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9/06/2011

Drogas e Judaísmo ao mesmo tempo. Será Possível?


Judaísmo

"Shiker is Goyish" (Bebedeira é coisa de Goy) - uma expressão bastante comum no mundo Judaico. Será que Judeus não se embebedam? Não há Judeus que extrapolam? E quanto ao uso de drogas ilícitas, o que sabemos? A resposta é que sabemos muito! Judeus não são imunes ao mundo que os circunda.

Há sim Judeus (e muitos) que são dependentes químicos - tanto de drogas lícitas como álcool, remédios para dormir (Dormonid, Rivotril ...)(*), tranqüilizantes (Lexotan, Lorax, Valium, ...)(*) assim como drogas ilícitas como a maconha, cocaína, merla, crack e outros.

A culpa e a vergonha de ser Judeu e adicto ("viciado") impede muitos de buscar ajuda. Mas a dependência química não discrimina e ataca Judeus da mesma forma que não Judeus.

O que nós, Judeus, temos muito mais que outros povos é um fenômeno chamado negação - uma força interior que inicialmente nos impede de ver a realidade. No caso do usuário de drogas a negação vem quase sempre com uma frase: "eu não sou viciado.

Eu paro quando eu quiser." Infelizmente esta é uma crença sem base na realidade uma vez que o usuário abusador não consegue parar de usar sem ajuda externa. A doença da adicção é duplamente ruim, pois ela convence o doente que ele está são!

No lado dos familiares a negação começa com "não enxergar" (nós não vemos o que todos a nosso redor já vêem, o envolvimento de alguém de nosso meio com abuso de substâncias químicas). A negação prossegue com o segundo estágio, ainda mais perigoso. No segundo estágio nós já sabemos que o problema existe, mas nós fazemos de tudo para esconder sua existência.

Este estágio é o que o Dr. Benzion Twerski chama de "síndrome do shiduch" - escondemos a existência de um filho dependente químico para evitar "atrapalhar as chances de casamento" dos seus irmãos ou para evitar sermos discriminados socialmente. Infelizmente as estatísticas mostram dois fatos muito tristes:

1. Nos USA os Judeus são o grupo étnico que mais demora a buscar ajuda para seus dependentes químicos
2. Em função desta demora, entre Judeus há menor percentual de recuperação!

Aqui no Brasil temos conhecimento de mortes de Judeus por overdose. Diversos casos de mortes em acidentes sob influência de drogas e/ou álcool. Muitas famílias desestruturadas, vivendo com tensão permanente e até com medo um do outro. Existem recursos, os recursos são gratuitos e estão disponíveis a toda hora.

Basta querer sair deste rodamoinho que traga as famílias, seus recursos emocionais e econômicos.

O grande grupo de risco são os Jovens a partir dos 12 anos, mas com mais ênfase a partir dos 14. Esta é geralmente a idade de início de contacto com as drogas. A faixa de risco de entrada no mundo das drogas vai até a faculdade e cabe aos amigos e aos pais um papel importante de dissuasão - mas é necessário que se aprenda como fazê-lo. Nada adianta dizer que a droga é ruim - isto não é verdade pois ninguém se entrega a algo que não seja prazeroso.

O início se dá por pressão do grupo social (amigos), por depressão de adolescência (a droga suspende os momentos de angústia, de sensação de inadequação ou de euforia em excesso) ou ainda por curiosidade. A entrada nas drogas é muito mais fácil que sair delas - e isto é difícil de explicar aos jovens. Mas muitos que lá chegaram querem sair e para ajudá-los existe o JACS.

Em 1979 nasceu nos USA um movimento chamado JACS, já presente no Brasil. É um grupo de mútua-ajuda que se dedica a encorajar Judeus alcoólicos, dependentes químicos bem como seus familiares, seus amigos e parceiros a buscar a recuperação num ambiente Judaico acolhedor. O JACS estimula os Judeus em recuperação e seus familiares a se conectarem, explorarem suas raízes e descobrir recursos dentro do Judaísmo para ajudar sua recuperação.

O JACS não se alia a nenhuma forma específica de prática Judaica, englobando absolutamente todas as correntes do pensamento Judaico. Nós sabemos que adicção (a drogas ou álcool) é doença física, mental e espiritual - uma doença que pode ser tratada com sucesso com ajuda correta e com informação. Nós sabemos porque aconteceu conosco e o JACS ajudou nossa recuperação.

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