Escolha o Idioma

8/30/2011

Alcoólico Vitorioso



Rev. Jerry Dunn

O medo envolvia a face do Tom quando se colocou à frente da minha secretária, no meu escritório.

Diz-me, Jerry,” pediu ele, o seu desespero fazia sentir-se na sua voz, Porque eu fiz aquilo?
Depois de todos os problemas que a bebida me causou, porque voltei a beber de novo?

Tom era um homem de negócios que tinha vindo aconselhar-se. A sua história tão única como semelhante a muitas outras que ouvimos constantemente. O seu negócio estava a decair, e ele estava quase a perder a sua esposa e filhos por causa da bebida. Então ele foi com a sua mulher para a Igreja e levou em frente o convite. Ele parou de beber e pensou que os seus problemas com a bebida tinham ficado para trás. Tinham decorrido quatro meses.

“E não me importo de te dizer,” disse ele, “ foi o maior tempo que estive sóbrio depois de vários anos.”

No Natal um conhecido ofereceu-lhe uma garrafa de vinho importado. Se tivesse sido um vinho de mesa já conhecido, talvez ele o tivesse deitado fora, ou bebê-lo com mais alguém, mas o vinho veio de uma das casas dos mais finos vinhos do mundo, no estrangeiro.

Ele não o bebeu logo. De fato, ele não fazia intenções de o beber todo. Guardou-o no seu escritório. Uma vez por outra ele poderia oferecer um pouco de vinho a um amigo ou sócio do negócio. Ocasionalmente, quando estava sozinho no escritório, levantava a garrafa contra a luz, deixando o sol passar através dela, saboreando o vinho na sua imaginação.

De certeza que uma garrafa de vinho importada não me dará qualquer problema, pensava ele. Ficar bêbado com este gosto, não é de um alcoólico ficar satisfeito. E, depois de tudo, estive quatro meses sem beber – uma pequena bebida não me fará dano algum. 

O primeiro trago foi ainda melhor que aquilo que ele tinha imaginado, e o seu corpo pedia mais.

“Eu apenas tomei uma bebida, Jerry,” explicou, “e eu pensei que ia morrer. Foi á três dias atrás.” Os músculos da boca começaram a aumentar. “Doente  como eu estava, ontem tomei outra bebida. E sabia que quando voltasse a beber iria ficar doente, mas não conseguia controlar-me”.

Ele apertou as duas mãos com força para pararem de tremer.

“Tudo ia bem nos últimos quatro meses,” ele saiu. “O meu negócio estava a melhorar agora que eu estava sóbrio para tomar conta dele. A minha mulher começara a confiar em mim, outra vez, e o relacionamento com os meus filhos era melhor de sempre. Estou em pânico, Jerry! Se eu não conseguir ajuda, vou acabar com tudo.”

Conforme ele ia continuando a colocar para fora as palavras da sua tortura, eu estava capaz de completar mais um pouco da sua história. Havia uma razão pela qual ele tinha ido para a Igreja com a sua esposa à quatro meses atrás. Antes desse tempo ele só ia à Igreja no Natal e na Páscoa. Mas a sua esposa chegou ao fim da sua resistência e fez-lhe um ultimato.

“Deixa de beber ou muda-te. Estive num advogado e peço-te o divórcio a menos que mudes.”

Ele ficou atordoado. Apesar de ele viver daquela maneira atualmente, ele continuava a amar a sua esposa e os seus filhos. Ele parou para olhar para ele próprio e pela primeira vez, chegou á conclusão de que tinha problemas com a bebida. A sua procura por uma resposta levou-o à Igreja com a sua esposa e a declarar a sua fé em Cristo. Durante quatro meses sempre pensou que todos os seus problemas estavam atrás dele. Mas ele começara a beber novamente.

“Todos vão ficar contra mim,” disse ele.

As pessoas da Igreja poderiam estar contra ele, porque ele falhou. A sua mulher e os seus filhos poderão deixá-lo porque lhe tinham dado a  última chance e ele preferiu escolher a garrafa em vez de uma vida sóbria com a sua família.

“A minha mulher não me suportará mais. Expulsou-me de casa. Eu não consigo manter o meu negócio e beber, disso tenho a certeza.”

Os seus olhos encheram-se de uma expressão de horror que só um alcoólico consegue compreender.

“Está a começar tudo de novo. Estou prestes a tornar-me num daqueles miseráveis carrosséis. Cheirar mal, uma bebida reles atrás de outra!” O rancor está expresso na sua voz. “Não agüento isto por muito mais tempo.”

