Rafael de Souza, de 21 anos, estudante de Engenharia, parou de contar quantas cervejas tinha bebido quando passou da décima lata. Sua última lembrança daquela noite foi tentar ultrapassar um Gol com sua moto, passando por cima do automóvel.
Não conseguiu. Quando acordou no hospital, com um dreno no pulmão, havia perdido quase três litros de sangue. Ficou internado durante 12 dias. O amigo Geraldo Dias, de 19 anos, que estava na garupa, quebrou uma perna, teve cortes na cabeça e ralou as costas, os braços e as pernas, levou cerca de 70 pontos.
Depois dessa lição, os dois resolveram parar de vez, de andar de moto. Bebendo, eles continuam. Rafael não sai nas noitadas se não tiver de posse de bebidas alcoólicas. Já foi parar quatro vezes no hospital. Não se considera dependente. “Bebo socialmente” é o que diz.
No carnaval, embriagou-se a tal ponto que nem sequer conseguiu descer do ônibus. Ele tem cicatrizes em todo o seu corpo, por causa das brigas em que se meteu quando estava bêbado.
Exemplos como estes, são cada vez mais populares entre os jovens. Beber pesadamente, mesmo que não todo dia, é um hábito que ganha adeptos a partir de idades cada vez mais precoces.
Até hoje os rapazes viram copos como se o gesto fosse uma demonstração de virilidade e força. Mas agora as meninas também enxugam. Hoje elas querem competir com os rapazes.
Como o organismo da mulher é mais fraco para a bebida alcoólica, elas ficam no prejuízo, sofrendo várias conseqüências em decorrência desse uso exagerado.
Bebe-se para perder o controle, alterar a consciência, num esforço que pode transformar o álcool numa droga pesada. A idéia da maioria dos jovens hoje em dia, é ingerir o máximo possível, no menor período de tempo, para curtir os efeitos pesados da bebida em poucos minutos.
Aquela preocupação tradicional de beber devagar, saboreando, sempre com alguma comida no estômago, que seria o correto, não existe mais.








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