Fabulação
Transtorno de memória que ocorre sem alteração de consciência, caracterizado por falsos relatos de eventos passados ou experiências pessoais. As memórias falseadas são usualmente esquecidas e precisam ser evocadas; menos comumente, elas são espontâneas e sustentadas e, ocasionalmente, tendem à grandiosidade. A tabulação usualmente ocorre em síndromes amnésicas orgânicas (p.ex., síndrome de Korsakov). A tabulação pode também ser induzida ou influenciada iatrogenicamente. Ela não deve ser confundida com as alucinações de memória que ocorrem na esquizofrenia, nem com a pseudologia fantástica (síndrome de Delbruck).
Facilitador
Pessoa ou grupo social cujas ações ou políticas facilitam, intencionalmente ou não, o contínuo uso indevido de álcool ou de outra substância psicoativa.
Fenciclidina
Substância psicoativa com efeitos depressores, estimulantes, analgésicos e alucinógenos sobre o sistema nervoso central. Foi introduzida na clínica como anestésico dissociativo, mas seu uso foi abandonado devido à freqüente ocorrência de uma síndrome aguda manifestada por desorientação, agitação e delirium. Parece ser útil no tratamento de acidentes vasculares cerebrais.
A PCP é relativamente barata e fácil de sintetizar, sendo utilizada como droga ilícita desde os anos 1970. Substâncias relacionadas que produzem efeitos semelhantes compreendem o dexoxadrol e a quetamina.
O uso ilícito da PCP se faz por via oral, endovenosa ou por aspiração, mas geralmente é fumada. Os efeitos começam em 5 minutos e têm seu pico em 30 minutos. Primeiro, o usuário sente euforia, calor corporal, formigamento, sensação de flutuação e o sentimento de um sereno isolamento.
Podem aparecer alucinações visuais e auditivas, assim como alterações da imagem corporal, percepções distorcidas do tempo e do espaço, delírios e desorganização do pensamento. Alguns sintomas neurológicos e psicológicos acessórios estão relacionados com a dose e incluem hipertensão, nistagmo, ataxia, disartria, esgares, sudorese intensa, hiper-reflexia, diminuição da resposta à dor, rigidez muscular, hiperpirexia, hiperacusia e convulsões.
Os efeitos geralmente duram de 4 a 6 horas, embora alguns sintomas residuais possam levar vários dias para desaparecerem. Durante o período imediato de recuperação pode haver comportamento autodestrutivo ou violento. Foram observados delirium, transtorno delirante e transtorno de humor causados pelo uso de PCP.
Como no caso dos alucinógenos, não se sabe se tais transtornos são efeitos específicos da droga ou manifestação de uma vulnerabilidade preexistente. Na CID-10, os transtornos relacionados à PCP estão classificados junto com os dos alucinógenos (F16).
Fetichismo
Transtorno da preferência sexual consistindo na dependência de alguns objetos inanimados como um estímulo para excitação e satisfação sexuais. Muitos fetiches são uma parte do corpo (p.ex., uma mecha de cabelos, os pés, extensões do corpo humano) ou artigos de vestuário e calçados.
Outros exemplos comuns são caracterizados por alguma textura em particular, tais como borracha, plástico ou couro. Os objetos-fetiche variam em sua importância de indivíduo a indivíduo. Em alguns casos, eles servem simplesmente para intensificar a excitação sexual alcançada por meios comuns (p.ex., ter parceiro usando uma determinada peça de roupa).
Há diferenças culturais consideráveis quanto a este conceito, na medida em que o apego erótico a um objeto em particular pode ser inteiramente aceitável em uma sociedade, mas ser moderada ou gravemente desviante em outra sociedade. A valorização erótica de uma parte do corpo ou de um objeto pode mudar no decorrer do tempo (p.ex., o fetichismo por mulheres com pés pequenos na sociedade chinesa do século passado, ou por mulheres de cintura fina na sociedade européia ou da América do Norte do século passado, ou por mulheres de seios volumosos e por homens musculosos na sociedade norte-americana contemporânea).
Fígado gorduroso alcoólico
Acumulação de gordura no fígado conseqüente à ingestão de níveis arriscados de álcool com o conseqüente aumento das células do fígado e algumas vezes hepatomegalia, função anormal do fígado, dor abdominal inespecífica, anorexia e — menos comumente — icterícia. O diagnóstico definitivo somente pode ser feito pelo exame histológico do fígado.
O fígado gorduroso pode desenvolver-se após uns poucos dias de beber e esta situação não deve ser considerada como indicativa de uma dependência de álcool. A abstinência resulta em regressão das anormalidades histológicas. O termo preferido para esta situação é “fígado gorduroso induzido pelo álcool”, embora não seja de uso generalizado.
Filho de alcoolista
Pessoa com pelo menos um dos pais que seja ou tenha sido um alcoolista. As discussões iniciais sobre os efeitos dos pais alcoolistas sobre os seus filhos focalizavam crianças e adolescentes.
Nos anos 1980, ser um filho adulto de alcoolista (FAA ou FADA) passou a ser uma identificação associada a um movimento de grupo de ajuda mutua, operando seja sob os auspícios de Al-Anon seja em grupos separados e em programas de tratamento, a maioria deles organizados segundo os princípios do grupo dos doze passos. Uma crescente literatura popular caracteriza o FDA como um coalcoolista ou codependente, e apresenta uma lista abrangente de características debilitantes do FDA na vida adulta. Há agora uma tendência a se generalizar o modelo para "filhos adultos de famílias disfuncionais".