Eu sabia muito bem do que é que ele estava a falar - Eu atravessei a mesma estrada da solidão sozinho. Não foi somente a bebida, tão horrível como isto, é viver confundido e com um discurso estonteante e períodos de insensibilidade. Era a ressaca que vinha para ficar sóbrio com os terríveis tremores que começam na espinal medula, que rasgam e puxam até ao estômago e tudo o que existe no corpo treme e não pode ficar parado. Havia a secura que amordaçava as pessoas que bebem muito e deixam de beber.

Haviam as criaturas mais hediondas na mente torturada que se soltavam da parede ou do teto, ou até mesmo na cama onde estava deitado. Feios, monstros assustadores que pareciam ter viajado para a margem escorregadia da insanidade.

Alguém que nunca tenha passado por esta experiência nunca a poderá compreender. Mas eu tinha conhecido pessoas que continuaram a beber mesmo quando queriam parar. Eu sabia exatamente do que o Tom estava a falar. Cada fibra do seu corpo gritava por ajuda.

“Por que fiz eu isto?” alegava ele. Impulsivamente ele estica a sua mão e agarra a minha mão. “Diz-me, Jerry! Terei que continuar a viver assim até ao fim da minha vida? Não existe nenhuma ajuda para mim?”
“Sim, Tom,” disse-lhe. “Há ajuda para ti se estiveres disposto a aceitá-la.”

No decorrer dos minutos seguintes tentei ajudá-lo a entender a ele mesmo ao seu problema, bem como o Criador dos Céus e da Terra, que o ama muito. Ele queria ser, de novo, uma criatura com novos apetites, novos desejos, e um novo amor para Cristo.

“Existe um problema psicológico do qual te estás a esquecer,” disse-lhe. “O teu corpo nunca vai permitir que tornes a beber álcool. O álcool etílico causa dependência, e é encontrado em todas as bebidas alcoólicas, uísque, cerveja, e até mesmo em vinho importado. Quando uma pessoa bebe muito, torna-se viciado. Ocorreu uma mudança psicológica no seu corpo que não o permite beber sem primeiro crescer um fogo dentro dele que o faça beber toda a bebida que lhe venha parar às mãos. Logo ele precisará de passar pela ressaca para ficar sóbrio. De fato, Tom tu estás adicto ao álcool etílico. Essa é uma das razões primárias porque estás nesse estado.”

Prossegui dizendo-lhe que também já fui alcoólico, mas um alcoólico que é vitorioso!

“A diferença entre nós é que eu reconheci o meu problema e percebi que não devia beber mais.” Parei por uns instantes para lhe dar um tempo para pensar em tudo o que lhe tinha dito.

“Perguntaste-me, porque que é que começaste a beber depois de teres estado quatro meses sem beber. Agora vou explicar-te a verdadeira razão. Podes não gostar de ouvir, mas é a verdade. Tu fizeste isso porque querias mesmo fazê-lo de novo.”

Eu pensei que ele fosse perder o controle; acontece com alguns quando são confrontados com os fatos. Mas o Tom não.

“Eu ainda não fui capaz de enfrentar isso,” admitiu ele, “mas receio de que estejas correto”.

Ele voltou a explicar. “Sempre fui considerado como sendo um homem  capaz de se controlar na bebida. Tinha estado sem beber durante quatro meses e pensei tinha quebrado isso de dentro de mim. Eu queria saber se era capaz de beber como de costume, tomando uma ou duas bebidas e deixar tudo como dantes.”

“Nunca mais poderás ser esse tipo de bebedor, Tom,” disse eu. “Um alcoólico não pode controlar a sua bebida. Tens que tomar em conta e ajustar esse fato e observá-lo antes de seres ajudado.”

“No outro dia li um artigo,” disse o Tom, “que dizia que os alcoólicos tinham uma fraca personalidade ou pressão do negócio ou família o que é muito difícil para eles lidar com tais situações, portanto ele vira-se para a bebida. O autor disse que também existiam aqueles que poderiam ter alguma deficiência psíquica o que faz com que ele não consiga beber normalmente, ou tem uma substância química nos seus corpos que fazem com que eles sejam dependentes do álcool.”

Eu conhecia todas aquelas teorias. Comecei a palrar para mim mesmo quando comecei a trabalhar com os alcoólicos. Enquanto todas elas podem contribuir como importantes fatores a ser considerados, existe um fato que não pode ser ignorado: Um alcoólico nunca terá problemas com o vício se nunca beber álcool.

“Deus concorda com isto na sua Palavra, Tom. “O vinho torna o homem arrogante; as bebidas fortes incitam-no ao distúrbio; quem a isso se entrega nunca será sábio’. E era isto que eu te queria falar em relação ao caráter enganador do álcool.”

