O ego dos neuróticos
obsessivos apresenta-se dividido em uma parte lógica (que sabe o que é verdade
e o que é falso) e outra mágica (que repudia partes da realidade); o mecanismo defensivo do isolamento possibilita a manutenção dessa divisão; além deste
mecanismo, o obsessivo se serve também do deslocamento e da anulação.
Uma característica
fundamental na neurose obsessiva é sua ligação com o sentimento de
culpa; os neuróticos obsessivos tentam usar objetos para resolver ou
aliviar seus conflitos internos.
O neurótico obsessivo
tem medo de suas emoções e tem medo das coisas que as sugerem, fugindo do
macrocosmo das coisas para o microcosmo das palavras. O pensamento e a fala
tornam-se substitutos das emoções, ligados à realidade, recuperam as qualidades
originais, e perdem o seu valor para o uso prático.
O neurótico obsessivo
tende a crer na onipotência de seus pensamentos, e teme essa onipotência, isso
faz com que ele dependa daquilo que pensa. O pensamento do obsessivo é um
pensamento abstrato, isolado do mundo real das coisas concretas, sendo a dúvida
o conflito instintivo deslocado para a esfera intelectual. Os obsessivos se preparam
incessantemente para o futuro e nunca experimentam o presente.
A sintomatologia das
neuroses obsessivas é cheia de superstições mágicas; as ideias, sentimentos ou
condutas são vividos como forçadas, como se impondo ao sujeito, por mais que
ele lute contra elas e as ache absurdas; apresentam pensamento obsessivo (que
podem aumentar de tal forma na mente do indivíduo, que este pode ficar preso
por uma cadeia infindável de pensamentos, que podem paralisar ações práticas,
fazendo com que a dúvida seja a regra geral do comportamento obsessivo), a
atividade compulsiva, os rituais obsessivos (rituais envolvendo a verificação;
rituais envolvendo a limpeza; pensamentos obsessivos sem compulsões; lentidões
obsessivas e rituais mistos).
A neurose obsessiva
se instala no indivíduo mais tardiamente do que a histérica, afetando a
personalidade total do indivíduo em extensão muito maior do que na histeria. No
tratamento há mais dificuldade devido ao fato desse indivíduo ter dificuldade
de associar livremente, internalizar o conflito e apresentar um ego dividido,
estes fatores geram resistência.
Na neurose obsessiva
o indivíduo é assolado por pensamentos recorrentes e incontroláveis. São
dúvidas, tentações, ordens e proibições que trazem concomitantemente sofrimento
e satisfação ao ego. Esses pensamentos surgem como uma defesa contra qualquer
afeto ligado a uma experiência sexual traumática vivida na infância. Assim,
enquanto o histérico se mostra, o neurótico obsessivo se esconde atrás da
moralidade; freia em nome do amor, a sua agressividade pelo objeto. Na verdade,
tais pensamentos têm a função de promover um equilíbrio entre o desejo e a
proibição, salvando o sujeito da passagem ao ato. A partir disso, pode-se
pensar que aí está presente um mandamento fundamental da neurose obsessiva, que
é o tabu de tocar, como uma maneira de separar uma coisa de qualquer contato,
um jeito de isolar a representação de um afeto. Enfim, o neurótico obsessivo é
um sujeito que vive aprisionado por suas ideias torturantes onde a realização
do desejo não só é constantemente negada, mas também vigiada.
Nos casos
de neurose obsessiva, os sintomas são de tendências contraditórias – ou de
natureza negativa, como proibições, penitências, ou satisfações substitutivas,
em disfarce simbólico; nesses pacientes, a ambivalência se mostra como um fator
fundamental, ou seja, a uma ação determinada, se segue um segundo ato que anula
essa primeira ação. Freud demonstra, ao descrever teoricamente a obsessão em
“Notas sobre um caso de neurose obsessiva”, que o neurótico cria ele mesmo,
nesses casos, impedimentos para a realização de seus juramentos, por medo da
sanção que ele mesmo se colocou – o paciente cria situações complicadas,
difíceis de resolver, gerando um tormento para si. O sintoma, em casos de
neurose obsessiva, representa então o compromisso feito pelo sujeito de duas ideias
contraditórias. Esse sintoma obsessivo se dá no pensamento desses pacientes,
com o que Freud denomina inicialmente de ‘ideias obsessivas’ e depois de
‘pensar obsessivo’; nesses casos se estabeleceria então uma base de pensamento
patológico, sendo muito comum os obsessivos ficarem presos por uma cadeia
interminável de pensamentos.
O interessante é que os pacientes não
conhecem, eles mesmos, o contexto verbal de sua obsessão; esta é protegida por
deformações de conteúdo das possíveis tentativas conscientes para sua solução.
Há também uma onipotência ligada à condição obsessiva, que se refere o fato de
que esses pacientes acreditam que um ato seu tem o poder de causar mal e até
matar outra pessoa, por isso a rápida medida defensiva que adotam, para evitar
que isso ocorra; consideram, por exemplo, que um ato seu tem o poder de matar
alguém, e que com outro ato anulador ele pode impedir isso, ou seja,
superestimam o efeito de seus pensamentos hostis em relação ao mundo externo.
O que provocaria a formação desses
sintomas, no caso de uma neurose obsessiva, é a angústia em que o eu está
colocado, diante do superego; e nesse caso, é essa hostilidade advinda do
superego que representa o perigo de que o eu tem de se proteger. Os rituais,
cerimoniais, realizados pelo eu de forma a evitar a angústia advinda do superego
no caso da neurose obsessiva, são frequentes no período de latência e apenas um
pequeno percentual dos sujeitos mantêm isso no decorrer de seu desenvolvimento,
de forma a desenvolver a obsessão; para cada pessoa, então, de forma diferente
das demais, há um limiar de insuportável, um limiar além do qual seu aparelho
psíquico fracassa na tentativa de manter sob controle o que tem de ser
resolvido.







