quem ele seja – rico ou pobre, inteligente ou não, importante ou não – se ele está a afundar-se no álcool, torna-se um mentiroso compulsivo. Consegue olhá-lo diretamente nos olhos e falar com a tonalidade de quem faz um juramento solene, sem proferir uma única verdade.

4º - Problema com a bebida

Essa é a fase em que o bebedor pré-alcoólico começa a perder o controle dos seus hábitos de beber. Até essa altura ele conseguia controlar o tempo em que começava a beber até à hora de parar. Agora, começa a beber e não consegue parar. As chamas do vício começam a aumentar, e já não consegue matar a sua sede de bebidas alcoólicas.

Começa então a passar os fins-de-semana completamente embriagado.

É nessa altura que o bebedor problemático passa por grandes tormentos. Vai a algum lugar a fim de realizar um trabalho, mas começa a beber e não consegue parar. Apenas muito vagamente se lembra de algo que aconteceu.

Jamais me esquecerei do tormento por que passei quando, certa vez, me encontrava nessa fase.

Os dias anteriores à bebedeira pareciam um vazio completo. Não tinha idéia alguma do que havia acontecido, a não ser que tinha passado cheques sem cobertura por toda a cidade. Comecei a ver-me como um mentiroso, enganador, ladrão e bêbado.

Eu não teria admitido nenhuma dessas coisas a mais ninguém, mas, bem no fundo do coração, eu sabia que eram verdade. Foi uma experiência apavorante.

"Se eu tão somente pudesse resolver o problema imediato", raciocinei, "poderia cuidar das coisas daqui para frente. Se tão somente conseguir dinheiro para cobrir estes cheques, não me meterei em mais apuros como este." Contudo, a percepção enervante de estar indefeso contra a sede feroz que me estava controlando, era um tormento real.

Freneticamente, comecei a procurar respostas, mas ao mesmo tempo tinha medo de que as pessoas descobrissem a minha situação. Jamais me esquecerei da ansiedade com que fui ver um psiquiatra pouco tempo depois, e de quão grande era meu desespero em procurar ajuda. Mas o orgulho não me deixava admitir a minha necessidade. O orgulho não me deixava revelar a ninguém meu problema com o álcool.

A partir desse ponto, a descida progressiva do alcoólico torna-se vertiginosa.

5º - Queda no alcoolismo

Até atingir esse ponto, o bebedor problemático consegue manter uma vida aparentemente normal. Agora porém, seu vício crescente começa a influenciar os membros da sua família, os amigos e os companheiros de trabalho.

Chega ao ponto de sua vida girar em torno de uma única coisa: conseguir outro trago. Ele já não pode controlar a hora em que começa a beber, nem a hora para parar.

Embora possa desejar, desesperadamente, não beber, o seu próprio ser grita pedindo o álcool a que está viciado. Bebe porque não consegue evitá-lo, e continua a beber por longos períodos de intoxicação, porque é forçado. Seu organismo desenvolveu uma dependência do álcool que não pode ser negada. A sua existência toda se torna uma batalha para satisfazer esse desejo insaciável e usa a astúcia quase como um instinto animal.

Como percebe o leitor, o alcoólico finalmente chega ao ponto em que sua dependência do álcool é tão completa, que fica aterrorizado com o pensamento de precisar de um trago e não conseguir encontrá-lo.

Outra característica de quem cai no alcoolismo é sua atitude para com o trabalho. O alcoólico médio é um trabalhador excepcional. Quaisquer que sejam suas responsabilidades no emprego, serão bem executadas. Por estranho que pareça, essa meticulosidade também faz parte do padrão e assinala outro ponto fraco em direção ao alcoolismo.

A explicação está no motivo por que ele executa tão bem suas atribuições. Pode ser que ele não seja ambicioso ou consciencioso quando sóbrio; agora, porém, trabalha por causa do temor. No fundo da mente ele sabe que cedo ou tarde vai ficar bêbado e não poderá voltar ao trabalho na Segunda ou na terça-feira. Teme que, quando o inevitável acontecer, seja despedido – a menos que tenha uma excelente folha de trabalho. Assim, ele trabalha tanto quanto pode a fim de tornar-se tão valioso ao patrão, de forma a que não seja despedido.

Outro temor pode motivá-lo a trabalhar ainda mais. Ele sabe que, quando bêbado, fez coisas que jamais faria estando sóbrio. Pode ser que tenha passado cheques sem cobertura, jogado, ou não tenha pagado a renda da casa. Ele pode ter chegado perto de ir para a cadeia. Ele pensa que se der o duro – ou, se for um bom vendedor e tiver um registro suficientemente alto de vendas – a companhia o ajudará. Se gostam dele, poderão adiantar-lhe dinheiro suficiente para acertar as coisas.

O alcoólico, devemos lembrar-nos, é astucioso. Sempre pensa adiante. Está sempre tentando preparar-se para o imprevisto. Ele reconhece as suas próprias fraquezas, embora não as admita, e está constantemente tentando impedir que elas o vençam.

Desde o primeiro minuto de trabalho, ele se torna o melhor lavador de pratos, cavador de buracos ou porteiro, que a firma já possuiu. Trabalha duro sem reclamar e realiza o trabalho tão bem que o chefe não pode deixar de ficar impressionado.