Eu levantei-me e apontei para o diagrama que estava na parede, por detrás da minha secretária.

“Tenho aqui um pequeno diagrama que te poderá ajudar a compreender melhor este problema. Quando desististe de beber à quatro meses atrás, estavas tão desgostoso contigo próprio e com a vida que tiveste que nunca mais querias tomar outra bebida outra vez. Não é verdade?”
Ele acenou vigorosamente a cabeça. “Podes repetir isso de novo.”

“Estavas aqui mesmo no fundo do círculo.” Indiquei um ponto. “E tu alcançaste este ponto.” Eu levantei o meu dedo para a curva a uma pequena distância. “Tens estado sóbrio já há algum tempo. As coisas estão melhores para ti. A tua mulher e a tua família estão a começar a ter orgulho em ti pela primeira vez em anos, e tu estás mesmo feliz com o progresso que fizeste. Começaste a ter orgulho pelo fato de que conseguias estar sóbrio durante algum tempo, e começaste a olhar de cima todos aqueles que ainda continuavam a embriagar-se.”

“Isso soa-me particularmente familiar,” reconheceu ele.

“Mas a tua dependência física nunca te deixou. Começa por te sussurrar que deves tomar aquela bebida - apenas a mais pequena. Um intenso remoer parece piorar a cada dia.”

“Então mudaste para o próximo passo no ciclo. Começas a recear tomar outra bebida. Durante este período tudo o que consegues pensar é em tomares outra bebida, desejando saciar esse desejo ardente que clama pelo álcool. Se o alcoólico não for logo procurar uma ajuda, ele é destinado a fracassar. Se não fizer algo para quebrar o ciclo, ele voltará a beber, mais tarde ou mais cedo.”

“Eu não tomei uma bebida da primeira vez que fui tentado, Jerry,” contestou ele. “Acredita, agüentei mais vezes do que alguém possa imaginar.”

“Alcançaste algumas pequenas vitórias,” disse-lhe. “E quando passares um dia sem pegares numa garrafa, aquele velho orgulho volta outra vez. Começas a elogiar-te pelo poder da tua vitória. Dizes para ti próprio que és uma pessoa especial. E a todo o tempo que resolvas estar longe da bebida vais ser minado intensamente.

“Não podemos confiar em nós nestas coisas, Tom. Se o fizermos, estamos feitos.”

Segui em frente e fiz-lhe ver que nós somos os nossos piores inimigos. “Não conheço ninguém que me tenha causado mais problemas do que os que eu causo a mim próprio. E penso que deves dizer o mesmo. Todos os alcoólicos são mentirosos e astutos, e mentimos a nós próprios, mais do que a qualquer outra pessoa. E isso não dura muito até termos a certeza no fato de que temos conhecido profundamente os nossos problemas com o álcool. Antes tínhamos problemas, mas agora está tudo sob controle.”

Os próximos passos seguem muito naturalmente, expliquei a Tom. O alcoólico tem lutado com o seu problema há já algum tempo mas pode não começar a beber ainda.
“No teu caso, o teu negócio tem melhorado porque tens estado sóbrio e a trabalhar muito,” disse ao Tom. “Se estivesses a trabalhar para alguém sentirias o mesmo tipo de satisfação. Os teus sócios nunca mais se vão rir de ti nas tuas costas. Os teus empregados começaram a pensar que irias cumprir as promessas que lhes tinhas feito quando fizerem contrato contigo. E as coisas em casa ainda vão ficar melhores.”

“É onde estou agora mesmo,” interrompeu-me.

“Era onde estavas na semana passada,” corrigi-o, “antes de teres tomado aquelas bebidas.”

Tom movimentou-se para trás na cadeira. Não dizia nada, mas eu sabia que estava a ver o seu problema no gráfico que eu lhe estava a apresentar.

“Isso mesmo” interrompi. “Ficaste acomodado á tua dependência. Já passou algum tempo desde que deixaste a bebida quadro longos messes tão longo como 5 anos. Atualmente, Tom, eu aconselhei-me com um homem que esteve dez anos nesta posição antes de voltar a beber novamente.”

“Mas nós esquecemo-nos que não podemos tolerar o álcool etílico. Nós vimos os nossos sócios e amigos beberem e aparentemente conseguem controlar-se facilmente. Decidimos que somos capazes de beber de vez em quando sem ter dificuldades, por isso tomamos a nossa primeira bebida. E aqui estamos neste carrossel sem saída, no álcool na embriaguez e na destruição.”

