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9/06/2011

O vício do alcoolismo

Judaísmo
Rabino Kalman Packouz

Noah (Noé) plantou uma videira pouco depois de sair de sua Arca. Logo que a planta produziu suas uvas, ele preparou vinho e começou a beber, até ficar bêbado.

O Midrásh nos conta que quando uma pessoa bebe um copo de vinho, ela se torna dócil e tranqüila como um carneirinho. Depois de dois copos, torna-se como um leão, prepotente e orgulhosa de todas as coisas que acredita poder executar. Depois de três copos, ela dança como um macaco. Depois de quatro copos, rola na lama como um porco.

Conta-se a história de um homem que bebia até chegar à total embriaguez e depois dormia nas calçadas. As crianças o insultavam e atiravam objetos nele. Seu filho, um proeminente membro da comunidade, estava muito triste e envergonhado com as bebedeiras do pai e procurava uma maneira de mantê-lo em casa.

Certo dia ele viu outro bêbado caído na sarjeta e um monte de crianças rindo dele. Rapidamente correu até em casa para trazer o pai, para que testemunhasse os malefícios da bebida. O pai, ao ver o homem deitado e sendo zombado pelas crianças, foi até o bêbado, abaixou-se e conversou com ele.

No caminho de volta para casa, o filho lhe perguntou: “O que o senhor disse para o homem?” O pai respondeu: “Eu não disse nada. Apenas perguntei onde ele havia conseguido um uísque tão bom”.

O vício do alcoolismo – como qualquer outro vício – é difícil de ser superado. Os Alcoólatras Anônimos nos EUA têm um plano de Doze Passos, que é a base para a recuperação de qualquer vício. Todos pensamos que temos controle sobre nossas vidas e assim sendo, é quase impossível quebrar vícios ou mudar nosso caráter.

A essência dos Alcoólatras Anônimos e grupos similares é fazer com que a pessoa perceba que não tem controle verdadeiro sobre sua vida e que precisa de ajuda de uma Força Maior.

O Rabino Doutor Abraham J. Twersky, fundador e diretor médico do Gateway Rehabilitation Center, um famoso e bem sucedido programa para a recuperação de dependentes químicos nos EUA, contou a história de um homem que se recusou a trabalhar como conselheiro de um alcoólatra ateu em recuperação, a menos que este concordasse em rezar todos os dias.

O alcoólatra professou sua descrença em D’us, mas concordou com aquilo que achou uma ‘exigência ridícula’. Depois de algum tempo, falou o alcoólatra em recuperação: “Eu ainda não acredito em D’us, mas agora percebo que eu não sou Ele!”

Uma pessoa e D’us já são uma maioria. Tragamos nossos problemas ao Todo-Poderoso e peçamos ajuda. Teremos assim uma chance maior de êxito. Ele não é conhecido como ‘Todo-Poderoso’ por nada. Ele possui o poder de ajudar e, quando pedimos Seu auxílio, isto já nos torna merecedores de receber uma ‘mãozinha’ dele. Nosso objetivo na vida é nos aperfeiçoarmos e imitar o comportamento Divino – e isto só é possível se reconhecermos Sua existência e Seu poder.

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