Depois de alguns dias o homem vai ao patrão: "Não tenho conseguido pagar a renda", mente, "o meu senhorio deu-me o prazo até hoje à noite para conseguir o dinheiro. Será que não podia dar-me um adiantamento?"

O chefe, em geral, contente em ter um empregado tão trabalhador, dá-lhe o adiantamento. Com o dinheiro no bolso, o empregado quase atropela alguém na corrida em direção ao bar mais próximo, onde se embebeda. E o patrão jamais volta a vê-lo.

Embora a pessoa nesta fase trabalhe bem, seu motivo é totalmente egoísta. Todos os seus pensamentos e desejos são para a bebida. Nessa fase da descida vemos a mudança completa da personalidade do indivíduo.

Quando a pessoa se encontra na fase pré-alcoólico, começa a mentir. Quando se torna bebedor problemático, começa a desenvolver a dependência dos outros e é assaltado pelo tormento do medo e da ansiedade. Está apenas a um curto passo do alcoolismo. Ao cair no vício do álcool, completa-se a mudança da personalidade.

O alcoólico não apenas mente e engana os que o cercam, mas torna-se também autocentralizado e anti-social. Não quer estar na companhia de outras pessoas – especialmente de estranhos. Prefere não comer, a sentar-se à mesa com outros, e muitas vezes guardará no quarto bolachas, queijo e comida enlatada, para comer sozinho.

Ele não quer tomar decisões, e torna-se dependente da esposa, da família e até da comunidade toda.

O estranho, porém, é seu orgulho; ele é orgulhoso ao ponto de se apegar a toda ilusão capaz de impedir que os outros descubram a realidade do seu caráter.

Por exemplo, certo entalhador de madeira, competente, fez algumas lindas gravuras de madeira, mas recusou-se a mostrá-las ou vendê-las. Um amigo disse: "Ele colocou-se a si mesmo nessas esculturas de madeira, mas o orgulho o impede de mostrá-las."

O alcoólico é, com freqüência, orgulhoso demais para permitir que a esposa e os filhos recebam ajuda de qualquer espécie. Contudo, não hesita em depender da renda da mulher.

Em situações como esta, o alcoólico típico quer que a esposa continue a trabalhar, porque, no fundo, teme que um dia ele possa cair em dificuldades financeiras por causa da bebida e precise do rendimento do emprego da mulher.

Outro jovem, conhecido meu, dependia ainda muito mais da esposa. O alcoolismo severo tirou-lhe a vida algum tempo atrás, mas enquanto viveu contentou-se em deixar que a esposa (mãe de dois filhos pequenos) trabalhasse para sustentar a família e a ele.

Nessa fase da descida para o alcoolismo, o indivíduo quase sempre perde o emprego. De uma coisa, contudo, pode estar certo: a menos que alguém o agarre, lhe apresente as reivindicações de Cristo para sua vida, e o ajude inteligentemente a vencer o seu problema, não será o último emprego que deverá ao álcool.

O homem, numa situação familiar média, é o que, com toda probabilidade, desenvolverá a dependência da sua família. O homem sem um lar pode, muitas vezes, tornar-se dependente da sociedade. Certo ébrio costumava passar 312 dias do ano na cadeia. O problema era sempre o mesmo: bebedeira. A cadeia era um modo de vida para ele. Significava calor, alimento e um lugar para dormir à noite – enfim, certa medida de segurança.

Para outros alcoólicos, o ciclo é mais complexo, mas o motivo é o mesmo. Vão da cadeia para o hospital, depois para um centro, deste para a "vida normal" e, novamente, de volta para a cadeia.

A questão da dependência é uma das mais difíceis e sérias que o conselheiro ou a família encara ao trabalhar com o alcoólico. É preciso quebrar a dependência que ele tem dos outros antes que o viciado possa receber ajuda.

Descida sutil ao alcoolismo crônico

Ao passo que o mergulho do bebedor problemático no alcoolismo seja súbito e bem definido, a queda no alcoolismo crônico é gradual. Depois de perder um emprego por causa da bebida, o indivíduo consegue outro. Por algum tempo, tudo vai bem. Então, a bebida tira-o do trabalho novamente.

Deterioração orgânica

O alcoólico chegou ao ponto em que já não se importa com a própria aparência. Anda sujo e com a barba por fazer. Seus olhos são vermelhos e seu rosto, perpetuamente inchado e rosado. Já não se esforça para encobrir os encontros com o vício. A bebedeira constante tem-lhe custado um emprego após outro, até ao ponto de já não tentar conservar o emprego.

Trabalhar, para ele, é o meio de conseguir algum dinheiro para gastar com o álcool e pagar a renda de um quarto, e, finalmente, apenas para a bebida. Visto que sua mente está confusa, não consegue emprego que requeira perícia.

A saúde do bêbado está no fim. O organismo que Deus lhe deu começa a deteriorar-se sob a negligência e os abusos constantes. Ele caminha pela rua com a aparência de quem tem o dobro da sua idade. Andar, para ele, é tortura, e as mãos estão sempre tremendo. Mal sobrevive com as esmolas que recebe. É comum a má nutrição.

Também são comuns a cirrose do fígado e as desordens nervosas e gástricas. Em países, como Portugal, onde a incidência do alcoolismo é mais alta, as enfermidades do fígado são também mais freqüentes.

Nenhum comentário:

Postar um comentário