Tom encolheu-se e tapou a cara com as suas mãos. Não foi agradável para ele agüentar um duro e honesto olhar para ele próprio e saber isso com certeza, pois foi isso que ele tinha esquecido. Ele atuou conforme desejava eu queria parar de falar e deixá-lo a sós. Mas não deveria parar aqui.

“Agora essa é uma das razões porque bebes-te outra vez,” disse.

Quando ele estava a olhar-me de novo, continuei, dizendo-lhe que existiam outras influências mais sutis que pressionavam as pessoas a beber.

“Acabamos de enfrentar isso,” disse, “nós vivemos numa sociedade de bebedores. A nossa nação está mergulhada em álcool. Costumava-se servir café quando tínhamos visitas. Agora os convidados perguntam enquanto tiram os casacos, “O que tens para beber?”

A maior parte dos restaurantes servem bebidas alcoólicas, e os empregados nestes lugares, quando levam o menu, fazem sempre a mesma pergunta: “Desejam tomar um aperitivo?”

Tom reparou, o seu queixo balouçava quase imperceptivelmente como que concordando. Eu sabia que ele estava a pensar no número de vezes que tinha sido forçado a lutar com esses empurrões gentis para tomar uma bebida.

“Ouve uma notícia de futebol no teu carro e repara como o repórter está constantemente a matar a sede saboreando de tempos a tempos o sabor de esta e aquela cerveja. E os anúncios que seguem ao longo da auto-estrada pedem-te para parar e tomar uma bebida.

“Se consegues chegar a casa sem estares debilitado, quando ligas a televisão és outra vez assaltado com uma mensagem para tomares outra bebida.”

“E não te consegues livrar disso desligando a televisão e leres uma revista. As páginas dos Jornais estão cheias com os apelos a variadas bebidas alcoólicas associando o seu produto com o sabor, sociabilidade, e uma boa vida.”

Tom comentou a ironia destas mensagens. Ele também conhecia as mentiras que estavam por detrás daquelas bonitas pinturas e palavras astutas.

“Então aqui estamos, Tom tu e eu. Vivemos numa sociedade denominada alcoólica, mas não podemos beber. Nem mesmo um pequeno copo de vinho. Com todas estas pressões martelando-nos de todo o lado e a nossa dependência física a trabalhar em nós como costume, temos que estar vigilantes para que a nossa decisão, que foi tomada para não beber, não seja fracassada deste modo tão hábil que nunca compreenderemos que tenha tomado lugar até que finalmente nos rendamos e comecemos a beber outra vez.”

“Podes ter a certeza que acertaste, Jerry,” replicou o Tom. “É exatamente desse modo que as coisas são”.

“Eu devia saber,” respondi. “Eu atravessei a mesma estrada sozinho.”

Ele fez silêncio.

“Mas não é tudo. Existe muita coisa que tu fizeste que invariavelmente causou problemas,” continuei. “Tu deixaste a tentação mesmo na ponta dos teus dedos. Quando guardaste aquela garrafa de vinho no teu escritório a tua sobriedade estava ‘destinada ao fracasso’.”

“Agora espera um minuto.” O seu temperamento inflamou. “Tu dizes a ti próprio que à tentação em todo o lado.”

“Se eu não posso ter uma garrafa na minha mesa sem lhe tocar, como poderei ter esperanças para ficar longe da bebida no mundo dos negócios?”

“Aquela garrafa de vinho tinha uma ligação com o teu passado da bebida,” disse-lhe. “E está sempre lá onde possa falar contigo nos momentos em que estiveres mais fraco. “Vem e toma uma bebida. Só uma não te vai fazer mal. Naturalmente que és homem suficiente para agüentar uma pequena bebida.”

Eu não tinha a certeza se o Tom percebera o que eu lhe tinha dito ou se apenas concordara comigo.

“Podes argumentar com isto,” continuei, “mas não posso dizer-te muito mais. Ainda não conheci um homem que tivesse sido capaz de guardar uma garrafa perto de si para provar que é maior que o álcool, que não tenha, mais cedo ou mais tarde, voltado a beber.”

Eu voltei para trás da secretária e sentei-me. Tom fez uma confissão de fé em Cristo, e eu questionei-o em relação a isso. Ele contou-me que tinha começado a ir á Igreja com a sua esposa e que tinha correspondido ao convite do Pastor.
“Eu não sei como explicar isto, Jerry”, disse, “mas quando eu estava de pé no altar, eu senti pela primeira vez na minha vida que Deus estava ao meu lado. Atualmente eu queria ficar sóbrio. E isso era uma mudança para mim.”