Fobia social
Medo de expor-se a outras pessoas, levando à evitação de situações sociais. Fobias sociais mais difusas são usualmente associadas com pouco amor-próprio e medo de críticas. Elas podem apresentar-se como queixas de enrubescimento, tremor nas mãos, náusea ou urgência miccional quando o indivíduo se convence de que uma dessas manifestações secundárias da ansiedade é o problema primário. Os sintomas podem progredir para transtorno de pânico.
Fobia
Medo irracional e persistente de um objeto, atividade ou situação específicos (o estímulo fóbico), ocasionando um intenso desejo de evitá-los. Isto freqüentemente leva o indivíduo a se esquivar do estímulo fóbico ou a enfrentá-lo com temor. A Fobia é um medo específico intenso o qual, na maioria das vezes, é projetado para o exterior através de manifestações próprias do organismo.
Essas manifestações normalmente tocam ao sistema neurovegetativo, tais como: vertigens, pânico, palpitações, distúrbios gastrintestinais, sudorese e perda da consciência por lipotimia. As manifestações autossômicas externadas pela fobia têm lugar sempre que o paciente se depara com o objeto (ou situação) fóbico.
O pensamento fóbico é tão automático quanto o obsessivo e o paciente tem plena consciência do absurdo de seus temores ou, ao menos, sabem-no como completamente infundados na intensidade que se manifestam. Resistem, os temores, a qualquer argumentação sensata e lógica. Aliás, o medo só será fóbico quando considerado injustificável pelo próprio paciente e, concomitantemente, for capaz de produzir reações adversas comandadas pelo sistema nervoso autônomo.
Folha de coca
As folhas do arbusto da coca (Erythroxylon coca), tradicionalmente mascadas nas culturas andinas com uma pequena porção de cinzas alcalinas, são utilizadas como estimulante e supressor do apetite e também para aumentar a resistência nas grandes altitudes. A cocaína é extraída das folhas de coca.
Formação reativa
Formação Reativa é um dos Mecanismos de Defesa descritos por Freud. Esse Mecanismos de Defesa substitui comportamentos e sentimentos que são diametralmente opostos ao desejo real. Trata-se de uma inversão clara e, em geral, inconsciente do verdadeiro desejo.
Como outros mecanismos de defesa, as formações reativas são desenvolvidas, em primeiro lugar, na infância. As crianças, assim como incontáveis adultos, tornam-se conscientes da excitação sexual que não pode ser satisfeita, evocam conseqüentemente forças psíquicas opostas a fim de suprimirem efetivamente este desprazer.
Para essa supressão elas costumam construir barreiras mentais contrárias ao verdadeiro sentimento sexual, como por exemplo, a repugnância, a vergonha e a moralidade. Não só a idéia original é reprimida, mas qualquer vergonha ou auto-reprovação que poderiam surgir ao admitir tais pensamentos em si próprios também são excluídas da consciência.
Infelizmente, os efeitos colaterais da Formação Reativa podem prejudicar os relacionamentos sociais. As principais características reveladoras de Formação Reativa são seu excesso, sua rigidez e sua extravagância. O impulso, sendo negado, tem que ser cada vez mais ocultado.
Através da Formação Reativa, alguns pais são incapazes de admitir um certo ressentimento em relação aos filhos, acabam interferindo exageradamente em suas vidas, sob o pretexto de estarem preocupados com seu bem-estar e segurança. Nesses casos a superproteção é, na verdade, uma forma de punição.
O esposo pleno de raiva contra sua esposa pode manifestar sua Formação Reativa tratando-a com formalidade exagerada: "não é querida..." A Formação Reativa oculta partes da personalidade e restringe a capacidade de uma pessoa responder a eventos e, dessa forma, a personalidade pode tornar-se relativamente inflexível.
Formula de Jellinek
Um método de avaliar o número de alcoolistas numa população, proposto originalmente por E. M. Jeilinek, por volta de 1940, e integralmente publicado em 1951. Na versão final, a fórmula era A = (PD/K)R, na qual A é o número de alcoolistas; D é o número de mortes devido à cirrose notificadas num determinado ano; supõem-se que P, K, e R são constantes, refletindo respectivamente a proporção de mortes por cirrose devido a alcoolismo, à percentagem de alcoolistas com complicações e que morrem de cirrose num determinado ano e à relação entre a totalidade de alcoolistas e os alcoolistas com complicações. Tanto a suposição que P, K e R são constantes, bem como a própria base conceituai da fórmula foram objeto de críticas cada vez mais severas, e o próprio Jellinek recomendou, por volta de 1959, o seu abandono. Não obstante, a fórmula, por falta de alternativas, continuou a ser muito utilizada até os anos 1970.
Fuga dissociativa
Estado de amnésia dissociativa acompanhado de deslocamento geográfico intencional que excede os trajetos cotidianos. Apesar da amnésia simultânea à fuga, pode o indivíduo, durante esta, ostentar comportamento que, para observadores independentes, aparente completa normalidade. Sua incidência parece diferir de uma cultura para outra, bem como ao longo do tempo na mesma cultura. Ver dissociação.








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