Eu interrompi. “O que fizeste na altura?”

“Comecei a gostar de ir á Igreja,” disse ele. “Até mesmo nós começamos a ter leitura da Bíblia em família, todos os dias.”

“É bom,” disse eu. “E mantiveste isso durante todo o tempo?”

Ele ficou embaraçado, mas contou a verdade.

“Mantivemos isso por algum tempo,” disse ele, “mas na altura as coisas começaram a funcionar. Era sempre a mesma rotina com cultos aos Domingos à tarde e reuniões de oração nas quartas feiras à noite. Tudo andou bem durante algum tempo, mas depois eu andava muito ocupado ou cansado quando vinha para casa depois do trabalho, não me apetecia ir.” Fiz uma pausa. “Suponha que tenha sido um erro.”

“É mais que isso, Tom. É um problema sério. Vês, que quando dizemos que vamos para honrar a Deus mas não o fazemos, temos muito mais pelo qual responder.”

Ele estava a estudar as minhas expressões. Eu pensava que ele suspeitava disso, mas estava perturbado para me ouvir dizê-lo.

“Deus leva-nos para um lugar onde nós o deixaremos tomar controle absoluto sobre as nossas vidas. Por vezes Ele permite a nossa queda até ao fundo, pois é o único lugar onde podemos olhar para cima.”

Eu deixei-o pensar nisso durante alguns minutos.

“Diz-me uma coisa, Tom,” disse. “Estás realmente interessado em que seja Deus a conduzir a tua vida? Queres ser liberto da destruição do alcoolismo?” Inclinei-me para a frente, e fitei-o diretamente. “Realmente queres ser um alcoólico vitorioso?”

A minha pergunta pareceu irritá-lo.

“É por isso que estou aqui. Eu li o vosso livro, ‘Deus é a favor do alcoólatra’, e pensei isto é maravilhoso. Imaginei, ‘Existe um tipo que me pode ajudar’. Então eu vim até aqui para falar contigo. Eu nunca teria vindo se eu não quisesse ajuda.”

“Era exatamente isso que eu queria que dissesses. Ninguém pode ser liberto do poder do vício do álcool a menos que queira.”

“Eu daria qualquer coisa neste mundo para que conseguisse ter vitória sobre o álcool, Jerry.”
“A primeira coisa que tens a fazer é entregar a tua vida a Deus.”

Tom deu conta disso e concordou comigo, mas eu não tinha pensado que ele entendera aquilo de que eu estava a falar.

“Eu não tenho nada para fazer com isto,” disse-lhe. “Esta transação é  entre ti e Cristo. Foi Ele que morreu por ti. Cristo é o Único que disse que veio para que tivesses vida, com abundância. E apenas o Senhor Jesus e a tua aceitação d’Ele que te podem dar o perdão dos teus  pecados.”

Dei-lhe algum tempo para refletir.
“Então não esperes que eu faça algum milagre. Tudo aquilo que te posso dizer é que agora mesmo deves inclinar a tua cabeça e devolveres a tua vida à vontade de Deus.”

Embora Tom se tenha apressado a cumprir as minhas instruções, estava hesitante.

“Não tenho a certeza de te estar a seguir, Jerry.”

Eu estava contente porque ele era honesto o suficiente para me dizer que não tinha compreendido. Quanto mais me preocupava mais reparava que havia uma indicação de que era sincero.

“Quando eu disse que devias voltar a tua vida toda para Deus, queria dizer: tu deves dar (a Ele) toda a tua velha maneira de viver. Isso significa que toda a tua vontade as tuas motivações devem ser dadas a Ele. Estás a pedir-lhe uma vida nova. Tu queres novos motivos e uma nova vontade.

“Em resumo, Tom, estás a aceitar o resgate que Cristo pagou com a Sua vida pelos teus pecados e acreditas que tens sido liberto da escravidão do pecado. Por causa Dele tu tens uma vida completamente nova.”

O entendimento brilhava nos seus olhos deprimidos.

“Eu quero que penses sobre tudo aquilo que te tenho dito, Tom, e para perguntares a ti próprio algumas questões pessoais.” Continuei. “Exatamente o que é que tu desejas? Uma nova vida? Ou somente sobriedade? Sobriedade é um pobre substituto que Deus tem para te dar. É somente metade de um pouco de côdea quando Ele te quer dar um pão inteiro. Queres uma vida totalmente nova?”

Ele demorou algum tempo para responder e quando finalmente falou a sua voz estava inaudível.

“Sim,” disse ele, “é isso que eu quero.”

“Então diz isso a Deus,” e continuei. “A Bíblia diz que ‘todos quantos o receberem, a eles lhes deu o direito de serem chamados filhos de Deus, até mesmo para todos os que acreditam no Seu nome.”

“O pregador citou-me esse versículo”, murmurou ele.

“O próximo passo é contigo. Tens que receber o Senhor Jesus Cristo pela fé, e acreditar pelo poder do Espírito do Deus vivo, que a Sua vida vem até si. A Sua vida passa para o teu corpo.”
Tom reparou que estava a acompanhar-me.

“Vês,” continuei, “a nossa velha vida está morta e nós temos a vida nova de Cristo. Temos que receber o poder do Espírito de Deus se vamos ser transformados. Hebreus 11:6 diz que ‘Sem fé, ninguém pode agradar a Deus. Quem se aproxima de Deus deve acreditar que ele existe e que é ele quem recompensa os que o procuram.” Eu quero que me respondas a esta questão, Tom: Acreditas que Deus existe? Acreditas que se deres a tua vida ao Senhor Jesus Cristo agora mesmo que Ele te recompensa com uma nova vida?

“Certamente que acredito!” Ele quase que gritava a frase.

“Então inclina a tua cabeça e agradece a Deus pela tua nova vida.”

Tom inclinou a sua cabeça e começou a orar.

“Ó Deus, tu sabes o quão terrível tenho sido. Comecei a beber de novo, e não sei mais o que fazer. Por favor perdoa-me Deus.”

Ele estava habituado a colocar-se de parte. Ele costumava ouvir a sua mulher a fazer o mesmo bastantes vezes; e quando ele estava sóbrio e se apercebia de como tão terrivelmente tratava a mulher e os filhos, ele tinha experiência de tais períodos de remorsos em que ele não pensava em ninguém, apesar de tudo, Deus poderia perdoá-lo.

“Eu quero esta nova vida. Por favor, não me podes perdoar e dar-me? Não me dás essa nova vida Deus?”

“Termina com isso, Tom!” interrompi.

Ele olhou para cima, admirado pois eu o interrompera enquanto ele estava a orar.

“Qual é o problema?”

“Esquece esse tipo de oração,” disse-lhe.

“Tu não tens que suplicar a Deus. Ele diz que se tu confessares os teus pecados Ele é fiel e justo para te perdoar os teus pecados e para te limpar de toda a maldade.

Os nossos olhos encontraram-se.

“Confessaste que eras um pecador?”

 “Estou certo que sim.”

“Acreditas que existe um Deus?”

 “Sim.”

“Acreditas que Ele te deu uma nova vida quando O recebeste?”

Tom parecia surpreso por eu estar a fazer de novo todas estas perguntas.

“Já disse que sim,” respondeu ele.

“Recebeste Jesus Cristo como teu Salvador?”

“Sim.”

“Quando deste as primeiras respostas eu disse-te para agradeceres a Deus pela nova vida que ele te deu. Eu não disse para falares de nada daquilo que poderias ter feito. Ou estavas a mentir a ti próprio?”

Ele não respondeu de imediato.

“Não acreditas mesmo que Cristo morreu por ti, é isso?”

“Não, não é isso!” retorquiu ele. Quanto mais ele falava mais convicto ficava. “Eu acredito que o Senhor Jesus Cristo morreu por mim e acredito que Ele ressuscitou dos mortos. Tu sabes eu acredito, Jerry!”

“Bem, se tu acreditas em Deus, desiste de tudo o que te rodeia e começa por aceitá-lo para viveres uma nova vida. Deus disse, ‘Quem aceita as minhas palavras e acredita naquele que me enviou, tem a vida eterna. E não é julgado, porque já passou da morte para a vida.’ E ele diz: ‘Todo que chama pelo Senhor será salvo.’ “Não é o tempo para tu aceitares o Senhor e a sua palavra?”

Tom reparou. Começou a compreender o que eu estava a tentar dizer-lhe.

“Agora quero fazer-te outra pergunta. Tu citaste o nome do Senhor?”

Ele pensou nisso por instantes.

“Sim,” disse ele finalmente, “Eu falei no nome do Senhor.”

“Então, de acordo com a palavra de Deus, tu estás salvo, não estás?” Alcancei a minha Bíblia e disse-lhe: “Este Livro é tudo o que temos que comprar,” continuei. “Vai ao livro de Romanos capítulo 10 e lê o versículo 13 em voz alta.”

Dei-lhe um ou dois minutos para encontrar o versículo, e esperei sem dizer nada até ele o encontrar.

Todo o que chama pelo Senhor será salvo” leu ele.

“Agora sabemos o que diz a Bíblia acerca de ser salvo, portanto deve estar certa. Tu falaste no nome do Senhor?”

“Sim.” A sua voz estava tensa.

“Então o que diz se falares no nome do Senhor?”

A emoção veio sobre ele até que ele não foi capaz de falar.

 “Vê o que diz esse versículo, Tom. Lê-o de novo.” Quando ele fez isso, eu falei mais uma vez. “Agradece-lhe agora mesmo pela tua salvação- agora mesmo, agradece-lhe.”

Tom inclinou a sua cabeça e começou a pregar. A expressão na sua cara estava diferente. A angústia tinha-se retirado e a paz parecia encher o seu coração. Haviam lágrimas de alegria enchendo os seus olhos e descendo pelas suas bochechas. Ele começou a agradecer a Deus pela sua nova vida.

“Agora acreditas que tens uma nova vida?” Desafiei-o.

“Podes crer que sim,” falou firmemente.

Contudo salvação, é o primeiro e o mais importante passo, esta nova vida, tal como a vida de um bebê, precisa de ser alimentada. Então falei com o Tom acerca de se alimentar na Palavra de Deus e orar.

“Existem três coisas que eu quero que faças.” Eu apresentei os três passos de um programa de crescimento espiritual. “Primeiro de tudo deves ter um programa de leitura da Bíblia e um tempo regular de oração.”

Fui franco com o Tom, como faço os novos convertidos, lerem o evangelho de João, incitando-os a lerem-no pelo menos cinco vezes.

“Eu não te quero apreçar. Lê com calma, poucos versículos ou um capítulo de cada vez. Lê para tirares o significado e para o que Deus tem para te dizer através de cada um desses versículos. Quando terminares um deles, volta de novo ao capítulo 1 e lê tudo outra vez, repetindo isso até teres lido o capítulo cinco vezes. Enquanto lês, pergunta ao Espírito de Deus para te ensinar através de porções em particular.

“Cada dia após a leitura da Bíblia passa mais tempo a orar. Um bom equilíbrio para estar com Deus são 15 minutos de estudo da Bíblia e 15 minutos de oração.”


Continuei a explicar ao Tom que Deus está interessado em cada um de nós e quando oramos devemos falar acerca de todas as coisas com ele. Devemos falar-lhe sobre as nossas boas ou más qualidades, e deveríamos contar-lhe os nossos problemas.

“O melhor conselho que eu te posso dar acerca da oração é ganhar o hábito de falar tudo com Deus. Quando as coisas não estão bem e a pressão começa a crescer, vai ter com Ele. E se precisares de uma ajuda extra para poderes passar o dia sem beber, lê os Salmos e passa algum tempo em oração. E quando o fizeres, não te esqueças de agradecer a Deus por tudo aquilo que Ele fez por ti. Agradece-lhe pela tua nova vida. Se fizeres estas coisas, descobrirás que serás capaz de ficar perto Dele e ter vitória sobre o álcool.”

Tom escutava-o atentamente. Ele estava preocupado, pois queria estar solidamente e estabilizado como um Cristão.

“Quando terminares de ler o evangelho de João cinco vezes, vai para o livro de Romanos e lê-o também cinco vezes à mesma velocidade e com o mesmo propósito na tua mente. Na quinta vez a seguir, segue a referência cruzada. Estão no centro da página da minha Bíblia, e suponho que esteja no mesmo lugar na tua. Seguindo as notas e lendo os versículos Bíblicos que eles te sugerem irão levar-te a outras partes da Bíblia e vão ajudar-te a compreender o que a carta aos Romanos tem para te dizer.”

“Quanto tempo é que isto vai demorar?”

“Como eu disse, um quarto de hora para ler a Bíblia e o mesmo tempo para orar. À medida que fores lendo as referências que são dadas a cada um dos versículos, tu ficarás mais familiarizado com a Palavra de Deus. Isso se tornará mais real para ti e verás que Deus fala contigo através da Sua Palavra.”

Ele segurou na minha Bíblia enquanto estava a pensar em lê-la todos os dias. Parecia ser uma pequenina coisa a fazer, para manter-se afastado da bebida e ajudá-lo a viver uma vida consistente Cristã.

Mas eu tinha um aviso para o Tom- um aviso que muita experiência me tinha ensinado que era necessária.

“Satanás irá tentar fazer com que duvides da Palavra de Deus,” disse eu. “Pode até mesmo usar pessoas de quem gostas e com as quais tens confiança; pode até mesmo usar a alguns pregadores a trazer dúvidas à tua mente. Mas não os deixes enganarem-te. Não argumentes com eles ou com a Sua Palavra. Simplesmente aceita Deus na Sua Palavra e ficas disponível para fazer o que Ele te diz para fazeres, e assim terás a ajuda e a benção de Deus.”

Tom estava de acordo. Quanto mais eu falava com ele mais eu ficava encorajado acerca da sua sinceridade e a sua disposição para alimentar-se na Palavra de Deus e em orar.

“O mais longo é o passo número um,” disse eu. “Os outros dois não são assim tão longos, nem requerem tanto tempo. Mas isso não quer dizer que sejam menos importantes. Eu quero que memorizes quatro versículos por ordem. Mas não comeces nenhum deles sem primeiro saberes os outro nos quais tens andado a trabalhar.” 

Eu enviei-lhe quatro cartas com os versículos da Bíblia escritos num lado e no outro lado as respectivas referências. São II Coríntios 5:17, Filipenses 4:1a, I Coríntios 10:13 e II Coríntios 2:14.

Estes versículos foram uma grande ajuda para mim nos primeiros tempos da minha vida Cristã e eu sabia que também seria uma grande ajuda para o Tom viver uma vida Cristã.

“A partir de agora e durante um ano,” disse eu, “Quero que leias o credo dos Alcoólicos Vitoriosos todos os dias.”

“O que é isso?”

Tirei um cartão da minha secretária e dei-lho.

“Lê isto todos os dias por um ano. Talvez nos primeiros seis meses o queiras ler duas vezes por dia.” Parei e escrevi o cartão rapidamente. “Talvez o queiras ler todos os dias até ao fim da tua vida, Tom.”

Credo dos Alcoólicos Vitoriosos

1.Compreendi que não consigo ultrapassar o hábito da bebida por mim próprio. Acredito que o poder de Jesus Cristo está disponível para me ajudar. Eu acredito que através da minha aceitação Dele como meu Salvador pessoal, eu sou um novo homem.

2.Porque a presença  de Deus se vai manifestando conforme eu vou orando, coloquei de parte dois períodos por dia para comunicar com o meu Pai dos céus. Eu compreendo que preciso disso para viver diariamente
(Salmos 24:1-5).

3.Eu reconheço a necessidade pela amizade Cristã e terei portanto amizades com Cristãos. Eu sei que para ser vitorioso eu tenho que estar ativo no serviço de Cristo. E ajudarei os outros através da minha vitória.

4.Nunca mais bebo mais nenhuma bebida que contenha álcool. Eu sei que é a primeira bebida que suscita o mal. Eu ficarei longe dos lugares onde possa estar a tentação do álcool, e das companhias que possam tentar-me. Posso ser vitorioso porque sei que a Sua força é suficiente para suprir todas as minhas necessidades.

Continuei por dizer ao Tom que se ele lesse deste credo uma parte da sua leitura diária, constantemente saberia que é um alcoólico vitorioso. Um alcoólico vitorioso é uma pessoa que percebe que tem um problema com o álcool e nunca mais pode beber, mas que esse problema nunca o venceu. Pela graça de Deus ele venceu o problema.

“E agora, Tom,” concluí, “ainda há mais qualquer coisa que eu quero que faças. Faz uma lista pessoal das tuas más e boas qualidades e pede a Deus para te ajudar a ultrapassar as más e a melhorar as boas.”

“Será que Deus não sabe quais são as nossas boas e más qualidades?”

“Ele sabe melhor que nós próprios, mas ficarás surpreendido pelo quanto isto te ajudará. Mantém um registro do teu progresso. Este inventário pessoal ajudar-te-á a ver onde estás a falhar e ajuda-te a fazer correções na tua vida, que te ajudará a viver uma vida vitoriosa.”

Recapitulamos todas estas coisas de novo antes do Tom estar pronto para sair, impressionando-o uma vez mais sobre a sua mente. Antes de ele sair para casa para junto da sua esposa e família inclinamos as nossas cabeças por um tempo para uma oração final.

Eu orei, “Querido Deus, eu trago o meu amigo Tom á tua presença. Ele tem uma vida difícil e uma dura batalha com a bebida, mas agora ele aceitou-te como seu Salvador pessoal. Ele aceitou por fé uma nova vida. Eu entrego-o ao Teu cuidado e guarda-o. Protege-o pelo Teu sangue, Senhor. Mantém-no junto a Ti nestes primeiros dias da sua nova vida e dá-lhe uma fome real e desejo de Te amar cada vez mais. Obrigado, Senhor, por o trazeres para o nosso caminho e pelo privilégio de podermos partilhar o que partilhaste conosco. Amém.”

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